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História

Comemoração do dia Primeiro de Maio

História de: Edilson de Paula Oliveira
Autor: Raquel
Publicado em: 08/06/2021

Sinopse

Edilson de Paula Oliveira atuou como dirigente sindical da Central Única de Trabalhadores da cidade de São Paulo. Significado do Primeiro de maio. Conquista para os trabalhadores.

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Primeiro de Maio Realização Instituto Museu da Pessoa Entrevista de Edilson de Paula Oliveira São Paulo Código: MAIO_CB002 Transcrito por Écio Gonçalves da Rocha Revisado por Caroline Cristine da Silva P/1 – Eu queria começar a entrevista pedindo para você falar seu nome completo, data e local de nascimento. R – Nasci em uma cidade chamada Tocantins, Minas Gerais no dia oito de julho de mil novecentos e sessenta e quatro e vim para São Paulo em mil novecentos e setenta e nove. P/1 – E o seu nome completo? R – Edílson de Paula Oliveira. P/1 – Edílson, qual foi o seu primeiro emprego? R – O meu primeiro emprego foi de office-boy, em uma empresa da qual estou até hoje, sou funcionário lá há vinte e seis anos. É uma empresa no setor químico, de plástico, que fica aqui na região do Cambuci, entrei lá com quatorze anos de idade. P/1 – E qual foi a primeira vez que você participou de um Primeiro de maio? R – Participei na Vila Euclides em São Bernardo do Campo e todos aqueles “primeiros de maio” de mil novecentos e oitenta para cá, fiz questão de participar. Primeiro como cidadão, porque eu não era dirigente sindical e depois como dirigente, a partir de mil novecentos e oitenta e cinco. P/1 – Os jovens que nós entrevistamos não sabiam, você poderia descrever como era o Primeiro de maio lá no ABC? R – Olha, já tivemos Primeiro de maio que, por exemplo, enquanto estávamos lá embaixo fazendo a discussão política dos trabalhadores, o helicóptero do exército passou por cima e hoje você vê, por exemplo, que a própria Polícia Militar é uma parceira aqui. Isso não foi ganhado “numa boa”, foi ganhado com muito sacrifício e muita luta, inclusive com pessoas e amigos nossos perdendo a vida, para que pudéssemos chegar aqui hoje e fazer um Primeiro de maio nesse estilo, inclusive na Avenida Paulista, que ano passado foi para mim, um desafio muito grande. Então para nós trabalhadores fazermos o Primeiro de maio na avenida mais rica do mundo, isso não é qualquer coisa, isso mostra que tivemos a capacidade de ganhar espaço na época do Regime Militar e hoje os trabalhadores estão podendo vir aqui ouvir uma música e também discutir política, discutir as propostas da Central Única dos Trabalhadores, então para mim é um orgulho muito grande. Mas o Primeiro de maio que mais marcou, sem dúvida nenhuma, foi no ano passado e teve todo um desafio da nossa central, para trazer mais de quinhentas mil pessoas para a rua no dia Primeiro de maio. Os Primeiros de maio da CUT estavam ficando assim, um pouco como a nossa militância e eu e a Maria defendemos que na central da militância tivéssemos plenário, congresso, assembleia do sindicato, então esse público já fala com a gente no dia-a-dia. Agora precisávamos dialogar com essa massa aqui, principalmente com a juventude, para contar a história da central, mostrar que chegamos aqui hoje, com muito sacrifício e muita luta. P/1 – E quantos meses vocês demoraram para organizar o Primeiro de maio do ano passado? R – Olha, ano passado começamos no mês de janeiro e esse ano a gente... Quando você faz o primeiro, no segundo você já usa parte daquela estrutura, então facilita muito. Mas o primeiro, sem dúvida nenhuma, foi um desafio muito grande porque primeiro, já havia divergência na Central Única dos Trabalhadores de fazer o Primeiro de maio nesse formato, existia divergência e tivemos que superar essa divergência interna e fazer com que o evento ficasse no estilo da Central dos Trabalhadores. Você me vê aqui, por exemplo, contando a história da jornada de trabalho, contando a história da estrutura sindical, então isso é um... Vamos estar aqui também, em uma parte do dia de hoje, lembrando um pouco dos vinte anos da democracia no Brasil, são essas questões. Então para mim, que sou dirigente da CUT São Paulo, só de estar pisando aqui na Paulista, no dia dos trabalhadores, já é uma satisfação muito grande, mostra que estamos conquistando um espaço que não era nosso e é só de uma pequena parcela da sociedade. P/1 – E para finalizar, Edílson, ano que vem são cento e vinte anos do Primeiro de maio. O que o Primeiro de maio representa para a classe trabalhadora? R – Primeiro de maio é um momento para o trabalhador fazer uma reflexão, o mundo todo na verdade. Hoje é um dia que tem gente na rua em todo o mundo, nas praças, comemorando aquilo que foi conquista no decorrer do ano, mas também apontando desafios. Então hoje com a política globalizada, a demanda da Alca que está vindo aí, tudo isso mostra que cada vez mais, o trabalhador brasileiro e também o trabalhador internacional, porque a globalização levou as economias a se juntarem, os grandes grupos econômicos... Os trabalhadores têm que se juntar e se conscientizar do seu papel. O Primeiro de maio para o trabalhador é um momento de se fazer uma reflexão, inclusive cobrar dos nossos representantes, nas esferas política, federal, municipal e estadual. Devemos ser politicamente responsáveis, para superar a miséria no nosso país, para superar o desemprego, ter cada vez mais renda e termos uma sociedade mais justa. P/1 – Muito obrigado.
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