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Sincomerciários de Bauru: sempre pela categoria

História de: Cilso José de Moraes
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 12/03/2021

Sinopse

Nasceu em Garça-SP em 1956. Possui três ascendências, francesa, portuguesa e cubana. Seu avô veio da Bahia ao Rio de Janeiro e depois para Garça trabalhar nas fazendas. Brincou muito na infância de estilingue, burca, peão. Seus pais tinham 8 alqueires de terra, com plantação de mangas e cafezal, com quase três mil pés de café. Fazenda não era muito longe da cidade de Garça e as casas eram predominantemente de madeira. Um alqueire era só de plantação de mangas. Iniciou a vida no comércio a partir daí fazendo a contabilidade da fazenda. Pai depois se tornou Militar. Estudou no grupão e grupinho público. Sempre gostou muito de matemática. Estudou na ITE administração. Trabalhou como gerende do Wallace Sampaio no supermercado.

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História completa

          Meu nome: Cilso José de Moraes. Nasci em 1956, em Garça, estado de São Paulo. O nome do meu pai: Sebastião Cuba de Moraes; e o nome da minha mãe: Anésia Lopes de Moraes. O meu bisavô era da França e veio para a Bahia, para tirar pedra preciosa, para fazer anéis. Mas daí estourou uma guerra, e ele não pôde voltar mais. Acabou casando com uma baiana, e daí vem a nossa origem. Agora, a parte da minha mãe, o meu vô, José Cuba, veio de Cuba de navio. E minha avó, que é a vó Maria, veio de Portugal, também de navio. E eles se conheceram, e daí veio essa nossa geração.

          Eu nunca consegui comer um outro bacalhau como o que a minha vó Maria fazia. Ela falava bastante português, assim, a língua portuguesa. Eram oito alqueires de terra em Garça, e foi uma infância muito linda, uma época muito gostosa. A gente ia pra rua, não tinha problema de sair, porque não tinha violência. Um alqueire era só de pé de café - tinha quase 3 mil pés de café. Um alqueire era só de plantação de mangas, que nós mandávamos pra Bauru, pra Marília, que é onde eu iniciei a minha parte dentro do comércio, vendendo mangas.

          Como o meu pai era militar, o maior sonho dele era eu ser militar. Mas eu nunca quis. Daí eu falei pra ele, e o pau comeu. “Então você não vai ser militar, você vai embora daqui. Você vai pra Bauru. Você vai lá morar com a tua tia”. E foi quando eu vim pra Bauru, e foi uma outra vida, uma outra vivência, porque em Garça era tudo pra mim, era minha vida. Lá, eu andava dentro de Garça, aonde eu ia até os cachorros me conheciam. Dentro de Bauru eu não conhecia nada.

          E daí comecei a estudar. Minha avó tinha até feito uma poupança pra mim, e eu acabei comprando uma casa dentro de Bauru e fui morar sozinho nessa casa. Assumi a minha vida desde os 18 para 19 anos. E daí conheci um amigo que trabalhava com o Wallace Sampaio - ele tinha um supermercado na época. É interessante: hoje, eu sou o presidente do sindicato dos empregados, e o Wallace é presidente do sindicato da parte patronal. E nessa época, nós dois começamos a trabalhar lá, e eu fui ser gerente do Wallace. Foram 28 anos lá dentro… acabei aposentando lá.

          Antes, trabalhei na Tilibra, uma indústria. Eu era estudante de mecânica, mas eu sempre gostei do comércio, sempre foi minha tendência. Então eu fui para o Supermercado Sampaio, do Wallace, onde tinha a parte de gêneros alimentícios, ferramentas, ferragens, e eu fui para lá ser o gerente do Wallace.

          E eu tinha muito conhecimento sobre ferramentas. Quando eu entrei, eu fui ser chefe de seção de ferramentas. Mas como o Wallace viu que eu tinha aquele conhecimento grande, bom, ele mesmo pediu pra eu ser gerente geral. Tinha três supermercado: tinha esse, era na Rua Batista, tinha outro na rua Rua Azarias Leite e outro em Lins. Aí ele já me passou metas que eu tinha que cumprir - eu não tinha horário para entrar, mas também não tinha horário para sair. Então, quando ele me disse assim: “Olha, você não vai ter horário para entrar”. Pensei comigo: “Mas que maravilha!”. Depois eu vi que era um compromisso muito difícil, porque eu não tinha horário para sair, certo?

          A minha primeira participação em sindicato foi assim: tinha um amigo meu que era do supermercado, o Salvador. E ele era diretor do Sindicato dos Comerciários, acho que em 1975. E o Wallace era já da parte patronal, era diretor do sindicato dele. E daí eu fui lá conversar com o Wallace: “Ó, Wallace, eles me convidaram”. Ele disse assim: “Eu já tô, vai. Vai, porque nós vamos trocando figurinha.” E hoje, nós hoje só debatemos. (risos). E eu já fui diretor, já fui suplente, depois cheguei até hoje, que sou presidente.

          Agora é uma nova era sindical. Não é como eu tive lá atrás, que era obrigatória a contribuição. Hoje você tem que ir atrás, tem que levar benefício para os comerciários. Um dos benefícios, muito importante, é o dentista. O outro, o jurídico. E o outro benefício muito importante é você poder levar sua família numa praia, você ter uma colônia pra levar seus familiares, curtir as férias ali.

          O sindicato te ampara. Se ele não trouxer benefícios, o comerciário tem aquele acordo com a gente: “O sindicato não traz benefício, então eu não vou querer”. Hoje nós estamos pensando até em colocar médico, para consulta. Só isso paga tudo aquilo que ele contribuiu. E o jurídico também é muito importante. O comerciário está com uma dúvida, vai lá e tira essa dúvida. Por isso, em todos os aspectos, o sindicato é muito importante. E um dos aspectos mais importantes é na homologação. Homologação são os direitos deles, que estão sendo acertados. Ele vai ficar tranquilo, porque a gente que está homologando. Se não tiver de acordo, ele vai falar: “Ó, eu não homologo”, que é o que fazia antigamente. Agora, hoje, passou pros escritórios. Os escritórios estão cobrando das empresas cada homologação. Por isso eu sou a favor da homologação ser feita no sindicato. Não abro mão disso.

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