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Comunismo in loco

História de: Maria Leopoldina Morais Veiga
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/10/2013

Sinopse

A entrevista de Maria Leopoldina Morais Veiga foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 10 de outubro de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". Filha de pai estrangeiros, Maria Leopoldina conta que se filiou ao partido comunista quando fez 18 anos, com o fim da ditadura e foi desse contato que conseguiu a bolsa para estudar na União Soviética. essa bolsa era oferecida pelo comitê de mulheres soviéticas e foi convocada a ir. Estudou russo durante apenas um mês antes de ir e então foi para a Rússia. Maria Leopoldina fez o curso de jornalismo de duração de 5 anos e depois ainda tentou uma bolsa de pós graduação, mas foi quando acabou a união soviética e ela não conseguiu e voltou para o Brasil. Hoje é professora de português, espanhol e Russo, e tem muita sede de aprendizado.

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História completa

Meu nome é Maria Leopoldina Moraes Veiga, eu nasci dia 20 de outubro de 1965, em São Paulo. Meu pai teve um pequeno comércio, um mercadinho que ele chamava vendinha naquela época, mas não foi, não deu muito certo, e depois ele foi ser vendedor. Como os meus pais eram estrangeiros, nem votavam eles não tinham um engajamento e nem tinham essa obrigação de votar por serem estrangeiros, mas o meu irmão tinha uma aproximação com o Partido Comunista Brasileiro. E eu aos 18 anos também comecei, que foi quando eles voltaram a legalidade, a gente se filiou e foi através de contatos que intermediou a bolsa de estudos que me levou pra União Soviética na época. Então, aí eu comecei, assim, aí quando eu fiz 18 anos foi quando acabou a ditadura e aí o Partido Comunista foi legalizado e eu também tinha terminado o colégio e também entrei. Mas, assim, fiquei mais ou menos um ano, mas não existia muita militância mesmo, na verdade eu acho que era pouco organizado. Então não existia uma formação, um curso de formação política para a juventude que estava entrando e que queria. Pelo menos naquela sede não existia uma preocupação em formação política, e eu achava ruim isso, que eu queria ler mais coisas. Eu lembro que daí pedi pro meu irmão, ele falou: “Ah, não sei”, porque o meu irmão sempre gostou de literatura, mas não de literatura política, assim. Então eu lembro que eu li o Manifesto do Partido Comunista naquela época, mas também não entendi muita coisa e não tinha ninguém que quisesse que se dispusesse a fazer um curso de formação pra juventude. E aí surgiu essa bolsa, que era uma bolsa fornecida pelo Comitê de Mulheres Soviéticas. Quem intermediou quem conseguiu a bolsa foi uma médica, chama Albertina Duarte, que faz um trabalho com adolescentes no Hospital das Clínicas, e ela foi pra um congresso de medicina em Moscou e ficou sabendo que existia esse Comitê de Mulheres Soviéticas e davam bolsas pra mulheres, só pra mulheres do terceiro mundo e que o Brasil não tinha nenhum contato. Então ela fez essa ponte e todos os outros países já tinham há anos então ela falou: “Bom, então também quero. Antes de ir, eu fiz um curso de um mês de russo na União Cultural, na época chamava União Brasil-URSS que era ali na Frei Caneca, e eu fiz um curso aos. Então fomos em três, a gente foi daqui pra Porto Alegre de avião e depois de lá de Porto Alegre até Buenos Aires, porque não tinha voo direto pra Moscou. Foram umas 24 horas de voo e depois a gente chegou lá de madrugada, meia noite, assim, e sem falar nada de russo e também não tinha ninguém. Aí fomos pra um hotel, que era o hotel universitário, que era onde as pessoas ficavam ali de trânsito até serem destinadas aos lugares onde elas iam estudar mesmo, e nesse lugar tinha um tradutor que falava espanhol. Eu escrevia, desde o começo, desde o primeiro dia eu escrevia cartas muito longas pra minha família descrevendo em detalhes tudo, o sistema de como pagava o ônibus, como era a residência, como era a faculdade, como era o professor... eu escrevia cartas, assim, de seis páginas, escrevia durante. Depois o meu irmão digitou todas essas cartas. Fiquei lá, fiz a universidade, os cinco anos e depois ainda quando terminei a faculdade ainda fiquei mais um ano tentando entrar numa pós-graduação, mas foi na época que acabou a União Soviética e aí a universidade ia abrir uns cursos diferentes, mas ainda estava. Aí não rolou e eu vim embora. Revalidei o diploma, procurei um pouco na área de jornalismo, mas, assim, através de anúncios e tal, e aí não rolou, eu acabei indo fazer outra coisa, acabei indo dar aula de Espanhol. Depois em 95 eu comecei a trabalhar no escritório da companhia aérea russa aqui em São Paulo a Aeroflot, eu fiquei trabalhando lá sete anos e daí, assim, estava ocupado o tempo, aí acabei não tentando mais trabalhar com e comecei a dar aula de Russo também. Eu comecei nessa União Cultural Brasil-URRS, que era na Frei Caneca e agora é na Itácio Pessoa ali, que agora acabou de mudar. Ah, hoje eu quero aprender mais Inglês, talvez passar um tempo em um país em que eu possa praticar, ou na Inglaterra ou nos Estados Unidos, e poder depois voltar pro Brasil e começar a dar aula de Inglês também, aumentar uma possibilidade de trabalho diversificar. E é isso, eu quero ler, eu quero encontrar com os meus amigos, quero comprar uma casa, quero ir morar com esse meu namorado atual, e enfim, é isso, quero estudar, quero ler, quero, quero discutir ideias, quero aprender coisas, quero passar pros meus alunos e pras pessoas que eu conheço, enfim, é isso.

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