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Casa de vó

História de: Viviane Marcondes
Autor: Paula Penteado
Publicado em: 08/06/2020

Sinopse

Casa de vó uma memoria de infância ,que marcou vidas e formou muitas delas, enquanto nossos pais trabalhavam era lá que ficávamos, descobrindo, brincando, aprontando ,fazendo muitas descobertas, na casa da vó Antônia.

Esse relato é de autoria da professora Viviane, eu (Paula) apenas publiquei no museu.

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História completa

Lembro-me da casa da minha avó. Minha mãe enfermeira trabalhava o dia inteiro e às vezes a noite, aos sábados e às vezes domingo. Andava de ambulância também, pegando todo tipo de pessoa que precisasse de ajuda, naquele tempo não tinha SAMU. Meu pai tinha uma oficina elétrica de carros aqui na Avenida Nossa Senhora do Sabará e também trabalhava o dia inteiro e aos sábados também. Meu irmão quase adolescente levava a gente na creche e buscava de carrinho de rolimã. Era muito divertido. Às vezes minha vó nos buscava. Ficávamos muito na casa da minha avó, brincávamos o dia inteiro, não tínhamos um baú de brinquedos, mas tínhamos uma caixa onde guardávamos todos nossos objetos que incluíam brinquedos e assessórios que herdávamos das nossas tias e mães, como bolsas velhas para brincar, sapato de salto e roupas para vestir nosso bebês grandes. Uma caixa, bem cheia, de bonecas, acessórios, herdávamos cobertores de quando éramos bebês, tínhamos muitas bonecas, mas as bebês eram a sensação, mas ouve outros momentos como jogos: o jogo cara-cara, jogo do mico que era um baralho, o pogoboll, uma bola parecia com um disco voador que ficávamos pulando nele pela casa até o pé fazer bolhas, tínhamos coleção também, como as chuquinhas, umas bebês pequenas, minha prima tinha um brinquedo que era uma sensação para nós todos queriam ir para a minha vó para brincar com a gente. Era um mini Mcdonalds, para fritar a batata, era só apertar que fazia espuminha, tinha o pão, refrigerante, a gente colocava de verdade, porque apertava saia e dava para colocar no copinho muito legal. Brincávamos de médico, uma era enfermeira, outra era médica, por conta da influência da minha mãe, brincávamos de igreja, porque minha família sempre foi para a igreja, éramos influenciadas, brincávamos de escola, de banco. Na casa da minha avó ficava eu, minha irmã e minha prima, que morava com minha avó, porque minha tia morava com ela, fora os primos que às vezes ficavam nas férias e vizinhos. A gente desmontava a casa da minha avó e fazia outra casa no quintal (risos). Era muito legal, às vezes até o colchão a gente pedia para brincar no quintal e montava uma casinha, tinha sala com almofadas, cozinha, comidinha. Às vezes a gente pegava as comidas cruas de verdade para brincar de comidinha, pegávamos roupas da minha avó, vestíamos bolsas e nos divertíamos muito. Minha avó tinha uma mesa de madeira na sala de jantar que era a maior sensação, a gente fechava com cobertor e brincava por baixo de cabaninha, lembro que minhas primas colocavam medo na gente falando do escuro, que algo ou alguém iria aparecer e nos pegar. Colocávamos fitas k7 de música no gravador da minha prima e brincávamos de desfile com as roupas da minha tia, dançávamos, brincávamos de ficar gravando fita (a voz na fita, ou cantávamos) e ficávamos ouvindo na cabana. Nossa, a casa da minha vó foi de grande influência para mim, ela foi a mediadora quando subíamos no muro, quando brincávamos no jardim e mexíamos com terra. Tinha um pé de ameixa daquelas da casca amarela e pé de goiaba, nossa, me lembro do cheiro da goiaba e goiabas caídas do chão. A sensação era pegar as coisas na cozinha ou no quintal também. Lembro-me do meu irmão, já adolescente, e seus amigos no quintal, fazendo balão. Meu tio fazia balão com eles, naquela época era sensação fazer balão a gente era pequena só ficava na janela do quarto da minha vó admirando, a garagem da minha vó foi também cena de muitas brincadeiras, sem contar a comida, era tudo sem sal, mas a gente amava, e o mais gostoso era pedir para ela dar dinheiro para irmos à venda do seu João, pai do Dudu (Dudu era parte dos amigos do meu irmão), comprar bala, doce, essa venda ficava em frente à praça, ficava na mesma calçada, seis casas antes da minha avó. O desafio era ela deixar ir sozinha. Nossa, na volta aproveitávamos e tocávamos a campainha do português, um senhor vizinho da casa da frente, hoje não mais entre nós. Inclusive seu filho hoje é meu contador, era uma sensação muito divertida, sem contar que a campainha de interfone só ele tinha aqui na rua, então adorávamos ouvi-lo perguntando “quem é?” sem parar e saiamos correndo. Na casa da minha vó teve um baú, a sua casa foi esse baú, que nos permitiu ser, criar, investigar, dividir, explora interagir... E que deixou muitas saudades. Vovó deixou saudade. A casa contínua, ela não, mas às vezes, quando juntamos os primos, nos pegamos lembrando de muitas memórias, que hoje contamos para os sobrinhos. Às vezes até brincamos junto com as sobrinhas passando as nossas experiências e damos risadas com tudo.

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