Busca avançada



Criar

História

Cheguei onde eu sempre busquei

História de: Janine Rover de Mello
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 01/11/2014

Sinopse

Janine é de Vitória, Espírito Santo. Cursou Nutrição e hoje trabalha num hospital atendendo pacientes com câncer. Antes disso fez intercâmbio duas vezes nos Estados Unidos e um mochilão pela Europa.

Tags

História completa

Meu nome é Janine Rover de Mello, nasci em Vitória, Espírito Santo, no dia 13 de fevereiro de 1987. Meu pai é Luiz Gualter de Mello, ele nasceu em Vitória também, Espírito Santo, nasceu no dia 23 de setembro. E a minha mãe é Margarete Rover de Mello, ela nasceu em Santa Teresa, interior do estado de Espírito Santo, no dia 15 de março. A minha mãe é aposentada, ela foi gerente de banco por muito tempo, um banco do Estado. E o meu pai tem uma empresa, uma loja de material de construção.

Família - Meus pais me deixaram viver, me podaram quando tinha que podar. Minha mãe é minha parceira mesmo, uma amiga grande. E o meu pai também tá sempre junto, apoiando nas decisões, mas é pai, então tem aquela coisa diferente do que eu tenho com a minha mãe. Eu tenho um irmão mais novo, fez 24 agora, Ricardo.

Eu moro na mesma casa onde passei a infância até hoje, nunca mudei. Só mudei quando eu fui morar fora, pra fazer intercâmbio. É um bairro bem gostoso, tudo pertinho, então a pé supermercado, padaria. Agora, lógico, com o passar dos anos, assim, não vê mais criança brincando na rua. Mas minha infância foi jogando bola com os amigos de rua, brincando de carrinho, não tinha essa coisa toda da violência, então dava pra curtir muito mais. Hoje ainda vê, mas muito pouco. Mas continua sendo um bairro gostoso pra se morar, tudo pertinho. Eu moro em cima dos meus avôs. É um apartamento, então no primeiro andar são meus avôs; no segundo, a gente, lá em casa; e no terceiro era a minha tia. Então moramos em família, aquela grande família total. De almoço de domingo, todo mundo na avó embaixo. Então eu fui privilegiada de morar com os meus avôs perto, porque ter uma segunda mãe que não briga tanto.

Infância no interior- A minha mãe é do interior, de Santa Teresa. E a minha avó morava lá também, nesse interior, então tem muito cafezal. E a gente viajava muito pra lá final de semana, é friozinho, então a gente curtia o frio. Eu tenho 16 primos, então assim, minha recordação de infância é descendo no meio do cafezal, segurando café, meu tio gritando: “Não, mas tá estragando o pé, tá tirando o café”. E eu brincava muito lá nesse interior. E a gente tem um sítio em Aracruz, que é outro interior do estado. Então ia muito pra lá também, com primos já de terceiro grau, mas que a gente considera. Então é cavalo, é brincando no pasto mesmo. Tem essa coisa muito de interior na minha vida.

Nala - Eu não era tão pequena mais, mas foi quando eu ganhei minha cachorra, uma cachorrinha que eu tinha assim. E eu e meu irmão, briga de irmão, né, minha mãe falou que toda vez que ela vê um casal que tem filho que briga, assim, normal, mas ela: “Compra um cachorro”. Que faz toda a diferença. E foi com essa cachorra que a gente parou mesmo e uniu muito mais a família. Porque um dava comida, o outro tinha que ajudar no banho, e foi muito legal. Mas essa história que eu lembro, eu não era tão pequena, eu tinha 15, então eu era já adolescente. Eu sempre quis ter uma cachorra, um cachorro. Sempre quis, minha mãe nunca deixou. E aí meus pais nunca deixaram. Eu tinha um amigo na escola que vendia hamster, eu falei: “Bom, se eu não posso ter um cachorro, um hamster eu posso comprar”. Eu comprei as comidinhas, a gaiola, tudo, e estava esperando o hamster nascer. Eu cheguei a casa com tudo, e a minha mãe: “O que é isso?”. Eu falei: “Ah, vou ter um hamster”. Ela: “Deus que me livre. Não vai ter, não, hamster aqui”. Eu falei: “Bom, tudo bem”. Passou acho que dois meses, ninguém me contou nada, eu cheguei a casa e estava a minha cachorra com uma fita vermelha na sala, aí eles me contaram que era pra mim. Era minha, mas assim, da família toda, mas o presente foi meu. E ela viveu com a gente 12 anos, chamava Nala.

Professora Janaína - Eu tinha três, quatro anos quando eu entrei. Nunca fui pra creche, porque eu tinha a minha avó que morava embaixo e a secretária que tomava conta. Eu era muito tímida. Muito! A recordação que eu tenho, eu tinha muita vergonha, até de pedir pra fazer xixi. Então já cheguei a fazer na sala de aula mesmo por ter vergonha, e a vergonha foi muito maior depois. Tive uma professora da segunda série, Janaína, e fez um trabalho todo comigo e me ajudou bastante. Minha mãe foi madrinha de casamento dela, meus pais. Porque eu era muito tímida, então minha mãe queria que eu vencesse a timidez, porque eu não conseguia nem pedir ajuda na escola. Depois a gente foi pra colônia de férias, o marido dela era professor de Educação Física, meu irmão era apaixonado nele, ele dava futebol. E a gente criou esse vínculo, e a gente se conhece, se fala até hoje. A escola era pequena e tinha uma mangueira no meio, aí a gente rodava muito e tinha muito morcego. E tinha um pátio gigante de areia. Então a maior parte do nosso tempo ainda na sala de aula, mas era brincando. Então tinha o cantinho das bonecas. E nessa época, eu ainda tenho as cartinhas das professoras, minha mãe não deixou jogar nada fora. E eu brincava muito mais com os meninos. Então boneca, eu ia mais ou menos, mas de pega-pega, de bola, eu brincava muito mais. Eu saí com seis anos do Olho Vivo, porque fechou, e fiquei dos sete até os 14 anos no Objetivo. Então a maior parte da minha escola foi lá. Eu fui pra um colégio chamado Nacional. Eu fiquei dos 15 até o segundo ano. Porque o terceiro ano eu não fiz no Brasil, eu fiz High School. Então até os 16, eu fiquei nessa escola.

Intercâmbio - Eu fazia inglês numa escola e sempre passavam vídeos de intercâmbio. Não sei, assim, o porquê dessa vontade, mas eu sempre fui apaixonada por cultura, comida, hábitos diferentes, aí eu achei que devia tentar. Fiz uma reunião com meus pais e coloquei os custos. Tudo bem que coloquei um pouco abaixo para eles não se assustarem. Falei porque eu queria, que seria importante. E eles compraram a ideia. Eu fui para uma cidade do estado de Nova Iorque, interior, perto do Canadá, dois mil habitantes, o nome é Westport. Quando eu cheguei, cheguei querendo ir embora. Falei: “Não vou aguentar ficar numa cidade que não tem shopping”. No fim resolvi tentar. Faltavam duas semanas pra começar as aulas, mas já tinha o time de futebol formado. Sou péssima em esporte, mas era minha chance de fazer amizades. Aí me inscrevi e eles me acolheram muito bem. Essa história assim que americano é frio depende muito. É de pessoa pra pessoa. Passei várias vergonhas lá. Na escola tem os lockers onde você guarda o material, eu achei que podia escolher, então escolhi um, aí quando cheguei no intervalo, minhas roupas estavam no chão. Outra coisa: você muda de sala, não o professor. Então assisti quase uma semana de aula errada. Teve também um jantar que fizeram pra mim, que o cardápio era um copo duplo de leite, a bebida, e de prato principal carne de porco com purê de maçã, ervilha e broa de milho. Eu falei: “O jantar será que horas?”. E aquele era o jantar. Eu falei: “Meu Deus, carne de porco com purê de maçã! Não vou conseguir”. E comi. Hoje é um prato que eu amo.

Escolha da profissão - Eu lembro que quando eu fui para os Estados Unidos, eu já falava que eu ia voltar pra fazer Nutrição. Voltei em junho, entrei numa escola de inglês, comecei dar aula de inglês. Iria fazer o vestibular pra iniciar no início do ano. Fiquei seis meses trabalhando nessa escola que eu era aluna, e depois conciliei escola e trabalho. Aí entrei na faculdade de Nutrição no Salesiano. No quarto ano eu estava morrendo de saudade dos Estados Unidos. Eu falei: “Gente, eu quero voltar”. Mas eu também não queria largar a faculdade, porque eu estava amando, não queria que fosse perdido. Eu procurei algum curso de Nutrição lá fora que desse pra fazer assim, em seis meses. Mas não achei e fui procurar o que eu podia fazer e descobri o programa de Au Pair. O programa de Au Pair é assim: você mora com uma família americana, cuida das crianças e você ganha uma bolsa de estudo pra estudar fora. Eu falei: “Bom, vou fazer isso. Vou fazer curso de Nutrição não dentro de faculdade”. Fiquei um ano e meio fora, viajei bastante. E acho que de todas, foi o mochilão que eu fiz. Porque quando você conclui esse programa, você ganha a passagem de volta para o seu país de origem ou para qualquer outro país que esteja lá no mapa. Eu falei: “Bom, já que eu posso escolher, eu vou escolher pra outro país e de lá, eu compro a passagem de volta para o Brasil”. Aí foi que eu decidi fazer o mochilão. Fiquei 21 dias viajando. Eu pesquisei muito os países que mulher viajando sozinha não tivesse perigo, então por isso esse monte de livro na escrivaninha. E eu fiz Portugal, França, Espanha e Itália nesses 21 dias. Fiz um roteiro. Até porque eu não tinha celular, eu usava o da família nos Estados Unidos e devolvi. E do Brasil, eu deixei no Brasil. Então se acontecesse alguma coisa, para os meus pais me procurarem, falei: “Bom, Janine sumiu nesse dia, vão me procurar nesse país”. Então foi bem legal. E graças a Deus deu tudo certinho, todas as programações. Conheci muita gente. Eu só fiquei em albergue.

Retorno - Voltei pra o Brasil e voltei pra faculdade. Falei: “Bom, agora eu tenho que terminar”. E foi ótimo, porque eu tranquei numa época que não me atrapalhou. Assim, eu não fiquei perdida quando eu voltei. Se eu tivesse deixado pra viajar quando eu me formasse, eu não teria feito essa viagem, porque no meu penúltimo semestre, no penúltimo, eu passei num programa, no Jovem Nutricionista, da Nestlé. E aí eu fiz estágio de seis meses no hospital. Esse estágio que eu fiz estágio, quando eu me formei, estava precisando de uma nutricionista. Foi aí que eles lembraram que eu tinha me formado, estava precisando e me chamaram. Então, assim, eu me formei, um mês depois já estava trabalhando. Do hospital, agora eu vim pra essa clínica, que lá dentro eu atendia os pacientes oncológicos. E de todos, eu gosto de todos, mas assim, oncologia é minha paixão. Então eu atendo os pacientes oncológicos nessa clínica, dentro do hospital também, que a gente tem terceirizado lá, então nossos pacientes internam lá, e faço consultório à parte. Aí sim os pacientes que vêm por “N” motivos, reeducação alimentar. Então acho que hoje eu cheguei onde eu sempre busquei na faculdade, que era a área clínica e esses dois que eu pudesse encaixar.

Ver Tudo PDF do Depoimento Completo

Outras histórias


Ver todas


Rua Natingui, 1100 - São Paulo - CEP 05443-002 | tel +55 11 2144.7150 | cel +55 11 95652.4030 | fax +55 11 2144.7151 | atendimento@museudapessoa.org
Licença Creative Commons

Museu da Pessoa está licenciado com uma Licença
Creative Commons - Atribuição-Não Comercial - Compartilha Igual 4.0 Internacional

+