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História

Casa Carvalho: quase 100 anos de tradição

História de: Fábio Souza Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/03/2021

Sinopse

Apresentação do entrevistado; origens da família. Infância no bairro do Centro da cidade. As brincadeiras de bola na rua com os amigos da região. Mudança para a Zona Sul da cidade, naquela época a cidade ainda estava em expansão. Seu bisavô fundou a loja Casa Carvalho em 1924, posteriormente passou para seu avô e depois para seu pai, Cássio, terceira geração da loja. Expansão para o shopping com um começo difícil. A associação de lojistas para a manutenção e revitalização do calçadão. Pesquisas para entender o público e o modo de consumo. A loja do Centro se mantém com versatilidade nos produtos e marcas. Em 2006 após intercâmbio no Canadá decide estudar administração e se dedicar à loja. Realizavam propagandas mensais nas emissoras de televisão. Aprendeu o serviço da loja com os funcionários, como fazer compras, montar vitrines etc. Com a pandemia tiveram de cortar gastos e fecharam a loja de Botucatu. Se adaptaram, investindo em pijamas e roupas de casa. A propaganda e o contato ficam por conta das redes sociais. Desde o início, a Casas Carvalho atende Bauru e região atingindo diversos públicos. A mudança na forma de pagamento e a mudança do crediário para o cartão. A tentativa do e-commerce. A ‘morte’ dos alfaiates e as variedades das medidas das lojas. Descrição e características do calçadão. O processo de modernização da loja. O casamento e o nascimento de sua primeira filha. Os planos do futuro para expandir a loja.

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História completa

          Meu nome é Fábio Souza Carvalho, sou de Bauru e nasci em 15 de fevereiro de 1986. Meus pais são Cássio Nunes Carvalho e Maria Elídia Souza Carvalho. Meus avós são Itacolomy Carvalho, Lúcia Marinho Carvalho e, da parte da minha mãe, José Souza e Josefa Souza. Tenho só um irmão chamado Cássio. O meu avô fala que a parte dele era indígena, tanto é que ele e os outros irmãos têm nomes indígenas: Jaguaribe, Tajaribe, Piragibe, Itacolomy. São todos brasileiros, nenhum foi imigrante. Tanto da parte da minha mãe, quanto da parte do meu pai.

          Na minha infância, a gente morava num prédio, mas aí mudamos de bairro quando eu tinha dez anos. Eu lembro que eu andava mais de bicicleta, pois era um lugar mais no final da cidade, tinha mato, floresta logo depois de casa. Eu sempre estava na casa de amigos e jogava ‘bets’ na rua, pois ela era bem tranquila. Tinha um campinho de futebol ali na praça, era muito sossegado. Chamava-se Vila Zilo, que é próxima ao Jardim Estoril. Tem um riozinho ali, onde era a parte de trás do antigo restaurante Taiú, então nós montamos uma pistinha de bicicleta, de cross, num terreno grande ali do lado. E a gente sempre ia lá, ou ia até o clube, no BTC de campo ou na Luso também.

          Já na escola, eu estudei no Atheneu, perto de casa. E o que a gente mais gostava era Educação Física, mesmo. De futebol, na verdade, porque no Brasil é só futebol. Aí, quando fui pro terceiro colegial, eu morei uma época no Canadá. E lá, tinha aula de educação física todo dia, mas cada semana era um esporte diferente, uma atividade diferente. Mas também eu fui bem em Matemática e gostava de Geografia.

          Na loja, eu comecei a vir por volta de 2006. Antes, eu vinha todo sábado, porque de manhã meu vô, Itacolomy, estava na loja - era cinco e pouco da manhã, ele chegava aqui na Casa Carvalho. Aí eu vinha também para ter um pouco mais de contato com ele. E depois a gente ia de novo tomar café e ir à igreja, e nove e pouco ele já ia embora. Um tempo antes de morrer, ele foi morar aqui perto, num hotel do centro da cidade, no mesmo quarteirão da loja, e aí eu tive mais convivência com ele - levava para jantar, ir ao médico. Ele ficou um mês, mais ou menos, no hotel, e depois foi morar com a gente na casa do meus pais, até que faleceu.

          Mas antes dele, foi o meu bisavô quem começou a loja, em 30 de junho de 1924. Ele era alfaiate, abriu o comércio aqui - que era residência também - e começou a fazer roupas. A ferrovia é bem próxima da loja, a estação da ferrovia de Bauru, a Noroeste. Era ela que interligava o estado de São Paulo e o Brasil ao exterior. Então, tinha muita gente em Bauru, e foi assim que ele começou a fazer ternos. Montava, fazia os ternos por alguns anos, até que começou a chamar outras pessoas para ajudar, porque não dava conta de produzir todos os ternos sozinho. E aí ele começou a comprar algumas roupas prontas. A partir disso, foi implementando mais a loja: chapelaria, malas, camisas, esses tipos de itens.

          Já com o meu pai, ele começou a trabalhar na loja desde 1970, mais ou menos. Aí, em 1993, a loja ficou só para a nossa parte da família, porque meu pai ganhou uma parte do meu avô Itacolomy, e a outra parte ele comprou do tio dele.

          Eu acredito que na época do meu avô, ele tenha ganho bastante dinheiro, mas quando meu pai assumiu, a loja devia em cartório, tinha muitas duplicatas em atraso. Estava uma época difícil do governo, muitas trocas de moeda, inflação alta, mas ele nunca pensou em desistir. Abriu outros negócios, mas sempre investiu na loja. E aí aconteceu a abertura do Bauru Shopping, que foi quando ele começou a expandir, a pensar no futuro, numa outra região, num outro tipo de público para atender.

          O pessoal conhece a Casa Carvalho como loja de terno, bem tradicional. Mas quando inauguraram o shopping, meus pais abriram lá uma empresa que se chamava Gift Balloon, um quiosque. E daí surgiu um ponto interessante ali na praça central, onde ele montou a Casa Carvalho, para tentar pegar esse outro público. E foi bem difícil no começo, porque o shopping de Bauru não era igual aos shoppings de hoje, que são de um único dono, mas sim como se fosse uma galeria grande: várias pessoas, investidores, médicos, compraram lojas para as esposas trabalharem na época. Então, não tinha aquele grande investimento em marketing, e foi bem difícil no início.

          Até a gestão do prefeito anterior, o calçadão de Bauru estava abandonado. Os lojistas que cuidavam, faziam uns enfeites de Natal, decoração, campanhas, manutenção, mas o Ministério Público proibiu que houvesse essa associação, e desde então ficou por conta dos prefeitos, e desde então os prefeitos não tomam conta. É preciso movimentar mais o centro da cidade. Já o Bauru Shopping sempre veio crescendo, porque há uns sete anos abriram o outro shopping, o Boulevard, e foi muito bom para a cidade, pois fez com que o Bauru Shopping se movimentasse. E então nós estamos abertos nessas duas frentes, nas duas lojas. Fizemos uma pesquisa, e sabemos que, no Calçadão do centro, 85% dos clientes vêm direto para a Casa Carvalho, já no shopping isso cai para 65%.

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