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Compromisso com as bases

História de: Meg Guimarães
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/01/2022

Sinopse

Meg fala com carinho da Fazenda Lourenço, onde passou a primeira infância, na zona rural de Redenção do Gurgueia (PI); lembra da lida na roça e das brincadeiras com os irmãos. Seus primeiros estudos se deram numa escola rural, onde foi alfabetizada por sua avó. Migrou para o Distrito Federal em 1983 para continuar os estudos. Passou por privações. Fez o curso de magistério, depois graduou-se em Pedagogia e cursou uma especialização em Orientação Educacional, ramo da educação ao qual dedicou sua vida profissional.

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História completa

Lourenço era e continua sendo tudo para mim. Foi no Lourenço que eu aprendi a gostar da natureza, foi no Lourenço onde eu ajudava os meus pais na lida da roça, a cuidar dos animais. Eu me lembro, com cinco anos de idade, de meu pai plantando feijão, plantando milho, plantando arroz, numa espécie de maquininha que abria assim, colocava no chão e abria, e eu ia atrás fechando com o pé as covas; ou então ele abria com a enxada e mostrava para a gente, e a gente tinha que colocar a quantidade certa de grãos. A gente ajudava no plantio, ajudava na colheita, a arrancar os matos para não tomar conta da plantação. Eu cresci fazendo isso. Só depois com onze, doze anos de idade, é que eu fui para cidade para continuar os meus estudos, porque eu só fui alfabetizada nessa escola lá da zona rural. E aí eu tive que ir morar com parentes em Redenção do Gurgueia, que é a cidade, deixando os meus pais no interior, A minha primeira escola foi na zona rural, eu fui alfabetizada pela minha avó. A minha avó tinha um livro de histórias que ela lia para mim e para os meus irmãos mais velhos. Eu me lembro exatamente desse livro: era um livro pequeno, tinha um poucas gravuras, mas a gente viajava com aquelas histórias que nossa avó contava: ela ia contando e a gente imaginando. O meu processo de alfabetização começou aí, foi ali com a minha avó que eu passei a desenvolver um gosto enorme pela leitura. Depois eu vim a ser uma grande leitora. Aos catorze, quinze anos eu já tinha lido todas as obras de Machado de Assis, José de Alencar, e essa paixão pela leitura foi a minha vó que me desenvolveu como professora leiga, que foi a minha alfabetizadora. No início dos anos 1980 ainda não tínhamos escolas de ensino médio na cidade de Redenção do Gurgueia. Quem concluiu ginásio, se quisesse continuar os estudos, tinha que se deslocar para outra cidade. A maioria dos jovens da minha cidade ou vinha para Brasília, quando tinha parente ou algum conhecido, ou ia para Teresina, que é a capital. Como meus tios moravam aqui, meu pai e minha mãe resolveram me mandar para Brasília para continuar meus estudos. Iniciei o ensino médio em março de 1983 numa escola pública, no CEI 3 do Gama, Eu não passei fome, mas passei por muitas privações. Quando a coisa ficava difícil, o meu pai vinha e trazia caixas de alimentos para ajudar. Foi muito, muito difícil essa experiência. Imagina você romper com a sua família, com o seu pai, com sua mãe, as pessoas que você mais ama, seus irmãos que ainda precisavam de você, com quem você tinha uma relação próxima de carinho, de afeto, seus amigos, suas amigas, seu primeiro amor, eu tive que deixar para trás meu primeiro amor. Eu sofri muito para poder continuar meus estudos em Brasília. Eu continuei estudando e fiz concurso para orientadora, porque era o meu objetivo, eu queria ser pedagoga orientadora educacional. E aí, quando eu estava atuando na Regional de Ensino de Santa Maria há um ano e três meses, mais ou menos, eu fui chamada para assumir a vaga de Orientadora Educacional. Nesse concurso eu passei em primeiro lugar no DF, na Secretaria de Educação. E estou aqui até hoje, como orientadora, aguardando minha aposentadoria, considerando que eu já completei os critérios básicos para me aposentar, ou seja, idade mínima, tempo de contribuição, tempo de serviço público. As minhas primeiras aproximações [com o movimento social] se deram a universidade. Na Católica eu já comecei a me embrenhar pelo movimento estudantil. Eu fazia parte do CA de Pedagogia, fui eleita em uma chapa à época. Meu curso durou três anos e meio e nesse período eu comecei a me envolver com movimento estudantil na Católica. Ali eu comecei a despertar para a luta, não só do movimento estudantil, [mas] a luta por melhores condições na universidade. Eu entrei como professora mesmo em 1997, no final de 1996. Fiquei um ano e três meses depois como orientadora e em 1998 foi que eu comecei a participar mais das assembleias. Me filiei ao SINPRO, comecei a participar das assembleias da categoria, das greves, e ali eu comecei a ter um olhar diferente. Falei assim: “Gente, isso é muito interessante: a gente pode lutar para melhorar nossas condições de vida, de trabalho, para melhorar nossa carreira”. Aquilo ali me encheu os olhos de esperança E daí chegou o momento, depois de eu entrar no sindicato, quando foi constituída chapa cutista de 2010 e eu fui convidada a participar, a compor a chapa como suplente. Esse grupo assumiu em 2010, e eu só fui assumir em 2011, seis meses depois, e de lá para cá eu estou na direção do sindicato. Depois eu concorri mais uma vez, mais outra vez, e esse último mandado, que eu estou concluindo agora. Eu vim compor a diretoria do SINPRO a partir de uma construção na base. Eu não vim assim, de repente: “Agora você ser diretora sindical, você ser vice-presidenta da CUT”. Não: eu fui preparada, fui construída, forjada. Fui me envolvendo cada vez mais e fui parar na direção do sindicato e na direção da CUT-DF. A organização no local de trabalho é fundamental para a sustentação da luta sindical, e nós, como somos cutistas, temos a velha tradição de sindicato classista de luta, que tem uma relação muito próxima com a sua base, da base que representa.

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