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História

Colocar o sonho em prática

História de: Simone Nagai
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 00/00/0000

Sinopse

Infância e convivência familiar. Sonho de ser advogada. Curso de Direito. Trajetória na General Motors. Ingresso na Volkswagen. Desafios e conquistas da Fundação Volkswagen. Desenvolvimento do Comitê de Sustentabilidade. Criação do Centro de Voluntariado em São Bernardo do Campo.

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História completa

 

R – Simone Nagai, nasci em 7 de novembro de 1975, em Guarulhos.


P/1 – Simone, você poderia contar para a gente um pouco da sua infância?


R – Sou de uma família bastante humilde. Sempre morei em Guarulhos, nascida lá. Meu pai, ourives; minha mãe, também era. Sempre tivemos, como um dos grandes valores, a união dentro da nossa casa, respeito ao próximo, honestidade e muito carinho. Cresci em Guarulhos, muitos amigos, estudei sempre em escola pública, exceto os últimos anos de estudo. No Ensino Médio, estudei em escola particular. Sempre fui muito determinada, muito persistente em tudo aquilo que eu quis, sempre acreditei que precisa sonhar sim, mas colocar esse sonho em prática é fundamental. Isso é uma das coisas que eu aprendi muito com meu pai. Essa garra, essa determinação. Influenciada, de uma certa forma, pela família para fazer o curso de Direito – eu tenho sete advogados na família – mas, foi com orgulho e com satisfação que eu consegui fazer, entrar na faculdade para fazer esse curso, pagar a faculdade, que também era bastante difícil, tendo que trabalhar, ao mesmo tempo. Concluí o curso de Direito em 1998. Concluí o curso, mas percebi que não queria advogar na área, e sim conhecer um pouco mais da matéria do Direito em si, para poder administrar em causas de outras pessoas que precisassem. Nesse sentido, eu tive a oportunidade de trabalhar em alguns lugares, dentre eles, numa empresa que me possibilitou estágio na área de Direito, onde eu percebi que nós tínhamos ali um nicho em que eu podia estar mexendo, em prol de comunidades carentes. Foi quando eu iniciei o trabalho como coordenadora de um instituto, de uma multinacional, que tinha por finalidade, por objetivo, estar contribuindo com as comunidades locais onde a empresa estava instalada. O fortalecimento dessa relação, devolvendo um pouco para a comunidade daquilo que geralmente as empresas tiram. Ou até mesmo por meio do repasse, de custos que ela tem na produção de seus materiais, ela acaba repassando para o seu produto final, o consumidor paga, ela utiliza recursos da comunidade. Então, nós devolvemos por meio de ações sociais. Consegui desenvolver esse trabalho onde encontramos, também, a possibilidade de a empresa não só cumprir com o papel dela, de uma empresa totalmente responsável, mas também, de uma certa forma, utilizar incentivos fiscais. Aí foi onde a matéria de Direito me ajudou muito, no sentido de apresentar às empresas de que forma elas poderiam cada vez mais estar investindo no social, a partir do momento em que ela também tem, em contrapartida, um incentivo fiscal quando se trata de ações culturais, ou de ações voltadas para crianças e adolescentes, utilizando fundos municipais, incentivos de fundos municipais. E aí é que foi interessante. Porque eu descobri, acabei adquirindo uma outra competência, uma outra habilidade por meio desse nicho de ação social. E comecei a me profissionalizar muito em cima dessa, digamos, dessa nova profissão. Tendo em vista o trabalho realizado, foi muito bacana, muitas comunidades sendo ajudadas, muitas crianças e adolescentes exercendo seu papel, realmente, de cidadãos na nossa sociedade, sendo incluídos, aqueles que eram excluídos tendo a oportunidade e acesso a uma série de benefícios que lhe eram renegados até então. Consegui ter a oportunidade de estar em uma outra empresa, para desenvolver o mesmo trabalho. Isso hoje, aos olhos da maioria das empresas, é um grande diferencial competitivo, pois, nós vivemos numa sociedade e, até mesmo com o avanço da tecnologia, as pessoas acabam se distanciando muito. De uma certa forma, as empresas estão acelerando muito seus processos produtivos, o que acaba causando um impacto ambiental e um impacto na sociedade. Então, por meio dessas ações sociais, por meio de uma nova mentalidade, por meio de uma nova mentalidade que seja incorporada à estrutura de negócio da empresa, você consegue fazer com que a responsabilidade social não só gire em torno da ação social em si nas comunidades, mas sim venha a trabalhar com impactos ambientais também. O tripé do desenvolvimento sustentável, o desenvolvimento econômico, ambiental e social. Eu acredito que as empresas que se alertarem para isso, vão conseguir encontrar a perenidade e a prosperidade dos seus negócios, porque é uma estratégia de negócios muito interessante. Causa um diferencial competitivo no mercado porque a sociedade está querendo ver isso. Ela não quer só ver também um bom produto, com qualidade e bons serviços agregados ou um preço diferenciado. Ela quer um plus. E esse plus é o quanto a empresa é sensível a ponto de beneficiar também as pessoas que estão no seu entorno. Nesse sentido, é muito bacana ter sido recebida pela Volkswagen de braços abertos. Na verdade, vindo o convite da própria Volkswagen para eu poder assumir esse grande desafio para a sua formação. Isso mostra que a responsabilidade que ela já carrega consigo há cinquenta anos vem hoje só reafirmar o compromisso social da companhia com todas as comunidades onde ela está instalada. E, sem dúvida alguma, a preocupação que ela tem com o seu entorno.


P/1 – Simone, nós vamos voltar um pouquinho.


R – Está bom.


P/1 – Está bom? Como é que era Guarulhos na época da sua infância? Como eram as brincadeiras com os seus amigos?


R – Como líder (risos), as minhas brincadeiras eram... As minhas não. As nossas brincadeiras eram muito saudáveis. Eu tinha muitos amigos, amigos e amigas, gente sempre de perto de casa. Brincadeiras de todo tipo, desde carrinho de rolimã, empinar pipa, ciranda-cirandinha, boneca... Enfim... Meus pais sempre deram muita liberdade para a gente estar sempre brincando dentro de casa. Isso fazia com que a gente sempre se mantivesse unida. Da mesma forma, as famílias das minhas amigas e meus amigos também, sempre muito presentes em casa, num processo de todo mundo muito junto e sempre muito bacana. É gostoso lembrar. 


P/1 – Qual a primeira memória que você tem da escola?


R – Na escola? A primeira vez eu chorei muito, quando eu fui para a escola. Chorei muito porque eu era muito apegada à minha mãe, também. Tanto assim, que quando ela me deixou, eu fiquei chorando e segurando no portão e a diretora: “Não chora”. Me levando para dentro. Mas, depois, eu acostumei e aí peguei gosto. Gosto muito de estudar. 


P/1 – E durante a adolescência, com quais colegas você se ligou em turmas?


R – Preferências da turma? Bater papo, ficar conversando na porta de casa. Eu não podia... De certa forma, com relação a isso, meus pais eram bem conservadores e da adolescência não saí muito cedo. Mas, de forma muito saudável, a gente conseguia se divertir batendo papo na porta de casa, ou, às vezes, assistindo filme na casa de uma amiga. Uma vez ou outra, um aniversário. Muito gostoso. 


P/1 – E, como surgiu o Direito na sua vida? Na faculdade de Direito. Você comentou que houve uma interferência familiar. 


R – Interferência assim, não que eles tenham me induzido, e sim por eu ter tido como referência essa profissão de forma mais presente na minha vida. Então, eu tinha, como todo sonho de criança, você olha sempre, fala advogado e você via a pessoa com uma saia, um blazer, uma pasta na mão: “Nossa, que legal. Um dia quero ser advogada”. Mas não entendia o que era necessariamente o Direito. Sabia que ele visava a defesa de outras pessoas que não conheciam a matéria de uma forma mais profunda. Então, num primeiro momento, a escolha foi porque, esteticamente, era uma coisa que eu achava bacana. E depois, pela referência que eu tinha, até mesmo pelas conversas em família, quando festas na casa de parentes, sempre o assunto Direito estava presente. Então, para mim, foi muito importante estar fazendo o curso de Direito, porque é um curso belíssimo. O curso amplia muito a visão e o conhecimento dos seus direitos e de seus deveres como cidadão mesmo, e eu acredito que isso deveria se estender para todas as escolas. 


P/1 – Teve alguma área de Direito que já te interessou?


R – A princípio a área de Direitos Humanos. Depois, acabei voltando um pouco mais para a área do Direito Penal, na qual você via ali a possibilidade, também, de trabalhar com os nichos que são os menores infratores. Mas aí, no final do curso de Direito, o que eu me apaixonei mesmo foi a área Tributária e Financeira. É onde você começa verificar, realmente, que a sociedade precisa de um recurso para poder estar evoluindo. Do outro lado, você encontra na matéria de Direito, no Direito Tributário em si, uma forma de você identificar de onde saem os recursos e para onde é que eles deveriam ir. E se não vão, qual é a medida cabível por parte das empresas para poder solucionar aquilo que o Estado ou o governo não conseguem resolver. Então, foi a área de Direito que mais me chamou a atenção, a área Tributária. 


P/1 – Você comentou que durante a faculdade você já trabalhava para pagar os seus estudos. O que você fazia?


R – Bom, quando eu comecei a faculdade, no primeiro ano, meu pai me pagou a faculdade. No segundo ano, estava com um pouquinho de dificuldade e foi quando eu comecei a trabalhar. Comecei trabalhando no aeroporto, numa loja de perfumes. Eu era caixa. Trabalhava das duas horas à meia noite. Isso, no segundo ano; no primeiro semestre do segundo ano. Depois eu inverti. Estudava à noite e trabalhava de manhã. E isso se estendeu até o terceiro, quarto ano de faculdade, até que eu fui para um outro emprego, no setor de Turismo. Era uma agência de turismo na qual eu fui para a promoção de vendas. Lá, eu tinha um horário comercial que me permitia ter maior flexibilidade para eu poder acompanhar, realmente, ir à faculdade com muito mais frequência e muito mais disposta, porque no emprego anterior foi bastante difícil. A faculdade era em São Paulo e meu trabalho era em Guarulhos. Era bem complicado. 


P/1 – Simone, terminado o curso de Direito, você já entrou nessa área de indústria automobilística, ou você permaneceu trabalhando...


R – Não. Na verdade, eu estava no penúltimo ano de faculdade quando eu entrei numa indústria automobilística e fui para a área do Jurídico, para fazer estágio. Terminado o estágio nessa empresa, eu fui convidada a permanecer na empresa para poder trabalhar como assistente de Relações Empresariais. Fui para essa área e lá tive a oportunidade de ter contato com o Instituto dessa empresa, que já existia há seis anos, porém, não tinha nenhuma atividade muito mensurável. Na verdade, nós tivemos que resgatar todo o processo e revitalizar esse Instituto. Foi quando eu comecei as minhas atividades. Quando eu comecei a ter contato com esse tipo de atividade. 


P/1 – Como foi esse estágio no Jurídico. 


R – Foi muito interessante. Na verdade, eu fui colocando em prática algumas coisas que eu tinha aprendido somente na teoria. Interessante não só por colocar o Direito em prática, mas também por conviver num ambiente de trabalho completamente diferente dos outros com os quais eu já tinha tido contato. Uma empresa, um escritório é sempre muito diferente. Mas, quando se trata de uma empresa multinacional...


P/1 – Qual era?


R – General Motors. Uma empresa muito grande, com muita diversidade de raças, de gênero, cor, de pessoas as mais diferentes possíveis. Isso faz com que a gente cresça muito. Foi muito interessante o estágio no Jurídico.


P/1– E como é que você vai do estágio no Jurídico para essa área dentro da Instituição da empresa. Como é essa permuta? 


R – Pelo trabalho em si, que havia sido desenvolvido no Jurídico...


P/1 – Qual trabalho?


R – Lá eu era assistente de seis advogados. Envolvia as áreas de Contencioso, Tributário, Comercial, Cível. Tinha mais outras duas áreas que não me recordo agora. Mas enfim, eu era assistente e então eu acompanhava alguns processos, desenvolvia algumas petições. Aí foi um trabalho, que acredito eu, tenha sido um trabalho de bastante organização, onde houve bastante sinergia e até mesmo foi criada uma identidade entre meu tipo de personalidade com os valores da empresa. Acho que casou bem isso. Isso fez com que eu tivesse uma outra oportunidade, de estar desenvolvendo uma outra atividade, na qual eu estaria encarando como um desafio. Na verdade, eu estava saindo da minha área, na qual eu me formei, para estar assumindo uma outra atividade completamente diferente, que não lidava com a matéria de Direito. 


P/1 – E essa possibilidade de trabalhar nesse projeto da GM, veio através de um convite?


R – Sim. Foi através de um convite.


P/1 – Quem fez o convite?


R – Foi um gerente da área de Assuntos Governamentais. Assuntos Corporativos e Governamentais, porque ele estava precisando de uma assistente na área. Conhecia o trabalho e como meu estágio acabava, não tinha possibilidade de permanecer no Jurídico porque assumiria uma outra pessoa. Como também não havia vaga para eu poder ser efetivada no Jurídico, foi aberta a possibilidade de eu estar indo para uma outra área. Como eu não conhecia, e sim as pessoas que conviviam, de uma certa forma, tinham um relacionamento com o Departamento Jurídico, conheciam meu trabalho e me convidaram para ir para essa área. Foi quando eu comecei a desenvolver esse trabalho de Relações Empresariais, acompanhando as relações com Câmara de Comércio, participando de eventos, ir quase sempre representar os diretores para recebimentos de prêmios. Ajudava a fechar os acordos com as casas de show e espetáculo, que também eram acordos de assuntos corporativos. Cuidava também de Contribuições Associativas, Jockey Clube, Câmara Americana de Comércio, FIESP e uma série de entidades de classe. 


P/2 – Simone, como era a sua relação com os carros e propriamente com a indústria automobilística? Como é que era você como mulher? Qual era a sua relação com os carros?


R – Com os carros? Eu nunca tive assim grandes paixões por carro. Nunca fui de me interessar muito pelo assunto carro. Mas gostava. Quando surgia um assunto de carro, o modelo que saiu, ou alguma coisa assim, eu, de uma certa forma, gostava de sempre estar complementando o que as pessoas estavam falando. Eu sempre gostei de ler muito. Então, eu conseguia complementar, mas nunca foi um assunto que eu queria ler tudo sobre carro Não. Isso não aconteceu na realidade. 


P/1 – Aprendeu a dirigir carro? 


R – É. Quando eu fiz dezessete anos, meu pai já deixou o carro meio que reservado na garagem, esperando para que eu tirasse a carteira. Isso eu posso dizer, que a minha responsabilidade com relação não só a respeitar o outro – porque eu acho que isso vem de cultura, vem da educação que eu tive. Não só respeito pelo próximo, mas respeito no trânsito em si. Então, eu acho que sempre eu fui uma boa motorista e sou ainda. Mas nenhuma outra relação além dessa com veículo. 


P/2 – Qual era o imaginário que você tinha em relação à indústria automobilística? Quando você era mais nova ainda e trabalhando numa indústria automobilística, extremamente masculina?


R – Eu não vejo tanto por esse lado. O que me assustava era o tamanho da empresa e de que forma eu poderia estar conseguindo; de que forma eu estaria conquistando o meu espaço. No meio de uma empresa que é tão grande, são tantas pessoas, tantos profissionais talentosos, e que estão procurando também pelo espaço. E, às vezes, a gente está procurando o mesmo espaço. Isso é bastante complicado. Foi desafiador. Logo que eu recebi esse convite, realmente, para permanecer na empresa, eu vi que meu trabalho estava sendo reconhecido, e que de uma certa forma eu estava conseguindo conquistar o meu espaço. Principalmente nessa área onde eu ficava, eu era a única mulher. Então foi difícil. Foi difícil para os homens que lá trabalhavam e foi difícil para mim também. Porque ao mesmo tempo que mulher e jovem, você tem que mostrar que você tem competência e você tem um trabalho a mostrar. Foi bastante difícil, mas a gente precisa nessas horas ter um pouco de maturidade e paciência para poder fazer as coisas com calma realmente e ir conquistando as pessoas. Fazer com que elas consigam ver que você tem um trabalho, e que esse... Você tem um trabalho e tem um talento, embora seja jovem. Isso aos poucos, de uma forma carismática, eu acredito que eu tenha conseguido fazer isso lá.


P/2 – Então, quando você foi para o Instituto, foi seu primeiro contato mais direto com uma área de social da empresa.


R – Exato.


P/2 – Como é que foi isso?


R – Foi fantástico porque logo que pensaram na possibilidade de reestruturar o Instituto, pensaram na minha pessoa. Então, houve uma associação do carisma que eu tinha com o assunto em si, embora não tivesse tendo contato com ele diretamente, mesmo porque não era a minha atividade essa. Mas, foi muito bacana, eu fiquei muito contente e foi onde eu descobri de verdade onde exatamente eu gosto de trabalhar. Eu amo fazer o que eu faço. Amo. Acredito muito nisso e é por isso que eu procuro estar levando isso de uma forma muito verdadeira para as empresas e para elas acreditarem e elas internalizarem assim essa nova tendência, esse novo conceito, esse novo tema, dentro das suas ações, dentro do seu planejamento estratégico, é que nós vamos conseguir, realmente, construir e manter um país melhor. Então foi fantástico. Eu não conhecia absolutamente nada, tive uma oportunidade muito grande de me capacitar nessa área. Foram diversos cursos, muitos seminários intensos. Eu tive as portas..., carta branca para poder estar me aprofundando no tema. O que facilitou muito o trabalho, sem dúvida alguma. Se não fosse essa oportunidade e essa crença no meu trabalho, e de uma certa forma, na competência que eu poderia estar apresentando, no momento, realmente, eu não teria conseguido chegar hoje numa outra grande empresa, na qual eu tenho muito orgulho de trabalhar. 


P/2 – E como é que você chegou na Volkswagen?


R – Eu cheguei a convite do Fernando Tadeu Perez que era vice-presidente da área de Recursos Humanos, até o ano passado. Na verdade, voltando um pouquinho, a GM estava desenvolvendo algumas ações que despertavam a curiosidade das outras montadoras. E isso impulsionou. Os projetos que foram implantados. Nós conseguimos projetos com reconhecimento pela Câmara Americana de Comércio de São Paulo, prêmio de uma grande credibilidade dentre as ações sociais. Dentre todos os prêmios que existem hoje, o da Câmara Americana é o mais almejado e desejado, que é o prêmio ECO, e nós conseguimos para o projeto “Parceiros da Criança”, que foi o primeiro projeto implantado na favela de Heliópolis, em parceria com uma assessoria técnica e pedagógica, especialista em Educação em São Paulo, muito bem posicionada na questão da Educação, e em parceria com uma Associação de Bairro da Favela de Heliópolis. Então, esse foi o primeiro grande projeto. Na verdade, foi um primeiro filho, no qual nós tínhamos contato direto com as crianças, com as famílias, e lá nós proporcionávamos atividades extraclasse. Ou seja, num período alternativo da escola, a criança tinha um complemento da sua educação. Atividade de informática, capoeira, dança, música, reforço escolar, leitura, escrita. Até mesmo um atendimento psico-terapêutico, de forma a incluir realmente a família, a criança não só na sua família, de uma forma muito harmoniosa, mas também aproximar a família da escola. Esse foi um dos projetos. Um outro que deu uma repercussão muito grande foi o “Vale Criar”, que fica em São José dos Campos. E a gente despertou muito o interesse da comunidade, da fábrica da Volkswagen, em Taubaté, que foi nos visitar. Na época, eu era GM. Era uma parceria – e é ainda – uma parceria com a Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP – com a parceria também do Lions Club de São José, e com três fornecedores da GM. Então, nós conseguimos formar uma rede de solidariedade a tal ponto, que cada um desses parceiros assumiu um custo, o que nos possibilitava um número, um atendimento de um número maior de crianças. O impacto e a transformação social foi muito grande na região, e nós fomos, inclusive, condecorados pelo Prefeito do município. Isso mostra que uma empresa, se realmente ela quer fazer, ela consegue não só unir forças, mas ser reconhecida por tais ações. E aqui na Volkswagen, existia uma pessoa que administrava duas entidades: A Volkswagen Previdência Privada e a Fundação. Essa pessoa se desligou da empresa. Só que antes de ela se desligar, ela foi fazer um benchmark para entender um pouquinho melhor como é que funcionava essa questão da ação social. Ela foi fazer um benchmark comigo, na GM. Nós conversamos, ela levou uma consultoria também, para estar acompanhando esse benchmark e ficou somente esse contato. Conheceu todo o trabalho. Nós apresentamos. E, quando ela voltou para cá, após uns dois meses, mais ou menos, ela me mandou um e-mail dizendo que ela estava saindo, se desligando da Volkswagen e estava assumindo uma outra atividade em uma outra empresa. Ok. Desejei sucesso e não tive mais contato com ninguém da Volkswagen. Um mês depois, fui contatada pela área de Personal Marketing, da Volkswagen, na qual me faziam um convite pelo Fernando Tadeu Perez, que era o vice-presidente de Recursos Humanos, para poder vir para cá. Embora eu estivesse extremamente satisfeita com o trabalho, da forma como nós estávamos caminhando lá, eu aceitei vir discutir sobre a proposta. Aí foi quando eu percebi que era um grande desafio estar assumindo uma Fundação, até mesmo pela complexidade de se trabalhar com uma Fundação, que é diferente de um Instituto. Porque você tem o Ministério Público fiscalizando. Ela é muito mais – digamos assim – acompanhada pelo governo, do que necessariamente um Instituto, que tem o seu capital fechado. Já uma Fundação, ela tem um capital aberto e você tem que, realmente, estar de uma forma muito transparente, mostrando o que você está fazendo desinteressadamente para a comunidade que está no seu entorno, sem fins lucrativos. E aí eu aceitei. Vim para cá e foi fantástico. Muito contente e muito... Foi muito desafiador aceitar o convite. Confesso que eu sofri bastante, no começo, porque a Volkswagen é uma empresa muito grande e tem uma história de ação social, de investimento social, muito antiga. Não é de agora, isso. E, de uma certa forma, isso estava perdido dentro da companhia. E eu via, ali na Fundação, uma possibilidade de nós estarmos reunindo todas essas ações de investimento social e potencializando isso como uma linha da Fundação. Uma vez que ela é criada para isso. Ela foi criada em 1879, pela holding alemã, com o objetivo de aumentar o nível de escolaridade dos empregados. Na verdade, os requisitos pra a contratação eram diferentes. Então, o nível de escolaridade era muito baixo. E com o passar dos anos, foi havendo a necessidade de estar melhorando o nível de escolaridade desses empregados, onde se encontrou a possibilidade de, por meio de uma Fundação, estar desenvolvendo esse trabalho. Isso foi feito ao longo de vinte e dois, vinte e três anos. Foi quando eu recebi o convite e era justamente porque a Diretoria, de uma forma muito forte, queria ver o trabalho da Fundação sendo ampliado para a comunidade externa. E aí foi onde eu encontrei o grande nicho para você realmente fazer essa virada de trezentos e sessenta graus. Para poder voltar esses trabalhos para a comunidade. Resgatar tudo aquilo que a Volkswagen já tinha feito de ação social, para poder canalizar dentro da Fundação. E expressando também como foco de atuação. Expressando um grande valor da Volkswagen que é a questão da Educação, da crença no capital humano. Ela sempre apostou muito nisso. Não é à toa que ela está entre as dez maiores empregadoras do país. Que criou uma Fundação justamente para aumentar o nível de escolaridade de seus empregados. Então, ela acredita que a Educação é a grande transformadora, é a base para o desenvolvimento não só do ser humano, mas da sociedade como um todo. 


P/2 – E quais foram as primeiras ações?


R – Da Fundação?


P/1 – Teve algum contato com a Alemanha? Como é que foi?


R – Foi bastante difícil porque um mês depois que eu cheguei, o Fernando saiu da companhia. Ele se desligou. E ele na verdade, ele era o Presidente da Fundação e era uma das pessoas que mais queria essa transformação, ao passo que o grupo como um todo, estava ainda numa fase de conscientização, de aculturamento sobre essa nova possibilidade de investimento na comunidade. Então foi difícil você chegar para uma cultura completamente diferente, também, e posicionar um novo tema dentro da organização. Mas, foi um trabalho de descoberta. Descobri diversos parceiros que me ajudaram a encontrar o caminho certo para que nós pudéssemos fazer uma sensibilização corporativa da importância da internalização desse tema dentro do planejamento estratégico da companhia. Não só porque, de uma certa forma, ele vai trazer para a marca um diferencial competitivo, mas sim porque ele vai agregar um valor social muito importante diante do público externo e diante do público interno. Muitas vezes, por mais que a Volkswagen impulsionava ações sociais, muitas vezes, alguns empregados não conseguiam perceber isso. Isso, na verdade, mostra quanto ela é preocupada com o lado social também, e não só com a questão do lucro. Então, foi muito interessante encontrar esses parceiros. Houve uma quebra de paradigmas muito grande, onde se encarava o trabalho da Fundação muito ligada à área de Recursos Humanos. De uma certa forma nós conseguimos dissociar. Nós mostramos que o trabalho de Fundação é Fundação, o trabalho de Recursos Humanos é Recursos Humanos, mas eles sempre estão andando lado a lado. São parceiros muito importantes, principalmente, quando se trata de público interno. Então, nesse sentido foi uma descoberta muito bacana. Nós tivemos que conversar com todas as diretorias, apresentar de que forma esse impacto até mesmo teria no aumento de produtividade, de motivação, de satisfação do empregado, em estar trabalhando numa organização como a Volkswagen, que tem essa preocupação social tão forte. E até mesmo de como mostrar isso para a comunidade externa, sem necessariamente mostrar pelo lado de marketing. A ideia não é essa. A Volkswagen sabe que não é. Não é interesse dela fazer um marketing em cima disso, e sim, porque ela acredita que isso é um fator importante para o desenvolvimento sustentável do país. Que, automaticamente, ela desenvolver uma ação transformadora na ação social, transformadora na sociedade, a médio e longo prazo, isso volta como um valor positivo, agregado à imagem dela. De ela não precisar dizer “Faço o bem, compre mais carro”. Não. Isso é automático, porque a sociedade percebe. Então, encontrar esses parceiros e conseguir essa conscientização, no ano passado, foi uma grande vitória de a gente ter conseguido mexer essas peças. Nós conseguimos, também, reestruturar nosso organograma, até mesmo porque como a Fundação era administrada pela mesma pessoa, junto com a Previdência Privada, então nós tínhamos um Conselho igual. Então, o Conselho da Previdência Privada era igual ao Conselho Diretivo, Conselho de Curadores da Fundação. E Previdência é mais financista. Então, o olhar pra Fundação não poderia ser tão financista. A gente teria que ter pessoas com um pouco mais de feeling sobre a importância dessa questão da responsabilidade social. Nós reestruturamos nosso organograma, trazendo os principais diretores do grupo Volkswagen para dentro da Fundação, não só para que ela tivesse força, mas representatividade. E para que ela tivesse também uma característica diferenciada de uma Previdência Privada. Então, isso tudo foi feito no ano passado. Essa conscientização, essa fase de aculturamento. Se bem que isso é contínuo. A gente não para, mas acho que o grande passo realmente foi dentro do Conselho de Curadores, no qual a Previdência saiu de Recursos Humanos e foi para Assuntos Governamentais, com Ricardo Carvalho. Uma pessoa extremamente sensível, que acredita nesse trabalho como um fator importante para contar essa trajetória e a história da Volkswagen, no que se refere ao aspecto social. 


P/2 – Você entrou na Fundação quando ela já existia há mais de vinte anos.


R – Isso. 


P/1 – Você tem algum dado sobre isso. De como ela foi fundada, como ela foi criada?


R – Ela foi criada em 28 de novembro de 1979, pela holding, com esse objetivo. Ela tinha “n” empregados. Eram mais de duzentos empregados, na época, e ela trabalhava de uma forma muito... Ela era muito ligada à área de treinamento. Ela quase que não existia, porque ela se confundia um pouco com – se confundia um pouco não; se confundia muito – com a área de treinamento. Praticamente, era administrada pela área de treinamento. Então, ao longo desse tempo, ela praticamente não foi vista pelo empregado como uma entidade que o ajudava no seu desenvolvimento pessoal. Na questão da sua formação. Porque treinamento estava sempre muito presente nisso. E a Fundação deu origem à escola Volkswagen, Escola Volkswagen de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Ela é reconhecida pelo MEC, Ministério de Educação, funciona aqui na Ala 7 e depois que ela foi criada é que as necessidades foram mudando. Onde se percebeu que a Fundação precisava trabalhar muito o público. Então, na verdade, ela não teve, nesses vinte e três anos de existência, uma identidade junto ao empregado e, muito menos, junto à comunidade externa. Ela funcionava mesmo como um agente mais passivo do que ativo. Ativa era mais a área de treinamento. Ela só proporcionava mais recursos para que a gente pudesse ter um alcance maior no número de empregados para a questão da formação. 


P/2 – Eu estou querendo comparar um pouquinho. Você trabalhou na GM, uma empresa americana. 


R – Exato. 


P/2 – E aí você veio aqui para a Volkswagen, que é uma empresa alemã.


R – Exato. 


P/2 – Quer dizer, é diferente essa cultura?


R – Muito. Muito diferente. Acho que até mesmo pela própria história que se tem, que os alemães tiveram, já na época de Hitler, onde muitas pessoas morreram, eu acredito que a solidariedade tenha crescido de uma forma muito intensa entre os alemães. Embora não pareça. Embora pareça que eles sejam mais, digamos assim, frios, um pouco mais secos, a solidariedade é um grande valor que o alemão tem. Isso até mesmo pelas atividades que a Alemanha desenvolve, principalmente na área de cultura. Eu não conheço todo o trabalho, nós estamos iniciando esse processo de conhecimento do que exatamente a Alemanha faz na área social. Estamos começando a estreitar laços – isso ainda não foi feito – mas, pelo que se sabe, até mesmo pelos diretores que eu tenho conversado aqui, eles falam que isso é um valor importante e que é necessário fazer um trabalho, não de assistencialismo, mas sim um trabalho que seja realmente causador de uma transformação social. E, ao contrário dos americanos, que... É engraçado porque eu achava que o americano fosse muito mais sensível para isso. Quando eu cheguei na Volkswagen, eu vi que, não só o tamanho da empresa era muito maior do que a anterior, mas também a sensibilidade aqui, ela é muito mais à flor da pele do que nos americanos. Ele encara isso, realmente, como uma oportunidade. Lógico que não é core business da companhia fazer ação social e sim produzir carros com qualidade, seguindo sempre a linha da perfeição, mas é um fator importante para a construção de um mundo sustentável. Ou seja, se você não cuidar bem do próximo – e isso eu percebo que é um valor grande da Volkswagen – se você não se preocupar com o próximo, esse próximo pode não existir mais. E não existindo mais, você deixa de existir também como empresa. Ou seja, é uma cadeia, um ciclo. Ela desenvolve carros com qualidade, vende para o mercado, utiliza recursos naturais de forma sustentável, para garantir que ela sempre tenha um ambiente no qual ela consiga manter o conceito da eco-eficiência, produzindo mais, utilizando menos recursos naturais, e ao mesmo tempo, proporcionando uma melhoria na qualidade de vida, não só das pessoas que têm poder aquisitivo para comprar o carro. Porque sempre os produtos estão impactando cada vez menos o meio ambiente. É uma proposta muito grande da Volkswagen, também, a questão ambiental. Mas, também pelo aspecto de geração de renda. Se ela consegue oferecer educação para crianças carentes, essa criança carente um dia vai ter uma possibilidade muito maior de ter um desenvolvimento pessoal e profissional melhor ainda. E se ela tiver isso, não só ela vai estar gerando mais recursos para a sociedade como, automaticamente, ela também, lá na ponta, no final do processo, ela também vai ter mais recursos para poder estar adquirindo um carro. Acho que isso é um ciclo e deve ser encarado assim como um negócio, porque estar ajudando o próximo é estar ajudando a si mesmo. Então, a diferença que eu percebi, é que aqui na Volkswagen, isso funciona de uma forma intensa e rápida. Tudo o que nós fazemos aqui, é muito ágil. Em um ano, um ano e meio, para uma Fundação que não era reconhecida pelo público interno e que nunca tinha sido citada pela imprensa; em um ano e meio nós conseguimos ser citados por praticamente todos os jornais e meios de comunicação, dos três principais Estados brasileiros: Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Conseguimos desenvolver treze projetos, três campanhas corporativas, sendo que a campanha que foi um êxito total foi a campanha “Vamos dar uma mãozinha”. Essa é a campanha do agasalho, na qual utilizamos o conceito dos “5 Esses”, do Rudyard Kipling, que são: organização, arrumação...; onde os funcionários recebiam uns kits com saquinhos plásticos, etiquetas identificando e uma cartinha orientando. Que ele fizesse doação de agasalhos – mas o agasalho deveria vir limpo – ele deveria ser ou agasalho ou camiseta, e não short, meia ou roupa íntima. Ele deveria vir passado, lavado, dobrado, identificado, dentro de um saquinho. Associando muito a questão: “Dê para alguém aquilo que você gostaria de receber”. No ano anterior, foi feita uma campanha simples. “Vamos fazer a campanha do agasalho.” E foram arrecadadas três mil peças. E a campanha “Vamos dar uma Mãozinha”, na qual a gente procurava educar o nosso público para uma nova..., para uma doação socialmente responsável, nós conseguimos trinta mil peças, esse ano. Foram muitas entidades beneficiadas. Acho que mais de duzentas entidades beneficiadas, e houve um comprometimento muito grande. Então, quer dizer, a Fundação conseguiu se aproximar do empregado, mostrando para ele o quanto é importante ser solidário com o próximo, respeitando a si mesmo. Foi muito bacana. E assim, foi um salto muito grande da Fundação, do ano passado para cá, graças ao apoio de todo o Conselho, de toda a diretoria, que, de forma muito receptiva, aprovou todas essas ações e conseguiu impulsionar isso não só para as comunidades, mas para o público interno também. 


P/2 – Você poderia falar um pouquinho de outros projetos?


R – Sim. O primeiro projeto implantado foi o “Educação para o Trabalho”, em Taubaté, em parceria com o SENAC, no qual nós demos oportunidade a setenta e cinco jovens, na faixa etária de quinze a dezoito anos, de somar novas competências e habilidades na área de serviços em geral, desde alimentação, a parte hoteleira, administração, informática. E esses jovens, metade desse público é carente, metade do público ex-infrator. São selecionados pela Promotoria da Infância e da Juventude de Taubaté. Nós fizemos esse primeiro projeto. Foi bárbaro. Sessenta por cento dos jovens formados foram absorvidos pelo mercado de trabalho, sendo que três deles foram absorvidos por fornecedores da Volkswagen, lá de Taubaté. Teve um jovem que foi admitido por uma empresa ali da região, e essa empresa estava recebendo também. Nós tivemos, no ano passado, o selo de “Empresa que Educa”, que é concedido pelo Senac. Então, a Volkswagen e a Fundação Volkswagen, receberam esse selo. E a empresa que admitiu um dos jovens que nós formamos, também estava recebendo. E foi justamente o jovem que nós formamos é que estava recebendo o selo pela empresa que o havia admitido. Quer dizer, você consegue ver um resultado muito rápido. Foi bárbaro. Um projeto belíssimo que vai, com certeza, ter continuidade. Nós temos o projeto também “Vestindo a Camisa”, que é o resgate da cidadania por meio da prática de esportes. Um projeto implantado com a Secretaria da Educação, em São José dos Pinhais, em Curitiba, onde nós temos a fábrica Volkswagen Audi. Esse projeto é feito em parceria com uma escola municipal, que é a Leonilda Ravaglio Trevisan. Bárbara, com uma gestão fantástica. Ali nós conseguimos ter sessenta crianças e adolescentes, num período alternativo da escola, em atividades de esportes, desde basquete, futebol, vôlei, todos os segmentos de esportes são praticados nessa escola. Nós vamos estar ampliando também esse projeto. Inauguramos, recentemente, o projeto “Brinquedoteca Viva”, numa escola ao lado do prédio dos Serviços Financeiros, no Jabaquara. A escola Lauro Ferreira de Camargo em parceria com a Universidade Metodista, que visa potencializar o aprendizado por meio da arte do brincar. São crianças menorzinhas, de quatro a sete anos. Lá nós criamos uma brinquedoteca, toda tematizada, muito lúdica, de forma que a gente consiga resgatar a educação da criança, até mesmo proporcionar uma melhor formação, por meio da arte do brincar. Muito interessante. São quatrocentas crianças atendidas lá. Temos o projeto “Mini Empresa”, em São Carlos. Também foi inaugurado esse ano. Ele visa despertar o espírito empreendedor no jovem do Ensino Médio. São duas escolas: Aracy Leite e Orlando Peres. São duas escolas municipais de São Carlos. Lá, nós atendemos cem jovens. Muito interessante também. Em parceria com a Junior Achievement e os voluntários da fábrica. Em Resende, ainda está em desenvolvimento. Aqui em São Bernardo, nós temos o projeto “Jovem Coral Baccarelli”, um ensino coletivo de cordas, junto com a Orquestra Sinfônica Baccarelli. Nós ampliamos o projeto que a Volkswagen apoiava já desde 2000, na favela de Heliópolis, que atendia quarenta jovens. Nós ampliamos para duzentos, sendo que a favela do DER, que fica aqui em frente à fábrica de São Bernardo do Campo, está sendo contemplada também. E possibilitamos a abertura de mais uma turma para ensino de cordas, ou seja, a criança não só ela canta. A ideia é fazer com que ela se forme uma musicista completa. Ou seja, um musicista que canta e que toca. Geralmente, quem canta, não toca. Ele vai estar cantando e depois ele vai estar tocando nesse ensino coletivo de cordas e depois ele iria para a orquestra. É uma possibilidade muito interessante e muito encantadora para crianças, adolescentes e jovens que vivem uma realidade tão dura. Lidar com a música erudita foi uma descoberta muito interessante. Você não acha que o adolescente, que a criança, vai ter sensibilidade para poder ouvir bem essas músicas. E muito pelo contrário. A gente se engana. Eles têm um potencial incrível. 


P/1 – Você sabe se existe um projeto que tem uma banda?


R – Tem banda, tem... Na realidade, é assim: se nós formos ao chão de fábrica mesmo, nós vamos encontrar talentos. Desde pessoas que pintam brilhantemente até pessoas que cantam, que tocam. Nós temos na área de Finanças, um colega que foi superintendente também da Fundação, que ele toca saxofone brilhantemente. Toca à noite, inclusive. Uma pessoa bárbara. Eu acredito que a Volkswagen é detentora de muitos artistas. Se realmente nós formos fazer um levantamento completo, a gente vai encontrar na Volkswagen aqui, uma produtora. 


P/1 – Simone, com todas essas atividades da Fundação, para você, qual seria a maior dificuldade existente em relação à Fundação?


R – A maior dificuldade? Eu vejo o seguinte: nós conseguimos fazer um bom trabalho ao longo desse ano e meio, porém, a Fundação ainda não é percebida como um braço social da empresa. Então, eu acho que esse vai ser o grande desafio. Nós temos uma meta até 2005, de ser reconhecida interna e externamente como um benchmark de ação social, de investimento social. Acho que o maior desafio é justamente esse. A maior dificuldade é justamente essa. Você conseguir fazer com que essa Fundação se posicione junto aos empregados e junto à comunidade externa, como um braço social da Volkswagen, que visa estender uma série de ações para a comunidade como um todo. Realmente ser reconhecida como a responsável pelo investimento social da Companhia. Isso é o que nós estamos fazendo, porém isso ainda não é percebido. Acho que vai acabar conflitando um pouco, mas isso eu acredito que é a maior dificuldade...


P/1 – De 1979 até 2002, vinte e dois anos, vinte e um anos. Você poderia, mais ou menos, dizer para a gente quando é que começa a haver uma volta maior às questões da responsabilidade social, às questões ecológicas dentro das empresas e por quê?


R – Nas empresas como um todo ou aqui na Volkswagen?


P/1 – Aqui na Volkswagen, ou até mesmo comparando à GM.


R – Esse despertar para um novo olhar por parte das empresas como um todo, no Brasil, começou a surgir de 1996 para cá. Isso foi um movimento que veio assim, como uma tendência que veio para ficar. Ela é pré-requisito para as empresas que querem ter um bom desenvolvimento no mercado, que é extremamente competitivo, e para uma sociedade que precisa ter bases sustentáveis. Agora, na Volkswagen em si, ela já pratica, a responsabilidade social, há muito tempo. Só que isso não estava sistematizado. Então, eu acredito que isso começou a se dar de forma mais intensa, de maio do ano passado para cá. Que foi quando realmente houve um posicionamento por parte da Diretoria no sentido de que: “Olha, vamos direcionar o trabalho da Fundação para a comunidade externa”. Eu acho que aí foi onde, realmente, se percebeu que a Fundação tem o potencial e tem o papel de organizar, sistematizar e se responsabilizar por todas essas questões.


P/2 – Simone, você poderia falar um pouquinho sobre esses grupos de trabalho para o desenvolvimento sustentável na Volkswagen?


R – O Comitê de sustentabilidade. Isso foi a grande vitória, o grande avanço. Nenhuma empresa automobilística no país tem um comitê de sustentabilidade e não foi criado, e acredito que, se tiver, não foi criado da forma como foi criado aqui na Volkswagen. Com troca de ideias, um grupo de pessoas, acabou notificando uma mesma necessidade. Sistematizar as ações de sustentabilidade da Volkswagen no plano econômico, ambiental e social. Eu já tinha essa dificuldade justamente porque eu estava tentando resgatar a história da Fundação e centralizar o investimento social nela. E as outras duas áreas acabaram passando pela mesma questão. Então, após conversas, foi amadurecida essa ideia. Na verdade, uma pessoa do nosso grupo trouxe isso mais formalizado. Isso foi aprovado pela nossa Diretoria, sem questionamento, por saber que se trata de um plano extremamente importante, principalmente porque a Alemanha valoriza muito isso. Aqui no Brasil, nós não estávamos preocupados em sistematizar e sim preocupados em colocar as ações em prática, tendo claro de fazer isso com muita excelência, porque a gente acompanha, vê o dia a dia e sabe que os resultados são fantásticos. Então nós montamos esse grupo. Esse grupo envolve a parte de conformidade legal, tecnologia do produto, gestão ambiental, gestão da qualidade, investimento social e gestão de Recursos Humanos, que visa falar não só do macro, mas do micro ambiente, da poluição interna e externa, da emissão de poluentes até mesmo quando se fala de produto, da conformidade legal que seria na regularização e no cumprimento da legislação vigente no país. O investimento social no que se refere à parte de ação social nas comunidades e na parte de Recursos Humanos seriam as relações internas com os nossos empregados, e até mesmo na questão da segurança no trabalho. Então, esse comitê, ele existe para sistematizar todas as informações de sustentabilidade. Ele visa fazer uma análise profunda e até mesmo de disseminação, de fomentação da Diretoria para novas leis. Seria o despertar: “Olha, surgiu uma legislação nova... Nós precisamos nos posicionar de forma mais rápida e tomar ações práticas mais rápidas também”. Então, esse comitê de sustentabilidade, visa fazer exatamente isso. Organizar essas informações, alertar a Diretoria para ações práticas e estar sempre orientando no aspecto legal. 


P/2 – E ele funcionava no passado por iniciativa...


R – Na verdade, o comitê de sustentabilidade foi formado esse ano. Ele foi reconhecido e formalizado pela nossa Diretoria há duas semanas, e mostra realmente a nossa nova fase, onde você tem a Fundação direcionada para o aspecto social. Você tem o comitê de sustentabilidade, que visa dar visibilidade a todo o processo com muita transparência da Volkswagen de respeito ao meio ambiente, de respeito ao meio ambiente e social e desenvolvimento econômico. E você vê uma série de posicionamentos por parte de outras áreas, mostrando que a Volkswagen está numa fase nova, está no caminho cada vez mais da sustentabilidade do seu negócio.


P/2 – E nos outros países?


R – De sustentabilidade, eu sei que na Alemanha eles têm, em Wolfsburg, um comitê que fala sobre desenvolvimento sustentável, mas nós vamos começar a trocar um pouco mais de informações agora, a partir dos próximos dias.


P/2 – E em relação a esses Centros de Voluntariado de São Bernardo, de que você é uma das fundadoras?


R – Isso. Na verdade, esse movimento começou ainda quando eu estava na GM. Na verdade, se sentia muito a necessidade de criar um Centro de Voluntariado na região do grande ABC. Então, nós tomamos a iniciativa de estar convidando todas as montadoras da região, outras empresas como um todo, mas, principalmente as montadoras, o CIESP, o SESI e o Centro do Voluntariado de São Paulo, para poder refletir sobre essa questão aqui na região. Mesmo porque, havia uma necessidade por parte do Centro – uma necessidade, não – uma emergência do Centro de Voluntariado de São Paulo, em ter um Centro aqui. Por quê? Porque saiam muitas pessoas se cadastrando em São Paulo, para fazer ações voluntárias aqui em São Bernardo. Porém, não tinha muitas entidades em São Bernardo que se cadastravam no Centro de São Paulo. Então, a gente precisaria criar um Centro aqui. Aí fizemos essa reunião, com o intuito de estar discutindo quais seriam as possibilidades. Depois dessa reunião nós tivemos diversas outras. Foi quando eu saí da GM e vim para a Volkswagen. E no meio desse processo, nós decidimos que seria interessante criar um Centro de Voluntariado para cada um dos municípios, até mesmo para não ficar tendo que justificar porque São Bernardo e não São Caetano. Assim cada um tem a sua base. E aqui nós demos continuidade a esse movimento, continuamos essas conversas com as empresas da região, de como formaríamos esse Centro. Com o apoio da Prefeitura de São Bernardo e da primeira-dama também, e a Secretaria de Desenvolvimento Social do município, nós conseguimos dar um passo maior, convocando todas as empresas de São Bernardo no Paço Municipal, para a formalização desse Centro. Então, nós conseguimos constituir um comitê, o qual eu coordenava. Eram, mais ou menos, cem empresas que estavam nesse comitê. Nós dividimos esse comitê para poder discutir o aspecto legal, o aspecto comercial e o aspecto institucional desse Centro. Em outubro, 30 de outubro do ano passado, nós fundamos o Centro aqui no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, com a presença do Prefeito, da primeira-dama e de mais de quinhentos e oitenta empresas. Fundamos o Centro e depois partimos para a parte mais legal, de estatuto. O Centro foi constituído literalmente, com seu estatuto registrado, reconhecido como uma empresa sem fins lucrativos, em maio desse ano. Eu sou Presidente do Conselho. Há uma diretoria. Toda diretoria é de empresas também da região, assim como o Conselho. Nós vamos fazer a inauguração desse Centro de Voluntariado aqui, agora em novembro. Nós temos, inclusive, já um espaço, que está sendo todo preparado para capacitar as entidades assistenciais, de como receber um voluntário, como trabalhar com um voluntário, como descobrir oportunidade de trabalho voluntário da empresa e instituições. E por outro lado, receber voluntários, cadastrar voluntários e capacitá-los para fazer o trabalho voluntário. Ou seja, casar necessidade com oferta. Ele vai estar sendo inaugurado agora em novembro. Por que criar esse Centro? Por que a Volkswagen apoiou a criação desse Centro? É uma preocupação e um interesse muito grande nosso. Nós temos, só nessa fábrica de São Bernardo, praticamente dezesseis mil pessoas. Se por um lado nós estamos tentando despertar o espírito de solidariedade, tentando sensibilizá-los para a ação social, é interessante também, por outro lado, ter uma entidade que possa capacitar e direcionar esse interesse no trabalho voluntário para a comunidade de forma com que haja uma transferência de conhecimentos dos empregados da Volkswagen, para a comunidade que está em seu entorno. Então, o nosso interesse maior é realmente em cima disso. Estar atendendo melhor o nosso empregado nesse aspecto. E é o que vai acontecer nas demais unidades. Está dentro do nosso planejamento, para os próximos anos, estar criando um Centro de Voluntariado em cada uma das regiões em que a Volkswagen está instalada. Sempre com apoio da sociedade civil e de outras empresas. 

P/1 – Simone, você poderia falar sobre os grupos de trabalho que a Fundação tem?


R – Na verdade, dentro do nosso planejamento estratégico do ano passado, a ideia, uma vez que a Fundação estaria sendo revitalizada, na qual ela teria que se relacionar mais com as comunidades no entorno de todas as unidades de negócio, nós criamos um grupo de trabalho em cada uma dessas unidades. Ou seja, esse grupo é constituído por funcionários, voluntários, que sempre que possível se reúnem para discutir e para avaliar as necessidades locais. Tem um grupo bastante heterogêneo; o grupo é formado por pessoas de Recursos Humanos, de Engenharia Ambiental, de Manufatura, de Relações Públicas, de Imprensa, de Marketing, e geralmente do Jurídico também. Em cada uma das unidades, a ideia é fazer com que esses grupos encontrem oportunidades e necessidades de atuação social, e que possam filtrar quais são as necessidades que venham ao encontro do nosso foco de atuação, foco de atuação da Fundação Volkswagen, para que a gente possa definir a melhor estratégia para sanar essa dificuldade na comunidade. 


P/1– Eu tenho uma curiosidade. Como ocorre a troca dessas experiências entre as empresas? Você falou que num primeiro momento, pessoas da Volkswagen foram à GM. Hoje como ocorre essa troca? Como, por exemplo, Ford, a GM, a Renault, como elas ficam sabendo desses trabalhos?


R – Na verdade, assim como existe a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, existe também a nossa Federação, mas que é chamada Instituto ETHOS, de Empresas de Responsabilidade Social, que congrega grandes empresas, que na verdade ainda não têm uma atuação social, mas que querem ser despertadas para tal. Então elas se reúnem e acaba havendo uma troca de dúvidas, de como iniciar isso. Por outro lado, nós temos o GIFE que é um grupo de institutos, fundações e empresas, que também funciona em São Paulo, e tem, como principal papel, articular iniciativas práticas de ação social entre as empresas. Então, ali, praticamente estão associadas as maiores fundações. Todos os tipos de fundações, institutos e empresas que já desenvolvem ações sociais fazem parte do GIFE. É onde a gente consegue, de uma forma muito interessante, por meio de grupos de afinidades – tem grupo de afinidades de Educação, grupo de afinidades em Meio Ambiente, grupo de afinidades em Cultura. Então, as fundações que estão direcionadas para a Cultura, vão escolhendo os seus núcleos, os seus grupos. Então, é feita dessa forma. E tem o jeito mais informal, que é das empresas estarem se visitando para saber o que é que está se fazendo. Se bem que essa troca também vem ocorrendo de forma bastante interessante por meio do... Se não me engano, é GEA, um grupo de profissionais da área de Recursos Humanos, que acabam se reunindo mensalmente. Cada mês é numa empresa. E eles acabam falando não só de assuntos de Recursos Humanos, mas também de Responsabilidade Social. Então você consegue um pouquinho de troca também. 


P/1– E você tem notícia de empresas que estão copiando o que a Volkswagen está desenvolvendo na Fundação?


R – Nós recebemos visitas de diversas empresas que querem saber sobre determinados projetos. Até mesmo porque é tudo muito recente, muito embrionário. Mas já somos referência em alguns projetos. Mas, o que ficou mais claro mesmo, foi a Cidade dos Carrinhos, no Salão do Automóvel, desse ano. É uma proposta da Volkswagen: a questão de educação no trânsito. A gente quis expressar essa preocupação e essa atenção que ela tem a esse tipo de assunto, por meio de um projeto da Fundação que foi, posso dizer, um sucesso no Salão. Nós tivemos mais de cinco mil visitas, onde as crianças aprendiam por meio de palestras, dicas sobre educação no trânsito, de uma forma muito divertida, sempre acompanhada da Turma da Mônica. Ao final, ela dava a volta nos carrinhos, fazia o percurso na cidade com um mini Beetle, que era à bateria, movido à bateria e, no final, ela recebia a carteirinha de motorista com os gibizinhos que falavam sobre a Turma da Mônica: “Educação no trânsito é coisa séria”. O departamento de Pedagogia do Detran é que desenvolveu o conteúdo desse gibi. Outro, “Educação no Trânsito não tem idade”. E outro, “A Turma da Mônica visita a cidade dos Carrinhos da Fundação Volkswagen”. Mas, tudo de uma forma muito divertida. A gente conversava com a criança sobre a educação no trânsito. Isso despertou o interesse, sim, de outras empresas que foram até a Cidade dos Carrinhos para saber como é que foi feita a parceria, qual era o conteúdo do projeto, qual era o custo envolvido. Então, ali foi uma forma mais clara, mais próxima da gente sentir que outras empresas do setor automotivo se interessaram pela iniciativa da Volkswagen. 


P/1– Simone, mais duas perguntas, que vão em uma só. Você vem de uma área de Direito e de repente você entra dentro de todo um setor social. Você fez cursos para estar aperfeiçoando nisso? E uma outra questão: Como você se sente desenvolvendo esse trabalho?


R – Fiz especialização em Administração, na FGV. Gestão de Responsabilidade Corporativa, Gestão de Responsabilidade Social Empresarial, Gestão de Responsabilidade Social pela Volkswagen. É maravilhoso. Eu consigo fazer aquilo que eu amo fazer, consigo trazer benefícios para a empresa. Uma satisfação pessoal muito grande. Não é um trabalho, é um desejo. É muito gostoso você fazer aquilo que você ama fazer. Você, de uma certa forma, é reconhecida por isso. Não só reconhecida pelo trabalho, mas também recompensada financeiramente. Poder estar ajudando o pessoal e agregando valor a uma empresa que realmente merece ter esse valor agregado porque tem o seu próprio valor.

 

P/1 – Nesses anos, trabalhando com Responsabilidade Social, houve algum fato que tenha te emocionado? Que você se lembre?


R – Sempre a inauguração do primeiro projeto. É mais difícil. É tudo muito novo para ela e é novo para quem você vai oferecer. Sempre o primeiro projeto é o mais emocionante. Todos são, mas o primeiro, quando você consegue, é uma grande vitória.


P/1 – Simone, a gente está chegando na reta final do depoimento e eu vou te fazer algumas perguntas. Na sua opinião, qual é o carro símbolo da Volkswagen no Brasil?


R – O Gol.


P/1 – Você acha que é possível imaginar o Brasil sem a Volkswagen? E o grupo Volkswagen? Se ele não tivesse chegado ao Brasil, você acha que ele seria diferente?


R – Se ela não tivesse chegado ao Brasil?


P/1 – Exatamente. 


R – Se ela só continuasse na Alemanha?


P/1 – E em outros países.


R – Na verdade, a Volkswagen do Brasil não é uma empresa alemã. É uma empresa brasileira, embora ela traga toda a tecnologia e muitos dos valores de lá. Na verdade, ela conseguiu se adaptar rapidamente à cultura brasileira. O próprio brasileiro também se adaptou. Foi uma geração de empregos e uma esperança, como é até hoje. A Volkswagen, a identidade dela é brasileira. 


P/1 – Na sua opinião, qual a importância desse resgate histórico, desses cinquenta anos de Brasil na Volkswagen?


R – Importante sim. Uma memória, a memória de uma das empresas que ajudou a construir o país.


P/1 – Simone, o que você achou de ter participado desse projeto dando o seu depoimento nesse “Cinquenta anos de Volkswagen no Brasil”?


R – Me sinto orgulhosa de poder ajudar a construir – construir não – resgatar parte da história da Volkswagen, principalmente num aspecto que eu gosto. Você estar envolvida ou ligada à empresa pelo gosto. Pelo gosto dos produtos que ela produziu, e que você está fazendo parte. Por outro lado, de que as pessoas vejam não só o lado dela como empresa, mas o lado dela com a excelência de seus produtos. 


P/1 – Simone, a Volkswagen e o Museu da Pessoa agradecem o seu depoimento. 

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