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História

Chrisanthema Souza Santos

História de: Chrisanthema Souza Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 28/11/2013

História completa

P/1 – Obrigada pela entrevista e para começar eu queria que a senhora contasse o seu nome completo.
R – Meu nome completo. Meu nome é Chrisanthchrisema Sousa Santos.
P/1 – E o local e data de nascimento.
R – Eu nasci em Botafogo, no Rio de Janeiro (pausa) e eu tô com essa idade (risos).
P/1 – E qual que é a data do nascimento?
R – Oitenta e seis, já feitos. Eu caminho pra oitenta e sete.
P/1 – E qual que é a data do seu nascimento?
R – O dia do meu aniversário?...
P/1 – Isso.
R – ...25 de maío de 1923.
P/1 – E esse nome Chrisanthema, a senhora sabe a história dele?
R – A história do meu nome não ia ser Chrisanthema, sabe? Os meus padrinhos, que eu não conheci, eles viram o nome (Chrisanta?) que ia ser o meu nome, mas na hora de escrever o nome, na hora do meu batizado, ele achou que (Chrisanta?) não era nome. E aí aumentou, botou Chrisanthema. Se eu soubesse falar naquela ocasião, eu falava: “Não, eu não quero”. Mas eu era pequenininha, né? Quer dizer que aí passou. Agora eu não... ficou por isso mesmo...
P/1 – Não sabe da onde veio esse nome?
R – ...não.
P/1 – E a senhora sabe a origem dos seus pais?
R – Dos meus pais?... 
P/1 – É.R – ...os meus pais, eles casaram em Portugal, meu sangue é português purinho. Eles casaram lá em Portugal e o meu paí veio pro Brasil. Minha mãe ficou lá. E ficou, ficou, ficou, ficou. A cidade onde ela morava era uma cidade pequena e não dava notícia, e as vizinhas: “Ele não vaí voltar maís; ele arranjou outra mulher; ele não sei o quê”, a minha mãe ficou: “Não, eu tenho que saber o que é que está acontecendo”. Ele não mandava nada: não mandava dinheiro, não ajudava em nada. E ela esperando, esperando. Um dia ela falou: “Eu vou pro Brasil. Eu vou me encontrar com o meu marido e eu vou descobrir o que está acontecendo: se ele arrumou outra esposa, outra companheira”. Um dia ela fez essa surpresa, ela veio pro Brasil. Quando chegou aqui, porque antigamente vinha no navio, o navio ficava parado distante e tinha que pegar um barquinho pra pisar em terra, e quando ela pos o pé, ela botou o pé esquerdo e aí os vizinhos todos, que estavam viajando com ele, com ela (risos) – eu tô me enrolando toda – “a senhora vaí ser muito infeliz aqui no Brasil porque pisou com o pé esquerdo, não botou o pé direito e não sei o que”. Ela veio e ficou. Foi descobrir onde o meu paí estava. O meu paí estava numa fazenda com sociedade, mas o dinheiro só dava pra pagar os empregados, não sobrava um tostão, um tostão pra mandar pra ela. E aí ela pegou e ficou lá morando com ele, em Campo Grande, sabe? E aí ficou, ficou, ficou trabalhando lá e tudo, de cozinheira.  Maís trabalhou tanto – coitada – e ficaram os dois lá trabalhando nessa fazenda um tempão. Depois ela foi fazer feijão, porque ela não conhecia o feijão preto, quando ela viu aquele saco de 60 quilos de feijão preto di__ “tá tudo estragado” feijão preto (risos) “tá estragado” e jogou o saco de feijão fora. E aí, foi aquela coisa. E depois, ela ficou um tempo lá. E depois, eles saíram dali e foram lá pra Botafogo, não sabe? Arranjou um emprego na Prefeitura, aí meu paí ficou trabalhando na Prefeitura, e as coisas melhoraram um pouco. Depois teve os filhos, quer dizer que eu tive seis irmãos e eu era a sétima. Eu fui a única mulher, tudo era homem...
P/1 – Você pode falar o nome deles?
R – ...tinha um chamava, todos já morreram. E que naquela época tinha essa doença de pulmão, né? A tuberculose – como é que chama? Então, três morreram de tuberculose, num sabe? Morreram novos, um com 20 e poucos anos, tudo novinho meu irmão, todos. Não foram três. Dois do coração e foram três que foram do pulmão, meu paí morreu do pulmão e maís dois irmãos. E aí ficou assim, sabe? Eu fiquei com a minha mãe. Eu era a única filha moça. Minha mãe antes de ter, já estava no sexto filho, e aí tava esperando eu nascer, ela disse assim: “Puxa vaí nascer outro menino, eu com sete filhos homens”, todo mundo ficava com medo, né? Começou a tomar chá, tomar isso e aquilo outro, pensando que eu fosse nascer um homem, aí nasceu eu, né, E fui uma menina. Depois cresci, me casei. Logo depois eu já tava esperando o meu filho, minha mãe com cinco dias morreu, ela não viu o netinho nascer e aí eu fiquei...
P/1 – Dona Chrisanthema vamos voltar um pouquinho. Essa primeira casa da infância era em Botafogo?
R – Era. Era uma casa em Botafogo. Que antigamente eles tinham aqueles casarões, né? Tinham duas famílias, isso quer dizer que morava a metade de uma família morava, dividia a casa, né? Minha mãe morava numa metade e essa outra família na outra metade era tudo direitinho, separado. Tinha telefone, tinha todo conforto. Fiquei ali, cresci, que era mocinha, fiz os 15 anos ali e fui até casar, até ter o meu filho fiquei ali. Depois...
P/1 – Nessa época de infância na casa das duas famílias, como eram as brincadeiras das crianças?
R – Brincadeira eu sei dizer que os país quando via os meninos jogando bola, meu paí e minha mãe principalmente, quando eu tinha seis irmãos, quando viam o menino pegar a bola escondiam a bola, “eu não quero criar malandro”, porque antigamente o jogo de bola, não queria estudar, agora os filhinhos pequeninino com três, dois anos já tá com a bola na mão pra aprender a jogar bola, porque agora a bola é a maíor. Ficavam escondendo a bola, “não quer estudar, só quer jogar bola, não sei o que” e era assim. __________, cinema, não tinha muito baile como tem agora, essas coisas. Eu fiquei. E a moça não andava assim em cinema, em boate, esse negócio de jogar, de dançar. Na minha mocidade eu não ia, eu era muito recatada, eu ficava em casa com a minha mãe e não era, sempre fui assim muito caseira, não era muito de fofoca não (risos).
P/1 – E a senhora se lembra da primeira escola?
R – Eu lembro. Eu estudei no primário ali na Lagoa, Colégio Pedro Ernesto que tinha ali. Mas eu estudei pouco, eu não queria nada com o estudo. Minha mãe fez isso pra mim estudar, eu não posso colocar a culpa na minha mãe, porque ela fez tudo pra  mim estudar, mas eu não queria nada com o estudo, viu? E na certa quando chegava na hora de ir pra aula inventava dor de cabeça, dor de cabeça, tudo quanto era coisa só pra não ir a aula. Mas agora, então, “você vai crescer, quando você tiver grande você vai ver a falta que faz”, realmente, depois que a gente cresce e tudo é que a gente vê a falta que faz o estudo, né? Mas eu estudei o primário, mas depois casei também e fiquei dona de casa, criando filho, ihhh...
P/1 – E nessa época de escola, a senhora se lembra de alguma professora assim?
R – humm...
P/1 – Não?
P/1 – E nessa época do Botafogo, o que o seu pai fazia?
R – Eu queria que você falasse mais alto aqui porque a mamãe aqui é surda, eu ou surdinha.
P/1 – Nessa época do Botafogo, o seu pai trabalhava em que?
R – Meu pai trabalhava na Prefeitura. Ele ficou até se aposentar, quer dizer ele se aposentou porque ele tava doente do pulmão, viu, e naquela época ainda não tinha aposentadoria, sabe? E aí, quando ele já estava muito ruim mesmo, e aí veio o nome dele no jornal, naquele jornal que vem pra se aposentar, e a minha mãe teve que cuidar da documentação pra se apresentar, mas ele tava doente. Mas naquela época não tinha ninguém que ajudasse e minha mãe também não tinha muito estudo. E aí, ficou e meu pai morreu, viu? Ele era novo; ele tinha 50 anos; e os filhos todos pequenos. E minha mãe passou muito aperto, porque a aposentadoria – coitada – ela não recebeu. E aí, não teve uma pessoa que orientasse, se tivesse uma pessoa que orientasse, que ajudasse, né, ela talvez tivesse ficado melhor, pra ficar recebendo pela aposentaria. Aí, vinha o nome dele pra ir lá cuidar da documentação e não teve  ninguém que a ajudasse, né? E aí, ela não ficou recebendo a aposentadoria. Aí foi criando os filhos, assim, com um pouquinho de necessidade de, graças a Deus, fome nunca passamos, né? Mas de vida, assim, com conforto não tinha muito não. Mas todos cresceram, graças a Deus, casaram, tiveram seus filhos, tudo numa boa, sabe? (risos)
P/1 – E ela ficou sozinha com sete filhos pra criar?
R – Foi. Minha mãe passou muito aperto – Nossa Senhora – porque o meu pai morreu novo, com 50 anos, eh... ele pegou essa doença do pulmão, que antigamente não tinha cura, né? Antigamente não tinha cura não. A pessoa pegava a doença, não tinha, agora tem, né, naquela época não tinha não. E aí... ele morreu e ela ficou com aqueles filhos todos, mas ela tinha um terreno ______ com uma casinha alugada e recebia aquele dinheirinho, vivia controlando __ a vida. E aí ta bom. E é isso aí (risos).
P/1 – A senhora se lembra de como era o cotidiano dessa casa no Botafogo? O que é que se comia? 
R – Ah, a comida Eh, até que a comida...tinha aquela...ele recebia assim, o dinheirinho que ele recebia do trabalho, da Prefeitura, ia tudo pro supermercado (risos), era tudo pra supermercado, pra aquele monte de filho pra comer, né, mas, graças a Deus, dava pra tudo. Não digo que tinha aquela fartura, né, mas, graças a Deus, vivemos mais ou menos, sabe? Mas (pausa) (risos).
P/1 – E, nos tempos da adolescência, a senhora era a única filha mulher?...
R – Era.
P/1 --...como é que era isso?
R – Pois é...
P/1 – A jovem (Chrisantema?)?
R – ...(risos) Eu tinha uma prima que era igual uma mãe pra mim, sabe?...
P/1 – E como ela chamava?
R – ...ela me vestia, ela que me dava tanta coisa. Quando eu fui menina, eu tinha tanta roupa bonita, tudo de bonito eu tinha, que ela me dava. Me vestia dos pés a cabeça, minha mãe só me dava mesmo a alimentação, porque ela me vestia, andava tão bacana, sabe, quando era mocinha. E aí, era assim, depois foi, também Deus levou todo mundo...quer dizer que agora foi meu marido também. Casei, e foi meu marido também. Eu tô sozinha. Eu tenho esse filho que eu... é um homem assim pra mim, graças a Deus...  
P/1 – E como era o nome da sua prima?
R – Almerinda. Almerinda de Jesus. Era portuguesa. Foi uma história: porque minha mãe teve aqueles filhos todos, e aí ela estava com seis filhos homens e eu, era a sétima, menina no meio daquela porção de meninos, a minha mãe ficou desesperada e disse: “Meu Deus do céu, como é que eu vou fazer com tudo menino. Eu tenho que arrumar um jeito”. Aí ela mandou uma carta lá para os parentes dela de Portugal, as primas, os parentes que ela tinha lá, mas eu não conheço só por correspondência, sabe, por fotografia, mas nunca fui a Portugal, não conheci. E aí, ela mandou essa prima vir de Portugal, uma mocinha. Então, ela veio ajudar a criar meus irmãos, sabe, e aí ficou: tomava conta de mim, dos meus irmão, sabe, e foi. Ficou, ficou, ficou até os meus irmãos crescerem, eu. E eu casar e ter filho, tudo ali depois Deus levou também.
P/1 – E a onde a senhora conheceu o seu marido?
R – Eh, é uma história também, uma história bonita. Eu tinha um irmão que ele tava doente do pulmão e antigamente tinha um medicamento, né, (dextromicina?) era um remédio americano que era difícil de encontrar aquele remédio. E meu irmão tinha tanta vontade de ficar bom, sabe, e aí depois: “Vai minha irmã na cidade, na farmácia”, deu, escreveu direitinho, “vai lá que você vai encontrar esse remédio”. Aí, eu fui.
P/1 – Onde era, no centro do Rio?R – É. Foi lá onde era o Tabuleiro da Baiana ali, na Carioca, sei lá, era por ali. Eu não conhecia, eu não andava muito na cidade sozinha não. Eu sempre fui muito quieta, sabe? E aí, então, eu fui...
P/1 – Ia como, de bonde?
R – ...de bonde. Ia de bonde. E tinha também umas lotações, igual que tem esses ônibus menores, pois é tinha também. Lotação que as pessoas que estavam com pressa pegavam aquelas lotações, porque também andava com dinheirinho (risos). Aí, ele deu um bolão de dinheiro, sabe, porque era caro aquele remédio. Aí, eu fui lá na farmácia comprar. Menina quando eu cheguei lá, quem veio me atender? Foi meu marido, e namorado antes. Aí, entrei na farmácia e ele veio, e aí, disse assim – eu tô até com a minha boca meio assim, quero beber um pouquinho de água. Tá seca é muito remédio que eu tomo.
P/1 – E o tempo tá seco também.
R – E aí, veio de lá. Qual é o nome dele?
P/1 – Daí eu to entrando, mas sabe quando a pessoa não tem uma prática nenhuma, então, entrei naquela farmácia acanhada e com um medão, porque eu já tinha entrado em três farmácias e nenhuma tinha chegado o remédio dos Estados Unidos. E aí, quando entrei na tal farmácia que o meu irmão escreveu, tinha o remédio. Aí, veio primeiro ele todo com o jaleco branco, pensei que era um doutor, sabe? Ele era todo faceiro. Aí, eu disse: “Moço!”, daí, dei a receita pra ele, “tem esse remédio?”, ele tava, ele era esperto a berça, tava atendendo três fregueses de uma vez. Ele com aquele jaleco, com três papéis no bolso, sabe? E aí, eu dei a minha receita depois, “espera um momentinho, tá?” eu disse: “Ta bom!”. Daqui a pouco ele veio. Aí eu dei, “tem esse remédio?” “Tem, tem, tem”. Era uma nota, sabe, aí ele separou tudo e ainda faltou uma água pra dissolver – eu não me lembro nome do remédio, eu sei que tinha que misturar com a injeção, sei lá – e aí, ele ainda “falta esse”, e eu disse: “É, esse também”, e ele botou. Foi um pacotão de remédio. Aí ele veio, e aí se despediu e tudo, aí eu disse: “Vou pegar a condução” e ele disse – foi tão bonzinho pra mim – que eu tinha que ir na Prefeitura carimbar aquela receita, e eu não sabia nada na cidade. E ele foi legal, daqui a pouco ele tirou o jaleco, vestiu o paletó – menina parecia um doutor – então, por isso eu me lembro dessa casemira risca de giz, sabe, é bonita. Menina, mas fala aí que terno novo bonito! Que só você vendo. Aí, ele pegou e foi comigo lá, onde tava essa rua menina, eu não sabia nada na cidade, e ele conhecia tudo porque trabalhava ali. Aí, foi lá subiu no elevador, carimbou o negócio lá, a receita, e aí veio comigo na farmácia e embrulhou tudo direitinho, me levou no ponto do ônibus, ainda isso era de tarde. Ele disse: “Você aceita tomar um cafezinho?” Eu disse: “Não quero não”, uma vergonha dele. Mas eu tinha simpatizado com ele, era bonitão, sabe? Mas num tava nem pensando em namoro, eu tava preocupada era com o remédio pro meu irmão que tava lá coitadinho doente. Aí, tomei um cafezinho, menina, um cafezinho em pé, mas quente que eu fiquei com a minha língua queimando. E eu toda nervosa, ele tomou upt, em dois goles tomou o café. E eu uma hora pra tomar um pouquinho de café, mas demorei tanto com o café quente. “Não precisa, não precisa ficar com pressa” ele, eu digo “ah,mas eu”, mas que eu tava com vergonha mesmo, sabe? Então, tomei aquele café e fiquei com a língua queimada mesmo. Aí ele pagou e tudo, aí me levou no ponto do bonde e me deu o telefone da farmácia, e eu disse: “Tá certo. Muito obrigada!”. Agradeci, mas ele foi tão...o que me impressionou nele foi a delicadeza, o carinho que ele teve comigo, sabe, ele foi tão gentil numa hora que eu estava tão nervosa, tão preocupada, sabe? Eu disse, “meu Deus do céu”, eu tão sem experiência – ai meu Deus. Fui pra casa, e quando no dia seguinte, quem que telefonou logo, ele. Telefonou pra mim e ficamos namorando, sabe?...
P/1 – Quantos anos a senhora tinha?
R – Eu tinha 20 e... ele tinha 21 anos. Eu era três anos mais velhas do que ele, viu, mas foi assim, sabe? Tinha uns dois meses nós ficamos noivos...
P/1 – Dois meses?
R – ...dois meses. Ele era do Norte e eu era daqui do Rio. A família dele toda era do Norte. Mas ele foi muito legal comigo. Aí, dois meses depois veio uma irmã me conhece aqui no Rio , veio outra, veio outra. E aí, ele ainda tinha uma avó. A avó veio no Rio, costurou um montão de coisa pra mim. Aqui sempre foi uma vida boa, sabe? Aí, depois nós casamos. Com seis meses, nós casamos. Foi logo assim. Aí, que minha mãe tava doente, minha mãe tinha o maior medo que eu sozinha, disse: “Minha filha vai ficar sozinha”, e aquela preocupação, sabe, aí Deus ajudou que eu casei e ela morreu tranqüila. Quando eu estava esperando o meu filho ela estava viva, quando faltavam cinco dias para ele nascer, minha mãe morreu. Eu sei que no dia 31 ela morreu no dia primeiro eu fui pra maternidade, aí ele nasceu. Mas, graças a Deus, nasceu um filho maravilhoso, viu, graças a Deus, ele é muito bom pra mim, viu?P/1 – E como foi esse casamento? Conta um pouquinho?
R – Foi um casamento muito legal, foi simples, né? Foi simples, eu não tinha muitas condições pra fazer um enxoval, não, bonito, né? Mas eu comprei poucas coisas, né, o necessário. Mas fiquei morando ali mesmo, porque a casa tinha um quarto grandão; e aí arrumamos aquele quarto; e ele mobiliou bonito tudo; e eu fiquei morando com a minha mãe ali mesmo, na mesma casa, só que ele arrumou o quarto bem bacana pra gente morar, mas tinha cozinha, tinha tudo bonitinho, sabe? A casa, era uma casa boa mesmo. E aí moravam duas famílias, a metade da outra família, e eu morava com a minha mãe, porque só morava eu e ela ali, os irmãos já tinham tudo casado, viu? E aí fiquei morando ali com eles, depois quando meu filho nasceu, com seis meses que eu morava ali, que minha mãe já tinha morrido, aí meu marido comprou uma casa mas só que eu morava, já pensou, em Botafogo fomos morar, sabe que, em Marechal Hermes, já pensou? Pro apartamento novinho, mas era longe menina. Ele já estava trabalhando na (SulAmérica?), ele trabalhou lá, aí trabalhou lá, ficou um tempão, depois ele saiu quis trabalhar por conta própria, num sabe? E aí, ficamos aquela coisa até ele morrer. Mas (pausa)
P/1 – E Marechal Hermes é um bairro muito diferente de Botafogo. Como é que foi essa mudança?
R – (risos) Acredita que eu nunca tinha ficado numa casa sozinha: morava com a minha mãe e morava aquela outra metade da família. De repente fui morar num apartamento, eu não abria as portas nem janelas. Ele saia de manhã para o trabalho e eu ficava com o meu filho pequenininho, com seis meses sete meses, trancada dentro, parecia que não tinha ninguém, a vizinhança pensava (risos) e eu com o maior medão de ficar. Aí, trancava a casa toda e ficava dentro de casa fazendo o serviço tudo ali. Quando chegava de tarde, chegava quatro e meia cinco horas, ele chegava. Mas era muito longe, sabe, muito longe. Aí eu disse: “Meu Deus do céu, vim morar nessa distância sozinha”. Mas era apartamento próprio, tudo novinho, mas era longe demais, sabe? Eu achava aquilo tão ruim, em ficar sozinha. O dia que chegava o dia de sábado e domingo era uma felicidade, porque ele não trabalhava, ficava perto de mim, saia, passeava, ia pra praia, passeava a berça como se diz no fim de semana. Mas era uma vida boa, sabe? Mas (pausa)...
P/1 – O filho da senhora como é que ele se chama?
R – Ele se chama Sérgio. São três s: Sérgio Sousa Santos.
P/1 – E ele nasceu em que ano?
R – Que ano?
P/1 – Sim
R – Em 1950 (pausa) nasceu...
P/1 – E como foi essa experiência da maternidade?R – Essa experiência foi muito engraçada, porque a minha mãe... ficou com essa sobrinha que criou a gente, mas depois já todos grandinhos, tudo. Aí, tinha uma casa de uma família muito rica, e aí ela foi pra casa dessa família – e também criou eu como filha e eu já estava mocinha – e aí ficou lá. Tinha um médico que já morreu, viu, que ela, quando ela foi pra lá, a minha prima, esse médico era garoto tinha seis meses, e aí ela acabou criando ele. Acredita, que ela criou esse médico, já tá morto. Aí, eu casei e nasceu o meu filho. Esse médico que ela criou que foi o parteiro. O pai dele tinha muito dinheiro e fez uma... um hospital,né, pro filho, porque ele formou em médico e ficou lá – como é que chama? – é maternidade, né, aí ficou lá e eu fui ter o nenê lá. A família toda ficou encantada – o Sérgio era gordinho, bonitinho. E aí, doutor Nelson ficou nosso amigo, porque a Almerinda que criou ele, desde pequenininho e depois se formou e ficou nosso amigo até morrer, viu? Muito legal, um médico bom. Depois que ele existiu, eu não tinha outro médico. Até pelo telefone ele entendia a gente, pegava o telefone e “doutor Nelson, tô precisando...”, ele receitava remédio, comprava, e pronto ficava bom. Não precisava nem de ir no consultório, pelo telefone ele resolvia nosso caso. Era médico da família mesmo, mas foi muito legal esse médico. Foi pena ele morrer. Mas minha prima que criou ele, ela criou meus irmão todos, depois ela ficou velhinha e Deus levou também, mas ficou a lembrança, né? 
P/1 – E aí o Sérgio foi crescendo?
R – Foi crescendo, foi crescendo, e depois estudando, e se formou, porque ele ta formado. Tinha um colégio Batista, quer dizer lá no Rio. Aí, ele se formou em advogado; depois ele ficou trabalhando; veio aqui pra São Paulo; conheceu a paulista; casou com a paulista (risos); e aí, de vez em quando ele vai lá no Rio passa uns dias comigo, agora mesmo ele foi e fez essa surpresa que ele ta fazendo agora de me trazer aqui de fazer essa surpresa pra mim, eu tô aqui cheia de vergonha (risos)...
P/1 – Magina!
R – ...ai meu Deus do céu – “eu vou te levar lá  e você vai ficar contente, vai ficar contente”, eu disse “tá, olha que eu sou muito envergonhada” “você vai gostar, você vai gostar” e, realmente, eu to gostando, viu?
P/1 – Que bom? 
R – Eh...
P/1 – Vamos voltar um pouquinho, mais para a época do Sérgio criança, lá em Marechal Hermes.
R – hummm...
P/1 – Ele era filho único?!
R – É, mas lá eu tinha duas vizinhas. Eu morava no apartamento do meio e tinha uma do lado direito e outra do lado esquerdo. Ela que já sabia que eu era medrosa, eu ficava trancada, né? E aí, ela batia na porta, só vendo, abria aporta, porque eu ficava trancada mesmo. E depois chegou, veio a minha sogra pro Rio, ficou um tempo comigo, veio uma sobrinha que era neta dela que ela criou, e aí ficou morando comigo um tempão, sabe? Mas isso, depois tenho muita história pra contar (risos). Eu sei que eu fui pro Norte passear, viu, meu marido disse: “Eu vou te levar lá”, foi Recife. Não. Minha sogra morava na Paraíba. Aí, fui pra Paraíba passei um tempo e depois eu vim grávida do Sérgio de lá, não sabe? 
P/1 – E como que era essa viagem nessa época?
R – Não___ olha meu marido era muito furão, sabe, esperto. Ele que trabalhava na SulAmérica e ganhava um dinheiro pouco, né, pra comprar passagem de avião e tudo. Sabe que ele foi lá procurar o (Eduardo Gold?) que era da aviação, parece. E aí, ele conseguiu duas passagens de graça, ele era fogo! “Não, nós vamos de avião”. Aí, conseguiu mesmo, num sabe, nós fomos de avião lá pra Paraíba, né, fomos pra Recife e de Recife nós pegamos um táxi pra Paraíba. E...
P/1 – E nessa época a viagem de avião era um negócio chique.
R – Era! Não era todo mundo que podia comprar não, menina, e nós conseguimos, né? Nós conseguimos, porque ele deu pra gente, também, só deu só ida! Aí, quando foi a volta, o meu cunhado tinha uma grana e ele queria vir pro Rio. Aí, veio ele, os dois irmão e eu. E aí, eu tava já grávida. Eu num sabia, engraçado que a gente foi passear numa praia – é que a praia de lá é linda, você conhece? A praia de Tambaú?  É linda! – fomos passear eu e minha cunhada, compramos peixe, peixinho ainda pulando, sabe, e aquela jangada com os peixes pulando, só vendo! Aí, quando ele trouxe aquele pacotinho de peixe pulando e pulando eu agarrei aquele pacotinho de peixe e fiquei cheirando aquele cheiro de peixe, eu tava grávida e não sabia. E eu sentindo aquele cheiro e adorando e vendo agarrada com o pacote de peixe não tava fedendo não, sabe? (risos) Aí, quando chegou eu disse “puxa, mas que peixe mais cheiroso” (risos), e eu agarrada com o pacote de peixe. Aí, a minha sogra disse “Ah, eu já tô vendo tudo, já to vendo tudo. Você tá esperando nenê”. Aí quando chegou na  época mesmo de viajar e não veio o negócio eu tava grávida sem saber. Aí, ele disse “não precisa se preocupar” disse minha sogra falou assim pro filho dela que era meu marido “olha, manda tanto de volta isso, de não sei que lá, de renda , de não sei o que lá. Que o enxoval vai chegar tudo prontinho!”. Não deu outra, ele mandou e veio o enxoval completo, até os travesseirinhos veio. Cada coisa mais linda, só vendo! O enxoval foi lindo mesmo, todo bordado a mão, sabe, foi muito bonito. Aí, mandou o enxoval todinho, quando chegou, veio de avião, aquele pacote de enxoval tão bonito, aí eu fiquei feliz da vida, sabe, tinha uma vizinha lá que quando vi aquelas roupinhas secando, disse: “Meu Deus! Que camisolinha mais linda! Quem foi que fez isso”, eu disse: “Foi tudo a minha sogra fez, foi tudo bordado a mão lá no Norte, eu não fiz...eu não dei um ponto”, eu não sabia fazer nada, não sabia fazer nada de bordado, aí veio tudo prontinho de lá, foi muito legal mesmo. Ela foi muito boa pra mim, sabe? Depois...
P/1 – Depois ela veio passar uma temporada no Rio?
R – ...Eh depois, e depois ela foi madrinha do meu... ela era avó e era madrinha dele. Mas já era idosa, né, aí logo depois ela morreu, ele ficou sem madrinha pouco tempo, logo morreu. Mas ela batizou ele e foi uma festa bonita, foi legal, sabe? E ela ficou um tempo com ele: morando comigo, passando um tempo aqui, sabe, ela tinha a casa dela lá na Paraíba. E ela criou aquela neta e já tava mocinha – ainda é viva a neta dela de vez em quando às vezes telefona pra mim lá da Paraíba, ela liga, que agora morreu a mãe dela também, que era minha cunhada, ela morreu aqui no Rio, lá no Rio. Ela ainda tem o marido dela, tem os filhos, mas lá ainda lá... mas é isso, sabe, a vida –  E o que mais?   
P/1 – E aí o Sérgio de pequeno ele era bom aluno, ele era (pintão?), como ele era de criança?
R – O Sérgio, o Sérgio foi sempre muito legal, porque ele era bonitão, agora ele já gordão assim, ele relaxou, mas ele era bonitão. E ele tinha, de primeiro, ele tinha uma namorada que ele gostava muito, mas ele tava recém formado, sabe, ele ainda não tinha emprego, não tinha nada. Arrumou uma namorada firme e a família queria que queria que ele casasse, “não tem ainda condições de casar, como é que eu vou sustentar a minha esposa, se eu ainda não tenho nem um emprego”...
P/1 – O que ele estudou na faculdade?
R – Ele é advogado. Mas ele não exerce a profissão, ele se formou por se formar, ele_______, ele trabalhava com negócio de exportação numa empresa e ficou trabalhando até casar ficou nessa empresa trabalhando de exportação das coisas aqui em São Paulo mesmo (pausa) e depois, antes lá no Rio ele trabalhava com negócio de – como é que era? – uma firma, era um negócio de... – agora eu não tô lembrando o nome da empresa que ele trabalhou lá – mas ele trabalhou um tempão lá e depois que ele veio aqui do Rio. Ele arrumou um emprego numa empresa aqui e ficou aqui em São Paulo trabalhando nessa empresa. Mas ele não quis ser advogado não, ele se formou pra ter um diploma, mas não, ele diz que pra ser advogado tem que ser muito safado e “eu não sou” (risos). Então, não dá. Aí...
P/1 – E ele sempre morando com a senhora? 
R – Eh, até... P/1 – Nesse apartamento lá em Marechal Hermes?
R -- ...até ele arranjar esse.... Até ele antes de vir pra aqui ele ficou morando comigo, acho que ele morou mais de trinta anos comigo, sempre pertinho de mim! Ele já tava um rapaz já, e falou ________, já tava namorando com essa moça que ele tava namorando firme, que os pais queriam que ele casasse e ele não queria casar, aí ele acabou desmanchando o namoro, gostava a berça da moça, mas ele: “Como é que eu posso? Eu vou desmanchar” “Sabe o que eu vou fazer”, chamou o pai dele e “sabe o que eu vou fazer, meu pai, eu vou desmanchar o casamento mas eu vou comprar uma moto”. Era uma morte pro meu marido, que ele tinha medo de moto. Mas ele disse: “Eu vou comprar uma moto”. Ele comprou uma moto, novinha! E o meu marido levou ele lá no, perto do jóquei tinha uma estrada um pedaço que não tinha movimento, e ele ficou treinando ali. Treinou, treinou, treinou até comprar a moto. Depois comprou uma, duas, na terceira moto era uma grandona, era uma moto grande, bonita! Mas ele passeava, ele se divertiu muito lá no Rio, sabe? Depois ele veio pra aqui, logo casou e tá aí. Só não tenho um netinho, porque a minha nora também trabalha e não quis saber de filho, mas... ela gosta muito de viajar. Eles também viajam, ele também gosta de viajar. Quer dizer que então “ter filho pra deixar com a empregada não dá, deixar entregue pro outros não dá, não posso ficar com meus filhos criando comigo então eu não quero filho”, então, ta com 40 e poucos anos, já tá passando da idade também, né, de ter filho.
P/1 – Dona (Chrisantema?), o Sérgio disse que o seu marido fazia uns negócios assim mirabolantes, que tem uma história dele trocar uma geladeira por um...
R – Isso. Ele era ótimo, mas ele era maluquinho, ele fazia cada coisa, menina! Cada coisa, só vendo! Não era fácil não. Uma vez, ele tinha comprado uma geladeira, sabe, uma geladeira bonita, grande! Pra você vê que coisa, ele era novo, com 20 anos 21 anos. E aí, (risos) o que que ele fez? Ele pegou e trocou a geladeira por um carro velho, todo ruim! Menina, quando eu vi o carro ele disse “eu fiz um (negoção?)” “eu comprei um carro” (risos). O carro não valia nada. Aí, ele levou (risos)... eu vou beber água 
P/1 – Pode beber.
R – Fico com a garganta seca, fica ruim (risos).
FINAL DE FITA 
P/1 –  A senhora tava contando como foi a compra do carro.
R – Pois é, eu estava feliz da minha vida com a geladeira, né, aí (risos) daqui a pouco ele chega todo contente que tinha comprado um carro. Menina pegou a geladeira e esvaziou a geladeira – olha que coisa de maluco – levou a geladeira, o homem levou a geladeira, levou tudo, eu disse: “Mas que coisa! Eu com o filho pequeno”, como é que ia guardar as coisas, o leite e tudo. Mas fiz uma loucura. Pior é que ele comprou um carro que não prestava, tava sempre enguiçado, ele fez dívida em todas as esquinas porque concertava uma coisa quebrava outra, concertava outra quebrava outra e ficava aqueles mecânicos todos concertando o carro, fazendo dívida. Mas foi, enquanto ele não se livrou daquele carro ele não teve sossego (risos). E depois, ele vivia ficava reclamando “Ah, minha geladeira; Ah, minha geladeira”. Até que ele comprou, mas demorou, Oh! Foi, mas fazia cada maluquice, só vendo! Ele era muito bonzinho, viu, mas era meio maluco. Não sabia assim, não pensava, sabe, só vendo! Mas ele era muito legal, muito carinhoso, muito bonzinho. Mas ele era muito jovem, não tinha, sei lá! Não pensava, sabe? Mas ele era sempre muito, sinto saudade dele, ele era muito bom pra mim, mas fazia muita bobagem. Teve uma vez, olha as outras coisas, ele saiu pra comprar não sei o que, não sei se era um lanche, eu sei que era de tarde aí disse: “Olha vou comprar num sei o que, fica esperando um pouco”. Fiquei esperando, demorou, demorou, mas demorou, já tava anoitecendo, quando daqui a pouco sabe com que que ele chega em casa? Com uma tartaruga viva, desse tamanho, viva! A bichinha com as pernas mexendo. Eu disse: “Mas pra que isso? Dentro do apartamento?” menina! (risos) – é sério! (risos). Eu disse: “E agora esse bicho vivo aí como é que vai ser? Ele arranjou uma bacia (risos) uma bacia grande, sabe assim, pra por água (risos) e por a tartaruga assim dentro daquela bacia com água. A noite inteira (risos) aquela tartaruga se mexendo muito, muito, muito (risos) a gente não dormiu com o barulho da tartaruga se mexendo a noite inteira (risos) e nem comida agente não sabia o que é que ia dar pra ela (risos) – coitada da tartaruga, a noite inteira se mexendo, se mexendo. No dia seguinte, eu disse: “E agora, o que é que tu vai fazer com essa tartaruga, aqui?” “Eu vou levar pro restaurante pra fazer sopa, sei lá”. Aí, levou a tartaruga de novo. Mas cada maluquice que ele fazia, dessa vez da tartaruga! “Isso mesmo vou trazer ela” aquela casca que ela tem, “pra que que eu quero aquilo” (risos) “eu não quero não, nem saber de sopa eu não quero. Não, eu não quero nem saber que gosto é que tem essa tartaruga, “eu não quero não”. Aí, ele levou a tartaruga, deu não sei pra quem. Cada maluquice que ele fazia, só vendo! Essa tartaruga, nunca me esqueço. Foi um abacaxi mesmo, sabe? Puxa aquela bicha viva dentro do banheiro...fazendo barulho, as patinhas dentro d’água...Ai, meu Deus!
P/1 – E Dona (Chrisantema?), depois de Marechal Hermes vocês mudaram pra onde?
R – Olha de Marechal Hermes... espera aí... de Marechal Hermes, eu fui, eu vim pra aqui. Tinha um cunhado que tava numa situação muito boa, que morava em Santos, o irmão dele, ele tava muito bem de situação, sabe? Então, convidou o meu marido pra vir pra aqui, pra Santos, né? Aí, nós viemos. Passamos um tempo em Santos, morado em Santos, passamos aqui um tempo. Ele tinha uma casa muito bonito, um apartamento. Aí, ele cedeu o apartamento pra gente morar, a gente não pagava aluguel não...
P/1 – Isso era antes do Sérgio nascer?
R – Não. O Sérgio já estava com quatro ou cinco anos, já era garotinho...
P/1 – Então, moravam os três?
R – Eh... Aí, quando viemos morar em Santos, ele já tava grandinho. Eu até me lembro que compramos, tava muito frio! Ele comprou um conjuntinho de lã, bonitinho, com a calcinha e o blusão, ele era padrinho do Sérgio. E aí ficamos morando no apartamento dele, fiquei um tempão lá. Aí depois, fiquei, fiquei, aí depois, ele ainda era funcionário da SulAmérica, o meu marido, ainda tava trabalhando lá. Ele pediu uma licença e nós fomos pra lá. Mas aí depois, ele disse: “Sabe de uma coisa aqui é muito parado”. Lá em Santos é de temporada aquilo ali, quando chega o tempo das férias fica tudo... Aí ele disse: “Eu vou voltar pro Rio. Você quer voltar?”, eu disse: “Ah, eu quero”. Aí, nós voltamos pro Rio. Ficamos de procurar um apartamento lá, viu? Aí...
P/1 – Outro apartamento?
R – ...é, Eh. Ele comprou um sítio, depois comprou outro sítio. Ultimamente, ele tinha comprado uma casa em Teresópolis, uma casa boa, sabe? Aí, o meu filho vendeu a casa a pouco tempo, uma casa tão bonitinha que tinha lá em Teresópolis. Mas depois que meu marido morreu, o Sérgio disse: “O que é que eu vou fazer morando aqui em São Paulo?”, eu lá sozinha não ia pra casa também, como é que eu ia pra uma casa sozinha, né, até Teresópolis, um lugar. E ficava um pouquinho distante do centro e tinha que ir de carro mesmo, tinha que pegar a condução. Todo mundo que tinha casa li tinha carro, e o meu marido também tinha carro. Aí, nós íamos pro sítio de carro. Mas depois ele morreu, e aí o Sérgio ia daqui de São Paulo pra lá, ia de carro. Aí nós íamos pro sítio, mas ficava aquela casa fechada um tempão se estragando. Ele disse: “Sabe de uma coisa, eu vou vender a casa”, a casa bonitinha, e ele vendeu a casa – não  tem muito tempo não. A casa bonitinha, ele vendeu. Mas é assim, sabe?P/1 – Mas quando voltaram de Santos, foram morar aonde? 
R – (pausa)
P/1 – No Rio?
R – Fui morar na Tijuca já...
P/1 – Ah, na Tijuca já?!
R – ...fui morar na Tijuca já (pausa). Fui morar na Tijuca. Depois da Tijuca fomos morar no Copacabana, na São Ferreira, viu? Em duas ruas de Copacabana que nós moramos, depois ele comprou o apartamento que nós estamos morando, é próprio. Aí eles compraram. E depois aquele que moramos em Copacabana era tão legal. Toda noitinha ele sentava nas mesinhas, ele tomava, ele gostava de cerveja. Tomava aquela cervejinha, ficava ali e tudo mais e dizia: “A gente vai pra Tijuca ficar distante da praia, mas a casa é própria, aqui nós pagamos aluguel”. Aí, ficamos numa pena! Alegre e triste porque ia sair de Copacabana pra ir pra Tijuca. Mas a casa era nossa, né, aí era o jeito, uma coisa não pode... Aí, fomos pra Tijuca e estamos até hoje lá. O apartamento lá é muito bom, grande, sabe? Só fica um pouquinho distante da praia. Mas agora tem o metrô, vai inaugurar daqui a pouco, dia 17 de dezembro vão inaugurar o metrô que vai direto pra Ipanema. Que nós moramos ali na Tijuca, é um pulo...
P/1 – E a senhora gosta de praia? 
R – Agora eu não tenho ido mais...
P/1 – Ia muito à praia quando jovem?
R – ...eu ia muito na praia, eu ia muito mesmo, mas agora não. Até durante a semana eu ia, sabe, mas agora depois que eu envelheci é tão difícil, tem tanto tempo que eu não vou na praia! Mas eu ia muito, sabe, quando era nova, agora não. Agora não tô mais indo não...
P/1 – E ele gostava de praia também? R – Ele adorava.
P/1 – Vocês lembram assim de alguma história de praia?
R – Gostava. Tinha vezes que ele ficava preto, preto, preto! Se queimava, ficava uma cor bonita, ____________começou a ficar preto (risos). Ele ficava um tempão, o Sérgio ficava preto de praia. Meu marido também ficava queimado, só vendo! Mas é isso.
P/1 – Tem uma outra história aqui, Dona (Chrisantema?), que é a história do Circuito da Gávea.
R – (risos) O Sérgio contou? Isso era do tempo que os meus irmãos eram rapazes e eles gostavam muito de, tinha aquela corrida de moto, antigamente era baratinha de corrida, né, que agora é Fórmula 1, agora é tão diferente, né? Aí, eles iam pra lá assistir as corridas, sabe, mas aí eu era menina, e eu ia assistir, eu gostava, mas agora não acho mais graça em nada. Mas naquela época era engraçado que ficava aquela estrada da Gávea, ficavam aquelas montanhas assim e as pessoas ficam sentadas ali com as sombrinhas que iam levar merenda, ficavam ali esperando a corrida. Era bonita, sabe, eu adorava, gostava de ver. Mas meus irmãos também todos garotos, depois foram crescendo. Mas agora já está diferente, agora acabou, agora já ta tudo diferente mesmo, já não é mais aquela baratinha – engraçada, né? Engraçado... correr de baratinha (risos) – mas agora eu nem me lembro. Tinha os nomes dos corredores, tinha uma francesa que corria lá, todo mundo só queria ver a francesa correr. Era legal...
P/1 – Como que era? Era na rua, né?
R – Era...
P/1 – As pessoas iam pra rua assistir a corrida?
R – Tinha o Circuito da Gávea, ia pela avenida Niemayer, era um circuito imenso, sabe? Ficava gente de todo lugar ali pra assistir, e aonde passava a baratinha as famílias todas ali que moravam por ali mesmo, né, ficavam assistindo a corrida, com a sobrinha ali. Era legal.
P/1 – E esses sete irmãos, eles não tiveram filhos?
R – Tiveram. Três morreram, né, novos. E teve um que tinha sobrinho – e tem dois sobrinhos rapazes – também casado já divorciado. Até que não tenho muita, assim convivência. Ele casou tudo, depois largou, depois divorciou, cada um ficou no seu canto, não procurou mais, também fiquei na minha, sabe como é que é, né? Mas...depois eu casei também. Até que muitos sobrinhos, não tenho muito sobrinho não, a família minha é pequenininha, é muito pequena. Porque eu sozinha com esse filho, ele não tem filho, quer dizer que a família não aumentou, os filhos todos morreram.
P/1 – E como foi quando o Sérgio resolveu sair de casa e mudar de cidade?
R – Ah, foi um bocado triste, né? Porque ele ficou sempre com a gente ali, né, e depois não, antes os colegas todos moravam sozinhos e ele puxa “meu pai eu sou o único homem que ta aqui morando com vocês, eu vou”, ele queria a liberdade dele, porque sabe como é que é morar com o pai e com a mãe tinha eu respeitar, né? E aí, meu marido falava: “Tudo bem, você pode namorar lá fora, aqui em casa não”. E aí, então, ele disse: “Vou arranjar um apartamento lá em Copacabana”, e ele arranjou um apartamento e foi morar sozinho, mas foi pouco tempo ele morou muitos anos comigo. De 30 anos que ele tinha, já tava um homão velho. Aí depois, ele ficou morando lá por um tempo, aí mobiliou tudo, geladeira tudo e ficou morando lá. Aí depois, ele teve que ir pra São Paulo, aí logo ele casou. Isso já tem 20 anos ou mais de casado. Ele já ta aqui um bom tempo aqui em São Paulo, nem sei quantos anos ele está aqui. Quer dizer que agora já está acostumado aqui. Pois é (pausa) mas eu não sei, eu gostaria de ter um netinho assim, sabe? Acho que não tem que ser, né? Porque quando a gente não tem que ter, não adianta reza muito não que quando deus não dá, ele sabe o que tá fazendo. A gente, não adianta a gente ficar fazendo promessa que às vezes não dá certo, é porque não tem que ser, a gente tem que se conformar com tudo que Deus dá. Mas é isso.
P/1 – Mas depois que o seu Francisco morreu, como que a senhora fez para passar o tempo assim? Que atividades?
R – Eu não tenho muita assim, eu sou dona de casa. Até tenho uma amiga que desde os tempos de mocinha ela já tem 80 e poucos anos a gente ainda se encontra. Todo fim de semana ela me telefona. Ela mora no Flamengo e eu moro na Tijuca. Quando chega no sábado ela telefona e a gente se encontra, ela pega o metrô lá no Flamengo, o metrô passa ali perto de mim, aí eu pego o metrô, tem vez que a gente pega o mesmo, no mesmo horário, pega assim e vamos pra São Conrado, vamos lanchar no shopping, ficamos lá passeando ali, dando os nossos passeios, vendo vitrine. Depois quando é as cinco e meia por aí a gente pega direto pro metrô, eu salto no meu ponto e ela segue. E é assim que a gente faz...
P/1 – Como é que ela se chama?
R – Ela se chama Eleonora. Ela é minha amiga desde mocinha. Eu trabalhei com ela, eu trabalhei no Instituto Bioquímico, laboratório. Eu trabalhei uns oito anos lá, ela trabalhou mais um pouco. Ela casou, eu casei e continuou a amizade , somos amigas até hoje. Ela tem uma filha que é da Cultura Inglesa, professora de Inglês, e tem outra que é engenheira com negócio de eletricidade – eu não sei como é que é o negócio – eu sei que ela trabalha numa empresa também e tem o filho também que é engenheiro, mas ele tá em Angra. Ele tá uma situação boa, viu, trabalha naquelas coisas lá – não sei nem como é que chama aquilo lá...
P/1 – Usina.
R – ...na usina, ele que mexe com aqueles negócios lá. Tem uma casa, diz que é muito bonita. Mas a gente é amiga desde aquela época, desde o tempo de mocinha...
P/1 – Dona (Chrisantema?), a senhora não contou essa história do Instituto Bioquímico. Foi seu primeiro trabalho?
R – É. Eu trabalhava no laboratório. Eu trabalhei lá quase oito anos, viu? E ela também trabalhava comigo...
P/1 – O que a senhora fazia lá?
R – Lá, eu trabalhei em vários lugares lá: primeiro, comecei eu era embalando, enchendo caixinha de ampola, rotulando ampolas; depois, eu fui transferida pro sétimo andar, ficava na distribuição de remédios, num sabe? Eu sei dizer que tinha uns remédio lá chamado (Vivax?), que eu não sei se ainda existe esse remédio, viu? E um dia, tinham umas meninas lá com aqueles cabelões grandes e tava contaminando tanto remédio, sabe? E eu tinha o cabelão também grande, tinha um cuidado assim de muito cuidado. E aí, um dia eles ficaram lá, sei que controlou lá, mas eu não tava sabendo de nada não, tava pensando que fosse eu, sabe, eu tinha um cuidado eu não passava o dedinho por dentro do vidrinho do remédio, com um cuidado. E aí, um dia eu desci na hora do almoço e tinha um médico lá, ele bateu nas minhas costas e falou: “Parabéns”, eu disse: “Por que?” “Você que ganhou em primeiro lugar, você que menos contaminou o vidro”, eu disse: “Não é possível!” “É. Você é a que menos contaminou o remédio” “Ta vendo, eu tive cuidado” (risos). Mas eu trabalhei lá, eu era feliz ali, naquela época. Também era mocinha, solteira ainda, né? Nós ficamos trabalhando esse tempo todo, depois eu ainda sai primeiro. Essa Eleonora ela ainda ficou mais tempo, ela trabalhou comigo mas depois ela foi transferida ficou na mesa do telefone, ficou com aqueles aparelhos, ficou de telefonista no escritório lá. Mas ela ficou mais tempo, depois ela saiu também, casou o marido ela queria continuar trabalhando mas o marido disse: “Não. Eu te dou o dinheiro, mas você vai ficar em casa” (risos). Ela teve três filhos, né? Eu só tive um. Ela teve três, mas não trabalhou mais. Mas até hoje ela reclama, ela diz: “Puxa, podia ta com meu salário, ta recebendo meu dinheiro, mas ele não sei o que” (risos). Mas ele, ciúmes, né? Agora ela ta velha, né, naquela época ela era novinha, bonitinha e ele não quis que ela continuasse trabalhando. Agora quando eu venho pra aqui ela fala: “não demora não”.
P/1 – E por que a senhora saiu do Instituto Biológico?
R – Bioquímico.
P/1 – Bioquímico.
R – Não, sai porque o marido também não queria que eu ficasse trabalhando. É que antigamente tinha essa bobagem, hoje em dia não, toda moça trabalha, né, mas naquela época, casar tinha que fica ali em casa pra cuidar do marido, cuidar dos filhos. Era aquela bobagem. Hoje em dia não, a moça ajuda o marido – tão legal – mas naquela época o cara era mais...não gostava, né? Sei lá. Agora não, tá tão diferente, né? 
P/1 – A senhora pediu demissão por que casou?
R – É. O patrão veio e falou: “Por que você vai sair? Tá ganhando pouco? Ele queria aumentar! Disse: “Não. É porque eu quero sair mesmo”, viu? Preciso sair, também tinha minha mãe ainda doente, sabe, eu não podia ir trabalhar e ter um marido e ter minha mãe, são todos problemas, eu disse “não, vou ficar em casa mesmo” e aí, foi bom (risos).
P/1 – E aí, a senhora nunca mais trabalhou fora?
R – Não. Nunca mais. Fiquei em casa com o marido...e pronto. E tô aqui agora desse jeito. Com essa idade toda, vai custando (risos).
P/1 – E a senhora, vem muito a São Paulo visitar o Sérgio?
R – Venho muito. Todo ano eu venho, porque no Natal quase sempre eu venho passar. Agora essa vez eu vim por causa dos exames que eu vim fazer, eu tive que fazer exame, é que eu fiz operação da carótida aqui, e agora passou três meses e eu tive que vir, o médico disse que a cada três meses, ver como é que está. E aí, tá tudo bem, graças a Deus. Por isso é que o Sérgio me fez essa surpresa aqui, “não, você vai lá, você vai gostar, porque não sei o que”, eu tô gostando mesmo (risos). Você não repara nas bobagens que eu tô falando aí.
P/1 – Imagina!
R – Falando tudo errado (risos). Quero beber mais um pouquinho de água.
P/1 – Dona (Chrisantema?), de onde era a família de Portugal? A senhora não falou. Que lugar que era?
R – A minha mãe era um lugar que chamava Paradinha, mas eu não conheço. Eu tiha umas primas que escreviam pra mim, sabe, mas acho que já morreram, são velhas já. E ela tinha uma irmã, e escrevia tudo, e tinha essa prima que mandou vir pra criar a gente. E a minha prima que se correspondia muito, que mandava correspondência, e mandava muita coisa pra ela, e tudo. Tinha uma prima que tinha uma situação boa lá e tinham outras que eram mais pobres. Mas eu não conheci, só por fotografia, sabe, nunca. Ainda tenho alguns parentes lá que eu não conheço, viu, eu não conheço não. Mas tinha uma lá numa situação boa lá, morreu a prima e o marido e tinha um filho que quando o meu marido ainda era vivo, um dia ele disse: “eles tem telefone? Eu vou descobrir o telefone e vamos ligar pra lá”. Aí, um dia procurou, procurou até que conseguiu encontrar o telefone de lá de Lisboa...
P/1 – Ah, sim de Lisboa?
R – ...de Lisboa. Aí, ele pegou e ligou lá pra Lisboa E aí, tenho um primo chamado Evaristo, num sabe? Procurando, chamando Evaristo, Evaristo, aí a prima atendeu e foi aquela alegria, porque eu nunca tinha falado com ela, né? “Poxa, eu tô aqui no Brasil” “Quando é que você vem aqui? Quando é que você vem aqui?”, eu disse: “Qualquer dia, qualquer dia”, e nunca que eu tive a oportunidade. Depois o Sérgio foi lá na Europa e foi conhecer. E o hotel ficava pertinho da residência onde mora minha prima, foi uma coincidência. Ela queria que o Sérgio fosse se hospedar na casa dela, mas ele tava pagando o hotel, pagou um dinherão e agora ia pra lá. Foi lá almoçou, jantou lá na casa das primas, num sabe, mas depois ia pro hotel, “puxa, agora eu paguei e vou pra lá”. Ia lá fazia a visita e voltava pro hotel. Depois, pelo telefone foi só uma vez, viu? E aí, “mãe telefona, telefona” e ficou naquela coisa até hoje. Já tem um tempão, viu, que eu vou telefonar, eu vou e passa o tempo. Eu também não conheço ninguém, a gente fica assim, só mesmo por fotografia assim. O Sérgio conheceu, ele foi lá, mas eu não conheço os meus parentes de lá não...
P/1 – Dona (Chrisantema?), tem alguma coisa que você gostaria de falar que a gente não perguntou? 
R – Eh...
P/1 – Uma história que a senhora lembre e queira deixar registrada?
R – (risos) Ai meu Deus do céu! Eu posso contar uma piada?
P/1 – Claro!
R – Não sei se eu vou me lembrar. Tu sabe por que é que um homem bem sério, o que que faz ele virar a cabeça?
P/1 – O que?
R – (pausa) fala.
P/1 – Mulher?
R – Todo mundo pensa isso. É o pescoço! 
P/1 – (risos)
R – Faz ele virar a cabeça (risos). Não é? (risos).
P/1 – (risos)
R – Eu fui no meu médico, cardiologista, e tava a sala cheia de gente lá esperando desocupar a minha vez, né, pra eu sair. Ele tava tão tenso, tão nervoso com tanta gente pra ele atender, e aí quando chegou na hora dele me dar a receita e tudo. Ele tava sério, sabe? Aí eu disse assim, eu perguntei: “Doutor Maurício, o que é que faz o homem bem sério virar a cabeça?” Ele ficou pensando assim, ele não se lembrava, “sabe o que é doutor Maurício, é o pescoço”, mas menina, ele deu uma risada tão alta, sabe, mas aquilo desopilou o fígado dele. É que ele estava muito nervoso. Mas ele deu uma risada, sabe, que lá fora tava cheio de gente e ficou tudo assim espantado com aquela risada tão alta que ele deu. “Nossa Senhora, acho que eu fiz bem” (risos), mas ele dava uma risada tão grande (risos). E todo mundo pensa que são as mulheres,né? Não, é o pescoço (risos). É uma história, né? (risos).
P/1 – O que  a senhora achou de dar essa entrevista?
R – Eu não ouvi.
P/1 – O que a senhora achou de dar essa entrevista?
R – Adorei (risos) adorei. Só que o Sérgio me pegou de surpresa, na hora a gente não lembra, sabe, das coisas. Se tivesse me falado antes eu tinha procurado mais coisa, é que agora a gente não lembra de muita coisa do passado, é que é muita coisa. Tem muita história, sabe, que no momento, agora foi uma surpresa assim.  Que o Sérgio hoje ficou tão contente com esse exame meu. A gente tava pensando, que ia mostrar os exames e fosse dar do outro lado, porque foi do lado direito, eu disse “meu Deus do céu, se tiver outro negócio lá do lado esquerdo o que é que vamos fazer?”, outra operação, estava com o maior medo. Mas, graças a Deus, foi bom que eu o médico disse que ta tudo legal, eu disse: “ Então, vamos comemorar” e ele falou que ia ser surpresa, e eu não sabia o que era. É isso, agora eu estou satisfeita, viu? Vocês são legais, viu? São muito legais. Tomara que tenha dado certo, que esteja legal (risos) que eu to...
P/1 – Ta ótimo. Muito obrigada!
R – De nada (risos) tomara que fique legal

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