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História de: Agnaldo de Sousa Morgira
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/08/2020

Sinopse

Nasceu em São Bernardo Campo, em 1967. Pai mineiro, mãe de São Bernardo. Rádio comunitária, jornal, comunicação.

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História completa

P/1 – Então, por favor, vamos começar. Me diga seu nome completo.



R – Agnaldo de Sousa Morgira.



P/1 – Onde você nasceu, Agnaldo?



R – Na cidade de São Bernardo do Campo.



P/1 – E que dia?



R – Dezoito de agosto de 1967.



P/1 – É Agnaldo, mas na verdade é Guina?

 


R – Guina Morgira, família Agnaldo, né?



P/1 – Há quanto tempo você tem esse Guina?



R – Ah, desde os três anos de idade.



P/1 – É abreviação mesmo?



R – É, abreviou os meninos amigos, né, muitos amigos na rua, vizinhos, aí virou Guina. 



P/1 – Então, vamos continuar para sua família. Eu quero que você me conte um pouco sobre seus pais, de onde eles vieram, como eles se conheceram.



R – Tá, meus pais, meu pai, imigração, veio da cidade de Guaxupé, Minas Gerais. Minha mãe da cidade de São Bernardo do Campo. Meu pai se tornou viúvo, eu e meu irmão, Agnaldo e Reginaldo, né?



P/1 – Mas a ascendência eles são, vem de que lugar do mundo?



R – Cidade de São Bernardo, Brasil, mineiro o pai e a mãe de São Bernardo do Campo. 



P/1 – Mas assim, e mais antigo do que eles? São italianos, portugueses?



R – Pessoas de Minas Gerais, mas seria, não tenho conhecimento de estrangeiro e sim o conhecimento dos avós e bisavós da cidade de Minas Gerais.



P/1 – Entendi. Eu queria que você me falasse um pouco, então, sobre a sua infância aqui em São Bernardo, quais as suas primeiras memórias, se você brincava na rua.



R – Então, a minha infância em São Bernardo do Campo deu base hoje talvez para o adulto que eu sou, porque realmente é uma coisa que eu defendo há muito tempo que realmente o trabalho de criança, de brincar, essa atividade eu tive, numa mesma rua, tendo mãe e pai, avós, tia, madrinha, parentes e amigos, né. E esses amigos que até hoje, com 42 anos, que resistem ao tempo, cada um às vezes até mudaram, mas que a gente se encontra ainda, tem contato, amigos de infância que já se passaram 42 anos.



P/1 – Como você vê a transformação da cidade desse período até hoje, alguma coisa que você percebe que… 



R – … Muito grande, né, assim, a cidade de São Bernardo do Campo ela teve um boom na metade da, vamos dizer assim, dos meus 42 anos teve uma etapa acho que com dez, onze anos eu comecei a sentir a quantidade de migração muito grande que se veio atrás de emprego que seriam nas automobilísticas aqui: Volkswagen, Mercedes, Ford, entre outros. Muitos vieram naquela esperança mesmo de ter um primeiro e um emprego bom, saindo do Norte, Sudeste, Centro-Oeste e o Sul, né, e a possibilidade de um ganho.



P/1 – Entendi. Que bairro você mora hoje?



R – No bairro de Santa Terezinha. 



P/1 – Como que é lá?



R – O bairro Santa Terezinha é um bairro que hoje mudou-se muito. Tradicionais mudaram, faleceram, e hoje são vizinhos com uma média de idade de 40 anos, em sua maioria, e que sai para o trabalho de manhã e volta a noite, então perdeu muito aquela questão de um bom dia, boa tarde, boa noite e de um bate papo mais à vontade dos anos passados.



P/1 – Isso te incomoda?



R – Incomoda muito.



P/1 – Você acha que tem alguma coisa que possa ser feita como possibilidade?



R – Olha, eu não vejo possibilidades, é, realmente de fato as pessoas estão com essa predisposição, então essa mudança teria que ser então uma campanha maciça em cima dessas pessoas, né, seria nesse sentido.



P/1 – Entendi, mas enfim, por outro lado então isso é algo que te incomoda?



R – É, me incomoda no meu bairro, eu conheço, aí que está, há uma transformação nisso, os bairros próximos ao centro tem essa intenção e os bairros periféricos a intenção é totalmente diferente, aquela intenção antiga, os bairros periféricos ainda continuam os vizinhos compartilhando, de tudo, de um lado bom e ainda aquele momento mais difícil, às vezes. Então estão ali as pessoas se comunicando uma com a outra, eu acho que a periferia se conhece muito mais do que os moradores de uma classe média mais alta próxima ao centro.



P/1 – Talvez seja mais vivo, mais quente, algo assim?



R – Sim, mais caloroso nesse caso.



P/1 – Entendi. Então, Guina, eu queria puxar agora pela questão do meio ambiente. 



R – Sim.



P/1 – Eu quero que você me aponte alguma coisa do meio ambiente aqui em São Bernardo, da sua infância para hoje ou alguma mudança que você viu acontecer, enfim, alguma coisa com essa temática ambiental.



R – Então, não discriminando essas pessoas que vieram de fora, porque elas vieram no propósito de ter algo mais para sua família, né, então, essas pessoas que acabaram indo e acabaram desmatando vários locais, nos morros e também nas áreas de mananciais, elas… O primeiro propósito da sobrevivência mesmo, né, então elas vieram, desmataram e construíram barracos, depois vieram outros, desmataram e construíram mais barracos e assim sucessivamente. Depois essas áreas, a própria Prefeitura, que não tem como, ela vai lá acaba dando condições a essas pessoas, água, luz elétrica e assim foi indo. Hoje até tem asfalto ecológico, né, mas eu acho que a grande, a grande questão em si nesta época, acho que de ordem governamental, de não ter tido uma condição na época, melhor, financeira de que essas pessoas pudessem vir mais, que tivessem alguma coisa que não desse um impacto tão grande como se deu em São Bernardo do Campo, um aumento de população muito grande, né. E esse aumento, o que aconteceu é que problemas sérios e dentre esses problemas, sérios os riscos que acontecem nessa época de chuva, né: deslizamento da encosta, pessoas morrendo. Então, infelizmente isso eu já acompanhei num trabalho num bairro chamado Dom Pedro, onde uma vez teve deslizamento, Rua da Bica, a gente acompanhou a mídia avassaladora, um dia depois a mídia vai embora, 72 casa interditadas, famílias saindo, indo para locais aí, acampamentos que a prefeitura fez.



P/1 – Me explica um pouco sobre isso, qual foi o seu papel nessa história?



R – Então, meu papel nessa história, porque foi o meu início na área de comunicação, eu tenho uma rádio comunitária, uma pequena emissora, aí eu aprendi a mídia avassaladora. Ela vem, ela tem que noticiar, mas no outro dia ela já tá noticiando outra situação, e o que acontece? Essas pessoas de 72 casas iam sair, tinham risco de vida, quatro, três pessoas de uma família e duas da outra morreram com o deslizamento, eu participei lá junto a essa rádio comunitária fazendo campanhas. Essas campanhas fizeram com que o bairro se comovesse, muitas igrejas diversas, evangélicas, católicas, espíritas ajudaram em campanhas de alimento e outros que acabaram indo ao local para ajuda, né. Hoje nós temos o mesmo problema ainda, porque as casas estão encostas e a qualquer momento pode acontecer uma tragédia, é o que acontece em São Bernardo e em outros pontos também.



P/1 – Certo, para finalizar, então, Guina, eu queria me contasse uma história de alguma coisa importante na sua vida, significativa que aconteceu aqui em São Bernardo, que tenha a cidade como plano de fundo e como personagem talvez.



R – Então, olha, a minha história hoje eu encontrei uma pessoa aqui que é responsável pelo evento, Ricardo Bastos, eu acredito muito nas oportunidades, desde a classe média abastarda à classe média alta. Então, eu estava diante de um cara culto, de uma empresa multinacional, mas dentre todo o projeto eu consegui passar para ele que nós temos um trabalho, que é uma pessoa abnegada, que é uma professora num bairro chamado Jardim Orquídeas, que ela por ela mesmo não tendo apoio de ninguém, ela pega, faz uma vez por ano uma passeata a favor do meio ambiente, os jovens da sala vão até a margem da represa e se plantam árvores. E eu passei essa pessoa que esteve aqui, escutou esse projeto, gostou, então eu acho que no meu trabalho de comunicação de acordo com o que eu aprendi de um veículo pequeno, hoje eu trabalho autônomo e hoje eu respondo por consultoria por três jornais, por uma webtv, que chama AmpTV, eu apresento o programa de esporte, uma rádio oficial, eu faço produção de um programa da jovem guarda, numa rádio comunitária, eu apresento também um programa de esporte, mas que se trata de educação, cultura e social; então eu acho que é a oportunidade que eu tive de um pequeno veículo, eu constituí várias as coisas, mas te encontram essas oportunidades, igual essa pessoa hoje que escutou o recado e ela se interessou em estar de alguma forma até essa professora.



P/1 – Certo, Guina, muito obrigado.



R – Eu que agradeço a oportunidade.



P/1 – Então, é isso.



R – Valeu.



P/1 – Obrigado pelo seu tempo.



--- FIM DA ENTREVISTA ---


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