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Como me tornei professora

História de: Suene Carvalho
Autor: Suene Carvalho
Publicado em: 17/09/2018

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Meu nome é Suene Marques Carvalho, tenho 29 anos, casada e não tenho filhos. Quanto fiz 18 anos e terminei o ensino médio, minha mãe queria muito que eu fizesse um curso superior e se propôs a pagar, já que eu não trabalhava na época, isso foi em 2006. A princípio, eu queria cursar administração, porque eu pensava ser uma pessoa extremamente racional e adorava exatas (nada que precisasse pensar e refletir muito). Quando procurei o polo da Unimes, em minha cidade, ainda não havia alunos suficientes para formar uma turma de administração. Foi então que minha mãe praticamente me obrigou a cursar o curso de pedagogia, mesmo estando contrariada com a ideia.

 

No meu pensar, eu não gostava muito de criança pelo fato delas gritarem muito, fazerem muita birra, serem mimadas e fazerem apenas o que queriam. Pensava assim, porque quando eu fiz 10 anos, em 1998, minha mãe engravidou da minha irmã mais nova e eu tive que assumir responsabilidades como cuidar dela, sair correndo da escola, para chegar em casa, esquentar o almoço e leva-la a creche e a tarde ir busca-la. Bom, voltando ao assunto, da escolha de cursar pedagogia, eu achava um verdadeiro tédio esse curso, não me identificava e não conseguia me ver rodeada de crianças “chorando na minha cabeça”. A minha infelicidade durou um ano. Era um verdadeiro martírio. Até que em uma briga com minha mãe decidi largar a faculdade e ir trabalhar. Não me arrependo disso, pois se não fosse assim, eu não teria me descoberto tão feliz hoje.

 

Depois de sete anos longe dos bancos escolares e de ter trabalhado em diversas áreas como balconista, vendedora, doméstica, babá, auxiliar de produção e operadora de caixa, me vi desempregada, depressiva, com tempo ocioso de sobra e infeliz. Foi então que novamente minha mãe, me convenceu a fazer o curso técnico em Magistério e eu concordei, já que estava “à toa” mesmo. Foram os dois anos mais incríveis da minha vida, onde pude ter uma outra perspectiva da educação infantil, das responsabilidades e das maravilhas dessa profissão, onde no segundo período, enquanto fazia estágio, tive a oportunidade de assumir uma sala de aula, em uma escola particular. Esse curso tem duração de um ano e meio e assim que concluí o curso, decidi que não ia parar por aí e que ia seguir em frente. Me formei numa sexta-feira, dia quinze de julho de dois mil e dezesseis, e na manhã do sábado seguinte, estava fazendo vestibular para entrar na Unimes.

 

Passei e comecei a cursar pedagogia e desta vez não achei tão chato e entediante, porque as disciplinas já faziam sentido para mim, em função de ter cursado o magistério. Mas, para minha surpresa, em agosto de 2016, resolvi tentar a sorte um concurso público aqui na minha cidade, Três Corações, onde, nem eu mesmo acredito, passei!!!!!!!! E me sinto realizada pela estabilidade que a profissão me proporciona e lecionar para crianças de dois anos, onde posso vivenciar cada avanço e descoberta deles. E como isso é gratificante! Ao contar minha história, sabe o que percebo? Que tudo tem um momento certo para acontecer. Talvez, se eu tivesse me formado com 18 anos, eu não estaria tão realizada como estou hoje. Não é fácil trabalhar em dois horários e fazer faculdade ao mesmo tempo, muito menos lidar com a burocracia e cursos que faço simultaneamente, mas, quer saber? Isso só me mostra que sou capaz. 

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