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História

Carreguei lenha para pagar a professora

História de: José Fabiano
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/12/2014

Sinopse

Lembranças da infância em Minas Gerais; migração; chegada ao Morro dos Prazeres; lembranças das casas, ruas, pessoas, as dificuldades; a esposa e a família; o Casarão; a religiosidade e as missas católicas.

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História completa

P/1 – Senhor. José, qual é o seu nome completo?

 

R – É só isso aí, José Fabiano.

 

P/1 – O senhor pode me dizer o local e a data aonde o senhor nasceu.

 

R – Eu nasci em Minas Gerais, em Rio da Espera.

 

P/1 – O senhor tem algum apelido?

 

R – Na minha terra eu tinha, aqui no Rio não tem não.

 

P/1 – O senhor pode me dizer o nome do seu pai e da sua mãe.

 

R – José Fabiano da Silva.

 

P/2 – E da mãe?

 

R – Francisca Barbosa.

 

P/1 – O senhor tem quantos irmãos?

 

R – Cinco.

 

P/1 – Qual é o nome deles?

 

R – Das irmãs, são Maria, não precisa falar o sobrenome, né. São Maria, Diva, Efigênia e irmão é, eu, José, e Silvio. São cinco irmãos, dois homens e três mulheres.

 

P/1 – Na sua infância qual era a sua brincadeira preferida?

 

R – Como é que é?

 

P/1 – Na sua infância o senhor gostava de brincar do que?

 

R – Na rua a gente brincava de roda, de pique, de esconder.

 

P/1 – O senhor teve uma boa educação religiosa?

 

R – Toda vida. Até hoje, a minha mãe, tá com 97 anos, e a religião dela é mais que a minha.

 

P/1 – O senhor frequentou escola?

 

R – Até o segundo ano.

 

P/1 – Aonde foi a escola que o senhor freqüentou?

 

R – Na roça mesmo.

 

P/1 – O colégio lá da roça era o que?

 

R – Do governo, a escola era do governo e a gente tinha que pagar por fora pra poder aprender mais alguma coisa, porque no colégio, era colégio só, né. A professora ia, uma, duas professoras não pagava nada, mas quem queria estudar ... Eu pagava um colégio por fora, da professora particular, eu carregava lenha pra pagar ela pra poder estudar, pra aprender outras coisas. Então eu aprendi conta, conta, por exemplo, eu sei fazer tudo que é conta, mas ler, eu escrevo mal pra caramba, eu não sei escrever. Eu podia tá bem de vida, até aqui no morro, porque aqui mesmo tem umas professoras. Aí, podia tá como presidente aqui, vice presidente, mas eu não sei escrever nada, escrevo tudo faltando letra, fazer conta eu sei, mas eu aprendi com essa professora. Ela me botava de castigo no quadro pra fazer conta, tinha que fazer aquelas contas todinha e carregava lenha pra pagar ela, um quilo de lenha, na roça não tinha negócio de pagar, aí eu carregava um quilo de lenha pra pagar ela.

 

P/1 – O senhor tem alguma outra lembrança no seu período escolar?

 

R – Acho que nada, daquilo nem lembro mais, saí da minha terra com 25 anos.

 

P/1 – Quando o senhor saiu de lá?

 

R – Saí de lá em 1959.

 

P/1 – Por que?

 

R – Pra procurar serviço.

 

P/1 – Pra procurar coisa melhor?

 

R – É, lá era roça, o meu pai trabalhava na roça e trabalhava com ele, ajudava ele na roça e tudo, mas chegava no dia de domingo, sábado não tinha dinheiro pra comer, aí foi chegando um tempo que eu disse: “Vou sair”. Aí saí pro mundo procurando serviço. Tive em diversos lugares: tive em Congonhas do Campo, tive em Brasília, em Belo Horizonte, em diversos lugares. Batalhando, arrumava serviço trabalhava três, quatro meses, aí voltava. Ganhava dinheiro, né. Aí voltava em casa ia para ver minha mãe e meu pai. Aí depois eu vim pro Rio, vim pro Rio em 1959. Desde de 1959 eu tô aqui, até hoje. Em 1963 eu casei e tô, desde 1963, morando nesse morro aqui. Tenho 30 e tantos anos morando aqui.

 

P/1 – E como é que o senhor descobriu aqui o Morro dos Prazeres?

 

R – O Morro dos Prazeres,descobri por intermédio dos meus amigos que moravam aqui. Porque eu trabalhei em motorneira, a minha irmã já trabalhava ali há muitos anos, de enfermeira, aí me levou pra lá, de lá eu conheci a minha sogra aqui nesse morro. A minha mulher. Não sei se você conhece Dona Palmira e Senhor Joaquim? Aí eu comecei namorar com ela e daí eu descobri onde morava os pais. Aí os pais dela moravam no Morro dos Prazeres, eu conheci o Morro dos Prazeres por causa da minha mulher. Ela me apresentou pro pai dela, a mãe dela morava do lado do José Bernardo, aí vim pra cá e por aqui eu fiquei. Morava do lado de lá, eu te falei, fiz um barraquinho do lado de lá, me casei, criei meus filhos todos ali, tão todos casados. Todos feitos, graças a Deus. O mais velho tá desempregado porque não acha emprego.

 

P/1 – O senhor teve dificuldade em se adaptar aqui no morro, assim que o senhor veio morar aqui?

 

R – Nada, aquele tempo era bom pra fazer barraco. Tinha muito lugar pra fazer barraco. Agora tá mais difícil, chegava aqui no morro, fazia um barraquinho em qualquer lugar. Não tinha morador como tem agora, o morro era abandonado, não tinha _______, aí fazia um barraquinho. Morava do lado de lá, vim pra aqui, fiz um barraquinho onde eu moro. Não tinha barraco, não tinha nada. Um cara apareceu vendendo terreno lá. Hoje em dia ele não mora aqui mais, sumiu de lá, comprei e paguei tudinho o terreno, paguei no Banco, lá na Rua Riachuelo, pagava no Banco todo mês. Era uma mixaria, acho que era um cruzeiro. Um negócio assim, não tinha real ainda não, aí eu paguei tudo, as prestações, quando eu acabei de pagar, ele falou: “Olha, não tem escritura não”. Aí eu falei: “Mas tem escritura, você falou que tinha escadaria, tinha água, tinha tudo”. “Não, a gente tem escritura só quando todo mundo pagar” e ninguém tava pagando nada. O lugar que eu morava ali, tinha coronel, tinha general, todo mundo era dono, até hoje ninguém apareceu como general, nem coronel nem ninguém; o coronel de lá sou eu. Fui gastando dinheiro pra fazer coisa e tal, fui quebrando tudo, fiz tudo de estuque. Era tudo de estuque o meu barraco, agora fui quebrando, fazendo de laje, ficou um mais baixo, outro mais alto.

 

P/1 – Qual era o meio de transporte assim que o senhor chegou aqui?

 

R – Aqui só tinha bondinho.

 

P/1 – Bondinho?

 

R – Quando eu vim pra cá só existia bondinho, que era bonde, né, o carioca do Rio de Janeiro. Quando eu vim pra aqui, só tinha bondinho pra Praça da Bandeira. Tinha bondinho pra todo lugar, aqui era bonde, né. Depois que veio condução, aqui mesmo foi posto de condução. A condução veio aqui, depois veio aqueles ônibus do governo, aí acabou, foi indo, acabou veio o  bondinho de novo, aí depois foi aparecendo a condução e hoje em dia tem muita condução.

 

P/1 – Sr. José e a sua casa, quem construiu a sua casa?

 

R – Deus, eu e minha mulher.

 

P/1 – Dá pra o senhor me descrever como era a casa?

 

R – Era de estuque, posso dizer que era de estuque, barro, concreto e esboçava com eles pedaços de taquara. Fazia aquele barro, esboçava, tacava cimento por fora pra deitar, agora já modifiquei tudo. Fui quebrando tudo, fazendo de laje. Mas, é um pedacinho hoje, um pedacinho amanhã. Faz um quarto hoje. Fica uma parte mais alta, outra mais baixa, porque se fosse tudo direto, né, estava só uma laje, ficava lá direto. Fazia um quartinho aqui, botava um pedacinho de laje.

 

P/1 – O senhor morou em outro endereço aqui no Morro dos Prazeres?

 

R – Não.

 

P/1 – Veio direto pra essa casa onde o senhor tá?

 

R – Morava em lugar alugado. Morava em Madureira. Trabalhei três anos em Madureira, lá eu pagava um quartinho, pagava pra dormir lá. Depois eu vim pra casa da minha sogra, fiquei uns seis meses aqui morando com meu cunhado, daqui casei, agora moro aqui mais de ..., desde 1963 até hoje nunca tive outra casa, nunca tive nada em lugar nenhum.

 

P/1 – Na época que o senhor veio pra cá, mudou muita gente, nessa época também?

 

R – Aqui pro morro?

 

P/1 – É, nessa época que o senhor chegou aqui, veio muita gente também? 

 

R – Ah, tinha muito morador aqui, já morreu, já mudou.

 

P/1 – Era bom morar aqui?

 

R – 100%. O morador do lado dele, aqui, todo mundo já conhecia, né. Nessa área aqui, era Senhor Haroldo, Zé Flamengo, Dirceu, Zé Paulo, morava muita gente. Já morreu muitos, já mudou, faz muito tempo também. Só não tinha a condição que tem agora, né. Naquele tempo não tinha água, não tinha luz, não tinha nada. Eu carreguei água do Xororó pra fazer o meu barraco, na lata, pegava o carrinho, botava na barriga, levava pra casa e fazia o meu barraco, mexia a água no bolo e fazia. Depois que foi surgindo a luz aí, que o governo deu. José Bernardo que conseguiu essa luz aí, com muito sacrifício e a água veio depois, aqui era muito bom, mas não tinha nada.

 

P/1 – Havia algum vendedor ambulante aqui?

 

R – Não, aqui não tinha nada. Aqui nem tinha vendinha naquele tempo. Pra comprar alguma tinha que ir na cidade, hoje tem vendedor ambulante, tem tudo aí, na boca. A gente só não come porque não quer, não trabalha porque não quer, pega um biscate, trabalha aqui, trabalha ali.

 

P/1 – Senhor José, me fala um pouco do casarão dos prazeres. Na época que o senhor chegou aqui como é que ele era?

 

R – Quando eu mudei pra aqui, ele era até bom, tinha uns padres que morava aqui, depois mudaram. Daí passou pra Volkswagen. O casarão era bom também, mudou pra Volkswagen. A Volkswagen era dona, até fechou essa rua com a gente aqui. A gente tinha que passar lá pra dentro, passar ali pela sede, fechava o portão inteiro, depois foram abandonando tudo, foram embora, aí ficou abandonado. Quando foram embora, deixou o pessoal morar, né, porque não tinha onde morar. Morava aqui, tinha aquela mulher ali. Conhece a Dona Valmira? A Dona Valmira morou aqui durante muitos anos, coitada, ___________________ Aí foi acabando o casarão, caindo um pedaço, caindo outro, aí foi tomando conta, tomando conta e acabou, agora regularizou aqui, então uma coisa muito boa.

 

P/1 – Como chamava nessa época, como era o nome dele?

 

R – Não me lembro não.

 

P/1 – Como era visto pela comunidade o Casarão dos Prazeres?

 

R – Todo mundo participava, vinha aqui, né. Todo mundo conhecia todo mundo, conhecia a pessoa que morava aqui, era gente boa, mas não cuidava de nada. Ficava tudo jogado, tudo abandonado, aí chegou num ponto que começou cair tudo, afundou tudo. A escada tava caindo, acabou tudo. Depois a Prefeitura veio, tirou o pessoal daqui, levou não sei pra onde. Ficou abandonado também, o pessoal que morava, um morreu, outro mudou [e] aí acabou. O Casarão, o Casarão ficou abandonado.

 

P/1 – O senhor esteve aqui na época que era igreja?

 

R – Não, nunca. a igreja era lá embaixo. Tinha missa aqui, tinha missa ali embaixo, tinha missa no prédio ali.

 

P/1 – Senhor José, me fala um pouquinho da Associação dos Moradores. A sua participação da Associação dos Moradores.

 

R – Eu tinha computador, aí. Falei com quase todos Presidentes da Associação.

 

P/1 – Dá pra falar o nome de alguns?

 

R – Conheço todos eles: o José Renato, Zé Flamengo, Zé Paulo, Senhor Loriano. Quase todos Presidentes trabalhei com eles, ali.

 

P/1 – Qual foi o cargo que senhor teve na Associação?

 

R – Senhor Loriano, senhor Tinoco, trabalhei com todos eles, aquele que morreu o _________ trabalhei com ele muito tempo.

 

P/1 – Qual foi o cargo que o senhor ocupou lá na Associação?

 

R – Sempre trabalhei cargo de obra. Sempre, foi o serviço que eu mais gostava era trabalhar na obra, fazer limpeza, sempre gosto até hoje. Fazer limpeza, fazer uma faxina.

 

P/1 – Como é que o senhor vê a chegada de novos habitantes aqui no morro, as pessoas que vem chegando, como que é?

 

R – Muito bom, melhorou 100%.

 

P/1 – Teve alguma mudança no Morro dos Prazeres?

 

R – Mudou muito.

 

P/1 – Faça uma avaliação em relação ao futuro da comunidade aqui no Morro dos Prazeres.

 

R – Como?

 

P/1 – Qual a sua avaliação em relação ao futuro dessa comunidade?

 

R – O futuro agora é, praticamente, melhorar sempre mais. Já melhorou 100%. Cada governo que entrou fez um pouquinho, agora vamos esperar pelo nosso presidente, nosso prefeito. Vê se faz mais alguma coisa, né, que por enquanto ainda não fez nada. Vê se faz mais alguma coisa pra melhorar, mais alguma coisa, pra tá sempre subindo de condição. Tá sempre melhor, tá faltando muita coisa ainda.

 

P/1 – Qual a sua principal atividade hoje, o que se faz hoje?

 

R – O que eu faço hoje? Eu faço qualquer serviço, mas eu não tenho idade suficiente pra pegar um serviço pesado. Faço uma faxina, faço um biscate, uma faxina, um vigia, mas até hoje não achei nada.

 

P/1 – O senhor é casado?

 

R – Graças a Deus.

 

P/1 – Qual o nome da sua esposa?

 

R - ________ dos Santos Fabiano.

 

P/1 – Quantos filhos você tem?

 

R – Quatro.

 

P/1 – Todos eles nasceram no Morro dos Prazeres?

 

R – Nascido e criado aqui no Morro dos Prazeres e casados aqui.

 

P/1 – Os netos também?

 

R – Os netos também.

 

P/2 – Quantos netos?

 

R – Sete. Tem quatro do Zé Luiz, um do Juarez e um do Jaime, não sei por fora.

 

P/1 – O que o senhor acha dessa vista maravilhosa que tem a cidade do Rio de Janeiro?

 

R – Melhor vivência pra viver é aqui. Eu pelo menos nasci em Minas, vivo aqui desde 1959 e vou morrer aqui. Tenho um terreno em Caxias mas tá abandonado, porque não posso fazer nada lá, tem muito gasto. Tem que aterrar tudinho, não tem dinheiro pra aterrar, pra fazer alicerce, não tem. Tem 20 anos que eu comprei o terreno e tá lá abandonado. Comprei por sete cruzeiros, fiz o alicerce pra sete cômodos, lá deixei sete cômodos. Fiz uma pastilha dessa altura, o eixo, né. Aí todo mundo foi fazendo a casa deles, a pessoa que não tinha. Morava aqui no morro, morava bem, graças a Deus, não devo nada a ninguém, ninguém me deve nada. Não mexo com ninguém. Aí eu comprei lá, os filhos não quis [quiseram] ir pra lá, deixei lá. Há 20 anos fiz alicerce pra sete cômodos, mas não posso fazer nada. Pra fazer tem que ter dinheiro, pra levantar ao menos a casa e depois vai pra laje. Se você fizer uma parede hoje, amanhã você vai lá, tá derrubada, então não adianta gastar dinheiro, se você não tem o suficiente pra fazer.

 

P/1 – Aí tá lá com os alicerces?

 

R – Até hoje, há 20 anos. Eu levo lá, te mostro, lugar bom, Largo do Amorim, tenho escritura do terreno, tenho tudo. Pago os impostos todo mês, todo ano pago o imposto.

 

P/1 – Ninguém invade não?

 

R – Graças a Deus até hoje não, tem muitos moradores que moram ali, o meu terreno tá cercado de morador. Quando eu comprei - aquele menino que morou perto de você, o Valdeir, você conheceu - ele tinha terreno lá, colocou a venda em Caxias, sete reais, sete cruzeiros. Aí fui lá com ele passei do nome dele, da mulher dele, paguei tudinho, me deu a planta, tenho até a planta. Se tivesse uma ajuda pra fazer a casa, até que eu mudava pra lá, não aquento subir o morro mais, já tô cansado. Lá é baixinho, passa ônibus na porta. Tem que ter dinheiro. Se tivesse dinheiro pra fazer uma casa, ia até fazer uma casa pequena quatro cômodos, um quarto, uma sala, cozinha. Se desse eu já ia. Tô aposentado.

 

P/1 – Tem que ter dinheiro pra levantar é tudo rápido, não pode deixar pela metade, se não não termina.

 

R – Lógico, no estado do Rio não é igual aqui não, aqui você levanta um quarto deixa ele ali. Aí domingo você, tá em casa, lá não. Você mora aqui, então domingo é mais fácil de fazer. Porque lá, domingo, tem material na porta, tem tudo, mas aí, você tem que ir no sábado, domingo. Agora acabou. Aquele vereador, que era de Caxias, o Cantareira. Aquele vereador ligou pro meu irmão pra botar terra pra mim lá, ele falou: “Pra botar terra você tem que vir aqui sábado, ficar na fila e quando o caminhão chegar, você vai até lá e despeja a terra”. Mas tem que parar o primeiro caminhão, depois você não consegue mais, vai gastar uns sete caminhões de terra naquela ocasião, aí tá sem a terra até hoje.

 

P/1 – Se você pudesse mudar alguma coisa na sua trajetória de vida, o que você mudaria?

 

P/1 – Na vida do senhor até hoje, se pudesse mudar alguma coisa, o que o senhor mudaria?

 

R – Praticamente não tem nada pra mudar mais. Se fosse mudar eu queria ter a minha casa lá em Caxias, mudar do morro, aí ia ser a minha salvação. Podia ter jeito de eu ter uma casinha pra passar o fim de semana, fazer lá uns três cômodos. Fim de semana ia pra lá. Agora, o morro tá muito bom, antigamente era pior, não tinha nem onde viver. No morro era tiro daqui, agora tá calmo, tá tudo bem, você pode ficar mais tranquilo, nem esquento mais sair do morro por causa disso.

 

P/1 – O que o senhor acha de ter dado o seu depoimento pro Museu da Pessoa?

 

P/1 – O que o senhor acha desse depoimento que o senhor deu agora pro Museu da Pessoa, o senhor gostou, como é que foi?

 

R – Cada um que entra, cada um que passa é melhor. Acho 100%, porque não parou naquilo que tava. Depois de tanto tempo que eu moro aqui, hoje em dia já não tinha nem caminho, tava tudo caído, tá sempre melhorando, cada um que entra faz um pedacinho pra gente, arruma uma coisa. Vai ter uma creche aqui, agora, nesse casarão aqui, só tá faltando a nossa creche sair, quando ela sair já melhora mais 100%.

 

P/1 – Senhor José, o senhor possui algum documento alguma foto da época que o senhor chegou aqui, que o senhor possa emprestar pra gente.

 

R – Aqui não tenho não, tenho em casa. Em casa tenho até certidão de nascimento, que eu tenho guardado até hoje.

 

P/1 – E o senhor pode emprestar pra gente?

 

R – Hoje não.

 

P/1 – Mas o senhor pode emprestar pra gente em outra oportunidade.

 

R – Só não tenho identidade, que eu to tirando a minha identidade, tá difícil tirar. Eu tenho aqui com ele o número da minha identidade, mas isso aí, é do tempo que eu moro aqui, casado. Mas desde que eu mudei pra aqui, só tenho certidão de nascimento, certidão de reservista, essas coisas.

 

P/1 – O senhor tem fotos?

 

R – De documento?

 

P/1 – Não, fotos que o senhor tirou daqui.

 

P/2 – Lembranças da comunidade.

 

P/1 – Da lembrança da construção, da Associação dos Moradores, aqui da comunidade, fotos da comunidade.

 

R – Daqui acho que nunca tiramos, tirei pra trabalhar com ele, dei pra ele tirar a minha identidade.

 

P/1 – Não tem uma foto de algum momento.

 

R – Tenho foto tirada agora pros documentos.

 

P/2 – Assim, com a família reunida.

 

P/1 – Fotos mesmo da família.

 

R – Tenho fotos de casamento, do batizado essas coisas, isso tenho dentro de casa. Tenho do casamento meu com minha mulher, com os padrinhos tudo aquilo.

 

P/1 – O senhor pode separar algumas fotos dessa e trazer pra gente tirar uma xerox, o senhor pode fazer isso.

 

R – Eu posso ir lá e trazer.

 

P/2 – Porque o objetivo do Museu da Pessoa é levantar a memória da comunidade, desse trabalho que você tá fazendo aqui.

 

R – A fundação, como era, o que que tinha, que pessoas conheceu.

 

P/2 – Exatamente, porque a memória da comunidade, ela tá apagando e se a gente não acender agora, daqui a pouco seus netos não vão saber como é que foi...

 

R – Porque o novo não tem memória de nada, não sabe nada, começando viver agora. Já o antigo tem memória quando mudou pra aqui, como é que era, tinha isso, tinha aquilo, fulano de tal morou aqui.

 

P/2 – Na nossa ausência amanhã, eles vão vir aqui, vão vê a nossa Fundação, aqui contando como era isso ___________________________________ .

 

/R – Mas isso aí, depois eu posso trazer pra você.

 

P/2 – As fotos.

 

R – Tem foto de quando eu vim pro Rio, de solteiro com os amigos, de ____. Trabalhei de _____ lá, com os amigos.

 

P/1 – Senhor José, então muito obrigada pela entrevista, eu queria agradecer o senhor por ontem e por hoje. Por o senhor ter dado o seu depoimento, muito obrigada.

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