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História

Conquistando sonhos

História de: Telma de Souza Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 11/01/2022

Sinopse

Telma conta sobre sua vida pessoal, seus sonhos, o trabalho na Vedacit e sobre sua seleção para o programa Ano Novo, Casa Nova.

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História completa

(00:30) P/1 – Boa tarde, Telma! Tudo bem? 

R – Boa tarde! Tudo bem, Genivaldo. E você? 

(00:35) P/1 – Tudo ótimo! A gente vai começar, então, com a pergunta mais básica: o seu nome completo, a sua data de nascimento e a cidade onde você nasceu. 

R – Meu nome completo é Telma de Souza Santos. Eu nasci em quatro de julho de 1986 e sou de São Paulo, capital. 

(01:00) P/1 – Qual o nome dos seus pais, Telma? 

R – Minha mãe é Tereza de Souza e meu pai é Elias Bispo dos Santos.   

(01:12) P/1 – Qual a ocupação dos seus pais? 

R – Minha mãe, atualmente, é aposentada, não trabalha. Tem 78 anos, ela fez agora, no último dia 25. Meu pai também é aposentado, está com 79 e são separados atualmente. Meu pai reside na Bahia; minha mãe aqui em São Paulo, comigo.   

(01:41) P/1 – E você tem irmãos? 

R – Tenho. Vamos lá! Por parte de mãe eu tenho duas irmãs mais velhas, eu sou a caçula e, por parte de pai, eu tenho onze irmãos, fora essas duas irmãs que eu tenho. (risos) 

(02:02) P/1 – Bom, os seus pais - você diz que seu pai, agora, mora na Bahia – originalmente são de São Paulo ou vieram de algum outro lugar, pra São Paulo? 

R – Meu pai é da Bahia, nasceu na Bahia e veio aqui pra São Paulo. Minha mãe é de Mogi das Cruzes, interior de São Paulo. 

(02:27) P/1 – Vamos começar a falar um pouquinho da sua infância: você se lembra da casa onde você passou a sua infância?

R – Lembro. Eu fui criada em sítio, meus pais eram caseiros desse sítio e eu tive uma infância assim, muito... Posso falar que, comparada com as infâncias atuais, não troco, porque eu fui criada em sítio, então subia em árvores, comia fruta no pé, tinha toda essa liberdade. Brincava na rua até tarde, tive uma infância muito feliz. 

(03:12) P/1 – E do que você gostava mais de brincar, nessa época? 

R – Nossa, de tudo, porque na época da minha infância a gente não tinha internet, não tinha nada disso. Algumas pessoas tinham TV, no sítio que eu morava a gente tinha luz de vez em quando, então a maioria das brincadeiras era fora de casa. Era pega-pega, esconde-esconde, brincava de boneca. Minha mãe costurava bonecas pra nós, pra minhas irmãs. A gente tinha boneca de pano, minha mãe costurava e era mais brincadeira fora de casa. Passava na rua, brincava, inventava alguma coisa pra fazer, sempre ao ar livre. 

(04:07) P/1 – Esse sítio era em São Paulo mesmo ou em alguma cidade próxima a São Paulo? 

R – Aqui em São Paulo, mesmo. 

(04:16) P/1 – Certo. Você gostava de ouvir histórias? Alguém te contava histórias, quando você era criança? 

R – Sim. Nós tínhamos uma vizinha que era bem mais nova que a minha mãe, então ela sempre ficava com a gente pra tomar conta da criançada e, nossa, eu lembro que a gente sentava em volta da fogueira e ela ficava contando histórias de terror. Meu avô também, que sempre morou em Mogi, nós íamos pra lá sempre no tempo de Natal. Nós passávamos o Natal lá e meu avô não gostava de tecnologia, então ele ouvia uma vitrola, umas músicas antigas, de roça, e a gente sentava pra assistir TV. A gente só podia assistir TV por uma hora, depois ele desligava; ele falava que gastava a televisão e aí ele começava a contar várias histórias de folclore. Ele contava histórias de Saci, de Curupira, de sereia, mas ele contava com uma riqueza de detalhes que você ficava hipnotizado pelas histórias dele. Eram muito legais.     

(05:45) P/1 – E teve algum momento desse período que marcou você? Alguma coisa que aconteceu, que até hoje você lembra? 

R – Do tempo de história? 

(05:56) P/1 – Da sua infância, mesmo. Desse período que você passou morando no sítio. 

R – Ah, eu... Muita coisa, né? Eu ia pescar com meu pai. Meu pai sempre me levava e a minha irmã do meio pra gente ir pro rio que ele pescava. Ele costurava a tarrafa e levava a gente pro rio. A gente ficava na margem, enquanto ele ia pro fundo pra pescar e a gente ficava tomando banho na beira do rio. Eu e a minha irmã pegávamos peixinhos, às vezes sapo também, girino, pensando que era peixe, que estava na margem, ali. A gente colocava dentro de uma sacolinha transparente e trazia pra casa pra colocar nos aquários, mas depois morria, né? Não fica muito tempo. 

Ah, é  muita coisa. Eu tive uma infância, graças a Deus, muito atípica, em comparação às de hoje. Tem muita coisa, muita lembrança boa, mesmo. 

 

(07:07) P/1 – Você tinha algum sonho de infância? 

R – Eu tinha, eu sempre quis morar numa casa grande. Nós morávamos nesse sítio, mas como eu disse, meus pais eram caseiros do sítio e eu sempre quis ter uma casa assim. Eu ia à casa das minhas amigas vizinhas e eu via aquelas casas bonitas… E meus pais, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, funcionário público e trabalhava de eletricista. Ele era servidor da prefeitura. Mas as coisas sempre foram muito difíceis em relação a grana e a prioridade sempre foi alimento. Nunca faltou, graças a Deus, comida, nada, a gente nunca teve... Nessa parte meus pais sempre supriram bem a gente. Mas outras coisas… Eu queria ter uma casa grande e bonita. Piso de cerâmica, porque na minha época era aquele piso de chão batido, a gente varria com vassoura de palha porque não tinha cerâmica na minha casa. Então, eu sempre quis. Olhava na casa das minhas amigas e falava: “Eu queria ter uma casa grande assim, com piso, com tudo”. 

(08:38) P/1 – E avançando um pouquinho na sua infância, qual a primeira lembrança que você tem de ir pra escola? 

R – Vamos lá! Eu sempre fui muito tímida na escola e tenho um ano de diferença da minha irmã do meio. A gente sempre foi muito unida na escola, então uma sempre protegia a outra. Eu lembro que eu sempre gostava de sentar mais próxima da professora; eu tinha poucas amigas, não tinha muitas, porque eu era muito tímida, muito retraída. Minha mãe trabalhou na escola que eu estudei, de merendeira, aí era a parte que eu mais gostava, porque eu sempre conseguia repetir a merenda. (risos) Eu ia lá: “Mãe, dá mais um pouquinho”. Ela: “Não me chama de mãe, menina, não pode”. (risos) Ai! Mas era isso. Minha mãe trabalhou muitos anos de merendeira. Isso era muito bom pra mim. (risos) 

(09:50) P/1 – E nesse período de ensino fundamental, você tinha alguma matéria que gostava mais ou algum professor que tenha marcado? 

R – Tinha. Eu tinha duas matérias e dois professores; uma matéria era História. Eu amava a aula de História, era a aula que eu mais gostava. Eu lembro até da professora, que o nome dela é Nair e eu lembro das aulas dela. Ela falava, na época, do senhor feudal, dessa época de colonização. Nossa, eu ficava fascinada, porque era uma professora muito dinâmica, ela não fazia a gente ficar só lendo;  parecia que ela tinha vivenciado aquela época. Ela falava, ela não lia o livro, abria o livro e ficava lendo. Ela contava, ficava andando entre as carteiras e falando; ela ia contando, como se ela tivesse vivenciado aquela época. Eu ficava fascinada, eu adorava a aula de História. Adorava, eu era muito boa aluna nessa aula, tirava só nota boa, porque era uma matéria que eu gostava muito. 

Por incrível que pareça, eu adorava aula de Matemática porque eu gostava dessa questão, porque Matemática eu acho muito prático. Você não tem que decorar nada, você tem que aprender e é prático, é exato. Você tem que aprender a fórmula pra fazer. Eu gostava bastante da aula de Matemática. Eu tinha um professor e ele passava muita lição de casa. Meu Deus, ele passava lição de casa pro final de semana inteiro, pra você ir treinando as contas. Enfim, eu gostava da aula de Matemática e História, eram as minhas preferidas. 

(11:51) P/1 – E como você ia pra escola? Você ia a pé ou era mais longe? 

R – A pé. Eu andava uma média de três a quatro quilômetros, ida e volta. Três, quatro quilômetros pra ir e três, quatro quilômetros pra voltar. Aí essa mãe que eu mencionei que ela era mais nova, que cuidava da gente quando a gente estava brincando na rua, levava a gente pra escola. Nós íamos tipo uma galera. Era ela, as filhas dela, nós; ia uma turma. Ela levava a gente e buscava, todos os dias. 

(12:36) P/1 – E essa escola tinha festa junina, eventos? Conta como era o dia a dia, fora da sala de aula. 

R – Tinha só nesse período, mesmo, de festa. Festa junina sempre teve. Eu lembro que tinha feira, chamava feira de ciências, que eu também gostava. O famoso vulcão, né? (risos) Misturava lá bicarbonato, pra fazer o vulcão emergir. Mas nós tínhamos. Era somente nessas épocas mesmo, de festa junina, que tinha esses eventos pontuais.  

(13:28) P/1 – E quando você terminou o ensino fundamental, você foi direto pro ensino médio, em outra escola? Conta como foi essa passagem.          

R – Não. Eu me formei, concluí o ensino médio nessa escola, da primeira série até o término do ensino médio na mesma escola, então você cria um laço muito grande, desde a primeira série. Foi muito bom. Nós tínhamos uma diretora muito rigorosa, bem rígida, então todo mundo falava assim: “Eu vou levar você pra diretoria”. Nossa Senhora! O povo chorava: “Meu Deus!” Pedia pelo amor de Deus pra não levar. Apesar de ser uma escola pública, era uma escola, na época, muito boa. 

(14:27) P/1 – E o que mudou, nesse período? Você já no ensino médio, já na adolescência, o que mudou nos seus gostos, de sair com os amigos? Quais foram seus hábitos fora da escola, nesse período? 

R – Mudou muita coisa na minha passagem do fundamental pro médio, porque eu fui mãe na adolescência. Quando eu iniciei o ensino médio, eu já era mãe. Eu fui mãe aos quatorze anos. Mudou tudo, porque eu comecei o ensino médio e já era uma dona de casa; já tinha filho, marido, então meio que eu pulei essa etapa da minha vida, de experimentar essas coisas. Eu não tive…       

(15:23) P/1 – E como foi, pra você, ser mãe? 

R – Como foi na época, ou agora? 

(15:31) P/1 – Os dois. (risos) 

R – Na época foi bem difícil porque não era tão comum, principalmente na minha faixa etária, ser adolescente com filho. Hoje é mais comum, mas antigamente não era. Eu sentia que sofria um pouco de preconceito de algumas pessoas, até de algumas amigas, que se afastaram um pouco, mas a maioria das minhas amigas mantiveram normal a amizade comigo, tanto é que a gente tem amizade até hoje. Mas foi uma época mais restrita, porque tinha que conciliar escola com filho, com marido. Foi um início bem complicado. 

(16:24) P/1 – E qual o nome do seu filho? 

R – É filha, Julia. (risos) 

(16:31) P/1 – E quantos anos ela tem agora? 

R – Agora ela está com vinte. 

(16:38) P/1 – Certo. E me conta, então, como foi essa experiência de ensino médio, já sendo mãe. Você disse que tinha que conciliar, obviamente, as duas rotinas, cuidar da criança. Você sentiu dificuldade? Precisou de algum reforço, de falar com os professores, pra eles terem um pouco mais de paciência com você? Conta como foi, como você se sentiu, nessa época?     

R – Nessa época, a princípio, eu não trabalhava. Eu estudava à noite e na parte da manhã eu cuidava da minha filha. Minha sogra, na época, ficava com a minha filha, pra eu terminar os estudos. Quanto a desempenho no colégio, essas coisas, eu consegui conciliar bem. É mais, assim, que ficou um pouco... Mudou a rotina, porque as amigas da minha época, da idade que eu estava, estavam saindo, passeando e eu estava em casa, cuidando do bebê. (risos)     

(17:48) P/1 – Quando você terminou o ensino médio, o que você se dedicou a fazer? Você foi trabalhar ou ficou cuidando mais da sua filha?

R – Eu trabalhava. Eu comecei, arrumei um serviço. Até antes de eu concluir o ensino médio, eu já estava trabalhando. E meu foco sempre foi... Na época eu morava de aluguel, com o pai da minha filha, então eu sempre foquei nisso. Falei assim: “Eu quero ter a minha casa, meu canto, porque pagar aluguel é muito difícil. Não é um investimento, é uma despesa que não tem retorno”, então eu sempre foquei nisso. A parte de cuidar da minha filha ficou mais pros avós, porque aí eu comecei a trabalhar direto. A maioria dos serviços que eu consegui eram de segunda-feira a sábado, então eu ficava pouquíssimo tempo em casa, passava a maior parte do tempo trabalhando. 

(18:54) P/1 – E como foi essa sua primeira experiência de emprego? 

R – Ah, eu gostei, eu adorei. Meu primeiro emprego foi como recepcionista de uma... Lá no Itaim Bibi, que é um lugar mais nobre aqui de São Paulo. Eu achava super chique, usava uniforme, toda arrumadinha. Era uma empresa que fornecia cursos, vendia cursos de profissionalização pras empresas; eram diversos cursos e a galera era muito legal. Eu gostei bastante dessa minha primeira experiência. E daí foi deslanchando, fui conseguindo outros cargos. Foi quando eu comecei a trabalhar na área financeira, que é onde eu comecei a fazer o curso de finanças. 

(20:04) P/1 – E como veio essa decisão pra você, de fazer o curso superior? Você escolheu porque você já estava trabalhando com isso? Como foi essa escolha, o processo do vestibular? 

R – A princípio eu sempre quis, desde a época da escola, mesmo. Sempre pensei em fazer uma faculdade, só que, como eu me tornei mãe muito cedo, eu tive que adiar por uns anos, até pra também não ficar tanto tempo assim longe da minha filha. Quando surgiu a oportunidade, que eu consegui conciliar trabalho, faculdade e filho, foi que eu... Mas eu sempre quis, sempre almejei isso. Engraçado, eu escutava muito das pessoas que, pelo fato de eu ser mãe, eu nunca ia conseguir me formar: “Isso aí você não vai conseguir.” E isso daí só me motivava, eu falava: “Vou sim, fazer uma faculdade, sendo mãe. A minha filha não veio pra impedir nada na minha vida, veio pra agregar mais ainda”. E eu consegui. Muitas pessoas falaram que não, que eu não ia conseguir, por esse fato e eu falei: “Não, eu vou, sim”. Já estou fazendo meu MBA, já. (risos) 

(21:35) P/1 – E como foi esse período de faculdade? Quando você entrou na faculdade, falou: “Bom, é isso. Já consegui, estou aqui, vou começar”. Como foi essa adaptação, essa nova rotina, conhecer outras pessoas, estudar outras matérias, que não aquelas que a gente estuda na escola? Conta como você se sentiu, fazendo a faculdade. 

R - Nossa, acho que foi uma das fases assim que eu ralei muito. Eu vivia muito cansada, porque era muito difícil conciliar trabalho com faculdade e a faculdade não era tão próxima assim do meu trabalho, então eu gastava muito tempo de locomoção pra chegar até a faculdade. Mas de cara, nos primeiros dias, ao contrário do começo do ensino fundamental, eu já estava mais extrovertida, então eu já fiz amigos. Fiz um grupinho lá, entrei pra uma turma e foi muito legal. Eu tenho contatos ainda da época da faculdade, a gente se fala ainda. Foi bem legal essa época, apesar de ter sido bem cansativo. Valeu muito a pena, foi muito bom. 

(22:57) P/1 – E durante esse período de faculdade, você se manteve no mesmo emprego, ou você já estava em outro? 

R – Não, eu já estava em outro, na área financeira. Quando eu entrei na empresa, que eu assumi essa área financeira, foi que eu defini o curso que eu ia fazer. No meio do curso, eu recebi uma oportunidade. Na verdade, o meu gerente viu que eu tinha uma... Ele enxergou em mim… Falou: “Meu, você tem que ir pro Comercial. Eu estou vendo que você tem o dom, tem que ir pro Comercial, porque acho que você vai desenrolar muito melhor lá. O Financeiro ok, mas acho que você tem uma habilidade pro Comercial”. Aí ele me desenvolveu, me colocou como assistente dele, meu gerente comercial, e eu fui pegando gosto, fui desenvolvendo. Eu tinha iniciado o curso na área de finanças; falei: “Não gosto de começar uma coisa e não terminar. Futuramente eu posso fazer outro curso, outra faculdade, mas essa eu vou finalizar, concluir”. Concluí o curso de finanças já pensando, futuramente, em fazer alguma outra coisa na área comercial. Atualmente, o meu MBA é nessa área comercial, mesmo. 

(24:29) P/1 – E quando foi que você teve contato com a Vedacit? Conta como foi sua entrada na Vedacit. 

R – Eu perdi o emprego em 2020. Com essa pandemia, a empresa que eu estava, a Nestlé, teve um corte de funcionários e eu estava também recente na empresa, tinha menos tempo do que os demais funcionários da minha equipe. Infelizmente, acabei ficando desempregada, mas tudo bem, comecei a mandar currículo, a fazer cursos na área comercial. Estava fazendo inúmeras entrevistas, tinha dia que eu estava fazendo quatro entrevistas por dia. Já não estava nem sabendo qual era a empresa que eu estava fazendo. 

De repente, a Camila, na época, da Vedacit, do RH, me ligou e me ofereceu essa oportunidade. E Vedacit a gente escuta desde criança, a gente vê o baldinho amarelo lá… Eu falei: “Caramba, sério? Uma oportunidade, vou participar”. Aí participei do processo seletivo e, graças a Deus, foi tudo bem, foi mais um bate-papo. Eu senti como um bate-papo, eles são muito receptivos. Fiquei super à vontade na entrevista, foi bem legal. 

 

(26:12) P/1 – E você está na área comercial da Vedacit? 

R – Sim. Estou na área comercial. Consultora de vendas II. (risos) 

(26:24) P/1 – Certo. E me conta como você ficou sabendo desse projeto da Vedacit, que é o Ano Novo, Casa Nova.  

R – Eu tinha acabado de entrar na empresa - entrei em fevereiro. No começo do ano, assim que eu havia entrado na empresa, eu vi os e-mails que eles estavam mandando pra fazer as inscrições: “O pessoal que tiver interesse no projeto…”. Aí eu entrei no link, vi como era o projeto. A casa que eu inscrevi pro projeto é a casa que eu moro com a minha mãe e ela está precisando, porque é uma casa que a gente construiu morando, então não teve projeto, não teve nada. Construía um cômodo - até pra sair do aluguel – vinha pra dentro, aí construía outro. [Tinha] parte de infiltração, inúmeros problemas e eu vi a oportunidade. Falei assim: “Ah, mãe, eu vou me inscrever, quem sabe dá certo?” Tirei as fotos, mandei pra eles e deu certo deles me escolherem pra fazer o projeto.    

(27:56) P/1 – E qual... Eles pediam pra escolher um cômodo da casa? Você escolheu qual e por quê?      

R – A cozinha da minha mãe, aqui da casa... A minha irmã do meio mora em cima da casa da minha mãe e, na época que estava construindo [foi] a mesma coisa: constrói e cai pra dentro, constrói morando. Quando destelhou a casa pra construir, foram uns meses de chuva sem parar. O que aconteceu? Encharcou a laje, então a parede ficou toda preta de mofo. A minha mãe tem bronquite, então ela sofre muito,  tosse muito; vira e mexe ela tem crise alérgica e é um ambiente em que ela sempre está, que ela circula. Outro cômodo que eu escolhi da casa pro projeto foi o quarto dela, que também sofreu muito com essa obra na casa de cima, também ficou bem mofado. Por esse motivo que eu escolhi. 

(29:14) P/1 – E como foi a reforma? Aconteceu ano passado, ou esse ano? 

R – A reforma vai iniciar na semana que vem. Eles já vieram aqui em casa, mostraram o projeto, tudo bonitinho. A gente já escolheu o piso, inclusive hoje já estão chegando os materiais que vão ser utilizados na reforma. Logo, logo a gente vai... Está uma média de trinta dias pra conclusão. A gente está ansiosa pra ver como vai ficar. 

(29:58) P/1 – E, pra você, por que você acha que é importante ter uma residência salubre, impermeabilizada, na vida de uma família? 

R – Ah, o primeiro ponto, o principal é a saúde, porque essas infiltrações, o mofo, tudo que é causado por conta da falta de impermeabilização, é saúde, 100% saúde. Minha mãe sofre muito, ela está com 78 anos. Graças a Deus, ela tem uma saúde de ferro, mas eu acredito que vai melhorar ainda mais quando a gente conseguir resolver essa parte. Ela vai respirar melhor, vai ter um ambiente melhor pra ela. Acho que o principal é saúde. 

(30:48) P/1 – E você pretende fazer alguma outra reforma na sua casa, no futuro? 

R – Ah, sim. A minha mãe nasceu – eu falo pra ela – com ar de arquiteta. Minha mãe adora uma obra, uma reforma. A gente pretende, após o término dessa obra, finalizar mais algumas coisas, mas é mais parte estética, mesmo: trocar o piso, porque aí vai ganhar uma cozinha nova, então a gente tem que mexer em algumas outras coisas, pra ficar tudo novinho, pra casa ficar mais completa. Tudo novo: cozinha, vamos pintar a sala, trocar o piso. 

(31:38) P/1 - Conta, então, como foi o MBA. Quando você entrou, porque você decidiu entrar…  

R – Vamos lá! Mercado de trabalho. Eu senti - logo na época que eu perdi o emprego, que logo em seguida comecei a procurar emprego – uma dificuldade muito grande, por conta que o curso superior já não estava mais sendo visto como nada fora do normal. Muitas vagas, na época, que eu cheguei a me candidatar, eu não consegui porque não tinha a pós. Eu falei: “Caramba, então eu tenho que... Vamos lá, o mercado está pedindo, então eu vou fazer”. Foi aí que eu decidi. Comecei a pós quando eu estava desempregada ainda, almejando um emprego. Eu decidi pelo MBA pra me recolocar no mercado de trabalho. Eu já queria fazer, mas o início, mesmo, eu decidi por esse motivo.           

(32:55) P/1 – Como está sendo essa experiência, pra você? 

R – Está agregando muito. Acho que está me ajudando até a me desenvolver na minha carreira. Estou aprendendo bastante, já estou praticamente no finalzinho, em período de TCC, então agrega muito. Na Vedacit, o que eu nunca tive em outras empresas, que eu acho que é muito legal, é [que] tanto o meu gestor direto, que é meu gerente comercial, quanto o regional, são muito abertos a você falar. Eles ouvem muito a gente, então muita coisa que eu pego no curso, algumas ideias que a gente vê nas aulas eu procuro até levar, falar: “Olha, vamos, de repente a gente tem que falar dessa forma, fazer isso” e eles são super receptivos também nessa parte; ouvem, se veem que tem como a gente aplicar, eles aplicam. Está agregando muito na minha carreira, até como pessoa também. A gente também aprende muita coisa, estou gostando muito.    

(34:21) P/1 – Então, nós vamos pras perguntas finais: primeiramente, quais são as coisas mais importantes pra você, hoje em dia, Telma? 

R – A primeira, mais importante é família, vem em primeiro lugar. Eu gosto muito de estabilidade, então eu acho que [tendo] emprego, uma fonte de renda, você consegue as outras coisas que você almeja. Acho que trabalho é muito importante pra você como pessoa e pra alcançar também as outras coisas, seus sonhos, seus objetivos. 

Recentemente eu consegui a realização de mais um sonho, que é comprar o meu apartamento. Peguei a chave no mês passado, então, graças a Deus, foi uma conquista, um dos sonhos que eu consegui realizar e estou superfeliz. (risos) Acho que é muito importante. Acho que o trabalho… Tem que ter o trabalho também, porque através dele a gente conquista todo o resto.

 

(35:49) P/1 – E quais são seus sonhos pro futuro, Telma? 

R – Pretendo mudar pro meu apartamento ano que vem, se Deus quiser. No ano que vem eu tenho o projeto de finalizar aqui o MBA e já começar inglês. A minha filha fala inglês assim: ela só assiste filme legendado ou sem legenda. Ela fica me provocando, eu falei assim: “Eu vou aprender inglês, não esquenta a cabeça, não. Vou aprender, ano que vem eu vou fazer meu inglês”, que é o próximo objetivo que eu tenho pro meu crescimento pessoal e profissional. 

Meus próximos sonhos? Bom, comprei esse meu primeiro apartamento. Agora eu quero curtir o apartamento, quero viajar, porque pra conquistar o que a gente almeja a gente faz escolhas, então eu escolhi por não viajar, não fazer muita coisa, pensando nesse objetivo que eu tinha, que agora conquistei. Agora eu quero usufruir um pouquinho, né? Quero curtir, viajar com a minha filha, fazer, sei lá, convidar uma galera prum ‘churras’, (risos) pra inaugurar o apartamento. E é isso.

    

(37:21) P/1 – Bom, então a gente vai pra última pergunta: como foi contar sua história de vida pra gente, hoje? 

R – No começo fiquei bem receosa. Eu falei: “Ai, meu Deus, eu vou contar minha história, mas ele vai perguntar o quê?” (risos) Sei lá, mas foi supertranquilo, foi bem bate-papo. Eu me senti super à vontade com você, com o pessoal. E pensar que vai ficar no Museu, o pessoal vai conhecer um pouquinho a Telma, um dia... (risos) Está sendo bem legal essa experiência. 

(38:04) P/1 – Então, a gente agradece muito a sua participação e a sua entrevista pra gente, em nome do Museu da Pessoa, muito obrigado! 

R – Imagina! Eu que agradeço a oportunidade e foi maravilhosa essa experiência!               





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