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História

Coisa de petróleo, coisa de luta

História de: Pedro Idalino Ciriaco Filho
Autor: Thalyta Pedreira de Oliveira
Publicado em: 28/06/2021

Sinopse

Pedro, mais conhecido como Mala Velha por sua família e colegas, relata seu ingresso na empresa em que atuou por uma vida e suas histórias, dentre elas, o fatídico episódio com porcos que mudou seus conceitos morais. Além disso, conta sobre as lutas e dificuldades do sindicato dos trabalhadores petroleiros por direitos para a categoria. Por fim, sente-se orgulhoso em participar da história da empresa e afirma que a força de uma empresa se dá pelo árduo trabalho de seus empregados.

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História completa

Memória da Petrobrás Realização Museu da Pessoa Entrevista de Pedro Idalino Entrevistado por Ana Laje Mossoró, 15 de fevereiro de 2005 Código CBRNCE 01 Transcrito por Écio Gonçalves da Rocha Revisado por Izadora Telles P – Boa tarde, Pedro. R – Boa tarde, Ana. P – Eu gostaria que você começasse dizendo pra gente seu nome completo, local e data de nascimento. R – O meu nome é Pedro Idalino Ciriaco Filho. Minha data de nascimento é 4 de dezembro de 1959. E o que mais que você falou? P – O local e data de nascimento. R – Sim, o local e data de nascimento. Eu nasci em Natal, Rio Grande do Norte. P – Agora, conta pra gente quando e como se deu o seu ingresso na Petrobras. R – Olha, na verdade, antes de eu entrar na Petrobrás, eu já trabalhava pra Petrobrás através de uma empresa contratada. Inclusive, trabalhei em três empresas contratadas antes de ingressar na Petrobras. P – Empresas que prestavam serviço pra Petrobras? R – Prestavam serviço pra Petrobrás. O meu ingresso se deu no dia 12 de julho de 1980, quando eu fiz o concurso público por volta do mês de maio. E, dentre os candidatos, em torno de 1600, fui o nono colocado e logo no dia 12 de junho fui convocado pela Petrobrás, direto da contratada para a Petrobrás. P – E você foi contratado... Quando você passou nesse concurso, qual era o seu trabalho? O quê que você fazia? R – Eu trabalhava na empresa contratada de servente, e hoje chama-se SG, Serviços Gerais. A gente sempre foi na área de material. Coincidentemente, quando eu trabalhava já era na época do antigo Dex Potiguar. P – Como? R – Dex Potiguar. P – O quê que quer dizer isso? R – Era o Departamento de Exploração da Bacia de Potiguar. Então, de lá pra cá, minha atuação sempre está até hoje na área de material, armazenamento, enfim, suporte operacional, parte de logística. P – E fala um pouco dos locais que você já trabalhou aqui na empresa. R – Ana, aqui na Petrobrás, pelo menos na unidade, eu não conheço uma área que eu não tenha trabalhado. É tanto que a Petrobrás, sempre que tinha uma base nova a ser instalada, nessa parte de material eu era sempre o primeiro a chegar. P – Mas dentro do estado ou em outros estados? R – Dentro do estado. Aqui no Rio Grande do Norte, Ceará, eu trabalhei em todas as áreas, conheço todas as áreas, assim, como área de base. Fui pioneiro na Base de Fazenda Belém também nesse apoio, parte de apoio material, Guamaré. E mais ligado também nessa parte de produtos químicos, dando apoio às sondas da área que trabalhavam aqui no Rio Grande do Norte. Por isso que eu trabalhei em todas as áreas aqui em Mossoró. Eu já trabalhei antes, logo no início, Fazenda Belém, Guamaré, enfim, todas as áreas da Petrobrás e também na parte submarina também, quando na época Pub 2 e Pague 2 e Pub 3. P – Como? R – Pub 2, que é a plataforma de Ubarana, Pub 3 e Pague 2, as plataformas de concreto que, até hoje, nós temos aí na área. Trabalhei também nelas na parte de apoio de material. Então quer dizer, hoje eu posso dizer que aqui na unidade, em todas as áreas aqui da Petrobrás, as bases, eu trabalhei. P – Você já passou? R – Já passei. P – Conta pra gente como é o trabalho da Petrobrás aqui no Rio Grande do Norte. O quê que ela faz? A plataforma é em terra? R – A Petrobrás tem uma larga atuação aqui nessa parte de coisa de petróleo. Basicamente a Petrobrás trabalha mais, quando eu iniciei, era mais na parte de perfuração. Até hoje ainda tem essa área de sondas de perfuração, a parte mais de exploração também. E agora está sendo forte a produção. Então, além disso a Petrobrás também tem focado muito, nesses últimos anos já, principalmente nesses últimos três ou quatro anos, ela tem focado muito a sua ação também no social. Então a Petrobrás, onde ela está presente, sempre chega o desenvolvimento. Que Mossoró que o diga, que é uma cidade que é pólo hoje nessa área de petróleo. Uma cidade hoje que concentra quase todas as empresas na parte de petróleo, de empresa de petróleo. E mais por força da Petrobrás porque a gente sabe que onde a Petrobrás chega, chega o desenvolvimento, tanto desenvolvimento econômico, social e político, por que não dizer também? Porque aí cresce quase todo o conjunto de ações na cidade. A Petrobrás, essa parte dela focada na área social, também tem contribuído muito pro desenvolvimento da cidade e das pessoas também, haja visto que a Petrobrás é, posso dizer que é uma empresa, não diretamente, mas indiretamente, que mais emprega não só no estado, mas também aqui no município porque quase tudo funciona em função da Petrobrás. Empresas contratando até não estão mais nem terceirizando, já estão “quarteirizando” os serviços por força também da ação da Petrobrás. P – Conta pra gente quais são as lembranças marcantes que você tem da Petrobrás. Quando você pensa Petrobrás, o quê que você pensa? R – Olha, eu penso a Petrobrás como um futuro para o país, apesar de que eu gostaria muito de dar mais um pouco pela Petrobrás. E vou até onde realmente der. Eu imagino ainda ultrapassar meu tempo de aposentadoria trabalhando na Petrobrás porque eu acho que ela tem deixado, pra mim ela deixou marcas muito boas. Apesar de a gente ter tido alguns percalços aí, vamos dizer assim, focando um pouco na questão de capital de trabalho, tem algumas marcas não de satisfação pra dizer. Mas, no geral, ela tem deixado marcas muito boas pra mim, e porque não dizer pra minha família. Pra você ter uma ideia, eu tenho irmãos, parentes meus que, em Macaé, trabalham na Petrobrás: primo, cunhado. Aqui eu tenho sobrinho, tenho irmão também que trabalha, não na Petrobrás, mas em algumas empresas contratadas pela Petrobrás. P – Todo mundo vivendo em função da Petrobrás? R – É. Então, quer dizer, apesar de muitas empresas estarem atuando, mas a Petrobrás é o forte no estado, é quem realmente tem alavancado a economia. E tem deixado marcas por onde passa, marcas boas, principalmente na questão social aí que a gente vê. Agora, nesse semiárido aqui, a Petrobrás, através do Governo Federal, tem desenvolvido aí uma ação muito boa que é os poços da água estar sendo utilizado para meios de irrigação, enfim. P – Aqui em Mossoró? R – É, não só em Mossoró como em quase toda a região aqui, Mossoró, aqui no Rio Grande do Norte. Onde a Petrobrás atua ela tem feito esse papel. Pra mim, uma das marcas que a Petrobrás me deixou foi que eu tive que fazer uma viagem a Urucu, no início da base de Urucu, por necessidade lá de pessoas com uma certa experiência na área de material. Eu tive que ser deslocado pra lá pra passar um período no início da base de Urucu. E, pra mim, foi uma satisfação muito grande, hoje, saber que Urucu é uma base que é de grande interesse da Petrobrás, que ela vai investir, com certeza, e muito. E da forma como hoje se encontra, eu fico satisfeito de ter contribuído também com aquele empreendimento que tem hoje em Urucu, e também outras bases aqui da Petrobrás. Porque Mossoró, pelo menos quando nós chegamos aqui, era um poço produzindo. Hoje já é o maior produtor de terra do país. P – É o poço... R – É, começou com um poço aqui, próximo aqui ao Hotel Perrus, que é um dos primeiros poços. E hoje a Petrobrás, aqui no Rio Grande do Norte, é o maior produtor de terra. E porque não dizer que, realmente, a região de Mossoró. P – Agora, você já trabalha aqui tem um tempo, né, aqui na Petrobrás. Conta pra gente alguma história que tenha te marcado, alguma história engraçada, um fato engraçado que tenha te marcado durante esse tempo. R – Olha, tem várias histórias. Sinceramente eu me orgulho de ser um cara muito conhecido. Hoje alguns colegas dizem assim: “Olha, o cara que não conhecer Mala, é porque não conhece a Petrobrás.” P – Mala? R – É. P – Por quê Mala? R – É porque Mala é o seguinte: logo quando eu comecei a trabalhar na Petrobrás eu tinha uma mania, me apegava muito a uma mala “velhazinha” dessas aqui da região, que era de madeira e aço e tal. E eu cheguei algumas vezes a embarcar com ela. Porém, sempre na viagem, a água da lancha, que a gente viajava de lancha, batia na mala e ela foi pegando salinidade e tal, foi criando ferrugem, e virou uma mala velha. Mas, como a roupa ficava muito “acomodadazinha” na mala, eu não a desprezava, não. E aí, hoje aposentado, o Nair, que era torrista na época, ele sempre dizia assim: “Lá vem o homem da mala velha.” Depois virou o Pedro da mala velha. No final eu quis tentar resistir ao apelido, mas era na época em que na Petrobrás tinha que ter apelido. P – Pegou. R – Aí pegou. Pegou e ficou como Pedro Mala, Pedro Mala Velha. E hoje tenho que andar inclusive com um crachá pra poder ser mais identificado. E com isso houve um problema em casa. É que um colega meu, eu estava de férias de folga, um colega meu ligou pra minha casa. Minha menina que hoje tem 16 anos, ela tinha o que? Uns 3 anos de idade. O telefone tocou e ela atendeu. Aí o meu colega falou: “Olha, estou querendo falar com o Pedro Idalino.” Aí minha menina disse: “Aqui não mora essa pessoa não.” E desligou. Aí ficou assim: “Pô, peraí, vou tentar de novo.” Aí foi que ele se tocou: “Olha, quero falar com o Mala aí.” Ela disse: “Espera aí, papai está aqui. Vou chamar.” P – Ela também só conhecia como Mala? R – Ela, os colegas também. E aí ficou. E outras coisas boas que a Petrobrás me deu. Esse nome, inclusive na cidade onde eu moro, praticamente quase todo mundo me conhece por Mala. Ninguém me conhece pelo meu nome mesmo. Não é tão mal, mas a gente realmente também fica satisfeito porque, apesar de ser um apelido, mas é tratado com respeito e tal. E uma outra história que foi numa base de Guamaré, quando eu cheguei lá pra instalar um armazém de produtos químicos. Mas aí, quando era noite, os animais, porcos, sei lá, tudo misturado. Então os porcos passavam por dentro de uma cerca lá e comeram os produtos. E estava incluído amido em gel, parte de amidos, produtos que davam pra eles se alimentar. E aí eu tive que ter uma decisão, eu digo daquela época, não muito boa. Que aí eu fui tratar da situação com o prefeito da cidade e eu disse: “Olha, tu faz o que tu quiser aí. Eu não posso fazer nada porque eu já anunciei pra prender os animais e tal, e você tem...” E eu tive que tomar uma decisão de arranjar algum alimento que fizesse com que os porcos se afastassem. E aí a idéia que veio foi de misturar amido com um pouco de soda cáustica. Não ficou bom porque aí os porcos se afastaram, tudo, mas tiveram algumas queimaduras. Aí foi um sufoco. Aí disseram que eu tinha feito por ciúme, que... Ah, foi um negócio fora de série. Até hoje quando eu olho aquilo. Mas foi a única coisa que ficou de marcante mesmo contra mim na Petrobrás, que mais foi causado por mim. Hoje jamais eu imaginaria fazer uma coisa desse tipo porque a Petrobrás também, nessa parte de educação ambiental, ela tem conscientizado muito as pessoas. E eu sou uma das pessoas, realmente, que posso dizer, eu tenho já uma certa consciência ambiental que, em hipótese alguma... Até hoje eu me arrependo de ter feito aquilo. Isso foi quase uns 20 anos atrás. Mas eu não faria mais isso. É uma coisa que me marcou, que eu acho que, por mais, eu acho que era muito mais prudente se eu tivesse tomado outra atitude até mais cara pra Petrobrás do que fazer aquilo. P – Mudando um pouco de assunto, você é filiado ao sindicato desde quando? Desde que ingressou? R – Desde a fundação, quando foi criada a associação. Na época, antes de ser oficializado pra sindicato. A gente recebeu a carta em 1985. Eu fui um dos primeiros também. Quando começou o movimento de associação eu me filiei na associação. Hoje eu já vou para o quarto mandato de Dirigente Sindical, e me satisfaz. É porque é uma coisa minha de estar sempre na luta ali pra não sei, como é que... Muito diferente. Eu acho que se o meu pai fosse vivo na época, seria uma coisa que ele jamais iria admitir: eu me envolver com coisas de sindicato, coisas desse tipo, que meu pai já tinha uma visão assim mais... P – Mais conservadora. R – Mais conservadora. P – E, além da diretoria, você já exerceu outro cargo sem ser como Diretor do Sindicato? R – Não, sempre como Diretor do Sindicato. P – Sempre como diretor? R – Sempre como diretor. P – Já está no quarto mandato? R – Quarto mandato. Muda apenas as áreas. Eu cheguei a ser aqui Delegado Sindical da base. Já fui aqui Diretor de Secretaria de Empreiteiras. Mudam apenas as atividades nossas. Secretaria de Empreiteira e Relações Intersindicais e tal. P – Agora diz pra gente quais os principais momentos de luta do sindicato aqui no estado. R – Nós temos, tenho que lembrar, além de outras que tem, mas nós temos duas básicas aqui que eu me lembro. Foi por volta de 1990, quando do governo Collor, na época das demissões. Quando teve as demissões aqui nós tivemos uma participação muito atuante nisso. Deixou muita marca. Até hoje ainda tem. Nós temos colegas ainda amargando aquela ação do governo equivocada, podemos dizer, porque, inclusive, está sendo hoje reparado alguns casos que já ficaram pendentes. E a outra foi a histórica greve de 1995. Essa realmente fez a história da categoria petroleira. Por mais que se apontem defeitos ou alguns prejuízos no sindicato, do ponto de vista até político, pode dizer que foi vitória. Foi uma greve vitoriosa, é uma greve de resistência. Mostrou realmente que estávamos certos. Faltou, vamos dizer assim, naquele momento, habilidade, muita na verdade, do governo. Pode ter havido alguns exageros por parte de algumas direções, mas o que faltou, na verdade, foi habilidade política do governo em saber conduzir a negociação naqueles dias. E que, infelizmente, levou, digamos assim, a categoria a ter que tomar aquela decisão. A gente sabe que greve é uma coisa séria pra classe trabalhadora. É uma ferramenta muito importante pra classe trabalhadora. Ela deve ser usada de forma correta, no momento certo. Em alguns momentos, às vezes, a gente pode até chegar a errar, mas a de 1995 a gente considera que foi uma greve justa, correta e vitoriosa. E hoje nós estamos ainda colhendo os frutos da greve porque a gente pode extrair dessa greve alguns fatos, como dizer, afirmar categoricamente que, graças a greve de 1995, talvez, foi evitado que o Governo FHC [Fernando Henrique Cardoso] privatizasse a Petrobrás. Inclusive o depoimento dele, registrado em que se tentava criar condições pra privatizar a Petrobrás e alguém lá de fora apitou pra ele. Pela greve de 1995, foi considerado que não se mexesse ali porque estava mexendo num vespeiro. E o que a categoria com certeza, se viesse isso a acontecer, ou iniciar esse processo, a categoria ia resistir e não ia ser fácil. Poderíamos aí ter que recordar os anos 1960, ou 1950, quando da criação da Petrobrás realmente teve que se rolar cabeças, enfim. Não é o nosso interesse, nem seria, mas que deixou essa marca de resistência e de evitar que o governo tomasse outras decisões mais drásticas que seria a privatização da Petrobrás. Eis o resultado. A Petrobrás, de 1995 pra cá, me lembro muito bem que, quando nós estávamos já pra decretar a greve, a gente fazia uma avaliação do quê que a Petrobrás tinha de reserva de combustível na refinaria e o que é que produzia naquele momento. Eu me lembrava que eram 640 mil barris, em torno disso aí. Hoje a Petrobrás está sendo já auto-suficiente, uma empresa de energia forte, não só a nível nacional, mas internacional. Uma empresa competitiva graças, evidentemente, ao seu quadro de funcionários. Eu acho que é um dos maiores valores que não só a Petrobrás tem, mas que toda empresa hoje tem que ter essa visão, vamos dizer assim, é o fator humano. E é isso que tem contribuído pra Petrobrás. Alguns companheiros nossos tiveram que pedir pra sair, por momentos desesperadores de não terem a visão de resistir. Tiveram naquele negócio do PDV [Programa de Demissão Voluntária]. Tudo isso criaram pra enfraquecer a Petrobrás e tentar, da melhor forma, privatizar. E nós que estamos até hoje, podemos nos considerar como, na verdade, uns heróis. Resistimos, vamos resistir porque sabemos qual é o papel fundamental que tem a Petrobrás, dentre os objetivos que a Petrobrás sempre aponta, que é o de crescimento do país. E isso tem se revelado até a nível internacional. E nacionalmente é a empresa que tem mais crescido já nessas últimas décadas aí. A empresa que tem despontado aí no ranking nacional e internacional como uma das melhores empresas. A cada vez mais, vamos dizer, não só a longo, mas a médio prazo, a Petrobras vai chegar nas primeiras colocadas em empresas de petróleo. Esperamos e temos confiança nisso. P – E como você vê a relação hoje do sindicato com a empresa? R – Olha, melhorou muito. Apesar de que não chegou ao nosso ideal porque nós sabemos que não é o tópico, mas a gente sabe que se faz necessário um bom relacionamento e capital de trabalho. Nós estamos ensaiando um novo momento. Ensaiando não, nós estamos vivendo um novo momento com a Petrobrás. A gente também tem uma coisa forte também por trás disso, que se chama mudança de governo. E sempre nós apostávamos, nós enquanto sindicato também, apontávamos pra categoria a necessidade de não só se organizar, se engajar na luta por direitos mais imediatos, mas também teríamos que dar um foco mais voltado pra política porque é através dela que a gente apontava pra categoria, que haveria as mudanças. Passamos 12 ou 13 anos, pelo menos que eu acompanhei, buscando sempre junto com a categoria, com os trabalhadores, uma mudança central. Que só teríamos uma empresa democrática, assim desse tipo de relação, se a gente conseguisse mudar um degrau mais acima, que seria o governo. Conseguir mudar o governo e, com isso, ver as mudanças. Vieram as mudanças. Não é o nosso ideal, mas avançamos e muito. A Petrobrás sempre tem sido um canal. Não que o sindicato nos outros governos não tenha buscado o canal de negociar. O problema é que a gente buscava o canal de negociação e era esbarrado, era escamoteado, enfim, não se dava a importância à busca que o sindicato pra sempre tratar as coisas na mesma negociação. Buscamos sempre por essa alternativa. Claro que, em alguns momentos, quando isso não era aceito, a gente buscava a alternativa mais de imediato, que seria aquelas mobilizações. E a categoria sempre esteve mobilizada e sempre buscou, da melhor forma possível, manter a categoria mobilizada. Hoje, com as mudanças que vieram do governo e da Petrobrás, enfim, a gente está tendo um tratamento, vamos dizer assim, mais adequado. Não é ideal, eu repito, mas é um tratamento mais adequado, muito aberto, franco, honesto. Tem alguns percalços, algum defeito, que ninguém é perfeito, a gente sabe disso. É difícil se atingir essa perfeição. Mas que a gente se aproxima, a gente busca se aperfeiçoar. E a gente quer buscar sempre com a Petrobrás, e com a direção que está com a Petrobrás, se não melhorar, vamos dizer assim, a direção, que melhore as pessoas. E tem sido esse crescimento. A gente tem notado dentro da Petrobrás uma abertura mais democrática, de buscar. Antes, pra se ter uma ideia, pra gente marcar uma audiência com o Presidente da Petrobrás, era coisa de mês. Hoje o Presidente da Petrobras participa da mesa de negociação, faz questão de participar. Nós sabemos que existe uma disputa permanente, não só dentro do governo, mas dentro da Petrobrás. Essa disputa continua. Por causa dessa disputa, muitas vezes nós não somos atendidos nos nossos anseios, nas nossas reivindicações junto à Petrobrás. Tem lá o seu entrave, que é justamente essa disputa interna pelo poder, e que ainda continua. Mas avançamos, e a gente espera avançar muito mais. P – Tá. Agora, pra gente terminar, eu queria que você dissesse pra gente o quê que você achou de ter dado o seu depoimento? Qual a sua avaliação do projeto? Você acha importante? Por quê? R – Olha, eu acho que a Petrobrás, cada vez mais, está acertando. A gente sabe que está avançando. É como eu acabei de dizer anteriormente, está avançando. Isso também era, eu acho que um dos nossos ideais, fazer com que a Petrobrás leve, vamos dizer assim, não só para a Petrobrás, mas para o mundo, o que é o petroleiro na verdade. O que é que ele sente, o que é que ele já passou, o que ele contribuiu. Eu acho que aqui a história da Petrobrás é feita por seus funcionários, não é feita só de marca. A marca é muito forte, mas quem fortalece a marca de uma empresa são seus empregados. E temos fortalecido a marca Petrobrás, certo? E isso, um depoimento como esse que nós somos convocados a fazer, a prestar esse esclarecimento pra comunidade Petrobrás, pra comunidade nacional e internacional, pro povo como um todo, mostrar que a Petrobrás é uma empresa forte, de estrutura forte, vamos dizer assim também. E mais ainda, de empregados fortes tecnicamente, humanamente também falando. A gente tem coração, a gente luta, a gente briga, a gente trabalha, a gente cresce, a gente também desenvolve. E com a gente vai também a marca Petrobrás. É com essa propaganda agora que aparece na televisão, o bom da Petrobrás é o petroleiro. Eu finalizo dizendo isso. P – Tá. Então eu agradeço. Muito obrigada pela sua participação. R – Obrigado. FINAL DA ENTREVISTA
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