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Comércio e Informática

História de: Carla de Cássia Vilella Leite
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 06/08/2008

Sinopse

Identificação. Moradia com os avós maternos e a mudança para Campinas. A infância passada em Poços de Caldas e Itumbiara. Os primeiros contatos com comerciantes. O comércio que abriu com a irmã e as primeiras experiências na área. Detalhes sobre as escolas em que estudou e os cursos que fez. A abertura da loja em Campinas, as vivências na atividade comercial junto com a irmã. Atuação no emprego atual e as características inerentes do comércio de equipamentos de informática. O cenário comercial de Campinas.

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História completa

IDENTIFICAÇÃO
Meu nome é Carla de Cássia Vilela Leite e eu nasci em Poços de Caldas no dia 2 de janeiro de 1963.

FAMÍLIA
Meus pais são Antônio Romero Cortês e Lígia Pompéia Vilela. Eu morei com os meus avós maternos até os meus 16 anos. A minha avó era dona de casa e o meu avô era funcionário público. Ele trabalhava com fontes luminosas em parques e jardins; ele era responsável pela parte elétrica e hidráulica de fontes luminosas. E tinha muito orgulho disso. Ele colocava essas fontes em funcionamento, levava as músicas que ele gostava, músicas clássicas, e eu participei muito: em todas as inaugurações eu estava presente. Tenho quatro irmãos, sou a segunda filha. Tenho duas irmãs e um rapaz. A minha irmã mais velha, é comerciante, trabalha com confecção e tem uma loja aqui na cidade de Campinas.

MIGRAÇÃO
Meu avô veio para Campinas, para manutenção ou construção de uma fonte luminosa na Lagoa do Taquaral. Essa fonte existe até hoje. Ele tinha uma vivência grande nessa área e foi convidado a vir. Ele aceitou o convite e nós viemos para cá. Na ocasião, pra ele era bastante interessante em matéria de salário, com benefícios. Foi esse o motivo da nossa mudança. E a família acompanhou. Nós moramos em Itumbiara, Goiás, e também moramos em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Eu tinha de 8 pra 9 anos quando eu vim para cá. Os lugares que eu morei eram cidades menores, se comparadas com Campinas. Quando nós viemos pra cá, eu fiquei maravilhada. A fonte onde meu avô trabalhava era maior, a cidade era maior, a escola onde eu fui estudar também era um colégio maior. E a primeira impressão foi essa: eu fiquei maravilhada. Na ocasião, eu era criança, mas era uma coisa muito importante estar morando numa cidade grande que até então não tinha acontecido. Meus pais se separaram, eu ainda era pequena, bem menina. A minha mãe morava com os pais, por conseqüência, eu, com os meus avós. Nós viemos todos aqui pra Campinas na transferência do meu avô. Ela começou a trabalhar aqui e a maior parte do tempo eu ficava com meus irmãos e com a minha avó. Coisas marcantes na vida de uma pessoa, a meu ver, aconteceram aqui. Por exemplo, eu me casei aqui, eu tive meus filhos aqui, e o meu primeiro emprego foi aqui. Eu tive oportunidades em Campinas. Hoje em dia, Campinas é a minha cidade. Eu não me sinto mais como uma pessoa que está aqui visitando. Também pelo tempo que eu estou aqui. Você vai criando alguns laços com a cidade, o que é difícil. Eu morei sim em outras cidades e acho que foi muito bom. Eu pude conhecer, apesar de nós estarmos no mesmo país, são culturas, às vezes... Algumas palavras que eu conhecia em Poços de Caldas, em Goiás não faziam sentido algum. É incrível isso, mas acontece. E eu conheci pessoas muito diferentes; foi muito bom, acrescentou bastante. Mas Campinas faz parte da minha vida. Tudo o que aconteceu de muito bom aconteceu aqui.

CIDADES / POÇOS DE CALDAS / MG
A família da minha mãe mora lá até hoje. Eu tenho muito contato com a cidade e sempre que possível, férias ou feriado, nós vamos para lá. Poços de Caldas é uma cidade extremamente fria no inverno. Isso foi uma coisa que marcou muito a minha infância. Eu fui usar sandália, roupa de alto verão só depois, quando saí de lá. Eu me lembro que era uma cidade muito gostosa. Meu avô e minha avó faziam questão de conservar a tradição do Papai Noel, da Páscoa; essas datas, em casa eram muito comemoradas. É uma lembrança gostosa, está ligada à cidade de Poços de Caldas, mas sempre ligada a uma região fria. Eu lembro que, na ocasião, meu avô comentava da dificuldade de trabalho na cidade; até por isso que acabou sendo promovido, mas é uma lembrança muito boa que eu trago de Poços. Eu morava em Poços de Caldas na Rua Assis Figueiredo. É uma rua importante lá da cidade. E tinha mercados ali próximos. Normalmente lugares onde vendiam fruta, verdura, açougue. Era diferente, não tinha tanto hipermercados; era tudo ali a duas quadras de onde nós morávamos. Em alguns casos, quando era compra de mês, era uma casa onde tinha muita gente, levavam, entregavam pra nós, mas era tudo ali naquele bairro, tudo pertinho, não tinha nada muito longe. Até hoje a referência ali na região é Poços de Caldas. Porque tem cidades próximas que são menores e o pessoal vai fazer faculdade em Poços de Caldas. Se existe uma festa, eles vão contratar serviços em Poços de Caldas. Eu acredito que Poços de Caldas é referência na região.

INFÂNCIA
Nós somos em quatro irmãos. Tenho primos mais ou menos na minha idade. Os meus tios maternos têm uma diferença grande de idade para a minha mãe, então eram muitas crianças numa faixa de idade bem parecida. E lá morávamos em casa. Tinha no quintal a cabana de bambu, brincávamos de soltar pipa, fazer desenho; eu desenhava, adorava desenhar. Às vezes, eu desenhava e vendia meus desenhos para os meus primos colorirem. Tinha gato, cachorro, algumas oportunidades que hoje em dia é difícil de você ver; as crianças não têm o mesmo espaço, não podem explorar do mesmo jeito, mas eu tive essa felicidade. Eu e meus irmãos brincamos muito. Era uma bicicleta só pra todo mundo e todo mundo andava. Era uma outra realidade, mas muito boa. A família era assim, um conceito muito forte entre nós. Hoje em dia, todos são adultos, cada um mora numa região e não temos essa convivência. Mas, aniversário é lembrado, datas importantes, procuramos estar muito próximos, porque isso foi muito enraizado na infância. A minha avó era filha de italiano. Ela falava alto, gesticulava, era brava. Eram muitas crianças e ela tinha que se impor. Mas era dividido assim: vai ao mercado, vão três juntos; outro passeio, outro compromisso, vão outros três. Era bem disciplinado, funcionava direitinho. Ela, apesar de ser avó, o mimo maior sempre foi por parte da minha mãe, que compensava, como ela trabalhava, o pouco tempo que ela estava ali conosco durante o dia. Ela dava muita atenção, dava muita coisa, era uma pessoa extremamente inteligente, fui mimada das duas formas. Normalmente, quem fosse com minha avó fazer compras ganhava um presente. Nós ajudávamos também, ia buscar, transportava sacola, enfim, eu estava sempre junto. Aprendi até a pechinchar. Essa minha parte de comércio, de tentar negociar, de tentar intermediar, já vem de longe.

FORMAÇÃO
Em Poços de Caldas era um colégio Adventista, mas eu não me lembro o nome da escola. Lá eu fiz o que seria o pré-primário, o equivalente a isso. Depois, a escola, de fato, eu estive em Itumbiara, onde eu comecei, onde eu fiz primeiro e segundo ano, se não me engano. Mas foi em Itumbiara, já, uma outra cidade no interior de Goiás. Foi muito bom, eu me saí, modéstia a parte, eu sempre me saí muito bem nas escolas, nos cursos que eu fazia. E eu gostava também, muito, de aprender. O meu avô incentivava demais, minha mãe também, eu nunca tive nenhuma reprovação, eu nunca tive nenhuma advertência, ficou uma lembrança boa da escola, dos professores, dos amigos, foi bem bacana. O meu avô adorava astronomia. Eu imaginei que eu fosse fazer qualquer coisa ligada... Eu não sei se de tanto ouvir falar. Na minha época de criança, também em Poços de Caldas, ele montou um telescópio pra nós. Montou um projeto e na ocasião ia muita gente em casa pra ver. Lá tem a facilidade, nós morávamos em um lugar alto e o céu era muito limpo; tinha essa facilidade. Eu imaginei que eu fosse fazer física, alguma coisa que fosse nesse sentido, mas acabou que não aconteceu. Depois eu comecei a trabalhar com comércio, fiz um curso há algum tempo atrás de programação de computador, eu gostei muito dessa parte de lógica, me atraiu demais, quando fui fazer a faculdade, já adulta, com os filhos criados, acabei pendendo pra alguma coisa ligada à informática. E acho que me dei bem, estou muito feliz com a escolha. Quando eu vim para Campinas, o primeiro colégio em que eu estudei foi o Joaquim Ferreira Lima, uma escola estadual; eu fiz primeiro e segundo grau lá. E depois eu parei, me casei e tive dois filhos. Parei com os estudos, parei de trabalhar. Quando os meninos já estavam maiores, já estavam independentes, voltei a trabalhar. Fui contratada por uma empresa de Telecom e, de certa forma, a minha promoção estava vinculada a uma graduação. Para que você fosse promovido, você teria que ter a faculdade. Escolhi a faculdade de ciência da computação. Fiz uma pesquisa e foi a que mais me atraiu. Eu fiz a faculdade agora, depois de adulta, meu filho mais velho terminou a faculdade antes de mim, foi interessante. Em alguns casos eles até me ajudaram, em outros casos pelo contrário, eu que ajudei; em algumas matérias eu que dei a mão, encaminhei. Mas eu fiz a faculdade agora, é bem recente. Eu estudei lá, no Joaquim Ferreira Lima, e fiz alguns cursos. Eu fiz curso técnico de programação no SENAC [Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial] e fiz curso na People, mais cursos profissionalizantes, cursos técnicos.

CIDADES / ITUMBIARA / GO
Nós sentimos bastante a mudança para Itumbiara. Poços de Caldas era uma cidade muito fria, a família toda morava lá. Todo fim de semana tinha uma festa, tinha sempre um evento, um acontecimento, enfim. Em Itumbiara nós ficamos longe da família, do que seria a outra parte da família, as tias, primos. E era uma cidade extremamente quente, muito calor, a terra era diferente. Eu me lembro que nós começamos a nos acostumar com as roupas usadas lá. Eu sou alérgica a inseto e lá, na época de verão, tinha mosquito, pernilongo. No meu caso foi complicado pra eu me adaptar à cidade. Gostava também, porque era calor, tinha outros encantos. Tinha piscina, tinha clube. Qualquer casa lá, por mais simples que fosse, sempre tinha uma piscina. Foi muito bacana. Mas na ocasião eu adoeci, eu passei mal, eu emagreci muito até eu me adaptar com o lugar. Quando eu me adaptei nós mudamos de novo.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
Eu trabalhei como bancária, em consultório médico, em empresa de Telecom. Essa afinidade com as pessoas, de perguntar, de querer saber, de escutar, de tentar resolver é uma coisa que vem de longa data. Eu sempre gostei muito de estar em contato com as pessoas, eu sempre tive essa facilidade. Na maioria das vezes eu mais ouço do que falo, isso ajuda bastante. O comércio aconteceu agora, de uns 15 anos para cá. Eu e minha irmã mais velha abrimos um comércio juntas e eu tomava conta da parte comercial, eu vendia por telefone, vendia no cliente, vendia na loja e eu gostei muito, me saí muito bem, foi muito bacana. E de lá para cá eu procurei ir me aperfeiçoando, fiz alguns cursos para algumas técnicas de aprimoramento, enfim, é uma coisa que foi acontecendo, mas é uma coisa relativamente recente. Nós tínhamos uma confecção, eram uniformes para pré-escola, no bairro ali onde estava o comércio. Fizemos também uniforme pra academia de ginástica e também, até pela procura das pessoas, trazíamos algumas roupas que eram vendidas ali. Mas era muito bom porque era uma loja num bairro bom aqui de Campinas, que tem um pessoal com um poder aquisitivo maior, mas era uma coisa bem pessoal. Nós ficamos lá por cinco, quase seis anos, e eu conhecia muito bem cada uma das clientes; algumas compras já vinham endereçadas, eu sabia cor, tamanho. Era uma vivência muito gostosa, elas estavam sempre lá, compravam para o marido. Era muito bacana. E tinha também essa parte da confecção, mas a venda, nesse caso, era sempre via telefone. Quando marcavam uma visita, eu ia até a loja e finalizava. A loja tinha um perfil de loja de bairro. Nós não tínhamos o que seria o cliente do corredor; normalmente, as pessoas que iam lá iam indicadas por outras pessoas. Algumas compras que eu fazia já eram endereçadas, tomando sempre o cuidado de não trazer coisas repetidas porque eu sabia que ali era muito provável que se encontrassem em alguma festa, alguma ocasião. Tinha o perfil que eu chamo de loja de bairro. Conhecia todas as clientes por nome, sabia nome de marido, de filhos. Nós fazíamos uniforme pra uma pré-escola muito grande lá do bairro. Tinha esse relacionamento que eu acredito ser de empresa para empresa. Também com a academia do bairro nós tivemos esse relacionamento. Mas na maior parte dos casos era de empresa para pessoa mesmo; eram pessoas que iam para fazer compras. A loja ficava no Jardim Flamboyant, um bairro próximo ao Shopping Iguatemi, um pouco antes. Eu era responsável por toda essa parte comercial de vendas e de compras, programação financeira, programar pagamento, e minha irmã ficava com a parte da confecção propriamente dita. Nós tínhamos máquinas industriais e ela fazia o corte. Nós chegamos a ter três costureiras e ela acompanhava, mesmo porque eu nunca soube como funcionava isso; eu nunca aprendia a costurar, nunca tive facilidade como ela. Eu cuidava dessa parte comercial e a produção era dela, ela que confeccionava. Eu acredito nisso, se não for olho a olho não tem chance de dar certo. Até hoje lá na Casa do Notebook quando chega alguém pra tirar uma dúvida, pra fazer um pedido, pra comprar uma peça, tem que ser assim: eu tenho que ouvir o que a pessoa quer. Normalmente, eu repito pra ter certeza de que entendi o que ela está pensando. O retorno sou eu mesma que vou dar. Quando eu sou chamada pra intervir em alguma situação lá, dos meus vendedores, eu acho importante isso, eu confio nesse jeito. É assim que eu acho que as coisas têm que ser resolvidas mesmo.

JUVENTUDE
Na juventude eu trabalhava no Bradesco. Meu marido trabalhava comigo lá e saíamos à noite, tinha amigos, minha melhor amiga mudou-se para o Canadá, nós tivemos muito contato com ela lá, no Canadá, embora eu nunca tivesse saído daqui, nós acompanhamos muito a vida dela lá nesse período. Foi bacana. Eu me casei muito cedo, tínhamos planos de faculdade, tanto eu quanto ele, mas nos casamos, tivemos que batalhar, pagar aluguel, essas coisas, tivemos que dar uma parada, dar uma adiada, vamos dizer assim, no que a gente planejava, na ocasião.

CIDADES / SÃO PAULO / SP
São Paulo nunca foi uma cidade que me atraísse muito. Eu estive algumas vezes em São Paulo quando eu tinha loja; fazia muitas compras lá. Ia, às vezes, pra assistir a algum show. Eu fui ver os Tenores lá em São Paulo. Ou, às vezes, ia pra algum passeio, teatro. Eu estive lá em ocasiões especiais e poucas ocasiões. Eu estive mais no Rio de Janeiro, nesse período, do que em São Paulo. Nós íamos sempre com o carro da família.

COMÉRCIO DE CAMPINAS
O comércio de Campinas mudou. E mudou a minha situação também. Eu acho que alguns problemas que eu tinha como dona da loja, hoje em dia não tenho. Algumas preocupações como funcionária, por mais comprometimento que você tenha, alguns problemas cabem ao proprietário decidir e você tem menos autonomia. Da cidade de Campinas, das pessoas, da necessidade, da forma, da cultura do campineiro, eu não percebo muita diferença não, eu acho que se mantém. Também não é um período tão longo assim. Aqui na cidade de Campinas tem um lugar que é relativamente famoso, chama Banca do Alemão. É uma banca de jornal muito grande, ali tem tudo, tem apostila pra concurso, tudo o que você precisar nesse gênero, ali você vai encontrar. E é bacana porque ele atende um grande número de pessoas de classes diferentes, com necessidades diferentes e atende de uma forma gostosa. Ele escuta o que você quer e, às vezes, sugere alguma coisa, com propriedade; ele sabe do que está falando, embora não seja um estabelecimento convencional, eu acho que é um exemplo. Eu não sei há quanto tempo ele está, exatamente, mas não é de hoje. É coisa antiga. E é famoso aqui, faz parte já da cultura da cidade.

CASA DO NOTEBOOK
Eu estou na Casa do Notebook há pouco tempo. Entrei lá há um mês e meio, fui convidada pra ser supervisora da loja. A Casa do Notebook é uma empresa que vai fazer 20 anos. Em São Paulo é uma empresa que tem um nome muito forte. Eles têm três lojas em São Paulo, tem outras duas lojas no interior, uma aqui em Campinas. Mas aqui em Campinas é uma loja relativamente nova, inclusive, o pessoal aqui de Campinas, professores da Unicamp [Universidade de Campinas], alunos da Unicamp, pessoal que está fazendo, desenvolvendo pesquisas, indústrias grandes daqui de Campinas normalmente mandam as máquinas, os notebooks para serem consertados em São Paulo. Por isso que foi escolhido Campinas para ser aberta uma loja. Só que aqui em Campinas ainda não tem a mesma força que São Paulo. É uma loja que ainda está se fazendo conhecer. Tanto é que eu ligo daqui: "Eu estou falando da Casa do Notebook". Eu tenho feito esse contato com as empresas e eles dizem: "Mas de qual loja de São Paulo você está falando?" Ainda é uma coisa nova pra eles. Claro, vai levar algum tempo até que tenha a mesma força que São Paulo. É claro que não vão ter as mesmas vendas porque são cidades diferentes, isso tudo é considerado. O campineiro sai daqui, põe o notebook no carro, normalmente perde a manhã de sábado pra levar a máquina até lá sendo que seria muito mais fácil trazer a máquina aqui no Shopping Galeria. Essa foi a idéia do proprietário. Quando nos falamos pela primeira vez ele comentou, eu concordei com ele. Eu realmente acho isso e sei... Como eu estou aqui há muito tempo, até pela faculdade que eu fiz, os amigos que eu conquistei eu sei que realmente o pessoal tem essa de levar a máquina pra lá, porque a Casa do Notebook é especializada em notebook e isso faz muita diferença, principalmente na assistência técnica. A idéia é fazer a Casa do Notebook aqui parecer Casa do Notebook mesmo, ser uma extensão das lojas de São Paulo. Eu estou lá há um mês e meio e quando eu entrei já tinha uma equipe de vendedores, nós estamos se conhecendo, ajustando, eles estão me ajudando, porque embora eu tenha feito a faculdade, lá a parte que tem mais ênfase é a parte de hardware, uma parte que na faculdade, ela é vista de uma forma mais macro. Mas os mínimos detalhes, eu estou aprendendo aqui com eles, essa vivência que eu tenho em vendas, eu estou tentando passar para eles. É claro que é outro perfil, é um comércio sim, mas de um outro produto, com um outro público, mas algumas coisas são básicas em qualquer atendimento, qualquer venda, de respeito pelo cliente, de você esclarecer, de você ter certeza de que o que você falou foi entendido por ele. Essas coisas eu acho que dá para trazer de lá pra cá. Eu estou gostando muito, aprendendo bastante. Volta e meia eu não tenho aquela resposta pronta e eu tenho que buscar e isso é muito bom porque estou revendo livros da faculdade, estou procurando em outras fontes, tem sido muito bom, da minha parte. Na expectativa do proprietário, nós temos nos falado muito, eles têm me dado muito apoio em como conduzir a loja. Aqui em Campinas eu estou como responsável pela loja e até por conta disso, periodicamente, eu vou a São Paulo para esclarecer algumas dúvidas.

TECNOLOGIA E INFORMÁTICA
Nessa área da informática, a Unicamp é a maior de todas. A ciência da computação é relativamente nova. Essa procura pelo conhecimento é uma coisa que sempre me fascinou, é uma coisa que sempre mexeu muito, não tinha realmente como eu não dar vazão a esse lado. Em informática, o que me preocupa bastante, por exemplo, é que você faz um curso de informática e não pode se dar ao luxo de parar de estudar nunca, nunca. É claro que toda área tem seus avanços, é incrementada, mas no caso da informática, isso acontece em uma velocidade muito alta. Por exemplo, você não acha um livro de uma linguagem nova no sebo, é um conhecimento dispendioso, qualquer curso que você vai fazer, qualquer livro que você vá comprar é coisa muito top, coisa muito recente então custa caro. E nisso eu vou, é claro, procurando alternativas, às vezes é algum amigo que passa algum texto. Agora que eu estou na Casa do Notebook fiz questão de ligar pra todo o pessoal que eu conheço e falar que estou lá. Quando tem algum artigo relacionado, quando tem alguma matéria que o pessoal que está na área tem acesso, eles me mandam, eu corro atrás. Mas é muito dinâmico, nós já esperamos esse dinamismo. Hoje entrou um senhor com uma máquina na loja, hoje de manhã, ele falou: “Olha, eu estou vendo se compensa eu arrumar ou não essa máquina, porque ela já está comigo há quase um ano, está na hora de trocar por uma nova.” E ele realmente tem razão, depois que ele comprou essa máquina já foram lançados “n” modelos, configuração bem maior, mais potente, mais robusta. Já se criou essa expectativa, as pessoas já sabem disso. Em informática, às vezes, chega uma peça para mim, dali a pouco é substituída por uma outra que está tendo uma procura maior e quem é cliente passa lá com regularidade, vai me perguntar sobre essa peça. Me assusta um pouco, de verdade, porque você tem que estar lendo revista de informática, livro, internet, mas eu acho muito bom, eu gosto muito; apesar de um pouco assustada, eu me sinto estimulada em procurar, buscar, é muito bom.

COMÉRCIO DE NOTEBOOK
Uma cidade como Campinas, grande e com muitas oportunidades, em muitos casos o notebook virou uma ferramenta de trabalho. Sábado mesmo esteve um advogado na nossa loja que tinha um notebook onde ele guardava a vida dele e essa máquina travou. Ele estava desesperado. Inclusive nós aconselhamos a fazer o backup, algumas dicas que nós temos adquirido até pela experiência, e tentamos passar isso para o cliente. É claro que a intenção é orientar e cativar também, afinal de contas nós vivemos para atendê-los. É uma ferramenta de trabalho, tanto advogado, engenheiro, administrador, essas pessoas têm ido na loja com freqüência, ou para aumentar a memória ou para trocar o HD [Hard Disk] que já não está atendendo. Em alguns casos vai procurar uma máquina nova porque precisa de um desempenho melhor. Isso já é parte do dia-a-dia. É uma ferramenta de trabalho do mesmo jeito que levavam bloco e caneta há algum tempo atrás; hoje levam notebook, pendrive, mouse apresentador. Eles vão usar isso no dia-a-dia, não tem como fugir. Acabam gostando também, porque facilita a vida. É uma forma de estar com tudo a mão, é uma coisa muito dinâmica, o que você não usa mais você apaga, o que você precisa você grava. Na Casa do Notebook tenho a oportunidade de ver isso. Tem ido algumas mães pra corrigir o notebook do filho (risos), porque além de ser uma ferramenta de trabalho, ele também faz parte do lazer da família. Teve uma criança que instalou um programa que baixou da internet, travou toda a máquina, a mãe estava desesperada. É uma realidade, não é um caso ou outro, é um caso que tem acontecido com freqüência. É bom porque na maioria das vezes a pessoa chega lá aflita sem saber por que; embora faça parte da vida das pessoas, elas são usuárias e quando acontece um problema desse, elas ainda não sabem como fazer e recorrem às empresas especializadas. A Casa do Notebook eu acredito que seria a referência maior. É um mercado novo, porque a informática já está conosco há algumas décadas. O notebook, ainda não são todas as pessoas que têm a possibilidade de comprar. Um computador, às vezes, é usado pela família e o notebook normalmente é usado por aquela pessoa, pelo profissional, ou pelo adolescente que usa para fazer pesquisa na internet. Hoje em dia nós temos muita procura, inclusive de garotinho mesmo, de oito ou nove anos que chega e fala: "Escuta, você tem o notebook dessa marca, desse modelo." Ele sabe o que está falando, ele conhece, realmente o modelo. Na verdade, ele já pesquisou, é um produto que ele conhece, que ele tem afinidade. Você tem que estar preparado pra isso, porque modelos são lançados com muito dinamismo. Às vezes, a diferença de um para o outro é uma diferença de quem conhece a arquitetura, identifica com facilidade, agora o consumidor ele já olha: “Eu quero com tanto de memória, HD de tanto..." Já vai sabendo o que ele vai buscar. Dentro dessa aplicação nós procuramos indicar a melhor máquina, custo benefício, o que vai atender plenamente, que ele não vai precisar gastar mais do que pretendia. Você tem que parar pra ouvir e perceber o que seriam os detalhes que fazem toda a diferença. O atendimento faz diferença. Uma casa especializada é diferente de um grande magazine, que o vendedor que está lá talvez não conheça o produto com tanto detalhe como deveria para poder indicar. Meu irmão tem um negócio próprio, presta serviços e outro dia me ligou: "Olha Carla, vê pra mim quanto é que está saindo um notebook, com rede wireless. Eu preciso desse retorno para os meus clientes.” Ele tem uma empresa de mecânica de empilhadeira e eu nunca imaginei que ofereceria um notebook pra ele. Ele usa o computador da empresa, mas ele vai ter acesso no final do dia, quando ele chega na empresa. Ele está na rua na maior parte do tempo e o notebook vai estar com ele ali. É uma coisa dinâmica, como se fosse um bip de antigamente. Ele tem como verificar cotação de peças, mandar um e-mail. É uma coisa que eu acho que não tem volta. Criou-se essa necessidade. Você liga pra uma loja, você fica impaciente, você precisa do retorno deles em alguns minutos, a loja vai ter que se virar para te dar esse retorno. Faz parte da necessidade. Computador é ótimo, mas você não pode andar com um PC, você não pode andar com uma CPU [Central Processing Unit] debaixo do braço. Você está com o notebook ali, você tem carregador que você conecta no seu carro mesmo se você está sem bateria. Eu acho que ele facilita muito, ele te dá uma série de possibilidades. Você está em contato com o seu negócio em tempo real. Eu acho interessante isso e hoje em dia quem é que pode se dar ao luxo de demorar pra responder a um cliente ou um professor demorar pra responder a dúvida de um aluno. Acredito até que vai ser um produto mais divulgado, assim como o computador, o PC é hoje em dia. Tomara que diminuam os preços pra ser uma coisa mais popular, mais ao alcance de todo mundo, mas a tendência é essa, eu não vejo de outra forma.

TRANSFORMAÇÕES
Eu tenho dois filhos. Hoje em dia já estão formados. Um deles fez engenharia e o outro administração. Eu pude participar muito ativamente dessa geração. Não só com computador, mas qualquer coisa, até o controle remoto da televisão, que eu levava algum tempo pra entender; pra eles é uma coisa natural porque o mundo é outro. Eles aprendem isso desde muito pequenininhos. É uma evolução, uma máquina que veio para ajudá-los e se souberem como usar vai ajudar muito, eles vão ter que tirar muito proveito disso. Eu acho muito bom, principalmente as crianças que entram na loja perguntando. Eu fico conversando pra ter a oportunidade de saber até onde eles vão, porque às vezes foi o pai que mandou falar isso: "Escuta, pra que você vai usar, pra que você precisa?" "Eu vou precisar disso por conta de..." Quer dizer, eles realmente dominam. É uma coisa muito natural pra eles. Mas eu acho isso muito bom, faz parte da vida deles, eles não vão ter o mesmo tempo que nós, o mundo deles é um mundo muito dinâmico, eles vão ter que aprender a lidar com essa tecnologia e eu acho que eles estão no caminho, eles estão indo muito bem. Essa transformação já aconteceu, já é uma realidade. Hoje em dia, relacionamento é através de sites. Eu mesma já li livro no computador. Quero ouvir a música de um cantor de minha preferência, entro no site. Faz parte. Todo e qualquer negócio tem essa parte de tecnologia, de informática. Às vezes é uma banca pequena de um produto e você recebe o cartão da pessoa e já tem lá o site, o e-mail, é uma realidade, não tem como você negar isso. O notebook é só uma ferramenta dessa realidade que já existe, é só um novo conceito de você ter a facilidade de pegar o computador que você precisa, colocar debaixo do braço e andar com ele por aí. E você vê que vão facilitando, o que tem de acessórios para você conectar no seu notebook... Aumenta suas possibilidades, pode se conectar, uma série de equipamentos que já vêm com o mesmo conector para você plugar na sua máquina, os fabricantes já perceberam essa realidade e lançam produtos com freqüência. É muita coisa nova chegando e, claro, em cima disso tem toda uma pesquisa, tem todo um amadurecimento da idéia. Mas o notebook é uma questão de tempo... Vai colocar na bolsa do teu filho que vai para o colégio, vai levar o notebook, vai fazer parte do aprendizado dele. É como se fosse uma cartilha. Eu acho que lápis, tabuada, essas coisas que aconteciam na minha época, serão substituídas pelo notebook.

ATENDIMENTO
Nós recebemos as consultas via e-mail, telefonema e como estamos dentro de um shopping, o pessoal vai muito a loja, às vezes para esclarecer dúvidas. Porque por e-mail, normalmente, a pessoa pede alguma informação e eu respondo ali; se fica alguma dúvida, eu me coloco à disposição pra levar adiante porque é diferente de você comprar um sapato. É um produto que requer um pouco mais de cuidado tanto de quem compra quanto de quem vende. É claro que minha intenção é vender um bom produto pra aquela pessoa, pra aquela necessidade, eu faço todo um caminho de procurar saber qual vai ser a aplicação, quem vai usar, pra indicar. Existe também muito o contato telefônico, nós fazemos a venda. Normalmente, quem faz a compra, a especificação desse produto, é uma pessoa que já está preparada pra isso, já conhece, principalmente quando se trata de uma empresa. Dentro do que ele está me pedindo, eu ofereço algumas opções. Nós damos aquele suporte pós-venda, liga pra saber: "Olha, já está em funcionamento? Como está indo? As suas expectativas em relação ao produto?" Nós fazemos esse acompanhamento. Nesse acompanhamento você fica sabendo de um novo projeto que vai envolver outro equipamento. Quando é uma pessoa física, alguém como um profissional liberal ou um adolescente mesmo - que eles gostam muito - vão até lá, explicam as suas necessidades. Eles gostam de ir lá pra pôr a mão, pra testar o equipamento, pra ver. Em alguns casos, a carcaça do notebook vem com uma cor diferente, eles gostam disso, desse processo de compra. A empresa, quanto mais rápido você for, mais objetivo, melhor pra eles. Quando é uma pessoa, gosta muito de estar ali com você esclarecendo uma série de dúvidas, procuramos estar preparado para os dois casos.

CLIENTES
Para mim as pessoas são as mesmas, é a mesma essência. A pessoa vai querer um bom atendimento, espera de você um bom produto, espera de você objetividade. São produtos diferentes e o público também é diferente, mas a forma de lidar com esse público não. Você tem que conhecer bem o seu produto, você tem que identificar a necessidade do seu cliente e tentar passar pra ele da forma mais clara possível. É claro que se você está falando com um analista de sistemas, os termos que você vai usar são outros; se você está falando com a mãe de um adolescente, ela não conhece aqueles mesmos termos, a linguagem é outra, mas é importante nos dois casos você esclarecer as dúvidas desse cliente e alguma coisa que ele talvez não tenha perguntado. É importante que ele saiba e que você, naquela oportunidade, possa passar pra ele. Embora seja uma loja de um shopping e um produto de tecnologia, o cuidado que eu tenho com os clientes da Casa do Notebook procuro que seja exatamente o mesmo cuidado que eu tinha com as clientes da minha loja na ocasião que eu vendia confecção; adequando o vocabulário, o tratamento, mas é basicamente a mesma coisa.

VENDAS
A Casa do Notebook trabalha com vendas de equipamentos e acessórios. No entanto, o carro-chefe é assistência técnica. É alguém que já possui equipamento e leva pra corrigir um erro ou pra aumentar, fazer um upgrade nessa máquina. Na maioria das vezes eles me pedem um aumento de memória. Os programas cada vez mais pedem uma memória maior das máquinas. Tudo é muito rápido. De repente, uma máquina muito poderosa hoje, daqui um ano é uma máquina mediana. Eles vão lá justamente pra incrementar, pra aumentar a memória. Você vende memória, faz a instalação, orienta o cliente nessa área. No que diz respeito a acessórios é mouse apresentador pra professores, pra pessoas que dão palestras, vão buscar demais, vende-se muito. Pen drive é um produto que tem uma procura muito grande. E é de 1 Giga, 2 Gigas, que saía até dois meses atrás. Hoje em dia já são 4 Gigas e pedem maiores. Tudo é muito dinâmico, as coisas têm que ser compradas com clareza, porque não devem sobrar, são coisas que vão ser vendidas ali naquela ocasião. Nós temos a facilidade também, são cinco lojas, eu estou precisando de alguma coisa eu ligo e falo: "Fulano, você tem?" "Tenho" "Eu tô passando pra aí." Têm essa facilidade das lojas se comunicarem. Mas lá a assistência técnica é o que manda. Seriam acho que 70% do nosso movimento. Eu lembro que uma vez eu trabalhei em um sindicato e eu precisei comprar um computador. Eu fiz cotações em não sei quantas lojas, eram informações que se desencontravam; eu também não tinha uma experiência nisso e foi uma coisa muito difícil. Hoje em dia, quando é pedida uma cotação para minha loja, o comprador já tem a especificação. O comércio teve esse tempo de ajuste. Hoje em dia o comércio responde de acordo com a expectativa do consumidor, ou pelo menos está trabalhando em cima disso. Por exemplo, assistência técnica mesmo, num prazo de 48 horas nós damos retorno de qual é o problema da máquina e propomos uma solução. Às vezes, a demora é do cliente autorizar ou não esse serviço. É claro que é produtividade, quanto mais rápido tiver o retorno, maior também vai ser o teu rendimento.

CURIOSIDADES
Nessa empresa de telecom, eu trabalhava na parte que dava suporte ao cliente. Quando alguma coisa não estava de acordo ou o cliente estava com algum problema, passavam para o meu departamento, o back office. Essa empresa vendia a linha, o uso da linha, e a instalação dessa linha, embora fosse um telefone fixo, era como se fosse uma transmissão via celular, uma telefonia móvel: era um número fixo que ficaria na casa da pessoa. A instalação ia depender, é claro, da qualidade do sinal da casa do comprador. Ia um técnico da empresa, fazia toda essa apuração, fazia a avaliação pra ver a qualidade do sinal, e estando ok ele deixava a máquina lá. Acontece que uma senhora, morava em São Paulo, comprou esse transmissor, que era uma estação de transmissão do sinal e depois ela se mudou e levou esse transmissor com ela, sem que isso fosse permitido. Existia um contrato e isso era uma cláusula do contrato. Ela teria que ter devolvido, seria mandado outro transmissor e testaria novamente a qualidade do sinal. Era assim que funcionava. Mas ela levou esse transmissor, mudou pra outro bairro, que era uma zona de sombra, que nós chamamos, a transmissão ali não era boa, não tinha condição de a linha funcionar perfeitamente. Ela ligou: "Olha, o telefone da minha casa não pega bem." E eu vi lá no identificador que ela estava falando do número dela, e eu falei: "Mas a senhora está falando como?" Ela falou: "Olha, eu subi, estou no telhado da minha casa porque aqui eu consigo captar o sinal de vocês." Eu olhei a ficha dela, ela tinha mais de 55 anos, eu fiquei imaginando a cena e fiquei preocupada: “Se essa mulher cai lá de cima com esse transmissor...” Na hora eu fiquei sem saber e falei: "A melhor coisa é a senhora descer daí, me dá um telefone, eu ligo pra senhora e vamos mandar um técnico na sua casa. Mas, por favor, com muito cuidado, a senhora desce daí." Relatei isso para o supervisor e tanto é verdade que, por coincidência, passou um carro de um técnico nosso e viu a cena; ele também fez um relatório, viu uma senhora sentada... Era um lugar numa baixada em São Paulo, eu não me lembro agora qual era a região, e ela sentadinha lá em cima com o telefone no colo e todos os vizinhos em baixo. Foi uma situação muito diferente. Acho que foi única que marcou. Eu fiquei muito preocupada, mas depois eu soube que ela desceu e que estava bem. Eu achei engraçado, ingenuidade dela. Foi retirado aquele telefone, infelizmente lá da casa dela não era possível.

DESAFIOS
Como proprietária são aqueles desafios já conhecidos, de você se programar dentro dos seus recursos, da necessidade da loja. Tive dificuldade também com recebimento, algumas pessoas não me pagaram no prazo devido e isso gera custo. Era uma empresa muito pequena, tinha que ser tudo muito dosado. Depois de algum tempo eu aprendi a lidar melhor com essa situação, eu aprendi a negociar melhor com os fornecedores. Apanhei um pouco no começo, mas eu acabei me ajustando à realidade. Agora, como empregada, não foi só na Casa do Notebook, eu trabalhei numa empresa aqui de Campinas bastante conhecida, era um material específico que eram sistemas de energia, no-breaks, geradores, estabilizadores, nós tínhamos um treinamento com relação à eletricidade, energia. Eles foram muito bacanas nisso, eles deram um suporte muito bom pra essa equipe de vendas, mas é claro, você tem as suas limitações. Às vezes o empregado tem um valor “x” pra gastar e o projeto dele fica um valor “x” ao quadrado; você tenta ajustar essa necessidade, a expectativa dele com a verba que ele tem. No caso dessa outra empresa também era muita pessoa jurídica, era muita empresa que eles trabalham com aquela programação feita um ano antes. A vontade que você tem de resolver a situação e você já não tem essa autonomia, tem algumas coisas que fogem do seu controle. Isso, a princípio me gerava certa frustração, eu ficava meio chateada de não poder fechar ou de não poder oferecer para ele a solução que ele pretendia e tentava contornar. Às vezes, dava certo, não era sempre. E isso faz parte. Hoje em dia eu trabalho melhor com isso. Eu sei que a empresa assim como aquela pessoa também tem suas expectativas, tem suas necessidades, é uma receita, você está trabalhando, você depende desse valor. Hoje em dia isso já não me afeta tanto. Eu me esforço muito pra resolver, mas é uma coisa que, de repente: "Olha, não foi possível." Eu procuro lidar melhor com essa situação.

CIDADES / CAMPINAS / SP
Campinas é uma cidade que tem uma renda per capita alta; consta em algumas pesquisas. É uma cidade que oferece boas oportunidades, tem muita gente bem empregada que tem possibilidade de investir na formação. Campinas ainda tem muito que crescer, tem muito o que fazer, tem muito que trabalhar. Nós temos shoppings grandes com sempre muita gente dentro. Mesmo algumas lojas tradicionais, alguns restaurantes, você não consegue entrar por nada. Eu acho que tem muito o que abrir, tem muito espaço ainda, tem muita gente que pode chegar, Campinas comporta isso; o campineiro vai dar um retorno bacana, mas é claro, exige tempo, investimento, seriedade. O consumidor, de uma forma geral, está ficando mais exigente, está ficando mais conhecedor dos direitos dele, tem um apoio maior, está mais exigente e isso é muito bom, todo mundo ganha com isso, até a empresa que tem que se ajustar, ela acaba se refinando, acaba ficando uma empresa melhor. Campinas ainda vai ter muito que fazer, eu acho que tem uma série de comércios que podem ser mais bem explorados, tanto venda de produto, venda de serviço, a cidade merece, a população daqui merece.

LIÇÕES DO COMÉRCIO
As lições foram tantas... Pra mim a maior é que você sempre pode melhorar. Eu procuro ler sobre os produtos, fiz alguns cursos na área de vendas, técnicas comerciais, atendimento, longe de mim dizer que eu estou pronta, eu estou aprendendo. Você sempre pode melhorar em qualquer aspecto, você pode ser um comerciário melhor, você pode ser um empresário melhor, sua loja pode ser melhor do que é. Você tem que partir desse princípio, que você não é bom o bastante, você está a caminho disso, você está procurando. Hoje em dia, principalmente, todo mundo com muita pressa, muita pressão, muito stress, não tem cliente difícil, a situação é difícil. Por qualquer motivo, em algum lugar o elo quebrou e o cliente está insatisfeito ali na hora, você vai ter que chegar com muito jeito. O cliente é uma pessoa igual a você, se você se colocar no lugar dele você vai saber exatamente o que fazer para resolver a situação dele, ou pelo menos tentar. Isso eu tento passar para o pessoal da loja. Às vezes eu falo: "Olha, talvez ele não seja estressado, ele está naquele momento." O ideal é você deixar falar, ouvir um pouco mais, tentar negociar. Porque eu acho que todo mundo leva vantagem com isso, a loja negocia com o fornecedor, o fornecedor negocia com a instituição financeira, o cliente negocia com a sua loja e é aquela ciranda, é uma relação em que um depende do outro. O negócio é você estar bem com o seu cliente, estar bem com o seu fornecedor, estar bem com o seu cliente interno. É aquela velha história, está um pouco surrada, mas eu acho que ainda vale, a história do encantamento mesmo, você tentar ir além das expectativas, porque não é só mais uma loja ou só mais um vendedor; tem que ser “a” loja, “o” vendedor, tem que ser alguém ali que faz a diferença mesmo. Produto tem aqui, tem ali, tem acolá, a diferença está no trato com o cliente.

MEMÓRIAS DO COMÉRCIO DE CAMPINAS
Eu achei muito interessante. Eu recebi o telefonema, depois eu recebi o e-mail com o ofício, com o projeto. Eu imprimi e levei para casa para poder ler com calma e achei muito bacana. Eu acho louvável até. É a oportunidade das pessoas que estão do outro lado do balcão falarem. É mais de que isso, é a oportunidade de uma pessoa se manifestar. São segmentos diferentes, pessoas com visões diferentes. E você deixar isso registrado, documentado, é uma experiência muito boa, é um bate-papo com as pessoas que são de formação, de origem muito diferentes. Você ter essa oportunidade é bom demais. Eu gostei, simpatizei muito com o projeto. Eu achei muito bacana ter a oportunidade de falar de pessoas que eu admiro muito, no caso meu avô, minha mãe, minha família, de oportunidades que aconteceram na minha vida que foram muito interessantes, algumas coisas que eu aprendi ao longo da caminhada; de falar também da loja que eu estou agora que é uma realidade nova para mim, mas eu estou com muita expectativa, eu estou acreditando muito, eu vou batalhar muito para que o que nós projetamos seja realmente conquistado. E gostei de conhecer vocês, conhecer o projeto, eu achei muito interessante, muito bacana. Vocês estão de parabéns.

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