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Carteiro nota 10

História de: Aldenor dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 21/02/2013

Sinopse

Aldenor teve uma infância difícil. Mudou-se para Brasília para trabalhar como carteiro. Ele conta como é a rotina de seu trabalho e o percurso que faz para chegar até ele: pedalando de seis à sete quilômetros por dia com sua bicicleta.

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História completa

Meu pai foi ignorado, ele não nos criou. Fui criado pela minha mãe. A infância foi miserável, o máximo da pobreza na época. O governo não ajudava, e pobre pra sobreviver tinha que se superar. A gente vivia de favores. Quando minha mãe começou a trabalhar recebia um mínimo que não era nem um mínimo. A barra era pesada. Era muitos meninos. Quando fazia frio, era até legal porque a gente se amontoava tudo. Eram onze irmãos.

Eu vim pra Brasília porque fui escolhido como Carteiro Nota 10. A gente tem que agradecer quando o sol queima a pele, viver a rotina. Eu entrei no Correio há quase dez anos. Eu já havia prestado serviço para outras empresas, então conhecia o trabalho. Mas eu achava que trabalhar de carteiro era só pegar as cartas em ordem, mas não sabia que tinha que ser eu a colocar em ordem todas as cartas. Aquilo deu uma boa dor de cabeça. Mas eu sempre tive hábito, desde a escola, de chegar cedo, e isso me ajudou.

O dia a dia de um carteiro é corrido. Isso foi uma coisa legal pra mim porque eu tenho que me superar a cada dia. Dificilmente um dia vai ser parecido com o outro. De um dia para outro as cartas não entregue, se acumulam. Então você tem que dar conta. Quando tem um evento como carnaval, que as coisas se acumulam, então você tem que ter um bom relacionamento com o gestor que aquilo se acumula mesmo. Mas o tempo vai de acordo com a complexidade do seu distrito e o tipo de entrega.

Eu faço de bicicleta algo de 6 a 7 quilómetros por dia para chegar ao trabalho, e depois toda a entrega e ainda a volta ao trabalho. Mas é bom pra queimar as calorias, e aí no final de semana eu posso brincar um pouco com a cervejinha. Os Correios já são parte da minha vida. É minha dignidade. É com que eu pago minhas dívidas, e acho que é uma empresa que reconhece meu esforço. Desde que entrei, no começo da gestão Lula, até agora, o salário aumentou bem. Ainda não é o que a gente almeja, mas dá pra sustentar. Com o meu primeiro salário eu senti um cheiro de esperança, porque passei muito tempo desempregado. Agora posso honrar meu nome.

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