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História

Como uma luva na Aberje

História de: Anna Chala
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/11/2013

Sinopse

A entrevista de Anna Challa foi gravada pelo Programa Conte Sua História no dia 26 de setembro de 2013 no estúdio do Museu da Pessoa, e faz parte do projeto "Aproximando Pessoas - Conte Sua História". Filha de imigrantes Húngaros, tem uma irmã gêmea que mora em Detroit. Desde os 18 anos de idade Anna Chala já cuidava da casa e de seus pais e tinha uma convivência ótima com os irmãos que ajudava com esses cuidados. Anna não conseguiu terminar os estudos por ter que trabalhar para ajudar os seus pais e não existir escolas no período noturno. Hoje trabalha na Aberje com relações públicas e já tem 36 anos de empresa.

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História completa

Eu tenho uma irmã gêmea, chama Isabel, ela não mora aqui, ela mora em Detroit, Michigan, e eu tenho um irmão que faleceu, chama José, já está falecido há mais de 20 anos. Meus pais eram húngaros, vieram daquela leva que traziam imigrantes para o Brasil, eles vieram pra São Paulo e primeiro moraram ali na, no centro da cidade, aí depois compraram o terreno aqui na Lapa e vieram morar aqui na Lapa. A convivência era muito boa porque os meus pais, o meu irmão, a idade de diferença do meu irmão era de 13 anos, o meu irmão, quando nós nascemos o meu irmão já tinha 13 anos. Com 18 anos eu já tomava conta dos meus pais, já tomava conta da casa, então eu já tinha uma outra experiência de vida, então eu tinha um compromisso com os meus pais, porque como eles tiveram comigo, com a minha irmã, com todos, a gente respeitava muito isso então a convivência foi muito boa tanto com a minha irmã como com o meu irmão. Eu só fiz o segundo grau, que nem eu falei pra você, porque não tinha colégio particular como tem hoje, não existia nem aula à noite, não existia esse termo, escola à noite, então eu tive que parar pra ajudar os meus pais, aí eu comecei a trabalhar. Já vim trabalhar aqui no Largo do Arouche, na Rua Frederico Abranches, fui aprender, aí nesse meio tempo abriu-se uma fábrica de luva aqui em São Paulo e o dono era húngaro, meus pais eram húngaros e aí eles fizeram uma proposta, vieram conversar comigo, se eu não queria ir trabalhar com eles, eu falei: “Eu vou, mas eu não entendo nada”, ele falou: “Não, mas você não tem que entender, você vai aprender fazer a luva pra ensinar os outros”. Tudo bem, eu fui, só que já com 17 anos eu já era gerente. Depois fui pra uma galeria, e tinha a loja que chamava Luvalândia, e lá trabalhei dez anos, fui gerente da loja, fazia compra, que a dona lá ela viajava muito, quando chegava janeiro, fevereiro ela ficava com os netos em Londrina e quando chegava junho e julho ela ia pra Europa. Na loja no começo quando eu fui só tinha luva, mas como caiu a moda da luva, começou já o pessoal não comprava, não fazia mais questão da luva aqui, aí eu comecei incrementar, por guarda-chuvas, tinha guarda-chuva, mas eu incrementei, comprar guarda-chuvas mais modernos, aí compramos capa de nylon, que era moda, a fábrica ficava na Barra Funda, compramos aí vários tipos de capa, capa de chuva, capa de inverno. E aí começamos, trabalhava muito com luva de inverno também porque as pessoas que viajavam, aí começamos a incrementar com cachecol, com chalé, aí com flores, cachecol, tudo pra, não só luva, pra você poder trabalhar. E a gente vendia muita luva pra costureiros que nem o Dener, Clodovil, qual é o outro que era? O Renato Esper eu atendi muito pouco ele, ele era novo, era muito novo, quando eu comecei a trabalhar era o Dener, então ele trabalhava com a Madame Boriska, que fazia os melhores chapeis do Brasil, então a Madame Boriska era muito dona, muito amiga do Tibor na fábrica de luva, então tudo que se fazia acompanhava a luva e as flores. Depois fui aprender a datilografar pra trabalhar no jornal da Aberje. Sozinha, fui lá com dois dedos, aprendi, comecei fazer, aí fui aperfeiçoando melhor o português, aí comecei, ela escrevia as cartas e eu mandava fazer a cópia pra mandar pros associados, que aí eu tinha que fazer envelope, envelopar, botar a carta dentro, ir no correio porque aquele tempo não tinha nem fax então tinha que ser tudo pelo coisa. Aí depois teve a primeira eleição na Aberje, a primeira eleição foi a turma do Amaury Beleza Marchese, o pessoal da General Motors, da Gessy Lever, que foram e aí que eu fiquei muito apreensiva. Hoje eu tenho 36 anos de Aberje.

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