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História

Casa de comércio

História de: Luiz Carlos Amando de Barros
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/12/2012

Sinopse

Identificação. A infância, com recordações do comércio de seus tios, donos de uma casa de secos e molhados. Outras lojas de Botucatu, como as vendas de material escolar, os sebos e a padaria. Os estudos de Direito e Jornalismo e o interesse pelas artes a partir da atividade de colecionador. Como esse interesse gerou uma segunda profissão: a de comerciante de objetos de arte. A abertura da loja, as condições, dificuldades e cuidados necessários para esse tipo de empreendimento. Questões da arte e o papel da cidade de São Paulo na criação e divulgação de novos artistas, eventos e movimentos.

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História completa

“Eu nasci em Botucatu nos anos 50. Era uma cidade bem típica do interior: pacata, tranquila, poucos veículos. Devia ter uns 60, 70 mil habitantes; metade do que tem hoje. Minha casa era grande e tinha sido projetada pelo arquiteto Leandro Dupré. Era antiga, mas com projeto, toda feita no estilo modernista. Ela fica lá na Rua Quintino Bocaiúva, no centro de Botucatu. Hoje ela está rodeada de edifícios, mas é a mesma casa. E a minha infância foi do tipo que era uma infância dos anos 50 e 60, de brincar na rua, de ter muito contato com a vizinhança. A televisão demorou para chegar, quer dizer, a televisão chegou no final dos anos 50, mas demorou a contaminar a comunidade. E a gente andava de bicicleta pela cidade – a cidade tinha muito menos veículos do que hoje. E toda essa brincadeira: futebol na rua com bola de meia, bolinha de gude e todo esse tipo de coisa, porque nesse tempo ainda não existiam os brinquedos eletrônicos. Uma das lembranças que eu tenho é que a gente ainda usava uma coisa que vocês não conheceram: uma caneta de pena! Você tinha aquele tinteiro que ia molhando, então a gente chegou a usar isso. E, antes da chegada da Bic, teve outra caneta esferográfica que eu me lembro do cheiro dela, enfim, e que era muito mais rudimentar. Quando estourava a ponta da caneta era um horror, porque saía aquela tinta superforte e tal. Um horror. Minha família também tinha uma casa comercial em Botucatu. Meu pai nunca foi sócio dela, mas meus tios eram os donos da loja. Essa loja se chamava Casa Armando. O imóvel, aliás, até hoje pertence aos meus primos. Ela ficava localizada num ponto central e vendia o chamado secos e molhados a granel. Eu tenho lembrança, por exemplo... Nós éramos, nós fomos basicamente criados juntos, daí que tinha essa coisa de família grande, que os primos se viam o tempo todo e eram como irmãos. Então eu visitava essa casa comercial constantemente e eu me recordo bem daquelas latas enormes de bolacha e de um lugar, mais ao fundo, que se chamava depósito de cereais. Aquele cheiro de cebola, aquela coisa que fica na memória. E, junto com os alimentos, eles vendiam também ferragem, cimento. É um tipo de comércio que foi superado, mas era muito comum antigamente. E, por curiosidade, nesse imóvel onde funcionava a Casa Armando, hoje funciona um Extra, do grupo do Abílio Diniz. Quer dizer, aquela rua, aquela casa continuam tendo um papel importante no comércio da cidade.”

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