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História de: Benedito Carlos de Camargo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 17/03/2020

Sinopse

Nasceu em Monte Mor, São Paulo, em 1966. Pai era funcionário público e mãe era dona de casa. Fez um curso técnico em Contabilidade em Capivari. Seu primeiro emprego foi no Banco Bradesco e em 1986 entra na Tetra Pak, na parte de produção. Tetra Pak chega em Monte Mor em 1978. Área de Tetra Rex. Presidente do Clube da Tetra Pak. Segurança do trabalho, WCM, treinamento de funcionários. Líder de departamento Tetra Rex. Casado, um filho.

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História completa

P/1 – Bom dia.



R – Bom dia



P/1 – Para começar eu queria que você dissesse seu nome completo, local e data de nascimento.



R – Meu nome é Benedito Carlos de Camargo…  



P/1 – … Local de data de nascimento.



R – Local de nascimento é Monte Mor e nasci no dia 26 de outubro de 1966.



P/1 – E qual é o seu cargo hoje na Tetra Pak?



R – Eu sou líder de um departamento denominado Tetra Rex.



P/1 – Certo, e o nome dos seus pais?



R – Benedito de Camargo e Joaninha Leite de Camargo.



P/1 – Eles são de Monte Mor mesmo?



R – São de Monte Mor mesmo.



P/1 – E qual é a atividade deles, Benedito?



R – Meu pai é aposentado, mas ele era funcionário público e minha mãe é do lar.



P/1 – Certo. E você nasceu e se criou em Monte Mor mesmo…  



R – … Em Monte Mor mesmo, sou conterrâneo de Monte Mor mesmo.



P/1 – E como era Monte Mor na sua infância?



R – Ah, Monte Mor, hoje está bem evoluído, mas quando eu nasci era bem pequena,  acho que tinha uma média do que? Acho que uns oito mil habitantes. Era uma cidade bem pequena e nos últimos anos ela evoluiu muito, cresceu muito. É uma cidade bem interiorana, como se diz, interior… 



P/1 – … É, mas você quando era criança já vivia na cidade mesmo, na área urbana ou era na área rural?



R – Não, área urbana, sempre na urbana.



P/1 – E você tem irmãos?



R – Tenho três irmãos.



P/1 – Três?



R – Três.



P/1 – São mais novos ou mais velhos?



R – Tem um mais novo e dois mais velhos. É uma irmã e 2 irmãos.



P/1 – E eles continuam em Monte Mor também?



R – Continuam em Monte Mor.



P/1 – E tem algum que trabalha na Tetra Pak também?



R – Tem, o mais novo trabalha lá na Tetra Pak.



P/1 – Ah, o mais novo trabalha?



R – O mais novo trabalha na Tetra Pak.



P/1 – Em que área ele trabalha?



R – Ele trabalha na art work, é o Ronaldo.



P/1 – E quantos anos ele tem?



R – Ele tem 25 anos.



P/1 – Ele começou faz tempo lá?



R – Mais ou menos… Eu não lembro bem o ano que ele começou lá, mas faz alguns anos que ele está lá.



P/1 – Ah, e Benedito, conta para gente, você falou que era uma cidade interiorana?



R – Isso… 



P/1 –  … Que era uma cidade pequena, mas o foco, quando você era pequeno, quando você era criança, jovem, Monte Mor já era uma cidade com bastante indústrias ou foco de economia de lá era outro?



R – Monte Mor é uma cidade que não tem muita indústria, o foco lá é agricultura, é uma cidade bem voltada para agricultura, ultimamente que as empresas começaram a chegar mais na cidade, mas o forte dela era agricultura, principalmente na época que eu nasci.



P/1 – E você estudou em Monte Mor mesmo, como foi o seu estudo?



R – Estudei em Monte Mor, fiz até o ginásio, depois fui fazer o técnico em Contabilidade em Capivari, onde me formei em Capivari, na cidade vizinha.



P/1 – Ah, está. E nessa época que você fez a escola mesmo, a escola que você estudou como que era a escola… 



R – … É, eu estudei do 1º ano ao 4º ano na Escola Coronel Domingos Ferreira, primeira escola do município foi essa aí e eu fiz do 1º ano ao 4º ano. Aí do 5º ano à 8ª série eu fiz na Escola Doutor Elias Massud.



P/1 – E aí o técnico… 



R – … O técnico eu fui fazer em Capivari.



P/1 – Você fez técnico em quê?



R – Em Contabilidade.



P/1 – E você gostava de Contabilidade? Por que você escolheu fazer técnico de Contabilidade?



R – Ah, meus colegas também, mais por influência dos colegas que foram fazer isso aí na cidade e eu também peguei o embalo e fui fazer. Eu gostava, até, quando eu concluí lá eu até gostava de fazer o técnico de Contabilidade.



P/1 – E você é casado, Benedito?



R – Sou casado.



P/1 – Qual é o nome da sua esposa?



R – É Josefa.



P/1 – E ela faz o que?



R – Ela é do lar, mas ela trabalha também com artesanato, é artesã.



P/1 – E faz o que? O que ela faz de artesanato?



R – Ela faz caixas de madeiras.



P/1 – Legal, e você tem filhos?



R – Tenho um filho.



P/1 – Quantos anos ele tem?



R – Dezoito anos.



P/1 – Já está grande já… 



R – … Dezoito já, está moço… 



P/1 – … E ele faz o quê? Ele estuda, trabalha… 



R – … Então, ele está trabalhando agora,  inclusive ele está, capaz que ele entre já entre na Tetra também que ele já prestou um…  



P/1 – … Ah, na Tetra também?



P/1 – Uma entrevista, parece que ele está sendo encaminhado para poder entrar lá na Tetra lá. Ele está estudando, estudou, completou o técnico em Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial], em Mecânica, se formou e ele estava fazendo faculdade.



P/1 – Ah, ele faz faculdade?



R – Ele estava iniciando na faculdade, agora eu não sei se pelo horário que ele vai fazer na empresa se vai dar para continuar ou não.



P/1 – E ele começou a faculdade do que?



R – De Administração.



P/1 – De Administração?



R – De Administração.



P/1 – E aí você começou trabalhar durante quando você já estudava, qual foi seu primeiro trabalho?



R – É, eu comecei em 1986, quando eu ingressei na Tetra Pak.



P/1 – Ah, a Tetra Pak foi seu primeiro trabalho?



R – Não, eu trabalhei, desculpe, anterior à Tetra Pak eu trabalhei no banco.



P/1 – Que banco?



R – No Banco Bradesco.



P/1 – Lá em Monte Mor?



R – Lá em Monte Mor mesmo.



P/1 – Qual era a sua função no Banco?



R – Eu era caixa.



P/1 – Caixa?



R – Caixa, quando eu saí do banco era caixa. Aí por função da oportunidade na Tetra Pak, o salário, aí em 1986 eu comecei trabalhar na Tetra Pak.



P/1 – Então, Benedito, antes mesmo de você entrar na Tetra Pak, eu queria que você falasse se você lembra quando a Tetra Pak chegou em Monte Mor, porque como você é de lá você vivenciou essa fase… 



R – … Foi em 1978, eu tinha o que? Doze anos… Ah, eu lembro do terreno, entendeu, o terreno estava plano, planado, com uma placa enorme da construtora, da Tetra Pak, já tinha o nome Tetra Pak, é a única coisa que eu me lembro, assim, da Tetra Pak no início mesmo, antes de começar tudo, a Tetra Pak… 



P/1 – … Antes de ela chegar ninguém sabia direito o que era Tetra Pak então em Monte Mor?



R – Não, para mim eu não sabia, não ouvi falar o que era Tetra Pak.



P/1 – E aí quando começou mesmo a fábrica, quando a fábrica se instalou e começou suas atividades lá… 



R – … É, daí a gente já foi tomando conhecimento do que era Tetra Pak, daí muitas pessoas, acho que até hoje, não sabe o que é Tetra Pak, confunde com laticínio, fala que produz leite, tem muitos que pensam… Vê até aquele caminhão de silos acha que leite que está indo para Tetra Pak, mas não é, muitas pessoas não conhecem. No começo era muito isso aí, pensava que a Tetra Pak era um laticínio de envasar leite, e não fazer a embalagem que era para o leite.



P/1 – Na própria cidade...



R – … Na própria cidade, tinha muito isso daí, depois com o tempo todo mundo já foi se identificando com a Tetra Pak e conhecendo melhor a empresa.



P/1 – E nessa época que ela começou, logo no começo da fábrica… 



R – … Importante, no começo da Tetra Pak, a primeira embalagem, acho que foi a Tetra Standard, embalagem da Tetra Pak, eu estudava no grupo, no Coronel, inclusive eu não sei se foi o Jornal Nacional que foi fazer uma reportagem sobre a embalagem Tetra Pak, e era o Glut, que eu me lembro era do cliente paulista inclusive nós aparecemos todos na televisão, na primeira vez foi até engraçado que teve os colegas lá que nossa, não via a hora de… Acho que se eu não me lembro foi no Jornal Nacional, a reportagem, e foi da embalagem da Tetra Pak de um derivado de leite, de uma vitamina que era distribuído nas escolas, eu me lembro muito bem isso, aí foi filmado isso aí, a gente na escola… 



P/1 – … Ah, tem…  



R – … É um fato importante que a gente lembra no começo da minha infância, da minha escola, no Coronel que…  



P/1 – …  Então o seu contato inicial com a Tetra Pak foi através dessa embalagem na escola?



R – Foi a primeira embalagem da Tetra Pak envasada no Brasil, foi esse aí, pelo menos lá na parte de vitaminado, do leite vitaminado.



P/1 – E nesse começo da Tetra Pak lá em Monte Mor você tinha algum conhecido, sua família, você era pequeno, mas algum amigo da família que trabalhava na Tetra Pak, começou a trabalhar ou não tinha contato com pessoas que trabalhavam lá?



R – Eu não tinha contato.



P/1 – Não?



R – Não e não me lembro também de algum familiar que trabalhava na Tetra Pak, não.



P/1 – Bom, aí você começou trabalhar no banco, então com que idade mais ou menos.



R – Olha, foi em 1984, em 1984 eu tinha o que? Mil novecentos e sessenta e seis são 18 anos, não é?



P/1 – Dezoito.



R – Dezoito anos.



P/1 – Aí você ficou até 1986 no banco?



R – Oitenta e seis, isso… Até 1986 no banco, aí eu fui para Tetra Pak. 



P/1 – E como você ficou sabendo das vagas na Tetra Pak para trabalho?



R – Foi através de outros colegas também, que falaram que estava abrindo vaga na Tetra, aí me candidatei na empresa.



P/1 – E você se candidatou numa vaga em específico ou você fez uma inscrição e esperou que chamassem?



R – Eu fiz inscrição, fiz uma inscrição.



P/1 – Ah, está. 



R – Não me candidatei a uma vaga específica, não. 



P/1 – E aí como foi o processo quando te chamaram, como foi o andar dessa situação?



R – É, me chamaram para fazer a ficha de inscrição, eu fiz, aí logo me chamaram para fazer entrevista, porque foi numa época que eles estavam admitido pessoas, porque a fábrica estava crescendo. Então, inclusive quando eu entrei, entrou várias pessoas também, então foi numa época de crescimento da empresa que contratou várias pessoas.



P/1 – E você, daí, teve provas, teve testes, teve entrevista, como é que foi?



R – Tivemos teste, aí depois a entrevista com os supervisores da área.



P/1 – E quando você foi chamado para trabalhar na Tetra Pak, para que cargo você foi chamado?



R – Então, eu entrei para produção, entrei para produção, inclusive no início entrei numa máquina lá, onde todas pessoas que ingressavam na Tetra Pak começavam lá na parte de produção depois eles iam mudando de máquina que era na cortadeira… 



P/1 – … Na cortadeira?



R – É, produção, produção de embalagem mesmo.



P/1 – E quando você começou você já tinha trabalhado com algum tipo de máquina ou foi algo novo?



R – Não, não tinha trabalhado (risos).



P/1 – E como é que foi isso? Você tinha vindo do banco, para uma máquina… 



R – … Você vê? É totalmente diferente. Mas para mim, eu não era muito de ficar escolhendo, para mim eu, o que vier… Eu trabalhava, tinha vontade trabalhar, então logo me adaptei.



P/1 – Mas foi difícil aprender a mexer na máquina?



R – Não, não foi. Não foi porque a gente tinha… Os operadores da época sempre ajudava muito e o conhecimento nós fomos pegando no dia a dia, mas não tive muita dificuldade de aprender.



P/1 – E quando você entrou em 1986, a fábrica de Monte Mor da Tetra Pak ela já era uma fábrica grande ou ainda era bem menor do que é hoje… 



R – … Não, era bem menor, bem menor do que hoje, ela estava em crescimento, está, foi numa época ali que dali começou a crescer, ano a ano foi crescendo, mas era uma fábrica pequena, muitos prédios ali que hoje tem não tinha quando eu entrei, entendeu?



P/1 – E o número de máquinas devia ser bem menor também, então?



R – Bem, bem menor, tinha duas cortadeiras, tinha uma impressora e tinha e uma laminadora… 



P/1 – … Como que é? Duas cortadeiras...



R – … Duas cortadeiras, uma impressora e uma laminadora.



P/1 – Nossa, era bem… 



R – … Era um barracão só onde tinha as máquinas, e tinha, eu não sei se eram três doctors, parece que tinha.



P/1 – E explica para gente, você entrou para trabalhar na cortadeira, e o que é uma cortadeira?



R – Cortadeira é onde os rolos são impressos em bobinas enormes, rolos grandes, e a cortadeira divide em faixas onde essas faixas são as bobinas que são enviadas aos clientes. 



P/1 – Então já é a parte final da produção?



R – Parte final, parte final, parte final do processo da embalagem.



P/1 – E você ficou, como que era o cargo, o nome? Operador?



R – Era auxiliar depois passou para operador, mas no início sempre começava como auxiliar.



P/1 – E um auxiliar faz o que? Ele auxilia em que sentido?



R – Auxilia no processo de… Operador é que fica ali focando o corte da bobina, a máquina está cortando ele fica cuidando de qualidade e o auxiliar fica dando suporte para ele, no caso da ausência dele, ele substitui e alguns serviços externos ali que da parte do processo mesmo.



P/1 – Aí de auxiliar você ficou quanto tempo?



R – Ah, auxiliar eu não lembro o tempo, mas deve ser o que, um ano, um ano e meio, mais ou menos… 



P/1 – … Aí você já assou para que cargo?



R – Passei para operador.



P/1 – Operador… 



R – … É, depois já passei para outra máquina, entendeu?



P/1 – Como operador você passou para operador da cortadeira mesmo?



R – É, operador de cortadeira eu fiquei pouco tempo, aí já fui para laminadora… 



P/1 – … Laminadora?



R – Laminadora. Tive uma passagem rápida pela impressora, mas não… Foi rapidinho, eu não fiquei lá, mas fiquei bom tempo foi na laminadora.



P/1 – E a laminadora faz o que?



R – É onde faz a laminação, onde plastifica a embalagem. Recebe o papel impresso,  e joga o polietileno na camada interna, externa, processo de laminação mesmo, o alumínio.



P/1 – Então é a embalagem, o papel, o papel quando vai para essa máquina ele já está impresso… 



R – … Já está impresso… 



P/1 – … Para laminadora… 



R – … Para laminadora já está impresso e aí na laminadora recebe as camadas e o alumínio, na camada externa e na camada interna juntamente com o alumínio.



P/1 – E nessa época que você começou a trabalhar, nesses primeiros anos de Tetra Pak, já tinha muitos cliente a empresa?



R – Ah, eu não vou falar que… Já tinha vários clientes… 



P/1 – … Já tinha bastante… 



R – … Já, já tinha bastante.



P/1 – Não se compara a hoje?



R – Claro, não se compara a hoje, mas já tinha bastante, tinha o cliente forte.



P/1 – E qual era o, vamos dizer, grande parte dessa produção de embalagens, ela era para leite?



R – Para leite, sempre o forte foi o leite mesmo.



P/1 – Nesse período já era o leite mesmo e… 



R – … E no período onde eu comecei também tinha uma exportação aqui para Argentina, que era muito vinho, nós fazíamos muito vinho, muita embalagem para vinho… 



P/1 – … Engraçado isso… 



R – … É, a gente exportava muito para Argentina, a gente fazia muita embalagem de vinho.



P/1 – E nesse período inicial como que era o seu ritmo de trabalho, assim, era por turno?



R – Por turno.



P/1 – Por turno e a fábrica já funcionava vinte e quatro horas?



R – Já, trabalhava vinte e quatro horas, a gente trabalhava em horário de três turnos.



P/1 – Mas você tinha um turno fixo ou era… 



R – … Não, semanalmente a gente revezava o turno: um turno na parte da manhã na semana, chegava na outra semana virava para noite e para tarde, tinha essa virada de turno.



P/1 – Ah, entendi. 



R – Não é como hoje que são turnos fixos.



P/1 – Hoje o turno é fixo?



R – Hoje quatro turnos, é quatro turnos como o terceiro também são turnos fixos. Hoje só vira quando é quatro turnos, quando faz quatro eles viram o horário, mas quem faz três turnos é turno fixo.



P/1 – E nesse início de trabalho ainda, nós estamos falando de por volta de 1988, 1989, mais ou menos, quando você foi para… 



R – … Aí eu já tinha dois, três anos de empresa… 



P/1 – … Isso. Aí você estava na laminadora?



R – Laminadora. 



P/1 – Como operador mesmo?



R – Não, eu entrei como auxiliar, comecei como auxiliar, sempre começando como auxiliar… 



P/1 – … Aí de auxiliar de laminadora…  



R – … Isso. De auxiliar de laminadora a gente, eu fiquei até 1991 quando eu participei de uma inovação, porque é uma embalagem que veio para o Brasil que é Tetra Rex que é onde eu estou até hoje. Então isso aí foi em 1991, mais ou menos, que começou a vinda de Tetra Rex para o Brasil. A Tetra Rex é uma embalagem para produtos refrigerados, que ficam em geladeiras. Então isso aí veio em 1991, inclusive nem tinha máquina de produção aqui no Brasil e a gente ia, acho que 45 dias, a gente ia para Argentina produzir lá na Argentina mesmo; inclusive eu, o Sebastião Gabriel que prestou depoimento aqui também, fizemos esse mesmo trabalho, está, e mais outras pessoas também a gente saia do Brasil para ir acompanhar a produção lá na Argentina, na (La Rio?). A gente ficou um lá um período do que, um mês? Mais de um mês lá acompanhando esse processo, porque a gente ia, ficava quinze dias voltava, depois voltava para cá e depois voltava, retornava para Argentina para acompanhar a produção.



P/1 – Você falou que essa embalagem, a Tetra Rex, ela é para produtos refrigerados. Existe alguma diferença na fabricação de uma embalagem, por exemplo, uma Tetra Brik digamos, para uma Tetra Rex ou ela recebe o alumínio, o polietileno…  Qual é a diferença?



R – Sim. A embalagem Tetra Rex é uma embalagem que não recebe alumínio, exceção alguns casos assim que até hoje a gente tem cliente que exige o alumínio para conservar mais em tempo de vida útil. Agora, 90 por cento é embalagem sem alumínio, porque é uma embalagem sobre refrigeração, que tem um período curto de duração, ela não é igual a Tetra Brik que recebe o alumínio que é uma embalagem mais para um período de vida útil maior.



P/1 – Então a diferença é essa, da Tetra Rex para as outras embalagens, digamos… 



R – … É, a diferença é essa que a embalagem Tetra Rex é para período curto de vida útil.



P/1 – E nesse começo da embalagem Tetra Rex no Brasil, isso começo da década de noventa?



R – Noventa.



P/1 – Ela era produzida para o mercado nacional, grande parte, ou era para exportação?



R – Mercado nacional.



P – Mercado nacional?



R – Mercado nacional somente. Cliente, eu acho que o primeiro cliente nosso foi o Paulista, primeiro cliente nosso de embalagem Tetra Rex, inclusive as embalagens que a gente fazia lá na Argentina era para esse cliente.



P/1 – E hoje, você continua na área da Tetra Rex?



R – Continuo na área da Tetra Rex.



P/1 – Teve um aumento para esse tipo de demanda, para esse tipo de embalagem ou ela… 



R – … Sim, teve um aumento. O mercado da Tetra Rex é um mercado que ele tem de altos e baixos, então tem ano, mês que ele eleva e tem um período que ele cai também, está, mas inclusive nesses últimos anos aqui um cliente que a gente conseguiu, que hoje é maior, 75%, 80% é desse cliente que é da República Dominicana, que eles consomem bastante embalagem Tetra Rex, então a gente exporta muito para lá.



P/1 – Oitenta por cento da produção do Tetra Rex é para exportação?



R – Setenta e cinco por cento a 80% é exportação, República Dominicana



P/1 – Olha! Eu não sei como eu posso perguntar isso, mas, assim, a produção é por dia? Vocês contabilizam por dia ou é por turno?



R – Por dia, (não?) a gente produz por dia, inclusive tem duas máquinas em Tetra Rex, tem uma… Hoje é corte e vinco,e uma outra que é selagem, uma seladora onde faz o fechamento da embalagem, porque o processo Tetra Rex é bem diferente do Tetra Brik.



P/1 – Explica para gente… 



R – … Isso, o processo Tetra Rex como que é hoje? Ele recebe... O processo até o corte vinco é igualzinho o da Tetra Brik, ele recebe o papel virgem na impressora VTV [?], imprime em faixas, passa na cortadeira, onde sempre é cortado sempre em duas faixas, que depois vai para área de Tetra Rex, essa bobina já entra laminada no processo de corte e vinco. Esse corte e vinco, o que é feito? É feito, entra na máquina de corte e vinco, faz a vincagem e corta individualmente embalagem por embalagem, embalagem por embalagem.



P/1 – Não é bobina que é mandado para o cliente?  



R – Não é bobina, vai para o cliente embalagem por embalagem, é diferente totalmente da Tetra Brik que vai em bobina, que o corte é feito na máquina de envasar. Não, na Tetra Rex ele é cortado lá na área de processo nosso mesmo, embalagem por embalagem. 



P/1 – Mas segue plano?



R – É, ele corta em brancs, que a gente fala brancs que a embalagem cortada e depois entra na máquina seladora onde é feita selagem lateral, só, da embalagem. Aí ele vai para o cliente aberto o topo e o fundo… 



P/1 – … Então, ele vai como se fosse um tubo, digamos assim?



R – É, como se fosse um tubo.



P/1 – Vazado… 



R – … Isso, vazado, vazado, chega no cliente, na máquina de envase, primeiro ele sela o fundo da embalagem, sela o fundo, aí é introduzido o produto e fecha o tubo, sai embalagem por embalagem. Mas é individual, embalagem por embalagem.



P/1 – Então é um processo bem diferente mesmo… 



R – … É diferente, bem diferente do Tetra Brik.



P/2 – Você saberia dizer por que é diferente? Por que vão vai no rolo?



R – Ah, acho que pela máquina de envase mesmo que é totalmente diferente mesmo, são totalmente diferentes, porque Tetra Rex é uma embalagem antiga também, e hoje você vê Tetra Rex na Europa e nos Estados Unidos, é o que predomina, hoje a embalagem Tetra Rex nesses dois lugares aí… Na Europa, bastante país que usa bastante Tetra Rex. Porque a gente fala assim: o produto embalado na Tetra Rex é um produto sempre de alto nível, de qualidade bastante, e a diferença que não vai, eu acho mais das máquinas de envase, que são máquinas antigas,mas eles sempre vão modernizando, mas o processo sempre continua o mesmo dessas embalagens.



P/1 – No Brasil o mercado de Tetra Rex é um mercado, é… Por exemplo, a gente vê muita, por exemplo, muita Tetra Brik leite… Tetra Rex a gente vê, mas não é com a mesma proporção, digamos, que é uma Tetra Brik? Por quê?



R – O mercado aqui no Brasil, o povo eu acho que se acostumou já mais com o Tetra Brik, comparar em grande quantidade e deixar armazenado em casa fica, mais prático. Agora a embalagem Tetra Rex teve uma evolução, cresceu um pouco, mas não cresce como Tetra Brik, só que a gente tem, a gente produz para atender esses clientes que necessitam dessa embalagem aqui no mercado nacional.



P/1 – Hoje quantas embalagens Tetra Rex são produzidas por dia?



R – A gente produz em média 800 mil embalagens por dia… 



P/1 – … 800 mil?



R – Oitocentas mil embalagens por dia!



P/1 – Montadinha para mandar embora.



R – Pronto para o cliente, entendeu? Pronto para o cliente.



P/1 – Bom, aí você foi para área de Tetra Rex, em 1991?



R – Em 1991.



P/1 – Aí você teve a passagem na Argentina, que você ficou lá um tempo… 



R – … Foi, a gente inclusive não tinha as máquinas Tetra Rex de produção no Brasil, as máquinas chegaram no Brasil em meados de 1992, em 1992 que chegaram as primeiras máquinas aqui no Brasil de Tetra Rex… 



P/1 – … E nesse tempo que você ficou na Argentina, você ficou numa fábrica da Tetra Pak?



R – Isso, inclusive na fábrica que tem lá em La Rioja, norte da Argentina.



P/1 – Você sentiu alguma diferença no sentido de, da forma de trabalhar da Tetra Pak de lá para Tetra Pak brasileira que você já trabalhava?



R – Sim, sempre você vê a diferença de um lugar para outro. A gente sentiu sim, sentiu, inclusive o clima de lá da La Rioja. Tem um clima bastante quente, a gente sentiu. E pessoalmente também, dos funcionários que a gente sempre também uma diferença como trabalhar com pessoas de outro país.



P/1 – E vocês foram num grupo?



R – Fomos em grupo, grupo, em cinco pessoas.



P/1 – Desse grupo, tem gente que ainda continua na Tetra Pak?



R – Tem, tem, tem inclusive na Tetra Rex, tem o Sebastião, esse que deu o depoimento também, participou da… 



P/1 – … Ah, ele também foi?



R – Foi, ele também foi. Tem uns outros que saíram, mas acho que a maioria está na Tetra Pak ainda.



P/1 – Quando você foi para Tetra Rex você entrou com que cargo?



R – Na Tetra Rex?



P/1 – É.



R – Foi como auxiliar, depois operador 2, operador, e hoje como líder do departamento.



P/1 – Você passou a líder quando?



R – Ah, faz o que? Uns treze, doze anos atrás.



P/1 – Como auxiliar você auxilia o operador… 



R – … Isso.



P/1 – O operador opera a máquina, digamos, e o líder? Quais são as suas funções?



R – O líder coordena, no caso, na minha função, eu coordeno a área de Tetra Rex, tanto na parte administrativa quanto na parte de qualidade, porque ali na Tetra Rex a gente é… É bem reduzidas as funções, então eu como o líder ali, praticamente eu faço “várias função” ali, eu coordeno a área: então a parte administrativa, parte de qualidade, parte de eficiência… A gente dá um foco em tudo isso aí.



P/1 – Quantas pessoas são na sua área?



R – São quinze pessoas.



P/1 – Quinze?



R – Quinze pessoas.



P/1 – E é uma máquina?



R – Oi?



P/1 – São duas ou uma?



R – São duas máquinas e uma na seladora que a gente usa mais, são sete pessoas, está, sempre um cobrindo férias, e na outra são três turnos só que são duas pessoas por turno.



P/1 – E são três turnos como… 



R – … Três turnos como… 



P/1 – … Como as outras áreas?



R – Como as outras áreas, são turnos fixos.



P/1 – E aí, fala para gente, você…  Como é o convívio com os outros funcionários da Tetra Pak? Como era lá atrás quando você entrou e como é hoje?



R – Olha, eu acho que… Na área Tetra Rex a gente fez uma, muitas pessoas estão bastante tempo ali, começou com a gente, é como uma família mesmo, é um grupo muito unido. E eu tenho uma facilidade em está conduzindo esse grupo, é um lugar muito bom de trabalhar ali na nossa área, acho que em toda Tetra Pak tem, mas na nossa área ali… Eu falo porque eu tô ali, no dia a dia, então ali o trabalho nosso é muito gratificante, muito bom. 



P/1 – E quando você entrou como era o convívio? Porque era bem menos funcionário, não era?



R – Você fala…  



P/1 – … Lá em 1986.



R – Ah, tá, como era o convívio?



P/1 – É, porque era bem menos pessoas, não era?



R – Sim, sim. O convívio era bem mais apegado, porque são poucas pessoas, a gente tinha conhecimento de toda Tetra Pak. A gente passava, era pequeno, a gente conversava com todo mundo da empresa, então era bem, bem unido também, era bem unido, bem amigável, bem colega mesmo. Hoje cresceu muito também, entra funcionário que a gente nem quase conversa porque não vê, cresceu muito, entendeu, mas quando eu iniciei era bastante amigável por causa que era todo mundo perto ali, conhecia, já sabia quem entrava todo mundo estava vendo, por ser perto uma seção da outra a gente sempre estava conversando ali… 



P/1 – .. E é o seguinte: você sempre esteve ligado de uma forma ou outra à área de produção?



R – Sim, sim.



P/1 – Eu queria que você falasse as mudanças na área de produção, por exemplo, com a certificação do ISO, porque vocês passaram por certificações do ISO e para isso você tem que se adequar às certas normas. Como que foi na questão da produção, que é a sua área, essas mudanças?



R – É, com a implementação da ISO 9000, depois a 14, foi uma mudança que todo mundo se assustou no início, porque acostumado com um processo, uma maneira de trabalhar diferente, veio aquelas normas que a gente fala, meio rígida, mas necessárias. Então o pessoal estranhou mesmo, principalmente as pessoas mais antigas, é difícil a mudança de cultura. Mas isso aí foi um trabalho que foi forte, a parte de gerência, supervisão, isso aí foi trabalhando, trabalhando com as pessoas onde as pessoas tinham que se adaptar, então isso aí eu acho que foi crescendo, depois veio com a implementação do WCM [World Class Manufacturing], em 2000, que foi onde alavancou a empresa, entendeu? 



P/1 – WCM foi responsável… 



R – … WCM, sim, teve o trabalho do ISO 9000, 14000 que foi forte também, onde teve tudo esse, e depois com a chegada do WCM é onde que a empresas, aí começou a crescer rapidamente.



P/1 – Mas mudou muito com o WCM?



R – Mudou.



P/1 – O que mudou no dia a dia de trabalho, por exemplo?



R – Ah, mudou a cultura dos funcionários que tinha que aprender também para crescer com a empresa: tinha que pensar no que tinha para trabalhar, como que tinha que trabalhar, nos procedimentos, padrões… Isso aí, na hora que todo mundo começou conscientizar no trabalho, onde a empresa começou a crescer bastante. Não adianta o gerente, supervisor querer se não tiver a parte dos operários ali com a mesma ideia de crescimento. Isso aí é onde que foi, o foco grande da onde que foi na hora que os funcionários começaram a entender o que a empresa queria e o que o WCM exigia, também exigia de toda empresa.



P/1 – E teve resistência, por parte dos funcionários, nesse começo do WCM?



R – Sim, alguns, outros sim, sempre tem uma resistência, no começo, porque mudança tão, tão rápida como foi, mas é com o tempo…  Com o tempo eles foram entendendo também que tinha que ser desse jeito, tem que ser dessa forma e hoje já está bem conscientizado em termo de parte operacional, de produção, isso aí já, de onde a empresa quer chegar e aonde eles também têm que crescer junto com a empresa.



P/1 – E com relação às normas de segurança, eu queria que você falasse um pouquinho. A Tetra Pak tem o Cipa [Comissão Interna de Prevenção de Acidentes], não tem?



R – CIPA? Tem.



P/1 – Fala um pouquinho sobre como é a atuação do Cipa, qual são as normas de segurança que vocês têm que seguir, se é uma coisa rígida a preocupação com segurança na área de produção…  



R – … Sim, eu acho que uma das principais preocupações hoje da Tetra Pak em termos de segurança. É onde ela enfoca bastante, dá bastante foco em termos de segurança, trabalhos, a Cipa trabalha o ano todo em cima de segurança e no dia a dia a gente tem vários programas de segurança. A empresa, em termos de segurança, é o primeiro indicador onde a gente tem de trabalhar hoje na Tetra Pak é segurança e o trabalho da Cipa é muito forte em cima disso aí.



P/1 – Dá um exemplo, fala de algumas coisas que você tem que seguir sempre antes de começar trabalhar, ou que um funcionário, com relação à vestimenta. Como é que é?



R – Sim, sim, você não entra numa área de produção sem ter os EPIs [Equipamento de Proteção Individual]. Na entrada do hall da produção sempre tem os EPIs ali que… 



P/1 – … EPI, o que é EPI?



R – EPIs são, como se diz, são… 



P/1 – … É uma pessoa? O que é um EPI?



R – Não, EPIs são, são…  



P/1 –…  As regras?



R – Não, EPIs são… 



P/2 – … Equipamentos de Proteção… 



R – … Equipamentos de Proteção Individual, nossa, sumiu uma coisa tão fácil, mas é isso aí, são Equipamentos de Proteção Individual, que são colocados no hall de produção que sem isso aí não tem como entrar na produção.



P/1 – Quais são os equipamentos que vocês precisam? Botas, como que é?



R – São sapatos de segurança, são protetores auriculares, são tocas que nós usamos, hoje já tem até proteção de barba, você não entra na produção sem colocar esses EPIs aí.



P/1 – E existem treinamentos constantes?



R – Sim. Toda semana a gente discute em reunião de produção, itens de segurança, todas as áreas têm os seus IAR, que são Identificação e Análise de Riscos, cada área tem eu levantamento do seu ponto de risco.



P/1 – E no geral, no treinamento no geral, os funcionários recebem treinamentos constantes, por exemplo, quando chega uma máquina nova ou quando… 



R – … Sim, sim. Inclusive antes de ser instalado uma máquina, eles passam pela parte de segurança, veem todos pontos de segurança que tem na máquina, se tiver alguma coisa que tem que colocar uma proteção já é colocado isso aí antes de startar uma máquina de produção.



P/1 – E com relação aos benefícios que o funcionário, Benedito, quais são os benefícios que um funcionário da Tetra Pak recebe?



R – Olha, não é porque a gente trabalha lá, mas é uma empresa que trabalha bastante em termos de parte social do funcionário. Recebe bastante benefícios em termos odontológico, médico… São benefícios muito bons mesmo que nós funcionários recebemos da empresa.



P/1 – E um dos benefícios também é a Cooperpak… 



R – …  Cooperpak, na parte de empréstimo financeiro a Cooperpak na parte de… 



P/1 – … Como que é a Cooperpak? Só para eu entender melhor, é tipo um banco?



R – É tipo um banco, é uma cooperativa dos funcionários onde ele recebe uma taxa de juros bem mais baixa, que eu acho que um… Quando a Tetra Pak implantou essa Cooperpak foi um grande negócio para os funcionários da empresa.



P/1 – E boa parte dos funcionários fazem parte, não é obrigatório…  



R – … Não é obrigatório mas eu acho, eu não sei se tem alguém que não faz parte da Cooperpak, hoje em dia todo mundo precisa, de urgência, um empréstimo assim, mas eu acho que quase 100% ali já é cooperado, já da Cooperpak, faz parte da cooperativa.



P/1 – E me corrija se eu estiver enganado, vocês têm um clube lá também… 



R – … Temos um clube, temos um clube que não é muito antigo, uma área, a empresa comprou, que é próximo à empresa, que está em crescimento, é um clube que está em crescimento, tem algumas partes lá de lazer e vamos ver se a gente consegue isso aí… Inclusive eu faço, eu sou o presidente do clube, lá…  



P/1 – … Ah, você é o presidente?



R – Sou, sou o presidente do clube, lá. É uma área bastante arejada, bonita, ampla, mas está em crescimento ainda, tem umas partes de lazer, mas ainda está em crescimento, mas vai… 



P/1 – … E tem o que? Tem um campo de futebol…   



R – … Tem um campo de futebol, tem um campo society, tem um campo grande, tem uma quadra, quadra esportiva, tem uma… Como se diz? Tem uma área coberta lá para churrasco essas coisas, para eventos, tem uma área muito boa…  



P/1 – … E todo funcionário pode usar esse clube?



R – Todo funcionário, todo funcionário, familiares… 



P/1 – … Se você, por exemplo…  Ah, pode também…  



R – … Pode, familiar também.



P/1 – Aí é só reservar, por exemplo, se os funcionários querem marcar um campeonato de futebol, aí reserva e pode usar… 



R – … Isso, reserva o campo lá e pode usar, pode usar. Tem dois quiosques que foram feitos aqui para fazer churrasco, pode reservar lá para família… É uma área muito bonita, muito bonita.



P/1 – Eu queria também que você falasse um pouquinho sobre comemorações da Tetra Pak, porque pelo o que a gente vê, quando se atinge uma meta, por exemplo, tem festa, aquela meta é celebrada por todos os funcionários. Tem as festas de fim de ano que a gente acompanha por foto. Fala um pouquinho desses eventos, como que é, como que acontece…  



R – … Então, a Tetra Pak se preocupa em estar… Como se diz? Comemorando junto com os funcionários as conquistas em termos de vendas de prêmios, então todo, quando acontece um evento desse que a gente conquista um prêmio de JPM [?], de WCM é festejado junto com os funcionários. E tem também as festas que é comemorativa, por exemplo, tem festa junina, que é no meio do ano, tem uma festa que a empresa dá para os funcionários e familiares, e as festas nos finais do ano, onde são festas muito boas, onde tem a participação de todos os funcionários e familiares.



P/1 – E desde que você trabalhar na Tetra Pak, teve algum momento de crise que você se lembre, da empresa?



R – De crise… 



P/1 – … Onde a produção… 



R – … Eu lembro muito pouco que teve uma época que deu uma queda, mas não foi uma coisa tão drástica que teve que demitir muito, muito de cuidado muito grande, teve algumas demissões, mas não foi assim tão relevante, mas teve uma queda de produção sim, mas nesses últimos anos aqui, só foi crescimento mesmo. Foi mais no início quando eu entrei aqui, não me lembro que ano, se foi em 1989 que teve mudança no plano, que teve alguma coisa assim que teve uma queda, mas depois disso aí só foi crescimento mesmo.



P/1 – Quando começou o crescimento, o maior crescimento mesmo da Tetra Pak, porque a impressão que a gente tem é que num dado momento a Tetra Pak disparou e desde então ela nunca mais parou de crescer. Essa é a sensação que a gente tem. Você se recorda, mais ou menos, em que época começou esse crescimento rápido e constante da empresa?



R – Olha, eu acho que foi em 1998, um pouco antes até, eu não me lembro, que começou crescer bastante mesmo. Cresceu e foi crescendo mesmo, as vendas foram aumentando bastante, a quantidade de embalagem, o tipo de embalagem para vários tipos de produtos, isso aí que cresceu muito, porque a Tetra Pak foi sempre inovando, e até hoje, é sempre em cima de inovação, criatividade e inovação. Vários produtos aí que a gente nem pensava em ser envasado em caixinha e que hoje aí no mercado envasado em caixinha, então na hora que a Tetra Pak começou a pensar envasar vários outros produtos foi crescendo bastante, porque antigamente era só focado em leite, e depois a parte de outros produtos que hoje se a gente for ver bem, muitos produtos são envasados em caixinha.



P/1 – E quando você começou, em 1986, quais eram os tipos de embalagens que eram produzidas ali na fábrica de Monte Mor, você se recorda?



R – Em Monte Mor a Tetra Brik, que eu me lembro é de leite, a Tetra Brik, a Tetra… O outro tipo de embalagem que eu não me lembro… 



P/1 – … Tetra Brik era a grande…  



R – … Era Tetra… Ah não, a Tetra Top apareceu depois da Tetra Rex, a Tetra Top foi depois, mas era mais Tetra Brik, a embalagem mais forte na época era a Tetra Brik mesmo.



P/1 – E hoje, hoje se produz inúmeras?



R – Ah, hoje tem inúmeras, tem Tetra Prisma, Tetra Top… Tem várias, tem várias… 



P/1 – … E tudo em Monte Mor mesmo que são produzidas… 



R – … Em Monte Mor e em Ponta Grossa, mas onde tem mais tipo de embalagem é em Monte Mor mesmo.



P/1 – É Monte Mor mesmo… 



R – … É Monte Mor mesmo.



P/1 – E fala para gente: qual foi o maior desafio nessa sua trajetória na Tetra Pak?



R – O maior desafio eu acho que foi crescer juntamente com a Tetra Pak, eu acho que depois eu participei principalmente do início desse trabalho, antes do WCM, que foram os grupos pilotos que a gente começava trabalhar com grupos tarefas para resolver a resolução de problemas que tinha em produção,que a gente começou crescer, que eu acho que foi onde eu tive mais oportunidade de estar aprendendo, entendeu, na hora que entrou nesses grupos pilotos e depois com a implementação do WCM que a gente ganhou um conhecimento de utilidade de ferramentas que foi muito, muito importante.



P/1 – Então, deixa eu ver se eu entendi. Você fez parte de um grupo piloto de implantação do WCM na empresa, foi isso? 



R – Isso, foi isso mesmo.



P/1 – O que era esses grupos pilotos?



R – Esses grupos pilotos são grupos que focam, por exemplo, um problema de redução de perda, eficiência de equipamento, então a gente fazia parte de uns grupos que trabalhavam em alguma coisa focada.



P/1 – Mas para discussão ou para aplicação mesmo?



R – Para aplicação, discussão e aplicação. Análise e aplicação de resolução de problemas.



P/1 – Ah, antes da implantação oficial, digamos assim… 



R – … Antes da implantação oficial do WCM.



P/1 – E aí os resultados foram positivos… 



R – … Os resultados foram positivos onde que daí veio a implantação do WCM para completar tudo que estava sendo feito ali.



P/1 – O desperdício diminuiu mesmo?



R – Diminuiu, até hoje com o trabalho está diminuindo, entendeu, e a evolução foi enorme pela Tetra Pak, a Tetra Pak cresceu muito com isso, não só a Tetra Pak como os funcionários também, porque em termos de conhecimento foi muito gratificante e até hoje a gente tem treinamento e está investindo no funcionário, por quê? Ela ganha e os funcionários também ganham, isso aí é, crescem juntos.



P/1 – E com relação à tecnologia, Benedito, quando você entrou, como eram essas máquinas? Mudaram muito para as de hoje?



R – Bastante, mudaram muito, muito. Hoje uma laminadora, quando a gente entrou lá, com a tecnologia ela mudou muito, muito. Muita parte que era manual, feita pelos operadores, hoje é feito automaticamente, automático. Por exemplo, uma laminadora, quando eu entrei lá, você colocava o polietileno para depois virar em filme que entrava nas embalagens, que era laminado, era colocado tudo em mãos; hoje não, hoje é tudo por silos, por tubulação que automaticamente já entra na produção, já entra na máquina, entendeu? E antes era tudo manual, tudo manual…  Parte de controle durante o processo também, com a tecnologia hoje muita parte é tudo automático.



P/1 – E com isso também ganha tempo?



R – É, isso foi trabalho tudo com WCM que foi chegando a esse ponto de sempre estar implantando a tecnologia em equipamento, porque o que é o WCM? É tudo em cima de estudo, em cima de análise, entendeu, e nas análises vai chegando nesse ponto de tecnologia vai entrando. 



P/1 – E com relação às máquinas ainda, Benedito, a produção com essas máquinas, com certeza, aumentou estrondosamente. Mais ainda assim a produção está cada vez crescendo mais? A demanda está sendo cada vez maior ainda com essas máquinas mais modernas que produzem mais?



R – Sim, ainda com essas máquinas mais modernas o crescimento é bastante, bastante. Inclusive você vê hoje… Por quê? Porque tudo é função de trabalho. Quando você consegue entregar material de qualidade com menos problema
para um cliente, o que acontece? O cliente pega mais confiança na empresa e onde a produção vai sempre aumentando, entendeu? Outro cliente também que vê do trabalho que é feito da Tetra Pak,  onde vai entrando em produção e vai aumentando a qualidade da embalagem nossa para venda. A Fispal [Feira Internacional de Produtos e Serviços para Alimentação Fora do Lar] é uma grande  importância para Tetra Pak, onde ela busca bastante clientes para estar também entrando na área de embalagem Tetra Pak.



P/1 – E agora eu queria que você falasse um pouquinho das iniciativas sociais da Tetra Pak no seguinte sentido: a Tetra Pak, ela colabora com o crescimento da região de Monte Mor, com a cidade de Monte Mor, ela auxilia alguma instituição, ela tem alguma preocupação com isso?



R – Isso aí a gente também presencia isso aí na própria cidade de Monte Mor, ali eu conheço entidades que a Tetra Pak auxilia bastante, bastante mesmo. Em termos disso aí a Tetra Pak trabalha muito isso aí, parte social de auxílio às entidades, e ao próprio município também, “várias hospitais” que ela colabora muito dando equipamentos, veículos, em Monte Mor já presenciei muito isso daí.



P/1 – Existe alguma movimentação em relação ao voluntariado dentro da Tetra Pak, por parte dos funcionários mesmo, participação de, por exemplo, não sei… Reforma de… 



R – … Sim, sim, inclusive teve um tempo que a gente participou da reforma de uma praça, inclusive ela recebe o nome do nosso fundador, é Ruben Rausing que tem o nome duma praça lá, perto da Tetra Pak mesmo, onde teve um trabalho de voluntariado, onde todos nós fomos dar uma geral, reforma mesmo na praça. Tem sempre em Campinas também, cidade vizinha, às vezes trabalho de voluntariado que vão fazer juntos às entidades, reformar, pintar, essas coisas, tem bastante isso aí, tem um trabalho, tem uma equipe lá na Tetra que trabalha isso aí, parte social. 



P/1 – E com relação às iniciativas ambientais, qual é a preocupação da Tetra Pak nessa área com relação à reciclagem, ao desperdício, ao consumo consciente na produção… 



P/1 – … A gente tem lá na Tetra Pak a 14000 que foi pensando o meio ambiente, uma norma para trabalhar com meio ambiente, reciclagem de embalagem. Isso aí, em todos processos da Tetra Pak tem um foco grande e com isso aí está ganhando até em benefício para o meio ambiente, redução de energia, redução de água, tudo focando o que? Eficiência de máquina, perda de material, tudo isso aí é onde auxilia, também, no meio ambiente, isso pensando já no nosso processo no dia a dia, e fora em termos de reciclagem da embalagem que tenha… Todo processo tem a sua perda, mas a Tetra Pak se preocupou também em está reciclando esse material que é descartado pela Tetra Pak e depois pelos consumidores também. Inclusive tem um trabalho conjunto com a Klabin, Klabin e eu não lembro o nome da outra empresa que desenvolveram uma fábrica para está reciclando as embalagens Tetra Pak, que é um trabalho muito bom que hoje não é tanto como a Tetra Pak espera conseguir em termo de reciclagem, porque precisa muito da educação do povo está  direcionando as embalagens para reciclagem, mas o trabalho está sendo forte na educação, nas escolas, tudo, para parte de reciclagem de embalagem Tetra Pak. Isso é uma preocupação da Tetra Pak está aumentando cada vez essa parte de conseguir reciclar a maioria das embalagens dela, produzidos por ela.



P/1 –  E você acredita que essa preocupação ambiental que a Tetra Pak tem, que passa ido para os seus funcionários dentro da empresa. Você acredita que os funcionários, quando saem de lá da empresa e vão paras suas casas, suas vidas, eles levam um pouco desses ensinamentos também com relação a essa questão ambiental?



R – Sim, eu tenho certeza que sim. Isso aí eu acho que o que é falado lá é impossível um funcionário ir para sua casa e não pensar nisso aí também no dia a dia dele em sua casa, porque é muito conscientizado isso aí na empresa.



P/1 – E você tem alguma história engraçada, algum caso que tenha acontecido nesses seus anos de trabalho na produção? Alguma coisa que aconteceu com você ou que você viu, presenciou, que aconteceu com algum colega…  



R – … Olha, vários casos durante o ano todo presencia, inclusive quando aconteceu isso aí na empresa lá… É um caso que em termo de segurança é uma coisa que nem era para ter acontecido, hoje não acontece nunca o que aconteceu isso aí, porque no início não era tanta preocupação em segurança, mas foi um caso engraçado. Você quer que eu conte esse caso?



P/1 – Claro!



R – Então, nós trabalhamos com produção em turnos, e nesse turno, e tinha uma pessoa que até prestou depoimento aqui, o Clóvis Albertini, que a gente fala Bôia para ele. E certo dia, num turno desse de trabalho, de madrugada, ele fez um próprio papel da embalagem lá, algum material que saiu rejeitado, ele fez um cone, um cone, assim, tipo um megafone, e chegava certa hora da madrugada ele saia lá gritando: “Acorda, Maria Bonita!” O pessoal da fábrica todo, como era pequeno, todo mundo ali escutava ele, e tinha um outro rapaz que agora não está na empresa que trabalhava no departamento de qualidade, e ele só visualizando o que o Bôia pegava e saía, ele saía, falava isso aí e colocava lá no lugar trabalhava, e saía, fazia outro serviço. Aí esse, em termo de malvadeza , falou assim: “Eu vou aprontar para esse rapaz aí.” Então onde ele trabalhava, lá, onde o Clóvis trabalhava, era na laminadora, no embobinador, tinha uma lata de cola onde eles passavam cola no tubo para embobinar a bobina, e esse rapaz do controle de qualidade foi lá e pegou o cone que ele colocava na boca e encheu a boca assim de cola, e esse Clóvis tem um bigodão, uma barba assim… Aí ele foi, deu uma volta aí voltou no lugar, pegou o cone e meteu na boca assim, na hora que ele foi: “Maria… Filha da mãe.” E saiu xingando, rapaz, e nós de olho, ah, aquilo para nós foi uma festa para nós rapaz… Eu sei que isso aí foi muito engraçado, eu não sei depois como ele fez, se ele conseguiu limpar ou se ele teve que raspar o bigode, mas sei que melecou de cola a boca dele. Esse foi um caso engraçado que a gente presenciou também na… 



P/1 – … Na produção deve ter vários casos engraçados?



R – Tem vários. Teve um outro também que eu não presenciei, mas o Sebastião, que fez o depoimento também, que foi muito engraçado que eu me lembro que tinha um motorista de empilhadeira, que de madrugada, a produção estava meio folgada, ele tirava um cochilinho em cima da empilhadeira mesmo, e ele foi para área do barracão onde fica as bobinas que ele transitava, trazia do salão do barracão para produção. Aí certa hora da madrugada, estava tranquilo… Desculpe, certa hora da madrugada não, foi no período da manhã, ele foi para área do barracão lá e estava meio tranquilo, ele colocou a mão assim em cima do volante e ficou abraçado, assim debruçado em cima do volante. E ele percebeu que alguém vinha caminhando no encontro dele, na frente, sapato, calcinha social, na mesma hora ele falou assim: “Ih, é chefe?” A hora que ele estava assim, abraçado assim já pensou rapidamente, ele fez assim… E saiu (risos), já deu falando que estava rezando (risos), e ele estava descansando, estava dando uma folga…  



P/1 – … Pensou rápido… 



R – … Pensou rápido, na hora, aqui, sinal da cruz e… Isso aí eu até hoje escuto eu acho muito engraçado, foi um caso que diz que aconteceu mesmo. Quem era essa pessoa era o diretor nosso o Benny Heide isso eles falaram, eu não presenciei, mas falaram que o Benny chegou na frente dele… 



P/1 – Mas ele escapou da represália… 



R – … Foi… Escapou bem pensada, fugiu do… Na hora, criatividade que estava rezando. Esse foi um caso também muito engraçado que me contaram.



P/1 – Com você nunca aconteceu nada de errado, nesse sentido? 



R – Eu não me lembro de caso engraçado assim, não, eu não me lembro.



P/1 – E Benedito, quais são os valores da Tetra Pak?



R – Olha, um valor que a Tetra Pak sempre dá para os funcionários é responsabilidade com… Fugiu da memória… Liberdade com responsabilidade, esse é um valor que a Tetra Pak dá para os seus funcionários,  e inovação e criatividade também, esses são valores que a Tetra Pak dá para seus funcionários.



P/1 – E como esses valores são vivenciados no dia a dia, assim… Eles são vivenciados? Você sente eles no dia a dia?



R – São, são vivenciados. No trabalhado ali da gente da produção a gente vê isso aí. Ela dá condições para o funcionário estar dando suas ideias, entendeu, dá liberdade para ele estar se comunicando, entrando em contato com a supervisão, gerência… Tem, tem esse relacionamento entre o funcionário e a parte de diretoria, gerência, entendeu, não é uma coisa limitada, entendeu, então a Tetra Pak tem muito isso daí com os funcionários.



P/1 – Você está já na Tetra Pak há vinte e um anos, é isso? Vinte e um anos é muito tempo…   



R – … É uma vida, acho que ali eu, quando eu entrei em 1986 ali eu não era casado, casei em 1987, um ano depois que eu casei, e assim é uma vida mesmo… 



P/1 – E você, quando você entrou quem era presidente, você lembra?



R – Presidente da Tetra Pak…  Olha, não lembro o nome correto, não sei se era Tommy…   



P/1 – … O Tommy?



R – Eu acho que era, eu não lembro bem o nome dele, mas era um sueco… 



P/1 – … Era um sueco… 



P/1 – Fala um pouco dos presidentes que você lembra, de como era a época desses presidentes…  



R – … Então, eu lembro desse sueco que era um presidente jovem, ele não ficou muito tempo lá, depois aí entrou acho que o Nelson Findeiss como presidente.



P/1 – Como foi a época do Nelson Findeiss assim, como foi o período da presidência dele no que diz respeito a fábrica, a produção, a sua área?



R – Sim. Eu acho que o Nelson Findeiss, eu acho que é um estrategista, ele tem uma, partiu com a empresa também, ele dedicou ali o crescimento da Tetra Pak, acho todo trabalho que hoje está aí ele conseguiu também como uma equipe, ele montou uma equipe, uma equipe da parte da diretoria até a gerência, supervisores de produção. Sem uma equipe forte pode ser que o resultado não apareça, mas ele conseguiu fazer uma equipe forte e buscar os resultados que hoje é a Tetra Pak, que é um trabalho muito, muito levado do Nelson Findeiss nesses anos todos que ele ficou como presidente.



P/1 – E agora o Paulo Nigro, que é o… 



R – … E agora o Paulo Nigro que também… Eu não conheço ele assim, mas pelo trabalho que ele já fez pela Tetra Pak é uma pessoa muito competente que eu acho que ele vai seguir a continuidade do Nelson Findeiss e a tendência é ele estar crescendo também.



P/1 – E em 1999 foi quando _____ Noventa e nove Ponta Grossa, é isso?



R – Isso, acho que é 1999… 



P/1 – … Por volta disso… Como foi, quando a fábrica de Ponta Grossa foi inaugurada, o que mudou em Monte Mor assim, porque aí foi dividida um pouco a produção… 



R – … Sim, sim, na época a gente pensou talvez que ia diminuir o trabalho para nós aqui em Monte Mor, foi uma insegurança talvez que bateu, vai mais serviço para lá. Não, mais aí pelo contrário, eu acho que abriu mais campo para nós aqui da Tetra Pak em Monte Mor, para a entrada de outros tipos de embalagens, isso aí é onde mais clientes vieram para Tetra Pak, o que a gente pensou de um jeito e foi totalmente o contrário, entendeu, cresceu muito, lá também foi bastante, direcionou alguns trabalhos para lá, mas em compensação outros clientes entraram aqui em São Paulo, aqui na Tetra Pak Monte Mor.



P/1 – Mas por parte dos funcionários teve alguma preocupação do tipo: “Ih, agora, vão na verdade fechar aqui e vão para Ponta Grossa… ”



R – … Teve, na época teve essa preocupação aí, esse receio de que ia acontecer alguma coisa que ia diminuir, que ia mandar pessoas embora, mas não, graças a Deus não foi isso aí… 



P/1 – … Foi o contrário.



R – Foi o contrário, teve mais trabalho para nós aqui. Foi muito bom, não tão como para nós como para Ponta Grossa que também teve a sua parte lá de crescimento para as pessoas de lá.



P/1 – E a relação entre as duas? Existe um contato entre Ponta Grossa e Monte Mor? As produções muitas vezes… 



R – … Constantemente existe intercâmbio de trabalho.



P/1 – Ah, existe isso… 



R – … Porque a Tetra Pak é para ser um trabalho só, independente se é Ponta Grossa, lá e São Paulo. O trabalho principalmente tem que ser um trabalho só, um padrão só, é isso que a Tetra Pak procura nesses anos de implementação da WCM, padrão, padronizar todos trabalhos.



P/1 – E qual a importância da Tetra Pak na história da industrialização brasileira na sua opinião.



R – Olha, a Tetra Pak foi uma inovadora aqui no Brasil, eu acho que o que ela conseguiu de vários clientes em termos de facilidade, de tudo, tanto de… Desde o trabalho de base até a parte de… Como se diz, de armazenamento em supermercado, estoque, isso aí eu acho que é um trabalho forte da Tetra Pak que conseguiu nesses anos todos.



P/1 – E a importância da embalagem da Tetra Pak na evolução do setor alimentício?



R – A importância da embalagem… Olha, eu acho que hoje em dia, a embalagem Tetra Pak é a embalagem mais prática, fácil em termo de consumo, em termo de como eu falei já, de armazenamento, isso aí é uma embalagem prática, por isso que ela cresceu muito, tanto para o consumidor como para os clientes. Então é uma embalagem muito boa em termos de resistência para os produtos, entendeu, esse período de conservação, entendeu, tudo que ajuda um cliente a envasar seu produto na embalagem Tetra Pak.



P/1 – Benedito, há anos atrás, há décadas atrás na verdade, teve uma época em que as pessoas tinham uma desconfiança muito grande, me corrija se eu estiver errado, com relação à questão da conservação. Elas não acreditavam que não tinham conservantes nos produtos de uma embalagem Tetra Pak, é porque faltava informação, por parte dessas pessoas, mas era inconcebível naquela época, na cabeça dessas pessoas, que algo se conservasse tanto tempo numa embalagem sem ter nenhum tipo de conservante, porque naquela época tudo tinha conservante, bem dizer, você lembra desse período… 



R – … Se eu falar que eu me lembro eu tô mentindo, eu não me lembro desse período aí, é muito raro ouvir um comentário, mas lembrar mesmo eu não me lembro… 



P/1 – … Mas hoje, as pessoas… Você acha que o mercado consumidor, os consumidores, eles evoluíram também o seu conceito com relação às embalagens da Tetra Pak?



R – Com certeza evoluíram tanto que você viu o que é consumido de embalagem Tetra Pak. Hoje é ano a ano a gente está conseguindo vender cada vez mais embalagem, o consumidor e os próprios clientes, as próprias empresas que fazem dela a maior credibilidade da embalagem Tetra Pak, eu acho que só os valores aí que fica já da para mostrar isso daí, a credibilidade das embalagens Tetra Pak.



P/1 – Vocês trabalham com metas?



R – Com metas, todas áreas trabalham em cima de metas.



P/1 – As metas são por área?



R – Por área, por área, toda área tem sua meta de… 



P/1 – … E esse ano você vai atingir, a sua área vai atingir a meta?



R – Estamos lutando para isso, estamos lutando para isso.



P/1 – E as metas são audaciosas? São metas altas ou… Como é que é a política de metas? Explica para gente.



R – É ano a ano, se conseguiu, depois é feito um estudo, uma análise desses indicadores que a gente conseguiu no ano para no próximo ano ver o que a gente pode ganhar, que é feita análise do investimento que vai ter, entendeu, e em cima desse estudo que a gente traça a nossa meta, que a gente vai conseguir ou não.



P/1 – E atingindo a meta é comemorado isso…  



R – … É comemorado, a gente tem o ganho… 



P/1 – … Ah, existe uma bonificação nesse sentido também… 



R – … Se a gente conseguir a meta, tanto individualmente, tem a análise individual e por área também… A gente é analisado pelo individual, individualmente também… 



P/1 – … Isso todos os funcionários, todas as áreas?



R – Todos funcionários.



P/1 – E fala para gente, o que você conhece dessa história de 50 que a Tetra Pak tem no Brasil, ela agora em 2007 comemora 50 de Brasil. O que você conhece dessa história, dessa trajetória?



R – Olha, é uma história de conquista. A Tetra Pak, eu acho, que desde o início que ela veio para o Brasil, de toda dificuldade que teve no início e chegar no que chegou hoje é através de muito trabalho… Muito trabalho e, como se diz, e de acreditar, principalmente essas pessoas que acreditaram desde o início, que a embalagem ia crescer muito aqui no Brasil e isso aí aconteceu e eu acho que as pessoas, principalmente as pessoas no início acreditaram nisso daí estão felizes hoje, porque conseguiu o que conseguiu em termo de crescimento da embalagem Tetra Pak, tanto a embalagem como em todo processo hoje, porque não é só a embalagem, é o trabalho de todo processo de desde lá do laticínio até o final lá no consumidor mesmo; então é uma atividade que pegou toda parte, do processo até o consumidor final.



P/1 – E você, como montemorense da gema, o que mudou na cidade? Você olhando hoje para Monte Mor, e a Monte Mor da sua época de criança, a Monte Mor lá de trás. O que mudou com a chegada da Tetra Pak?



R – Olha, a Tetra Pak é hoje, eu acho, e não é só eu, outras pessoas sabem que é principal empresa do município, talvez englobe até a parte da região ali e cresceu muito, cresceu muito as pessoas ali, por exemplo, a Tetra Pak hoje, a maioria dos funcionários são do município ali, entendeu. E eu acho que quem cresce é o comércio ali da cidade, tudo isso aí a Tetra Pak ajudou muito no crescimento disso aí, entendeu, muitas pessoas ali conseguiram comércio através da Tetra Pak, porque outras pessoas que moravam em outras cidades veio para cá morar no município por causa da Tetra Pak, e é isso, a tendência é só crescer o município e a Tetra Pak participou muito no crescimento de Monte Mor.



P/1 – Como morador local da cidade, você percebe que as pessoas da cidade, ali, por exemplo, elas almejam trabalhar na Tetra Pak? Existe essa coisa assim: “Ah, eu quero trabalhar na Tetra Pak… ”



R – Isso aí tem muito… Você vê muitas pessoas que a gente está no convívio ali no município você escuta: “O  que faz para entrar lá?” Tem aquela vontade de trabalhar na Tetra Pak, isso aí desde o início, mas de um tempo para cá, onde a Tetra Pak começou crescer também aí a ambição dos habitantes ali de Monte Mor de entrar na Tetra Pak é muito grande. Apesar de ser uma empresa que está ali praticamente no centro de Monte Mor, tem esse benefício ali também, mas a importância que os funcionários vê lá fora é a oportunidade de crescimento quando entra na Tetra Pak, porque lá aprende muito, aprende muito no treinamento, o funcionário tem muito treinamento e com isso cresce muito, eu acho que por isso que é um fato das pessoas também querer ingressar na Tetra Pak.



P/1 – E, eu acho que talvez você responda o que eu to pensando, mas qual é a sua embalagem preferida da Tetra Pak? Qual que você… 



R – … Tetra Rex (risos).



P/1 – (Risos). Eu perguntei por perguntar… 



R – … (Risos). A melhor embalagem que a Tetra Pak produz é a Tetra Rex. Não, a Tetra Rex é uma embalagem importante para nós também, mas se for ver bem, o carro chefe nosso é o Tetra Brik, mesmo… 



P/1 – … Ainda hoje?



R – É, ainda hoje é a embalagem Tetra Brik, acho que pela Tetra Pak é uma das principais embalagens.



P/1 – Hoje vocês trabalham com inúmeros clientes, Benedito?



R – O que?



P/1 – Hoje a Tetra Pak trabalha com inúmeros clientes?



R – Muitos clientes, muitos, muitos…  



P/1 – … E a produção para atender esses clientes deve ser cada vez mais… 



R – … Cada vez mais, cada vez mais… 



P/1 – … Existe uma época do ano, em específico, em que a produção é maior, a demanda é maior? Eu não sei, por exemplo, certas áreas, certas indústrias, a produção quando vai chegando perto da Natal, assim, dispara. Na Tetra Pak também tem esse tipo de… 



R – … Tem, o período que o crescimento é bastante… Tem o período de cada produto, época de calor, de suco aumenta bastante, parte do frio já entra mais o leite, mas tem períodos que… 



P/1 – … Também oscila essa demanda… 



R – … Oscila, oscila, tem parte… Mas, graças a Deus, a Tetra Pak durante o ano todo é meio constante… Tem uma pequena redução, mas é pouca coisa, não tem muita. Esses últimos anos aqui é o crescimento da, o ano todo está tendo bastante produção.



P/1 – Eu queria que você falasse, você até já falou em alguns, em algumas partes do seu depoimento, sobre a variedade dos produtos comercializados em embalagens da Tetra Pak, exatamente, antes era o leite e alguma coisinha como um achocolatado, um vitaminado como você falou lá atrás. Hoje, por exemplo, fala um pouquinho, hoje tem leite, tem suco… 



R – … É, depois desse derivado de vitaminado apareceu extrato de tomate de firmas, tem bastante isso aí, extrato de tomate. Depois apareceu de maionese, hoje tem água de coco na embalagem especial nossa que é a Tetra Prisma, que embala água de coco que foi um trabalho da Tetra Pak. Os clientes chegaram a conseguir fazer esse material, não, água de coco não era aproveitado, era descartado. Então, a Tetra Pak num trabalho que teve com um cliente: “Vamos envasar essa aí… ” E conseguiu envasar, hoje a água de coco é envasada e a venda é grande, hoje a água de coco é bem vendida no Brasil. E tem vários outros produtos, tem goiabada também foi envasado, tem envasado em embalagem Tetra Pak, e vários clientes, talvez tenha algum produto que eu não tô me lembrando, mas que hoje é envasado na embalagem Tetra Pak.



P/1 – Agora eu vi nos supermercados alimentos sólidos, também, embalagem… 



R – … Sim, isso aí é Tetra Recart, é uma embalagem que hoje nós não fabricamos no Brasil, mas a gente está fazendo uma força para que venha a técnica de mercado que a gente consiga trazer daí mais máquinas para cá, daí mais mão de obra para nós do Brasil, que hoje a embalagem Tetra Recart ainda está vindo de fora, porque o mercado está iniciando aqui no Brasil. Parece que tem um e agora tem outro cliente que compra ou (ma?) parte de equipamento para envasar sólido que é milho verde… 



P/1 – É, não sei se você talvez sabe me responder isso, mas no que diz respeito à Tetra Recart, os alimentos que são envasados ali, os alimentos sólidos, eles também têm os mesmos benefícios, digamos, de conservação do que o leite tem numa embalagem da Tetra Pak? Por exemplo, eles também não recebem nenhum conservante e também são conservados tão bem quanto de uma embalagem Tetra Brik?



R – É, eu não posso responder, porque eu não tenho muito conhecimento, assim, em termos de conservação do produto que é envasado na Tetra Recart. Eu não conheço o processo de envase do produto e da embalagem, só conheço mais, eu cheguei a ver a embalagem, mas eu creio que o que é feito para o produto é feito para o produto sólido também, na parte de conservação.



P/1 – E chegou agora a pouco tempo, a Tetra Recart… 



R – … Chegou agora, chegou no mercado há pouco tempo, parece que na Europa tem mais tempo isso aí, esse Tetra Recart. Aqui no Brasil, se eu não me engano agora estamos com duas máquinas de envase de produtos sólidos.



P/1 – E Benedito, qual é a importância do Projeto Memória 50 anos Tetra Pak na sua opinião?



R – Olha, acho que quando falaram desse projeto eu já imaginei que deveria ser uma coisa muito bacana que vai ser, porque eu acho que 50 de Tetra Pak acho que é uma vida, é uma história mesmo, e eu acho nada melhor do que pegar essas pessoas que fez essa história e estar coletando esses depoimentos, essas coisas que aconteceram durante todos esses anos, desde o período quando começou até hoje onde ela se encontra. Eu acho que esse projeto aí vai ser muito legal para a empresa estar registrando esse momento aí. Para mim é uma coisa que vale a pena e para muitas pessoas que vão estar conhecendo isso daí vão gostar muito.



P/1 – O slogan da Tetra Pak é: Protege o que é bom. O que é bom para você?



R – O que é bom para mim… Eu acho que tudo que a gente consegue… Por exemplo, em termos de alimento, você consegue saborear, isso aí nas embalagens Tetra Pak a gente consegue, isso daí, já está dizendo: protege o que é bom, e tudo que é envasado em Tetra Pak, em embalagem Tetra Pak é bom, isso aqui, o mercado já fala tudo isso aí. E é isso aí, para mim, tudo o que é envasado em caixinha para mim é bom.



P/1 – A gente está chegando no final do depoimento e eu queria te perguntar se tem algo que talvez nós não tenhamos abordado, não te perguntamos e que você gostaria de deixar registrado. Teve algum assunto que você acha importante e que nós não tocamos?



R – Não, acho que foram abordados todos os assuntos, mais do que eu esperava que seria abordado aqui, eu acho que não ficou alguma coisa assim para trás, não.



P/1 – E você gostaria de deixar algum recado… 



R – … Ah é, esqueci de falar uma coisa. Nos eventos da Tetra Pak, não é porque é minha área, não, na parte dos campeonatos society que a gente faz lá, a Tetra Rex, nos dois primeiros campeonatos foi campeão invicto.



P/1 – (Risos). Você joga?



R – Jogava, agora eu jogo menos, no início o campeonato society (da?) é um campeonato, um evento que sempre o RH [Recursos Humanos] dá foco nisso daí, para estarmos participando.



P/1 – E tem todo ano?



R – Todo ano, é como se diz, é um evento sagrado da Tetra Pak esse campeonatinho aí.



P/1 – E é área contra área, é isso?



R – É, área contra área… 



P/1 – … Por exemplo, laminadora versus… 



R –… Isso, versus cortadeira, versus impressora, Tetra Rex versus canudos.



P/1 – E a Tetra Rex é… 



R – … Os dois primeiros anos. No início desses campeonatos foi da Tetra Rex, então… 



P/1 – …  E você já estava na área da Tetra Rex?



R – É, eu participava desse campeonato, hoje não, hoje… A Tetra Rex hoje não é mais o forte…  



P/1 – … (Risos). Vale lembrar. E você gostaria de deixar um recado para os seus colegas de trabalho na época para quem tiver acesso ao seu depoimento da Tetra Pak? Deixa um recadinho para eles… 



R – … Só um recado para os meus colegas de trabalho é estar conscientizando que todo esse trabalho que a Tetra Pak está direcionado aos funcionários, em termos de produção e parte social e estar participando também junto com a empresa, porque eu acho que todos esses eventos, essas comemorações que a Tetra Pak nos fornece é para comemorarmos juntos. Então a participação de todos é muito importante nesse momento de vitória, então, eu acho que minha, minha… 



P/1 – … Seu recado… 



R – … O meu recado é esse, é para os funcionários estarem mais integrados com a empresa também.



P/1 – Para finalizar eu queria que você dissesse o que você achou de ter dado seu depoimento para o Projeto.



R – Eu espero que tenha feito o possível de estar fornecendo algumas informações que vocês precisavam, e poder participar desses 50, porque para mim é muito gratificante, de eles ter lembrado, de ter participado dessa vida, dessa parte da vida da Tetra Pak… 



P/1 – … Então em nome da Tetra Pak e do Museu da Pessoa, nós gostaríamos de agradecer seu depoimento, seu tempo e sua vinda aqui até São Paulo para colaborar com o Projeto, obrigado, viu Benedito?



--- FIM DA ENTREVISTA ---



Dúvidas

 

La Rio

Não

Ma

Da














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