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História

"Comecei mudando"

História de: Reginaldo Braz da Silva
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/12/2004

Sinopse

Reginaldo Braz da Silva nasceu dia 24 de agosto de 1948, em Recife. Mudou de cidade muitas vezes ao longo de sua trajetória, a primeira vez para Porto Velho, quando tinha por volta de quatro anos. Quando pequeno, ajudava a mãe com os trabalhos de casa, revezando entre os afazeres e as brincadeiras. Em sua história lembra-se as circunstâncias em que serviu o Exército e foi para a Amazônia. Na Embratel adquiriu experiência profissional que o levou a trabalhar na Companhia de Telecomunicações do Brasil Central (CTBC). 

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História completa

 

R – Meu nome é Reginaldo Braz da Silva, nascido no dia 24 de agosto de 1948.


P1 – O nome do seu pai e da sua mãe, por favor?


R – Severino Braz da Silva e Maria do Carmo Silva.


P2 – O senhor nasceu onde?


R – Eu nasci em Recife, Pernambuco.


P2 – Ah, sim.


P1 – Qual era a atividade do seu pai, do Seu Severino?


R – O meu pai, a atividade dele era padeiro, ele era mestre de padaria.


P1 – E onde era a padaria dele?


R – Ah, em vários locais, ele... Na verdade, eu só nasci em Recife, eu mudei de Recife, eles mudaram, eu tinha quatro anos, e nós fomos para Porto Velho, Rondônia. Então, lá ele tinha várias, trabalhava em panificadoras.


P1 – E a sua mãe?


R – Minha mãe foi inspetora de grupo, grupos escolares.


P1 – Lá no Recife também?


R – Não, não, já em Porto Velho.


P1 – O senhor se lembra dessa mudança pra Porto Velho?


R – Não. É um fato que a gente, eu costumo dizer que foi a maior viagem que eu já pude fazer na minha vida, apesar de ter feito viagem pelo grupo, pelo Grupo Algar, mas essa viagem, eu tinha cinco anos, eu não me recordo de nada. Eu só sei que, minha mãe conta que nós levamos quase três meses pra fazer o trecho Recife até Porto Velho, por que isso? Porque o meu pai tinha que parar em, parou em Fortaleza e trabalhou pra ganhar dinheiro, para comprar a passagem pra dar sequência, porque nós tínhamos uns parentes que tinham ido para Porto Velho, antes. Então essa viagem, pra você ter uma ideia, imaginando o mapa do Brasil, saindo de Recife e entrando lá em Belém, na Ilha de Marajó, entrando o Amazonas e descendo o Rio Madeira, que é o afluente da margem direita do rio, chegamos a Porto Velho. Em 1953, mais ou menos.


P1 – O senhor chegou a conhecer os seus avós?


R – Não, eu não tive. Ah, sim, a avó materna sim, paterna, agora a avó materna e o avô paterno, não.


P1 – O senhor se recorda do nome deles?


R – Só lembro do nome da minha avó, paterna, que era Maria José Brás. Agora, os outros eu não me recordo.


P1 – Os seus pais comentavam com o senhor, ou o senhor teve algum tipo de informação, sobre a origem dos seus avós, de onde eles eram, de onde eles vieram?


R – É gozado, eu costumo dizer que, o nordestino, ele é uma pessoa de, um pouco em função, digamos assim, da própria criação, ele é um pouco desgarrado de história. E eu, já por várias vezes, talvez agora, com esse momento, eu seja obrigado a isso, eu já tentei conversar com minha mãe pra saber essas origens. Eu só sei que o meu pai era paraibano, nascido em Campina Grande, e minha mãe pernambucana, mas os meus avós, essas coisas eu não tenho. Mas eu vou procurar saber isso aí e passar pra vocês.


P1 – O senhor tem irmãos?


R – Tenho.


P1 – Quantos são?


R – Eu tenho mais seis irmãos, em Porto Velho. 


P1 – E o senhor se coloca em que ordem nesses seis?


R – Ah, sou hoje o mais velho.


P1 – Como que era, assim, a sua lembrança de Porto Velho desses seus primeiros tempos lá, o que é que o senhor lembra?


R – Bom, foi uma, na verdade foi uma juventude muito gostosa, antigamente a coisa era melhor, mas, ao mesmo tempo, com muito sacrifício. Pra você ter uma ideia, o meu pai com, após cinco anos, seis anos que ele já havia chegado em Porto Velho, ele resolveu casar com uma branca, uma outra mulher, e ele casou-se e deixou minha mãe com, nós éramos, mais uns sete, ou seis, oito filhos. Então, ela teve que trabalhar, e nós também trabalhamos, ajudando, mas, mesmo assim, sempre a gente na escola. Então eu fiz de tudo na juventude, ajudei a criar os meus irmãos, então, minha mãe saía pra trabalhar, eu tinha que fazer mamadeira pra uns, fazer almoço pra outro e, assim mesmo, enquanto a panela ficava no fogo, eu ia brincar um pouco. Foi gostosa, a lembrança que eu tenho é muito boa, porque, graças a Deus, nós saímos, começamos a estudar e cá estamos.


P1 – Seu Reginaldo, como é que era essa casa do senhor lá? O senhor poderia descrever?


R – Ah, tá, posso sim. A primeira residência nossa, aliás, até antes do meu pai deixar minha mãe, se casar com outra, ele, nós não tínhamos casa própria. Então, quando ele saiu de casa, a minha mãe começou a trabalhar, arrumou um emprego, esse no qual ela aposentou, era zeladora de grupo, de grupo escolar. E eu ia ajudar ela lavar os grupos, lavar as salas de aula e, com esse emprego, ela conseguiu comprar uma casinha, que era uma casa de, não sei como é que vocês chamam aqui, se é de taipa, era casa, pra nós era o seguinte, era casa de barro, onde, no lugar dos tijolos, era barro. Você fazia aqueles varais, tá, e tinham aqueles espaços, fazia o buraco no próprio terreno e tampava a casa. Tinham outras casas, que eram só de palha, mas a nossa era de barro, a primeira residência nossa foi de barro. 


P1 – E onde ela ficava no Porto Velho?


R – Ela ficava em Porto Velho, Porto Velho naquela época era pequeno, não era tão grande assim, era como se fosse um bairro; o centro da cidade pra mim, onde eu morava, era uma questão de uns dois, três quilômetros só, lá na Joaquim Nabuco, lá perto do sistema de comunicações que existia na época. E, depois, o que é que ela fez? Ela pegou, dessa casa ela conseguiu, que ela ficava num local meio afastado, ela conseguiu fazer ao lado uma casa de madeira, toda de madeira. Aí já ficou diferente.


P1 – E como é que era o cotidiano da família, assim, com todas essas obrigações que o senhor tinha, como que era?

R – Ah, tá. O problema era o seguinte: Porto Velho, ele era uma cidadezinha na qual, digamos assim, o movimento da cidade acabava oito horas da noite, já acabava, porque lá não tinha, não tinha luz elétrica, era luz, era de motor, grupo de gerador. Então, normalmente, quando eram dez horas se apagavam as luzes, então era uma cidade na qual nós dormíamos cedo. A nossa, minha juventude foi o seguinte: minha mãe, eu acordava cedo, ia buscar o pão no mercado, eu lembro até hoje, que era a única coisa que o meu pai dava pra gente, era o pão. Então, eu  ia cedinho para o mercado buscar o pão lá, e voltava às sete horas, acordava seis e meia, sete horas pra poder, os meninos tomar café e ir pra escola. De tal forma que a minha mãe, quando ela trabalhava de manhã, normalmente ela trabalhava mais à tarde, mas, quando ela trabalhava de manhã, ela saía para o trabalho e eu saía pra escola. Então, eu praticamente não tinha contato, o que é que acontecia? Quando minha mãe chegava, eu estava pra escola, aí ela saía de novo e eu ficava em casa tomando conta dos meninos. E assim foi a minha juventude, foi puxada.


P1 – E a sua primeira escola, Seu Reginaldo, qual era?


R – Recordo, foi um jardim de infância, eu demorei sair do, por ser uma, eu não sou, eu não era nada disso aqui __________, até depois acho uma foto. Eu tinha, pra você ter uma ideia, eu não entrei no quartel no primeiro ano porque eu não tinha peso, eu pesava cinquenta e três quilos, e o mínimo era cinquenta e cinco quilos. Então, eu fui rejeitado no quartel por isso, e, de tal forma que eu era bem magrinho mesmo. E a minha escola era o, por isso que a gente, naquela época, na família pobre, saiu de Recife lá pra tentar a vida lá em Porto Velho, na Amazônia, e eu comecei a estudar no jardim de infância, foi duro eu alfabetizar, eu acho que eu levei uns três ou quatro anos pra alfabetizar. E depois que eu deslanchei, aí não fiz, ninguém me segurou mais, só fui parar na faculdade.


P1 – O senhor se lembra, desses primeiros tempos, o senhor se lembra de alguma professora que tivesse ficado marcada na sua vida?


R – Eu lembro, de lá eu passei para o grupo onde minha trabalhava, era o Barão de Solimões, fica no centro da cidade, eu lembro de um zero que eu tirei numa prova lá, um reprovado, e a professora disse que eu não tinha jeito não. Mas aí teve uma outra professora e eu consegui deslanchar com essa professora, e foi, a partir daí fui alfabetizado, já passei para o primeiro ano, e também teve, já no quarto ano primário, no quinto ano primário tive várias professoras assim, que são…


P1 – Seu Reginaldo, com essa vida tão cheia de responsabilidades já, para um garoto pequeno, tomando conta de irmãos, sobrava algum tempo para lazer, como é que o senhor se divertia?


R – Ah, tá, isso era um negócio. O seguinte, minha mãe saía pra trabalhar, quando era de manhã eu tinha que fazer almoço, e quando era à tarde, logicamente, arrumar a casa, varrer a casa, ajudava a lavar roupa, eu em... Porto Velho é uma cidade que, no começo, por aqui a gente não vê isso, mas em alguns lugares do Nordeste também tem, que são lavanderias públicas. E eu ajudei minha mãe a lavar roupa __________, pra lavanderia nós íamos, não só eu, como outros meninos, e ficava lavando roupa na lavanderia. Eu fui até os catorze anos nisso, ajudando a lavar roupa. E aí tem um episódio na minha vida que, ela que me contou depois, ela proibiu de eu ir com ela lavar roupa; um dia passou uma professora e eu fiquei com vergonha, minha professora lá do primário passou, e eu estava lá lavando roupa lá com minha mãe, e eu fiquei assim, aí ela conta que dessa vez pediu pra eu não ir mais. Mas fazia entrega de roupa, que ela lavava roupa pra fora, fazia entregas, vendia croquete, croquete é como se fosse esse bolinho de mandioca pra vocês, não sei como é que vocês chamam pra cá, vendia banana frita, pirulito, mandava recado para os outros, ia, corria e voltava, e tal. Enquanto a panela estava cozinhando, eu estava batendo uma bolinha, às vezes uma peteca, peteca era bolinha de gude, no terreiro de casa, ou então à tarde, que era o maior problema, à tarde eu ia jogar bola e você sabe como que é, a coisa está gostosa, eu perguntava o horário para os meninos, olhava para o sol, mais ou menos assim, e via como é que estava: “Não, vou jogar mais uma, mais uma partida”, mais uma e, às vezes, eu esquecia. Quando eu chegava, a minha mãe já tinha chegado, ou então eu chegava faltando meia hora pra ela chegar, eu varria a casa depressa, e lavava a louça depressa, mas, quando ela chegava, ela já percebia que eu tinha feito tudo aquilo naquele momento. Aí, já viu, a panela queimava, que eu jogava peteca e esquecia, quando dava aquela, a panela estava lá no fogo e eu corria pra socorrer, eu lavava o feijão, tirava o feijão queimado e lavava, carne, cortava. Mas, de todos, o feijão não tem jeito, que ela já percebia, e o arroz que já era comprado com muito sacrifício, então, ela pegava e falava: “Ó, você queimou a panela”, “Não mãe, não queimei não”, “Queimou”, temperava tudo de novo, mas não adiantava. Aí apanhava, Nossa Senhora!


P1 – Seu Reginaldo, o senhor fica em Porto Velho até quando?


R – Em Porto Velho, bom, aí nós fomos, foi passando, eu servi o exército, né?


P1 – Lá mesmo?


R – Lá mesmo. E, em seguida, servi um ano na Terceira Companhia de Fronteira, em seguida eu saí pra, aí teve um concurso lá, eu comecei a fazer Contabilidade, mas não era, realmente não, não era nada ________, porque eu tinha que continuar estudando, né? Em Porto Velho você fazia Contabilidade e ia trabalhar num armazém, ou num escritório, e eu fiz esse concurso que era “Técnicos da Amazônia para a Amazônia”, mais tarde eu vim saber, era pela Sudam. Então, eu fiz essa prova, tinha muitos candidatos, pesado mesmo para o pessoal que já tinha o Normal, pessoal que dava aula, e eu estava saindo do ginásio. E tinham dez vagas, eram mais de cem candidatos, e eu consegui passar em, eram dez candidatos que eles queriam, eu consegui ser um dos classificados, o décimo classificado. Mas, por ironia do destino, eu me lembro, era o Salesiano, estava envolvido com isso, e ouvindo a notícia no rádio, porque saiu no rádio, naquele tempo era radinho mesmo, de pilha, a gente ouvia, e ele anunciou os nomes e eu: “Puta merda, eu não passei não”. Aí, quando ele terminou o programa só chamou nove, eu digo: “Puxa, e o outro, hein?”. Eu sei que depois ele anunciou, no rádio também, para o Reginaldo, pra comparecer lá no colégio, e tal, pra falar com ele na rádio, tal, eu digo: “Mas o que é que foi?”. Aí eu fui lá, ele pegou e falou pra mim o seguinte: “Olha, eram dez candidatos, você é o décimo candidato, mas eles cortaram um, então, infelizmente você não vai poder ir. Mas nós estamos vendo aí, agora vai chamar os candidatos, ver quais os que querem realmente ir, quais os que não querem ou que não podem”. Isso foi passando, umas duas ou três semanas depois eles me chamaram de novo, ele foi lá em casa, e eu estava até jogando uma pelada lá, estava todo sujo de lama, tudo bagunçado. Ele chegou lá em casa e falou: “Arruma a mala”. Eu digo: “Mas que mala, doutor?”. Eu não tinha mala, não tinha nada. Eu sei que: “Você vai viajar”. Eu digo: “Ah, é? Vou viajar?”, e tal. “Quando é que é?”, pensei que era daqui a uma semana. Ele disse: “Não, depois de amanhã, e sua passagem está aqui, não dá tempo de tirar outra não, porque...”. Eu olhei: “Não, mas esse não é meu nome”, estava no nome de outro cara lá. Porque aconteceu o seguinte, tinha um rapaz que tirou, o nono colocado, oitavo colocado, ele estava servindo quartel, aí ele falou o seguinte: “Se o comandante dispensar ele, ele vai, você fica, caso contrário você perde a oportunidade”. Aí ele ainda brincou assim: “Você reza pra ele ficar e você ir, mas já te adianto que ele é um bom soldado, o pessoal gosta muito dele, talvez dispensem”. Na realidade dispensou. Eu falei: “É, não tem jeito não, não vou não”. Quando foi dessa vez que ele chegou lá em casa, como eu te falei, ele falou pra mim: “Ó, vamos viajar”. Eu falei: “O que é que foi?”. “Aconteceu o seguinte, tinha um rapaz, que passou também, e ele deixou de ir, porque a mulher dele já estava no quinto ou sexto mês de gestação, de gestante. Aí ela pediu, chorou, e ele não quis ir”, e vinha pra Cuiabá, estudar em Cuiabá, né? E eu fui no lugar dele, eu vim até com a passagem no nome dele, foi tudo correndo, assim, no fim não tinha nada.


P1 – Foi pra onde?


R – Fui pra Cuiabá.


P1 – E como é que foi essa viagem pra Cuiabá?


R – Foi gostosa, foi de avião, pô. Aquilo que eu só ficava no fundo, no quintal de casa, que morávamos próximos ao aeroporto, os aviões da rota deles passavam em cima de casa, eu ficava olhando perto das bananeiras lá. Aí já foi de avião, nós fizemos uma viagem longa até, pra chegar a Cuiabá nós fomos a Manaus, Belém, e voltamos pra Cuiabá, que foi pegando as outras turmas. Então, aí comecei, cheguei em Cuiabá, e era pra fazer um curso pela Sudam, era uma espécie de internato, era semi-internato, nós estudávamos de dia e dormíamos lá no colégio, no Liceu São Gonçalo, em Cuiabá. 


P1 – E isso pra qual objetivo, qual __________?


R – Ah, tá. Nós estávamos fazendo em Cuiabá o, era técnico da Amazônia, até então eu não tinha ideia formada sobre o que era que nós estávamos fazendo lá. Eu sei que eu sabia que era um curso técnico, e de telecomunicações, então foi um TB, curso básico de telecomunicações, onde nós víamos várias matérias de eletrônica. De Cuiabá, os que passaram, porque Cuiabá era o seguinte, todo trimestre tinha avaliação, não, toda terceira semana, e a primeira avaliação era eliminada, aí somava as duas restantes com a outra, então você tinha que estar sempre com a nota evoluindo, nunca podia, se tirava um dez não sossegava não. Então, os que passaram lá, teve colegas meus que foram reprovados, voltaram, nós fomos pra Belém, já fazer o curso técnico. Aí, já em Belém, já pela Embratel, já não era mais pela Sudam. Aí foi que nós percebemos que estavam formando técnicos pra trabalhar na Embratel da Amazônia. Por que isso? Porque eles não conseguiam pessoas para irem trabalhar naquela região, as pessoas iam trabalhar, mas voltavam, então eles tiveram a ideia de: “Então vamos formar técnicos daqui mesmo, porque já estão acostumados com o clima, já estão habituados com a região”.


P1 –  E o seu trabalho em Belém, quando foi efetivado na Embratel, começou a trabalhar lá mesmo?


R – Não, em Belém nós ficamos mais um ano praticamente, fazendo curso de técnico. E lá também, lá era, como que se diz? Era mais rígido ainda. Eu me recordo que em Belém nós perdemos, só de uma vez vinte e seis companheiros foram, tiveram que ir embora pra casa, por quê? Porque não alcançavam a meta. Então, no final do ano nós formamos, e de lá nós fomos pra Brasília, foi lá em Brasília já, porque o pessoal da Amazônia, como o sistema rota não estava implantado ainda, o Sistema de Telecomunicações da Amazônia ainda, isso nos anos 1970, estava sendo implantado ainda, eles foram distribuídos para Gurupi, Tocantins, ou antigo Goiás, e Imperatriz. Então, dividiu o pessoal da Amazônia entre Imperatriz e Belém também, e nós fomos para Gurupi, os de Gurupi vieram pra Brasília, ficamos três meses em Brasília, e de Brasília, lá nós entramos na Embratel e fomos pra Gurupi.


P1 – Nunca mais voltou a Porto Velho?


R – Ah, não, tenho vontade sim, tenho, porque minha família está toda lá, eu não tenho ninguém aqui. Então, normalmente, uma vez por ano eu vou a Porto Velho, no ano passado eu fui, esse ano eu não tive jeito de ir, porque nessa mudança de empresas, eu perdi as férias e, então, não deu pra eu ir. Vou agora, se Deus quiser, no final do ano eu vou lá.


P1 – E o seu trabalho lá em Gurupi, no que consistia?


R – Ah, tá. Já em Gurupi, nós começamos a trabalhar com equipamento propriamente dito, de telecomunicações, lá eu era técnico, e nós fomos exatamente trabalhar com os equipamentos de comunicações. Posteriormente, eu vim a trabalhar na CTBC também.


P1 – Era uma época de implantação das rotas de microonda, não é?


R – É, está certo, foi, lá em Gurupi foi a implantação do tronco Belém-Brasília. Então, Gurupi consistia de nós darmos manutenção à assistência técnica, de Gurupi até Araguaína, que depois de Araguaína já era o estreito do Maranhão, e de Gurupi até Uruaçu, pra cá; então, era dividida a turma, aí de Araguaína pra lá era o pessoal de Imperatriz que dava a manutenção. Então, esse trecho todo a gente dava a manutenção, de todas aquelas torres que existiam na beira de Belém-Brasília, lá eu já trabalhei naquelas torres, trabalhando com rota de microonda, com multiplex e etc.


P1 – E como é que era o trabalho, Seu Reginaldo, como é que era a vida?


R – O trabalho era o seguinte, não, lá a coisa já era um mar de rosas, a princípio já tínhamos atravessado o mais difícil, e Gurupi, na Embratel você... era até ruim, porque nós fizemos um curso onde ninguém conhecia nada, porque nós não sabíamos de nada, a pessoa que deu o curso para nós de equipamento, nós não víamos equipamento, ele tinha que falar pra nós assim, por exemplo: “O meu bastidor”, né, tal, tal, tal, altura tanto, tanto de largura, cor cinza, porque a gente não estava vendo o equipamento, não tinha manual com aqueles desenhos, direito. Então, chegamos em Gurupi, pra cada equipamento da Embratel ele tinha uma reserva, então nós tínhamos uma caminhonete, uma Rural, cada equipe tinha uma Rural completamente equipada, quando dava defeito, sinalizava em Gurupi, a gente pegava essa Rural e se mandava pra estação que deu o alarme. E tinha toda a manutenção, tudo pra trocar, a manutenção, era fácil a manutenção, e era tão fácil que eu comecei a trabalhar em, a atender pra área administrativa, estava fazendo alguma coisa, ou não fazendo nada, eu procurava ajudar numa coisa, numa outra. E muito diferente da que nós vamos contar mais tarde, da CTBC.


P1 – Era um tempo de fartura _______________________.


R – Era fartura, pô, tinha, era, o que é que era? Era o milagre econômico, você, a Embratel estava no auge, estava asfaltando a Belém-Brasília, que nós chegamos lá comendo poeira ainda. Estava asfaltando a Belém-Brasília, o asfalto já estava chegando lá em Gurupi, então, tinha aquela... Recebemos a visita do (Giglio Corsetti?) lá, o Ministro das Comunicações que foi inaugurar a rota, então, era realmente…


P1 – Esse trecho de responsabilidade da equipe de Gurupi era muito grande, quero dizer, quando tinha que sair pernoitava fora, ficava fora?


R – Telecomunicações, na verdade, não é... quem trabalha em operação, eu poderia dizer assim, tem que gostar, se o cara não gostar, ele chuta o balde, não dá, ele vive mal humorado. Porque ele é muito ingrato, muitas das vezes não tem sábado, domingo, de noite, é qualquer hora, full time. Quem trabalha em operações, tem que estar sempre disponível, então era qualquer hora da noite, do dia. Às vezes ia tirar um defeito, esse defeito saía rápido, muitas vezes você acabava de tirar o defeito, entrava na caminhonete, no sentido de casa, quando não tinha comunicação, quando acabava de chegar na outra estação, ou no Centro de Manutenção, tinha que voltar, porque tinha dado defeito de novo. Então, a vida em si de quem trabalha na operação até hoje é essa, apesar da evolução é a mesma coisa, a base é a mesma. E era uma rota muito importante, puxa, se parasse uma estação dessa rota aí, Belém-Brasília, simplesmente parava a comunicação, do local que ela parou pra frente, não tinha comunicação. Quer dizer, estava na nossa responsabilidade Belém, cidades como Belém, Manaus, isso falando as maiores, né? Imperatriz…


P1 – Está certo. Bom, um lugar delicado mesmo.


R – Era delicado.


P1 – E o senhor fica lá até quando, Seu Reginaldo?


R – Nessa minha jornada eu fiquei em Gurupi até 1974, em janeiro de 75 eu saí da Embratel.


P1 – Por quê, hein?


R – Ah, isso aí é uma, muita gente não entende, pergunta: “Por quê?”, hoje. Acontece o seguinte, nós éramos sete técnicos, até tinha, a gente se associava àquele negócio, “Sete homens e um destino.” Nós fomos para aquela região e teve um problema, que era o problema de equivalência de estudos, o nosso curso que nós fizemos, apesar de perder dois anos, ele não equivalia ao Científico, ao segundo grau. Por quê? Porque faltavam matérias, faltava matéria como Biologia, e tal, tal, tal, tal; então, eu fui obrigado a fazer o Científico em Gurupi. E daí, eu e mais outros colegas tínhamos o sonho de fazer Engenharia, a juventude estava no auge, queria porque queria fazer Engenharia. E na Embratel, até hoje, é o seguinte, a Embratel não dá oportunidade pra gente, pra transferência, lembro que eu pedi transferência umas duas ou três vezes, e eles davam transferência pra mim, sim, se eu quisesse ir pra Porto Velho. Aí eu digo: “Pô, mas Porto Velho, eu saí querendo ser alguma coisa, voltar pra lá eu não vou”, lá não tinha faculdade ainda, nessa época, assim, não tinha nada. E eu tentei transferência pra Goiânia, ou pra outro pólo, mas não consegui, então, você só conseguia transferência a hora que ou morresse alguém, ou alguém fosse promovido. E tinha mais, você formava em Engenharia, não era por ser formado em Engenharia que você ia entrar no cargo de engenheiro, o que na CTBC, futuramente, nós fomos ver que isso era mais fácil. Então, eu saí com o intuito de entrar na TeleGoiás, porque lá tinha faculdade, já tinha me matriculado no vestibular, e ia fazer o vestibular em Goiânia. Cheguei em Goiânia, pra entrar na TeleGoiás, teve uma política de, o rapaz que me trouxe, o engenheiro que me trouxe, ah, sim! O que mais me, a gota d’água foi o seguinte, um belo dia chega um engenheiro lá, chegou um rapaz, uma pessoa nova, tal, e, com o diretor de Goiânia, ele falou: “Olha, esse aí vai ser encarregado de vocês”, e o nosso encarregado era um técnico, “e o técnico vai virar seu substituto”, e eu era o substituto já do técnico _________________ em Gurupi. Aí, puxa vida, o cara, eu vi que ele estava acabando de sair da faculdade, da UNB, Brasília, e ele não sabia de nada, eu digo: “Puxa _____________________ . Naquela época eu pensava assim: “O cara não entende nada de telecomunicações, nunca viu nem um instrumental na frente, ser nosso gerente!? Aí não dá”. Aí aquilo foi saturando, aí chegou o final, formei, e me inscrevi num vestibular de Goiânia, e tal, pra prestar, prestei e não passei, aí o que é que aconteceu? Cheguei na TeleGoiás, o cara, o engenheiro que tinha pedido pra eu vir para Goiânia, falou: “Ó Reginaldo, o problema é o seguinte, eles estão, eu estou te querendo pra área de operações, que eu já te conheço”, e tal, tal, “Mas eu sou pequeno na frente, o outro é que está querendo que você vá para a área técnica”, era o outro engenheiro. Só que o cara disse: “Bom, eu não fico com o Reginaldo, ele também não fica”, só. Ele falou pra mim: “Só que aqui tem uma politicagem, a área dele é muito política, é muito problemática”, e tal, “Você não quer tentar na CTBC, não?”. Eu digo: “CTBC? Nunca ouvi falar, pô”. “Não, a CTBC é em Uberlândia”, e tal, “Tem em Ribeirão Preto, tem em Ituiutaba”, tal. Eu digo: “Mas eu não conheço ninguém”, era Otávio, “Não conheço ninguém”. Ele falou: “Não, Reginaldo, pode ficar tranquilo”, pegou o telefone, ligou pra Uberlândia, falou com quem? Com Valter Machado. Falou: “Valter, eu estou aqui com o Reginaldo...”, aí contou a história, assim, assim. Aí o Valter falou: “Pode mandar ele vir”. Aí eu digo: “Pô, mas e agora, eu vou é pra lá ou eu fico em Goiânia assim mesmo?”. Aí eu resolvi vir, peguei o ônibus e vim. Cheguei em Goiânia, na rodoviária antiga ainda, ali perto, eu não sei qual é aquele bairro, eu sei que é lá…


P2 – Em Uberlândia?


R – É, Uberlândia, a rodoviária antiga, que era, não era essa nova não. Fiquei numa pensãozinha lá perto da rodoviária, esqueço o nome daquele bairro ali, aí de lá eu telefonei, tomei um banho, acabei de chegar de viagem, tomei um banho... telefonei: “Valter, sou o Reginaldo...”, e tal, “Otávio falou com você”. “Não, tudo bem.” Ele falava meio apressado, falava assim: “Tudo bem, quando é que você quer começar a trabalhar?”. Ah, não, eu falei: “Quando é que eu posso começar a trabalhar?”. Ele disse: “Não, começa agora”. Eu digo: “Não, mas eu não estou preparado!”. Aí ele disse: “Não, então nem vem aqui, vai embora. Vai embora, te prepara, vai pra Gurupi, te prepara, traz suas coisas, que já é pra trabalhar”. E de tal forma, que eu considero que eu fui contratado até na rodoviária. (risos)


P1 – Que ano era isso, Reginaldo?


R – Puxa vida, 1975, que foi 1970 e o começo, foi abril, maio de 1975. Aí eu fui pra Gurupi, fiquei mais uns quinze dias lá, e tal, pensando, eu digo: “Mas o quê que é CTBC, gente?”. Aí eu vim, voltei, já entrei na CTBC, já fui lá pra Araguari, fiquei em Araguari uns tempos, que era a época que a CTBC estava tentando segurar Araguari, que era a CTA; mas eu considero, do meu ponto de vista, que ela demorou muito a fazer isso, e acabou a Telemig comprando lá.


P1 – E aí, o seu trabalho qual era na CTBC?


R – Bom, na CTBC, especificamente, o meu trabalho era o mesmo que eu fazia na Embratel. Por que é que o Valter ficou interessado? Porque eu era um técnico em telecomunicações, formado, e já trabalhava com o sistema de microonda e tal, e na CTBC estava começando uma rota de microonda; e ele não tinha, praticamente não tinha técnico formado aqui.


P1– Certo.


R – Então, enquanto saía a rota, que eles estavam formando a rota de Uberlândia, deve ter vindo pra cá, em Uberlândia e Ituiutaba. Aí eu fui pra Araguari, fiquei uns dois meses lá, aí veio a pergunta do Valter, eu não me esqueço, ele perguntou pra mim: “Reginaldo, você quer ir pra Ituiutaba ou pra Ribeirão?”. Mas, à essa altura do campeonato, eu também tinha, em Gurupi ainda, ficado da faculdade de Ituiutaba, mandado, tinha já feito a inscrição para o vestibular. E, no meio do ano, eu digo: “Não, eu quero ir pra Ituiutaba”. “Por quê?” “Não, porque eu lá tenho faculdade, eu quero ir.” Porque existia faculdade operacional, Engenharia Operacional, que era aquela que você poderia fazer durante a noite, uns dois ou três meses depois eu fui pra Ituiutaba.


P1 – Também trabalhar na Manutenção?


R – Também trabalhar na Manutenção. Já tomando conta não só da parte de microonda, tinha eu e um outro colega, o Arnaldo, onde nós tomávamos conta também, porque a CTBC estava em um período de transição, então, pra mim foi muito difícil a adaptação. Porque de repente eu saí de uma empresa como a Embratel, onde nós tínhamos tudo, igual eu te falei, chegava na Rural ela estava cheia, ninguém mexia, era nossa, e na CTBC, eu conto isso para os caras, é muito, eles não acreditam, na CTBC você tinha que brigar, saía pra tirar um defeito, você não preocupava apenas com o defeito, você tinha que preocupar como é que você ia conseguir um carro pra te levar, e peça pra manutenção não tinha... (risos) Você tinha que tirar, aí que foi o pulo do gato e a coisa, então, tudo aquilo que eu tinha aprendido, e de repente eu já estava esquecendo quase tudo; já na CTBC era diferente, tinha que consertar no local, não tinha, a maioria das vezes, aquela peça pra repor, aí você tinha que se virar e consertar no local. Logicamente, que não era só eu, tinha uma equipe, tinha uma outra pessoa apoiando num Centro de Reparo, de Uberlândia, mas nós tínhamos que dar conta do recado. Então, lá em Ituiutaba, nós íamos até São Simão, Paranaiguara, fazia essa região, e vínhamos até Monte Alegre, e tinha mais: Canápolis, Centralina, Capinópolis, Ipiaçu, Quirinópolis, até Quirinópolis, nessa época, ainda era CTBC. O contraste era o seguinte, nós tínhamos essa rota começando a ser feita, em Ituiutaba, de microonda, mas nós tínhamos equipamento de linha física, que era ______ 12, 17, 32, equipamento de portadora que funcionava em cima de uma linha física. Aí a coisa piorava, né, porque quando dava defeito a gente tinha que socorrer, mas dava mais constante, não podia ventar que a linha cruzava, aí parava e a gente tinha que ir atrás, ou então, chovia, relampeava, derrubava poste, arrebentava linhas, e a gente tinha que…


P1 – Tempos heróicos, não é, Seu Reginaldo?


R – Tempos heróicos. Inclusive, nessa época, eu tenho uma passagem que eu nunca esqueço, num dia que parou, a cidade parava lá, parou Capinópolis, e chamamos para o Funil até nessa... Funil era o gerente, e falamos pra ele: “Olha Funil, o problema aqui é retificador, e foi, caiu a faísca, queimou todinho, não tem quem, não tem santo que dê jeito”. Eu sei que pediram um de Uberlândia, e qual não foi minha surpresa, que era um final de semana, era um sábado ou um domingo, parece, e chegou à noite, chegou lá o doutor Luiz e o Aílton, acho, que era o motorista dele, era o Aílton. Chegou lá com o retificador, só os dois, e eu e o Aílton pegamos de um lado do retificador, o doutor Luiz pegou sozinho do outro lado, ele sempre foi forte, né, e vai subindo as escadas, e levou lá em cima esse retificador, foi como nós conseguimos restabelecer a Central.


P1 – Foi a primeira vez que o senhor encontrou o doutor Luiz, ou não?


R – Não, já tinha visto outras vezes. Mas foi a primeira vez que tivemos contato mais direto, né? Porque parecia, é gozado, o doutor Luiz, ele sempre impôs para o, passou, a imagem dele, não é ele que passou, a imagem dele, sempre se passou uma imagem de mais respeito do que o próprio Alexandrino, o Alexandrino pra nós era o Alexandrino. Em suma, mas o Luiz Alberto foi sempre “doutor Luiz”, então, eu mesmo, só tratava ele como doutor Luiz, já o Alexandrino não, era Alexandrino pra cá, pra lá, e eu já tinha visto o Alexandrino outras vezes, mas o doutor Luiz, um dos primeiros contatos com ele foi exatamente nessa noite que ele chegou lá. Aí, depois, ______________________, o cara falou: “Não, esse é o filho do Alexandrino”, até então era o filho dele. Em Ituiutaba, o Luís Alexandre estagiou conosco lá, e o doutor Luiz falou: “Olha, põe esse menino pra trabalhar”. Eu digo: “Mas como é que nós vamos fazer, a gente vai chegar...”, vamos no linguajar, “... nós vamos apertar o menino aqui, pô? Ele é o filho do homem, como é que faz?”. E ele falou: “Quero ele trabalhando”. E ele ralou montando o D.G. lá, conosco lá, e foi, foi uma…


P1 – Seu Reginaldo, e o senhor Alexandrino, o senhor conheceu?


R – Conheci, tive o prazer de conhecê-lo.


P1 – O que é que o senhor pode dizer pra gente sobre ele?


R – Alexandrino, a gente, o que pode dizer, eu acho que muito já foi dito, é contar algumas passagens, alguns tópicos; eu, particularmente, como, parecia até uma coisa de destino. Quando eu mudei pra Ituiutaba, eu fiquei seis meses sem levar a esposa, porque ela tinha acabado de dar a luz, até pela data de nascimento da menina. Então, a Dé só mudou pra Ituiutaba no outro ano, e nós morávamos na, aí tinha uma casa lá em Ituiutaba, que era o Almoxarifado, tinha um quartinho, eles arrumaram e a gente morava no fundo. Isso pra nós era uma vantagem, porque não pagava aluguel, mas tinha o outro lado, aí, depois, eu descobri porque é que eles cederam isso pra nós. Qualquer pepino que dava, era a turma que estava lá atrás! (risos) Então, o menino que dava dor de barriga, a telefonista, nós que tínhamos que sair correndo levando para o hospital, caçando médico, ou coisa assim. Dava defeito, achava, estava na baia, né? E eu lembro que uma vez nós estávamos lá, estava até descansando na casa lá, um dia assim, um sábado, e a minha, a finada Negrinha, uma pessoa muito importante também no grupo, ela era uma chefe de telefonista, ela chegou lá apavorada: “Reginaldo!”, “O que é que foi?”, “Estou com o Alexandrino na linha”, “Alexandrino? O que é que o Alexandrino quer, pô, sábado!? Não deixa nem a gente sossegar dia de sábado...”. Aí o Zé Leonardo pegou a ligação, ele estava lá no trevo: “Ô, Reginaldo, o negócio é o seguinte, estourou um pneu da Veraneio...”, que é a Veraneio que ele estava, “... e nós estamos indo para um churrasco na fazenda do Samir (Tanus?)...”, que era lá em Ipiaçu, “... e eu fui ver, o estepe também está estourado”. E ele não sabia, ele dizia: “Eu não quero nem contar pra ele, eu falei que estava furado, mas está estourado lá”. E de tal forma, que não recuperou aquilo, era um trevo, tinha borracheiro, tinha tudo, mas não recuperou. “Você dá um jeito de arrumar um pneu e trazer aqui no trevo...” E eu: “Puta merda...”. Olha a coincidência, nesse dia tinha morrido, lá tinham duas, puxa, tinham duas casas de pneu, “Zero Pneus ou 15” e “Pneu Triângulo”, e tinha morrido um cara, um dos gerentes do Pneu, ou dono, proprietário, ou foi do Triângulo ou do Pneus ou 15, eu sei que um estava no enterro do outro! Eu digo: “Minha Nossa Senhora! As duas lojas fechadas, e agora o que é que eu faço?”, eram oito horas da manhã, eu saí atrás do Joaquim Pedro, que era um cara que era de lá, era da cidade, e nós: “Não, vamos lá, vamos no cemitério”. Fomos lá no cemitério, e tiramos o cara lá do cemitério para ir abrir a loja, para fornecer essa roda com esse pneu pra nós. Aí ele já pegou, já emprestou do carro dele, pegou, e o Joaquim Pedro foi levar para o Alexandrino lá em Ipiaçu. Rapaz, nós chegamos já era quase a hora do almoço, e ele já estava uma arara! Então, esse foi um dos primeiros contatos, assim, informal, porque não estava nada programado. Então, nós conseguimos levar esse pneu pra ele, e ele prosseguiu viagem pra Ipiaçu. Um outro contato, foi um fato pitoresco do Alexandrino, quando nós estávamos, sempre quando íamos a Uberlândia, aí ficávamos no Almoxarifado, e eu estava assim afastado, e ele conversando com o Jaime, que é o atual gerente de lá. Aí, então, eu vi o Jaime lá, e tal, e conversando, e de repente o Jaime me chama, eu digo: “Nossa Senhora! Agora vai... O Alexandrino vai lá, sai comigo aqui no, na cabeça”. Ele tinha fama de... (risos) Aí ele pegou, falou: “Olha...”, o Jaime falou, “o Alexandrino quer saber pra que é que são essas tábuas?”. Eram umas tábuas de mais ou menos quarenta centímetros por quinze, onde a gente colocava os protetores de linha para a telefonia rural, então, eles montavam os protetores, os disjuntores, e tal, ali pra proteger os rádios. Aí eu expliquei, aí ele pegou, olhou pra mim assim: “É, você sabe por que é que eu estou...”. Aí ele virou pra mim assim: “Você sabe quanto custa uma tábua dessas?”. Eu digo: “Ah, Seu Alexandrino, eu não sei não, me desculpa, eu não tenho ideia”. “Faça uma ideia” Eu digo: “Deve ser um real, ou...”, um real não, um cruzeiro, não era real ainda. Ele pegou: “Você sabe que nós temos uma serraria lá no Norte?”. Eu digo: “Sei”, por várias vezes já me escondi do doutor Luiz quando ia pra lá, porque, como eu era da região, ele sempre brincava comigo, e quando ele brincava a gente corria fino. E uma vez ele chegou e brincou comigo, uma vez não, duas vezes, querendo que eu fosse lá pra Pacajás, era onde era a fazenda, o complexo lá. E eu digo: “Sei sim, como não?”. Ele falou: “Você sabe que lá sobram imensos tocos de madeira?”. “Sei.” E é tudo madeira de lei, na Amazônia realmente é cedro, tudo é madeira de lei que tem pra lá. “Pois é, isso lá está perdendo lá, dava pra fazer tábua pra proteção de não sei quantos telefones rurais, e mais alguma coisa”. Aí a gente já vinha avisando ele, ele já estava meio de idade, já era depois daquela foto ali, ele estava esquecendo, ele pegou, falou: “Está vendo isso aqui? Vocês gastando dinheiro com isso aqui, podendo aproveitar os tocos de madeira”, que tinha lá, olha a visão dele, né? Porque eu tinha encontrado com ele outras vezes, na formatura, ia esquecendo. Ah, eu cheguei em Ituiutaba, prestei vestibular, passei, entrei na faculdade de três anos, demorei quatro anos e meio pra formar, já estava quase jubilado, porque a gente trabalhava o dia inteiro, chegava às vezes seis horas, seis e meia, porque do jeito que eu chegava eu ia pra faculdade, eu me lembro que a gente atravessava a pé, não tinha carro, e lavava os sapatos com a mangueira pra tirar o barro, é bom, faculdade é bom por isso, você perde a cara de pau, e ia pra escola. Então, como eu não tinha entrosamento com ninguém, eu faltava muito, era muito difícil, foi muito difícil, só depois que eu acordei, eu peguei pré-requisito de umas matérias básicas, que era Cálculo I, Cálculo II, Física I, Física II, quando foi o segundo período eu fui fazer, Física I, Física II, Cálculo I, Cálculo II. Aí que eu afundei mesmo, não dava conta, as matérias separadas já era pesado, eu peguei dobrado ainda, aí depois eu fui fazendo por partes e consegui. E, na nossa formatura, o nosso patrono, padrinho, foi o Dr. Luiz. E, nessa época também, foi receber o título de Cidadão o Seu Alexandrino, então, o Seu Alexandrino e o Doutor Luiz foram na nossa formatura. Então, eles foram nossos padrinhos, nós temos fotos lá na Churrascaria do Assis, que era uma churrascaria, que agora não existe mais essa churrascaria lá. E, de tal forma que ele foi o nosso padrinho, a gente chamava ele de padrinho Luiz, muitos ainda chamam ele, e depois...

P1 – E depois desse período em Ituiutaba, como é que foi a sua trajetória dentro da Companhia? O senhor saiu de lá e veio pra cá, como é que foi, ou foi _______?


R – Nós ficamos em Ituiutaba, foi evoluindo a cidade em nível de telecomunicações, foi, nós chegamos lá era central a passo ainda, aquelas centrais eletromecânicas, e eram as centrais AGF da vida. Depois colocou uma central mais moderna, no caso uma ARF.


P1- Ah, a ARF?


R – É, ARF. Primeiro era uma AGF que tinha lá, A-G-F, depois foi ARF, uma Central já melhor, bem melhor. E foi crescendo a região, foi criando-se, a CTBC também crescendo, nós percebemos que a CTBC também crescia, e entrou o Oscar (Celli?), começou aquela turma, o Oscar (Celli?), foi aumentando o Centro de Operações. E com isso, com esse aumento, vieram as oportunidades, eu comecei a fazer, fui ocupando o cargo de Supervisão, Supervisão Técnica, e tal, e, quando eu me dei fé, eu já estava mais burocrata do que técnico, praticamente dito. E foi quando, antes disso um pouco, eu tive um convite, porque o Valter, essa pessoa que me contratou até da rodoviária, ele gostava muito de mim, nossa! Aliás, o Valter era boa pessoa, todo mundo gostava dele, ele mudou, foi para o Rio de Janeiro, e antes ele foi para Belo Horizonte, ele me chamou, me convidou pra ir para Belo Horizonte, eu estive uns quarenta e cinco dias afastado. Fui trabalhar, o grupo começou a crescer, comprou a Teletro, comprou a (Alsa?), que depois transformou-se em ABCTI, que era uma de... Porque, naquela época o, a filosofia do grupo era, você já deve ter ouvido falar: “Puxa, telefone rural não instalamos muito, então vamos ter uma fábrica de telefone, vamos comprar uma fábrica”. Tinha torre, montava muita torre, aquela ABC Máquinas, esqueci o nome dela agora, montava a torre, vamos, comprou aquela, as empresas se chamavam ABC isso, ABC aquilo. Ah, mas então, muito na área rural, foi aí que comprou a (Frigorífica Iturano?), aí depois o Seu Mário Grossi veio corrigir tudo, os processos. (risos) Então, eu tive um convite pra, criou-se gerências, doze diretorias, então, Ituiutaba virou uma diretoria, e aí eu que já havia rejeitado um convite pra ser gerente em Iturama, porque eu estava fazendo faculdade, não dava, eu digo, olha, eu demorei a explicar, o Valter me entendeu bem, eu falei: “Valter, meu objetivo pra cá era que eu tinha que formar, se eu saio agora, vou pra Iturama, não vai dar pra eu vir aqui estudar”, como de fato não tinha condição, lá dentro de Ituiutaba já era difícil. Aí ele entendeu, e teve até uma [vez], eu digo: “Mas aqui tem um rapaz que está estagiando conosco, acho que ele vai preencher isso aí”. “Quem que é?” “O Divino Sebastião.” Então, nós indicamos o Divino, e ele foi pra gerente em Iturama, futuramente virou uma diretoria, e eu fui convidado a assumir a Gerência, Coordenação em Itumbiara. Então, eu fiquei na Coordenação em Itumbiara durante três anos, era naquela época que o gerente tinha que ser gerente de tudo, era Gerente da Área de Mercado, da Área de Operações, você tinha três problemas, era o cliente interno, quatro: era o cliente interno, o cliente externo, tinha... três problemas não, três oportunidades. E tinha também a parte de mercado, você tinha que vender e tinha que atender, naquela época não tinha essa divisão, só depois, acho que uns dois ou três anos depois, que criou aquelas empresas, separou.


P1 – Seu Reginaldo, nessa época, já no final dos anos 1980, que tem esse grande período de expansão, e tem também uma grande crise que vem com o endividamento do grupo, onde houve uma reestruturação, como é que o senhor se colocou nesse processo de reestruturação, a chegado do Senhor Mário Grossi?


R – É, eu considero, eu costumo dizer o seguinte: nós tivemos a oportunidade de passar por três períodos na CTBC, o primeiro período de vacas magras, mas num pasto bem produtivo onde dava pra ela engordar, que foi o período que ela passou a ocupar as cidades. Quando eu cheguei, nós tínhamos vestígios ainda, nós tínhamos ainda Ipiaçu, nós tínhamos Morrinhos, nós tínhamos Ribeirão Preto, algumas cidades do Pará, de Minas pra cá praticamente não mexeu. Ah, mexeu sim, tinha Patrocínio, Patos, então era época de expansão, mas foi exatamente a época que o pessoal acordou para aquilo que o Alexandrino estava fazendo, que aquilo pra mim, aquilo é um exemplo, porque você falar do Alexandrino, acho que é um cara, um pioneirismo e uma visão igual a que ele teve não tem. Quem parava ele eram as autoridades e, como elas demoravam muito, não conseguiam parar, tanto é que Pará de Minas chegou setenta quilômetros, trinta quilômetros de Belo Horizonte, e para o lado de Goiânia chegou em Morrinhos, para o lado de Franca foi a Ribeirão. Então, aqui para o lado Centro-Oeste, Goiás, ali São Simão, Paranaiguara, então toda essa região, e depois o pessoal foi tomando, e algumas cidades não pegou porque o pessoal dormiu no ponto, igual Araguari, foi um caso, Cachoeira Dourada de Minas foi outro caso que entrou Telemig, assim eu acredito que foi ___________________ na região. Então, naquela época, puxa, eu já te falei, era duro, nós saíamos pra trabalhar, e nos deixavam numa torre, então tinha um carro só fazendo esse transporte, e esse carro era o carro que transportava a equipe de rede toda, dentro da cidade. Então, o que é que o cara fazia? Na ida ele pegava e me deixava primeiro na torre, quando eu tinha que fazer o serviço na torre, na volta, no intervalo do almoço eu não precisava nem contar com ele, porque raríssimas vezes que ele voltava, então, depois ele saía para nos pegar, então, eu era o último a ser pego, eram lá sete horas, seis horas da tarde ele chegava lá. Então, ele saía, via sacra, num carro só distribuindo todo mundo, e nós ficávamos trabalhando, muitas vezes a gente vinha a pé da torre, e ia pra casa e: “Ah, não vou mais lá trabalhar!”, também tinha essa grande vantagem. O problema é o seguinte, cursos, a gente fez cursos, no final dos anos 1970, nos anos 80, no início fazíamos curso em Uberlândia, sabe onde é que nós ficávamos? Não sei se alguém de vocês lembra da Pensão Lisboa, Pensão Lisboa fica na Afonso Pena com a, aquela da CTBC é a Machado de Assis?


P1 – É.


R – Na outra, numa outra paralela daquela. Ficava na Floriano Peixoto.


P2 – A paralela à Afonso Pena é a Floriano.


R – É, ela ficava exatamente na, ali tinha uma lojinha infantil de coisas, e tinha uma pensão, até eu esqueço o proprietário, encostada lá dentro, ali naquele meiozinho, ali. Tinha uma loja de materiais de criança, na esquina, e tinha essa pensão, e nessa pensão, nós ficávamos nessa pensão, de tal forma que para a gente estudar, a gente deixava, ia de ônibus lá pra fazer o curso na Algar, era lá na Algar hoje, e acabava o curso, vinha embora pra pensão, esperava os hóspedes dormirem, juntava as mesas do refeitório, juntava aqueles projetos, projetos de uns mapas, os manuais lá distribuía em cima das mesas e ia estudar em cima das mesas até duas horas, três horas da manhã. Então, era de Pensão Lisboa, hoje os caras têm, cada um tem um carro, não é nem equipe, cada um tem um carro, cada um tem uma coisa. Aí: “O grupo está ruim”, o grupo está ruim, está ruim, está ruim, aí veio o Mário Grossi... Então, eles ganharam muito dinheiro, aqui em São Simão, pra você ter uma ideia, São Simão chegou a ter quinze horários de ônibus, entre uma cidade e outra, São Simão e Ituiutaba. E lá existiam dois DQ12, na época, funcionando direto, era um cofre, caindo moedinha... Essa parte, tecnicamente nós vimos que o negócio estava feio, quando chegou o Mário Grossi, ele não estava feio a nível de CTBC, ele estava feio a nível de grupo, foi quando ele decretou aquilo: “Dá lucro?”, “Dá”, “Não dá, vende.”. Foi aí, ele começou, foi vendido o Frigorífico Iturama, teve muitas controvérsias, muitas coisas que a gente até não acreditava, ele vender a Chevrolet lá em Uberlândia.



P1 – Vamos lá. O senhor estava se referindo, portanto, a esse período de reestruturação, então, com a chegada do Senhor Mário Grossi houve uma...


R – Com a chegada do Mário Grossi houve uma revolução, houve uma profissionalização da empresa, na verdade passou-se a, o quê que o Mário Grossi fez? Nós tínhamos pessoas, como o, tinha o Zé Leonardo, o Zé Leonardo era um cara que era, depois dele, antes dele tinha só a Dona Ilce, o doutor Luiz e o Alexandrino, o Zé Leonardo praticamente mandava em tudo lá. E uma das coisas que ele fez, ficamos só sabendo, na CTBC a reestruturação que, naquela época do Mário Grossi, foi isso: “Olha, a nível de chefia...”. Ele pegou, não: “É parente?”, “É”, “Tá, então pode ir embora, que eu mando o dinheiro pra lá, nós vamos __ profissionais aqui dentro.” E ele foi franco com a gente, ele abriu, ele disse: “Olha, nós estamos, a empresa está em crise, o grupo está em crise, mas lá no fim do túnel tem uma luz”. O dia que eu vi esse cara, rapaz, eu digo: “Puxa, Mário Grossi, eu pensava que era um pomposo...”, como é que a gente chama? Um, a palavra me foge agora...


P1 – Executivo?


R – É, um executivo. Porque a fama dele vinha da bom ________, e eu vejo aquele cara de terninho surrado, assim, tal, num restaurante lá na frente, ali em Uberlândia mesmo, um restaurantezinho pequenininho. “Esse ali é o Mário Grossi.” Eu digo: “Esse é o Mário Grossi?”. “É.” Aí fomos lá, ele cumprimentou todo mundo. E o Mário Grossi, ele pegava, ele chegava assim, e adorava ter uma reunião, ele fazia questão de ouvir todo mundo, e se alguém começava a falar, aí danou-se! Então, nossas reuniões iam muito além, ia lá, atravessava a noite assim, e até o pessoal falava: “Ó, ninguém abre o bico”. Um perguntava, “mmhum, tudo bem”. (risos) Que era pra não comentar nada, porque senão dava delongas para o Mário Grossi. Mas essa transição, pois é, aí foi o primeiro período, foi o período, nós tivemos um período que talvez vocês não saibam, ou já saibam, mas um período que vocês não viveram, que foi o período de pressão, de encampar a CTBC. Então, a gente amanhecia, a gente anoitecia, mas não amanhecia, e a gente já olhava os jornais, e todo mundo falava: “Olha, eles vão comprar a CTBC”. Aí até houve um boato, eu não sei até que ponto é verdade isso, que, mas era um defesa nossa quando os caras vinham, a gente encontrava os conhecidos que, porque lá em Ituiutaba eu comecei a fazer parte do Rotary, em 1989, então os caras chegavam e: “Pô, Reginaldo, a CTBC está sendo comprada pela Telemig?”. Eu digo: “Não, o doutor Luiz ofereceu pra comprar a Telemig”. (risos) Isso era, acalmava mais os espíritos dos caras, quando eles vinham era a nossa defesa. Mas houve também um ponto crítico, sabe qual foi? A renovação da concessão. A renovação da concessão, porque os políticos, nós estávamos com medo de ser votado na Câmara, já viu, uma coisa... então, nessa época eu já estava em Itumbiara, quando houve essa renovação agora, essa última renovação, e todo mundo falava: “Ó, não vai conseguir, não vai conseguir”. E nós tivemos que nos empenhar bastante. E esse período que eu cheguei em Itumbiara, já como gerente, naquela época era gerente, eu cheguei em Itumbiara, encontrei três desafios: o prefeito não falava com a CTBC; a Associação Comercial, por sua vez, também não falava com a CTBC; e nós estávamos num período de reestruturação interna, que era saindo daquela parte manual para uma parte automática, então, foi a primeira transição, além de técnica, essa transição de procedimentos. E eu me lembro que eu cheguei, eu cheguei em Itumbiara, eu fiquei sem delonga nenhuma, eu fiquei praticamente quase três meses pra poder falar com o prefeito, toda vez que eu falava pra marcar reunião com ele, ele marcava, nós íamos lá, quando chegava no gabinete, a menina falava que ele tinha saído, e a gente esperava ele voltar, e nada, e voltava mais tarde, e nada, e nem percebia. A Elza, que era uma funcionária da cidade, me falou: “Olha, você não vai conseguir falar com ele não, ele não gosta da CTBC”. Eu digo: “Gente, mas não é possível”. Aí um belo dia nós estávamos no Rotary, já em Itumbiara também, que eu cheguei lá e fui fazer parte do Rotary, aí teve uma festiva e está aquele cara lá, o prefeito, sentado na mesa da diretoria lá do Rotary. E o cara, o protocolo anunciou o nome dele, eu digo: “Puta, esse cara que é o prefeito? É agora”. Eu cheguei com o presidente, e falei: “Olha, estou tentando falar com o Luiz Moura”, que é Luiz Moura, acho que ele é até o atual, “... e não estou conseguindo falar, desde quando eu cheguei em Itumbiara que eu pelejo pra falar com esse homem e não consigo”. “Não, Reginaldo, não esquenta não, espera aí”; “Luiz Moura, este aqui é o Reginaldo, é o novo gerente aqui de Itumbiara, da CTBC, ele vem tentando falar com você e não consegue.” Aí: “Não, o quê que é isso, Reginaldo, pode ir lá amanhã”. Aí, bom, eu não disse nada, ___________________, era festivo e tal. Aí eu cheguei em casa, falei: “Elza, eu vou te contar e você não vai acreditar”. liguei pra ela, né. “O que é que foi?” “Consegui marcar a entrevista com o prefeito.” “Não é possível! Vamos lá amanhã cedo.” Oito horas nós estávamos lá na porta dele, ele chegou nove horas, aí eu já vi que ele mudou a fisionomia dele, ele falou: “Olha, Reginaldo, eu vou ser sincero com você, eu vou dar a você a última chance, eu não ia receber a CTBC”. Eu digo: “Não, doutor Luiz, a CTBC mudou muito”. O que acontecia com a CTBC é que ela, que naquela época ela queria, nós tínhamos que ter amizade com os prefeitos, com tudo, mas não podia fazer nada de graça, não podia fazer... e você sabe como que é com os caras, não tem jeito, às vezes uma coisa pequena, ele fica satisfeito. Então, e a CTBC sempre teve medo, porque um grande problema que eu vi é o seguinte, gente, aquilo queimava os neurônios, você ficava preocupado, eu dizia por que é que a CTBC não publica? Teve uma época que a CTBC não fazia, o doutor Luiz falava que não fazia propaganda com medo de parecer propaganda enganosa, ou qualquer coisa nesse sentido, eu sei que ele era avesso a propaganda, gastar o dinheiro do Seu Alexandrino, nem pensar! Ele não dava um centavo para aqueles caras de rádio, pra ninguém, então, a filosofia era essa. Quando chegava, eu dizia: “Não, o grupo está mudando”, e tal, e tal, e eu estava forçado a ir pra pedir para o cara, pedir para a bancada dele pra votar a favor da concessão. E ele tinha na bancada, ele tinha, o Zé Gomes, ele tinha três deputados, tinha um japonês, que eu esqueço o nome dele agora, tinha o Zé Gomes, e tinha um outro lá que era da bancada dele. Aí eu digo: “Ó, o grupo está mudando, a empresa está mudando, o senhor deve entender”. Aí ele contou a história: “Não, eu tive um atrito muito sério com o Senhor Nelson Cascelli”. Aí eu digo: “Puta, estou fudido, o homem brigou com o Nelson Cascelli, pô, o meu superintendente, o que é que eu vou fazer agora? Como é que eu vou sair dessa?”. O que aconteceu foi o seguinte, por causa de um problema político, ele começou a pedir umas camisetas para quando ele foi candidato a prefeito, para a campanha dele, e o Nelson, obedecendo as regras do jogo, falou que não podia; e aí eles tiveram um atrito por telefone, chegaram a, chegou a horas da discussão o troço ficar feio. E ele [se] queimou por quê? Porque o doutor Luiz tinha dado as camisetas para um cara lá, um candidato a vereador que era não sei o quê, conhecido, ou não sei de quê, eu não sei por onde o doutor Luiz deu essas camisetas. Aí tentava explicar pra ele que, mas a CTBC não dava, eu sei que ele foi, e ele ganhou gente, esse homem ganhou pra prefeito. Aí a primeira coisa que ele faz – tinha uns postes que retirou e estavam no pátio da prefeitura – ele retirou os postes de uma avenida que lá estavam arrumando, e prendeu no pátio da prefeitura. “Pô, mas os postes, são nossos.” Aí esses postes estavam presos lá no pátio, isso foi antes de eu chegar lá. Ele, de mês em mês, três meses, você tinha um fiscal lá pra saber como é que estava a documentação da CTBC. Aí eu falei: “Olha, Seu Luiz, a empresa mudou, então é outra visão, é por isso que eu estou aqui, é porque existia uma visão, o problema, anteriormente a gente era orientado pra outra visão”, e tal, e tal, e tal. Ele disse: “Olha, eu vou te dar uma chance, eu vou acreditar em você”. Eu digo: “Não, não é em mim que o senhor vai acreditar, é no grupo, o grupo está mudando”. Aí ficou beleza, tal, eu digo: “Olha, aparece pra tomar um café”. Falei por educação, eu nunca pensei que ele ia lá na gerência. Quando foi dois, três, quatro dias depois a menina chegou branca, a secretária. “O que é que foi?” Era ele. “O prefeito está aí.” Aí, pô, levei um susto, aí eu digo: “Corre, manda um menino lá, pega um pão de queijo lá, compra um pão de queijo lá, meio apressado, na panificadora, e traz”. Aí eu levei ele pra lá, começamos a tomar um café, conversar, eu sei que daí pra cá ele ficou meu amigo, amigo nosso, tal, e sumiu fiscal de prefeitura, ele devolveu os postes, entendeu? Aí ele pediu um negócio de uma rede lá pra, uma rede que nós já estávamos programados pra fazer mesmo, vamos dizer nada além daquilo, e tal, e chega lá, aí eu conversava com ele: “Então, nós estamos ampliando a rede, o que é que o senhor acha?” E tal. “Não, a máquina está aí pra cavar, pra pôr, enfiar _______”, qualquer coisa. Gente, aí eu digo: “O primeiro já foi cumprido”. Aí o segundo desafio; os companheiros meus do Rotary, a maior parte era da maçonaria, tinha muita gente da maçonaria, e tinha da Associação Comercial também: “Ah, Reginaldo, vamos numa reunião da Associação hoje?”. Eu fui. Cheguei nessa reunião, na dita hora que eu cheguei, o cara estava falando mal da CTBC. Eu digo: “Pô, não é possível, cara”. Aí o cara pegou: “Olha”, me apresentou para o Presidente da Associação, é um cara que hoje está nos Estados Unidos, falou: “O Reginaldo é o novo gerente da CTBC”, tal e tal, “é companheiro nosso do Rotary”, “Ó, mas é muito bom que você veio!”. Eu digo: “Não...”. Aí ele falou: “A CTBC é...”, isso, aí eu digo: “Olha...”, eu esqueço o nome dele agora, rapaz... Eu falei: “A nossa vontade era de estar aqui ao seu lado, participando com vocês, mas, infelizmente, nós temos muita coisa pra fazer, mas eu te prometo que a partir de agora eu vou vir mais amiúde nas reuniões da Associação, __________, no lugar onde tiver eu vou participar das reuniões”, e tal. Aí ele animou, eu fiquei animado, quando foi depois, o cara chegou na CTBC, no outro dia. Aí eu fui descobrir os porquês, do prefeito eu já tinha descoberto, né? O que aconteceu com esse cara, rapaz, e era só pepinos que eu pegava; esse cara tinha tido um atrito com os irmãos Garcia, por causa de um terreno de um outro irmão dele que era, se eu não me engano era uma serraria, era ali por perto, ali onde é o prédio da Chevrolet, por ali, assim, aquela churras... então, o cara entrou em demanda com o Alexandrino, briga feia, aí os caras, pra compensar, não instalavam nenhum telefone deles em Uberlândia, e nem em lugar nenhum onde estivesse na área da CTBC! “Eu tenho um telefone pra instalar, Reginaldo, já faz seis, cinco, sete anos que está pra instalar esse telefone, e eles não instalam”, e tal. Aí eu digo: “Puta, não, mas não pode”, aí eu peguei e liguei para o Gilberto (Gatti?): “Escuta, está acontecendo isso...”, assim, assim. “Não, Reginaldo, é o seguinte, isso aí já passou, é a nova era, então vamos liberar o telefone dele.” Aí eu liberei, aí pronto, aí ganhamos as duas forças, porque era a Associação Comercial. Aí o prefeito pegou e falou o seguinte, porque nós queríamos que ele desse o nome do deputado, que ele, algum ofício pra pedir os votos, ele falou: “Não, eu passo daqui da máquina da prefeitura mesmo, do telex aqui”, pedindo, aí de lá mesmo ele solicitou, aí levou cópia para nós, aí nós já levamos essa cópia lá, e já recebemos depois os deputados dizendo que iam votar a favor. Aí foi um alívio, pô, foi aprovada a concessão por mais dez anos, quinze anos, sei lá.


P1 – Essa foi uma grande vitória?


R – Essa foi uma grande vitória, e foi um alívio pra todos nós da CTBC. Aí juntou gente de Uberaba, juntou ônibus aqui, foi pra Brasília, muita gente foi em Brasília fazer o lobby em cima dos deputados, que a coisa foi feia, estava feia, se a gente perdesse essa concessão estava ferrada. A Telemig estava de olho na gente, a gente era um pintinho aqui no meio, um cri cri, então...


P1 – Seu Reginaldo, e como é que o senhor veio para Uberaba?


R – Aí bom, eu estava, fiquei em Itumbiara durante três anos, nesses três anos eu tenho, o último eu saí no meio, dois anos e meio praticamente. Aí teve um problema, o seguinte, nós estávamos ficando sem técnico na área técnica, estavam os técnicos, estavam todos em coordenação. Eles resolveram fazer uma reestruturação em nível técnico, então: “Olha, vamos trazer os técnicos de volta”. Aí começaram a fazer umas mudanças, aí mais, lá vou eu pra essas mudanças. Acho gozado, tem um fato que eu acho importante quando eu falo nisso, que tem pessoas que falam em mudança: “Ah!”. “Vocês têm medo de mudança? Vai ter mudança”. Eu digo: “Ó, ninguém mudou mais do que eu, eu comecei mudando desde pequenininho, que eu saí da minha cidade natal lá pra Cochinchina lá, e depois saí da Embratel, e pra CTBC, e na CTBC já fui coordenador, e já fui tudo, e cá estou hoje”. Então, nós viemos pra Uberaba, aí houve essa reestruturação, o Mário Grossi saiu, aí acabou os níveis de diretoria, então eu vim com um cargo técnico, de ATO, que chamava naquela época, Assessor Técnico Operacional. Aí, acabou e eu fiquei como um técnico, como especialista, então eu vim pra cá, vim pra área de transmissão, a área, minha origem que era a área de técnica de transmissão, vim somar com a equipe aqui, mas mesmo aqui em Itumbiara, aqui em Uberaba eu fiquei uns oito meses substituindo o gerente, que era o Tavares, coordenador, foi quando ele foi pra Uberlândia e, enquanto veio o outro coordenador, eu fiquei substituindo esse por uns oito meses quase, quase um ano eu fiquei como substituto.


P1 – Seu Reginaldo, o que é que o senhor teria pra dizer para uma pessoa que fosse começar amanhã na CTBC, o que o senhor diria pra ela, o que é que ela vai encontrar?


R – Ah, o que é que ela vai encontrar, né?


P1 – O que é que o senhor diria assim?


R – Eu garanto o seguinte, o que é que ela vai encontrar? Ela vai encontrar uma empresa teórica e praticamente melhor do que eu encontrei, primeiro detalhe, bem estruturada, tá? E bem estruturada, vírgula, tecnologicamente falando, ou seja, uma empresa moderna onde você, você entrar na CTBC hoje é um privilégio de poucos, e eu digo que, como eu fui contratado na rodoviária, hoje o cara não consegue ser contratado na rodoviária, ele tem que ser um técnico bem informado, tem que ser uma pessoa bem formada para essa visão técnica, ele tem que ser uma pessoa bem informada, mas vai encontrar uma empresa, um ambiente espetacular de trabalho, um ambiente que, quem diria, né? Como eu, quando comecei a trabalhar na CTBC, eu e mais outros, é uma mudança da água do vinho, puxa! Ele vai encontrar, nós quando começamos a trabalhar na CTBC não tinha plano de saúde, não tinha, hora extra tinha, mas não pagavam, a gente só trabalhava; liberdade pra trabalhar, vai encontrar condições pra trabalhar, bem melhor do que era antes. Então, eu até falei, no dia que eu saí da CTBC eu falei para o, até me emocionei bem, eu falei para eles que estão agora, e que estão entrando, consigam entregar, como eu estou entregando para eles, uma empresa melhor.


P1 – Como é que foi essa sua transição da CTBC para a Engeset?


R – Tá, aí, as pessoas costumam chamar a gente de saudosista, ou um pouco emotivo. Eu confesso para você que foi das mudanças, a gente nunca espera, a gente sabe que tem mudança, tem tudo, das transições essa foi, digamos, a mais difícil, porque foram vinte e sete anos de CTBC. Então, nós acreditávamos que teríamos um, sei lá, talvez olhando pelo lado humano, nós acreditávamos que teriam que ter um pouco mais de consideração, na nossa visão, apesar de que do outro lado da visão nós estávamos tendo consideração, porque nós estávamos indo para outra empresa do grupo. Mas nós como aquele que está, há vinte e sete anos que estava na empresa, então nós acreditávamos que deveríamos ter um outro tratamento, e não como ocorreu; de repente numa tarde de sexta-feira chegou o coordenador, não menosprezo a pessoa dele, acho que ele é uma pessoa legal, e tudo, mas chegou e disse: “Olha, vocês a partir do dia ‘tal’ estão na Engeset”. Assim, secamente, sem declinar razões, sem declinar, só dizer “não, são mudanças, são mudanças”, então nós sentimos um choque, foi um troço... Então, na verdade, aí nós ficamos sabendo que aconteceu o seguinte, foi uma reestruturação a nível de uma área de engenharia que passou para a Engeset. Até aí tudo legal, mas se eles tivessem explicado isso pra nós, se tivessem chamado a gente, levado lá à Uberlândia, eu não, e que... mas nós considerávamos, eu considerava que a gente merecia esse respeito, tá? Então, no princípio não foi fácil essa decisão, mas, puxa vida, o nordestino tem disso, é acostumado a passar por deixar pai e mãe, tanto é que eu moro aqui com a esposa e o filho, não tenho nenhum parente, pai nem mãe, meu pai é falecido, minha mãe mora lá em Porto Velho, tem oitenta anos, não pude ir no aniversário dela agora. Foi, não vou dizer, estaria jogando confete, mas eu acredito que na visão do doutor Luiz foi outra, tá? Então, pra nós foi uma coisa que, muito, poderia ter sido mais explicada, eu não sei, devem ter tido as razões de não explicar, de não detalhar, entendeu? Mas a coisa foi realmente, mas sabíamos que teve, teve reestruturação, e vai haver mais reestruturação, e vai haver sempre, são as mudanças, estão aí toda hora. Mas acredito, não, aí eu faria um apêndice, o seguinte, não sei se vocês vão concordar comigo, isso é o mal do nosso povo do Ocidente, o povo, o americano, o latino-americano, não tem muito, digamos, não aprende...


R – (...) não aprende. E, paralelo a isso, eu gostaria de te dizer uma coisa que eu _______ outro dia aqui no começo, mas até ela fica bem para o final, que eu estou achando isso aqui uma coisa maravilhosa que está sendo feita pelo grupo, uma coisa de levantar o histórico das pessoas, porque muitas pessoas têm, estão aí fora, que participaram, que deram duro. E nós conseguimos, junto com a direção, com o doutor Luiz, o Alexandrino, isso foi trabalho duro. Eu viajei com ele, com o doutor Luiz, nós viajamos para muitos cantos, muitos lugares, e ia nas torres, ele ia junto com a gente, andava a pé, então, eu achava que a gente merecia mais uma consideração. Então, não foi uma coisa, mas a gente entendeu, contornou isso aí, graças a Deus, houve esse período, depois passou e estamos no grupo, estamos aí. Enquanto, igual eu falo: “Eu sou ruim com saudade, enquanto eles não me quiserem eu estou aí no quartel”.


P1 – O senhor acabou encaminhando a nossa última pergunta, que é exatamente essa, como é que o senhor se sentiu dando esse depoimento para nós, que foi tão rico, o que ele significa para o senhor?


R – Eu só lamento, que é igual eu falei pra você, eu gostaria de ter feito uma coisa bonitinha, ter contado, sei que ficou muita coisa pra trás, se eu lembrar eu talvez esteja relatando pra vocês, mas eu digo o seguinte, que eu estou orgulhoso, e digo mais, hein? Essa foi a segunda empresa que eu trabalhei, eu trabalhei, pelo depoimento você pode ter visto, a Embratel, quando eu saí do, não, foi a terceira, o quartel; o quartel eu não considero, foi o quartel, a Embratel e a CTBC. Agora eu estou na Engeset, mas eu me considero no grupo, ______________________. Então, isso pra mim está sendo uma coisa fantástica, o que vocês estão fazendo, é buscar na memória, já é digamos uma correção daquilo que eu acabei de falar, que o brasileiro não tem memória. Então, e, com isso, ele não, não que eu me sinta velho, mas ele não respeita as pessoas idosas, não tem considerações, tal, não é como o Oriente, o Oriente uma pessoa idosa é uma pessoa que tem muita coisa a explicar, muita coisa a ensinar, tá. E vocês estão de parabéns, porque isso que está sendo feito é uma coisa muito importante para o futuro, para a gente ter oportunidade de dizer que... se os nossos filhos perguntarem: “Onde você trabalhou?”, “Eu trabalhei na CTBC, trabalhei no grupo Algar com muito prazer, constituí família, graças a Deus minhas filhas estão praticamente formadas, tem uma formada em Jornalismo, a outra formada em Fisioterapia, mas ela optou pela área de Farmacologia, que ela quer é dar aula, e está terminando o mestrado agora no mês de agosto, e já começa o doutorado em Ribeirão Preto. E a caçula voltou lá pra onde o pai veio, para Ituiutaba, está fazendo Direito, o quarto ano de Direito, passa todo ano, está estagiando, não faz prova, está estagiando no Fórum de lá”. Quer dizer, eu sou um cara realizado, pô, não há coisa melhor que isso, uma esposa maravilhosa, e não tenho bens, não tenho, que os meus bens sempre foi, o meu dinheiro foi essas meninas, o estudo delas, estudo meu, o estudo da Dé, então, mas para mim a coisa... estou muito feliz, muito agradecido por esse convite, espero ter contribuído e estou aí disposto, disponível para vocês, a qualquer hora e se tentar descobrir uma coisa...


P1 – Ok, muitíssimo obrigado, o senhor pode ter certeza que foi um belo depoimento, não foi nada dessa forma como você achou que foi, que faltou coisa, o senhor fez uma trajetória muito legal, muito bom ouvi-lo, muito obrigado.


R – De nada.

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