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Chegadas e partidas

História de: Fabiane Rodrigues Brandão Vittaz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Fabiane Rodrigues Brandão Vitaz, nascida no dia 26 de março de 1975, no Rio de Janeiro (RJ), inicia sua história de vida falando um pouco de sua família. Seus pais se conheceram na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no bairro de Bangu, se casaram e seu pai, engenheiro, foi transferido para a Bahia. Foi lá que viveu alguns anos de sua infância, se recorda com carinho das manhãs que passava na praia com sua mãe antes de ir para a escola. Narra como, ao retornar ao Rio de Janeiro, a família se fixou no bairro do Grajaú onde mora com seu esposo e filha até hoje. Entre suas memórias mais marcantes de infância estão as visitas à casa de seu avô, com quem adorava brincar. Fabiane é formada em Letras e por mais de dez anos foi responsável pela área de Logística do AFS. Hoje, tem sua própria agência e o AFS é um de seus clientes. O carinho pelo AFS a acompanha sempre.

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História completa

[Meu nome é] Fabiane Rodrigues Brandão Vitaz, nasci no dia 26 março de 1975 no Rio de Janeiro. [Meus pais são] Paulo Sérgio Brandão e Ana Maria Rodrigues Brandão. meus pais eram da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Eles se [lá], no bairro de Bangu, [se conheceram], se apaixonaram, casaram e a gente veio morar aqui na Zona Norte. Morei vários anos na Bahia, meu pai é engenheiro, ele era transferido muitas vezes e depois me fixei no Grajaú, [onde] vivo há 30 anos. No Grajaú, casei, tenho uma filha de dois anos e continuo vivendo lá porque eu amo aquele bairro de paixão. [Entre meus sonhos] tenho vontade de se eu puder adotar uma criança. E voltar a viajar (risos), só que em família agora, é só isso.

Eu acho que as lembranças mais doces que eu tenho da minha infância são com o meu avô. Apesar de eu morar no Grajaú, ter vários amigos a minha diversão era ir pra casa do meu avô e brincar com ele porque ele era um avô muito presente, ele era um pai, um segundo pai. Ele foi uma pessoa muito importante na minha vida e era uma pessoa com muito caráter e valorizes muito fixos. Apesar de muito simples, era uma pessoa muito certa, honesta, todos os valores que eu tenho hoje, todos não, mas grande parte eu atribuo a ele.

Tenho uma irmã minha e um irmão por parte de pai. Minha irmã é da mesma faixa etária que eu, conviveu muito comigo. Meu irmão, como é do segundo casamento do meu pai, já é um pouco mais distante, apesar de que ele gosta muito de mim, se espelha muito em mim, ele é temporão, tem metade da minha idade, a gente se gosta muito, mas ele não foi tão presente na minha infância, eu era mais adulta quando ele nasceu.

Durante a minha faculdade de Letras eu fiz estágio em Turismo e descobri: "É isso que eu quero fazer da minha vida". Fui fazer uma pós em Turismo, hoje em dia eu tenho a minha agência, vim trabalhar no AFS, fazendo toda a parte turística, e achei por acaso o que eu queria fazer na vida.

Uma amiga minha trabalhava aqui e falou: "Tem uma vaga, vai lá ver se você consegue". A primeira vez foi bem engraçada, eu não sabia nada do AFS, não fiz uma pesquisa antes, nem perguntei a ela. Eu sentei numa sala de reunião, que era a seleção, e o gerente da época começou a falar de ambulância, de feridos de guerra e eu falei: "Isso aqui não é intercâmbio?". Eu não estava entendendo a relação, mas depois de ouvir a história toda, achei tão bonita a história do AFS [e pensei]: “Que bacana deve ser trabalhar aqui".

[Meus] primeiros passos [foram] descobrir porque que eles precisavam de mim. Porque eles precisavam de uma pessoa de Logística e com o tempo fui descobrindo o porquê. Realmente, o AFS tem vários estudantes espalhados pelo mundo inteiro e no Brasil também, por todos os cantinhos do Brasil e [precisava] de uma pessoa que fizesse a logística desses estudantes, de chegada e de retorno para os seus países e dos brasileiros também que iam viajar. Hoje em dia você faz uma passagem aérea, você pega em qualquer lugar.  Não tem nada físico que você é obrigada a ter. Na época, os bilhetes eram bilhetes manuais, tinha que fazer um bilhete, botar no correio e mandar pro estudante desse cantinho do Brasil, para ele pegar esse bilhete, entrar no avião e ir pra São Paulo para ele poder encontrar comigo e lá em São Paulo eu estaria com o bilhete internacional para ele voltar para o país dele, [era] bem interessante. [...] A logística era complicada, tudo tinha que estar pronto, com o bilhete dele na mão pra viajar pra São Paulo 30 dias antes, pelo menos. A gente começava os preparativos dois, três meses antes.

Tem muita história de aeroporto, daria pra fazer um documentário só de histórias de aeroporto, eu acho que as pessoas ficam sensíveis um pouco no aeroporto. Chegadas e partidas, tem sempre uma emoção envolvida e principalmente pro pessoal do AFS, a pessoa ficou um ano aqui e está indo embora ou está chegando pela primeira vez, você é o primeiro rosto que ela vê, tem muitas histórias legais.

[Meu maior aprendizado] é a tolerância, aprender a respeitar o outro. Quando você entende que o outro é diferente e que pode ser diferente e que está tudo bem viver no seu mundo. Isso eu acho que é o maior aprendizado que eu levo. Porque eu tinha uma visão muito do meu mundinho: minha casa, meu bairro, escola, faculdade. No AFS, eu vi um mundo de pessoas diferentes, de culturas e vivências diferentes e você aprende a não julgar. Não tem certo e errado, tem maneiras de vida, não existe um caminho reto, existem vários caminhos. Acho que me fez uma pessoa melhor, eu não seria a pessoa que sou hoje se eu não tivesse tido dessa experiência. Como pessoa, me acrescentou bastante, fiz o meu intercâmbio de certa forma. Não precisei viajar, ficar um ano fora. Você vê que que realmente existe um mundo diverso, muito além das suas fronteiras. E acho que isso me engrandeceu muito.

 

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