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Chegando curioso e saudável

História de: Gianluca
Autor: Mariza Denucci
Publicado em: 10/01/2013

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Gianluca veio ao mundo em 03 de setembro de 2012 perto da 22:30 h com 3,160 kg. Era segunda feira de verão londrino, quente e abafado. Um menino lindo e curioso, olhos bem abertos. Passou por mim dentro de uma estufa, acordadinho. Eu estava no corredor que dá acesso à sala cirúrgica. Não pude conter a emoção de vê-lo pela primeira vez. Estava acompanhada de meu neto mais velho Isaac e sua mãe Carol, minha segunda filha. Pudemos conhece-lo minutos após o nascimento. Melissa já estava de 42 semanas de gestação e nas semanas anteriores tinha estado no hospital em Lewisham por diversas vezes. Sentia contrações e alguns sinais mas era sempre dispensada após exames feitos pela midwife. E voltava para casa. Algumas vezes ia com tanta certeza de que o nascimento ia ocorrer que eu também imaginava que sim. O mês de agosto terminou e ele “preferiu” setembro. Devia estar tão confortável na barriga da mãe que achou melhor adiar um pouco a sua saída. Na quarta feira anterior (29/08) Melissa acompanhada de seu marido Elias foram ao hospital para fazer um procedimento que ajuda a induzir o nascimento (sweep). Trata-se de tocar a membrana que reveste o utero numa tentativa de iniciar o trabalho de parto nauralmente para mulheres que já passaram da data marcada. Isso pode encorajar o corpo a liberar hormônios (prostaglandinas) que estimulam o nascimento nas próximas 48 horas. Se isso não ocorrer é então agendado uma indução através de hormônios sintéticos. Foi então que dias depois, no domingo, Melissa voltou ao hospital para ser induzida dessa forma. Acompanhei o casal e voltei para casa da Carol. Elias me ligou na 2ª feira logo pela manha e me passou os detalhes. Deixei Isaac com uma vizinha e fui imediatamente para o hospital. Ela estava sendo monitorada e atendida por uma enfermeira e uma midwife e um doutor passava de vez em quando. Desci para comprar Lucozade para ela e fiquei ao seu lado. Puxei a cortina do quarto, o dia estava bem. E muito ensolarado. Um bom dia para se nascer num país onde o sol é coisa rara. Trocaram a máquina que a monitorava por uma mais assertiva segundo a midwife. As 12h retiram uma amostra do líquido para verificar as condições e segundo informação estava tudo bem. A pressão dela estava um pouco elevada 14/9. E a bolsa já tinha sido rompida. O pessoal que a monitorava dizia que estava indo tudo bem dentro de um padrão. Ela tomou epidural às 12:45. Veio a refeição, ela se alimentou e se sentiu melhor. Desci para almoçar e fui na casa dela pegar as lembrancinhas do nascimento e aproveitei para tomar banho. Nesse meio tempo ela vomitou e ficou com febre. Elias me ligou dizendo que ela já estava com 8 cm de dilatação e que logo iria nascer. Me apressei e quando cheguei no hospital ela estava com muitas dores e insistia para eles fazerem uma cesárea, tinha pouca energia para ajudar no nascimento. Mas eles diziam que tinham que aguardar mais um tempo ainda e que tudo estava dentro do padrão. Na Inglaterra eles só fazem cesárea em ultimo caso. Antes tentam todos os meios possíveis inclusive o uso de fórceps. Às 21h trocou–se o turno dos que a assistiam e apenas uma médica ficou, e após varias tentativas resolveram leva-la ao centro cirúrgico. Antes foi feita uma nova aplicação de anestesia talvez tendo em vista uma cesárea. Foi uma correria e movimentação tamanha por parte dos profissionais que a atendiam. Eu permaneci no quarto e Elias a acompanhou. Sentei e orei. Pedi muito a Deus que tocasse a mão dos profissionais e que Ele aliviasse as dores dela e permitisse que esse menino viesse ao mundo com integridade física e mental. Fiquei sem ter noticia do que ocorria quando minha outra filha e neto chegaram junto com um amigo e ficamos no corredor aguardando noticias. Logo a midwife que a atendia passou por nós e nos deu a notícia do nascimento. E foi através de fórceps que Gianluca nasceu. Ao nascer ele demorou um pouco a chorar e seu teste APGAR foi abaixo da média. Esse teste é feito imediatamente ao nascer e depois repetido aos 5 minutos de vida. Avalia freqüência cardíaca, respiração, tônus muscular, reflexos e cor da pele. Cada item recebe de 0 a 2 pontos. Em freqüência cardíaca Gianluca recebeu nota máxima 2, mas nos outros itens teve pontuação baixa. Portanto foi encaminhando para ala de intensive care. Fui para a casa da Carol e no caminho Isaac bastante curioso fazia muitas perguntas sobre o nascimento. Num ponto é bom poder responder as perguntas de forma natural aproveitando os próprios eventos da vida, mas é preciso ter um certo cuidado em não se antecipar demais nas respostas e criar uma precocidade sem necessidade. Zacão como eu costumo chama-lo completou 9 anos uns dias antes. Apesar de ser muito inteligente e esperto ainda é uma criança e deve ser respeitado como tal. Assim que cheguei na casa liguei para o Brasil e falei com meu marido Sylmar. Ele ficou feliz e aliviado com a notícia! Quem está longe fica mais angustiado com a espera. Mas agora tudo estava bem. E compartilhamos nossa alegria com a chegada de mais um neto. Fui dormir e fiquei contando estórias para o Isaac até ele adormecer, talvez tenha até adormecido antes dele. No dia seguinte acordei bem cedo e me preparei para ir ao hospital. Elias me ligou dizendo onde estavam no hospital. Assim que deu o horário fui ver o Gianluca no Intensive Care. Só era permitida a entrada de pais ou avós. Tem todos os procedimentos de assepsia para entrar nos quartos, onde ficam ate 6 crianças sendo monitoradas. Ele estava na ala C. Junto com ele tinha outras crianças com quadro bem mais complexo. Só de vê-lo fiquei apaixonada. Ele é muito lindo e forte. Como pode uma “coisinha” aparentemente tão frágil que horas antes nem fazia parte de nossa vida mexer tanto com a gente? Agradeci a Deus do fundo de minha alma por Ele nos poupar de coisas mais tristes e nos ajudar nas horas de dúvida, angústia e dor. Gianluca ficou no Intensive Care durante 6 dias. Ele engoliu mecônio e outras secreções durante o trabalho de parto. Seu quadro não era grave mas inspirava cuidados e atenção. Era monitorado na máquina o tempo todo e fazia exames de sangue regularmente para acompanhar sua evolução.Tomou antibióticos, assim como a mãe que estava com infecção urinaria. Eu procurava sempre que possível estar pertinho dele. Era permitido apenas 2 pessoas na sala, então nós 3 nos revezavamos nos horários permitidos. Fizeram alguns scans e num desses eu estava ao lado e como ele chorava a médica pediu que eu colocasse uma luva e com o meu dedinho na boca dele acalmasse-o para ela poder realizar o exame. Pude sentir seus dentes embaixo da gengiva, ele sugava com muita força o meu dedo. Mas se acalmou, parou de chorar e até adormeceu. Eu aproveitei para fazer umas perguntas para a médica e ela me disse que era como se ele tivesse corrido uma maratona, um trabalho de parto prolongado (stressful labor). E tambem que o nível de sódio no sangue estava um pouco alto dificultando o trabalho dos rins. De tempos em tempos checavam seu nível de sódio através de exames de sangue. Mas outro médico que também assistia as crianças nos disse que esse quadro era temporário, devido às condições do parto (labour) mas que podíamos ficar tranqüilos que logo ele sairia de lá. Essa era nossa esperança. No dia seguinte pude carrega-lo por uns minutinhos pela primeira vez. Ficou encostadinho no meu colo, com a sonda, soro na veia e monitor na perninha. Assobiei e cantei baixinho para ele, a médica disse que era bom estimula-lo de várias formas. Se estava dentro da estufa eu colocava a mão em sua cabeça e falava docemente com ele. Melissa e Elias tambem ficavam ao lado sempre. Melissa retirava leite materno que era oferecido para ele. Talvez pelo fato dele não ter sugado o seio propriamente nas primeiras horas fez com a estimulação fosse insuficiente para produzir mais leite e mais tarde o “danadinho” não queria fazer força, preferindo a mamadeira. Assim mesmo ela retirava o que conseguia e misturava com o leite de fórmula. Cada criança da sala tinha um quadro diferente. Tinha 2 crianças gêmeas e os pais se revezavam para os acomodarem no colo. Tinha uma senhora simpática que sempre chegava com um sacola e ficava tempo ao lado do seu filho que era bem pequeno. Aliás todas as crianças da sala eram pequenas perto do Gianluca. Aos poucos a gente vai se interando das coisas e descobri que a ala B e A são para crianças que já estão quase prontas para deixar o hospital e irem para casa. Assim no dia 06/09 (5ª feira) três dias depois de seu nascimento ele foi transferido para ala B. Já não tinha mais sonda, apenas soro e monitor do coração. Estava indo muito bem o pequeno Gianluca. No dia seguinte enquanto fazia uma horinha para entrar no horário permitido fui dar uma volta no bairro onde residi quando morei em Londres e ao passar na frente de uma casa em que trabalhei avistei o menino Gianluca de quem Melissa foi baby sitter anos antes e que provavelmente a inspirou na escolha do nome. Conversei com ele, pouco se lembrava de mim, mas lembrava bem da Melissa e ficou muito feliz com a notícia de que ela tinha escolhido esse nome para seu filho. Voltei para o hospital e encontrei o bebê acordadinho sem sonda e também sem o monitor de coração. Logo ele faria um brain scam. Esse exame foi feito em outro prédio do hospital e foi montado todo um procedimento para essa “pequena viagem”. Todo aparato para garantir a segurança da criança dentro da estufa que o levou. Uma enfermeira e o atendente da radiologia o acompanharam no percurso. Fui junto com a Melissa e pudemos estar ao lado dele durante o exame. O radiologista respondeu as perguntas da mãe da criança e disse que ia passar o resultado para o médico e ver se precisava fazer algum exame mais detalhado, pois o scam acusava uma pequena alteração. Mas não foi necessário. Nos disse tambem que muitas crianças que ficam sob cuidados intensivos passam por essa checagem antes de terem alta. Finalmente no dia 08/09, um sábado ensolarado, aliás como a semana inteira, Gianluca pode ir para o quarto da mãe. Então eu, Isaac e Carol pudemos visita-lo já no quarto que na verdade eram camas separadas umas das outras por biombos e cortinas. Mas daí a Melissa estava com taxa de hemoglobina baixa, quadro de princípio de anemia e devia permanecer lá para checar o sangue no dia seguinte. De qualquer forma o bebê pode finalmente ficar livre do soro e aparelho que o monitorava. Dormiu com a mãe num bercinho ao lado de sua cama. No domingo ambos passaram por mais uma checagem e foram dispensados. Bravo menino, vitorioso desde já!!! Parabéns aos pais por toda dedicação, paciência e amor com que o acolheram. Feliz eu sou por ter tido o privilégio de estar junto nessas primeiras horas de vida desse querido neto. Que ele “cresça em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens”. Na chegada ao lar, havia uma decoração na porta e na sala acima da lareira com fotos, cartazes dando as boas vindas à mãe e ao bebê. Tudo preparado pelo Elias. Deus abençoe ricamente essa nova família, projeto de Deus!

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