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Conexão é o que importa

História de: Gabriela Sayuri Yamaguchi
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 31/05/2016

Sinopse

A descendente de japoneses, Gabriela Sayuri Yamaguchi é uma jornalista que morou no Japão e que desenvolveu boa parte de sua carreira na Editora Abril. Em seu depoimento, ela fala sobre a migração do pai, que saiu do Japão para morar no Brasil aos 23 anos. Fala sobre a escolha da profissão de jornalista, da gravidez ainda durante o período da faculdade e sobre os estágios que realizou. Descreve a sua vida no Japão e como decidiu voltar a morar no Brasil depois de dois anos. Recorda a sua trajetória profissional em várias revistas do Grupo Abril e como começou a trabalhar no Instituto Akatu.

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História completa

Meu nome é Gabriela Sayuri Yamaguchi. Eu nasci em São Paulo no dia 26 de março de 1973. O nome da minha mãe é Tokiko Yamaguchi, Tokiko Kato de solteira. E o meu pai é Keiji Yamaguchi. Eu tenho quatro irmãos. O Marcos, a Monalisa, Angélica, eu e o Luís.

 

Uma das brincadeiras que a gente mais gostava era detetive, porque a gente conseguia apagar a luz da casa inteirinha e aí a minha mãe, coitada, descobria só quando chegava em casa a zona que ficava, mas a gente conseguia transformar a casa inteirinha em campo minado. Apagava todas as luzes da casa, transforma aquilo em outro universo, brinca com lanterna, brinca pela casa e descobre as coisas que estão lá. E eram as coisas que a gente tinha pra brincar. Lanterna já era o máximo, poder brincar com o mínimo de luz. E de pequena eu lembro de pelo menos uma vez por semana a luz de casa acabava. Era uma outra época, a gente morava na Zona Leste de São Paulo, então eram sempre casas alugadas, a gente não tinha casa própria. Mas a luz acabava. Então a gente tinha essa lembrança de: “Não tem luz, o que a gente faz agora?” “Vamos brincar”. Então ter vela em casa, a gaveta da vela, saber, tateando no escuro onde é que está o fósforo e onde é que está a vela são coisas das casas que eu tenho a maior memória de lembrar que elas existiam, que elas estavam lá pertinho.

 

No terceiro colegial eu tinha que decidir o que fazer e optei pelo Jornalismo. Era uma das carreiras mais concorridas na USP na época e tinha a ver com linguagem, que é uma coisa que eu adorava. E eu queria trabalhar em revista, então entrei no Curso Abril de Jornalismo e fiz o meu Curso Abril. E nesse contexto de sustentabilidade existia já na Abril na época uma plataforma chamada Planeta Sustentável. Então da sustentabilidade do Planeta Sustentável a gente tinha a Viagem no Conhecimento que eu fiquei conduzindo um pouco como voluntária no marketing e a gente fez a maior olimpíada de Geografia e de História do Brasil sair em um ano. O que você leva para uma prova que vai testar o conhecimento das crianças? Não é o que cai numa prova usual, é o que está nas páginas das reportagens da National Geographic, é entender o que é energia renovável, o que é a poluição do oceano, o que é você entender que a comida que a gente está comendo tem que ser mudada. E no Planeta Sustentável a gente começou a trabalhar muito com conteúdo de informação traduzidas pra público em geral sobre sustentabilidade. E uma das coisas que a gente mais trabalhou, que a gente falava muito é como que as pessoas vão entender que a sustentabilidade não é só uma coisa super distante da vida dela, faz parte da vida dela, do dia a dia.

 

Acho que a primeira vez que eu comecei a olhar meio ambiente, ecologia como se falava na década de 90, foi durante a Eco-92. Durante a Eco-92 eu e um outro grupo de estudantes de Jornalismo, a gente participou de um projeto laboratório dentro da própria USP pra ajudar estudantes do ensino médio a produzirem uma cobertura do que estava acontecendo na Eco-92. Então desde aquela época eu já acompanhava um pouco qual é a importância das pessoas e da educação dos estudantes entenderem essa história da ecologia, na época se falava bastante. E desde então acho que não teve nenhum momento que houve uma interrupção desse processo. Na Superinteressante bastante. Na verdade a minha única reportagem impressa na Super é uma reportagem sobre reciclagem, “o mundo dá voltas”, que foi uma reportagem sobre novas tecnologias de reciclagem. Então na Super como um todo, durante todo o momento Ecologia, Meio Ambiente sempre foi muito importante. E foi nesse período que uma amiga em comum, uma amiga minha que trabalha no UOL recebeu uma vaga do Instituto Akatu. Eu me interessei, me candidatei, aí eu fui selecionada e pude colocar nesses últimos dois anos que eu estou aqui, dois anos e pouquinho, em prática, uma conexão gigante das minhas aprendizagens em outros momentos da vida pra projetos de comunicação pro consumo consciente da sustentabilidade.

 

Conexão, essa é a grande palavra. Você entender que o jeito como você consome energia da sua casa tem a ver com o jeito como a sua comida é produzida. Porque a energia é usada pra produzir tudo o que está ao seu redor. E fazer essa conexão só de uma maneira teórica é pouco. Então vamos mostrar pras pessoas como essa energia é consumida, mostrar pras pessoas como esse alimento é produzido? E a gente utiliza uma série de imagens, uma série de cálculos de impacto que a gente produz aqui no Akatu pras pessoas tangibilizarem, sentirem mesmo na mão o que é essa energia no dia a dia dela. E essa experiência de ter que traduzir, digamos, calendários e documentos técnicos, estudo de energias do Brasil, matriz energética, de onde vem, pra onde vai, pra população em geral traz um repertório pra gente, traz uma possibilidade das pessoas entenderem tudo aquilo que elas tiveram dificuldade de entender muitas vezes na própria escola.

 

Então o que a gente usa muito? A gente usa vídeo. Poxa, mas um vídeo de um minuto é super... não é simples, pra fazer um vídeo que explique para uma pessoa por que ela tem que desligar as tomadas de todos os aparelhos de casa, porque você não precisa de um stand by, pode trazer um benefício financeiro na sua conta no final do mês, explicar isso pra ela e o videozinho que a gente fez pra contar essa história demorou três meses pra ser feito. E esse projeto, que é um projeto de animação que a gente fez com os videozinhos que foi também patrocinado pela AES Eletropaulo tem essa combinação de humor, de animação, de uma informação que é super pontual e que te fala o seguinte: “Tem solução. Sabe o que você pode fazer? Tira da tomada. Tem solução: abre a geladeira uma vez, guarda todos os alimentos, coloca direitinho tudo em cada lugar e fecha, nada de abre e fecha”. Sabia que um minuto de secador de cabelo, você mulherada de cabelo comprido, esse um minuto de secador de cabelo que você acha que não é nada de energia, 10 minutos de secador é equivalente a uma lavagem de roupa completa de cinco quilos?”. Essas equivalências, essas imagens. Sabia que um minuto de chuveiro é um minuto também de 45 TVs ligadas ao mesmo tempo? E todo mundo: “Nossa, sério? Quarenta e cinco TVs?” “Quarenta e cinco TVs e não são essas pequenininhas não, são essas grandes de plasma”. É isso, as pessoas entenderem e visualizarem. Isso são coisas, são experiências que você aprende rápido. E esse é o meu desafio hoje: eu preciso achar as maneiras mais divertidas, mais sintéticas, mais reproduzíveis possíveis pra essa pessoa entender que nem piada. Entendeu por que é importante fazer? Então, eu consigo contar para uma outra pessoa, para uma outra pessoa e você se torna, na teoria do sustentabilitês, um multiplicador. Porque não tem nenhum capítulo das nossas vidas que não possa ser iluminado. Não tem nenhum capítulo das nossas vidas onde não tenha alguma solução que você possa trazer. E quanto maior esse repertório de conhecimento, quanto mais diverso é, mais você consegue contribuir.

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