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História

Clarice Berlato de Souza

História de: Clarice Berlato de Souza
Autor: Elisabeth E. Jafet Cestari
Publicado em: 21/11/2013

Sinopse

Clarice Berlato de Souza nasceu em Florida Paulista,SP. Seus pais nasceram no interior do estado de São Paulo e trabalhavam na colheita do café. Teve uma infância com muitas brincadeiras na rua com primos e irmãos. Seu pai tocava sanfona nos bailes. Gostava de ir a bailes e de rezar o terço na época da quaresma. Sempre trabalhou na roça e depois começou a trabalhar em casa de família quando as suas três filhas já tinham nascido.

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História completa

- Entrevista realizada por Rosana Tiemi Saito (R) e Elisabeth E.Jafet Cestari (B) em 8 de julho de 2013 Parte 1 R: Nossa entrevista hoje é com Clarice Berlato de Souza. R: Clarice você poderia dizer seu nome completo, o local e data de nascimento? C: Meu nome é Clarice Berlato de Souza. Meu, data do meu nascimento é dia vinte e oito de janeiro, cinquenta e três. R: E onde você nasceu? C: Eu nasci no estado de São Paulo, Flórida Paulista. R: Você sabe a origem da sua família? C: Olha, a origem de, a origem da minha família... sei que meu pai era filho de italiano e minha mãe também, né...mas eles nasceram aqui em, meu pai nasceu em...Getulina e minha mãe nasceu em Lins. R: E quando eles que vieram para São Paulo? C: Quando eles vieram pra São Paulo? Ah... eles vinham para São Paulo várias vezes, eles vinham, voltavam, vinham, voltavam. R: Eles trabalhavam com o que na época? C: Na época eles trabalhavam com colheita de café, sempre trabalhou com colheita de café. Depois quando meu pai veio para São Paulo, ele trabalhou assim... de faxineiro... em mercado... Depois o ultimo emprego dele foi vender...eh... doce na porta da escola, o ultimo emprego que meu pai... ficou. R: Certo... E como era o nome dos seus pais? C: Meu pai chamava Antônio Berlato, minha mãe chamava Judite Madalena Marcovi. R: E você chegou a conhecer seus avós? C: Conheci. O Meu avô por parte da mi..., do meu pai eu conheci, a minha avó e meu avô. Da parte da minha mãe só conheci meu avô. R: Hum... certo. E como é que seus pais se conheceram? C: De que jeito que meus pais se conheceram? Nossa... Sabe que meu pai nunca falaram nisso?. Mas... meu pai era tocador de baile né. Desconfio que ele conheceu minha mãe em algum baile né? R: To-ca-dor de baile? C: Eh... Ele era tocador de sanfona, aí ele saia para tocar baile. R: ah que legal... C: Entendeu? Então eu acho que eles se conheceram assim. R: E você quando você era pequena, ele tocava? C: Tocava. Tocava, sempre tocou sanfona. R: Ah, e você chegou a ir em algum baile com ele? C: Cheguei ir vários bailes com ele. R: Ah que gostoso e como é que era? Conta um pouquinho. C: Ah, era muito bom. Nossa, aquele tempo baile era muito bom. Tocava ele, meu tio, os irmão, (irmão dele tudo tocava). Então juntava os irmão, tudo tocando baile, a sobrinhada, mulher, até mesmo minha avó dançava sabe? Era muito bom aquele tempo. R: Que tipo de, de música que era? C: Ai... tocava muito...olha nunca esqueço musica que meu pai gostava de tocar muito era aquela... Música do Tonico e Tinoco, sabe... que era...As mocinhas da Cidade. R: Como é que era, canta um pouquinho, canta pra nós. C: Eles cantavam assim: "as mocinhas da cidade, são bonitas e tão ( )”. E era assim... era muito bom. R: E você tem irmão, você tem irmã? C: Tenho, eu tenho essa irmã que morreu e eu tenho mais dois irmãos, entendeu? R: Certo... então você são em quantos? C: Somos em quatro, mas minha mãe teve nove filhos. Morreu seis. Morreu uma que amanheceu morta no berço, que seria mais velha do que eu e mais nova que essa minha irmã. E os outros foi tudo assim, sabe, tudo parto de cinco mês, de três mês, de um mês, que perdia sabe? R: Sei, sei. E você sabe por que que escolheram esse nome para você, falaram para você? C: Olha, quem escolheu esse nome não foi nem minha mãe, foi minha madrinha de batismo, mas eu não conheci minha madrinha de batismo. R: não... ela faleceu antes? C: Faleceu antes e eu não conheci ela. R: E você não sabe por que ela escolheu esse nome? C: Não sei... R: Me fala um pouquinho da casa onde vocês moravam quando vocês eram pequenos... do que você brincava, como que eram essas brincadeiras... Conta um pouquinho. C: Olha a gente brincava... a boneca a gente não tinha boneca, a gente brincava com aquelas espigas de milho verde. Fazia aquelas bonequinhas de sabugo né? Tinha os cabelinhos, tinha cabelinho vermelho. Tinha cabelinho amarelo né? Então nóis fazia roupinha, colocava nela. Outra coisa que a gente gostava muito era de cantar roda, assim, brincar de passar anel, sabe, juntava as moça, os rapaz, as menina, e a gente era pequena, a gente tava sempre no meio daquelas, rapaz, das moça, brincando de passar anel, cantar, roda, né, então era essa brincadeiras nossa... R: você brincava com seus irmãos também? Como é que era? C: Brincava... brincava com meus irmãos, brincava muito. A gente brincava de, aquele balança caixão, sabe? A gente brincava de esconde-esconde. A gente tinha uma vida muito boa quando a gente era pequeno. Era uma vida assim muito difícil porque meu pai era, a gente sempre foi pobre, mas era muito bom. R: E como era a casa que vocês moravam? C: A casa que a gente morava? Ah era uma casa assim de chão né? A gente chegava no sábado a gente jogava bastante água, passava vassoura para ficar, apagar aquela poeira né? Era... assim...era de tábua, a gente não tinha muito móvis, era bem pouco os móvis, entendeu? Mas... a gente era feliz ali. R: E onde que era mesmo essa, o bairro, cidade? C: Alto Paraná. R: Paraná... C: É. R: E dessas brincadeiras todas que você falou qual que eram suas favoritas? C: Minhas favoritas? Ai eu gostava muito de esconder, brincar de esconde-esconde. Que a gente era assim... era nóis, era um monte de primaiada né? Que meus tios morava perto também, então tinha a, a turminha. A turminha da minha idade, a turminha da idade mais da minha irmã, tinha outra turminha mais pra baixo de nóis, só que a gente se unia todo mundo brincando, sabe? Era muito bom. R: E... então seu amigos eram os primos, o pessoal. C: era os primos, o pessoal. R: E... Me conta um pouco quando você foi pra escola, como foi... qual a tua primeira lembrança? C: Pra escola? Nossa, eu fui pra escola, mu... meu pai mudava muito sabe, não parava num canto. Meu pai ficava um ano num canto, quando a gente tava se adaptando com a turminha da escola, ele mudava, entendeu... então não dava certo naquele lugar, tinha que mudar. Mas a gente ia na escola, a gente tinha muita amizade com as pessoas Meu pai nunca gostava que a gente arrumava confusão em escola né. E minha sempre falava pra nóis, “se vocês arrumarem confusão na escola... se você apanhá, quando vocês chegar em casa, vocês apanha de mim também.” Então a gente sempre tinha medo de arrumar confusão na escola né. Eu gostava mais de arrumar confusão na escola, né, mas a minha irmã não, minha irmã era mais quieta, mais calada. Ela não era de arrumar confusão com ninguém. R: Que confusão era essa que você gostava de arrumar? C: Ah, a gente gostava porque... na escola que a gente estudava tinha duas pessoas que seria, a gente falava assim...que seria que nasceu em berço de ouro né. Então eles traziam os lanche melhor, eles andava com roupa melhor de que a nossa, então a gente queria sempre ficar cutucando aquelas duas pessoas, sabe. Então a confusão saia por aí. Começava uma confusãozinha por causa de, de qualquer uma de nós que arrumava confusão. tomava o lanche, ou a gente queria trocar o lanche e a pessoa não queria né, então a gente arrumava confusão e aí já arrumava um monte de confusão com umas outra também, entendeu? Então sempre tinha essa confusão mais pro causa disso. R: E a sua mãe era chamada quando tinha essas confusões? Como é que era? C: Minha mãe foi chama... Não, meu pai foi chamado uma vez, mas e aí meu pai deu um castigo pra mim, sabe. Uma vez também a gente, tinha uns amigos que chamou, passou na minha casa e chamou para roubar romã, sabe? Só que eu não sabia que elas iam fazer isso, porque, nossa, minha mãe era muito contra esse tipo de coisa entendeu? Aí eu fui e justamente elas foram roubar. Eu peguei essa romã, mas elas pegaram, elas acabaram com o pé de romã do... tava toda encapadinha ( ) ( ) sabe? E elas fizeram uma desordem, só que a mulher não conhecia ninguém ali, só conhecia eu, porque ela era conhecida da minha mãe e justamente ela veio parar aonde? Na minha casa... Nossa... não apanhei naquele dia porque meu pai não conseguiu me pegar mesmo, mas se não... tinha apanhado. Fiquei o dia inteiro escondida na casa da minha tia. ((risos)). R: E como chamava a sua primeira professora? Você lembra? C: a minha primeira professora, ela chamava... ai meu Deus...( )eu sei o nome dela, eu lembro dela como se fosse hoje... Uma vez ela veio na minha casa fazer uma reclamação porque a gente não fez a lição. Ela chamava Socorro. R: Socorro C: É. R: E você tem alguma professora que te marcou, que você gostou? C: Ah... tinha um professor, gostava muito dele. Chamava José Luiz. Gostava muito dele. Ele era assim, uma pessoa bem calma, ele gostava muito de aconselhar, principalmente o lado das meninas, entendeu? Ele era daquelas pessoas assim, que acho que o jeito dele ser criado, ele não gostava muito com picuinha pro lado dos meninos, aí ele chamava a gente a atenção. As meninas pra um lado, os meninos pra o outro, Então eu achava muito bacana o jeito dele entendeu? Ele nunca deixava a gente sozinho na classe, nunca. As professoras não, elas deixavam, mas ele não. E eu lembro muito dele. R: E como é que você ia para escola naquela época? C: você fala de roupa? R: De roupa... de condução... C: Não, de condução não, a gente ia a pé, entendeu? A gente ia a pé. Roupa era um uniforme, era uma blusinha branca de manguinha cumprida e uma saia azul preguiada. Calçado a gente não tinha, ou a gente ia de chinelo ou a gente ia... sabe aquela pargatas? A senhora já chegou a ver aquelas pargatas? R: Claro... C: Então aquelas pargatinhas azul, que eram um tipo de um jeans, sabem? Era, era nosso calçado predileto para ir para escola, entendeu. R: Você disse que seu pai mudou muito de cidade, então você mudou muito de escola também? C: Mudei, mudei muito de escola. Mudei muito de escola. R: Até a quarta série, quantas escolas... C: Não, eu não fiz a quarta serie, eu só fiz o segundo ano. Eu não fiz, não cheguei a fazer a quarta série. Que da gente mudar demais, aí depois eu não quis ir mais para escola. Ai naquele tempo o povo não obrigava ninguém a ir para escola né. Se quisesse ir, ia, se não quisesse... entendeu? R: E a segunda série você fez em que cidade? C: eu fiz a segunda série, eu fiz lá em Alto Paraná mesmo. O lugar chamava ( ), era... ai meu Deus...era uma cidadezinha de Alto Paraná, mas tinha um sítio né. Esqueci o nome do sitio agora, não lembro. R: E a infância toda você passou em Paranavaí, é isso? C: Não. Nóis veio aqui para o Estado de São Paulo, perto de Adamantina. A gente ficou em Flórida Paulista, não sei se você já ouviu falar. Então a gente morou ali. Meu avô tinha sitio, a gente foi bem dizer... eu fui pra...pra lá com quatro anos mas acabei voltando...depois quando voltei com dezesseis, depois com dezoito nóis voltou pra lá, depois eu voltei pra cá de novo, entendeu? R: E a sua juventude, o que você gostava de fazer na sua juventude? C: Na minha juventude, ai...eu gostava muito de dançar baile, eu gosta... uma coisa que eu gostava muito: de rezar terço. Gostava muito de rezar terço, a gente se ajuntava assim nas quaresmas, a gente ia muito pra igreja sabe, fazer novena, fazer via sacra... e...eu, eu rezava o terço, gostava muito de rezar terço esse tempo. E a gente se ajuntava, turma muito boa, andava de dois a três quilômetros a pé para rezar um terço. Cada, passava aquelas santinhas, antigamente passava aquela imagem né, nas casas. Aí a gente passava de casa em casa rezando. Cada dia a gente rezava numa casa. Era o que a gente mais fazia. R: Você tinha feito a primeira comunhão nessa época? C: Já, já tinha. R: e como eram os amigos dessa época? C: Olha, para falar a verdade eu não era de muito, muitos amigos não... Eu tinha assim, uma amiga... que eu confiava. Eu tinha bastante amigo assim, mas era assim "bom dia, boa tarde". Não era de frequentar casa e muito menos deles frequentar a minha casa. Eu tinha aquela amiga, entendeu, que conversava um assunto que a gente confiava. Ela confiava em mim, eu confiava nela. Era assim, não era assim de ter muitas amigas não. Até hoje eu não sou de muita amiga, entendeu? R: E os bailes que você ia, conta um pouquinho pra gente como é que era? C: Ah... Os bailes era muito bom. Eram bailes assim... né, que nem hoje né, baile de sanfona, eles tocavam e... os bailes começava sete horas e terminava meia-noite, entendeu? Uma hora da manhã tava todo mundo em casa já. Era bem diferente de hoje. R: E como eram os vestidos, como é que eram os meninos na época? C: Vestido? Falar a verdade para você, eu acho que eu tinha... um vestido para sair...um para ficar em casa...uma roupa para dormir, uma de escola. Eram bem pouco os de usar em casa. A roupa que meu pai comprava era assim. Minha mãe ia com pai, comprava aquele pedaço de pano, não sei se você chegou a lembrar, pegava aquele rolo de pano, era para família inteira, de um pano só entendeu? Se era mulher, era florido, que hoje eles fazem aquilo lá para lençol, para capa de “adredão”, que antigamente não usava esse tipo de roupa. E eh... fazia para família inteira. Se era homem, era um xadrez, era camisa pra família toda, dos homens. Se era para mulher, era pra família toda das muié. Era desse jeito, entendeu? R: E os meninos, com é que eram na época? C: Ah, os meninos eram bem... ah, igualzinho de hoje né, porque antigamente não tinha televisão, não tinha nada. Eles não tinham muito o que fazer, mas eu acho que eles também tinham as levezas deles né. R: e como é que foi o seu primeiro namoro? Conta pra gente? C: Vixe meu primeiro namoro? Ai, meu primeiro namoro foi a maior confusão ((risos)). Eu gostava de um rapaz, depois ele, a gente começou a namorar, depois como meu pai ele era uma pessoa assim, que ele não deixava a gente... dava seis horas a gente tinha que tá em casa né? Ia nos bailes, quando era uma hora da manhã, a gente tinha que tá em casa. Não tinha celular, não tinha nada, mas ele já dava aquela ordi, a gente tinha que cumprir aquela ordi. Não tinha esse negócio de falar, “ah eu vou ficar um pouquinho mais, ou atrasei...” Não, você tinha que chegar na hora que ele marcava senão ele não deixava sair mais, E a gente sabia que ele não deixava mesmo, né? Então ele conheceu uma menina que era mais solta, ficava mais tempo né... Aí ele me trocou por ela, depois eu fiquei, quer ver... eu fiquei... eu conheci ele com quatorze anos, depois fui ver ele com dezoito anos. Aí depois acabou, não vi mais... mas eu gostava dele, né. E de namoro foi muito pouco também. V: Ele chegou a pedir você em namoro para seu pai? C: Não, para meu pai não... porque antigamente era assim, os rapaz pra chegar dentro de casa ele precisa ter certeza que gostava da moça, né. Não é que nem hoje que conhece hoje e já vem pra casa, já entra, sai dentro de casa não. Antigamente era bem diferente né? Era BEM diferente antigamente. R: E aí você teve ele, depois você disse que ele separou, depois... C: Aí depois eu comecei a namorar outro rapaz, namorei em casa... só que eu não...( ) namorei um ano, só que a gente fazia...faltava dois meses pra casar eu descobri que eu não gostava dele. Assim, pra casar entendeu? Ai eu acabei o namoro... Minha família sentiu muito, ele também. Ele morava aqui no estado de São Paulo, ele foi para o Paraná pra ficar perto e assim mesmo eu acabei o namoro. Aí... depois eu conheci meu marido, foi um casamento muito errado, entendeu? R: E quando você começou a trabalhar Clarice? C: Você fala assim... ah, trabalhar, eu trabalhava na roça né, eu trabalhava na roça, sempre trabalhei, mas assim...quando eu tava grávida dessa menina mais velha, vim aqui pra São Paulo, eu trabalhei de empregada. Trabalhei eu e minha irmã numa casa só, mas eu trabalhei pouco tempo, eu trabalhei só seis esses. R: Aí então, você se casou com quantos anos? C: Eu me casei com vinte e um anos. R: Vinte e um? C: É... R: Então antes de começar a trabalhar aqui você já era casada? C: Já, comecei a trabalhar já era casada, tive minhas duas filhas, todas elas já. R: então me conta foi como foi conhe... onde você conheceu seu marido? C: meu marido eu conheci ele na casa do irmão dele, eu era amiga da cunhada dele, né. Então a gente tava lá na casa conversando com ela, ele chegou e a gente se conheceu. Ai eu comecei a namorar com ele, eu namorei dois anos com ele, aí depois a gente fugiu... naquele tempo saía de casa, sabe. Foi pra casa da minha sogra. Aí depois que eu, que eu casei lá, nem meu pai tava, nem minha mãe. Não tinha ninguém, só eu, ele, minha prima e meu primo que foi testemunha, só. Eu casei, sai do cartório e fui trabalhar. R: Em que cidade era? C: Alto Paraná, que é onde eles moravam, que eles tinham casa lá. R: E aí como é que foi sua vida? C: Ah, minha para falar a verdade minha vida foi um verdadeiro inferno, sabe. R: o que aconteceu? C: Foi um tormento minha vida. Ele era muito ruim, muito ruim. Ele bebia, depois ele começou... ele já era ruim sem beber, quando ele começou a beber ficou mais ruim ainda. Aí a gente não julgava pela bebida, porque se ele fosse bom quando ele não bebia, né, a gente falava “não, é por causa da bebida.” Mas não, não era por causa da bebida, é porque ele já era ruim de natureza mesmo, entendeu? Ele era muito ruim... minha vida foi... R: Quantos anos de casamento a senhora tinha quando nasceu a primeira filha? C: Quando nasceu a minha primeira filha eu tava com... com um ano e nove meses de casada. R: E a senhora ainda morava ainda em, em... em Alto Paraná? C: Olha, eu fiquei, depois eu vim pra casa do meu pai, eu separei dele, vim pra casa do meu pai, depois ele veio atrás... né. Aí quando eu tava já de... oito meses, ele voltou, aí eu perdoei ele de novo, aí a gente voltamos junto com meu pai. Aí eu já com cinco meses que eu tava gravida, que eu tinha ganhado a mais velha eu fiquei gravida da outra. Quando a outra compretou um ano, não tinha completado um ano ainda, não... um ano e uns dez dias, por aí, eu ganhei a segunda. Mas eu morava junto com o meu pai, e ele morava junto com nóis, entendeu? R: Fazia o que, que ele trabalhava? C: Ele trabalhava negocio de... esse negocio de ponhá lâmpada em poste. Sabe eletricidade? Isso aí ele trabalhava. R: E aí a senhora disse que começou a trabalhar quando nasceu a segunda filha é isso? C: É... não, eu tava gravida dela quando eu comecei a trabalhar, na casa dessa mulher que eu, que a gente trabalhava de empregada. Mas eu trabalhei só seis meses e depois eu voltei pra roça e voltei a trabalhar na roça. Trabalha em horta, fazia horta, trabalhava de horta. Aí eu, nóis tomava conta de casa e trabalhava na roça junto com ele. E assim, casa de família mesmo que eu fiquei bastante tempo, só foi aqui mesmo. R: E o que a senhora fazia com o dinheiro que a senhora ganhava? C: Eu não pegava dinheiro, quem pegava era ele. Eu nunca peguei dinheiro na mão. Eu fazia pegar dinheiro na mão depois que eu separei de vez dele e vim trabalhar aqui na casa da Dona Edite. Aí que foi que eu comecei a pegar meu dinheiro. R: E aqui na Dona Edite você veio trabalhar, quantos anos tinham as suas filhas? C: Olha, a... a menor tava com três anos, que é a caçula e outra tava com dezessete anos, que é a mais velha. R: Voltando um pouquinho, como é que é o sentimento de ser mãe? C: Ah... mãe é muito bom, vixe, eu gostava...gostava muito. Eu acho que o que sobrou do meu casamento de bom, só foi as minhas filhas. Do resto...não sobrou nada, nada. R: Você amamentou, como é que foi esse processo? C: Amamentei, eu amamentei muito pouco as minhas filhas porque eu não tinha leite, ne? A mais que eu dei mama, acho que se foi uns quatro meses, foi muito. Naquele tempo lá no sitio, a gente tinha leite de vaca, né? Como ele trabalhava assim de...eh...de tomar conta de gado, então o leite que a gente, a gente tirava leite, ficava pra gente, entendeu? Então eu criei minhas filhas mais assim, mais no leite de vaca. R: Você mostrou uma foto aqui... essas suas duas filhas são as mais velhas? C: São as mais velhas. R: Então, quando elas estavam nessa idade, qual a idade dessa foto... das suas filhas? C: Essa mais velha tava com dezessete anos e essa daqui tava com dezeseis. R: Você já trabalhava aqui na Dona Edite? C: Já trabalhava aqui na Dona Edite. R: E onde você deixava suas filhas, como é que era isso? C: Então essas duas quando elas vieram, elas já arrumaram emprego. Essa mais velha ela arrumou emprego na Habibs, nesse tempo ela arrumou um emprego de, numa lanchonete. Depois ela saiu, arrumou emprego na Habibs que é ali da Avenida Goiás, e ela tá lá até hoje também. Hoje ela é gerente lá da Habibs entendeu. Ela começou com repcionista, aí lá ele fez de tudo um pouco e hoje ela é gerente da loja. R: E como é que você arrumou emprego aqui na casa da Dona Edite? C: Eu arrumei emprego aqui na casa da Dona Edite através de uma mulher que trabalhava pra Dona Edite, que era babá dos meninos, que é a Dona Maria e ela tinha... a nora dela, era cunhada da minha sobrinha. Aí a cunhada da minha sobrinha falou pra ela: "óh, onde a minha sogra trabalha tá precisando de uma pessoa pra trabalhar. Se a sua cunhada quiser ir lá trabalhar, sua tia quiser ir lá trabalhar, ela vai falar com a minha sogra." Ai eu fui falar com a Dona Maria, aí a Dona Maria conversou com a Dona Edite e ai eu vim conversei com a Dona Edite, e aqui tô até hoje. R: Quantos anos eu tinha quando você começou a trabalhar aqui? C: Ah... quantos anos eu tinha.. Eu hoje eu to, vou fazer sessenta, já vai fazer vinte anos... R: Quarenta né, inicio dos quarenta. E você morava onde quando você veio trabalhar aqui? C: Você fala... eu morava ali no Primavera, Mauá, ali no ABC, entendeu? R: E as suas (três) filhas nasceram ( ) C: Eu só tenho uma que nasceu aqui em São Paulo, que é a segunda. As outras tudo nasceu no Paraná... Uma nasceu... qué vê...nasceu...a mais velha nasceu em Japorá que era uma cidade...A Caçula nasceu no Uniflor, que era outra cidade, e as outras tudo nasceu em Alto Paraná, as outras três. R: E quando você veio trabalhar na Dona Edite, essas duas eram as mais velhas e as pequenas ficavam com quem? C: Então, elas ficavam em casa. Minha cunhada morava pertinho, tinha a minha mãe. ( ) Minha mãe era cega das duas vista mas ela...as crianças ficavam um pouco na casa dela, mas a, a mais velha, que era... das três, a mais velha tomava conta das outras duas menor. R: A senhora ainda estava com seu marido ou já tinha separado. C: não, eu já tinha separado quando eu vim pra cá. R: Me conta um pouco aqui (corte) PARTE 2 R: Clarice você mostrou nas fotos em que estão seus pais e as suas filhas. Como um pouquinho para nós como era a relação dos seus pais com as suas filhas, com os netos... Como é que era isso? C: A relação dos meu pai com as filhas... Ah, meu pai era muito bonzinho com a gente, a minha mãe também...Eu nunca vi meu pai e minha mãe assim, brigar, aquela briga assim de se ofender sabe. Sempre tinha aquelas discórdia, talvez... um ciúmes né, da minha mãe. E mais, que meu pai era agressivo assim em casa com nóis, ele nunca foi, ele nunca bateu nos filhos. Os netos ele era melhor ainda, mais melhor com os netos ainda que com nóis. Eles eram muito bonzinhos pra a gente. R: E como que... foi a relação dele com as duas filhas mais velhas...eles acompanharam a educação delas? C: Então, quando eu ganhei a minha filha mais velha, eu morava com a minha mãe. Meus pais foram padrinhos do batizado dela. Quando eu ganhei a segunda também,( ) só que depois eu fui embora. Aí depois quando eu voltei já pra casa da minha mãe de novo, já tinha, já as meninas tudo grande, foi aqui em São Paulo, mas a relação deles com as minhas menina sempre foi boa. Não só com ela, mas como com todos eles... né...os netos. R: É... Quando você veio aqui para casa da Dona Edite, como é que era o seu dia a dia? Como é que era vir pra cá, como é que era o trabalho aqui? Depois voltar pra casa, o que você fazia? Conta um pouquinho. C: Então, quando eu vim pra morar, trabalhar na casa da Dona Edite, eu vinha, trabalhava, aí eu voltava pra minha casa. A primeira coisa que eu fazia era limpar a casa da minha mãe que ela tinha uma casinha. Aí eu ia lá conversava com ela, com meu pai. Aí depois eu voltava pra minha casa, ia fazer janta, ia por as menor pra tomar banho, para estudar né? Meu dia a dia era assim. R: E como foi aqui a relação com a Dona Edite de trabalho... ah...como que você foi aprendendo as coisas, como é que foi? C: Não... A relação aqui com a Dona Edite e os meus trabalhos foi muito bom, vixe... muito bom. Eu e a Dona Edite nós somos praticamente amiga, as duas. (Quando) eu tenho assim algum problema eu chego nela, eu converso com ela. Se eu precisar de sair , de sair, ela me libera. Se eu precisar de faltar, ela me libera, entendeu. A relação com os meninos aqui, são muito bom, são muito bonzinho pra mim, então nada que me queixar deles. R: Os meninos são os filhos da Dona Edite? C: É, os filhos da Dona Edite? R: Quantos anos eles tinham quando a senhora veio pra cá. C: Olha, o André... que nem eu falei, devia tá nos sete pra oito anos...e o, a idade do André e da Mariana eu não sei não muito bem não, mas eles eram tudo menino, ainda, Não é Dona Bete, era tudo... R: você ajudou a criar também então. C: Criar bem dizer, quem ajudou criar eles foi a Dona Maria né, mas eu ajudei a tomar conta deles. E a relação de eu com os menino foi muito boa. R: Você cozinha aqui também? C: Faço de tudo aqui R: Como é na cozinha? Você gosta de cozinhar? C: Oh, primeiro quem cozinhava era a Dona Tereza, que era a sogra da Dona Bete com a Dona Edite, ela que trazia as coisas, eu fazia só algumas coisas... Depois quando ela faleceu, depois a gente começou a pegar receita na internet, a gente vai fazendo sabe...aprendendo, um dia sai bom, outro dia não sai, outro dia sai melhor, e é assim. Mas a gente vai... levando. Um dia faz eu e Dona Edite junto, a gente começa a fazer os planos de fazer a comida junto. Sabe, uma ensina a outra e aí nós vamos levando assim. R: O que você gosta de cozinhar? C: O que eu gosto de cozinhar? Ah, eu não sei muito fazer prato não, falar bem sincera. Minha comida é arroz, feijão, bife. Eu faço... de verdura eu faço qualquer coisa. Aprendi fazer uma carne ali...hum, de panela, varias coisas que a Dona Edite pede para mim fazer e eu tento fazer. Eles nunca reclamaram. Se não tiver bom, fala que não tá bom. Agora, se tiver bom, fala que tá bom, né, que eu acho melhor assim, né. R: Eh... voltando um pouquinho, você também mostrou uma foto aqui de uma irmã sua. Como é que era sua relação com ela, conta um pouquinho. C: Então, a relação d’eu com ela, era muito boa. Eu não chama ela por nome, eu chamava ela de Tata. Eu não sabia falar o nome dela, o nome dela era Maria Santina né, mas não falava Maria Santina, sempre chamava ela de Tata. Então a relação nossa era muito boa, sempre a gente se deu bem, a gente nÃo brigava, de jeito nenhum. Pois ela casou, ficou morando de nóis e depois fiquei onze anos sem ver eles. Aí depois uma vez, ela foi passear na minha casa. Depois quando eu, minha sobrinha foi pra lá ( ) e eu vim embora, me separei, vim direto pra casa dela. Aí quando vim na casa dela, ela me ajudou muito. Que quando eu cheguei ela já tava doente. Aí, não levou cinco anos, aí ela... ela já...faleceu, que aí atacou o câncer, aí ela faleceu, né?. Mas a nossa relação era muito boa, sempre foi muita amizade eu com ela. Eu, ela e os outros meus dois irmãos também. B: Você teve então uma boa relação com seus irmãos. C: Teve, foi uma coisa que minha mãe sempre ensinou pra nóis, né?. Só tem um irmão que bebe muito né, mas ele é mUIto boa pessoa. A gente, a gente sempre se deu muito bem, entendeu. B: E vocês se reúnem de vez em quando assim, como que é isso? C: Não, Dona Bete. Depois que minha mãe faleceu, meu pai faleceu. Primeiro foi minha irmã, faleceu. Depois que minha irmã faleceu, tudo desandou. Aí, se reunia assim... na casa da minha mãe. Depois que minha mãe, meu pai faleceu, ai acabou. É cada um na sua casa, cada um com sua família. Quase que a gente não se reúne, viu... B: E você com suas filhas, você sempre está vendo todos eles, se reúnem? C: Sempre. Se reúne. Lá sempre qualquer coisa que tenha na minha casa ou na casa da outra minha filha, a gente sempre, Natal a gente passa sempre junto, Páscoa, Ano Novo, a gente sempre passa junto. Aniversário e sempre unido entre nós, minhas filhas comigo, e conhecido, um parente que vem né... R: Me fala o nome das suas filhas, por favor? C: Óh, a mais velha chama Luciana, a segunda chama Eliane, a terceira chama Denise, a quarta chama Fabiana e a quinta chama Sara Rosane. R: A senhora lembra a idade delas? C:...A idade delas... bem... a idade delas... ai a mais velha...tem trinta e nove, a outra...é um ano de diferença, é trinta e oito. Agora as outras... é meio difícil saber a idade das outras hein... R: E... Como foi ser avó? C: Ser avó? Ah... ser avó foi ser mãe de novo ((risos)). É tão bom... Quando a netinha minha nasceu, nossa maior alegria do mundo... né? Era o maior mimo porque era só ela, depois foi chegando, aí chegou três d’uma vez. É os três. Chegou os dois menino e a menina. Mas cada um que nasce é... uma alegria né? R: A mais velha como chama? A neta mais velha? C: A minha neta mais velha chama Tainá. R: E os três que chegaram de uma vez? C: Um chama Lucas, o outro chama Rian Gabriel e a outra chama Evelin Mariane. R: Não são gêmeos? É um de cada, um de cada filha? C: Não... é um de cada mãe, é. São gêmeos não... R: São quatro netos ou tem mais? C: Não, são seis netos e três netas. R: Nossa. São nove. C: O último netinho que nasceu ele tá... ele dia quatorze agora ele vai fazer dois meses, que é o... Bernardo. R: E quando vocês se reúnem, vem todo mundo? C: Vem todo mundo. Quando faz qualquer coisa, ajunta as fia todinha. É muito difícil, porque uma trabalha de um lado, outra trabalha do outro. É muito difícil, mas a gente procura fazER quando elas vão pegar folga delas. Porque elas têm folga na, na semana, é uma folga. No domingo, ela tem UM domingo por mês. Então a gente já pega esse domingo por mês pra se reunir. R: E... como é que eles na escola? A senhora participa da vida dos seus netos, como é que é. C: Tô sempre participando da vida deles ((risos)). Tem dois que mora comigo que é, que é o Gustavo e o Nicolas. E aí tem o, esse Rian e o Miguel que eles ficam, que eu pego o Rian... o Miguel eu pego ele na escola sempre, que ele estuda na creche junto com os outros dois, meu. Eles três moram perto de mim, o Miguel, o Bernardo e o Rian. O Lucas mora mais afastado, e essa Tainá também. E tem a, a Bela, ela mora um pouquinho mais longe, mas eu tô sempre vendo ela. Ela é a única que quase não vem na minha casa, participo nada com ela, porque ela frequenta mais pro lado dos outros avós, que e a avó que cuida dela, porque eu não posso cuidar eles né. Cuido na parte da tarde, os outros que estão perto de casa, depois que eu saio daqui do serviço. Mas é... Estão sempre na minha casa... sempre ali. R: A senhora falou de trabalho, falou dos netos, com é o seu lazer agora? C: Meu lazer, vixe... meu lazer tem vezes que eu vou passear na casa de uma filha, tem vezes que eu vou...mas eu fico mais em casa porque (quando) a menina trabalha, eu cuido dos dois meninos pequenos, então não tem muito tempo de sair entendeu?. Aí é do serviço pra casa. Aí fico em casa, fazendo as coisa e cuidando deles. Mas eu sempre saio... viajei de navio com essa minha filha. A gente sempre se reúne em aniversário, em assim, alguma festa, vai comer em algum restaurante, sempre vou com elas, entendeu? R: É eu vi uma foto aqui de um navio. Como pra gente como foi essa viagem? C: Ah, essa viagem foi boa, essa viagem foi muito boa. Nunca tinha viajado de navio. Ela queria viajar de avião e eu tenho medo de viajar de avião né? Tenho medo de altura. Aí ela, fomos viajar de navio, ficamos dez dias lá. B: Para onde você foi? C: Olha, a gente foi... nossa, e a cidade agora? B: É aqui no Brasil mesmo? C: É, aqui mesmo... Eu fui lá aonde tem aquela casa cor de rosa, que a dona, que dona Edite foi também, que é daquela, da... é Governadora ela? A casa cor de rosa? B: Casa cor de rosa? Paraty? Não? Angra? C: Não... não é...ai meu Deus do céu. A Dona Edite sabe. A dona Edite foi lá. B: Foi lá em Salvador? C: Não... não foi nenhuma cidade dessas. Gente... B: Bom, mas tudo bem. E aí, como é que foi essa... C: Fui lá nessa casa cor de rosa. Entremo lá, não entremo dentro né, mas fiquemo lá vendo as coisas, Foi muito bom lá. B: Ah, Buenos Aires? C: Bonos Aires ((risos)) B: Buenos Aires, a Casa Rosada. Agora lembrei. C: A Casa Rosada. Então, nós fomos lá. Ai, eu gostei muito de ir lá viu, gostei muito mesmo. Passeio de barco, fomos no, nas lojas, fomos vários lugar lá, sabe. Restaurante, a gente foi, Nossa a gente foi muitos lugares, assim, muitos lugares lá. No navio... B: O que é que tinha no navio? C: Joguei bingo! No navio joguei bingo, no navio eu joguei bola. Nós dançamos, tinha teatros, tinha, ah... muita coisa lá no navio, muita coisa no navio tinha. R: Dançou? C: Dancei, dancei até com os menino lá, que faz a... que eles anima a festa lá dentro. B: Os animadores, né? Os monitores, animadores. C: Muito bom. Bingo. Nossa, joguei bingo lá. ( ) eu não jogo bingo né? B: Ganhou alguma coisa? C: Não... Eu ganhei pra... no jogo de bola. Pra acertar na bola eu ganhei... ah...uns negocinhos assim...tenho até o lencinho lá até hoje guardado. Gente brincou muito lá. Só não entrei na água. Na água não quis entrar. R: Não enjoou? C: Enjoei. Enjoei sim, fiquei bem ruim no dia do navio assim, naquele dia tava muito ruim que as ondas tava muito forte. A gente andava no corredor assim, andava assim, parecida que você tinha tomado um litro de... sabe? ((risos)) C: Ai aquele dia eu tava bem enjoada. R: Qual que é o teu cantor preferido? C: Meu cantor preferido é o Leonardo. A-do-ro. Deixo o feijão queimar para escutar o Leonardo cantar. R: Olha só... e tocou sertanejo lá no barco? C: Se eu te contar a música que tocou lá... A música que mais tocou lá foi aquela... É Kuduro que fala né? ((risos)) C: Foi a musica que mais tocou lá, entendeu, foi essa musica aí. R: Aí o povo ficava dançando? C: Todo mundo, a musica que eles mais queria que tocasse. Tocou varias musica, assim, um show lá da moça tinha bastante musica do Gustavo Lima, tinha musica do Vitor e Leo, ela tocou bas..., cantou bastante musica entendeu? Mas essa... qualquer coisa essa musica que tava tocando. R: E a sua neta se divertiu bastante? C: Se divertiu bastante, ela se divertiu... bastante. R: E. a gente tá finalizando a sua entrevista. E pra você, quais são as coisas mais importantes que você faz hoje? C: As coisas mais importante que eu faço hoje? Ai, as coisa mais importante que eu faço hoje é trabalhar. Eu gosto muito de trabalhar. Espero que eu vou trabalhar muito ainda. E além disso, cuidar dos meus netos. ((risos)) R: E quais são os seus sonhos? C: Meus sonhos? Ai eu tenho um sonho... R: Você pode contar pra gente? C: Tenho um sonho, vixe... meu sonho um dia é conhecer o Leonardo de pertinho e dar um abraço bem grande nele. (( risos)) R: esse é o seu sonho? C: Esse é meu sonho. R: Tem mais algum? C: Ah... meu sonho também é ter uma casa, queria muito antes de morrer, ter um ca...construir uma casa pra mim. R: Você mora de aluguel? C: Moro de aluguel R: E... como foi contar a sua historia? C: Ah eu gostei, ( só não) tem muito. Acho que é muito interessante, é bom. Eu gosto de conversar, entendeu? R: você lembrou de muita coisa? C: Lembrei, lembrei de muita coisa. R: Legal então. Então eu e Bete gostaríamos de agradecer C: Obrigada, eu também agradeço. R: obrigada por você dispensar parte do seu dia para nos contar sua historia. C: Muito bom obrigada oceis.
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