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História

Comerciante e aventureiro

História de: Algirdas Antonio Balsevicius
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 04/11/2016

Sinopse

Em sua longa entrevista, Dadá nos conta sobre suas raízes lituanas e italianas e a luta que foi feita para que seus avós se instalassem em São Paulo. Em seguida, nos conta sobre sua infância no centro de São Paulo e a vida comerciante do lado italiano de sua família. Depois, fala de sua mudança para Capão Bonito, a relação com o pai e seu casamento. A partir daqui, conta das diversas aventuras que viveu como caminhoneiro e comerciante na estrada e em vários estados do Brasil, na época de auge da Zona Cerealista. Fala do comércio atacadista de São Paulo, da Bolsa de Cereais e do Sindicato do Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios no Estado de São Paulo, o qual preside atualmente. Encerra sua narrativa falando de seus sonhos para o futuro e suas expectativas frente à região da Zona Cerealista.

História completa

Minha família veio parar numa cidadezinha chamada São José Arcanjo que é aqui do lado… perto de Itapetininga, e eu lá estava junto com o meu pai na oficina elétrica, de eletricidade. Depois, ali em função das mudanças de estradas e tal, nós fomos parar em Capão Bonito e ali, eu me radiquei, eu me casei lá, minhas filhas nasceram lá, então, em Capão Bonito. E eu trabalhei com o meu pai, depois de casado até 1964, pouquinho antes da Revolução, que eu sempre tive um tino, assim, eu diria arrojado, você entendeu? Eu era um pouco aventureiro, queria sair para o mundo, então, peguei caminhão, virei caminhoneiro, dentro do caminhão eu comprava milho, eu vendia milho, entendeu, toda a produção de milho de Capão Bonito, eu conseguia arrematar toda aquela coisa… e vinha vender aqui em São Paulo. eu comecei assim, entendeu, eu tinha uma tendência comercial. Aí, comecei a levar produtos para Belém do Pará. Naquela época, daqui até Belém eram três mil e 200 quilômetros, sendo que dois mil e 200 quilômetros era de estrada de terra. Então, nós começamos levando verduras para… tomate, repolho, essas coisas levava para Belém, que não existia nada disso lá. E aí, nós carregávamos no CEASA como frete, mas depois, eu comecei a perceber que eu poderia aproveitar e em vez de eu levar para os outros, eu mesmo comprar e vender, entendeu?eu fui para Belém do Pará em 1962 a primeira vez, nós levamos 25 dias para chegar lá. Fazia sete meses que eu tinha casado. O quê que nós estávamos levando para Belém do Pará? Olha que absurdo, feijão e arroz para vender lá. Nós chegamos num lugar que hoje chama-se Paragominas, que deu uma chuva lá, uma enchente e arrancou uma ponte. Nós ficamos 25 dias do lado de cá até eles arrumarem um jeito de arrumar a ponte pra nós podermos atravessar. Nós só não morremos de fome porque eu tinha nos caminhões que estavam comigo, arroz e feijão e tinha um cara que sabia caçar. Então, nós fazíamos o arroz e o feijão e ele trazia a caça, de vez em quando, ele trazia um porco do mato, de vez em quando não tinha, trazia um macaco, o que tinha a gente encarava. E esse cara, esse caçador que era um motorista de caminhão, ele acabou fundando a cidade de Paragominas. Paragominas é uma inicial de Pará, Goiás e Minas, juntou e virou Paragominas. Hoje é uma das cidades importantes do Estado do Pará, principalmente na questão da agricultura, da pecuária, eles começaram o desmatamento muito violento, depois pararam, tal. É uma cidade modelo hoje do Estado do Pará. Esse caçador acabou resolvendo montar um boteco lá, resolveu fazer um restaurantezinho, acabou fundando essa cidade. Se você me perguntar o nome dele, eu não sei, não me lembro, só me lembro aquilo que se passou. Isso foi 1962.

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