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História

Com a proteção de São Vito

História de: Gina Labate Erriquez
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2016

Sinopse

Nesta entrevista, Gina começa nos falando de sua infância no Brás, onde cresceu em cortiços e numa casa onde seu pai alugava alguns quartos. Em seguida, nos conta de sua ascendência italiana e da história de seu pai, preso num navio do Exército por ter fugido de seu turno para encontrar-se com sua noiva. Depois, Gina nos fala sobre como foi crescer nas ruas da Zona Cerealista: o Mercado Municipal, seu auxílio ao trabalho de verdureiro de seu pai, o futebol, as brincadeiras de rua, os namoros no Parque Shangai, além dos carnavais e das Festas de São Vito. A seguir, sabemos mais de seu casamento e seu marido Lucca, além de detalhes sobre sua vida como trabalhadora de fábrica. Adiante, Gina nos conta com detalhes a criação da Associação São Vito, suas lutas, superações e o prazer em organizar anualmente a Festa de São Vito, pela qual se dedica a décadas como uma das "Mammas" do evento. Por fim, faz um apelo acerca da necessidade de se revitalizar o Brás e nos conta seus sonhos para os próximos anos.

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História completa

Meu pai era verdureiro, trabalhava com carrinho na rua. Nunca faltou nada em casa, graças a Deus a gente ajudava também nas compras, na arrumação do carrinho. E quando terminava ele punha nós no carrinho e levava numa garagem. E o nosso prazer era esse, sentar no carrinho e nos acompanhar numa garagem. Todo dia. Ele andava no bairro vendendo a verdura. Nessa época as verduras vinham em maços enormes. Eles juntavam três, quatro verdureiros e eles mesmos tinham que separar e fazer os macinhos e vender. Não era como agora que você já compra tudo pronto. Na época não, eles tinham que fazer. Aí eles vinham, meu pai rodava pela Benjamim, pela Santa Rosa, pela Alfândega, pela Assunção, cada um tinha seu ponto. Depois que terminava de servir essa freguesia parava na porta de casa, aí quem não estava na casa vinha lá comprar. Era frutas, elas às vezes estragavam um pedaço, tirava manga pra cá. O palmito vinha comprido como vem nativo, não era como agora que você só compra palmito nos vidros, na época não. Então ele vendia, quando ele não conseguia vender ele cortava ele todinho, tirava aquelas cascas e a gente fervia com limão e comia. Era uma delícia. Agora palmito não tem mais gosto. Era muito bom. E eu ajudava. Eu sempre fui danada, esperta, moleca. Eu ajudava em tudo, carregava caixa. Porque à noite tinha que tirar o que sobrava, então na minha casa tinha uns degraus e nós empilhávamos tudo atrás da porta pro dia seguinte, quando ele encostasse lá, pegar novamente. E assim era a nossa vida. Íamos comprar e vender no mercado. Tinha o mercadinho da verdura, Mercadão grande, e tinha essa praça que vendia verdura pros verdureiros. Era uma praça que era tudo no chão. No Brás. Lá perto do Mercadão. Tinha uma praça grande e a gente ia, eu gostava de ir. O meu tio tinha banca no Mercado. Ele vendia laranja e abacaxi. Quando não saía ele ligava, a casa da minha tia tinha telefone, na minha não, meu tio estava um pouco melhor de vida. Aí chegava lá, ele telefonava: “Vem pra cá que não está saindo nada”. Corria eu, a minha prima, a minha irmã, descalças, maloqueiras. “O abacaxi tá doce, o abacaxi tá maduro!”, ele falava que nós vendíamos tudo. Porque sabe, eles estavam cansados, o dia todo, iam três horas da manhã pra lá. E nós não, corria, vendia. Quando sobrava caju, pêssego, o meu primo fez caixinha, que nem tem baleiro do cinema, que agora não tem mais, eles punha as frutas lá e nós ia vendendo nos armazéns. E faturava, viu? Quando sobrava, é uma fruta perecível, estraga muito rápido, né, caju, a pera, o pêssego, já estava maduro. Eles compravam, porque a gente insistia. Quando nós voltávamos com a caixa vazia, meu primo era mais malandro, era mais velho: “Dá o dinheiro”, aí davam pra nós e falavam: “Se sobra alguma coisa vocês pegam”. 

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