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História

Carlos Alberto Teixeira Azevedo

História de: Carlos Alberto Teixeira Azevedo
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 16/10/2015

Sinopse

Maranhense, da cidade de Cajapió, Carlos Aberto, 48, iniciou sua vida profissional já no projeto para a ferrovia da Amazônia. Mesmo passando por três empresas, a ferrovia nunca saio de sua rotina, sendo determinante para com sua relação familiar e também desenvolvimento profissional. Carlos Alberto relata sua trajetória com muita gratidão por todo o aprenzidado proporcionado, e para registro de toda essa história, criou o jornal "Ferroada", feito a mão, com os causos desses anos na mata e ferro. 

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História completa

 P1 - Carlos Alberto, boa tarde, a gente podia começar com você falando o seu nome completo, local e data de nascimento, por favor.

 

R - Carlos Alberto Teixeira Azevedo, 48 anos, nascido em Cajapió, Maranhão.

 

P1 - Seus pais eram de onde, Carlos Alberto?

 

R - Meus pais também são da Baixada Maranhense, meu pai de São Bento, minha mãe de Cajapió.

 

P1 - E qual era a atividade deles?

 

R - Meu pai foi militar e minha mãe dona de casa.

 

P1 - E eles se conheceram aonde?

 

R - Se conheceram em Cajapió.

 

P1 - Cajapió?

 

R - Cajapió.

 

P1 - Você nasceu e cresceu lá?

 

R - Nasci lá e vim pra São Luís ainda com alguns meses de nascido, me considero de São Luís. Fui conhecer a terra que eu nasci depois de 40 anos.

 

P1 - E como foi quando você voltou?

 

R - Emoção razoável, razoável. Procurei o local onde a gente morava, já tinha só o terreno, achei só um tio, conversei com ele, puxei conversa, ele era um artista, João Teixeira, irmão do... como é que ele chama? Que montava as gravuras dos livros de Jorge Amado, esqueci o nome do rapaz agora. Então, fui relembrando, andei pela cidade, pequena, pobre, mas é uma emoção.

 

P1 - Como era São Luís, em que lugar da cidade você foi morar quando você chegou? Onde você cresceu, como era a cidade?

 

R - Depois da migração, vim direto para um lugar chamado Bairro de Fátima. Lá foi que eu, como diz, assim... acendi para o mundo, e de lá só saí depois de casado.

 

P1 - E você começou a estudar em Bairro de Fátima?

 

R - Em Bairro de Fátima, colégio público, bairro de Fátima.

 

P1 - Sua formação?

 

R - E minha formação, escola técnica, segundo grau em escola técnica, e depois Universidade. Há três anos atrás foi que eu terminei a Universidade, incentivado pela empresa.

 

P1 - Como você chegou na Vale? Em que época foi?

 

R – Eu, para chegar na Vale, propriamente dita, minha história vem desde 74, quando a Valec chegou pra locar a própria ferrovia, a própria linha que seria a futura ferrovia. Então, eu entrei pela Valec em 74, janeiro de 74, mais alguns colegas de escola técnica, e aí foi que eu comecei, propriamente dito, a tomar conhecimento de uma estrada, do projeto, e acompanhei a locação da estrada de ferro desde aí até em 83. Antes passei pela Valec, deu lugar à Amsa Amazônia e Mineração, da Amsa nós entramos numa empresa chamada Engevix, que era uma empresa de transição para chegar na Vale, primeiro você tinha que passar três meses na Engevix, e depois entrar na Vale. Aí foi num concurso que houve na escola técnica, a escola técnica chamou, nós remanescentes do curso de estradas, e depois desse concurso nós fomos admitidos na empresa, em janeiro de 83.

 

P1 - E quando você entrou na Valec qual era a tua atividade? Como você entrou?

 

R - Minha atividade era fiscalizar a Lasa Engenharia, que era a empresa que fazia os levantamentos topográficos dessa linha toda, e eu acompanhava cada turma dessas de topografia, de exploração topográfica.

 

P1 - Era exploração topográfica da linha da...

 

R - Da linha que, onde seria o futuro leito da ferrovia.

 

P1 - E você trabalhou em que área? Você seguiu os acampamentos, como foi essa experiência? Como que era o dia a dia do trabalho?

 

R - Sim, a gente era alocado, uma determinada chefia alocava a gente numa determinada turma, turma 23, vamos dizer assim, locado em empresa de porto Miranda, e a gente ia, ia de helicóptero. Chegava uma turma lá, agregava lá ao pessoal, se apresentava, cada turma tinha um engenheiro, um engenheiro responsável, um topógrafo, e dali em diante a gente ia acompanhar o serviço, todo dia fazia um relatório e mandava esse relatório para a administração aqui em São Luís.

 

P1 - Como eram essas comunidades por todas essas cidades quando vocês chegaram?

 

R - A empresa de porto não existia, hoje é um povoado grande, mas nesse tempo não existia, era só o nome, era a obra mais perigosa do trecho.

 

P1 - Por que era perigoso?

 

R - Lá era lá para a Amazônia, você não via ninguém, era o único trecho que não tinha levantamento aero fotogramétrico, exatamente por causa da topografia do terreno, o satélite não conseguiu levantar isso. Então, esse trecho todo foi feito por exploração topográfica, numa turma, digamos assim, do norte e uma turma do sul. A gente ia acompanhando o leito do rio Pindaré, acompanhando, acompanhando, ia uma pessoa na frente gritando, a gente ia acompanhando ele na exploração topográfica, até encontrar o Dr. Mário Dias, a outra turma que vinha de lá, que vai ter as duas frentes, então, era uma tentativa, sabe, o rio é que, era o único trecho mais difícil. Tinha malária, lá é que eu consegui pegar malária, foi lá, saiu muita gente lá, era um trecho mesmo ainda impenetrável.

 

P1 - Você chegou a pegar malária?

 

R - Peguei três malárias, mais pra frente ainda.

 

P1 - Carlos Alberto, depois que você participou da locação do trecho, do levantamento topográfico, qual foi a sua atividade? Eu queria que você falasse também um pouco do jornalzinho que você fez.

 

R - Depois que a ferrovia ficou pronta e nós fomos admitidos pela empresa, pela Vale do Rio Doce, propriamente dito, aí nós fomos para o CCO, Centro de Controle Operacional, no Centro de Vagões, Centro de Locomotivas. Hoje eu estou no Centro de Escalas. Mas, aí com o tempo surgiu a idéia da gente não deixar, não esquecer essa história da construção da empresa, aí eu bolei um jornalzinho chamado “Ferroada.” Esse jornalzinho existe até hoje, não sai com bastante, mais...

 

P1 - Regularidade.

 

R - Regularidade, mas sai. Esse jornalzinho, “Ferroada”, a primeira edição foi contando num modo bem satírico tudo o que aconteceu, desde o início até aquele momento, onde a ferrovia estava pronta. De lá pra cá esse jornal vem tendendo a muitos repórteres, os colegas nossos são “repórteres” dele, e vêm mantendo ele de informações, a gente vai fazendo, e dentro de uma certa realidade bem satirizada.

 

P1 - E vocês imprimem ou ....?

 

R - Não, a gente, ele é feito à mão livre mesmo, e fica guardado em minha mesa, na sala.

 

P1 - Passa de mão em mão?

 

R - Passa de mão em mão. Quando alguém quer (explodir?), a gente guarda imediatamente para não perder a história.

 

P1 - E já teve caso de gente querendo fazer (inaudível)?

 

R - Teve gente, teve um capixaba aí que, constava no jornal, ele ficou perdido no tempo, aí ele mandou um trem seguir no sentido Carajás pensando que ele estava mandando para São Luís, o trem ainda andou, ainda aí pegaram a tempo esse trem. Então, eu coloquei isso no jornalzinho, ele se zangou, ficou bravo, ele se zangou comigo e disse que isso não podia acontecer, ele ia rasgar o jornal, mas que nem a gente é na esportiva, ficou para a história dela.

 

P1- Certo. Tem mais alguma história, mais alguma coisa que você queria registrar?

 

R - Com relação a...

 

P1 - Ao que você quiser falar, da sua trajetória...

 

R - A trajetória, bastante rica, que me deixou, foi um aprendizado enorme, foi essa de 74 até 83, com essa (inaudível) ferrovia. Hoje a gente, eu posso te dizer que a turma que está entrando hoje está achando tudo asfaltadinho, na boa, mas o que a gente passou foi um aprendizado enorme, um aprendizado, conviver com todas as adversidades nessa floresta, com gente de todo tipo, com você longe da família, passava três meses, depois de três meses você vinha e passava uma semana em casa de folga, e voltava de novo. Mas foi muito bom, e serviu muito também para a gente cortar o cordão umbilical da família, ainda estava começando a entrar no mercado de trabalho, e essa ferrovia, esse aprendizado para mim foi... foi tudo, essa ferrovia foi que me formou, vamos dizer assim, que me deixou mais adulto, e hoje ela pra mim é, ela faz parte da minha vida, tudo o que eu tenho eu devo a esse projeto Vale do Rio Doce.

 

P1 - Está certo, obrigado.

 

R - Obrigado.

 

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