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Ceará no Board of Trustees

História de: Vandré Luís Meneses Brilhante
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 23/03/2016

Sinopse

Vandré Luís Meneses Brilhante conta sobre a origem do sobrenome, vinculado ao cangaço, a origem de sua família e o esforço de seus pais para que seus 12 filhos estudassem. Do interior, Vandré foi estudar em Fortaleza (CE) onde conheceu o AFS. Não foi na primeira tentativa mas, logo na segunda, conseguiu embarcar para o intercâmbio nos Estados Unidos. Desde essa sua experiência lá, nem sua vida, nem seu mundo foram mais os mesmos. Assim que voltou, com mais alguns colegas, retomou as atividades do comitê local, exerceu atividades lá mas também nos âmbitos regional, nacional e internacional. Vandré conta também como foi criar o CIEDS [Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável], ONG [organização não governamental] que nasceu das experiências vividas com o AFS e com sua preocupação no desenvolvimento econômico e social sustentáveis.

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História completa

Meu avô não tinha o sobrenome Brilhante. Quem tinha era minha vó. Mas como na época Brilhante era um nome associado ao cangaço, era um nome importante, ele mudou, ele pegou o nome da minha vó. Ele ficou Miguel Alves Brilhante, assumiu o nome da mulher porque a minha vó era Brilhante descendente de Jesuíno Brilhante, que era um cangaceiro de Lampião, uma pessoa temida. Aí teve três filhos, meu pai e duas tias. A minha vó, mãe do meu pai, morreu no parto da filha mais nova e meu pai foi criado pelo avô. Segundo ele, um andarilho, de cidade em cidade, até chegar em Pacajus, no Ceará, ainda jovem, 10, 12 anos, e ele trabalhava como vendedor de doces, de frutas na cidade. Minha mãe era filha de um casal que tinha casa de farina e engenho de cana de açúcar, mas uma coisa muito rudimentar, muito pequeno. Aí eles se conheceram, numa cidade pequena, minha mãe teve 13 filhos. Doze vivos e uma que faleceu antes de mim. Eu, na hierarquia, sou o 12º, então, antes de mim tiveram 11 outros e são dez homens e duas mulheres.

Com o AFS, tinha uma oportunidade de conseguir bolsa e eu consegui 50% de bolsa pra viajar e facilitou meu pai pra conseguir os outros 50%, não foi fácil, teve que fazer várias economias, pegar algum dinheiro de poupança, emprestado, coisas parecidas.

Eu fui pra uma cidade chamada Walton, no norte do Estado de Nova Iorque. Uma família onde eu tinha um irmão. Era uma família que minha mãe era professora, meu pai trabalhava numa fábrica de laticínios, no turno da noite. Eu saí do Ceará, onde a temperatura média é 30 graus, 28 graus, pra uma temperatura muito fria no inverno, era uma região que é de ski, nas montanhas, a menos 20, menos dez. Mas foi um ano excelente, com a minha família até hoje temos contato. A relação com o irmão não foi das melhores possíveis, mas a relação com o pai e a mãe foi fantástica, então até hoje temos contato. A escola foi super adaptável, acho que já ter um conhecimento médio de inglês ajudou bastante.

Voltei diferente, voltei já mais independente, voltei já querendo talvez construir uma vida. Construir uma vida no sentido de buscar desafios, concretizar meus sonhos, trabalhar, de fazer uma faculdade, voltei muito decidido a fazer Economia.

Tanto fui tão bem assistido que, quando voltei, imediatamente me tornei voluntário, o comitê em Fortaleza estava fechado, eu e mais uns quatro, cinco amigos que retornaram reabrimos o comitê e começamos então o processo seletivo já da turma de 89-90. E logo assim engrenei numa carreira de AFS. Em 1990, eu fui eleito Vice-Presidente do AFS Brasil, numa Convenção em Barra Bonita (SP). Praticamente, levantaram minha mão. Eu fui eleito sem saber muito pra que ainda, mas era uma Diretoria muito jovem ainda, então com 20 anos eu me tornei Vice-Presidente do AFS Brasil e Diretor Nacional de Finanças.

Eu fui muito privilegiado, porque eu já estava na Universidade, tinha entrado já no curso de Economia e, com 20 anos de idade, eu comecei a vir pro Rio de Janeiro, São Paulo, praticamente a cada dois meses. Não só Rio-São Paulo, eu viajei o mundo. Viajei mais de 20 países, era uma época que a gente fazia negociações, que as Organizações Nacionais dos AFSs faziam negociações com outros países, pra definir número de cotas, de bolsistas, número de cotas de alunos, definir o processo de integração, que era o processo de parceria que a gente chamava. Então, fui acho que 15 vezes aos Estados Unidos, eu fui ao Japão, eu fui à Austrália, eu viajei pela América Latina, num período de quatro anos enquanto eu fazia faculdade, então, eu digo que a minha faculdade foi feita dentro de um avião! Em 1994, quando eu terminei o meu segundo mandato no AFS, eu entrei para uma comissão internacional do AFS Nova Iorque, era também uma comissão financeira, que tava discutindo o futuro do AFS enquanto geração de recursos, enquanto gestão de recursos. E mudei pro Rio de Janeiro porque também já não tinha base nenhuma em Fortaleza. Minha perspectiva de futuro tava aqui. Recusei alguns convites de trabalho, mas aceitei um convite do AFS pra fazer um curso aqui no Rio sobre gestão de empreendedores, capacitação de empreendedores. E foi um curso de um mês. Eu vim fazer o curso de um mês e não voltei mais. Eu to aqui até hoje, há 21 anos. Voltei pra pegar outras roupas e alguns objetos pessoais depois e minha vida tá aqui no Rio de Janeiro. Então esse período quando eu digo foi um outro intercâmbio, porque a diretoria do AFS enquanto voluntário, ela me habilitou a negociar, a compreender processos de construção participativa, me habilitou a ser criativo, a adaptar e a gerir uma Organização de pessoas, acima de tudo, onde todo mundo pensa diferente, mas a gente tem que construir um objetivo comum, acho que esse foi o processo de aprendizado maior, não só no ano de intercâmbio, de conviver no meio de pessoas diferentes, no meio de pessoas diversas, tirar o melhor dessa convivência e depois gerir a organização com outros companheiros fazendo a mesma coisa. Como que você gere naquele ambiente diverso e aí já pensando como estratégica, como gestão financeira, como gestão administrativa. Contratos, alugueis, advogados, plano estratégico, então toda essa nomenclatura nova chegava e pra mim era fantástico, eu fazia um curso de Economia, então, as coisas se juntaram.

Foram pessoas que assumiram muita responsabilidade. Então ser presidente, ser vice-presidente, ser da Diretoria do AFS aos 20 anos de idade, isso em 1990, foi um desafio fantástico. Mais do que um desafio, foi uma grande escola de vida.

Em 1989 eu fundei o CIEDS [Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável] que é a ONG que eu sou presidente até hoje.

O CIEDS completa agora 18 anos, no próximo ano, em maio, e hoje somos uma organização com quase dois mil colaboradores, estamos presentes em 17 cidades do Brasil, com escritório. O CIEDS se espelhou muito, bebeu muito da água do AFS enquanto uma rede internacional, enquanto instituição com capilaridade, enquanto uma instituição com foco de crescimento, então, se eu faço uma retrospectiva de por que que deu certo o CIEDS? Por que que eu acho que a minha vida cresceu de uma forma ordenada, não sei se eu posso falar a palavra ordenada, né, mas pelo menos quem tá de fora acha que é ordenado isso – eu acho que não – mas acho que espelhou muito em planejamento estratégico, em gestão, em campanha, em monitoramento, em cuidado com a qualidade dos programas, em formação de equipe, eu acho que, acho que compartilhei muito aí desse aprendizado que eu tive no AFS trazendo isso pra minha vida pessoal, pra minha vida profissional.

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