Busca avançada



Criar

História

Cida, gerenciando afetos

História de: Maria Aparecida Cordeiro Katsurayama
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/02/2009

Sinopse

Em seu depoimento, Maria Aparecida (Cida) conta sobre sua infância no subúrbio do Rio de Janeira e a juventude de mudança para a cidade de São Paulo. Comenta o início de sua carreira profissional e desenvolvimento até as posições de liderança que assumiu. Por fim, trata um pouco sobre a sua aposentadoria e sobre a maneira com que conciliou a vida profissional de sucesso com a familiar e maternal. 

Tags

História completa

P/1 – Boa tarde Dona Cida. 

 

R – Boa tarde.

 

P/1 – Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite. Para começar eu gostaria que a senhora dissesse o seu nome completo, o local, e a data de seu nascimento.

 

R – Maria Aparecida Cordeiro Katsurayama, Rio de Janeiro, 5 de setembro de 1953.

 

P/1 – O nome do seu pai, e da sua mãe, por favor.

 

R – Rubem Cordeiro, e Maria Domingues Cordeiro.

 

P/1 – O que fazia o seu pai, a senhora se lembra?

 

R – Meu pai era policial federal, veio transferido para São Paulo, a gente morava no Rio. Ele veio para São Paulo quando eu tinha 15 anos, e aqui ficamos, não voltamos.

 

P/1 – E a sua mãe?

 

R – Minha mãe era dona de casa.

 

P/1 – A senhora conheceu os seus avós? 

 

R – Não. Nenhum deles.

 

P/1 – Sabe o nome deles?

 

R – Não sei. A minha mãe praticamente foi doada, antigamente davam as crianças. Então ela veio de Alagoas sem nenhum vínculo de família. 

 

P/1 – De Alagoas?

 

R – De Alagoas. O meu pai também era praticamente sozinho, sem família. Então a família eram eles dois.

 

P/1 – Quer dizer que a senhora não teria a informação da origem...

 

R – Só sei que ela veio de Alagoas, de um lugar bem pobre.

P/1 – E ela foi para o Rio de Janeiro?

 

R – Para o Rio de Janeiro. Foi morar com um casal, e lá ela até estudou, com o casal que criou ela, deu educação para ela. Ela virou enfermeira, mas não exerceu. Depois que casou virou dona de casa. 

 

P/1 – Eles contavam, ou chegaram a comentar com a senhora como se conheceram?

 

R – Lá no hospital que ela morava, meu pai era guarda civil, e fazia guarda na rua. E aí conversa vai, conversa vem começaram a namorar.

 

P/1 – E ela trabalhava em um hospital?

 

R – Num hospital. O casal que trouxe ela do nordeste tinha um hospital, por isso que ela estudou para enfermagem, e morava lá.

 

P/1 – A senhora se lembra que hospital que era?

 

R – Não sei. Eu sei muito pouco da história deles. 

 

P/1 – O seu pai era guarda civil...

 

R – Guarda civil no Rio de Janeiro. E depois quando a capital foi para Brasília, e tiveram todas aquelas mudanças eles viraram federais. E aí ele veio para São Paulo.

 

P/1 – Como é que foi a sua infância no Rio? Onde a senhora morava?

 

R – Jacarepaguá, em um lugar bem distante, na época era mais distante ainda, hoje já é um lugar mais conhecido, Jacarepaguá. Mas na época era um lugar bem subúrbio mesmo, com terra, quintal, bem gostoso. Um lugar bem agradável. Jacarepaguá é ainda um lugar bem agradável no Rio de janeiro. Só que lá era diferente, à parte de educação, conhecimento do mundo, aqui em São Paulo é bem melhor. Lá a gente vivia em um mundo muito fechado, porque era longe para a gente se locomover, muito difícil. Então a gente vivia naquela comunidade. Eu sinceramente às vezes penso em como seria a minha vida se eu tivesse ficado lá, porque você tinha muito pouca informação. Até porque a televisão ainda não era tão comum.

 

P/1 – E como é que era Jacarepaguá nesses meados dos anos 50? Quando a menina Cida...

 

R – Chácaras, né? Era uma vida bem campestre, era um subúrbio bem pequeno, eu ia para a escola de bonde, era um lugar calmo, muito tranqüilo para morar, muito gostoso.

 

P/1 – E a sua casa?

 

R – Quintal grande, eu tenho a recordação de um quintal grande, com muitas frutas, bichos, galinhas, essas coisas que hoje a gente não vê. Foi bom, a parte que eu morei lá, foi muito bom. Eu vim com 15 anos para São Paulo na verdade.

 

P/1 – Eu gostaria que a senhora descrevesse essa sua casa em Jacarepaguá.

 

R – Era uma casa grande, que foi construída pelos meus pais, literalmente tijolo por tijolo, bem devagar, uma casa bem grande. Tinha 50 metros de profundidade, o quintal em três níveis, e eu lembro muito das frutas que a gente tinha lá, de estudar em baixo do cajá-manga. Era um lugar gostoso, que tinha uma mesa grande, que a gente ia estudar, tinha cachorro, galinha, e muita brincadeira de rua. Antigamente a gente brincava muito na rua.

 

P/1 – Brincava de que?

 

R – Brincava de cantar, de corda, de catar tanajura na época de calor, brincadeira de rua. Pipa, os meninos soltavam muita pipa, e a gente ficava andando de bicicleta. Uma vida bem campestre.

 

P/1 – E a sua casa, como é que se dividia? Como era a organização interna da casa?

 

R – Era uma casa bem no alto, bem alta. Tinha uma varanda bem grande, tinha sala, dois quartos, banheiro, cozinha, e mais tarde um puxadinho. Sempre tinha os puxadinhos. Então tinha um puxadinho que era uma sala de jantar, isso foi depois, eu lembro da construção dessa sala. 

 

P/1 – Vocês faziam as refeições juntos sempre?

 

R – Juntos, geralmente sim. Meu pai nem sempre porque trabalhava o dia inteiro, policial naquela época tinha uma vida bem difícil, não tinha horário certo. Mas no fim de semana a gente estava junto.

 

P/1 – E a sua primeira escola?

 

R – Foi a Pio X, eu lembro bem. Meu irmão me levava para a escola de bicicleta, lembro bastante da escola. Uma escola pública perto de casa, que tinha jardim da infância, primeiro ano.

 

P/1 – Alguma professora que marcou a senhora?

 

R – Eu lembro de uma professora que me ensinou a ler, que se chamava Olímpia. Lembro dela.

 

P/1 – A senhora falou dos seus irmãos, quantos irmãos a senhora tem? 

 

R – Tenho um irmão mais velho, e uma irmã mais nova.

 

P/1 – E conviviam bem ali no pedaço?

R – É, sendo irmãos, sim. Os três em um quarto só, brigando por espaço.

 

P/1 – E esse período escolar no Pio X, foi até quando?

 

R – Até o ginásio. Até a oitava série hoje, eu fiz no Rio. Foi no Colégio Arte e Instrução, e foi no Colégio Sobral Pinto, eu fiz o ginásio em dois colégios.

 

P/1 – E onde eles se localizam?

 

R – Casca Dura, e Praça Seca. O Arte e Instrução em Casca Dura, e o Sobral Pinto na Praça Seca, que era estadual.

 

P/1 – Já nesse período pré-adolescente, adolescente, era um grupo de amigos, a senhora tinha amigos? Como é que era?

 

R – Eu não me lembro de muitos amigos assim não. Tinha poucos, eram os vizinhos que a gente tinha amizade, duas amigas, três. Na escola também duas, três. Não era de turma grande não. 

 

P/1 – E como é que era a cidade do Rio de janeiro, quando a senhora começou a viajar, praticamente viajar para estudar em Casca Dura, e Praça Seca, como era a cidade do Rio nessa época?

 

R – Era tranqüilo, a gente podia ir sozinho. Pagava o bonde, dinheiro contadinho. A única história pitoresca, era que você tinha dinheiro para o bonde, e para o ônibus. O ônibus era um pouquinho mais caro que o bonde, aí gastei todo o dinheiro do ônibus, fiquei só com o do bonde, acabou a luz, e eu não podia voltar para casa. E não tive coragem de pedir dinheiro para ninguém, fiquei lá esperando até a noite. 

 

P/1 – Eu perguntei a senhora como era o Rio de Janeiro nessa época a senhora falou dos ônibus, do bonde, e tudo mais. 

 

R – Dos ônibus, dos bondes, e tinham preços diferenciados, mas a minha mãe sempre me dava dinheiro para o ônibus porque sempre tinha que ter aquela segurança de chegar em casa. Aquele dinheiro contadinho, comprei uma pipoquinha e aí acabou o dinheiro do ônibus, só tinha dinheiro para o bonde. Quando eu fui embora, não tinha bonde porque não tinha luz. E a espera, fiquei lá no ponto esperando até de noite, a minha mãe morrendo, porque telefone naquela época nem pensar. E lá esperando o bonde, até chegar a luz, e eu ir embora, porque eu não pedi para ninguém, fiquei lá firme. 

 

P/1 – E quando você chegou em casa?

 

R – Nossa, descabelada.

 

P/1 – A senhora disse que o Rio era uma cidade tranquila, era uma cidade... o fato de ter demorado tanto, o que se suscitou na sua casa? 

 

R – Eu imagino o que ela pode ter pensado: Acidente. Tinha acontecido um acidente também muito hilário. Meu irmão me levava na escola antes no primário de bicicleta, e tinha um cachorro que ia junto. E todo dia ia eu na garupa, e o cachorrinho acompanhando. Um dia ele foi, voltou, sem o cachorro, e sem eu. E chegou para minha mãe e falou: “Adivinha que morreu? Adivinha quem morreu?” E ela lógico pensou que era eu, e era o cachorro que tinha sido atropelado. Olha que história. Mãe sofre, né?

 

P/1 – Mãe sofre, mas seu irmão não foi exatamente muito sutil, né? 

 

R – Ele apanhou coitado. 

 

P/1 – Como é que eram as diversões da senhora nesse período de escola secundária? Como é que se divertiam nesse grupo de amigos?

 

R – Era vizinhança, ficar conversando na rua, não tinha muita coisa, nem praia. Não me recordo de ir muito à praia. Porque era difícil, tinha que pegar ônibus. A rua era comprida, até você chegar lá no ponto de ônibus... então não me recordo de muitas saídas de casa, era sempre em casa. Na varanda, ou na rua, brincando com o pessoal. Todo mundo brincava na rua naquela época, era muita brincadeira de rua.

 

P/1 – E já havia contato com televisão?

 

R – Pouco, demorou. A gente via no vizinho, não era uma coisa que era muito fácil não, começou com o Zorro, aquela tela toda xiiiii. Estou me sentindo muito velha. 

 

P/1 – Rádio o pessoal ouvia na sua casa?

 

R – Não me recordo de alguém ficar sentado ouvindo rádio.

 

P/1 – E a senhora disse que depois desse período escolar a senhora saiu do Rio. Por que a senhora saiu do Rio? 

 

R – Porque o meu pai veio para cá. Quando mudou a capital para Brasília, todos os policiais tinham que ir para outros estados. Se tornaram policiais federais, e tinham que escolher outro estado, eram oferecidos outros estados, e ele veio para São Paulo. Como eu tinha 15 anos viemos todos, né? Meu irmão estava servindo o exército também veio, conseguiu transferir. E ficamos aqui, e nós adoramos São Paulo, ninguém quis voltar. A casa ficou lá mais cinco anos, porque a gente pretendia voltar, mas adoramos São Paulo e não voltamos. 

 

P/1 – O que a senhora viu quando chegou aqui? O seu primeiro impacto?

 

R – Para mim tudo era novidade, porque eu não conhecia nada fora do Rio de Janeiro, nada fora de meio metro da minha casa, praticamente. Eu já tinha ido em Juiz de Fora uma vez, e só, não tinha mais outras viagens. Então eu vim para São Paulo já para morar, sem saber para onde eu estava indo. Viemos para um apartamento muito pequeno em Santana, muito pequeno. Dois quartos pequenos, a gente acostumado com quintal, chegamos aqui não tinha a mudança, e nem dinheiro para ficar em hotel, Era para ficar naquela casa, sem móveis, sem nada, com frio, porque fazia frio, nós viemos em Abril. Eu lembro que o meu pai comprou uns cobertores, alguma coisa, umas panelinhas, um fogão de boca, e ficamos lá uma semana até chegar a mudança. Mas para mim era tudo diferente, porque São Paulo era totalmente urbanizado, onde eu morava em Santana era um lugar super-gostoso, eu adorei, Adorei a feira, lá no Rio não tinha como aqui, na sua rua tinha feira, eu adorava sair, olhar a feira, aquelas frutas todas, e São Paulo para nós, foi muita informação, muita coisa nova, aqui que eu fui ver escola, tudo diferente.

 

P/1 – E a senhora foi estudar onde?

 

R – Aqui eu vim para o Colégio Padre Antônio Vieira, em Santana, estadual. Fiquei lá até terminar o colegial. 

 

P/1 – E a adaptação, como é que foi?

 

R – Foi ótima, adorei. Adoramos São Paulo, todo mundo gostou de São Paulo, a gente se deu muito bem aqui. Com amigos, tinha mais amigos. Meu irmão tinha muitos amigos, e em casa era muita gente, minha mãe gostava muito de receber. Então era sempre uma festa, muito bom. 

 

P/1 – O que a sua mãe preparava nessas reuniões?

 

R – Ela era ótima para cozinha, todo mundo queria comer a comidinha dela, doce, bolo. Ela tinha prazer em receber. Sempre teve prazer em receber. Então sempre tinha um docinho, um bolinho, ela falava que quando tinha muita gente para comer, e o frango era pouco, ela desfiava botava no arroz, e dava para todo mundo. Então ela era muito versátil, e gostava muito de receber pessoas. Então a nossa casa era muito alegre, muita gente. Foi muito bom.

 

P/2 – A senhora fez muitos amigos aqui?

 

R – Fiz, mas eu nunca fui de muitos amigos não. Só no banco que eu tinha muitos amigos, mas em casa três, quatro, os mais chegados. 

 

P/2 – E o que a senhora passou a fazer para se divertir?

 

R – Aqui em São Paulo, a gente saía muito... eu vim para cá adolescente, tinha muita domingueira, né? Cinema, a gente ia passear por aí, olhar loja, sempre tinha alguma coisa, mas um controle muito rígido do pai, porque naquela época para sair, não era muito fácil não. Tinha que dizer que horas voltava, aquela coisa bem rígida.

 

P/1 – Ia para o centro da cidade?

 

R – Não, Santana, Voluntários da Pátria, era um mundo ali. Não saia muito disso não. 

P/1 – E o transporte nessa época era feito como?

 

R – Eu ia a pé para a escola, tranquila. Ia a pé até o colegial, porque a escola era lá em Santana, tranquilo.

 

P/1 – E o bairro, como era?

 

R – Um bairro bem arborizado, muito bom, muitas casas, tudo calçado, onde eu morava não era calçada, aqui era tudo calçada. Era muito legal aqui, padaria perto, quitanda, então era uma coisa bem diferente para nós. 

 

P/1 – E nesse momento já estavam acostumados com o frio?

 

R – Essa parte era difícil. A parte do frio era bem difícil, antigamente eu acho que era mais forte essa diferença de temperatura: Rio, São Paulo. Hoje já não é tanto, mas naquela época eu sentia... ainda sinto frio. Eu não sou uma pessoa muito calorenta não, ainda sinto bastante frio.

 

P/1 – E as garoas?

 

R – As garoas, nossa... eu lembro que quando eu comecei a trabalhar no banco que o carro ficava estacionado na rua, tinha gelinho. Hoje não tem mais isso.

 

P/1 – A senhora disse que foi nesse colégio... nesse último colégio até o fim do colegial. A senhora foi para a faculdade?

 

R – Então no último do colegial, eu fiz o curso normal em outra escola. Fiz os dois juntos, de noite eu fazia o colegial, e de dia eu fazia curso normal lá no Tucuruvi. Eu me formei professora de primário. Depois disso eu fui fazer Matemática lá em Guarulhos, na Faculdade Farias Brito, aí fiz Matemática quatro anos, e comecei a dar aula. Dava aula de noite.

 

P/1 – Foi o seu primeiro trabalho?

 

R – Meu primeiro trabalho foi na secretaria de uma escola, eu fiz um concurso para ser escriturária de escola.

 

P/1 – Quando isso?

 

R – 19    72, talvez... eu entrei no banco em 1974, eu fiquei seis meses só como escriturária, e logo já sai. Então deve ter sido em 1972, por aí, 1973.

 

P/1 – E o Banco do Brasil, como é que apareceu na vida da senhora?

 

R – Foi por causa dessa escola, foi até bastante interessante, porque eu comecei a trabalhar, estava animada, não conhecia o Banco do Brasil, não tinha idéia do que seria esse emprego. Trabalhava na escola, e estava legal. E aí começaram a ir vários alunos de noite, pedindo certificado de conclusão do curso para fazer o concurso. Eu falei: “Mas para que tanta gente pedindo isso.” Aí eles falaram: “Não, é um concurso legal, ganha mais.” Falei: “Bom, vou fazer.” Peguei o meu, e fui fazer. Desci com a minha mãe, que era na agência Santana, e eu tinha um dinheiro lá, sei lá, uns 50 reais, sei lá que dinheiro era na época. Mas eu tinha 50, ou eu comprava um vestido para festa, ou eu fazia a inscrição no banco. E eu vi uma fila grande para fazer a inscrição no banco, e eu falei: “Ah mãe, vamos comprar o vestido. Deixa o banco.” E a minha mãe: “Não, vai lá. Faz a inscrição.” Aí eu fiz a inscrição, e mudou a minha vida. Com certeza foi bem melhor que o vestido.

 

P/1 – E como é que foi esse concurso de ingresso?

 

R – Eu achei difícil, na época eu achei que não tinha passado, eu não estava preparada, a gente não tinha um... não tinha feito nenhuma preparação prévia, nada. Quando eu soube que passei, foi uma alegria tão grande na escola em que eu trabalhava, que eu falei: “Bom, eu acho que é bom mesmo o negócio.” O pessoal estava muito alegre. Meu irmão trabalhava em um banco, e falou: “Nossa, você entrou no Banco do Brasil. Que legal!” Para mim, na minha cabeça, ainda não era uma coisa assim. Eu não sabia que era tanto. Só quando eu entrei, e vi que o salário era três vezes o que eu ganhava, que eu comecei achar que era bom mesmo, né? Foi três vezes o que eu ganhava na escola. Mas eu continuei dando aula mais um ano. Mais um ano eu ainda dava aula à noite.

 

P/1 – E a senhora foi para onde? Fazer o que no banco?

 

R – Fui para o Bom Retiro como escriturária, né? Básica. Era uma agência que tinha ali na Silva Pinto, onde hoje é o correio, que passava o trem, e balançava a agência todinha. Era uma agência bem precária, muito estranha aquela agência. E eu tomei posse nessa agência, uma agência de 50 funcionários mais ou menos, datilografando, fazendo cadastro, tinha muito crédito, era uma agência de muito crédito, porque ali no Bom Retiro tinha a Jose Paulino, muito... ali a colônia judia, tinha muita confecção. Eu trabalhava na área de cadastro.

 

P/1 – E quando foi isso?

 

R – Em 1974. 

 

P/1 – A senhora se lembra da data?

 

R – Lembro. Essa data a gente não esquece, né? Dia 22 de agosto de 1974.

 

P/1 – E como que era esse seu trabalho no cadastro?

 

R – Quando a gente chega, a primeira coisa que faz é mandar o arquivo que está lá há dois meses parado, que ninguém fazia, esperando alguém chegar para fazer arquivo. Eu lembro que eu me enrolei, porque os nomes judeus são uns nomes com muitas consoantes. Eu tenho um amigo até hoje daquela época que diz que me ensinou o alfabeto. Que eu não sabia o alfabeto direito. Eu ficava nervosa, “Ai meu Deus. Onde é que põe esse? Onde é que põe?” Então eu fazia primeiramente o cadastro, e arquivar a ficha, fazer a ficha, datilografar, trabalho que não existe mais hoje, já que hoje o computador faz tudo, a gente fazia tudo na mão. 

 

P/1 – E o ambiente de trabalho?

 

R – Excelente. Isso daí eu tenho recordações até hoje, era uma agência muito legal. Conheci o meu marido lá. Ele saiu do banco, ele saiu com dois anos de banco. Mas eu o conheci naquela época que eu entrei no banco.

 

P/1 – E que ele fazia lá?

 

R – Ele fazia a mesma coisa que eu, escriturário, fazia contratos, empréstimos, ele estava na área de empréstimo naquela época. Ele ficou dois anos. 

 

P/1 – E o que a senhora fez com o seu primeiro salário?

 

R – Compramos telefone para casa, fez festa né? Ajudando muito lá em casa, rendeu muito. Eu acho que com seis meses já deu para comprar carro, era uma coisa bem assim... uma mudança brusca de vida para mim em termos de salário, foi muito bom. Naquela época meu pai ganhava pouco, meu irmão também ganhava pouco, então era uma coisa bem apertada. Foi legal, foi uma boa ajuda. 

 

 P/1 – E como é que era a rotina no seu dia-a-dia? Saía de casa que horas? Voltava que horas?

 

R – Eu ainda estava fazendo faculdade, então eu saía cedo e ia para faculdade, pegava um ônibus depois direto da faculdade para o banco, tomava lanche no ônibus. Eu pegava no banco, eu acho que uma hora, de uma hora até às sete, eu acho que era isso. Era meio período. E de noite ainda ia dar aula, não sei aonde. Era bem puxado, viu? Não tinha metrô, aqueles ônibus cheios da Praça da Luz. Essa parte é difícil, né?

 

P/1 – Mas tinha tanto engarrafamento com há hoje?

 

R – Acho que não. Eu me lembro de engarrafamento de gente, o ônibus era bem lotado, você entrava, e para sair dali era difícil.

 

P/1 – Depois do cadastro a senhora foi para que área do banco?

 

R – Eu fui para a análise de balanço, chamava investigador de cadastro. Olha que nome estranho, investigador de cadastro. Que era exatamente para pesquisar a vida das pessoas, no sentido de cadastrar. Então tinha que ir na agência centro, tinha um cadastro imenso, em vez de ter computador, né? Tinha as fichinhas, tinha uma sala cheia de fichinhas com nome, e aí você tinha que ir lá para ver se tinha protesto ou não. Um por um. Então você levava um montão de fichas, e ia lá pesquisando se tinha ou não restrição. Eu era investigadora de cadastro. Depois eu fui analisar balanço, também. A gente analisava também na unha, não tinha nada de auxílio de computador naquela época.

 

P/1 – E como é que era o processo?

 

R – Era você receber os documentos da empresa, recebe, passa para uma outra, transcreve todos os dados, os números, fazem os cálculos, tudo manual, e aparece então os números da empresa, e dali você vai conseguir oferecer um crédito. Então essa era a parte que eu fazia. Eu fiquei na área de empréstimo praticamente uns 10 anos. Bastante! Que aí você vai subindo todos os degrauzinhos. Você vai para auxiliar de cadastro, investigadora de cadastro, perita de balanço, tudo com degrauzinho de promoção. Eu acho que eu comecei a fazer carreira com um ano de banco. Com um ano de banco eu já estava ganhando promoção, e já tive que decidir se ia ou não continuar dando aula, ou se continuava no banco. Continuei no banco, achei mais seguro. E fui subindo... ia ter uma equipe, meu sonho era ter uma equipe, quando eu entrei no banco o meu sonho era ter uma equipe só minha. E consegui logo, eu acho que foi muito rápido eu ter uns três funcionários comigo, eu sempre trabalhei muito essa parte de equipe, de clima organizacional, foi sempre o meu ponto forte. Então aquilo foi desenvolvendo legal, e os números aparecendo, e eu fui conseguindo progredir. Eu fiquei no Bom Retiro 16 anos, hoje é muito difícil você ficar em uma agência tanto tempo, não é normal. Mas naquela época ainda era, ainda mais quando você está conseguindo progredir, você vai ficando no mesmo lugar. Mas não é normal.

 

P/1 – Qual é o segredo de manter, e consolidar esse clima organizacional mais risonho, e mais franco? 

 

R – Eu acho que é pessoa, né? Você tem que estar ligado que você não está sozinho, e que você só vai conseguir resultado só se você estiver com alguém te ajudando. Então isso para mim era fundamental. Cuidar das pessoas, convencer daquilo que você está fazendo, passar transparência naquilo que você está fazendo. Para poder ter aquele retorno. Então eu sei lidar muito bem com pessoas, eu acho que é o meu ponto forte. Que me ajudou muito na carreira. 

 

P/1 – E por que a senhora deixou a agência onde ficou 16 anos?

 

R – Por conta de promoções. Você chega em uma época em que tem que ousar vôos maiores, e foi oferecido na época... na época você concorria, tem vagas em São Paulo, eu tinha sempre o limitador São Paulo, porque no banco para fazer carreira mais rápido, você tem que sair. Mas eu tinha um limitador, porque eu tinha uma vida familiar, o meu marido trabalhava aqui em outra empresa, e não poderia ser transferido. Então eu tinha que ficar em São Paulo, mas eu queria progredir, então eu via toda concorrência, o que tinha, e ia. Me inscrevia na linha do metrô assim, “Vamos por aqui, por aqui.” E aí chamaram. Aliás, eu acho que até me chamaram enganado, porque me chamaram para a agência Liberdade, como Katsurayama é meu sobrenome, achando que ia chegar uma japonesa lá. Quando eu cheguei o gerente falou assim: “Mas você que é a Maria Aparecida Katsurayama?” Eu falei: “Sou.” Ele pensava que eu era japonesa. Mas eu me integrei bem na colônia, entrei no Rotary, na época para poder ter contato com as pessoas. E foi ótimo. Foi ótimo a minha estadia na liberdade, fiquei dois anos lá. E aí a carreira já foi mais rápida, fiquei como gerente de atendimento dois anos lá, e depois já fui para o Paraíso como gerente da agência. Também por concorrência. Eu tinha feito um curso no Rio Grande do Sul que se chamava se eu não engano Novos Gestores, que estava preparando o pessoal para ser gestor, e eu fui ao Rio Grande do Sul 16 dias, e consegui passar, então já estava apta a ser gerente de agência. Então eu comecei a concorrer, e eu lembro que me ligaram e falaram: “Olha tem duas agências, pode ser Paraíso, ou Ana Rosa.” Eu humildemente estava pensando em uma agência bem pequenininha, porque eu estava começando. Eu falei: “Ah, Pacaembu que era uma agência pequena.” Falaram em Paraíso, Ana Rosa. Eu falei: “Eu acho que eles não querem me dar a agência. Estão oferecendo uma coisa que eu não vou conseguir” Aí coloquei Paraíso que era menor que Ana Rosa, “Eu acho que eu tenho mais chance.” E fui. Fui nomeada para o Paraíso, gerente, fiquei lá quatro anos.

 

P/1 – Quando foi isso?

 

R – Em 1992, ou 1993, por aí. Aí fiquei no Paraíso quatro anos, em 1994. Foi muito sucesso no Paraíso, foi quatro anos de muito sucesso. De equipe, de ganhar muitos prêmios por conta dos números. Ganhamos uma passagem para Nova York, duas colegas foram, era uma festa a gente sortear quem vai, quem não vai. O presidente do banco foi nos visitar, porque era uma agência que tinha muita mulher, e aí nós fomos a um evento ganhar um prêmio, e ele falou: “Nossa eu quero conhecer essa agência com tanta mulher.” Porque só tinha mulher na festa lá do banco. Aí ele foi mesmo, na outra semana ele foi conhecer a agência Paraíso. Era o presidente Ximenes.

 

P/1 – Carlos Ximenes?

 

R – Ximenes. Foi muito legal, ele era ótimo. Eu acho que a grande guinada do banco foi na gestão dele. Eu acompanhei muito a história do banco, desde a queda da conta movimento, o banco se transformando, tendo que ser mais comercial. E o Ximenes, a gestão dele, o diretor Camargo também que era de recursos humanos, ele chocou quando falou que o funcionário do banco tinha que ser empregável em qualquer lugar. E eu mais ou menos achei aquilo legal, e tão bom você poder falar: “Eu não estou aqui, mas eu estou em outro emprego.” Ele falava de educação, que tinha que estudar, eu acho que foi o grande ponto de intersecção em termos de se tornar um banco mais comercial, com funcionários mais dedicados a estudar, a buscar conhecimento, foi o Camargo. Na época foi um choque. “O cara tem que ser empregável.” Quer dizer, está dispensando, não está querendo que fique no banco mais. E o banco era um negócio de carreira, você entrou lá tinha que ficar. Mas eu concordava, eu achava legal, se eu estiver apta para estar em qualquer emprego, eu vou estar bem aqui. E foi muito legal, eu adorei essa administração do Ximenes, nesse ponto. Foi o primeiro PDV, a primeira vez que se falou em dispensar funcionários, e tinha lista, mas foi tudo muito claro, para mim era. Eu achava que... como eu não estava me incluindo, porque você vê que os melhores funcionários não precisam sair. Agora aquele que tinha dúvida, que não sabia se era aquilo que ele queria, então achava que era um choque muito grande. Mas foi muito bom, eu achava essa administração... esses quatro anos de Paraíso foram muito legais, muito bons mesmo.

 

P/1 – Esse período coincide com o momento de estabilização da economia com o plano real. O que isso significou para o seu trabalho na sua relação com a clientela? 

 

R – Foi uma época difícil, né? Mas dizem que eu encomendei um bebê lá em 1990, que o meu último filho nasceu em 1990, foi justo no Collor, né? No plano Collor. Ele nasceu no dia seis de março, e dia 15 teve aquele choque. Dizem que eu encomendei sabendo porque foi um bafafá nas agências na época dos 50 reais. Toda essa época de estabilização foi uma época difícil, mas que o banco colaborou muito com a economia. A gente tinha uma atuação muito forte. Eu acho que o banco tem esse papel de estar sempre amparando a economia, ajudando, colaborando com a política de governo. Então na época a gente trabalhou bastante, muito crédito, foi uma época muito boa, eu acho. Uma época legal. 

 

P/1 – Essa intenção, que é uma intenção meritória, como é que ela se traduz no dia-a-dia da agência? A gerente falando com os seus clientes? Atendendo às demandas do mercado a sua volta? Como é que funciona? 

 

R – Na verdade o gerente tem que estar comando a sua equipe para que cada um pense, como você pensa. Então na verdade, você tem que ter reuniões até... a gente tinha reuniões toda segunda feira, e era um momento sagrado da gente estar conversando, onde a até a telefonista tinha lugar, e fazia palestra até para dizer o que acontece, para dizer porque não atende o telefone lá, porque não atende cá. Essa telefonista era muito boa, Deilsa. Ela até foi para Portugal, foi convidada para trabalhar lá de tão boa que ela era. Então ela fazia palestra para os funcionários para dizer como é que tem que ser atendido, que o cliente não pode ficar esperando na linha. Então você tinha que ter uma equipe muito bem ajeitada nesse sentido de estar atendendo prontamente o cliente. O cliente não pode esperar, o cliente tem que ser bem atendido. E isso eu volto a falar, a equipe é o principal, sempre a equipe é o principal. Se você não tem uma equipe com todo mundo voltado para o mesmo ideal, você não consegue, é muito difícil. Nós fomos assaltados três vezes, nesses quatro anos. O que também é uma fase difícil, porque você tem uma quebra muito grande no mural, muito grande.

 

P/1 – Explica melhor isso. Como é que se dá?

 

R – Olha, nós tivemos três assaltos seguidos, e cada assalto é uma quebra grande, para a gente recuperar o pessoal é muito difícil. Você tem pessoas que são mais nervosas, que a pressão sobe, que passa mal, e você tem que abrir a agência, porque o público está lá, você tem uma certa pressão. “O que eu faço? O que eu olho primeiro? Para onde eu vou?” Foi uma fase difícil, mas nós conseguimos nos recuperar bem, os três assaltos foram difíceis, quando a gente lembra ainda sente aquele aperto. E a pior coisa que tem no banco, eu acho que é você ter essa sensação de... teve gerente que foi sequestrado. Você mesmo não estando na agência, você sente tudo aquilo, né? Tem muita coisa que acontece na vida do banco que não aparece em lugar nenhum. Esses momentos de tensão grandes, que você tem que resolver, e que você tem que ver o lado do funcionário, ver o lado do banco, são momentos de muita tensão que você tem que se controlar muito, ouvir muito para tomar a decisão correta.

 

P/1 – Essa é a atitude do líder?

 

R – Do líder. Porque nessa hora é sempre esperado do líder a solução. Quer dizer, não a solução, mas a direção. Que direção vamos tomar? O que nós vamos fazer? O que nós não vamos fazer? Esse gerente que foi seqüestrado, ele tinha que ir ao banco buscar a chave, que a família ficou não sei onde. Então quando você encontra ele, depois de tudo resolvido, que você vai à agência encontrar, a pessoa está um trapo, chorando, triste. É muito difícil voltar a ser o que era, então é muita conversa, muita amizade. Eu acho que amizade é fundamental, você realmente se colocar no lugar dele. Eu acho que o principal é você se colocar no lugar da outra pessoa, e tentar fazer o melhor.

 

P/1 – E nessas situações traumáticas, esse espírito existia na relação entre pessoas dentro do banco?

 

R – Em algumas, você tem... eu acho que a agência está sempre mais próxima, quando você está em uma agência. Quando você está em uma superintendência, você está mais próxima. Então você já chega em Brasília, é diferente da estadual. As coisas não são tão sentidas, como é se estar ali na hora do vamos ver, que a gente já passou por aquilo. Mas eu acho que tem sempre uma compreensão muito grande, você tem uma equipe do banco que cuida disso. Quando tem assalto, tem o pessoal lá da Paulista, do GEPS que vai dar o apoio psicológico. Mas na verdade a equipe tem que se segurar muito.

 

P/1 – E no seu caso que você estava em uma posição de liderança, e evidentemente também deve ter ficado chocada. E como conjuminar essa experiência ruim pessoal, com essa necessidade de atuar com liderança, e com pró atividade em uma situação dessas? 

 

R – A gente tem que estar conversando com o pessoal. Na verdade a gente pega força de um com o outro, o líder não é tão forte assim sozinho. Então você tem que reunir o pessoal e começar... primeiro deixar o pessoal falar, que é importante ouvir nessa hora. E estar junto com eles, eu acho que tem que fazer sentir que a gente está junto. Nós também somos funcionários, então a posição de liderança é muito instável, é momentânea, você está líder agora, amanhã talvez não. Então na verdade você é o funcionário, a pessoa. Por isso a importância da pessoa, que não pode mudar porque você está nesse cargo, ou em outro, é a pessoa. 

 

P/1 – E a senhora fica na agência Paraíso até quando?

 

R – Até 1998, aí fui para a agência Lapa, gerência da agência Lapa.

 

P/1 – Nesse tempo todo a senhora continuava morando em Santana, ou não?

 

R – Não. Já tinha casado.

 

P/1 – Voltaremos ao seu casamento depois. Vamos para a Lapa.

 

R – Na Lapa foi difícil porque no Paraíso eu tinha uma agência muito legal, muito acolhedora. Quando eu cheguei na Lapa, eram seis andares, um prédio super-antigo, muito antigo, e que o público era muito mal atendido. Muito mal atendido. Porque tinha muita gente. Aquilo me deu um desespero tão grande, e aí pedi ajuda, e fui muito bem atendida rapidamente. Aí reformamos a agência, tive gente para ajudar a tirar as filas, mudar a composição e o layout para atender melhor. Eu sei que em um ano, a agência ficou muito melhor do que estava, foi muito bom. Eu só fiquei um ano lá, porque logo eu fui ser superintendente. Fui nomeada superintendente.

 

P/1 – Essa agência, a senhora disse que era uma agência grande, de seis andares. E como é que foi a sua chegada lá? A sua chegada era para mudar o que já estava posto? 

 

R – Eu tinha um superintendente estadual que era o Barroso, eu cheguei para ele e falei: “Eu preciso de ajuda.” E o Cacá que era o meu regional. Eu era gerente, tinha o regional que era o Cacá, e tinha o Barroso que era o estadual. Conversei e falei: “Oh eu preciso mudar.” Porque o gerente na época ficava em um mezanino olhando a agência de cima, eu não gosto, eu gosto de estar junto, então tinha que ter reforma. Não dava para ser uma coisa que eu mesmo mexo. E precisava de gente também que tivesse noção de layout, para me ajudar no layout. Então eu pedi ajuda, e a ajuda veio muito rápida. A agência também respondeu muito rapidamente com números. Eu sempre gostei de conversar com as pessoas, explicar a situação, falar como é que vão focar se a gente conseguir chegar naquele ponto, e a resposta foi muito rápida. Então como estávamos fazendo número, a resposta do outro lado também foi rápida. Então foi um ano muito proveitoso na agência, a gente já via melhoras, foi muito bom.

 

P/1 – E a relação com os clientes. O que a senhora...

 

R – Eu sempre gosto de quando eu chego na agência, de ter contato com associações comerciais, com o Rotary, lá na Lapa era a associação comercial, então logo a gente fez um trabalho muito intenso com o pessoal da associação comercial, dávamos curso no auditório, porque tinha auditório nessa agência grandona, então a gente cedeu o espaço para fazer curso para a associação. Fizemos um convênio com a USP, tinha um professor da USP, o professor Martim que gostava, e estava fazendo uma pesquisa, e perguntou se podia usar o espaço, então fizemos uma pesquisa da USP com os comerciantes locais. Então deu uma agitada legal naquela parte de envolvimento com a comunidade, né? Através da associação comercial. 

 

P/1 – Eu queria que a senhora explicitasse um pouco mais isso, quer dizer, essa presença mais capilar do banco na vida da sociedade, das comunidades. Como é que a senhora avalia isso a partir da sua experiência?

 

R – Eu vivi mais essa experiência como regional. Como regional eu senti que o banco pode fazer mais ainda a diferença. Como a agência você tem o trabalho com a associação comercial. Tem a associação comercial, você vai no padre, você vai em todos os pontos mais importante dali da região, e faz aquele contato, e gera confiança. Você gera confiança a medida em que você vai atendendo, você vai atendendo a expectativa, você vai gerando confiança. Na regional a gente consegue fazer até mais, por conta de você ter cidades, eu tinha Jandira, Alphaville, Itapevi, então nas cidades você consegue falar com o prefeito. Você consegue ter um contato maior mesmo, e melhorar muito quando você consegue mostrar para ele que a gente está querendo ajudar. Então você tem convênios, você tem muita coisa que você pode fazer que vai melhorando, vai melhorando a comunidade também. E a gente teve a oportunidade de fazer até trabalho voluntário na regional de Osasco, quando era regional oeste, nós conseguimos trabalhar com todos os gerentes fazendo pelo menos uma visita por ano a alguma entidade, ou na páscoa, ou no natal, para fazer alguma visita com os funcionários, tudo por conta deles, cada um... para fazer algum trabalho de comunidade, voluntariado, foi legal. Foi um comecinho, foi uma sementinha de voluntariado que a gente fez lá em Osasco. Foi muito legal. 

 

P/1 – Que importância tem isso? 

 

R – Muita importância. Para mim é muito importante você estar doando um pouquinho do que você recebe da comunidade. Mostrar para eles que a gente está ali, mesmo que seja uma sementinha que a gente pode estar ali, e fazendo alguma coisa. Para os funcionários também, todo mundo geralmente, todo o pessoal tem alguma coisa que faz, uma doação, alguma coisa. Porque não juntar no banco e fazer alguma coisa que não seja dinheiro, mas tempo? Liberar tempo seu para ir fazer uma visita a um asilo, liberar tempo seu para ir fazer uma visita para crianças, e é lógico que envolve um pouquinho de dinheiro, mas o importante não é o dinheiro de levar o docinho, o mais importante é você estar lá, doar o seu tempo. Então isso que eu trabalhava bastante lá, e deu certo, foi muito bom. A gente fez visita ao zoológico, com crianças de orfanato. Com isso o pessoal voltava vibrando, é uma coisa que você dá, mas que você recebe muito mais do que dá.

 

P/1 – Então eu queria que a senhora me falasse um pouco mais dos resultados. Que resultados são esses?

 

R – O resultado para o funcionário é que ele volta com muito mais força, você sente que ele está animado com o trabalho, por conta de ele ter feito um negócio legal em nome do banco. É uma coisa que volta para o banco, ele vai lá, faz o trabalho, ele recebe tanta energia, que ele volta tão animado, e trabalha tão legal. Para a criança é lógico que é bom, é uma vez por ano, é duas vezes por ano, mas é alguém que vai lá. O pessoal que a gente falava em orfanato sempre falava: “Toda visita é bem vinda. Qualquer que seja a visita. Se vem só brincar, jogar bola.” Sempre a gente conseguia alguma coisa, uma bala, alguma coisa para levar. Mas o importante era a visita. Isso daí para o banco eu acho que volta, não só pela comunidade de ver que a gente está trabalhando, mas volta para o funcionário, o funcionário fica mais animado, fica mais envolvido no banco.

 

P/1 – A senhora mencionou uma palavra, que talvez seja a chave de tudo isso, que acaba perpassando essas relações, que é confiança, né?

 

R – Confiança. Eu acho que quando você mostra para o funcionário, ou para o cliente também, que realmente aquilo está saindo de dentro de você, não é porque está escrito em algum manual que você está fazendo, você está fazendo porque realmente é o que você acredita. Isso passa, isso passa para as pessoas. Eu nunca tive nenhuma dificuldade em ter contato com os meus funcionários, nem com os meus clientes, por conta de eu ser transparente. E eu podia chegar é não falar nada que eu estava chateada, e todo mundo sabia que eu estava chateada porque um número não saiu. Eu tive um estadual que foi visitar a minha agência no Paraíso, em uma época em que a gente não estava bem, e que o banco estava muito agressivo. E ele chegou para quebrar. Eu tive funcionário que chorou, que achou que era injusto. Isso não existe, né? Um funcionário chorar, porque achava que era injusto o estadual brigar comigo, sabe? Então você sente que aquele envolvimento é um pouco mais, é realmente um envolvimento de quem acredita naquilo que está sendo feito, no trabalho que está sendo feito, o que não é brincadeira, que a gente realmente queria ver o banco crescer. De uma forma alegre, isso era o mais importante. Porque eu não concordo em fazer o banco crescer se não for com envolvimento dos funcionários de uma forma alegre. Eu não acredito, não acredito que a pessoa sobre pressão possa trabalhar por longo tempo, ela pode trabalhar por um curto tempo. Mas ele tem que ter uma motivação interna, de alegria de estar trabalhando para poder continuar. Se não, não vai.

 

P/1 – Quando a senhora chegou a banco, havia algum tipo de estranhamento pelo fato de uma mulher estar assumindo o banco? Ou já era comum as mulheres trabalharem no banco?

 

R – Não era comum. Quando eu tomei posse não era muito comum, tanto que o banheiro da mulher era só um, e dos homens tinha um monte. Eles fizeram um banheirinho muito apertadinho porque não tinha, né? Mas eu nunca senti um preconceito, eu nunca senti. Fui bem recebida, e em toda a minha carreira nunca senti preconceito por ser mulher.

 

P/1 – E na sua trajetória no banco, a presença feminina, e especificidade de gênero passou a ser uma coisa um pouco mais...

 

R – Mais ampla, né? Embora eu ache que ainda seja pouco. Hoje por exemplo não tem nenhuma regional mulher aqui em São Paulo, só tem homem. A estadual que é um só também é homem. As duas estaduais que eu conheci se aposentaram, então eu acho que era para ter mais, porque eu acho que as mulheres são capazes. Alguma coisa no processo, em algum lugar está parando.

 

P/1 – Essas superintendentes estaduais, a senhora lembra quem eram?

 

R – É a Valeria Rezende, e a Melania de Santa Catarina, que também se aposentou. Eu acho que não tem nenhuma agora, que eu saiba. De regional deve ter, mas estadual eu acho que não tem. 

 

P/1 – E como é que a senhora recebeu essa notícia da promoção para superintendente regional?

 

R – A gente vai para uma entrevista, e vai morrendo de nervoso porque é com a diretoria. E era esse Camargo Bravo, o diretor Camargo Bravão.

 

P/1 – A senhora lembra o nome dele todo?

 

R – Não lembro. Ele era muito bravo, a pessoa dele era brava.

 

P/1 – A senhora vai a entrevista a convite, ou por opção?

 

R – Foi oferecido, você recebe uma carta, e concorda ou não em ir à entrevista. Essa entrevista é feita por um comitê, tem seis pessoas, e tem o diretor.

 

P/1 – E como é que foi a sua?

 

R – Foi estressante. Porque primeiro você assinava uma carta de que ia para qualquer lugar do Brasil, eu assinei, mas eu não ia. Eu tinha que ir na entrevista, se for para ficar em São Paulo eu fico, se não eu não fico, mas participar da entrevista eu vou. Eu queria muito ser regional. Aí eu fui, e uma das primeiras perguntas que ele fez era se eu estava ciente que eu podia ir para qualquer lugar do Brasil. Eu falei que estava mas que só ia para ficar em São Paulo, se não fosse São Paulo eu não podia. Aí ele ficou bravo, ele ficou muito bravo. “O que ela está fazendo aqui?” Nem falou mais comigo. “O que ela está fazendo aqui? Só para ficar em São Paulo.” Aí pronto, já desestruturou tudo, “O que eu faço? Levanto? Sento? Fico?” Aí teve uma pessoa, que eu não sei nem o que ele era em Brasília que me lançou um olhar que me acalmou. Sabe quando você sente aquele olhar “Acalma aí.” Eu acalmei, e eu falei: “Olha diretor, eu estou concorrendo, se o senhor achar que dá para ficar em São Paulo eu fico, se não eu estou concorrendo. Quem sabe eu posso ser a melhor opção. Eu quero uma chance de participar da entrevista.” Aí ele continuou a fazer as perguntas, mas eu achei que eu não ia ficar. Saí de lá, ele não falou nada.

 

P/1 – Quanto tempo durou isso?

 

R – Mais ou menos uma hora. É um tempo longo, eles fazem muitas perguntas. 

 

P/1 – O que eles perguntaram?

 

R – Perguntavam de números, conhecimentos do banco, modo de agir também, na época ele me perguntou alguma coisa de motivação. O que me fazia ficar motivada. Bastante coisa, cada um faz uma pergunta, sobre critérios, tem pegadinhas para ver se você cai na pegadinha e fazia alguma besteira. Aí eu saí de lá, eu acho que demorou uns 20, 30 dias para dar o resultado. Eu cheguei na Lapa a minha chave não entrava, “O que acontece que a minha chave não entra?” Todo mundo estava entrando a chave...

 

P/1 – Do sistema?

 

R – É, do sistema. Aí um amigo me ligou e disse assim: ”Você viu aonde você vai? Você já está na regional.” Eu falei: “O que?” Eu não sabia do que ele estava falando. Então na verdade foi um colega que me contou que estava nomeada, nem foi da direção que veio. 

 

P/1 – E aí?

 

R – Uma alegria muito grande, eu não acreditava. Eu contei para o meu marido, ele falou “Nossa, agora sim.” Porque é um feito, você ser a primeira mulher regional, não era uma expectativa de carreira que eu tinha quando comecei. Eu queria ter uma equipe, não precisava ser 600 pessoas. Eu queria ter uma equipe, e a primeira vez que eu fui chefe se seção que tinha uns 10 funcionários, eu já achei um máximo, muito legal. Mas eu sempre quis crescer, né? Eu tenho sempre um projeto atrás do outro, eu estou aposentada e agora estou começando uma carreira nova, eu não quis mais trabalhar com banco. Eu estou fazendo curadoria, e crítica de arte não tem nada a ver com banco, eu estou do zero. Mas eu quero crescer nessa carreira nova. Eu sempre tive essa coisa de querer crescer, mas queria ter família também. Então isso era difícil juntar tudo.

 

P/1 – A senhora saiu da Lapa e foi para onde? 

 

R – Para Osasco, era superintendência regional de Osasco. Osasco e região.

 

P/1 – Que abrangia?

 

R – Abrangia Alphaville, Jandira, Itapevi, Carapicuíba, Cotia, Embu, e um pouco de São Paulo, Butantã, Pinheiros, uma região da parte oeste de São Paulo. Na verdade era regional oeste, então pegava não só as cidades, mas também a capital. Eram 30 agências.

 

(FIM DO CD 01)

 

P/1 – O que aquela bancária tão animada, a primeira mulher superintendente regional, o que ela fez? Para início de conversa.

 

R – Quando chega lá, senta e fala: “E agora o que eu faço?” Exatamente isso. “O que eu faço? O que eu estou fazendo aqui?” Porque não tem cursinho para você assumir um cargo maior, você vai lá e toma conta. É teu. Mas para variar tem as pessoas que te ajudam, eu formei uma equipe rapidamente, tive três... a regional trabalha com uma equipe bem enxuta, na verdade os gerentes é que tem as equipes. Então eu fiz, eu formei a minha equipe, foi uma equipe muito boa, e você conta com a sorte também, porque eu tive uma equipe muito boa, eu consegui juntar gente boa de RH, gente boa de crédito, gente que conseguia me entender, conseguia descobrir o que eu queria, e nós... olha foi muito bom. O primeiro ano foi um ano excepcional, que a gente conseguiu muita coisa nova, muita conversa, porque era uma regional que não existia, era uma regional nova, que ela era muito maior, e foi subdividida. Então a gente conseguia estar mais próximo das agências, visitar as agências, então esse gerente principalmente dessas cidades de Jandira, Itapevi, e adjacentes, não recebiam visitas de regional. Os funcionários não sabiam o que era regional. Então eu chegava, e sentava, e conversava, e fazia reunião com todos os funcionários para saber, para falar das diretrizes do banco, eles nunca tinha tido isso, alguém que vem de fora... uma palavra para ajudar o gerente, para falar de diretrizes do banco, falar de números, de economia, então eu comecei assim. O meu começo foi que eu precisava chegar próximo desse pessoal, para eles poderem entender a minha língua quando eu mandar uma mensagem. Então aí eu acho que foi o grande segredo, eu era conhecida pelos funcionários, 600 funcionários e eles sabiam quem era a Cida. Sabiam que na hora que a gente ganhava ia ter festa. Isso era o mais importante.

 

P/1 – Ganhava o que?

 

R – Ganhar a campanha, na verdade dinheiro não ganhava. Ganhava a campanha, e ficava alegre porque ganhava a campanha, não tinha dinheiro na jogada. Então a gente fazia festa para comemorar, mas não era ganhar dinheiro, era ganhar a campanha do banco.

 

P/1 – E quais eram as suas principais atribuições nessa função?

 

R – É estar coordenado o gerente. Na verdade você tem aquelas agências sob sua responsabilidade, tanto numérica, como a parte de equipe. Tudo você tem que estar... se a agência não vai bem, você não está bem. Então você tem 30 agências para estarem bem. Então o principal ponto era você está falando com os gerentes, eu tinha... na época a gente fez trabalho de rede de agência, então cada cinco agências tinha um interlocutor que estava mais próximo, que a gente podia falar todo dia, que a gente podia divulgar alguma coisa mais importante, para não ter que falar para os 30. Então a gente trabalhou muito essa parte de rede, deu certo também.

 

P/1 – E o que isso impactou no atendimento do público, e na resolução das demandas que se apresentavam ao banco?

 

R – Na verdade o que a gente fez muito, era fazer troca entre as agências. Você conseguir mostrar para um gerente, ir na agência do outro, e conhecer o problema daquele outro, e mostrar que tem solução. Porque cada gerente é bom em uma coisa, em uma ou duas coisas, ninguém é bom em tudo. Então quando você consegue ter uma aproximação entre esses gerentes, e que um passe um pouco para o outro a solução que ele já descobriu porque a escassez de recursos é sempre, não vai ter nunca o banco ideal, com muitos funcionários, com muitos caixas, você tem que trabalhar com essa escassez de recursos dando o melhor resultado. Então se você consegue fazer essa troca entre os gerentes, eles conversarem mais entre eles a coisa vai melhorando. O que eu trabalhava muito era a união dos gerentes, para que eles pudessem estar realmente melhorando, não tendo uma concorrência entre eles, isso foi uma coisa que eu trabalhei bastante. Não tem concorrência entre agências, nós formamos uma equipe maior, que era a regional, e a gente tinha que se ajudar mutuamente. Porque tem agências que são mais difíceis de lidar do que outras pelo número de funcionários, pelo público. Eu tinha uma agência dessa mesma equipe na Avenida Europa, não passa quase ninguém, que o gerente reclamava porque não tinha cliente. E tinha Carapicuíba que você não conseguia entrar na agência porque era muito cheia. Então você vê esses extremos, e fazer os dois conversarem para ver a falta que faz um público lá. Porque se não tem público, também não tem dinheiro. Então é uma coisa que às vezes o gerente sozinho não consegue perceber. Então você tem que fazer esse meio de campo, ver onde que você pode tirar um, e botar outro, ajudar, essa é a função do regional.

 

P/1 – Por outros métodos, por outros caminhos é uma espécie de um processo de disseminação de conhecimento entre as pessoas.

 

R – É. O regional é isso, você trazer a diretriz do banco, e botar de forma disseminada nas agências. É o interlocutor, porque o estadual você vem de Brasília para o estadual, o estadual para os regionais, e nós para os gerentes, e os gerentes para os funcionários. Então é uma rede mesmo. Você tem que procurar facilitar essa entrada.

 

P/1 – E a sua relação com os seus superiores nesse processo todo , se deu de forma...

 

R – Foi bem, eu sou uma pessoa... o superior não chegou à toa, então todo superintendente estadual, diretoria, você tem que estar muito atento para receber de forma positiva o que ele está te falando. Cada um tem um jeito, um jeito que você gosta mais, ou um jeito que você gosta menos, mas a nossa função é se adaptar. Então para mim eu acho importante adaptar a diretriz, chegou um estadual que fala “y”, eu tenho que falar “y” com ele, a não ser que esse “y” seja uma coisa errada, mas se for uma diretriz ética, é aquela que eu vou tomar. Então eu sempre me dei bem, não tive problema com meus estaduais não.

 

P/1 – Qual foi o maior problema que a senhora teve que enfrentar nessa função?

 

R – Eu acho que seguranças nas agências que é uma coisa muito difícil para a gente lidar, porque fica uma situação que a gente não sabe o que fazer, não tem solução. Quando alguém ligava que tinha assalto era uma barra, essa era para mim era a parte mais difícil da história, você administrar essa parte de segurança nas agências.

 

P/1 – Porque causa um impacto muito grande.

 

R – Muito emocional, muito forte, que você não consegue dominar, e não tem o que fazer. 

 

P/1 – E a maior alegria?

 

R – As vitórias. Eu acho que as vitórias eram a maior alegria.

 

P/1 – Por exemplo, que tipo de vitória que a senhora se lembra que ficou marcada?

 

R – Nessa superintendência primeira que eu fui que é a oeste, nós fomos campeões consecutivos por três anos, todo ano a gente era campeão. Então virou uma coisa efervescente, a gente fazia umas festas muito grandes, festas em que cada equipe, eu gostava muito de estar trabalhando com que eles fizessem alguma coisa, então a gente dividia essas equipes e cada um criava uma música para ir cantar, alguma coisa diferente para fazer que não fosse banco. Então nessas festas você tinha surpresas que você falava: “Não acredito que aconteceu isso aqui.” Gerente cantando rock. Umas coisas muito estranhas, apareceu um dragão soltando fumaça. Eles queriam fazer coisas diferentes que não fosse banco para poder estar comemorando nessas festas. Então essas festas foram realmente de arrasar. E não tinha dinheiro para fazer a festa, e o funcionário tinha que pagar 10 reais, e a gente enchia o BB de gente lá em Itapecerica, realmente para mim era uma vitória conseguir aquilo lá. O que mais traz mais alegria é lembrar daquelas festas que a gente fazia, e que todo mundo se divertia de graça, porque não era por dinheiro. Era a alegria de ter ganhado, a alegria de ter comprido o papel da gente e ter conseguido. 

 

P/1 – E algum desses resultados que a superintendência alcançou, o que eram os mais relevantes? Era venda de produtos? 

 

R – É um mix de produtos, a lição de casa que você tem que fazer é sempre um mix de produtos que você tem que vender durante o ano, crédito, conta nova que você tem que abrir, você tem mil coisas para fazer, tudo bens intangíveis, que você tem que tirar da prateleira e colocar para vender. Então você tem que estar sempre motivando o pessoal a vender um Ourocap, um Brasilprev, abrir conta, quando você abre uma folha de pagamento é muito bom, porque você consegue muitas contas. Então você tem aquele mix, e o banco estrutura de uma forma que consiga fazer uma medição disso no fim de cada período para saber quem está melhor. 

 

P/1 – E a sua superintendência arrasou?

 

R – Na época foram três anos consecutivos, muito bom.

 

P/1 – A senhora tem em toda essa sua trajetória algum fato que ficou marcado na sua memória, no seu coração, na sua mente, que tem a ver com o banco? Alguma coisa que...

 

R – Eu acho que marcou muito foi quando eu tive um gerente que acreditou que eu ia conseguir progredir no banco. Uma pessoa que... era o seu Jaques, ele falou: “Você tem que ser gerente, você sabe lidar muito bem com as pessoas, você vai conseguir resultado, foi a primeira pessoa que chegou para mim e falou isso, e fez força para que isso acontecesse, na época eu fiquei grávida, ele queria me matar porque eu fiquei grávida, ”Agora não, a sua carreira está indo, e tal.” E quando o nenê nasceu, ele levou uma pessoa lá que achava que podia ajudar para me conhecer na minha casa, então eu achei que ele foi uma pessoa muito importante na minha vida, e por isso depois até eu também procurava fazer isso pelos meus funcionários, para quem trabalhava comigo, eu também ajudava a crescer. Porque foi muito importante a parte que ele fez de acreditar, e de fazer força para que eu progredisse.

 

P/1 – Esse seu Jaques é lá do Bom Retiro?

 

R – Do Bom retiro. E ele foi também a pessoa que trouxe computador, sabe? A gente não sabia essas coisas de computador, e ele trouxe o custo do caixa, umas coisas que a gente não tinha idéia de custo de caixa. Quanto custa um caixa? Quanto ele tem que faturar para poder pagar o salário? Quanto custa uma duplicata? Então esse gerente foi um marco, muito legal de profissionalização.

 

P/1 – Um gestor, né?

 

R – É. Com idéias avançadas para época, ninguém falava de curso de duplicatas, ninguém falava em nada, em números de... “Olha você vão analisar esses relatórios para a gente falar.” Antes a gente ia trabalhava, e ia embora. Não tinha essa coisa assim. E ele trouxe essa idéia de custo para a gente, mandava a gente estudar o relatório. O pessoal falava: “O que ele está falando?” Na época é muito gozado quando você tem essa ruptura, né? Você tem as pessoas que trazem uma coisa diferente, e você fica ouvindo o pessoal metendo o pau, outro elogiando. Que nem o Camargo, que também foi em um momento de ruptura. É interessante você estar acompanhando esse momento do banco.

 

P/1 – Como é que a senhora avalia essas transformações, esses momentos de grande impacto pelo fim de conta movimento, o início do processo de informatização, tendo que cair no mercado de cabeça para concorrer, e a senhora estava lá nesse olho de furacão...

 

R – Eu acho que a gente cresceu, para mim é um orgulho, e uma oportunidade muito grande ter crescido nesse movimento todo. Porque você vai descobrindo, para mim tudo era uma grande descoberta, cada coisa que acontecia de diferente era uma descoberta. Porque eu tinha feito matemática, a parte de administração era na prática, era na prática que eu estava aprendendo, os grandes cursos que eu fiz depois de MBA, pós graduação, eu já era regional, até ser gerente você vai na prática, e cada coisa que acontecia, e que eles explicavam, as novas diretrizes, eu ficava pensando: “Será que é assim esse caminho?”. Mas é sempre uma oportunidade de você crescer. Toda vez que tem uma ruptura dessa, se você embarcar... aí tem uma decisão sua de você embarcar, se embarcou, você está crescendo. Eu me sinto privilegiada de ter crescido com o banco. Porque eu sou o que eu sou porque eu trabalhei lá. Eu não sei o que seria se eu não trabalhasse lá, provavelmente seria diferente, muito diferente, e eu acho que eu estou bem assim. Ele me fez crescer, o banco me fez crescer, me fez querer crescer, aprender coisas novas, disputar mercados é uma coisa muito importante, você saber que você consegue. Porque quando acabou a conta movimento eu achava que não ia dar certo, e todo mundo falava que não ia dar. O banco é uma potência hoje, e foram os funcionários que fizeram isso, acreditaram e foram. 

 

P/1 – Esses cursos que a senhora fez quando já era superintendente regional, quais foram?

 

R – Fiz logo que eu fui gerente, quando eu fui nomeada gerente, fiz um MBA na USP de Executivos, de novos executivos. Foi o meu primeiro grande curso na USP, eu fiquei três meses lá estudando, um privilégio enorme de ficar três meses na USP estudando. Depois eu fiz com a Dom Cabral Gestão de Negócios, fiz também com a PUC do Rio, à distância, Gestão Financeira, que era uma pós graduação também, o banco dá muito curso para a gente. Então o seu crescimento é muito importante, você estar acompanhando todos os cursos que o banco dá, e crescendo junto. Muito bom. Eu me considero administradora de empresa sem ter feito curso formal de administradora de empresa.

 

P/1 – Vamos voltar um pouco atrás porque isso ficou uma lacuna aqui na nossa história, como é que a senhora conheceu o seu marido?

 

R – Então ele trabalhava perto de mim, a gente conversava, mas eu tinha até outro namorado na época, não era nada sério, a gente só conversava. E ele resolver sair do banco, porque ele fez Getúlio Vargas, se formou administrador, e queria seguir a carreira dele fora do banco. E foi ser estagiário em uma outra empresa que hoje ele é diretor dessa empresa. Foi ser estagiário, nos despedimos, não vi mais ele por um tempo, na época ele ainda me falou que ia me convidar para o casamento dele, eu me lembro disso. Mas não falei que eu ia. E aí depois teve uma festa no banco em que ele foi, e eu já não estava mais namorado, e ele foi, e a gente começou a namorar, e dois anos depois a gente casou. Então ele me ajudou muito também na área administrativa, me incentivou muito, me ajudava muito com a parte teórica da administração, quando eu queria fazer alguma coisa, algum planejamento, ele me dava as dicas, porque ele tinha uma formação bem melhor que a minha nessa área. Então foi um grande incentivador para mim, muito. Muito importante. O nome dele é Ernesto. E eu consegui ter três filhos, foi muito bom conviver com eles, e com o banco, não ter que escolher, porque muitas mulheres tem que escolher, ou a, ou b. E eu acho que o marido nessa hora é muito importante.

 

P/1 – Como é que a senhora resolveu essa parada?

 

R – Então foi meio natural, porque eu queria trabalhar, eu queria muito fazer carreira, e nasceu a primeira que foi a Paula, e um gerente na época falou assim: “Eu vou te nomear, mas se você não voltar para ser comissionada eu vou ficar muito brava.” Porque toda mulher depois que tinha nenê não queria mais ser comissionada, só queria trabalhar seis horas. Eu falei: “Pode nomear.” Porque eu estava concorrendo, e um rapaz. “Eu vou nomear você, mas se você não voltar, a gente vai conversar.” Eu falei: “Tá bom, pode deixar que eu volto.” Mas eu tinha uma mãe muito participativa, que me ajudou muito, eu acho que isso é importante também, e o meu marido sempre me incentivou a seguir a carreira, então foi tranquilo, a gente conseguia. Hoje estão bem, os três estão bem. Graças a Deus.

 

P/1 – Qual é o nome dos outros?

 

R – A Paula, Fernando, e Pedro. O Pedro é o caçulinha que hoje está com 18. 

 

P/1 – O que significa ser comissionada?

 

R – É trabalhar oito horas, é ter dedicação integral ao banco, é realmente você estar se dedicando ao banco. E o não comissionado era seis horas. Então você consegue fazer uma parte mais burocrática vai embora acabou. Agora quando você é dedicação integral, você vai embora e não acaba nunca.

 

P/1 – Mas pelo perfil do parceiro que a senhora construiu a sua vida, a senhora levou muito trabalho para casa.

 

R – Levava muito trabalho para casa. Ele também, até hoje ainda está na ativa e leva muito trabalho para casa. A gente acostuma, né? Depois que as crianças dormiam a gente ainda ia trabalhar. Acostumamos.

 

P/1 – Ao mesmo tempo a senhora disse que fez questão de preservar

 

Corte na Gravação

 

R – ...quando chegava em casa, né? Quando eu falava isso ninguém acreditava, porque eles gostavam da minha comida, não adianta ser empregada. Então eu chegava oito horas, e ia fazer a janta, a gente jantava nove e meia, dez horas, era a hora de a gente jantar. As crianças iam dormir 11 e meia, meia noite, era uma vida diferente, não era igual a de todo mundo não. Mas a gente vivia bem, eu acho que tudo a gente se adapta, então eu fazia janta. O pessoal ficava louco, “Mas como você vai fazer janta?” “Eu vou fazer janta. Eu vou chegar em casa, e vou fazer a minha jantinha.” É a parte familiar, né? E reunião de escola, eu estava presente em todas, essas coisas que são importantes na hora certa eu estava.

 

P/1 – E por que a senhora saiu do banco?

 

R – Porque eu me aposentei, 30 anos de banco. E eu tinha um segundo projeto de vida, que é da parte de artes, que no começo eu queria fazer Artes, mas aí era uma questão financeira, Artes não ia muito longe. Então todo esse tempo eu tinha uma segunda carreira pela frente, um projeto que é a parte de Artes. Eu já terminei um curso de Artes Plásticas no Panamericano, e agora estou fazendo a PUC. Então era um projeto meu, antes de estar na moda aposentado fazer alguma coisa eu já queria. Então eu falei: “Trinta anos está bom, eu acho que tem que dar oportunidade para outra pessoas também”. Saí bem preparada, eu me preparei para isso. Trinta anos de banco, chega.

 

P/1 – E como é que foi o dia que você saiu do banco?

 

R – Foi bom. Eu acho que esse preparo é importante, quando você vai se preparando, eu gostei, não senti aquele baque. Porque eu sabia que eu já tinha outro projeto. Eu já fiz matricula na Panamericana, já estava pensando em Arte. Adorava, adoro ainda ver o pôr do sol, que era uma coisa que eu não via nesses 30 anos. É mentira, né? Mas a gente não vê, o dia passa, você entra lá às oito, sai às oito, e não vê. E aí de tarde você olhar, você poder sair para caminhar é muito bom. É muito gostoso.

 

P/1 – Como é que se prepara para aposentar? 

 

R – É projeto. Eu acho que é você ter projetos. Isso que eu falo para o meu marido, que ele tem que fazer projetos. Faz projetos. “O que você quer fazer depois que se aposentar?” Não precisa começar a fazer, mas precisa pensar. Eu acho que o que move a vida da gente, e que a gente não tem prazo de validade, ninguém tem. Então enquanto eu tiver vida, eu tenho projetos. Então o que eu quero agora? Eu quero isso, então eu vou atrás. Então não tem muito que pensar, tem que seguir.

 

P/1 – Esse momento em que a senhora sai do banco, e começa a trabalhar em cima desses projetos em algum momento não dava vontade de...

 

R – Tem saudade, né? Lógico que tem saudade, eu adoro lidar com pessoas, eu tenho saudade dessa parte de ter a minha equipe, de estar ali passando nervoso, resolvendo questões, é legal isso, mas acabou. Eu não sou uma saudosista de ficar... mas eu convivo muito com as meus amigos, escuto os problemas deles. Ainda se ta no meio, não consegue desligar, porque a minha amizade toda do banco ficou, porque tem muitos amigos.

 

P/1 – Assim em resumo, o que significou para a senhora viver esse tempo todo no Banco do Brasil?  

 

R – Eu acredito que foi a grande chance na vida o Banco do Brasil, eu acredito que foi a minha grande sacada ter entrado no banco, e ter acreditado, e dedicado. Porque eu fui muito dedicada, eu me considero uma funcionária que foi dedicada ao banco, eu amo o banco, e ainda continuo gostando. É uma coisa que entra no sangue da gente o Banco do Brasil, por todo esse carisma que ele tem com os funcionários, os funcionários são muito envolvidos. Às vezes a gente acha que perdeu um pouquinho por conta do dia-a-dia, né? Hoje o funcionário entra e sai do banco facilmente, não tem mais aquele amor pela empresa, a gente pensa que não, também não sei, já estou falando que nem aposentada. “No meu tempo não era assim.” Mas não sei, mas eu acho que o banco mudou a minha vida.

 

P/1 – E qual foi o grande aprendizado que a senhora carrega desse período?

 

R – É crescimento através das pessoas, eu acho que esse é o grande aprendizado. É você crescer no meio que você vive, pelas pessoas que você encontra na vida, e o banco tem muita gente boa que você encontra, e que você consegue trocar, crescer um pouquinho, deixar um pouquinho de você, e leva um pouquinho dela. No banco eu tive muita sorte, de encontrar muita gente boa, que eu pude aproveitar, usufruir, e crescer. Então eu acho que esse é o grande segredo, você ter alguém, ter um espaço em que você possa se desenvolver através das pessoas.

 

P/1 – E sobre o banco propriamente dito, o que a senhora considera que é a grande realização do banco no sentido da contribuição que ele pode dar ao desenvolvimento do país, e das pessoas? 

 

R – Eu acho que o banco tem primeiro, uma equipe completamente capacitada, e pulverizada. Você está em todo lugar do Brasil, isso eu acho super importante. Você ter uma empresa que é brasileira, que é do Brasil, que é composta por brasileiros que tem vontade de ajudar, um pessoal muito consciente do país onde vive, consciente de tudo, eu acho que o corpo de funcionários do banco, é um pessoal muito consciente. Então eu acho que a direção do banco tem uma empresa que está pulverizada, e que pode falar assim: “Nós vamos fazer isso.” E semana que vem está todo mundo sabendo que é para fazer isso. E se você vê em cada comunidade a força que pode ter o Banco do Brasil, por isso que eu acreditava muito no voluntariado salpicado, porque se você tiver uma agência lá no interior não sei da onde, tem gente que sabe o que é ser voluntário, tem gente que já ajuda, e que poderia ajudar muito mais se tiver uma direção nesse sentido de multiplicador. Então eu acho que esse sistema de pulverização das agências que ele tem pelo Brasil, é o grande alavancador, que pode alavancar a economia através do crédito, através de uma série de serviços que ele faz. O banco atua muito bem, ele cresceu muito. Eu acredito que o banco é um alavancador da economia, eu acredito fortemente nisso. 

 

P/1 – Bom a senhora viveu isso na pele.

 

R – É. A gente vê empresas crescerem, empresas que saem do nada e de repente está uma empresa grande, é muito legal, é muito gratificante.E o banco ajuda, realmente o banco tem toda condição para ajudar.  

 

P/1 – E como é que a senhora avalia essa instituição aos 200 anos? O que significa isso?

 

R – É uma empresa que cresceu, é uma empresa que de 1988 para cá foi um crescimento muito grande, um crescimento em números, e um crescimento em investimento em pessoas. Eu vejo hoje a maioria das pessoas, os gerentes são todos formados, tem pós graduação, então você conseguiu colocar educação profissionalizante na maioria dos funcionários, hoje os funcionários tem uma trilha de carreira que eles sabem que precisam estudar para subir. Então você tem realmente um banco forte, um banco que está enraizado, e forte pelo corpo funcional, uma direção bastante estável, né? E pronto para atuar no mercado, não tem... não pode se sentir menosprezado em nenhum momento. É um banco muito forte, 200 anos com muita potência, para chegar a mais 200 com certeza.

 

P/1 – Alguma coisa que a senhora gostaria de ter dito que não foi estimulada a dizer?

 

R – Não. Foi ótimo. Pude botar o meu amor pelo banco todinho, mostrar o meu amor por esse Banco do Brasil todinho.

 

P/1 – E o que significou, o que a senhora achou de ter participado dessa entrevista?

 

R – Legal, né? Eu realmente me senti parte da história, é muito gozado eu nunca tinha pensado desse ponto de vista. Em 30 anos o que você acompanha de movimentos nessa empresa, é que 30 anos é significativo em 200, isso que eu não tinha me tocado. Então eu realmente faço parte da história, é gozado isso, é para pensar. 

 

P/1 – É importante isso.

 

R – É para se orgulhar.

 

P/1 – Mas eu sou orgulhosa de ter sido funcionária do banco, de ter feito parte da equipe, muito orgulho mesmo. 

 

P/2 – Esse projeto a gente está dividindo entre os biomas brasileiros, e como a senhora mora em São Paulo, e morou no Rio. Como é tudo mata atlântica, o que vem na sua mente quando você pensa em mata atlântica?

 

R – Natureza, né? O que vem na minha cabeça é natureza. E São Paulo é uma coisa bem diferenciada dentro dessa mata atlântica, porque é um espaço tão árduo e você está em contato com a natureza é bem chocante. Mas é legal, eu acho bom.

 

P/1 – Mas a senhora na infância viva dentro da mata atlântica.

 

R – Dentro da mata atlântica, era direto, pé no chão, eu gosto muito de natureza.

 

P/1 – Quais eram as frutas que a senhora mais gostava?

 

R – Fruta do conde, que tinha lá em casa. E tinha uma coisa que lá em casa não ficava amarela a laranja, eu só sabia que ficava amarela a laranja quando eu cheguei em São Paulo, porque não dava conta, né? Nascia a laranja, a gente já comia, e não ficava nunca amarela. E eu não ia à feira. Quando eu cheguei aqui em São Paulo que eu vi aquelas laranjas amarelinhas, eu falei: “Nossa que legal. Lá em casa só ficava verde.” Mas eu gosto mesmo é de fruta do conde, eu adoro fruta do conde até hoje gosto muito.

 

P/1 – Tinha lá um pé na sua casa?

R – Tinha um pé na minha casa, a gente pegava madurinho, muito bom. 



P/1 – Perfeito dona Cida. Agradecemos muito a sua gentileza, foi muito bom ouvi-la.

 

R – Eu que agradeço, foi um prazer enorme.

 

P/1 – O prazer foi nosso.

 

R – Muito obrigado.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+