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Construindo a história do Metrô e dos transportes públicos em São Paulo

História de: Aílton Brasiliense Pires
Autor: MetroSP
Publicado em: 21/06/2018

Sinopse

Ailton conta sua trajetória, que converge em termos de história de avô, de pai, do outro avô, do vizinho de frente. Por conta dessas influências ele foi trabalhar na Light, como engenheiro eletricista em projetos de estações transformadoras e depois acabou entrando no Metrô: passou pelas áreas de planejamento, operação e projeto e quase foi também para manutenção. Ele destaca, já no início de sua carreira no Metrô, os padrões de qualidade da empresa e de como ele levou esses conceitos para outros lugares onde trabalhou. Além da Ligth e do Metrô, passou pela  CET-Companhia de Engenharia de Tráfego, CPTM-Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, Secretaria de Transportes Metropolitanos e ANTP-Associação Nacional de Transportes Públicos, além de uma temporada em Brasília. Ailton ressalta que o Metrô, além de agente transformador da cidade em termos de qualidade de vida, “criou um ambiente”, onde as pessoas mudaram de comportamento ao entrar nas estações. Suas experiências, tanto na vida em família quanto na diversidade de sua trajetória profissional, trazem uma riqueza de histórias e causos, que levam a prestar bastante atenção nas entrelinhas de sua narrativa. 

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História completa

Ailton Brasiliense Pires nasceu em São Paulo, no dia 02 de agosto de 1946, na maternidade do Brás, é neto de portugueses e filho de pai paulistano, a mãe de origem portuguesa era tecelã de seda e veio para o Brasil em 1912.


O avô materno era analfabeto e trabalhou como assentador de trilhos na São Paulo Railway que é precursora da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. O seu avô paterno morava no Brás, falava cinco línguas e foi um dos primeiros pilotos da Força Pública em São Paulo. O seu padrinho de batismo, era um vizinho que trabalhava na Light, assim, além do pai que também foi da Força Pública, os seus avós e o seu padrinho, tiveram grande influência na sua formação e nas suas escolhas.


Cursou os primeiros anos em escola católica, e a partir do terceiro ano, até o término do colégio, estudou em escola pública. Foi nesse período que conheceu Sirinha, com quem namorou e está casado há 46 anos. Do casamento, nasceram a filha Patrícia, que é odontóloga, e o filho Maurício, que é advogado.


Ailton conquistou duas graduações, a primeira de Matemática em um curso complementar ao de Engenharia Elétrica, que cursava na Escola de Engenharia Mauá, e que foi concluído em 1972. Nessa época havia carência de professores e ele aproveitando a oportunidade dos cursos criados pelo MEC na Universidade Federal de Itajubá, viajava as sextas-feiras à tarde para estudar à noite e no sábado em período integral. Foi nessa época que montou um cursinho para ajudar as pessoas. Fala com orgulho da aluna Angélica que superou as dificuldades e se formou em matemática.


Seu primeiro emprego, em 1973, foi como Engenheiro Eletricista Júnior na Light, empresa contratada para prestar serviços principalmente na área de transporte e energia elétrica. Ailton nos conta como a Light participou na construção da lógica da cidade, propondo à Prefeitura os loteamentos. Foi em 1974, época em que cursava o mestrado na Poli, que recebeu o convite para trabalhar no Metrô. Não aceitou de imediato, pois queria terminar um trabalho na Light e concluir seu mestrado. 


Quando decidiu aceitar a proposta do Metrô, a vaga na operação não estava mais disponível, assim foi trabalhar no Planejamento, onde conheceu Plínio Assmann, que viria a se tornar um grande amigo. O primeiro dia de trabalho foi muito marcante, conta que havia um papel na parede com os dizeres: “Objetivos gerais da Companhia: 1-Inaugurar o trecho de Jabaquara / Santana em 26 de setembro de 1976...” e ele achou que não seria possível. Plínio Assmann fez toda a explicação e disse “agora vocês vão fazer uma visita à obra... peguem os capacetes”. E eles foram, a pé, da Rua Augusta até a estação Sé e do túnel perto de São Bento até Santana. Quando chegaram já era noite.

Ailton acompanhou várias atividades que eram executadas simultaneamente. Não acreditava na inauguração em tão curto espaço de tempo, trabalhavam 24 horas por dia, até que o trecho que ligava a Sé a Santana foi inaugurado no dia 26 de setembro e operava das 06h30 às 20h30. A inauguração despertava euforia, satisfação, orgulho nas pessoas.


Conta que o Metrô desenvolveu as normas técnicas, no campo metroviário e fora dele também, a famosa  ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Nos primeiros anos do Metrô, os fornecedores foram ensinados a trabalhar nos padrões que o Metrô precisava.  Ailton lembra de uma senhora, que vinha com uma sacolinha, tira o sapato, pega outro, coloca no chão, pega aqueles que estavam sujos, guarda na sacola e só depois entra no metrô. Mostra com esse relato a construção da imagem da empresa e como o Metrô construiu esse ambiente de organização, limpeza e respeito.


Em sua passagem pela área de Operação, relata que ao levantar informações sobre o intervalo de trens, se deparou com uma situação inusitada, havia atrasos nos tempos de intervalos que sua equipe não sabia explicar, ao apurarem os fatos, descobriram que os atrasos aconteciam porque o Operador de Trem recebia o sinal para fechar a porta, mas quando via que ainda haviam pessoas chegando, esperava. Eram 24 portas abertas de um lado e mais 24 do outro. Em que momento as 48 estariam liberadas para fechar? Questionava-se. Assim, determinou em 30 segundos o tempo para fechamento das portas.


A história de Ailton está toda ligada à expansão do Metrô, ele destaca que um dos méritos do Metrô é valorizar a cidade, que trabalha buscando minimizar a desapropriação e facilitar a vida de quem mora perto ou é passageiro integrado. Busca no entorno o máximo de atividades de interesse da cidade, dá como exemplos a proximidade de shoppings e escolas. Em sua trajetória profissional também atuou na CPTM, na Secretaria de Transportes Metropolitanos, que engloba o Metrô, e a EMTU. Esteve presente na concepção da CET, o órgão de trânsito da Prefeitura de São Paulo responsável pela gestão do trânsito.


Hoje, Ailton Brasiliense é referência em planejamento de transportes, ocupa o cargo de Presidente na ANTP-Associação Nacional de Transportes Públicos e atua no Metrô, na Diretoria de Planejamento de Transportes Metropolitanos.

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