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Construindo o AFS, vivendo sua história

História de: Pedro Wilson Leitão Filho
Autor:
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Pedro Wilson Leitão Filho conta como foram seus primeiros anos de vida em Belém do Pará, com suas lendas e sua proximidade com a floresta – seus cheiros, seus animais... Pedro conta também como foi mudar com a mãe para o Rio de Janeiro de navio, depois da perda do pai. Foi na escola, no atual Ensino Médio, que Pedro ficou sabendo do AFS. Pedro conta como foi seu intercambio no Estado de Minnesota, com um pai escoteiro – atividade que Pedro já fazia parte no Rio de Janeiro. Ao voltar dessa experiência que o definiu como cidadão do mundo, Pedro conta como foi sua relação com o AFS durante sua trajetória de vida: ajudou a formalizar o AFS Brasil, foi Presidente do Conselho e também do Conselho Fiscal, além disso, Pedro também casou-se com uma AFSer, envio seus 4 filhos ao exterior e foi pai hospedeiro.

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História completa

Em 1965, eu devo ter procurado o AFS. E aí, eu me inscrevi, eu não me lembro mais como é que era. Devo ter preenchido algum papel, alguma coisa assim. E aguardei por uma visita na minha casa. E aí, foi um casal de pessoas. Me lembro da moça quem era, Bebel Coutrin, e o outro rapaz eu não me lembro. E eles foram lá em casa, conversaram com a minha mãe, com a minha tia, conversaram comigo. O que tinha – digamos assim – de chamar atenção na minha experiência no Rio de Janeiro, desde que eu tinha chegado de Belém, foi o fato de eu ser escoteiro. Eu era escoteiro no Clube do Fluminense, era um grupo de escoteiro muito especial, que tinha um modo de ser escoteiro muito mais, digamos assim, o que hoje chama de esporte de aventura, do que pra um experiência meio militarista como no geral se vê no escotismo. E era um grupo muito interessante com o qual eu me vinculo até hoje. Minha juventude no Rio de Janeiro era muito campo, era muito acampar; fazer caminhadas e excursões pelos parques, pelas áreas daqui; até mesmo viajar pelo Brasil, fazer acampamento em Porto Alegre, Minas Gerais...

A gente escalava aqui o Pão de Açúcar, Corcovado, essas pedras todas aqui e isso era minha vida era muito orientada pra isso e pra garotada que morava no Catete, aqui próximo ao centro da cidade, onde eu sempre morei. E ai eu me interessei pelo AFS e sofri muito porque o resultado não chegava, não chegava e tal, e eu fui um dos últimos resultado a chegar em 65 e ai fui informado que eu ia pra essa família em Minnesota e adivinha? O pai da família era um chefe escoteiro. E aí, a vida teve padrões muito parecidos e, ao mesmo tempo um contexto muito diferente, porquê? Você tinha as chamadas cidades gêmeas, que são as capitais do Estado de Minnesota, Minneapolis e Saint Paul. Minnesota é um estado cheio de lagos, são 10 mil lagos, é belíssimo o lugar. O inverno extremamente rigoroso. Você pegava inverno de novembro a quase maio e esse ano que eu passei lá você tinha neve na porta de casa de um metro de altura do final de novembro até abril praticamente. Então, é um povo que aprendeu a lidar com o frio, com a neve, né? Eu continuei a ter o mesmo estilo de vida que eu tinha aqui no Rio: natureza, caminhada, só que fazendo coisas diferentes. Eu aprendi a pescar no gelo; eu aprendi a atirar. Era uma vida muito próxima da natureza que eles tinham.

A grande descoberta foi entender que era possível viver de formas diferentes no mundo, que o mundo acomoda uma diversidade que eu não sabia que existia e que passou a me fascinar. A partir daí, eu me declarei cidadão do mundo e aberto à diversidade de modos de viver no mundo. Acho que o AFS foi pra mim a porta de passagem pra uma visão global, globalizada, pra uma cidadania global.

Desde que eu cheguei do AFS [do intercâmbio], havia um grupo de AFSers, como a gente chamava naquela época, que tocava o comitê Rio de Janeiro e era muito ativo. A gente chegou a organizar seleção nacional, tinha reuniões todo fim de semana e era mais ou menos reuniões e festas. A gente se reunia pra festejar, pra estar juntos, porque a gente se conhecia, se gostava, aproveitava e fazia as coisas do AFS que precisava fazer. Faziam as seleções, era um grupo extremamente ativo. Pelo menos umas 20-25 pessoas direto fim de semana, durante dois, três anos, rolou assim. E aí, eu fui convidado pela Maria Helena Vilela, que morreu esse ano, que era uma AFSer, de uma das primeiras turmas, que era um amor de pessoa, era uma criatura excepcionalmente, generosa, fina, tudo. E Maria Helena, não lembro exatamente como, virou Secretária Executiva do AFS. Alguém a convidou, não sei como foi. E ela me convidou pra ir trabalhar com ela, e a gente montou um grupo na Secretária Executiva.

A gente criou o AFS do Brasil, numa convecção em Arcozelo. A gente criou esta instituição e nós fizemos pior: nós não só criamos o AFS do Brasil, como a gente provocou essa história do intercâmbio não ser só com os Estados Unidos, mas ser entre o mundo inteiro! Só que a gente fez isso e não pensou na parte financeira. E isso acabou acontecendo, o AFS Internacional aceitou essa pluralização, só que nenhum, nenhum AFS Nacional, tinha as condições financeiras pra bancar, então essa transição demorou bastante, até que os AFSs nacionais pudessem garantir a recepção de pessoas de várias partes do mundo e ir para várias partes do mundo. Mas foi uma mudança, eu acho que importante, necessária.

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