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Cidadão do mundo

História de: Tarcísio Gurgel de Sousa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Tarcísio Gurgel de Sousa conta como foi crescer numa família grande em Natal (RN), mas desde que começa sua entrevista trata de associar, sempre, àquela foi foi, segundo ele, a melhor experiência de sua vida: o intercâmbio aos Estados Unidos pelo AFS. Dela, surgiu um livro que ele conta como foi escrever e divulgar, com uma história bilíngue, o livro foi distribuído aos seus colegas de intercâmbio e aos dirigentes e voluntários do AFS, nas comemorações dos 45 anos de formado no high school. Tarci, como ficou conhecido, conta algumas de suas aventuras e alguns de seus aprendizados nesse momento em que conquistava o “espírito AFS” que o guiou por toda a vida, nas viagens pelo mundo que fez, sobre as quais conta um pouco. Tarcísio narra sobre seu processo de formação e trabalhos desenvolvidos como médico e também, emocionado, fala o quanto foi feliz ao adotar seus filhos e como foi o processo de estimular e possibilitar o processo de adoção de duas crianças – que já são adultas – que vivem no exterior. Além disso, Tarcísio conta sobre seus dois livros que tratam de viagens e da experiência com o AFS.

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História completa

Existia um personagem que a ela dou muita atenção e sempre lembro, dona Maria Alice Fernandes. Ela era uma parteira, estudiosa, professora de inglês e tinha muito prestígio com os americanos, eu acho que nessa época da guerra ela era uma tradutora, articuladora. Ela fazia palestras e viajava pelos Estados Unidos. Quando voltava, eu sempre ia assistir às palestras dela. Ela apreciava essa minha conduta porque era tudo coroa lá e eu era um boyzinho interessado em ver os slides que ela trouxe, na época, eram slides, do Alasca. Um dos dias, ela chegou pra mim: “Olha, eu vou trazer aqui pro Rio Grande do Norte um programa de intercâmbio para vocês jovens”. Eu perguntei: “O que é intercâmbio?” “Intercâmbio é você morar um ano com uma família americana”. Na mesma hora, eu disse: “Eu não tenho condição. Minha família não tem condição de me manter lá um ano”. Ela disse: “Não, é tudo de graça, você não vai gastar. As despesas são mínimas, outras coisas, apenas roupas e tudo o que você vai ter que levar, mas a passagem, está tudo incluído”. Eu praticamente enlouqueci quando soube dessa história que ela iria trazer. Eu devia estar no terceiro ano de inglês, me sentindo já um pouco seguro pra comunicar. Quando trouxe, eu me habilitei na segunda turma e fui aprovado sem que meus pais soubessem desses meus passos. Tem uma entrevista em casa, foi quando a minha mãe soube, ficou extremamente preocupada, não queria que eu fosse porque nessa época estava no boom da liberação sexual, do Woodstock, dos Beatles, dos Rolling Stones, foi muito interessante esse período e foi muito conflitante pra minha mãe. Mas o meu pai convenceu-a que era meu sonho, o que eu queria e que ela tinha que ser muito receptiva às pessoas que iriam ne entrevistar na minha residência. A família era grande, mas eles já tinham casado, estavam morando, meu irmão e minha irmã só, os outros todos tinham se inserido na vida, estavam morando fora. Mas isso aí deu um background pro formulário, no application dar esse detalhe, que eu vinha de uma família grande. E aí evoluiu porque a minha família americana, dentro desse princípio, era uma família que era católica, como a minha, e era uma família grande de sete filhos. E nos Estados Unidos você não encontra família com sete filhos. E aí eu fui, foi a experiência mais rica da minha vida.

Tudo isso eu acho que tem muito a ver com as lições do intercâmbio, o spirit, o AFS Spirit, como eu sempre digo. Eu ainda tenho. Eu sou um intercambista eterno. Eu jamais irei envelhecer como intercambista porque eu tenho esse spirit. Teve agora a celebração também do AFS, o centenário em Paris. E eu organizei a minha vida pra ir. Como eu tenho dois livros escritos, que é o “Batendo Asas”, uma experiência por visitar 33 países, tanto como mochileiro, como intercambista, como bolsista, como palestrante, como turista, como pediatra da Disney World, que eu fui quatro vezes seguida. Então tudo isso, eu tive essas experiências e botei num livro, que foi o primeiro livro, “Batendo Asas”. Eu fiz quando eu completei 60 anos. Como o meu grupo americano ia fazer 45 anos de formatura no high school lá, eu organizei um outro de intercâmbio, que foi esse que é o livro que eu tenho mais dedicado atenção porque é registro e eu fiz bilíngue, quer dizer, no lançamento foi esgotado, depois eu pedi outra edição pra levar pros Estados Unidos, pros 45 anos. Todos os meus familiares americanos, que são muitos, têm o livro. Até os filhos pequenininhos eu dei pra cada um, todos receberam, são sete filhos, já morreu um e os pais também, mas tem os netos, as esposas. E depois fui levar para o American Field em Nova York, onde eu tive uma reunião com o doutor Vicenzo, que é o presidente do AFS, eu acho que ainda é por estava em Paris. Foi muito bom porque ele deu atenção ao livro, ele ficou encantado. Ao chegar em Paris, eu reclamei porque eu cheguei muito cedo, eu cheguei uma hora antes para o primeiro momento que era um café da manhã, depois ia ter a sessão plenária com as autoridades do AFS Nova York, do mundo, Paris. E eu reclamei por que eles não botaram as bandeirinhas dos países nas mesas, né? Ela [a hostess] disse: “Doutor, o senhor não pense assim, porque não é pra estar bandeirinha, porque vocês são do mundo”. Eu me choquei e tinha uma plaquinha na minha mesa, eu botei: “Eu sou do Brasil, come and join us, eu não quero ficar só”. E foi a mesa que mais juntou gente. Na hora que houve a abertura oficial depois do café da manhã, eles disseram que à tarde eles queriam o depoimento de cada país, que cada grupo escolhesse quem iria falar. Eu tive a honra de ter sido escolhido e falei por três minutos. Comecei dizendo que eu era médico brasileiro ex-intercambista, mas com espírito ainda de intercambista daí falei sobre o livro, as matérias de jornais que eu gosto de escrever, e viagens, relatos de viagens, mais ou menos isso.

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