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História de: Katia Furuie Hagiwara
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Bela Vista do Paraíso. Paraná. Cidade Pequena. Infância. Comunicativa. Estudos. Determinação. Escolha profissional. Vestibular. Mudança de Cidade. São Paulo. Cultura japonesa. Primeiro emprego. Cantora. Namoro virtual. Casamento. Crescimento Profissional. Filhos.

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História completa

 

P/1 - Katia, boa tarde.


R - Boa tarde.


P/1 - Eu queria primeiro agradecer a sua presença aqui, de ter aceitado o nosso convite de participar dessa entrevista. E para começar eu queria que você nos falasse o seu nome completo, o local e a data do seu nascimento.


R - O meu nome é Katia Furuie Hagiwara, Hagiwara é de casada (risos). Eu nasci como Katia Furuie, que vim ao mundo (risos). Nasci em Bela Vista do Paraíso, uma cidadezinha muito pequena no Paraná.


P/1 - Está certo. E em que dia que você nasceu?


R – Nasci no dia 3 de junho de 1973.


P/1 - Katia, qual é o nome dos seus pais?


R - É Hiroshi Furuie e Emília Kasue Furuie.


P/1 - Você sabe um pouquinho da origem deles, de como que eles vieram para o Brasil, se foram mesmo os seus pais ou se é...?


R - Os meus avós é que vieram para o Brasil. Os meus avós não se conheciam ainda quando eles vieram, eles se conheceram aqui e se casaram. A minha avó casou muito cedo com o meu avô. E da parte do meu pai são cinco irmãos e da parte da minha mãe é só ela e um irmão. Eles já nasceram aqui no Brasil, meus pais não voltaram, meus avós não voltaram mais para o Japão e nós perdemos todos os contatos que tínhamos no Japão.


P/1 - E conta como é que eles foram parar nessa cidade no Paraná. Eles chegaram em Santos? Como é que foi essa decisão, esse caminho?


R - Eles passaram por muitas cidades antes disso. Eles passaram por Martinópolis, eles passaram por Goioerê até que eles foram parar em Bela Vista do Paraíso. E meu avô também morou lá perto, na cidade que se chama Sertanópolis.  A parte da minha mãe, o meu avô e a minha avó vieram para São Paulo, eles moraram aqui em Diadema, então a família meio que se separou, e o meu avô acabou ficando aqui até o final da vida dele e aí ficou cada um em um Estado, de fato.


P/1 - E conte para nós então, você sabe como os seus pais se conheceram,  já que a família dela estava aqui em São Paulo lá para Diadema, ele estava lá...


R - Não, mas eles já se conheceram antes.


P/1 - Ah...


R – Enquanto eles estavam na mesma cidade que era Martinópolis eles se conheceram... Não, desculpa! Foi em Goioerê que eles se conheceram. Minha mãe conta que ela era vizinha dele e eles meio que se conheceram nessas de se encontrarem nas compras, enfim, no dia-a-dia e um dia saíram juntos e acabaram namorando (risos).


P/1 - E você tem mais irmãos, Katia?


R - Tenho mais dois irmãos.


P/1 - E você está em que lugar nessa escadinha?


R - Eu sou a "raspa do tacho". Tenho seis e sete anos de diferença com os meus irmãos.


P/1 - Olha só! Então nos conta um pouquinho da sua infância lá em Bela Vista do Paraíso. Como é que era a cidade, como é que é ser a filha mais nova?


R - (risos) É uma cidade muito pequena. Nós morávamos bem no centro da cidade. Era uma cidade que, é aquela que de primeira você entra e de primeira você já sai da cidade. Nós morávamos bem na frente do cinema e por coincidência nós tínhamos um galpão, um local grande embaixo da nossa casa que alugávamos para o Banco Real. E aí tinha um Banco Real em baixo da minha casa. Nós falávamos que a gente morava em cima do dinheiro, era impressionante (risos). Era bem divertido. E aí eu passava várias partes do meu dia indo para o banco para atazanar todo mundo que trabalhava lá. Então eu sabia tirar Xerox... Eu fazia coisas básicas e me divertia lá, eu passava um bom tempo... A minha mãe falava que quando eu fugia, ela já sabia onde eu estava, estava lá no banco conversando com todo mundo (risos).


P/1 - Olha só!


R - Banco já fazia parte da minha vida desde pequena. Quem diria que eu iria trabalhar em banco? (risos)


P/1 - Então Katia, conta um pouquinho da atividade dos seus pais, o que eles faziam lá na cidade?


R - O meu pai ele é fazendeiro, agricultor. Ele tem, ele tinha plantações de soja e de trigo em uma cidade também ali perto, acaba sendo entre Bela Vista e Cambé, que é outra cidade próxima de Londrina. Ele ia e voltava todos os dias da fazenda para casa. Minha mãe é dona de casa. Na minha infância eu me lembro muito de, por ser uma cidade muito pequena, eu conhecia todo mundo e saia passeando pela cidade inteira, fugindo da minha mãe. Eu me lembro que a minha mãe deixava o portão aberto e eu já saía fugindo de bicicletinha (risos) e andando por tudo quanto é lugar para ir lá à quitanda buscar um doce, ir à farmácia, que eu tinha uma amiga que morava lá e passávamos o dia lá. Enfim, eu tinha uma vida bem diferente da que hoje, pelo menos as minhas filhas têm,  uma liberdade que a gente não tinha... Hoje não conseguimos imaginar. Eu subia no pé de mangueira que eu tinha em casa, passava para a vizinha, pulava o muro, ia parar já na casa de outra pessoa... Quer dizer, era uma, infância completamente diferente.


P/1 - Está certo. Você falou dessas atividades de fora, o que você gostava de brincar? Você falou um pouquinho do banco, mas você tinha alguma outra atividade ?


R - Eu tinha dois irmãos mais velhos, então eu tinha brincadeiras muito de menino. Brincadeiras de carrinho de rolimã, autorama, bolinha de gude (risos)... Brincar de...Como é que chama aquele que é de futebol? Ai meu Deus, que tem campeonato na faculdade inclusive...


P/3 - Totó (risos). Outro nome... Pebolim.


R - Pebolim. Brincava de pebolim, nós tínhamos mesa de sinuca que também brincávamos muito, ping-pong... Lembro-me só fazendo atividade de moleque, jogando futebol, só não empinava pipa porque eu era muito ruim disso e era muito ruim também de peão, mas o resto era só brincadeira de moleque.


P/1 - (risos) Certo. E Kátia, falando do seu período escolar, qual é a sua primeira lembrança da escola, foi lá nessa cidade?


R - Foi.


P/1 - Como é que foi? O que você se lembra...?


R - Eu estudava em uma colégio de irmãs, fiz o jardim e o Pré lá, me lembro que era a época mais divertida, nós não tínhamos nenhuma obrigação, era tão bom! (risos) Eu me lembro do meu colchãozinho que eu usava para dormir, me lembro da música que nós cantávamos para ir para o lanche... Eu me lembro do pátio que nós  tínhamos para brincar... Não me lembro das tias, isso já é demais, pedir demais da minha cabeça (risos). Mas eu me lembro do que eu aprontava no dia-a-dia lá também, que era de ficar brincando o dia inteiro e pegar as colegas e fugir, esconder. Enfim, eram coisas divertidas de criança mesmo.


P/1 - Certo. E como é que foi passando então o seu período escolar, como foi começar o primário, já um pouquinho diferente,  com lição de casa, já não era mais só brincar...


R - Eu passei para o primeiro ano, eu iria fazer o primeiro ano, meus pais tomaram a decisão de se mudarem para Londrina. Meus irmãos já estudavam lá, eles iam e voltavam todo dia de ônibus. Eles já estavam no colegial e como eu era muito pequena minha mãe preferiu já me dar um estudo um pouco mais estruturado do que os meus irmãos que estudaram lá a vida inteira. E nós decidimos então mudar para Londrina e a partir disso eu comecei a estudar em um colégio particular, maior, enfim, minha mãe preocupada, bastante preocupada com o meu futuro. E desde então nós moramos em Londrina. Meus pais até hoje moram lá, tenho um irmão que acabou ficando lá e tenho outro irmão que mora aqui em São Paulo que também veio para cá e acabou ficando definitivamente.


P/1 - Então conta para a gente como é que você sentiu essa mudança,  da escola, da cidade, da casa...


R - A cidade eu nem senti tanto. Nem sei, eu acho que muito pela idade, eu era muito nova. Nessa idade eu acho que nós somos muito mais focados no núcleo familiar de fato. Fui muito bem orientada pelos meus pais... O porquê da mudança, o benefício que nós teríamos, novos amigos que eu faria...Eu não me lembro de ter sentido um impacto muito grande, mas eu tenho também uma característica muito minha de ter uma facilidade em me adaptar com as coisas. Então eu entendo que essa minha característica deve ter ajudado porque de fato eu não sinto. Não me lembro de ter sentido nem falta e nem ter tido dificuldade em me adaptar no novo colégio e criar novos amigos. Não tenho nenhuma lembrança ruim.


P/1 - E o que você traz, de lembranças desse novo colégio, desse novo período já de começar a estudar e aí continuar estudando e ter as matérias? O que você traz desse momento escolar?


R - Que eu me lembro: muito focada em estudar. Minha mãe sempre exigiu muito boas notas então eu sempre me preocupei com isso, mas também me lembro que como eu tinha muito mais amigos era muito mais legal (risos), a gente se divertia muito mais. Era uma escola grande então tinha esportes, tinha natação, tudo isso era contrapartida de eu ter deixado um local pequeno com pessoas conhecidas, fiz amizades muito facilmente, meus pais também fizeram amizade facilmente. Minha mãe, eu me lembro dela ir me buscar todos os dias na escola, criar amizade com os pais, com as mães, uma coisa muito tranquila... A única coisa que é difícil, que eu acho que toda criança tem, é essa questão de aprender a estudar. Mas passei por esse período e com aquela preguiça básica de toda criança, mas depois eu criei esse clima de estudar sozinha e sempre tirei notas boas, nunca tive nenhum problema com relação a isso.


P/1 - Teve algum professor que te marcou na escola, uma matéria que você gostava mais e você se dedicava mais?


R - Tinha uma matéria que eu gostava menos que era Matemática (risos) e que até hoje não é o meu forte. Mas tive professores muito bons, eu me lembro de uma época que eu acabei sendo escolhida para ser a representante de turma e aí nisso nós tínhamos um problema com a professora de Inglês e como alunos e pais já haviam manifestado a dificuldade que nós tínhamos com essa professora e nada era resolvido, eu me lembro que eu estava acho que no terceiro ano, eu chamei todo, o representante da outra classe e perguntei se eles estavam tendo esse problema com a professora também. Eles comentaram que sim. Eu falei: "Então vamos combinar uma coisa, na hora do recreio nós vamos chamar todos os nossos alunos das nossas turmas e vamos lá falar com a professora, com a coordenadora pedagógica". Fui lá, chamei todo mundo, fiz um auê na escola, depois eu recebi uma chamada básica, falando: "Por que você fez isso?" Eu falei: "Ah, porque a gente já estava reclamando já fazia um tempo e nada acontecia. A gente resolveu tomar uma providência". E fui eu que pedi isso e eu me lembro disso até hoje. Assim, não tive nenhuma retaliação, enfim, mas nós conseguimos resolver o problema. De fato a professora foi mandada embora e nós conseguimos uma nova professora. Mas desde então eu comecei a ver que eu talvez tivesse algo que era um pouco de liderança que nem eu imaginava que eu tinha.  E depois disso também nunca mais ninguém me escolheu para ser representante de turma (risos). Eu acho que eu arranjava muita confusão.


P/1 - E nessa parte sua mais velha, caminhando para uma juventude, o que você fazia mais jovem lá em Londrina, quais eram os seus passeios? Seu grupo de amigos quem eram?


R - Era mais o pessoal da escola mesmo, e a minha mãe também, preocupada com o meu desenvolvimento, ela quis me colocar um pouco mais em contato com a cultura japonesa porque a escola que eu estudava era uma escola que tinha poucos japoneses e ela achava importante que eu tivesse pelo menos um pouco de vivência com pessoas e com a cultura. E ela me colocou para fazer alguns cursos mais de esportes mesmo, natação, enfim, vôlei em um clube japonês. Em Londrina tem muito japonês e aí passei a ter outro círculo de amizades, que acabou também trazendo muitas alegrias, de fato eu comecei a ver que existia uma diferença na cultura e na forma de relação do oriental com ocidental que até então eu ainda não tinha percebido. Minha mãe começou a ficar preocupada: "Poxa, ela está crescendo, eu queria que ela namorasse um japonês, ela só conhece brasileiro,  imagina o que vai acontecer...então..." E ela estava preocupada com essa minha escolha, então ela antes que eu começasse a escolher, ela já foi me levando para um caminho. Minha mãe não é nada boba (risos). Mas acabei realmente namorando japoneses,  os meus namoros foram mais realmente com orientais, mas eu enxerguei ali de fato o porquê que eu me identificava com a cultura japonesa. A forma como eu fui, educada, os valores que eu tinha eram muito próximos de fato com outros orientais. E a partir disso realmente o meu círculo foi mais com orientais. 


P/1 - E Katia, qual é esse diferencial, o que tem então nessa cultura? Qual...?


R - É bem difícil de explicar (risos). Eu sabia que você iria vir com essa pergunta (risos). Mas eu acho que é muito a forma como nós vemos a obrigação, a forma como nós encaramos a vida, eu vejo que é uma coisa mais séria, porém leve. Não é uma coisa difícil, do ponto de vista de obrigação como eu vejo com, enfim, com alguns ocidentais com quem convivo. Obviamente eu não posso colocar como uma regra.


P/1 - Claro.


R - Mas eu acho que é uma coisa mais tranquila. Além disso, eu acho que a forma que nós encaramos,  eu pelo menos encaro a  relação, a seriedade que nós temos nessas relações,  na conversa, com as palavras, o que você coloca como promessa... Eu vejo um pouco diferente isso. Acho que é muito mais na postura mesmo de fato.


P/1 - Certo. E, e continuando na sua trajetória... Então, você, já está na juventude, está entrando nesse, círculo também de amigos e tal... E como é que foi caminhando para a sua decisão universitária? Como que você foi caminhando para escolher a sua carreira?


R - Eu não queria fazer nada que fosse Exatas, isso para mim já era claro. Mas eu também não queria fazer Administração, não queria fazer algo que fosse também muito básico, eu queria alguma coisa diferente. E aí uma amiga minha tinha comentado que ela tinha ouvido falar de um novo curso que estava mais concorrido do que Medicina. Eu falei: "Nossa, que incrível! Que curso é esse que todo mundo quer fazer?" E aí eu fui procurar conhecer um pouco mais, fui investigar, comprei livros, comprei guias do estudante para entender, fui conhecer um pouco a Propaganda e Marketing. Daí eu conheci a ESPM, fiquei falando da ESPM, a melhor escola que tem... Falei: “Está bom, me deixa entender então como que é..." E eu comecei a me interessar de fato, porque eu achei que era algo que eu nunca imaginei que existisse que tinha a ver com a forma como eu pensava e achei que me daria uma carreira interessante. E a partir disso eu comecei a me focar de fato em me preparar para fazer ESPM que tem uma forma diferente mesmo de avaliação e que se você não se prepara não consegue passar. É uma forma mais holística, mais generalizada de perguntas, você tem que conhecer cultura geral de uma forma mais, com mais peso do que outras faculdades. Então eu comecei a ler e fiz alguns testes, vim aqui conhecer a faculdade, vim tentar fazer vestibular antes mesmo de eu terminar o colegial, e eu vi que realmente era diferente, pedi para uns amigos meus que moravam aqui em São Paulo me levarem algumas provas, me mandaram por correio. Fui conhecendo, fui me preparando. E foi essa disciplina que me ajudou, de fato, a passar. Eu me esqueci de comentar que nesse período que eu estava ainda no colegial e convivendo com cultura japonesa eu me interessei por música e comecei a cantar. Então eu comecei a cantar karaokê, músicas, comecei a participar de concursos e isso me levou para outro círculo de amizades e uma outra realidade .Eu participava de todos os concursos japoneses possíveis e imagináveis, participava de concursos brasileiros. Comecei a subir de patamar, fui ao Londrinense, Paranaense, aí conseguimos chegar ao brasileiro, ganhei prêmios... Isso foram anos e anos consecutivos e eu cheguei à faculdade e continuei cantando ainda... Mas eram essas amizades que eu fiz a partir das minhas viagens que me possibilitou também conhecer pessoas de São Paulo, de outras cidades e me ajudou nesse intercâmbio inclusive de eu ver onde que eu queria fazer faculdade. Então eu acabei prestando a ESPM, prestei em Bauru, a UNESP para Desenho Industrial... Tinha amigos lá, fiquei na casa dos amigos... Prestei em Londrina, para Arquitetura. Passei nos três e aí a minha mãe falou: "Bom, agora que você passou você pode ficar em Londrina porque você conseguiu passar em Londrina". Eu falei: "Óbvio que eu poderia ficar em Londrina, mas eu não vou ficar em Londrina (risos)". Ela: "Como assim você não vai ficar em Londrina?" Todos os meus irmãos já tinham saído de casa. O que está morando hoje em Londrina fez faculdade fora e ele continuava morando fora fazendo pós, ele estava trabalhando fora. O meu irmão mais velho já estava aqui em São Paulo fazendo residência, ele é formado em Medicina, ele estava fazendo residência. Então só tinha eu em casa e a minha mãe esperava que eu fizesse companhia para ela, mas eu tomei a decisão de não fazer companhia para ela e tomar o meu rumo com dezessete anos, o que para ela foi um choque e ela não me permitiu. Eu bati muito forte em relação ao que eu realmente queria da minha vida e acabei conseguindo persuadir minha mãe. Ela veio para cá comigo na viagem chorando de lá até aqui para me entregar (risos), para me deixar fazer a faculdade. Foi bem divertido, eu me lembro que todas as semanas eu ligava para ela e nós conseguimos nos desvencilhar e ela conseguiu conduzir a vida dela. Eu falei: "Mãe, eu conheço já São Paulo...” A gente vinha para cá todos os anos porque eu tenho parentes aqui, eu tenho amigos... Eu falei: "Eu não tenho problema, eu vou conseguir me virar". E foi graças a esses amigos que a minha mãe também acabou me deixando vir. Então todo esse intercâmbio que eu fiz cantando foi muito bom porque de fato me possibilitou enxergar outras vivências e também me deu segurança de poder viajar e morar fora sem nenhuma dificuldade. Enfim, tudo isso para voltar e falar sobre a faculdade que eu acabei passando e minha mãe me liberou e eu acabei ficando definitivamente em São Paulo. E ela sabia que quando eu viesse para cá eu não voltaria mais e de fato foi isso que aconteceu. Não voltei mais, arranjei namorado, fui ficando, casei e estou aqui até hoje (risos).


P/2 - Está certo. A deixa que você...


R – Ah, sabia! Eu sabia que se eu falasse isso vocês iriam querer saber.


P/2 - Com certeza (risos). Na sua carreira paralela de cantora, você cantava sempre a mesma música?


R - Não, não.


P/1 - Era isso que eu ia perguntar. Como é que era?


R - Cada concurso você tem que ir com uma música nova, então eu treinava várias músicas. 


P/2 - Alguma em especial?


R - Não, eram músicas japonesas.


P/1 - Como é que você escolhia?


R - Eram músicas, não aquelas tradicionais, eram músicas mais ocidentalizadas. Você tem que inclusive se vestir com uma roupa mais de show de fato, fazer coreografia, dançar. Então eu dançava, fazia ballet, fazia jazz, cantava... Gostava muito dessa parte artística, mas era pura diversão. Quando eu vim para São Paulo, os meus amigos que também cantavam me puxaram para eu continuar cantando e eu continuei cantando na faculdade, participando de concursos também, brasileiros, continuei ganhando os meus prêmios e fui em frente até depois que eu tinha formado já há um certo tempo, uns amigos meus falavam: "Vamos continuar cantando? Porque a gente gosta tanto. Vamos lá, vamos continuar cantando..." . " Está bom, o que vocês querem fazer?" ; "Vamos fazer um grupo". Nós começamos um grupo, começamos a cantar em casamentos, em eventos... E até pouco tempo atrás eu estava cantando, eu fiquei grávida recentemente, tive uma filha que está agora com um ano e oito meses e eu parei de cantar quando ela nasceu, porque eu falei: "Gente, não dá mais". “Com duas filhas...” Tenho duas, tenho uma de nove e uma de um ano e oito. Falei: "Com duas eu não consigo". Falei: "E com o trabalho que eu tenho aqui que é insano, também não consigo". Então parei recentemente, mas até pouco tempo atrás eu ainda estava cantando (risos), estava com seis meses de barriga cantando ainda (risos). Mas eu sabia que vocês iriam perguntar (risos). Mas em casamento e evento nós cantávamos de tudo. Nós fomos para um outro tipo de música mesmo e a japonesa ficava bem secundária, mas nós fazíamos muito evento para casamentos japoneses, de fato, casais que eram orientais e queriam um outro tipo de entretenimento, eles acabavam nos contratando.


P/1 – E...


R - Fiz até ela perder o rumo (risos).


P/1 – Ah, imagina. Não, queria saber como é que foi então a mudança, chegar aqui em São Paulo e começar de fato a faculdade. Como é que eram as matérias? Como é que você sentiu chegar aqui e começar a vida aqui?


R - Teve um choque de você morar em uma grande cidade, o choque de você fazer faculdade, que realmente é uma mudança grande na vida, no estudo. Eu tive que me virar, quer queira quer não, você tem que se virar. Eu comecei a morar na casa dos meus tios, que moravam em Santana e aí minha mãe, eu falei: "Mãe, não vai dar certo essa história, mas tudo bem. Se essa é a condição para eu ir para São Paulo, eu estou aceitando tudo, vamos lá, vou morar". E depois de um ano não consegui realmente continuar lá porque meu tio até falava assim: "Você é um péssimo exemplo para o meu filho que está com..." Ele era dois anos mais novo do que eu, isso porque eu saía muito, enfim,  afinal faculdade, você já está naquela idade que não quer muito controle, e minha mãe falou: "Não, você tem razão, você realmente precisa ter sua vida social, não vou dizer que ele está errado e nem você está errada. Então você vai morar com o seu irmão agora". Daí eu fui morar com o meu irmão e depois disso continuei morando com ele por alguns anos até que ele se casou e eu acabei indo morar sozinha. Mas eu sempre tive namorado então minha mãe sempre ficava tranquila. O meu namorado ajudava, dava um apoio, então nunca foi muito complicada essa questão de ficar sozinha aqui em São Paulo.


P/1 - E em relação à faculdade, o que você guarda desse período em termos de matéria, de descobrir essa área mesmo na prática tendo aulas?


R - Eu realmente descobri que eu fiz a escolha certa. Nos primeiros anos era aquela coisa bem difícil de você ter essa certeza e eu conversava com outras pessoas, todo mundo: "Espera, vê até o terceiro ano vê se de fato é isso que você quer". Busquei fazer estágios enquanto eu estava na faculdade, mesmo no segundo ano. Pedi ajuda para amigos e cada um foi arranjando: "Ah, vai lá, faz curso, tenta fazer estágio em uma produtora de vídeo". Eu fui de graça: "Tudo bem, sem problemas. Vamos lá!" Então eu sempre procurei aproveitar o meu tempo, para buscar novas referências para ver se de fato eu tinha tomado uma decisão certa. E como é muito amplo você trabalhar com Propaganda e Marketing, eu queria escolher de fato em que eu queria me especificar, me especializar. E foi no final praticamente da faculdade que eu consegui decidir de fato que eu queria mais para Marketing, para Comunicação em Marketing do que para criação, enfim, ou para produtora, para fotografia, enfim, qualquer outra coisa mais focada em criação. Eu já estava estagiando desde o terceiro ano. Eu fiz estágio depois eu consegui de fato uma efetivação em outra empresa, então antes de eu me formar eu já estava empregada, o que para mim foi ótimo. Essa era a minha meta, era sair já da faculdade empregada, consegui isso.  Depois de uns anos eu fui buscando outras oportunidades até que eu caí em banco. Eu fui trabalhar no banco Itaú e consegui ver que era algo que me interessava e fui me especializando naturalmente.


P/1 - Então antes de nós falarmos da sua carreira no banco conta um pouquinho da sua experiência nos estágios. Você falou da produtora e que então já se formou trabalhando... E onde que era? Quais eram as suas atividades?


R - Eu fiz estágio em produtora de vídeo, depois eu fiz estágio na Novik que era de alto-falantes, indústria. Foi acho que interessante justamente para você entender como que é o mundo corporativo. Então um era a produtora de fato que é um ambiente bem mais informal, te dá mais uma cara de agência, uma cara mais de prestador de serviço e que eu achei legal, mas que não era muito a minha cara, mas foi uma boa experiência. E a outra que quando eu entrei no mundo corporativo que eu comecei a enxergar outra realidade que eu nunca tinha trabalhado na minha vida, realmente eu nunca tinha tido essa possibilidade de trabalhar, minha mãe sempre queria que eu focasse muito no estudo e nunca no trabalho. Foi aí que eu comecei a conhecer de fato o que e era um emprego, como era você lidar com o emprego e estudar. Então esse era o grande desafio, conseguir continuar estudando, entregando o que você precisa entregar em termos de nota, trabalho de final de faculdade e ainda trabalhando. Foi no último ano da faculdade foi que eu consegui esse emprego que era na Interunion Capitalização, que era do Papa-Tudo. Comecei, fui lá para uma entrevista, consegui passar na dinâmica, consegui a vaga e entrei como assistente de propaganda. Então para mim foi como se fosse um estágio, como se fosse um analista júnior, mas ainda na faculdade. Então eu acabei antecipando um pouco a carreira, mas isso para mim foi ótimo.


P/1 - E quais eram essas suas atividades, o que você foi descobrindo, como é que você foi descobrindo esse dia-a-dia de trabalho, como, quais eram as...


R - As atribuições básicas de análise de campanha de comunicação, contratação, conseguir criar brindes, pensar em como que você incentiva a força de vendas, trabalhos, atribuições naturais de Marketing com a facilidade de você ser alguém que é um aprendiz. Então você pode errar mais, isso permite testar coisas que é o momento de testar. Então eu acreditava muito nisso: “Eu estou nesse momento de testar”. Então eu testava as minhas teorias de faculdade e colocava lá em prática: "Será que dá certo, não dá? Será que é isso de fato?" Mas eu tinha uma coordenadora que era muito boa e ela me dava todo coaching, tive a facilidade, de fato, de ter essa pessoa muito próxima e ela me direcionar para ter mais acertos do que erros e para conseguir direcionar mais o que eu de fato gostava de fazer. Foi uma vivência mesmo, uma experimentação pura, depois disso eu acabei indo para uma consultoria de Marketing. E essa consultoria você fazia um pouco de tudo, bem como se fosse uma agência de propaganda. E isso me ajudou a ter uma visão mais ampla ainda de entender: "Puxa, agora está na hora de começar a entender onde eu quero me especializar de fato, o que eu gosto e o que eu não gosto". E foi nesse momento que eu consegui começar a enxergar isso, que aí eu vivenciei vários clientes, atendi vários clientes e construí várias soluções, propostas de comunicação e comecei a me identificar com algumas coisas e aí que eu fui me direcionando mais de fato, que eu entendi que a consultoria era mais a minha linha do que como se diz? Colocar em prática, viabilizar coisas.


P/1 - Uhum...


R - Então isso foi legal. Eu acho que eu sempre tive muito essa minha forma de me perceber e de estar sempre preocupada se eu estou ou não no caminho certo. Lembro-me até que foi nessa época que eu tive certa crise de estresse, e isso me preocupou bastante porque eu era nova, tinha uns vinte e três, vinte e quatro anos. Eu achava que isso só acontecia com pessoas muito mais velhas (risos), que eu achava um absurdo eu estar tendo uma crise de estresse naquele momento. Mas como o meu irmão era médico, eu conversei com ele, falei: "Olha, eu estou sentindo algumas coisas que têm me preocupado”; "Você está com estresse". Eu falei: "Nossa como assim? Não estou acreditando, isso é estresse?" Ele falou: "É, isso é estresse, você está trabalhando muito, você está muito focada, ou você está sofrendo muita pressão". E aí eu descobri que eu não tinha maturidade para lidar com essa pressão. Eu comecei a fazer terapia, busquei fazer um pouco de terapia por isso, mas também por querer me descobrir, enxergar se eu tinha um caminho, se eu estava enxergando uma realidade correta ou se eu estava vivendo valores da minha família, dos meus pais e estava só replicando esses valores. Então eu chegue um pouco na encruzilhada de entender se era um caminho meu, se eram escolhas minhas ou escolhas dos meus pais. E fazer terapia para mim era a solução para conseguir enxergar com mais clareza sob outra lente se de fato era isso mesmo que eu estava diagnosticando. E foi muito bacana porque eu fiz três anos de terapia, foi muito intenso, foi muito desruptivo na minha vida e de fato eu comecei a enxergar as coisas de outra forma, sem culpa, sem preocupação da expectativa dos outros em relação a mim. E isso me ajudou muito a me libertar, a trabalhar essa pressão que eu não estava conseguindo trabalhar. Eu tomei a decisão de sair dessa empresa, porque eu achava que ali não tinha os valores que eu acreditava, estava me doando para uma coisa que eu sabia que eu não teria um resultado de longo prazo, e aí resolvi pirar na batatinha, fui para outro caminho. Eu falei: "Bom, agora já que eu larguei tudo..."  eu estava com uns vinte e cinco, por aí, vinte e seis anos, eu falei: "Já que eu larguei tudo eu vou então testar alguma coisa na minha vida que se eu não testar agora eu não testo nunca mais". Comecei a cantar, comecei a ir a bar, cantar com os amigos, nãnãnã... comecei a fazer outra vida paralela. E isso foi bem bacana, mas continuei trabalhando com consultoria de Marketing, mas de uma forma independente, como freelancer e foi o momento que eu comecei a descobrir de fato se eu queria mais liberdade, ou se eu queria uma vida mais estável. Depois de um tempo eu tomei a decisão que eu quero uma vida mais estável. Isso não era para mim, mas eu precisava passar por essa vivência para evoluir e conseguir tirar um fantasma que eu acho que muitas vezes poderia... E o meu receio era voltar esse fantasma lá na frente quando eu não pudesse mais ter essa escolha de largar tudo e experimentar. Então hoje eu estou bem centrada e decidida a trabalhar na vida coorporativa e trabalhar bastante, mas pela escolha que fiz lá no passado e pela experiência que eu tive. Resolvi voltar, fui procurar emprego e trabalhar e foi nesse meio tempo que eu conheci o meu marido pela internet (risos). Nós nos conhecemos e depois de um mês nós estávamos morando juntos e resolvemos casar em menos de um ano. Eu  falei: "Bom, eu preciso arranjar um emprego” E nesse paralelo eu estava com alguns freelances, trabalhando na TAM, fazendo algumas coisas mais "freela" e estava buscando uma oportunidade quando um amigo que cantava comigo falou: "Bom, tem um emprego aqui no Itaú, você quer vir aqui? Nós estamos precisando de uma pessoa de Marketing”. Eu fui lá conhecer, eu falei: "Mas você sabe que eu estou casando, o mês que vem eu estou casando”; "Não, tudo bem, eu já falei isso para todo mundo e mesmo assim eles querem te conhecer" ; "Bom, então vou lá, vou ver que oportunidade que é". Um mês antes de eu casar eu estava efetivada no Itaú e depois de um mês eu acabei saindo para viajar porque eu já havia combinado, pois eu tinha que fazer a lua-de-mel e depois de então eu não saí mais do Itaú, fiquei dez anos e meio lá.


P/1 - Beleza. Katia, então nos conte como é que foi então, esse primeiro período de Itaú, um mês depois viajar de lua-de-mel e a volta,  de fato encarar o mercado financeiro, o Marketing dentro desse mercado, como é que foi? Quais eram as suas atividades?


R - Eu sempre tive vontade, desde que começou a internet, de entrar nesse mercado digital. Mas eu falei: "Nossa, como que eu vou conseguir entrar? É muito segregado, exige uma capacitação que eu não tenho hoje... Eu sou formada em Marketing, ponto”. E eu ficava pensando como eu poderia entrar e isso caiu no colo, porque essa pessoa que é o meu amigo me indicou, ele era da área de tecnologia. Ele falou assim: "A gente está precisando de alguém na área de tecnologia para ter um olhar de consumidor para nos ajudar a pensar se a gente está tendo soluções adequadas para o consumidor" ; "Nossa, que bacana, está bom, então deixa eu ver o que é essa história". E aí eu fui descobrir que era para fazer tipo um controle de qualidade em cima das plataformas existentes e propor melhorias em cima dessas plataformas. E eu iria propor essas melhorias para os desenvolvedores. E eu iria sentar com esses desenvolvedores. Eu falei: "Nossa, não tem forma melhor de aprender como é que se faz site, como é que tudo isso é construído sem ter que aprender fazer linguagem, fazer programação, sem ter que entrar no "tecniquês" eu vou conseguir entender como o site é construído. E foi exatamente isso que aconteceu. Então eu tive a vivência com os desenvolvedores e eu ficava testando possibilidades: "Poxa, mas é que seria muito melhor que a experiência fosse feita dessa forma, porque que a gente não consegue...?" Aí vinham os desenvolvedores: "Não, porque se a gente colocar assim, nãnã... a gente não consegue..." ; "Não, e se a gente tentar desse modo...?" Então o meu trabalho era muito de dar soluções, de ter um novo olhar sobre as plataformas, que nós quebrássemos paradigmas. E isso para mim foi ótimo porque hoje é o que eu faço muito, é o que eu preciso para o meu trabalho. Com isso eu fiquei três anos lá na área de tecnologia, só que quase um ano e meio afastada porque eu tive um problema na gravidez. Engravidei e logo depois tive problema e tive que ficar afastada, depois minha filha nasceu e juntando tudo foi quase que um ano e tanto longe da empresa. Eu super preocupada: "Quando eu voltar ninguém mais vai me querer! Imagina, acabei de entrar na empresa já acontece uma coisa dessas, que é totalmente incontrolável, mas aconteceu. E aí?” E quando eu voltei de fato eu não tinha o espaço que eu tinha antes, mas o meu superintendente recomendou: "Poxa, você quer ir para o Marketing? Acabou de abrir uma vaga no Marketing Digital no Itaú. Você quer ir?” Eu: "Nossa, era tudo que eu ia te pedir, eu gostaria muito de fazer realmente essa ponte. “Eu só não sabia o momento e não sabia como te falar isso”. Ótimo, conseguimos juntar a fome com a vontade de comer e nós conseguimos fazer essa transição e fui para o Marketing Digital. Quando eu cheguei lá as pessoas eram de Comunicação, então novamente o meu conhecimento fez uma diferença muito grande e me facilitou o crescimento. Na hora que eu cheguei lá o meu gestor já falou: "Poxa, você tem o perfil de sênior. O que você está fazendo como pleno? Então eu vou procurar te ajudar a conseguir essa promoção". E fui galgando, conseguindo e no final eu acabei assumindo o lugar dele por um tempo. Por um tempo, porque uma carreira em banco não é assim tão rápida e ascendente, mas eu fui galgando. Fiz um  MBA no meio, enfim, tive também outras especializações, o banco pagou para mim. Fui criando projetos, desenvolvendo e mostrando o meu trabalho... E um belo dia eu estava sentada nessa cadeira onde ele estava que era o gerente de Marketing Digital. E nisso acabei ficando lá dez anos e meio, e tive minha segunda filha lá também. Engravidei e foi uma gravidez normal, tranquila, mas quando eu voltei aconteceu a mesma coisa, eu já não tinha o espaço que eu gostaria, que eu precisava. Minha função iria ser extinta. “Tudo bem, vou ajudar a fazer essa transição para outras áreas”. Ela iria ser distribuída em várias áreas porque ela cresceu muito de uma forma que não cabia mais em uma única área, precisava ampliar para duzentas e tantas pessoas e iria juntar com outra atividade para justificar uma estrutura desse tamanho. Eu falei: "Sem problemas, vamos fazer então essa transição”. E depois desse paralelo eu fui buscando então outra oportunidade e eu tinha duas decisões para tomar: ou eu iria para outro, para fora, para o mercado ou buscaria dentro do próprio banco. Dado que minha filha era pequena, eu decidi ficar no banco ainda: "Vou esperar ela crescer mais um pouco depois eu busco uma oportunidade no mercado". Acabei decidindo ir para uma área de negócios, de produtos, fui para uma área de PJ para cuidar de produtos PJ. Só que eu fiquei três meses porque o Fernando Martins me achou (risos), através da indicação de outras pessoas, de mercado. Ele acabou me pedindo o currículo, eu passei por um processo aqui no banco e acabei sendo a pessoa escolhida para assumir a área Digital aqui, de Marketing Digital. Então eu estou há sete meses aqui, oito meses, agora fez, mas eu não tinha essa expectativa de mudar de emprego tão rápido porque eu queria esperar a minha filha pelo menos completar uns dois anos para daí eu poder mudar de emprego. Eu tomei a decisão de aceitar dado que é o tipo de oportunidade que não aparece todo dia na sua porta: “Eu acho que vale a pena então eu mudar um pouco alguns planos". Então tomei essa decisão de vir para cá.


P/1 - Kátia, como é que foi esse convite, essa conversa? O que como é que foi feita a proposta? O que estava dentro dessa proposta? O que te fez brilhar os olhos para, para vir para cá?


R - Nossa! (risos) Uma que realmente eu sou apaixonada pelo que eu faço, como lá no Itaú isso deixou de existir, eu não tinha vontade de ir para uma área que absorveu o meu trabalho, porque lá eu teria outras atividades nas quais eu não acredito e enfim, não faria muito sentido. E quando eu ouvi a proposta do Santander, era exatamente o que eu fazia lá com um pouco mais de algumas outras coisas que eu não fazia, mas que têm muito a ver com a atividade. E na hora que eu vi, já primeiro pela atividade já me brilhou os olhos: "Era isso que eu fazia. Adoro eu acredito nessa proposta, sei fazer bem isso, quero voltar a fazer". E a outra pela própria proposta do Fernando que ele tinha de desafio, que ele me colocou como desafio de trazer para um novo patamar, de mudar a forma de comunicar, de puxar mais o “on” puxar mais, o online puxar mais o “off”, é, inverter um pouco a pirâmide, aumentar o valor de investimento no “on” porque é onde de fato as coisas estão se convergindo... Então ele tem uma crença e uma forma de pensar no “on” que é a  que eu acredito, por isso que eu estou há tanto tempo batalhando espaço no “on”, é, porque realmente eu acredito que o digital ele é o começo, o meio e o fim de tudo que nós iremos fazer daqui para frente. Qualquer interação hoje que qualquer marca vá fazer, ela de fato, ela tem que passar pelo “on” e ele acredita muito nisso, então era muito, na hora que eu conversei com ele, que eu vi a visão que ele tem, o quanto ele é visionário, o quanto ele percebe essas mudanças no mercado, essas mudanças no consumidor, essas mudanças nas marcas se relacionarem: "Nossa, eu estou com a faca e o queijo na mão. Uma que eu gosto disso e conheço, e outra que eu tenho um VP que acredita muito nisso, então as chances de eu dar certo é muito grande. E as chances dele acreditar no meu trabalho, para eu vender para ele, acaba ficando tudo muito mais fácil. Então  essa era a dificuldade que eu enxergava no Itaú que era justamente de você não ter pessoas que são muito conectadas e conhecem muito do que está acontecendo no mercado e se atualizam em relação a isso e não enxergarem as oportunidades. E aí você tem o trabalho de mostrar a oportunidade e depois o trabalho de vender o projeto. Então hoje eu tenho uma barreira a menos, eu não preciso mostrar a oportunidade, pelo contrário, é ele que me provoca muito para: "Poxa, a oportunidade está aí, não estamos usando,  nós não estamos conseguindo viabilizar.  Que eu posso fazer para te ajudar, para facilitar?”É outra conversa, é outra forma de acreditar no trabalho. Então isso também foi algo que me fez nem pensar duas vezes para vir para cá. E outra no próprio Santander, eu gostava muito da proposta do Real, eu já tinha sido abordada pelo Real há alguns anos atrás, é o único banco que, de fato, eu sairia do Itaú seria para o Real. E quando eu vi essa proposta aqui no nosso modelo de negócio, o Fernando me apresentou a forma como o Santander estava se posicionando, apesar de eu não perceber isso do Santander, na forma como a gente busca se posicionar: "Poxa, então realmente a gente tem aqui um pouco da essência do Real com o que a gente tem de bom no Santander” e temos uma nova proposta aqui para colocar isso em prática, o que também é um desafio enorme. Então esses três desafios somados me fizeram de fato brilhar os olhos e vir para cá sem pensar duas vezes. Vim, vim mesmo, larguei os meus dez anos e meio de Itaú para buscar uma nova uma oportunidade.


P/1 - Então, nessa nova oportunidade, nesse mundo mais digital e online, como é que você vê esse cenário da Comunicação, do Marketing no mundo contemporâneo, aí também mais específico na área Financeira, aqui na estrutura do banco. Onde é que ele está? Como é que ele funciona?


R - O mundo digital, o consumidor hoje, ele realmente, pelo menos, se você for ver minhas filhas, enfim, essa nova geração, ela de fato, eles de fato vivenciam tecnologia como se fosse brincadeira. E nós temos que conseguir transformar de fato a tecnologia inserida no dia-a-dia das pessoas como algo completamente transparente. Então o online e o off-line, ele não deve mais ter barreiras. Hoje ainda, as pessoas que ainda são analógicas, como nós, enfim, pessoas que nasceram depois desse "boom" de internet, de fato nós ainda enxergamos o mundo "on" e o mundo “off". Mas essas crianças hoje elas não enxergam. Então a tecnologia, ela está inserida no dia-a-dia naturalmente é isso que nós temos que fazer na comunicação e nas interações, nos pontos de contato que as máquinas devem ter com os seus consumidores. É, a criança ela só vai, esse público novo que está surgindo (barulho de toque de celular)... Eu acho que é o meu celular... Ela só vai acreditar, ele só vai querer trabalhar sorry... Eu esqueci de desligar...


P/1 - Então você estava contando da diferenciação, dos mundos. Que as crianças hoje enxergam essa tecnologia como brincadeira, sem ver a divisão entre os mundos "on" e "off". Como é que nós vamos transformar isso ou trazer isso para o cotidiano, para bancário e para a área de Comunicação e Marketing? 


R - A tecnologia ela tem que estar inserida em todas as relações, nos pontos de contato, a forma como nós vamos nos comunicar, a forma como nós vamos conseguir  as soluções,  isso não é...essa visão que temos que quebrar do "Ah, vamos fazer um planejamento 'off' e um planejamento 'on'". É um pouco difícil hoje conseguir imaginar porque tecnologia ainda é algo que nós não temos em abundância de recursos e de investimento. Então nós realmente precisamos inverter essa posição de investimentos, em que o investimento na tecnologia tem que ser maior de fato, para que ela suporte todas essas soluções. Então a nós temos transformar tudo o que é analógico em soluções tecnológicas. Isso sim vai fazer com que nós tenhamos possibilidades de explorar cada vez mais a tecnologia a ponto de ela ser algo que é inerente como a energia elétrica, que não percebemos o quanto ela hoje facilita a nossa vida. E é assim que nós vamos ter que ir usando a tecnologia. Ela tem que estar embutida na solução e sem necessariamente a pessoa enxergar que é a tecnologia que está entregando isso. Hoje o desafio ainda que se tem, de bancos principalmente, é como é que você humaniza as relações. Porque as relações elas ficaram muito tecnológicas, ao extremo. Então ou você conversa com uma máquina ou você conversa com pessoas, mas existe um meio termo no qual você consegue trabalhar com máquinas por trás, é, mas as pessoas estão humanizando essas relações. E esse é o desafio que você tem, mas é muito mais pela estrutura como o banco hoje é construído, porque pessoas que pensam em tecnologia são de tecnologia e pessoas que pensam em comunicação, em interações são pessoas de marketing, são pessoas de negócio. Então as coisas ainda não estão convergidas nem dentro das empresas. Então primeiro tem que haver essa convergência dentro das empresas para depois você conseguir enxergar essas soluções e integrá-las. Então o desafio hoje em todas as marcas é conseguir integrar essas soluções, é conseguir fazer essa convergência de pessoas que são de tecnologia, enxergarem mais negócio e negócio enxergar mais tecnologia embutida.


P/1 - E como é que você vê com esse seu olhar novo de descobrir a empresa, de estar aqui no dia-a-dia, de sentir como é que ela funciona... Como é que você que está a posição do Santander frente a esse novo cenário, de mudanças, de tecnologia, de comunicação online?


R - Tem muitos desafios ainda. Temos um cenário positivo, do ponto de vista de que as pessoas enxergam essas oportunidades. Temos investimentos, relativamente altos, mas são no quesito de tecnologia... Mas ainda temos gaps tecnológicos que nós precisamos atuar. Depois desses gaps tecnológicos sendo resolvidos, aí sim nós podemos pensar em soluções diferenciadas. Então hoje ainda nós estamos meio que fazendo a lição de casa, para daí depois avançar para o mercado de fato, com soluções diferenciadas.


P/1 - E o que você considera, como que você considera que uma comunicação  efetiva seja feita? O que ela precisa para ser cumprida ou efetivada ?


R - Ela tem que ser considerada não só a narração por si só, mas a experiência que se gera para se gerar uma decisão de compra. Então o que a gente entende de comunicação digital? O que o digital consegue aportar valor? Ele consegue aportar valor não só contando para as pessoas que existe aquele produto, mas elas poderem experimentar parte daquela, da vivência com aquele produto a ponto de ela considerar esse produto na decisão de compra dela e ela poder escolher, "sim, quero esse produto", porque ela pode simular, buscar mais informações sobre aquele produto já no próprio canal digital. E aí sim ela fazer a efetivação da compra no digital também, porque nós conseguimos fazer a transação, para ela ter essa experiência, conseguir entender se o produto é aderente ou não à expectativa dela e recomendar o produto. Essa recomendação, hoje ela tem um poder muito forte nas redes sociais, basta ver o quanto as redes sociais hoje, é um "boom", principalmente para o brasileiro que tem um perfil muito de compartilhar e de ouvir o outro, de entender, interagir com o outro. E nessas interações as pessoas falam dos consumos: "Consumo tal marca porque eu gosto dela, porque eu tive uma experiência XPTO, porque isso foi bacana..." E esta recomendação é uma venda muito melhor do que qualquer outra venda que a gente possa construir em termos de campanha. Eu posso fazer a melhor campanha do mundo, mas se a pessoa não está disposta a ouvir por ela ter uma pré-indisposição à marca ou ela não conhecer a minha marca ou ela tiver algum problema com a marca porque alguém comentou que a marca não é boa, eu já não consigo efetivar essa conversa. Então eu preciso ter essa balança muito bem equilibrada em que eu tenho investimento de fato, porque eu falo que a marca existe, que existe o produto, mas eu preciso ter no outro lado da balança pessoas recomendando e falando que de fato o produto ou a marca são interessantes, a experiência foi boa, ela atendeu as expectativas e que ela recomenda. Então eu tenho que equilibrar isso e o digital ajuda muito, porque na vida social, nas, nas redes sociais, hoje nós não fazemos nada diferente do que a gente fazia há anos atrás e que nós fazemos no mundo off-line. Quando nós  estamos em uma conversa de bar, em uma conversa entre amigos nós falamos: "Nossa, outro dia eu fui lá na quitanda, nãnãnã, fui lá no supermercado, tal, comprei um negócio e puxa, foi tão ruim! Porque o cara me atendeu super mal..." Você fazia já isso, só que hoje nós registramos. Nós colocamos isso na internet e todo mundo vê, fica ali a exposição da marca e aí nós temos todo um trabalho no digital de tratar. Então, poxa, o que as pessoas estão falando da marca? Qual a repercussão que isso está tendo?  Qual é o trabalho que eu posso fazer para minimizar esse impacto? O que eu posso fazer para ter uma  repercussão mais positiva do que negativa da marca. Então tem todo um trabalho que nós fazemos de comunicação e de influência nas pessoas para gerar resultados melhores para a marca. Esse é o lado da recomendação. Agora o lado da comunicação nós sempre fizemos e sempre vamos continuar fazendo, que é: colocar com a melhor exposição, com o menor investimento para o maior número de pessoas o produto existente, com uma comunicação mais relevante que de fato vai atingir as pessoas. Então eu tenho uma balança, hoje, no digital, que é mais ampla do que o que nós fazemos em publicidade por exemplo. Porque a publicidade é mais focada de fato, em criar, é, awareness sobre o produto, sobre uma marca. Nós criamos a awareness mas cuidamos da reputação da marca como um todo porque de fato isso vai retroalimentar toda essa cadeia do processo de decisão de compra. 


P/1 - Quais são as atividades para fazer isso, para cuidar dessa balança, para ficar de olho tanto nas recomendações da marca como ela aparece nas redes sociais e ao mesmo tempo divulgar os produtos. Quais são as atividades que embasam? 


R - Monitoramento. Existe tecnologia, hoje você tem mídia para você buscar indexar esses comentários que são qualitativamente avaliados por pessoas que trazem insumos para as empresas, para identificar qual é o nível de informação, o nível de troca que está tendo, qual é o conteúdo que está sendo trocado. E a partir dessas análises são tomadas decisões de que atuações ter.


P/1 - E com que linguagem? Como é que nós vamos usar a linguagem? Porque são públicos diversos quando se fala com clientes, com fornecedor, quando a gente fala com... Porque o banco tem toda uma rede diferente...


R - Uma rede diferente, exatamente. Existe como qualquer outra comunicação segmentada, redes sociais também, então exige a necessidade de você adequar o conteúdo, a linguagem para esses públicos para você gerar influência. Você realmente vai falar como se fosse qualquer comunicação de massa e isso não surte nenhum efeito em redes sociais. De fato existem campanhas ou conversas que acontecem quase que one to one em algumas situações são one to one de fato. Com clientes, por exemplo, nós fazemos comunicação one to one. Então se ele traz uma reclamação, uma situação nas redes sociais, ele é abordado por uma área que nós construímos dentro do banco que é de SAC  de redes sociais que tem uma forma diferenciada de conversar com essas pessoas. Que não é um script, mas é uma conversa, pessoa para pessoa. Eu falei da humanização, nós estamos integrando isso... É, pessoa a pessoa, entendendo o problema dela e buscando soluções. Isso no caso de cliente. No caso de outros  stakeholders se for formador de opinião, nós temos a área de imprensa que entra em contato direto, então nós buscamos já uns especialistas dentro do banco que já têm essa relação construída fora das redes sociais para interagirem também. Porque é a melhor forma de nós conseguirmos fazer uma relação, construir. O nosso mero objetivo de estar presente nas redes sociais é justamente construir vínculos com esses públicos que nós temos interesse, com os quais nós nos relacionamos, os stakeholders que a gente se relaciona.


P/1 - E como é que então essas redes sociais, para irmos para uma estruturação melhor dessa fala, como é que elas afetam o negócio do banco, o que elas podem trazer, influenciar ou não? Como é que...


R - Além de ela influenciar esse processo de decisão de compra, individual, que cada pessoa hoje faz... Qualquer pessoa entra, vai decidir por comprar um produto, faz uma busca, um mecanismo de busca e aí encontra uma série de informações sobre aquele produto. E dentre elas, ele também faz isso nas redes sociais, então ele vai buscar recomendações, de certa forma isso influencia o processo de decisão individual. Existe também outra medida, outra situação que é a própria imprensa tradicional que busca como fonte de informação as redes sociais e entende, procura lá oportunidades para se gerar pauta, para se gerar matéria... então esse cuidado, nós temos também de gerenciar essas potenciais crises, que podem ser oriundas de comentários  generalizados nas redes sociais e por conta disso gera repercussões no mundo off-line. Nós procuramos monitorar isso e identificar um determinado grupo ou uma determinada situação que temos algumas premissas e filtros para decidir o que é uma potencial crise e o que não é. Isso é comunicado para a imprensa, nós trabalhamos dentro de um gerenciamento de crise e já procura se precaver com uma série de moções para trabalhar isso e mitigar esse risco antes mesmo de ele virar uma crise. Então é um trabalho, é uma fonte de informação importantíssima tanto para o banco como para qualquer outra marca e também é importantíssimo para nós monitorarmos o que a concorrência está fazendo, , indicador de marca, o quanto nós estamos sendo atrativos o suficiente como marca em detrimento do quanto somos indicados, do quanto as outras marcas são indicadas, o quanto,  a percepção, qual é a percepção do banco em relação aos concorrentes. Então isso gera para nós indicadores.


P/1 - E como fazer, porque para responder todas essas questões que são às vezes colocadas genericamente em uma rede social, alguma coisa assim, como é que faz para essa área de mídia online responder? Porque ela precisa ter contato com outras áreas do banco, como é que é esse relacionamento com as outras áreas?


R - É uma área já de SAC, então já existe uma estrutura de SAC por trás. Então já hoje dentro do banco, qualquer área de SAC, a área de SAC que não é a de redes sociais, elas já têm estruturas de primeiro, de segundo e de terceiro nível com os quais ela já tem soluções que ela procura os seus articuladores dentro das suas áreas, das áreas respectivas para trazer as respostas. Então ela usa só dessa rede que hoje já é formalizada dentro do banco.


P/1 - Tá. E assim, nesse contexto de virtualização e comunicação, como é que está o relacionamento pessoal? Você falou de reumanizar e tal, como é que fica isso no seu modo de ver? Então está tudo online, mas, e cadê essas relações pessoais? Como é que você enxerga isso?


R - Eu entendo que é muito mais uma mudança de postura das marcas do que de fato uma humanização do ponto de vista de ter pessoas na relação. As marcas precisam sair do patamar de blindagem que muitas marcas, vamos dizer, têm, já não têm ou que tinham que era de fato assim: "Tenho regras, processos, tenho polices que me resguardam de determinadas situações nas quais eu não me exponho". Hoje não é uma realidade, hoje não tem nada controlado nesse mundo. Hoje de fato o consumidor tem uma noção muito clara de qual é o direto que ele tem, mas mais do isso, ele sabe que ele tem o poder na mão que antes ele não tinha. Esse poder de fato é trazer à tona situações que normalmente ficavam completamente obscuras. Então isso é algo que ele entendeu que tem, o poder que ele tem, ele usa mais as redes sociais em prol disso. E as marcas hoje elas estão bastante perdidas na forma como elas devem se relacionar, como elas devem atuar nesse novo cenário. E isso é uma mudança que vem de cima para baixo, porque de fato tem que ter coragem, bater no peito e falar assim: "Ok, agora eu vou ter uma nova forma de me relacionar com as pessoas. Vou assumir erros, vou acreditar...” Quase que como você humanizar a marca: “É, vou agir como gente". Afinal, a marca ou a cultura, uma empresa ela é feita de pessoas e as pessoas erram, as pessoas têm processos, procedimentos e tudo mais, mas existem pessoas, então existe sempre o erro humano. E isso é algo que ainda não é equalizado e que vai ter, uma hora a conta vai ter que fechar porque tem outros envolvidos nesse processo, que é um acionista, que é um analista de mercado, que se eu falo que eu errei, qual a repercussão disso para outros stakeholders? Então enquanto eu tenho um stakeholder que puxa muito uma verdade, uma atitude mais verdadeira da empresa, eu tenho outros stakeholders que podem não avaliar muito bem isso. Então existe aí uma decisão estratégica para as marcas tomarem esse caminho elas pretendem seguir. Todos têm seus trade off, seu ganho, sua perda nesse processo. Hoje tem marcas que estão indo mais para o caminho da verdade e estão colhendo os seus frutos, outras estão esperando para ver o que vai dar, que caminho, se isso é o melhor ou não. As redes sociais estão acelerando esse processo e estão de fato, dizendo para as marcas que é um caminho sem volta, que as marcas não vão ter mais essa blindagem, então eu enxergo que essa é a humanização que nós precisamos ter, que não é por conta da tecnologia ou por conta das redes sociais, desse fenômeno. É por conta da própria realidade mesmo que as marcas uma hora precisariam encarar.


P/1 - E você falou das diferentes culturas de empresas e tal. O que você sentiu quando chegou aqui no Santander para efetivamente começar a trabalhar aqui? Como é que foi essa sua chegada? O que você encontrou de diferente da cultura específica do Santander?  Como foi essa sua adaptação para cá?


R - Tudo tem o seu lado bom e o seu lado ruim. Eu sou uma pessoa que procuro enxergar sempre o "copo cheio", mas tem o "copo vazio", obviamente quando a gente se depara com uma mudança de cultura, você enxerga sempre mais o "copo vazio". Logo em seguida eu já procurei "encher o meu copo", porque eu acho que não é assim que eu vou conseguir chegar a lugar nenhum. Mas de fato existe uma mudança grande, eu vim de uma cultura que é muito estruturada, no sentido que o executivo que hoje é head, ele tem o perfil do engenheiro, ele é binário, ou é ou não e é assim, o procedimento é esse, não existe espaço para você ter intepretação: "É isso e acabou. É a nossa forma que a gente vai construir o banco". Então é uma clareza grande e aqui a gente teve exatamente... Eu cheguei bem na hora que o Marcial Portela tinha acabado de assumir o banco, então nós estávamos em um vale de indecisão de que caminho esse banco vai tomar, eu cheguei em uma hora que eu procurei mapear rapidamente o que nós tínhamos, qual era o direcionamento do banco... E eu não enxerguei isso o que me preocupou. Eu falei: "Poxa, eu troquei um muito certo por algo que ainda não se construiu". Mas por outro lado eu já enxerguei oportunidade, falei: "Poxa, então aí está a oportunidade de fato eu construir junto com o que o Portela direcionar e trazer o banco para um novo patamar". Por isso que eu falo sempre que tudo tem o seu lado bom e o seu lado ruim, depende do que você quer se apoiar. De fato eu procurei então entender: "Está bom. Então o que ele quer, para onde, que caminho que a gente vai seguir? De que forma eu posso ajudar com isso, de que forma que eu posso trazer isso para encurtar o nosso caminho?". E aí o Fernando também foi muito provocativo, ele sempre me trouxe muito a cultura que estamos buscando construir dentro do banco, pela qual cheguei e não enxergava dessa forma. Achava que era discurso, que era: "O que quero para a empresa... Ah, sustentabilidade". “Ok, mas duvido que uma empresa, um banco ainda tenha isso como bandeira de fato e que queira de fato construir um modelo diferenciado em termos de negócio, não cabe, não combina com banco”. Ele me provou o contrário, me provou que de fato combina, tem formas, basta querer e que tem que ter postura para isso, tem que acreditar. E ele me deu razões para acreditar nisso. E isso me fez mudar completamente a visão que eu tinha do Santander, completamente a visão que eu tinha quando eu cheguei. E falo isso para o Fernando sempre, se não fosse esse chacoalho que ele me deu de falar: "Não, espera. Você não está enxergando o com a minha lente. Vamos enxergar de um jeito diferente". Ele me trouxe essa visão, hoje eu consigo de fato ver que é uma cultura completamente distinta, mas em um primeiro momento você fica até cético, se de fato isso é possível. E hoje eu acredito que é possível sim e estou do lado do Fernando e dos executivos, buscando trazer isso para uma realidade porque nós estamos lidando muito mais com pessoas céticas no mercado do que com, de fato, pessoas que estão acreditando nessa proposta. Nós temos esse desafio de virar essa mesa, de construir essa ponte entre pessoas que não acreditam e aquilo que nós acreditamos. Então eu estou aqui desse lado buscando essa concretização. 


P/1 - Está certo. E como é que você vê que... Qual  é o impacto,  na sua área de Comunicação Digital, qual é o impacto dela para o banco, para o negócio banco?


R - Hoje na proposta que nós temos de modelo de negócio é importantíssimo. Quando nós falamos de atitude colaborativa, de cocriação, de buscar fazer juntos, na internet você possibilita, em redes sociais mais ainda, a entrega de muito disso. E quando nós falamos de atitude colaborativa, isso que eu estava falando de nós buscarmos uma nova forma de fazer as coisas, onde a empresa ela não é proprietária ou blindada. Ela de fato precisa abrir suas porta e abrir sua forma de atuação para outras pessoas conhecerem e elas construírem junto com a empresa um caminho... E aí sim, por isso que eu falei da ponte, que nós precisamos construir essa ponte, trazer essas pessoas para dentro e elas construírem juntas, elas entenderem os desafios que se tem e os desafios delas e combinar esses desafios e conseguir um novo modelo, uma nova forma, de trabalho. Então o digital ele ajuda muito porque ele atinge muitas pessoas que normalmente já estão conectadas e que já têm esse perfil de contribuição e de colaboração. Agora o que nós precisamos é colocar essas pessoas em prol desse desafio, chamar, conseguir criar essas conexões e a conseguir levar para outro caminho.


P/1 - E para gente chegar nesse outro caminho, o que que você acha que é preciso para que essa construção colaborativa se efetive em um futuro?Quais são as suas metas de ações? Por que... O que você vai ter que trabalhar para isso?


R - O primeiro caminho é você mapear as pessoas, você conhecer com quem você está se relacionando e aí você conseguir identificar perfis de pessoas. Então tem pessoas que hoje são defensoras da marca já por natureza, tem pessoas que são detratoras da marca. Tem pessoas que estão aí em campo neutro. Então nós temos que construir conversas segmentadas, diálogos estruturados com essas pessoas para você conseguir trazer, essas que já são defensoras, para dentro de casa e fazer essa construção juntos. E essas pessoas que já são defensoras e experimentarem essa nova relação, também replicarem para outras pessoas essa experiência, recomendarem e nós  conseguirmos cada vez mais subir essa cadeia e mudar essa pirâmide. Basicamente é simples assim, por trás disso tudo tem muitas outras coisas que são termos mais técnicos, enfim, que entra muito mais em ações de marketing, em ações de programas de relacionamento que entregam tudo isso.


P/1 - E quais são suas expectativas para o futuro da sua área? Da sua área no relacionamento, na sua área na relação com a sua sociedade, na sua área com a relação com o sistema financeiro?


R - O fato de eu estar há mais de dez anos trabalhando com esse assunto, com esse tema, me permite, eu acho que, pensar grande mesmo e entender qual é o valor que ele tem. E por isso que eu gosto muito do que eu faço. Ele realmente para mim tem um grande valor no sentido de influenciar a forma como as empresas se relacionam com o mercado. Que é através do digital que as coisas mudam, é no digital que as coisas se transformam e isso tem sido recorrente em alguns anos. Então tudo o que você vê em termos de mudança, de patamar tem acontecido sempre pelo mundo digital. Então é no digital onde você enxerga possibilidades, caminhos para onde as coisas foram indo e dá para você sinalizar antecipadamente para a marca, para a empresa, esses caminhos. E dá para você se preparar desde que você tenha um cara visionário como o Fernando à frente da empresa. À frente dessa entrega para conseguir vender isso antecipadamente. Então qual é o desafio? É você conseguir enxergar isso antes que todo mundo, se preparar para essa sua ação e aí você surfar ondas que qualquer outra marca surfe e influenciar a forma como então o negócio é entregue, a forma como o negócio se constitui, que é muito mais do que a gente está falando de entrega de comunicação. Que ali é onde as coisas de fato estão acontecendo.


P/1 - E como é que o digital influencia hoje na vida das pessoas? E como é que é, qual que é a sua perspectiva desse futuro digital?


R - Explica um pouco melhor a sua pergunta...


P/1 - Como é que a vida das pessoas hoje é afetada por esse mundo digital?  Como é que você acha, imagina que vai ser essa influência do digital em um futuro próximo? Assim, daqui a uns cinco anos? O que vai acontecer nesse mundo de inovação e tecnologia na área digital?


R – O que eu já tinha falado é, hoje a tecnologia está inserida em todo, em qualquer coisa que você faz desde você decidir o que você vai fazer no final de semana você decidir uma compra, que viagem você vai fazer. Então hoje, o digital ele possibilita você ter acesso a um mundo que antes você não tinha. Isso já está imbuído na vida das pessoas. É uma experiência que só tende a melhorar cada dia mais. Tem as perspectivas de as TVs estarem touch, facilitar muito mais a navegação, as que hoje têm certa dificuldade com tecnologia, elas terem mais soluções mais próximas da forma como elas interagem... É uma interação que tende a melhorar muito no formato touch e no formato semântico, que nós falamos que é você falar e a tecnologia te responder. Então você não vai ter mais a dificuldade inclusive de fazer buscas, você buscar o conteúdo. Então, as experiências elas vão melhorar muito como tudo que está programado daqui para frente em termos de entregas que cada vez mais vão melhorar, vão se massificar. E com isso a tecnologia só tende de fato a estar no dia-a-dia das pessoas. Então, sendo assim, é não vejo porque não vamos entregar a tecnologia em tudo que vamos fazer. Acompanhar tudo isso e se preparar para esses momentos para termos tecnologia cada vez mais, entregue também da mesma forma, nas relações do dia-a-dia. Respondi a pergunta ou...?


P/2 - Só dando a deixa que a gente...


P/1 - Pode ir.


P/2 - É, voltando um pouquinho. É, porque tem a questão também que a inclusão digital ela ainda é uma meta, para o país, né? E como é que fica isso na sua área? As pessoas que usam são representativas das pessoas que o banco quer atingir? Como que fica essa questão já de Brasil mesmo?


R - Perfeito, é uma ótima colocação. Acompanhando as estatísticas de acesso e de número de inclusão digital, isso tem acontecido de uma forma vertiginosa, é óbvio que nós não atingimos com o digital todas as pessoas, só que existe o mundo off-line que é atingido diretamente por pessoas que estão online. Então por isso você vê hoje conteúdos na TV, conteúdos de revista que estão trazendo conteúdos que são, estão acontecendo no online. De certa forma o online hoje ele de fato já está transformando a vida off-line por mais que você não queira e que você não esteja no mundo online. As coisas acontecem online e de repente vira pauta para a TV, de repente você abre, você liga um Gugu e ele está lá falando tudo, os melhores vídeos, os vídeos mais visualizados, as coisas mais divertidas que estão acontecendo nas redes sociais ou que estão acontecendo, que as pessoas estão postando. Então por mais que você não queira você está sendo impactado, existe esse lado, mas de fato, a inclusão é algo que vai ser, para o banco pelo menos, é algo que faz uma grande diferença, mas para comunicação como um todo isso já é o suficiente para você conseguir chegar e atingir de uma forma diferenciada. Que ali nós estamos criando um futuro relevante e por isso ele vira pauta, assim, passa como mais uma.


P/2 - Você tem mais alguma pergunta para fazer?


P/1 - Então nós vamos retomar agora umas questões pessoais, você falou um pouquinho das suas duas filhas.  Eu queria que você nos falasse como é que... Você só citou rapidamente como é que você conheceu o seu marido. Então conta para a gente como é que foi isso, como é que o mundo online também te ajudou nessa conquista...


R - Você viu que incrível? O mundo online começou a fazer parte da minha vida e de repente até o meu marido eu consegui achar na internet. Eu estava sozinha por um tempo e falei: "Poxa, eu vou começar a experimentar esses sites de relacionamento. E nesses sites de relacionamento eu tinha colocado o meu perfil, e eu fui buscando outros perfis... Como eu tinha já bem certo oriental, então ficou mais fácil. Fui buscando os orientais, aí conversava, trocava e-mail, mas para mim eu tinha uma premissa básica que era uma condição, se me pedisse foto eu já deletava na hora, não quero mais conversar com essa pessoa. Porque eu não queria que a pessoa gostasse pelo que eu era exteriormente, mas pelo que poderíamos trocar, e também no mínimo que vai acontecer é ele virar um amigo. Eu não tinha uma expectativa de encontrar um namorado, eu tinha de ampliar a minha rede, mas por coincidência eu conheci o meu marido e nós começamos a conversar, nós descobrimos que tínhamos amigos em comum, que freqüentávamos os mesmos lugares... A gente só não se cruzou pelo acaso e no final, pelas trocas de e-mails que a gente tinha, eu o achava divertidíssimo, tinha um humor inteligentíssimo e isso foi me instigando. Nós começamos a conversar por telefone, aí falou: "... a gente tem que marcar de se encontrar..."; "Ah, vamos sim. Vamos". Por acaso um dia que eu estava saindo do trabalho e achei que eu iria ficar até tarde, ele falou que ia em um bar, eu falei: "Ah, então vamos, é, hoje não vai dar, eu também vou ficar até tarde..." No final acabei saindo cedo e liguei para ele: "Onde você está" ; "Eu estou em um bar. Vem para cá!” Eu acabei indo lá, encontrei, consegui encontrá-lo só que ele não conseguiu me colocar para dentro do bar. Ele falou: "Ah, então vamos sair, você não conseguiu jantar. Vamos jantar". Nós acabamos saindo para jantar e foi super tranquilo, assim, super amizade, aquela  pessoa que tem escuta ativa, eu falei: "Poxa, que bom, uma pessoa com escuta ativa,  um homem que tem escuta ativa..." Então nós brincávamos muito com isso. Mas ele realmente é um grande companheiro, ele se provou desde o começo, até hoje ele é. Nós fomos nos relacionando e quando fomos ver já estávamos namorando, foi muito natural tudo isso. Mas o incrível foi o tempo,  em menos de um mês, nós de fato já tínhamos percebido que deveríamos estar juntos. Porque que a gente estava separado? Acabamos morando juntos. E aí já: "Vamos casar logo!" ; "Vamos!” Casamos e descobrimos que o pai dele estava doente, tinha uma doença grave que não tinha cura, nós sabíamos que a gente o perderia. Depois de um ano de casados ele sofreu uma grande operação que ele praticamente morreu, ele quase, ele sobreviveu graças a Deus, mas eu também falei: “Olha, a gente está casado, a gente quer ter filhos. Só que nós queríamos ter filhos só no segundo ano, nós queríamos curtir um pouco o casamento, viajar e tal. Eu falei: "O seu pai está doente, por que a gente não adianta essa decisão? Eu sei que a gente não tem ainda condição financeira, mas pelo menos um filho não pesa tanto, dois já pesa, mas um não pesa tanto. Por que a gente então não resolve antecipar? E a gente dá um motivo para ele querer viver, para ele querer pelo menos se recuperar bem". E aí no final nós tomamos essa decisão e eu engravidei muito rápido, na primeira nós conseguimos engravidar. Nós  contamos para ele e ficou tão feliz e acabou ficando alguns bons anos com a gente ainda. Ele viu a minha filha até seis anos, e para ele eu acho que foi a melhor realização e para nós também, porque nós percebemos que nós fizemos o nosso papel como filhos. Depois que ele faleceu, eu já estava querendo engravidar, eu estava terminando o MBA, ele deixou eu fazer o MBA primeiro, porque MBA e bebê não combinam, não vai dar certo. Então preferimos, tomamos a decisão juntos, eu falei: "Eu preciso fazer o MBA, o banco vai me pagar, eu não vou perder essa oportunidade. Você quer que eu adie para termos um filho ou você, eu vou fazer o MBA agora?". Aí ele: "É melhor você fazer o MBA agora. Então depois pensamos em ter filho". A distância acabou ficando muito grande por conta dessa decisão e com o meu sogro doente também não tinha condições nenhuma de cabeça para pensar nisso... Só quando ele faleceu decidimos de fato investir nesse novo projeto de vida. E tudo deu certo, eu acabei engravidando, mas eu também tinha esse risco sempre de engravidar, mulher é um problema, bom e ruim, mas realmente a profissão acaba ficando em segundo plano, quem não aceita isso não consegue ter o filho de uma forma plena. Eu estava decidida a ter filho independente das consequências profissionais. Voltei e tive essa surpresa de realmente não ter mais o espaço, mas totalmente aceitável porque era algo que para mim estava muito bem resolvido, então foi dessa forma que tocamos a vida até hoje.


P/1 - Está certo. Você falou um pouco no começo da cultura japonesa, que você já estava mais jovem já mudando para Londrina que sua mãe começou a te levar para esses grupos... Como é que é hoje essa sua relação na sua casa, você incentiva as suas filhas? Como é que é? O que você mantém de tradição?


R - Comida japonesa, com certeza, a minha culinária é mais para japonesa, minhas filhas adoram arroz branco, elas realmente gostam muito da comida. A educação que nós damos que é muito mais focada na disciplina, na obrigação e na forma como devemos encarar a vida, é muito com essa filosofia. Nós não a colocamos em uma escola japonesa, nem em nada ainda da cultura japonesa, mas elas sabem o quanto eu gosto, o quanto o meu marido gosta, a minha família gosta, então elas vivenciam de certa forma no ambiente familiar. Mas, por exemplo, minha filha mais velha hoje estuda em uma escola francesa, estou dando para ela outras referências, mas que depois em um certo momento eu também vou levá-la para outras referências que são da cultura de fato. Eu acho que é importante para ela também entender que a forma como ela foi educada, também existem outras crianças que foram educadas iguais. Porque tem hora que ela compara: "Ah, mas a mãe de não sei quem, lálálá, ela não é assim". Eu falei: “Então, ela é a mãe da Fulana, você é a filha da Katia, então é assim que vai ser nessa casa". Enfim, mas eu procuro colocar para ela essas diferenças, que hoje não são tão latentes, mas que obviamente à medida que ela for crescendo vão ser, e aí eu vou precisar dar para ela essa vivência com outras pessoas da mesma cultura para ela também perceber que isso é da cultura, não é do pai e da mãe que ela tem, mas é da cultura por si só.


P/1 – Está certo.


P/2 - Aproveitando a deixa que, falando de valores, e como é o Projeto Identidade Santander, voltando mais para você de novo, como você se identifica com o banco hoje? Agora você está aqui e você está vestindo a camisa, então o que tem da Katia valores que são iguais aos do banco...


R – Aderentes. Eu acho que essa sustentabilidade, esse foco de pensar no longo prazo. É, esse valor de foco no resultado, na simplicidade, da execução, acima de tudo, com eficiência. Eu vejo que esse é muito o meu jeito de ser e de fazer que também eu tinha, o Itaú tem um pouco disso também, foco em resultado, busca por eficiência é o qual eu me identifico. O outro lado que então não tinha e aqui tem é a inovação, que é o lado do construir junto, da forma diferenciada de você pensar em soluções, isso é o que me fascina porque é um caminho muito novo para mim, como eu acho que é para todo mundo. Mas esse ar contemporâneo traz pelo menos eu tenho no DNA, vontade sempre de experimentar coisas novas. E gosto muito de construir coisas que não existem,  isso é muito aderente com o que eu acredito e os desafios que eu quero ter como profissional. Tendo isso como mote, eu sei que eu vou aqui conseguir concretizar esse jeito de ideia e de realização.


P/1 - E Katia, quais são suas expectativas de trabalho aqui? Qual que é o seu, o seu sonho? Aonde você vislumbra chegar?


R - Eu não, não penso muito onde eu vislumbro chegar. Eu penso muito na realização, o que eu quero realizar e acho que eu realizo uma coisa por dia. Eu quero fazer, e eu acho que tem espaço e tempo para fazer muita coisa, mas eu tenho o desafio do ano, o desafio do momento. E vou pensar, óbvio que eu tenho um pensamento de longo que prazo que uma realização profissional de fato, que é muito aderente ao que eu acabei de falar, que é de conseguir concretizar coisas que nunca ninguém conseguiu realizar, encontrar caminhos para o banco e para o mercado, enfim, que nunca ninguém conseguiu pensar. E nós estamos exatamente com essa construção, então eu provoco muito os nossos fornecedores, minha equipe, me provoco de pensar coisas diferentes. Eu não aceito "não", eu quero buscar outro jeito de realizar isso, então eu provoco a tecnologia, provoco todo mundo que está na cadeia: “Mas ‘não’ por quê? O que está por trás desse ‘não’? O que a gente tem que mudar? O que a gente tem que transformar para esse ‘não’ virar um ‘sim’? É, um ‘sim’, mas talvez outro caminho...” Então eu procuro sempre construir isso, que eu sei que é dessa forma que vamos conseguir, com pequenos passos, quando a gente vê, no longo prazo um grande passo acontece. E é assim que nós vamos transformar a realidade. Para mim hoje, a minha realização é transformar a realidade, por isso que eu vejo que eu estou no lugar certo, fazendo a coisa certa, porque eu gosto de transformar a realidade.


P/1 - Certo. Kátia, tem alguma coisa em relação a essa nova, sua nova fase de carreira, de estar aqui que a gente não tenha perguntado, que você gostaria de deixar registrado? Que você acha que ficou faltando?


R - Eu acho o que nós não conversamos foi um pouco o lado de gestão. O Santander ele se preocupa muito em capacitar gestores e isso é uma coisa que eu acredito bastante e tenho gostado muito de participar desse processo, que chama “ser líder”, é um processo que ele está muito fit, ele está muito construído para a realidade do banco. Conseguir colocar esse modelo que estávamos falando até agora de negócio, de uma forma concreta no dia-a-dia desses gestores, isso é algo que completa o ciclo e faz com que de fato tenhamos possibilidades de construir essa nova realidade. Então nós estamos começando de cima para baixo uma transformação das pessoas, da forma como ela conduz a sua área, da forma como ela conduz as pessoas, da forma como ela enxerga o seu trabalho é aderente a esse modelo. Então isso é uma coisa que eu gostei muito de fazer parte, que eu estou fazendo parte ainda, é um processo longo, de um ano praticamente, com vários cursos, coaching, tem leitura, isso tem sido uma experiência diferenciada. Acho que é só assim que nós vamos conseguir de fato chegar ao caminho que queremos. 


P/1 - Certo. O que você acha então desse projeto do banco ir buscar nos seus colaboradores um pouquinho da trajetória deles para montar a sua identidade?


R - Assim como esse projeto, tem outros no Marketing que são muito parecidos. Eu acho incrível pensar que são pessoas que constroem a marca, que constroem uma empresa e não a marca por si só na sua onipresença, na sua onipotência. Então eu acho que isso é uma forma de mostrar o “juntos” na prática e é uma forma de mostrar o quanto esse modelo está aderente as nossas práticas mesmo no dia-a-dia. É interessante e eu fico sempre intrigada pensando o que  nós vamos fazer com esse tipo de material, com esse conteúdo,  eu começo a pensar como a gente “virtualiza”  isso? Como podemos trabalhar essa informação para transformar outras realidades? Eu imagino o quanto nós temos aqui de relatos, nós estávamos falando de conteúdo que pode transformar e influenciar outras coisas, outras pessoas.


P/1 - É. Tem muitos caminhos. E o que você achou de participar dessa entrevista? De sentar aí desse lado e contar um pouco da sua trajetória de vida aqui essa tarde para a gente?


R - Aterrorizante no começo (risos), mas é uma experiência bacana poder registrar isso. Acho que é uma coisa que comentamos com os amigos, comenta-se parte dessa história com outras pessoas. Algumas pessoas conhecem uma parte, outras conhecem outra, mas você registrar isso... eu me sinto homenageada por isso e me sinto valorizada pelo banco por ter sido escolhida para fazer parte desse projeto.


P/1 - Está certo. Então em nome da vice-presidência de Marca, Marketing, Comunicação e Interatividade e em nome do Museu da Pessoa nós agradecemos o seu depoimento. Obrigada.


R - Obrigada Vocês.


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