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História

Com a palavra, as secretárias

História de: Virgínia Maria Soares de Moraes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Virgínia entrou no BNDES em 1980, junto com Alcina. As duas estudaram e prestaram o concurso juntas, mas são secretárias de áreas diferentes. Neste depoimento, dado em conjunto, elas falam sobre o dia a dia e o que acham do banco. 

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História completa

P/1 – Boa tarde, senhoras. Por favor digam o seus nomes, local e data de nascimento.

 

R/1 - Virgínia Maria Soares Moraes. Nasci em Viçosa, Minas Gerais. Precisa dizer o dia e o ano? Todo mundo vai descobrir minha idade? Quatro de junho... Cinquenta anos eu faço, junto com o banco. Eu tinha reservado isso para o final.

 

R/2 - Alcina Celina Moraes. Nasci em Volta Grande, estado de Minas Gerais, no dia dezoito de dezembro de 1953.

 

P/1 - Quando e como se deu o ingresso de vocês no BNDES? Eu já sei um pouquinho da história. Quem começa? A Virginia começa.

 

R/1 – Nós entramos [por] concurso público, não foi pela janela. (risos) No ano de 1980 foi a admissão, fizemos a prova em 79. É, fizemos a prova em 1979 e entramos em julho de 80.

 

P/1 – Vocês entraram juntas?

 

R/1 – Entramos juntas, fizemos a prova juntas, sentamos uma atrás da outra na sala e... A Alcina continua.

 

R/2 - Isso é uma brincadeira que surgiu da gente ter colado. Isso não aconteceu, claro. A prova foi com muita lisura, enfim, [de forma] muito séria. A prova foi muito boa. Estudamos até de madrugada do dia anterior à prova, estávamos nervosas. Era um número de concorrentes muito grande, [o] número de vagas [era] muito pouco, mas enfim, fomos bem sucedidas e estamos aqui há 22 anos.

 

P/1 – Quem entrou melhor, qual foi...

 

R/1 – A Alcina foi melhor classificada. Ela ficou...

 

R/2 – Em 32º lugar.

 

R/1 – E eu [em] 53º lugar.

 

P/1 – Vocês conferiram o gabarito depois da prova?

 

R 1– Conferimos.

 

R/2 – Depois da prova nós vimos o que eu tinha errado e o que ela tinha. Durante a prova não, só um pouquinho, só catucava discretamente. (risos)

 

P/1 – Quais as atribuições da sua área, Virginia?

 

R/1– A minha área cuida do orçamento e estatística, há um ano e pouco a gente está coordenando a reestruturação do banco.

 

P/1 – E da sua área, quais as atribuições?

 

R/2 – A minha área é a área do setor produtivo do banco. Ela atua no fomento, na captação e _______ de operações nos setores de agroindústria, de têxtil, calçado, supermercados, hotelaria. Eu sou secretária do setor de agroindústria, meu chefe é uma pessoa muito dinâmica, enfim, é muito legal.

 

P/1 – Eu quero saber o seguinte: você também é secretária? Qual o projeto que você participou como secretária que você considera importante?

 

R/1 – Foi a reestruturação do banco. Tive participação ativa junto com meu chefe. Está sendo um processo superlegal, muito dinâmico. A gente trabalha à beça, faz encontros fora do Rio. Está sendo muito interessante.

 

P/1 – E pra você, qual o projeto que considera importante?

 

R/2 – Todo o setor de agroindústria é muito importante pro BNDES e para o Brasil. Ele atua fomentando exatamente a produção de camarões, de peixes em cativeiro, de animais, de porcos, enfim, é um setor de infraestrutura da agroindústria do país, um setor de muita importância.

 

P/1 – Contem uma lembrança marcante de seu dia a dia no BNDES, uma história interessante, passada.

 

R/1 – Eu tenho. Quando eu cheguei ao banco fui trabalhar na Presidência e era tudo muito rígido. Quando nós chegamos para trabalhar na secretaria geral, as pessoas que estavam ocupando aquele lugar estavam saindo porque não tinham sido aprovadas no concurso. Nós chegamos aprovadas, então o clima era muito ruim, todo mundo chorando, todo mundo muito triste. A chefa Celina, que já veio a falecer [era] uma pessoa muito rígida, muito séria com a condução daquela sala de trabalho, porque eram várias pessoas. Nós éramos cinco pessoas e a chefia e ela não relaxava nunca. Eu fui chegando e fui descontraindo o ambiente, introduzi o lanche da tarde, saía correndo para ir na padaria buscar o pão com manteiga. Fazia isso toda tarde e quando eu começava a brincadeira de servir o pão com manteiga e o cafezinho da tarde, eu sentava no braço da cadeira da chefa. Todo mundo ficava horrorizado como eu conseguia aquilo. Ela era muito fechada, muito austera, depois ela foi diminuindo aquilo.

 

P/1 - E ela aceitou?

 

R/1 - Aceitou. No início ela não queria aceitar, não participava, fazia cara feia e aos poucos eu fui chegando com o pão e a manteiga perto dela (risos) e ela foi descontraindo.

 

P/1 - E aí, Alcina? Eu tenho certeza que você tem alguma história interessante pra contar.

 

R/2 - Eu tenho história. Quando nós entramos, fizemos um curso de ambientação no Banco que na época o departamento de Recursos Humanos promoveu. O Dr. Romeu Fernandes - [que já] faleceu também - foi extremamente receptivo e simpático, muito cordial. Foi um curso de ambientação muito alegre porque fomos pra colônia de férias do BNDES lá em Itaipava e ali comemos e bebemos, tocamos violão - nessa época eu tocava violão - então foi um espírito de confraternização muito agradável e foi muito graças ao Dr. Romeu, ele foi muito receptivo com a gente.

 

P/1 - Agora uma avaliação, pra finalizar: o que é o BNDES pra vocês?

 

R/2 - O BNDES foi muito bom na vida de todos nós. É uma empresa de pessoas muito capacitadas, as pessoas são cordiais aqui dentro, são muito inteligentes, eficientes no trabalho. O BNDES tem muita importância sob o ponto de vista econômico para o país, principalmente esse setor que eu estou trabalhando. Estou vendo a importância pro fomento do país no setor de agroindústria, mas o BNDES também tem os seus defeitos. O corpo técnico é muito bom, muito preparado, mas também tem um lado, as pessoas aqui são muito vaidosas, chegam a ser até um pouco arrogantes, elas se acham - bom, a falibilidade humana. No geral é muito bom, [são] 22 anos de casa, foi uma grande escola e foi muito bom.

 

R/1- Não tenho mais nada a acrescentar, ela falou tudo. Mas foi super importante, hoje eu acho que o saldo é mais que positivo. Tem umas arestas para serem aparadas, mas como o saldo é positivo eu não vou nem fazer comentários sobre isso, tá?

 

P/1 - Vocês dentro do BNDES tem hobbies, não tem?

 

R/2 - Eu tenho hobbies, mas fora do banco. O BNDES facilita pras pessoas, ele traz profissionais de outras áreas pra desenvolverem um hobby e muitas desenvolvem a hora do almoço, como ikebana, pintura, yoga. Isso é muito bom, isso torna o ambiente melhor e mais saudável pra se trabalhar, mas nenhum desses hobbies que o BNDES traz pra nós eu desfruto. Meus hobbies estão fora do Banco.

 

P/1 - O que as jovens senhoras acharam de ter participado dessa entrevista e contribuído pro projeto “50 anos do BNDES”?

 

R/1 - Eu fiquei emocionada de participar de um momento desse, histórico, tão importante pro banco e me sinto muito honrada de fazer parte desse corpo funcional.  Esse é um banco de fomento, super importante pro país e eu devo ter contribuído um pouquinho pra estar na história desse banco, com certeza.

 

R/2 - O BNDES foi muito importante na nossa vida e nós fomos também importantes pro banco, até pelo fato de entrarmos por concurso público, isso é muito bom. Nós demos nossa contribuição aqui pra casa, eu estou muito satisfeita também de ter feito parte dessa história e é muito bom o BNDES estar comemorando 50 anos. Acho que historicamente dá um cabedal melhor pra família “Benedense” continuar.

 

R/1 - Junto com isso minha emoção se torna maior porque também faço 50 anos no mesmo mês, quase junto com o BNDES. É uma coincidência que de repente não é uma coincidência, eu tinha que estar aqui contando essa história hoje.

 

P/1 - Eu queria agradecer as duas. Muito obrigada por terem vindo, obrigada.



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