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Cassimiro Mariano Pereira

História de: Cassimiro Mariano Pereira
Autor: Memória Local na Escola - Bom Jesus e Currais, 2015
Publicado em: 15/11/2015

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Escola Municipal João Pedro da Fonseca Professor: Cassiano Depoente: Sr. Cassimiro Mariano A comunidade A sua comunidade era muito animada tinha festejos todos os anos. Nessas celebrações religiosas do padroeiro São José vinha gente de todas as localidades para festejarem o santo. Os visitantes aproveitavam as celebrações para visitar a comunidade, sua mãe fazia bolos para vender. Era o maior sucesso!!! Nove noites de muita animação... Fora a animação dos festejos a comunidade era muito pacata, não tinha água encanada, as pessoas carregavam água do brejo para tomar banho, cozinhar e lavar. O brejo era um lugar muito perigoso, tinha cobras e enormes sucuris, seu pai contava que no brejo tinha um buraco que era um grande abismo, certa vez engoliu uma vaca, um cavalo, um cachorro e um homem, todos tinham medo de cair nesse buraco. Nessa comunidade as pessoas viviam da agricultura, plantavam feijão, arroz, milho e mandioca. Em ano de inverno bom, havia fartura, em ano de inverno ruim, havia necessidade. Chegaram a comer banana cozida no ano de 1960, pois, a seca foi intensa e seu pai não ganhou a plantação, tudo se perdeu nessa época, até os gados morreram de fome, pois, pasto também não havia. Contou-nos que seu pai era o maior caçador do Piripiri, a comunidade em que sempre viveu. Ele ainda era muito jovem mais se recorda de umas das caçadas do seu pai. Um dia ele saiu para caçar, na estrada que o levava para o baixão - lugar onde era feita a plantação, ele encontrou uma onça e matou-a. Nesse dia quando seu pai José Mariano chegou com a onça nas mãos, foi o maior falatório na comunidade e seu pai ficou muito famoso nessa época, todos queriam caçar com ele. Uma maçaroca de lombo preto era a cor da pele da onça, ainda hoje se recorda. A cultura da comunidade era muito rica, animada, de casa em casa as pessoas rezavam tirando esmolas em homenagens ao Divino Espírito Santo. Ele se recordava que no final das esmolas todos confraternizavam, os alimentos arrecadados eram feijão, milho, arroz, ovo, rapadura, tapioca, farinha dentre outros; segundo ele era muito animado. Tinha também a festa de reisado, comemorada no dia 06 de janeiro, dia dos Santos Reis uma tradição muito animada na qual as pessoas faziam promessas e depois pagavam, saiam à noite com o Santo cantando e acordando as pessoas para a festividade. Ele disse que a sua comunidade hoje é mais parada, pois, perdeu a maioria das tradições passadas, mas mesmo assim, não troca sua comunidade por outra. Pois pretende morrer nela. A escola Estudou em uma escola particular atravessando o rio Gurguéia todos os dias para poder estudar. Pois ela ficava em Redenção e era muito rígida, na época tinha a palmatória. Ele era muito inteligente e ainda disse que se considera melhor do que muitos jovens de hoje em dia, ele também disse que não levou muitas palmatórias mais deu muitas, quem erasse a pergunta levava a palmatória. A escola era muito antiga não tinha banheiros, não tinha ventiladores, as cadeiras eram bancos de madeira, a escola dele era feita de barro. Tinham nessa época as cartilhas, um livro de alfabetização em que aprendia a ler e descobrir palavras. Contou-nos que na sua época todos respeitavam os professores que eram tidos como um pai. Todos pediam benção ao mestre. Quando o professor entrava na sala todos respondiam, Bom Dia em pé, como sinal de reverência a ele, disse também que observa que nos dias de hoje não existe mais o respeito pelo professor como antigamente. O casamento Conheceu sua mulher na festa do seu primo Paulo Fonseca. Seu Cassimiro namorou sua esposa Araci durante sete meses, foi muito difícil a época que namoraram. Pois, eles moravam em cidades diferentes. Ele morava no interior de Bom Jesus, no Piripiri e sua esposa morava no interior de Redenção numa comunidade chamada Pequi, para encontrá-la tinha que ir à cavalo. Depois de sete meses de namoro ele pediu a mão dela em casamento, parece que foi ontem o dia 23 de junho de 1976, recorda ele. Casou tanto no civil quanto no religioso, sendo o casamento civil realizado na casa do seu sogro na comunidade do Pequi, se recorda que houve uma grande festa após o casamento, todos dançavam ao som da sanfona e do violão. Pois, nessa época não tinha nada melhor do que beber e dançar a noite toda. Também houve o casamento religioso na igreja católica, pois segundo seu pai, ele tinha que casar nos dois, só o casamento no civil não valia, pois, era uma tradição familiar. Ele se recorda que foi uma celebração feita por um padre muito bonito e após o casamento, seu pai José Mariano matou um boi e fez uma grande festa, convidou todos da comunidade. Ele disse que foi a época mais feliz de sua vida!!! (Texto coletivo produzido pelos alunos do 7º da Escola Municipal João Pedro da Fonseca)

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