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História

Comediante sem querer

História de: Cezar Maracujá
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 27/04/2021

Sinopse

O humor nem sempre fez parte da vida do comediante Cezar Maracujá. Nascido em 1988, em Realengo, no Rio de Janeiro, ele conta como descobriu a veia cômica ao ter, na adolescência, que deixar a timidez de lado para conseguir puxar papo com as meninas. Foi a partir dos constantes pedidos de seus colegas para que fizesse teatro que Cezar diz, finalmente, ter investido em sua aptidão como ator e humorista. Depois de largar a faculdade de Publicidade, ele passou a criar vídeos engraçados para os canais Ixi e Parafernalha na internet, e sua carreira deslanchou – um dia acordou e descobriu um recorde de cem mil acessos em sua página ainda é relembrado por ele com orgulho e muito riso.

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História completa

Moro em Realengo, sou nascido e criado lá. Realengo sempre foi um lugar tranquilo. É zona oeste, subúrbio. Eu acho muito divertido, eu não consigo sair de Realengo. Eu sou o Zeca Pagodinho de Realengo! Eu tenho preguiça de me mudar e falar: “Agora eu vou ter que conhecer a vizinhança toda de novo! Vou ter que conhecer todo mundo”. Por incrível que pareça, eu sempre fui bem na minha, bem introspectivo. Eu sempre ficava na minha. Ficava jogando videogame, meu avô me dava todos os videogames, eu tinha tudo quanto era videogame. E eu era CDF no colégio, era estudioso. Só notão, melhor aluno do colégio! Depois que eu fui mudando. Fui crescendo e comecei a ficar um pouco menos dependente. Ia para o colégio sozinho, comecei a fazer amigos com a galera da rua. E começam a surgir as festinhas. Você vai pra festa, você descobre como é que é, aí começa: “Pô, tenho que ter uma namorada”. E eu nunca fui fisicamente bonito. Aí, tinha que tentar o “desenrolo” sendo engraçado. “Pô, vamos chegar naquela menina ali, mas vamos chegar inventando uma história que a gente faz, e depois você vem e fala comigo.” A gente fazia um teatro praticamente, era uma peça pra conseguir um selinho só (risos). Chegava engraçado e interpretava. Olha isso: um teatro, interpretando para conseguir selinho de menina nas festas. Aí, todo mundo falava: “Pô, vocês são engraçados, vocês fazem teatro?”. “Não, não faço teatro, não.” “Pô, vocês tinham que fazer teatro.” Eu falei: “Tá, beleza, tenho que fazer teatro”. Comecei a fazer Publicidade. E, no decorrer da faculdade, abriu um curso de teatro. Falei: “Tá aí, todo mundo fala pra eu fazer teatro”. Já fazia uns videozinhos no YouTube, dublando música. E a galera: “Faz teatro, faz teatro”. Vou fazer teatro. Entrei no teatro, fiz, gostei muito. Eu comecei a fazer os vídeos para o YouTube. Montamos um grupo chamado Os Bilubeis. Tive a ideia da série Como surgem os funks, queria mostrar que o funk surge assim, no dia a dia, do nada, numa situação normal. E o negócio funcionou. Eu falei: “Caraca, a gente tem cinco mil acessos”. E era diversão, era ideia na cabeça e uma câmera na mão, não tinha muita produção. Molecada mesmo. E, aí, o Não Salvo, que era um blog bastante famoso na época, postou seis vídeos nossos de uma vez só. E, um dia antes, eu tinha falado para um amigo meu: “Pô, cara, imagina, a gente dorme, acorda e tem acesso pra caramba?” Juro pra você! No mesmo dia, eu dormi, acordei, meio sonolento, abri o computador. Eu falei: “Tá de caô?” Cem mil acessos! “F5”, “F5” pra ver se era problema do computador. Falei: “O que é isso, meu irmão? Cem mil acessos?” “Vini, moleque, cem mil acessos!” Ele: “Quê?” “Cem mil, vai logo lá no YouTube.” “Como isso?” “O Não Salvo postou, agora a gente tá rico.” Não estava rico, na verdade nem pagava, né? “Estamos famosos.” E a gente começou a investir nos vídeos. “Vamos comprar uma câmera melhor, vamos comprar um tripé, vamos investir na nossa produção”, e começou a virar um trabalho de fato. O Paulinho Serra, que também é da área, Bangu, Realengo, Campo Grande, acho que ele pensou: “Pô, esses caras são fodidos que nem eu, vou ajudar”. Ele ajudou a gente, criou o Canal Ixi. E estava começando a fazer o Canal Ixi, a postar algumas coisas. Aí, o Portugal tinha um contato lá, o Rafael Almeida, que era amigo do Felipe Neto. O Portugal deu uma ideia pro Rafael Almeida, que mostrou para o Felipe Neto. O Felipe Neto falou: “Vem cá, vamos gravar pra Parafernalha”. Eu fui. Cheguei lá, conheci a equipe, ajudei, até participei do vídeo. Aí, eu falei: “Escrevo roteiro, estou de bobeira, posso mandar uns roteiros pra vocês?” “Pode.” Peguei o contato, mandei os roteiros. No outro dia, o Felipe Neto me adicionou no Skype e falou: “Aí, Maracujá, a galera curtiu teu roteiro, vem numa reunião aqui amanhã”. Fui pra reunião, e foi a entrevista de emprego mais louca e mais fácil da minha vida, juro pra vocês. Cheguei lá, o Felipe Neto: “A gente gostou do seu roteiro.” Eu falei: “Pô, valeu!” “Quer trabalhar aqui?” “Já é!” “Pode começar amanhã?” “Amanhã, não, me dá mais uma semana, só pra eu resolver um negocinho.” (risos) E comecei a trabalhar no Parafernalha. Quatro palavras e eu estava trabalhando. Até então, era só roteirista. Mas eu atuava no meu canal, só que não cheguei lá para ser ator. Aí, teve um roteiro meu que ia ser gravado, e o ator que ia fazer o papel do bandido não foi. O diretor, que era o Ozires, na época, chegou e falou: “Aí, Maracujá, tu atua, não atua?” “Atuo.” “Quer fazer esse papel aqui do bandido? O roteiro é seu mesmo.” Falei: “Tá, já é”. Fiz. Galera curtiu, galera elogiou a atuação, falou: “Maneiro e tal”. Aí eu comecei a atuar. O vídeo era Assalto sem arma. Era um bandido que ia assaltar e, quando ele chegava pra assaltar: “Ih, esqueci a arma. Espera um minutinho aí, irmão, rapidinho, não sai daí não”. “Pô, meu parceiro, esqueci a arma, tem como eu te assaltar na moral?” “Sem arma, não.” “Achei a arma, aqui a arma, aqui a arma, passa a grana, passa a grana.” “Mas é seu dedo.” “Meu dedo não, pô.” Ele pegava: “Aí, pô, doeu cara!”. Era um bandido sem arma, Assalto sem arma. Fomos eu e o Isaú, o Isaú que hoje trabalha comigo no Canal Ixi, também é um dos sócios comigo. Mas foi bem divertido. Foi assim, parece que a minha vida foi meio que do nada, sabe? Gosto muito de conhecer pessoas, que eu acho que cada uma tem uma história. Eu acho isso muito bom, que eu falo: “Pô, tem uma história muito legal, vou transformar isso num esquete”. Eu acho que todo mundo tem uma vida aí, passou por muitas coisas já. Realengo, por exemplo, tem moto-táxi. E eu tenho amigos que são do moto-táxi. E eu estou lá no moto-táxi, pra pegar o moto-táxi: “Qual é, Maracujá, faz um vídeo nosso, hein?”. “Já é, vou fazer”. Vinha no outro dia: “Qual é, Maracujá, faz um vídeo nosso aí, mané!”. “Vou fazer, vou fazer.” (risos) Eles pediram tanto, que eu fiquei observando eles o tempo todo, e eu fiz um vídeo. Chamei eles pra fazerem a figuração e dei a fala pros caras, que nem atores eram. É um vídeo que está na Parafernalha, Moto-táxi. Isso foi muito divertido.

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