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História

Construção social e desenvolvimento local

História de: Vera Lúcia Campos Germano
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/07/2020

Sinopse

Nesta entrevista,Vera relatou sua trajetória profissional, sempre relacionada com desenvolvimento social de comunidades rurais e afastadas. Inicialmente, trabalhando na Transamazônica, saindo desse cargo e indo trabalhar na Secretaria de Planejamento do Estado do Pará e, por fim, foi convidada para trabalhar na Albrás na área de relações externas.

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História completa

P1 – Você poderia começar falando o seu nome completo, local e data de nascimento, por favor. R – Meu nome é Vera Lucia Campos Germano. Nasci em 7 de abril de 1950 em Taperoá , na Paraíba. P1 – E, Vera, você poderia contar, em traços rápidos pra gente, a sua trajetória profissional até o contato com o CDI [Comitê para Democratização da Informática]? R – A minha trajetória inicia na Transamazônica trabalhando num programa de extensão rural. Qual é o objetivo da extensão rural? Era levar conhecimento para os agricultores. E a parte econômica, um dos agrônomos desenvolveu o papel. E nós da área social dávamos um apoio sobre orientações em educação sanitária, educação alimentar. E naquela época também tinha a parte de organizações comunitárias. Apesar de ser um período da ditadura, a organização em si era muito incipiente. Era mais em termos de organização dos produtores em si. Depois disso eu continuei sempre trabalhando nessa área de organização. Saí da Transamazônica _____. Trabalhei na Secretaria de Planejamento do Estado do Pará também num setor chamado de Desenvolvimento e Comunidade, onde também trabalhamos em alguns interiores para a emancipação de alguns municípios. Sempre voltado nessa área de organização. Depois eu tive um convite pra trabalhar na Albrás também nessa área de relações externas, onde eu estou há 18 anos. P1 – Você poderia falar um pouco desse trabalho na Albras? Quais são as linhas do trabalho, os projetos desenvolvidos? R – A linha da Albras, a Albras é uma indústria metalúrgica, do ramo de alumínio. E ela tem um trabalho, mesmo antes desta história de responsabilidade social que hoje está muito divulgado, está muito na moda. Mas a Albras ela já desenvolve um trabalho desse desde 1985. As linhas são de fomentar trabalhos de geração de renda, do crescimento do cidadão. Mas é mais voltado na geração de renda na área de educação e cultura. P1 – Você poderia falar um pouquinho pra gente da instalação da Albras aqui no Pará, onde que ela age, onde que ela atua e quais são as populações com a qual ela trabalha? R – A Albras ela atua no município de Barcarena . Ela é uma subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce e ela trabalha com alumínio primário. Ela tem a composição acionária, 49% é da (Mac?), que é um holding de empresas e bancos japonesas, e 51% é da Companhia Vale do Rio Doce. Ela hoje, em termos de empregado, ela tem, um grande percentual de empregados já é do Estado do Pará. E, vamos dizer assim, ela perdeu o impacto no município, na região, onde era uma região que não tinha tradição industrial. E, como os grandes projetos, ela trouxe benefícios e alguns problemas sociais na região. Agora, como é que a gente coloca? Lá, quer dizer, ela vem pra dar um apoio nesse programa de responsabilidade social. Tem uma aproximação com a sociedade local, com as Prefeituras, com as Organizações Não Governamentais. E nós temos alguns programas, vamos dizer assim, instalados. Um deles é o Nosso Lixo tem Futuro, que é um programa desenvolvido com a Prefeitura de Barcarena , Abaetetuba , (Moju?) , Igarapé Miri e agora está sendo implantado em (Camecado?). Esse trabalho, a Albras equipou as unidades de reciclagem e postagem, capacitou as pessoas para trabalharem e fez uma doação para as Prefeituras. Além disso a Albras já investiu em, por exemplo, o Campus na Universidade Federal de parauapebas foi todo construído pela Albras. Um projeto de um arquiteto indicado pela própria UFPA, utilizando as condições das áreas, da região, o material da região. E ela tem investido. Apesar de pagar os impostos, ela tem um investimento muito grande nesse trabalho de área social, como a construção de pontes, rodovias, escolas, postos de saúde. E até existe uma inversão do município onde a Prefeitura. Por exemplo, Barcarena ela é uma Prefeitura que arrecada, em termos de impostos, ela fica entre a terceira e quinta, oscilando entre parauapebas e Tucuruí em termos de arrecadação do Estado. P1 – Do Estado. R – Do Estado. Do Estado como um todo. E o município ele tem menos de 100 mil habitantes e os políticos jogam muito com essa questão. Eles não fazem a parte deles e acham que tudo quem tem que fazer é a empresa. E por outro lado também a população como um todo ainda não tem essa consciência de exigir. Que o que hoje é feito com os impostos ainda é muito pouco. Pouquíssimo.Precisa ter uma mudança. Existe muito essa confusão. Aí o prefeito diz: “Não, olha, quem tem que fazer isso é a Albras ou Alo Norte ou outras empresas grandes que estão lá. Tem presença de dualidade , não muito bem definida. P2 – E como é que entra a parceria com o CDI dentro do programa de responsabilidade social? R – Então, como é que nós conhecemos? primeiro já tem um convênio que o CDI já vinha desenvolvendo com a Fundação Vale do Rio Doce. E tinha lá, vamos dizer assim, como os equipamentos sempre são atualizados, existia muito pedido de computador. A escola de informática, o equipamento _____ equipamento. A partir do momento que tomou-se conhecimento da filosofia do trabalho do CDI, era muito interessante eu acho que pras duas partes. Você destinava o equipamento pra comunidades que realmente precisava. E com esse cunho que você não vai aprender informática por informática. Foi aí que estabeleceu a parceria, onde a própria Albras ela repassou alguns recursos financeiros pra questão da coordenação pedagógica e ela entra doando os equipamentos e mobiliando as salas. No momento ela dá as bancadas, quadro magnético, o aparelho de ar condicionado, além dos equipamentos. P1 – E o CDI entra com o que, assim? Qual é a parte do CDI nesse acordo? R – O CDI entra com a capacitação do grupo e aquela filosofia toda de orientação. P2 – A Albras ela montou a EIC [Escola de Informática e Cidadania] da Copiai ? R – Isso. P2 – E as outras também? R – Também. P2 – Então quantas foram ao todo? P1 – Qual a área delas? R – Toda a área delas nós vamos fechar em dez. Nessa primeira parte do convênio com o CDI seriam dez EICs. P1 – Em que região? Você poderia explicar _______? R – Uma micro-região considerada o município de Barcarena , Abaetetuba , (Moju?) e Igarapé Miri. Nesse município várias localidades, inclusive uma que é na zona rural, que é a primeira EIC aqui no Pará da zona rural. É nesse convênio que a Comunidade Vai Quem Quer, que é uma comunidade de agricultores. É uma comunidade de baixa renda. E foi instalada a primeira. Foi possível em função desse convênio com o CDI, a comunidade e a própria Albras. P2 – E o seu papel entre essas EICs apoiadas pela Albras em parceria com o CDI? R – Esse trabalho, como é que foi feito? Normalmente, como a gente tem as áreas de atuação e tem os pedidos, a gente vai lá. Por exemplo, eu trabalho, por exemplo, o Vai Quem Quer, nós trabalhamos com a Associação dos Produtores Rurais, que envolve três localidades. E a gente fortaleceu o movimento da Associação. Incentivou, junto com a Prefeitura, que eles se legalizassem, pra ser um porta-voz, apesar das pessoas ainda não terem aquela visão ainda muito politizada. Nós estamos discutindo para eles correrem atrás dos direitos, do crescimento.Com isso, nós identificamos. Por que não a gente não incentivar uma escola de informática nessa área? Já que foi construído um prédio grande com Centro Comunitário. Lá eles têm, por exemplo, dentro desse projeto nessa comunidade eles têm horto de plantas medicinais. Nós temos um convênio com a Embrapa, a Amazônia Oriental onde, por exemplo, a Albras comprou um equipamento que tritura a poeira pra não ter fogo. Plantar sem queimada, que o grande problema aqui na região é a queimada. Aí surgiu, tem a escola. Pra vocês terem uma idéia, essa comunidade, apesar de ser a 17 quilômetros da fábrica da Albras, a escola ainda era, até o ano passado, multisseriada. Numa sala funcionava todas as sedes. Com esse convênio da Prefeitura e a Albras possibilitou implantar uma escola com quatro salas de aula, com toda uma infra-estrutura que a anterior não tinha. Nós discutimos. “Olha, porque a gente não incentivar a informática?” E como é uma comunidade que não é muito grande, qual é o pensamento? Depois que você capacitar esse grupo, você ficaria com essa escola como um apoio dentro da produção, onde eles pudessem controlar. Por exemplo, lá foi instaurada agora uma pequena indústria de farinha que vai precisar dos controles de produção. Quer dizer, você tem todo um deslocamento nesse sentido. E eu entro no meio dessa história fazendo meio campo entre a CDI, entre a Albras, entre a Associação e a Prefeitura. P1 – Por exemplo, para ficar nesse projeto do Vai Quem Quer, que eu acho que é o novo, talvez o novo desafio de vocês. E como que foi a recepção da própria comunidade pra idéia da abertura da EIC? R – A primeira vez que nós contatamos a Dona Lauriz , ela assim, que ela é a líder da comunidade. Quando a gente discutiu uma possível, ninguém foi lá já prometer e tal. A Bruna ficou, a Bruna aqui do serviço, ela disse: “Oba, então um dia nós vamos ter Internet, né?” Quer dizer, ela não quer nem o computador... [RISOS] R - _____ de pobre. Até chegar lá um dia, né? Quem sabe? Quer dizer, a recepção foi muito, foi boa, né? Hoje tem o _____. Tá funcionando, começou a funcionar em agosto. E a primeira turma vai sair agora. Dia 14 de novembro deve ser a entrega dos certificados. Tá caminhando.Naquele início ainda. A EIC está capacitando. Lá tem, por exemplo, duas moças, uma delas que é da EIC, ela faz pedagogia. Isso facilita um pouco a implantação da metodologia de projeto. Ela facilita. É nesse sentido. P1 – E outros projetos que vocês, nas outras EICs? Quais que, você poderia dar um exemplo? R – Por exemplo, lá no... P2 – Desculpe, só pra voltar um pouquinho. Pra terminar essa experiência é interessante porque a primeira EIC Rural. Eu queria explorar um pouquinho mais. Quem é o público dessa EIC? Como é que tá recebendo pra isso? R – O público da EIC nós temos lá entre pessoas, vamos dizer, de 50 anos, e tem a garotada. Eles são, nós não podemos considerar que todo mundo é agricultor. Porque aqui na Amazônia normalmente, vamos dizer, eles são mais extrativistas. Só que essa comunidade, pela característica dela, ela não tem mais muita coisa pra você ser um extrativista. Você tem que, daí em diante, você tem que trabalhar a terra. E uma dificuldade da questão de trabalhar a terra são os de fomento, de assistência técnica. Que você não tem, por exemplo, não tem documentação da terra. Às vezes ele não tem nem documentação pessoal.Hoje eles estão passando assim, tentando incentivar para que eles permaneçam no campo dando uma qualidade de vida melhor. Porque, por exemplo, quando a gente tá tentando, porque o plano de algumas pessoas, algum pensamento de algumas pessoas é: “Não, eu quero sair daqui porque aqui não vai me dar nada. Eu vou ser um empregado, ou na Albras ou na Prefeitura, não sei o que.” Aí a gente tá mostrando que não é bem isso. Você tem uma terra. Você pode até ganhar muito mais do que um empregado. Vai ter o dinheiro pra passear, pra caminhar.Algumas famílias dessas elas estão já engajadas no trabalho. Estão começando a produzir já. Mas a gente considera ainda assim o início de um trabalho. Um desafio dessas pessoas. E a EIC, vamos dizer, tem discutido. Tem um trabalho. Começaram a discutir, por exemplo: “Ah, lixo. O que é que a gente faz com o lixo aqui na Zona Rural?” E nós estamos desenvolvendo alguns trabalhos. P1 – Talvez dar uma mapeada desses outros projetos, né? R – Isso. P1 – Dar o prazo e __________. R – Por exemplo, no Monju a EIC fica numa Associação de Mulheres. ______ até aqui. E a Associação de Mulheres ,ela não é tão politizada. A princípio você tem a Associação de Mulheres, não tem. é o inverso. também nós apoiamos. Que na época tinha pedido de computadores. Aquela história. Volta a mesma história. Não,não vamos dar só o computador. Lá, por exemplo, a Albras está incentivando com eles. Eles fizeram um projeto que é o Projeto Empreender, de sandálias artesanais. Eu acho que deve ter falado. A Albras comprou o material e entregou pra eles. Inclusive ontem a moça foi pegar a segunda parcela do projeto. É nesse sentido de tentar, vamos dizer assim, permitir, possibilitar que faça alguma coisa nesse sentido. Porque talvez fosse mais cômodo você pegar um dinheiro, como tem patrocinado. “Dá 10 mil reais pra não sei o que ______.” Tá com o nome l. E talvez a repercussão fosse até maior do que, no momento, o que se faz. P1 – Tem outros projetos além desses? R – Desse, como o Antônio já deve ter falado. Tem o da Bacarena que é na Câmara Municipal. Ta iniciando também a EIC lá. E tem a Abaetetuba . Vocês já conversaram com alguém lá da Abaetetuba ? P1 – Não. R – Então a Abaetetuba é um município próximo de Barcarena . Tem um grande problema lá em Abaetetuba porque é uma área de contrabando. P2 – Contrabando de... R – Contrabando de cigarro. P2 – É entrada de contrabando? R – É entrada de contrabando. P2 – Que vem da Guiana? R – Da Guiana e de outros tantos mais. Até fala-se muito em droga. O município de Abaetetuba teve problema. Há quatro anos atrás a prefeita anterior teve uma revolta, vamos dizer assim, dentro do município. A polícia matou alguma pessoa envolvida do cigarro. E a população se revoltou . E, bom, esse fundo de, ninguém sabe até que fundo é uma revolta total da população, ou incentivaram pra você destruir até provas do fórum. A população tocou fogo no fórum, na Prefeitura. Tentou tocar fogo na casa do prefeito, na época. E em seguida a isso veio um novo bispo, o Don Flávio. E o Don Flávio, ele chegou num lugar assim no município que estava essa confusão toda. Ele tentou, deu uma reorganizada. Envolveu a Associação Comercial, chamou a Albras, chamou Prefeitura, Câmara. Ele tentou dar uma nova, uma amenizada no município. P2 – Um pacto, né? R – É. Desse pacto aí, o Don Flávio ele conseguiu com um empresário em Itaúnas , verbas. Ele montou um Centro de Formação Profissional. Aí a Albras, nessa montagem desse Centro, a Albras doou todo o projeto de engenharia, designou gente pra ajudar. Uma parte de material. E o Don Flávio conseguiu equipamentos com a Itália. E conseguiu botar uma sala de informática. Que não tem nada a ver, um curso de informática com equipamentos modernos e não tinha essa visão de CDI. Aí o Don Flávio também andou atrás pedindo, além desses projetos de engenharia, essas outras coisas, veio a área de informática. E aí o Paulo Ivan, que é o coordenador, o gerente, o Paulo Ivan da Albras, disse: “Olha, nós estamos agora com uma parceria com o CDI.Vamos apresentar o CDI pra vocês.” Que na realidade que ele já tava querendo? Ele tava querendo uma biblioteca virtual. Aí nós envolvemos de novo o CDI e junto a isso ele implantou uma EIC numa outra escola, na São Francisco Xavier, que é uma escola, ela é paga. Tem um valor pequeno. E foi montado uma EIC. Que aí atende também à comunidade do centro da cidade. No Cristo Trabalhadores já fica na periferia. Muitos já atendem a essas outras pessoas. Então, também, nós entramos nesse trabalho. P1 – E a CDI, como vocês são escolhidos educadores da EIC? R – Aí a comunidade, vamos dizer, nessas associações eles que indicaram as pessoas. Por exemplo, no Vai Quem Quer, lá na (Copiside ?) nós tínhamos começado um trabalho com algumas crianças que estavam na frente de comércios, do supermercado, da padaria. E aquilo me incomodava muito. A gente chegava na Estação Tamanduapava , aí vinha a criança pedir moeda e tal. Aí eu digo: “Olha, não pode. A gente faz um trabalho pra não poder conviver com isso.” Aí eu peguei, eu convidei os meninos da nossa EIC. Eu digo: “Olha, vamos montar um trabalhinho que a gente possa tentar ver se a gente tira aquelas crianças de lá. Vamos ver quem é.” Aí fizemos todo um trabalho de aproximação com essas crianças. Aí, bom, a gente já sabia de antemão que os pais estavam desempregados. Fomos visitar as casas e montamos um... Dava uma turma e 16 crianças, entre jovens e adolescentes. Eu digo: “Olha, vamos atrás ver se a gente consegue padrinho solidário que pudesse pagar a mensalidade.” Aí reunimos algumas pessoas de outras empreiteira, de outra cooperativa, da própria Albras. Aí mostramos, passamos o vídeo do CDI, o que era. E nós estávamos atrás de uns padrinho para pagar. Aí nós conseguimos mais padrinhos do que alunos, que eram 16. Como tinha o pedido do Vai Quem Quer, eu digo: “Olha, vamos ver. Se eles quiserem a comunidade indica.” E esses quatro da Vai Quem Quer entra nesse projeto do apadrinhado. Aí fomos. A comunidade indicou quatro pessoas. Que era a Dilma, que faz pedagogia, mais três pessoas. Aí eu digo: “Olha, acontece o seguinte. O curso é na (Copisai?). Tem estes horários e tal. Aí a pergunta deles: “Ah, Vera, mas é lá na (Copisai?). Daqui lá da 18 quilômetros.” Eu digo: “È, 18 quilômetros.” Aliás, dá 16 quilômetros. “16 quilômetros.” “E transporte?” Eu digo:“Não, transporte eu não tenho. Nem tem como patrocinar nem nada. O que nós estamos oferecendo é o curso . E com perspectiva depois, quem sabe, ter a escola de informática aqui no Vai Quem Quer.” Aí disseram: “A gente topa.” Eu digo: “Bom, como vocês agora não podem faltar”, aquela história toda. Aí eu digo esse meu pensamento: “Eu acho que não vão porque lá não tem linha de ônibus normal assim, regular.” Foi uma época que, de carona ou de bicicleta. Aí qual foi a nossa surpresa à noite, de participar. Depois que eles entraram, não teve falta. E terminaram. E hoje eles que são multiplicadores. Então é dessa maneira. E os outros, vamos dizer assim, são incentivado a questão da multiplicação. Você já deve ter lá um que possa ser um monitor. Aí ele já vem ajudando. Depois ele é convidado pra ser o educador e é assim que a gente tem trabalhado essa questão da multiplicação. P1 – E a formação desses educadores, então, é feita lá ou tem, como que é a relação do CDI? Vai alguém do CDI lá? R – Vai alguém do CDI. Nós fizemos, reunimos várias localidades. Foram feito capacitação lá. P1 – Aonde que era exatamente? R – Eles quiseram, por exemplo, na Copisai nós temos uma sala, que era uma sala de alfabetização. Hoje é uma sala de capacitação.Normalmente é feita lá. Porque centraliza, as pessoas vão pra lá. Já foram feitas capacitação e até manutenção de computadores. P2 – Qual é a maior dificuldade na implantação de uma EIC? R – Eu acho que ainda continua, vamos dizer assim, a questão pedagógica. De você trabalhar, vamos dizer, a metodologia de projetos. Porque normalmente, vamos dizer, apesar da escolaridade, a maioria não tem essa visão, que você tem que trabalhar. Nós vamos trabalhar com projetos. Vocês são protagonistas dentro da sua comunidade. Eu acho que ainda é essa. Você vai fazendo, com as dificuldades, coisa e tal, trabalhando. Mas eu acho que ainda é um pouco a metodologia pra você não ficar, porque senão você vai dar a sua aula. “Ah, o computador, como é que faz Word?” Não é esse o objetivo. Quer dizer, é isso e mais alguma coisa. Eu acho que a maior. Nós mesmos na Copisai , no início, nós tivemos uma dificuldade grande. E nós tínhamos, os nossos educadores tinha um que era estudante de pedagogia, tava quase terminando. Quer dizer, praticamente se tem aquela filosofia. Tem um outro que era professor. Tava fazendo Geografia. E nós tínhamos dificuldade de trabalhar a metodologia de projeto mesmo. Já quando foi agora, depois que, aí vai amadurecendo. Aí foi adiantando, foi melhorando. E hoje nós já temos um garoto, que não são mais esse que faz, ele está fazendo o segundo grau e ele está descontando assim com, já está envolvendo, já está trabalhando, já está montando o projetinho. É isso que estimula a gente a lutar e correr atrás, e que vale a pena. P1 – Assim em termos de experiências, talvez algumas experiências que se destacassem, ou mesmo casos específicos de alunos, Vera. Você poderia descrever pra gente? R – Eu acho que um interessante é esse. Por exemplo, esse do projeto que nós chamamos apadrinhar a inclusão digital buscando a inclusão social. Essa é uma experiência assim que está sendo muito boa. Por exemplo, um estabelecimento que é um estabelecimento comercial grande , e é aqui no Pará, que é a Yamada , ela trabalha com rede de supermercado, hoje. Nós tínhamos muitas crianças na frente. Hoje não tem. Hoje você tem um pai que ficou no lugar dessas crianças. E, por exemplo, a gente conseguiu levar a mãe, mãe e pai, pra trabalhar na (Copisai?). Como a gente tava começando um projeto de sandálias, hoje nós tínhamos essas pessoas trabalhando na cooperativa. E nós estamos dando agora um segundo passo que é, nós vamos fazer um fórum. Vai ser agora dia três de novembro, sobre a erradicação do trabalho infantil e a lei da aprendizagem. Lá tem , a maioria das empresas ainda não está cumprindo a lei da aprendizagem. Então ta aí. Nós fizemos um trabalho junto à Secretaria Municipal de Assistência Social e nós estamos levando alguém da Delegacia Regional do Trabalho. Que ela vai com o papel de mostrar a lei, mas também como fiscalizador. E nós vamos fazer uma mesa redonda e tentar sair com um plano de ação. Porque você tem ainda criança trabalhando no lixão da cidade, que ainda não está desativado. E alguns em comércio. Alguns em transporte alternativo, vans onde a maioria dos cobradores são menores. A gente tá tentando fazer assim uma mobilização grande que é resultado daquele projetinho inicial de retirar as crianças de frente do. Hoje _______ espera que possa, a Delegacia Regional e alguns empresários, cumprir essa lei. Nós vamos estar tocando fogo aí nesse sentido. Eu acho que essa é uma experiência assim muito boa. A outra é uns meninos, vamos dizer assim, você ter sido aluno e hoje você estar levando adiante. Eu acho que é assim um ganho muito grande. Você está multiplicando. Eu vejo assim. P2 – Afora o impacto que tem resultados pras pessoas, pros indivíduos, quer dizer, a EIC também ela opera um impacto nas organizações que cediam ela? R – Sim. P2 – De que forma? R – Eu considero, vamos dizer assim, por exemplo, eu vejo a do( Moju ?), e até ontem eu tava conversando com uma educadora, é que, por exemplo, a EIC o pessoal tem uma visão mais política, vamos dizer assim. A Associação não. Então, por exemplo, a Lourdes, que ela é educadora, ela faz parte da Associação das Mulheres. E aí, vamos dizer, agora por exemplo, ela já vai ser uma candidata. Quer dizer, a Lourdes assumiu. Por exemplo, algum caldo hoje na Associação ela vai poder dar uma visão melhor para as ações da Associação do que o grupo que tá hoje. Por exemplo, lá também. eles fizeram uma aproximação com o Conselho da Criança, Conselho Tutelar porque, por exemplo, (Moju ?), apesar de ser um município pequeno, tem um problema de gang de rua de você não passar dez horas pra outra rua porque você tem gang. Quer dizer. P2 – A EIC é que fez uma aproximação com o Conselho? R – Ela fez, vamos dizer, não a Associação de Mulheres. P1 – foi a EIC mesmo? R – Foi a EIC mesmo. P2 – Foi a EIC. R – A EIC é que fez a aproximação, e não a Associação. P1 – Ela puxou. R – Ela puxou. Vamos dizer, por exemplo, que a EIC tá lá. A Associação cedeu uma sala. A Albras equipou todinha. Mas a EIC tá puxando. Quer dizer, é um impacto bom que você está aproximando, vamos dizer assim, o papel da Associação da Mulher dentro do município. E, por exemplo, a nossa na (Copisai?) eu acho que também a gente teve um impacto bom nessa questão aí, principalmente do trabalho infantil. Essa questão toda aí eu acho que é um impacto positivo também. E dentro da própria (Copisai?) a gente tem pessoas já com uma certa idade que voltaram a estudar. P1 – Existem problemas de sustentabilidade das EICs? Como é que é a questão? R – Tem algumas dificuldades. Por exemplo, do Vai Quem Quer, mas eu até esqueci de ver essa semana, mas estão pagando. Por exemplo, da nossa, da (Copisai?), não tem tido problema. Porque algumas coisas a gente até banca da própria. Como a gente já tem um prédio, o prédio é grande. tinha um prédio que foi cedido pela prefeitura, um prédio velho. Nós tentamos. Cada mês, cada ano a gente recupera um pouquinho, porque não dá pra recuperar tudo. Mas tem dado pra manter. Agora as comunidades, elas são muito pobres. Mas aí você tem que buscar alternativas. Eu acho que você tem que buscar aí os apadrinhamentos pra poder conseguir. E, então, é assim que tem sido feito. P1 – O empresariado local investe nesse tipo de? R – No nosso caso em Barcarena nós temos. Por exemplo, a Albras a gente não tem ido buscar outros empresários. O nosso caso. Agora, buscamos padrinhos, pessoas que pudessem estar bancando essa parte do voluntário, adotando. Mas nós conseguimos. Por exemplo, a gente fez um encontro um dia desses lá. Reuniu essas EICs que a Albras dava apoio. Nós conseguimos refeição, conseguimos alguns materiais. Eu acho que se você tiver uma proposta séria e respeitável, eu acho que você consegue a adesão. Pelo menos no nosso caso, não tem tido muita dificuldade. P2 – E como é a relação de vocês com o CDI, essa parceria? R – A nossa relação, vamos dizer, eles capacitam. Vão lá, fazem a reunião. Puxam as orelhas quando precisa. “Olha, os relatórios não chegaram”. E a gente tem tido todo o apoio. Um acompanhamento. A gente tem tido constante. Isso aí a gente tem, apesar de ser poucos. E aqui nós temos dificuldade de distância, porque aqui tudo é muito distante, é não sei quantas horas de barco. Mas, apesar disso, a gente tem tido o apoio na área pedagógica. Na hora da questão de como foi dado uma capacitação de manutenção de computadores. Tem sido dessa forma. E a capacitação em si. A gente tem tido e tem participado dos encontros que tem tido aqui em Belém. P2 – Capacitação de que? R – Eu posso dizer na metodologia do próprio CDI, da proposta política-pedagógica. Dinâmicas de grupo. E a própria manutenção de computador. P1 – E a reposição de equipamento, das EICs ligadas à Albras? A Albras supre esses equipamentos ou vocês pedem? O CDI entra, como é que é essa reposição de equipamentos? R – Os equipamentos, vamos dizer assim, no momento eles até ainda não tem sido, vamos dizer, trocado. Mas, por exemplo, o que foi fechado na Albras nós entregamos o equipamento. A gente não vai ficar mantendo esse equipamento. Porque senão vai ficar com tiveram algumas instituições que a Albras doou o equipamento, daqui a pouco eles estavam com os equipamento na portaria da Albras. Não é esse o objetivo. Nós ainda não repusemos. Quer dizer, a filosofia é, se o CDI tiver troca ou você vai ter que fazer um bingo, correr atrás pra poder repor aquele equipamento. Assim, como ainda tem um ano, então... P1 – Não precisou ainda. R – Não precisou. P1 – Tá certo. Teve algo, Vera, que você queria colocar, que você queria destacar? Alguma experiência que nós não perguntamos? R – Eu acho que, de modo geral, já falamos de tudo. É assim, é uma coisa que eu gosto muito. Toda vez que a gente vê o filme do CDI, que eu ligo pros meninos, você tem uma garra do Roberto _________________. É lutar e a gente ver que tem saídas porque, pelas dificuldades que a gente passa junto às comunidades a gente acaba tentando. Pensa que é impotente. E não é isso. Você pode fazer a mudança. Eu acho que ter um conhecimento. Eu acho que não tem. É isso. P1 – Perfeito. Obrigado, Vera. Nós agradecemos em nome do CDI e do Museu da Pessoa. R – Obrigada.

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