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História

Çikolata! Resista se puder!

História de: Leticia Carvalho Botelho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/06/2021

Sinopse

Sobre sua família e seus pais. Tradição familiar na culinária. Lembranças de frequentar locadoras e clubes durante a infância em Ribeirão Preto. A entrada na faculdade de arquitetura. Início do Çikolata durante o curso. Primeiros produtos e sociedade com a irmã. Instagram como meio de divulgação. Primeiro loja e crescimento. Produtos e dificuldades do comércio. Seu público, seus clientes. Pandemia. Planos para o futuro.

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História completa

          O meu nome é Letícia Carvalho Botelho. Eu nasci dia 5 de janeiro de 1995, aqui em Ribeirão Preto. Renata Beatriz Carvalho Botelho é minha mãe, e  Antônio Botelho Martins Neto é meu pai.

          Aqui em Ribeirão, eu brincava muito no meu prédio mesmo, porque tinha aquela área embaixo, então todos os vizinhos se reuniam. A gente ia muito na locadora que tinha na esquina do meu prédio também, aí ficava horas escolhendo um filme, (risos) fazia muito isso. Além disso, eu ia muito no clube, a Recreativa, que é mais ou menos perto. A partir de uma época já dava pra eu ir a pé, sozinha. Então a gente frequentou muito o clube. Eu estudava ali no Marista, até a quinta série. Estudava de manhã, e meus pais levavam a minha irmã e eu. A minha avó mora ali pertinho do Marista, a uns dois quarteirões, e eu ia sempre a pé ali pra minha vó, almoçar lá.

          Eu tive muita dificuldade pra escolher um curso pra fazer, uma faculdade - eu estava meio perdida. Eu gostava muito de coisas que tinham a ver com criatividade, tinha pensado em Publicidade e Propaganda. Eu cheguei até a fazer estágio numa agência de Marketing, mas depois eu fiquei meio perdida. Aí o meu pai, que é engenheiro, falou: “Eu acho que você vai se dar bem com Arquitetura, porque você é criativa, você gosta de criar coisas”. E eu fui fazer o curso, só que eu sempre tinha pensado nessa ideia de ter alguma coisa minha. Mas eu também não sabia... “o que eu vou ter?” Não tinha nada que eu gostasse tanto assim.

          Mas a gente começou a fazer os doces enquanto eu ainda estava na faculdade, no quarto ano. Quando a gente começou, foi uma questão financeira, mais ou menos. O meu pai estava começando uma crise, estava meio ruim de serviço. Ai ele falou: “Olha, nós vamos precisar fazer alguma coisa. O que vocês querem fazer?” E a minha irmã gosta muito de doce, sempre gostou. E aí foi a primeira coisa que ela falou: “Vamos fazer doce”.

          Ela seguia alguns perfis no Instagram, aí ela já me mostrou: “Vamos fazer isso”. E então a gente começou - eu ainda lembro que isso foi na semana do saco cheio, sabe? (risos) Eu não estava tendo aula, só estava fazendo estágio no período da tarde. Aí, de manhã e à noite, a gente ficava testando os doces e tal. E no domingo a gente fez uma produção que iria levar pra vender na segunda-feira. Eu lembro ainda que eu fiquei super nervosa, porque como a gente estava com problema financeiro, não podia gastar todo esse dinheiro dos doces e não vender nada. Aí o que eu fiz? Muita ansiedade de vender aquilo ou não, tirei um monte de foto e mandei nos grupos da faculdade. E falei: “Gente, amanhã eu vou levar esses doces na escola”. Fui postando lá as fotos com os preços. E aí foi muito legal, porque quando eu fui pra aula, já estava tudo reservado; eu não tinha mais nada pra vender, porque o pessoal já tinha encomendado tudo. Isso me deu muita confiança pra continuar fazendo.

          Eu comecei fazendo o cupcake, mas tive muita dificuldade pra acertar uma massa que não ficasse seca. O cupcake é muito seco, e eu não queria aquilo. E cookies. Esses foram os nossos primeiros produtos: o brigadeiro, o brownie, o cupcake e o cookie. Aí, depois disso, a gente vai inventando sem parar. Eu tento adaptar sempre pra o que eu acredito. Então, geralmente, a gente não copia igualzinho. Eu vejo lá, falo: “Nossa, olha que legal, ela fez isso. E se eu colocar com aquele nosso recheio, com aquela outra coisa?” E você vai tirando inspiração e criando outras coisas. E alguns dos nossos produtos foram inspirados em receitas da minha avó.

          Foi em 2016 que nós começamos - outubro de 2016. Quando a gente começou, a nossa produção era em casa, é um apartamento. Depois, simplesmente não cabia mais na minha casa. (risos) Então, essa primeira loja, a gente abriu pensando bastante assim: a pessoa vem buscar a encomenda e aqui tem algumas coisinhas, só pra ela poder levar. A intenção não era ter uma loja pra pessoa vir. Mas aí isso foi ficando pequeno, e o pessoal começou assim: “Ah, mas não tem um espaço pra tomar um café? Eu queria sentar aqui, tomar um café com vocês e experimentar as coisas de vocês”. E quando nós saímos de lá, nós estávamos com oito funcionários, não cabia mais gente lá! A gente precisava produzir mais e mais espaço.

          Então a gente veio pra cá, porque estamos na João Penteado agora. E aqui nós estamos com 20 funcionários, mais ou menos. Tem um espaço pra tomar café, pra tudo. Nós temos umas dez mesas aqui, o que dá em torno de 35 pessoas sentadas.

          O nome nós criamos de acordo com a nossa ascendência, porque Çikolata é chocolate em turco. Aí eu já tinha criado essa logo, e ela tinha ficado - só mudei umas variações de cores. Mas o mais complicado, foi quando a gente saltou de oito funcionários pra 21, de uma vez. Então, foi uma loucura. A gente ficou quase louca!

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