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História

Casa de infância

História de: Antonia Amancio Araujo de Oliveira
Autor: Antonia Amancio Araujo de Oliveira
Publicado em: 15/09/2020

Sinopse

Diário de Antonia Amancio Araujo de Oliveira, 19 de agosto de 2020. Jornada, dia 3.

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História completa

A casa da minha infância por muito tempo foi minha referência de aconchego, de brincadeiras, de afetos e sonhos. Era uma casa simples, pintada de branco, assim como eram todas as casas do Bairro Bom Jardim, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Telhado coberto com telhas de barro que deixavam os pingos de chuva passar, piso de cimento queimado, quartos de meia parede e uma ampla cozinha com uma mesa bem grande para caber todos. Um quintal grande, com cerca de varas, deixava a vista as crianças da vizinhança e era cheio de possibilidades para as brincadeiras. A calçada lisinha e bem fria era ideal para as conversas de fantasmas a noite e para as brincadeiras de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, anel e outras. A menina que ainda vive em mim entra pela porta da frente da casa, passa pela sala e vai direto para o grande quintal. Foi nesse quintal que a menina e seus irmãos viveram os melhores momentos de suas vidas. As brincadeiras eram planejadas no dia anterior, quando todos já estavam acomodados para dormir. Quando amanhecia surgiam os heróis, as mocinhas, os mocinhos, os bandidos e tudo mais que a imaginação alcançasse. Ali, liberdade e inocência eram transformadas em pura diversão. Nosso quintal tinha árvores, flores e ervas que minha vovó Luzia plantava. Eram plantas que curavam todas as doenças, dizia ela. Buscando mais pela memória, vejo o meu quarto, com a minha cama no mesmo lugar, minha estante de livros, ainda arrumada da mesma forma. Sinto o cheiro dos lençóis, do travesseiro e das minhas bonecas, sempre bem limpas e penteadas. Não parece que tanto tempo já se passou depois que deixei a minha casa da infância. Volto meu pensamento para a minha casa atual e vejo muitas histórias de superações, de realizações e de sonhos. É a minha terceira casa desde que casei em 1985. O telhado já não deixa passar os pingos de chuva, as paredes dos quartos não deixa passar as vozes que vêm dos outros cômodos, o piso é de cerâmica e a cozinha já não é tão grande. O quintal é pequeno e murado, impedindo a visão da vizinhança. Nela procuro reviver a magia do que foi a casa da minha infância. Com meus filhos, brinquei no quintal. Fomos heróis, mocinhos, bandidos, e plantamos árvores e flores. Em tempos de pandemia a nossa casa voltou a ter mais conversas, mais brincadeiras, mais resgates das nossas memórias, mais receitas de comidas, mais risadas e mais vida. A televisão também se tornou um item indispensável nesses dias de Covid 19 e um motivo a mais para reunir a família. Nossa casa é nosso refúgio, nosso porto seguro até que tudo passe.

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