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História de: Ann'Andreza de Carvalho Martins
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 22/03/2016

Sinopse

Ann’Andreza de Carvalho Martins, nascida em 30 de novembro de 1967, no Rio de Janeiro, inicia sua narrativa contando a história de seu nome. Narra a história de sua família e suas origens mineiras e discorre sobre seus avós. Andreza é conhecedora de algumas histórias de sua família e relata como seus pais se conheceram. Viveu praticamente toda a sua infância no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro (RJ) e recorda-se com carinho dos tempos em que estudou no antigo colégio Teresiano atual Escola de Aplicação da Pontifícia Universidade Católica. Foi intercambista nos EUA onde também concluiu sua graduação em Desenvolvimento Infantil e Relações Internacionais e pós-graduação em Saúde Pública e Serviço Social. Andreza iniciou sua trajetória no AFS como coordenadora, mas deixou a instituição para atuar oito anos na Fulbright, retornou ao AFS como Diretora Executiva. É mãe de Marina e teve a oportunidade de ser mãe hospedeira pelo AFS.

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História completa

Meu nome é Ann’Andreza de Carvalho Martins. Eu nasci no Rio de Janeiro, no dia 30 de novembro de 1967. Meu pai é Tertulino Ferreira Martins e a minha mãe é Cleusa Marina de Carvalho. Ambos meus pais são de Minas [Minas Gerais]. Minha mãe é de uma cidade pequena de Minas, de Fama, sul de Minas. Meu pai é da região do norte de Minas, sul da Bahia. [Eles se conheceram quando] [...] minha mãe foi pedir um emprego na empresa do meu pai. Meu pai é 27 anos mais velho que a minha mãe. Ela foi jovem procurar um emprego de secretária e ela falou que ele dava folga pra ela todo dia e só mandava entregar flores na casa dela (risos) e aí foi, eles se casaram.

Eu tenho um irmão, mas na verdade ele faleceu, ele faleceu com 21 anos. Mas nós fomos criados [juntos], ele mais velho um ano e sete meses que eu. Eu nasci no Leblon. O apartamento dos meus pais era ali, a cobertura, pertinho da praia, moramos ali até uns três anos e quando minha mãe quis mudar para uma casa com a gente pequeno, meu pai então comprou uma casa na Ilha do Governador onde nós ficamos até entrar pro primeiro ano na escola, fez jardim lá e quando foi pra começar a vida escolar a gente voltou pro Leblon, para um outro apartamento, então é ali que a gente foi criado. Eu morei ali a vida toda enquanto morei no Brasil. Mas era uma vida assim, como minha mãe e nem meu pai tinham irmãos, a gente não tinha essa coisa de tio, primo no Rio [de Janeiro], a gente sempre ia pro interior de São Paulo pra ficar com os irmãos da minha mãe, meus primos, e a gente tinha um sítio em Teresópolis, na serra. Na infância, era um pouco praia durante a semana, mas fim de semana a gente ia pra serra, pro sítio, e nas férias a gente vinha pra casa dos tios passar aqui, tanto julho como dezembro. [...] Foi muito gostosa a minha infância, curti muito casa, curti muito brincar, curti muito a coisa do irmão, a gente era muito próximo, foi gostoso.

[Entre 1984 e 1986] eu comecei a pensar em fazer intercâmbio e comecei a perturbar meu pai e minha mãe que eu queria fazer intercâmbio. Eu cheguei no aeroporto de Los Angeles e eu me lembro que também nessa época não tinha regulamentação de poluição, era aquele fog, aquela coisa cinza, era janeiro. Eu sempre soube que eu ia voltar e eu sabia que eu ia voltar já pra universidade. Eu acho que foi mais marcante foi mesmo me despedir das pessoas. A gente não tinha essa perspectiva que a gente tem hoje que é tão fácil manter contato.

E aí eu comecei na PUC [Pontifícia Universidade Católica], eu gostava bastante. E era coisa de estudar Sociologia. Eu gostei bastante, mas eu estava bem inquieta, eu estava inquieta porque não era mais o que eu queria. Eu tinha ficado encantada com [o] trabalho da minha mãe Terry [mãe hospedeira] na escola de Child Development, pra trabalhar com pessoas com habilidades diferentes. Era quase o que hoje a gente chama de educação especial, mas não tinha esse nome na época. E eu descobri que era isso que eu queria fazer. Eu queria fazer, mas no Brasil não tinha. Eu estava inquieta. Eu estava fazendo a faculdade, eu gostava, eu gostava das pessoas, mas não era aquilo mais que eu queria. E eu queria fazer Relações Internacionais, voltei com essa ideia. Eu tranquei a PUC com um ano e fui pra West Virginia University fazer Child Development, que era uma formação específica, [...] um Double Major, eu comecei a fazer Child Development e International Relations. [Posteriormente] eu queria fazer de pós-graduação e eu resolvi que eu queria trabalhar com comunidades, com famílias, com crianças, e fui fazer duplo mestrado em Saúde Pública e Serviço Social.

[Primeiro ingresso no AFS] Quando eu cheguei o diretor era o Eduardo Assed e o diretor de programas era o Marcos Sodré. Foi muito bom porque eu vim de uma visão de Serviço Social que trabalha de uma forma muito sistêmica, essa coisa de trabalhar de uma forma sistêmica é muito interessante pro AFS porque a gente trabalha em sistemas em todos os níveis, micro, da família, dos comitês, mas também com os parceiros. Eu pude formar uma equipe que foi bem bacana. Era um escritório super bem humorado! [...] Eu achei muito interessante porque o que o AFS proporcionava uma oportunidade das pessoas refletirem, aprenderem durante e não só depois de anos de processar, de convivência, análise, como eu tinha tido que fazer (risos). Isso que eu achava que era muito legal, essa coisa de você ter uma preparação, ter os acampamentos, ter o suporte, ter a quem recorrer, saber, tudo isso era diferente.

Eu fiquei um ano e meio, dois anos. E foi muito legal, eu saí muito bem, saí bem com a organização, saí bem com as pessoas, saí sentindo orgulho do que eu tinha feito lá pra começar uma outra coisa, que também foi muito importante mesmo, fiquei na Fulbright oito anos. Eu voltei no dia três de setembro de 2012. A Renata Malizia estava [comigo], eu trouxe Marcos que era o diretor financeiro, que era na época que estava com o Eduardo [Assed], eu convidei ele pra voltar. De certa forma um A-team, uma coisa que tinha sido um pilar, umas colunas que tinham sido bacanas de um tempo que o AFS estava muito bem do ponto de vista da gestão e eu remontei aquela mesma equipe e a gente começou a trabalhar dali pra frente. Então foi muito bom.

Eu acredito no que o AFS faz. Eu acredito porque eu acredito na ideia de que você pode conectar vidas e compartilhar culturas e que isso pode fazer um mundo melhor. Eu acredito porque eu já vi isso acontecer na minha vida, de várias formas diferentes. Eu vejo isso acontecer na vida de um monte de pessoas e eu sei que a gente pode escalar o efeito disso para outras pessoas de outras formas. Essa é uma forma de fazer isso. E a gente pode pegar a essência disso e pulverizar de muitas outras maneiras, dar a outras pessoas pílulas disso, efeitos disso. A gente fala hoje em dia de fazer intercâmbio sem sair de casa. Porque eu como família hospedeira que não saí da minha casa tive uma transformação na minha família, meu marido, minha filha, eu acredito nisso. E é muito bom você trabalhar com uma coisa que você acredita.

O voluntário do AFS, o AFS tem o privilégio de não precisar se sentir impotente, a gente sabe o que a gente pode fazer. E a gente sabe o que a gente faz, então a gente tem que fazer mais disso pra mais pessoas porque se não existisse tinha que ser inventado.

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