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História

Com açúcar, com afeto

História de: Andreia Souza Oliveira Rosário
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/01/2013

Sinopse

Origem da família. Infância e adolescência no Espírito Santo. Tradição religiosa. Trabalho na lavoura. Estudos. Casamento e maternidade. Trabalho de diarista. Curso no Instituto Aliança. Dedicação ao ramo de doceira. Festa de quinze anos, a realização de um sonho.

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História completa

Foi agora que eu entrei pra esse grupo de mulheres, que tivemos curso pra aprender a fazer doces, montar nosso negócio, vender e estamos nessa luta. Ainda está no começo, mas o que eu penso é trabalhar pra dar conta das nossas coisas mesmo, eu queria poder focar a minha vida nesse projeto, de fazer doces. Arrumar a minha casa. Porque minha vida foi sempre na roça, minha casa foi sempre simples. Na infância, a minha casa era simples. Nós somos de uma família simples. E vivia tudo junto na mesma casa, mas minha mãe trabalhava muito pra poder conseguir levar a vida. Deu estudo até onde ela pôde dar. Meu pai também era bem duro. Ele cortava cana na lavoura e pescava. Duas profissões. Ele pescava muito. Minha mãe também ia pra oito filhos. Onde nós morávamos em Graúna era uma localidade distante, de nome Boa Vista. Eu gostava de estudar. Mas tive que parar de estudar depois que eu passei da quarta porque, como a vida era tão dura, não dava pra dar estudo, descer cá pra baixo, pagar ônibus pra poder vir. Ficava distante também pra nós. Minha mãe trabalhava e não confiava em deixar menina sair sozinha. Aí paramos. Eu não fiquei chateada porque sabia que eles não tinham condições. Eles não tinham condições de levar, que eram oito filhos. Não ia dar conta de trabalhar pra comer, pra vestir e pra manter escola. Aí tivemos que parar. Eu fui pra roça mais ou menos com quinze anos. Eu mesma gostava de trabalhar, sair acompanhando minha mãe e poder aprender alguma coisa, que, antigamente, a única coisa que tínhamos pra fazer era aquilo. Corte bastante cana. Diversão mesmo era a igreja, que íamos desde novinhos. Assembleia de Deus. Fomos praticamente criados lá dentro. Tinha música, pessoas. Nunca saí da igreja. Se não fôssemos pra igreja, não íamos pra lugar algum. Aí eu casei com dezoito anos. Antes de eu engravidar, eu trabalhei bastante. Trabalhei algumas vezes na casa de família, trabalhei cortando cana. De qualquer maneira, tinha que movimentar pra ter alguma coisa. Aí, depois que eu tive o primeiro filho, já saí da roça, não cortei mais cana. Esperei que estivesse um pouco crescidos para voltar. Meu marido sempre também trabalhou na roça. Ele trabalhava de ajudante, tratorista. Então nossa vida sempre foi na roça mesmo. E eu, agora, ainda não estou ganhando dinheiro vendendo doce, mas, o pouco que ganho, ajuda. Estou evitando ir pra roça. Até porque, com as outras mulheres, eu me divirto muito, rio, brinco, dou risada. Vou fazendo meus trocadinhos por mês.

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