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Carlinhos: juventude no cuidado

História de: Antônio Carlos Ferreira dos Santos
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 08/09/2004

Sinopse

Anônio Carlos Ferreira dos Santos nasceu no dia 25 de outubro de 1971 em Bragança, Pará. Seus pais vieram "fugidos" para se casar e se estabeleceram em Marudá. Carlinhos conta que nunca viu seu pai, pois este falecera quando Carlinhos tinha 1 ano de idade. Nos conta sobre a sua cidade, as brincadeiras de criança, as dificuldades que teve para ir à escola, como os jovens pediam autorização para chamar as moças para os bailes. Trabalhava como ajudante de pedreiro até que é chamado para o concurso de Agente Comunitário de Saúde. Por ter um perfil jovem, bem visto, e já tocar um movimento com outros jovens, é aprovado e desde então sua vida mudaria. Carlinhos conta estas e muitas histórias que nos levam a conhecer melhor a vivência de uma cidade pequena do Pará e de como o trabalho dos ACS ajudou a salvar muitas vidas.

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História completa

P/1 – Ô, Carlinhos, primeiro vamos começar com a sua identificação? Me diz o seu nome completo, a data, e o local de nascimento?

 

R - Meu nome completo é Antônio Carlos Ferreira dos Santos, nasci no dia 25 de outubro de 1971 em Bragança, aqui no estado do Pará mesmo.

 

P/1 - Tá certo. Então como eu disse a gente vai conversar um pouco sobre a história da sua própria vida pra gente entender como é que você chegou a ser agente comunitário. E eu queria que você me falasse um pouco da história dos seus avós? Quem são seus avós pelo lado do seu pai?

 

R - Olha meus avós por lado de pai e de mãe, eu sei bem pouco sabe, porque inclusive eu não cheguei a conhecer meu pai, meu pai quando ele faleceu eu ia completar ainda um ano, até hoje não tenho, minha mãe, meus parentes não guardaram foto, eu tenho ainda essa mágoa comigo de não ter conhecido o pai, né, é muito triste, então do meu pai.

 

P/1 - Você nunca viu nenhuma foto dele?

 

R - Nunca, não ficou nenhum registro nada, sem documento pra que pudesse ver o rosto, lembrar, então praticamente não cheguei a conhecer meu pai. Então a história dos meus avós, também parte de mãe, de pai também a mesma coisa, né, sei pouco.

 

P/1 - Você não sabe nada?

 

R - Sei pouco, inclusive meus avós de parte de mãe, eles eram daqui de Marudá, né, inclusive nossa família, por isso a gente veio pra cá, nossa família, os irmãos da minha mãe, maioria mora aqui. Nosso pai tem uma família muito grande aqui, então por isso a gente... Em 80 que nós viemos embora pra cá, né, estamos até hoje, então de parte de mãe era daqui, agora de pai, sei bem pouco, eram de lá, interior de Bragança, então sei bem pouco da história dos meus avós.

 

P/1 - Bom, você sabe alguma coisa assim dos seus avós de onde é que eles eram? Eles eram de Bragança, moravam lá?

 

R - Moravam no interior.

 

P/1 - No interior de Bragança?

 

R - Deixa ver se eu lembro. Era o major, era uma comunidade, era o major.

 

P/1 - E era o major dentro da cidade de Bragança?

 

R – Não, no interior.

 

P/1 - No interior?

 

R - Bragança é uma cidade grande.

 

P/1 - É uma cidade grande? Fica em que lado aqui do estado?

 

R - Região do Bragantino.

 

P/1 - É mais sul?

 

R - É, eu acho que é a região sul mesmo do Pará. É região sul do Pará.

 

P/1 - Região sul?

 

R - Região sul do Pará.

 

P/1 - E você nasceu lá porque a sua mãe é daqui?

 

R - Era, mas ela morava lá.

 

P/1 – Marapanim?

 

R - Meus irmão todos nasceram lá em Bragança.

 

P/1 - E ela mudou para lá porque casou com seu pai?

 

R - Foi.

 

P/1 - Você sabe como eles se conheceram?

 

R - Olha, eu não lembro, eu sei que... Eles fugiam quando casavam.

 

P/1 - Eles fugiram?

 

R – É, antigamente eles contam que o rapaz namorava com a menina, decidiu se casar e morar junto, aí, eles iam buscar, eles chegam a roubar a mulher, pra ser marido e mulher, Aí eu não lembro de como, eu não tenho a história de como eles chegaram a se conhecer, mas o dia que ela fugiu ela não disse nada, só disse pra minha vó, que era mãe dela, ela disse “Tu que sabes, tu acha que está de maior.” A mãe eu vou, quer me levar, aí eles fugiram numa ponte no Patal, é município de Augusto Correia, aí eles fugiram de casco.

 

P/1 - De uma ponte?

 

R - É numa ponte que tem que atravessar, vai pra banda de (inaudível), uma ponte grande lá, é tipo um centro assim que os pescadores da parte de Ribeirinha saem, né, chego lá, coloca os barcos, as canoas, aí dá de fazer as compras deles, uma cidade no caso que fosse Marapanim, aí voltava, por exemplo - Patal fosse aqui em Marudá. Aí vinha, eu ia fazer as compras em Marapanim, vinha aqui pra Marudá, pra pegar o casco, assim era lá, eu deixava o casco lá, na ponte, que é um porto, né, aí de lá eles marcaram um encontro, aí ela fugiu com ele, né?

 

P/1 - Sabe que hora que era de noite?

 

R/1 - Foi à tarde.

 

P/1 - À tarde.

 

R - Umas quatro horas da tarde.

 

P/1 - E o seu avô não queria então? O pai da sua mãe não ia deixar eles irem então?

 

R – Não, eles iam, só que antigamente era, eu acho que era cultura daquele tempo, aquele jeito, né, da pessoa, por exemplo, já que era pessoa pobre, não era, inclusive ela é analfabeta, a minha mãe, não tinha aquela ideia do pessoal do interior mesmo, né, bem do interior, acho que não tinha aquela ideia de casar, noiva, de fazer uma festinha, de noiva, né, acho que não tinha essa ideia ainda, né? Nesse tempo era assim, decidiu morar junto, a pessoa roubava a mulher de noite, ou de dia, o importante que ninguém visse. Quando a pessoas soubessem já era considerado marido, “Mãe, fulano já roubou fulana” “Ah! Roubou é”, mulher dele já e pronto, era assim, era assim antigamente, ela me conta.

 

P/1 - Daqui, é emocionante? (riso)

 

R - Eu tenho pra mim, quando eles se conheceram foi assim, época de festa, né? A minha mãe conta que hoje em dia esses baianos (inaudível), antigamente não, pras meninas ir pras festas, o cara que fazia a festa, o bailezinho, ele ia com uma pessoa de responsabilidade idosa na comunidade pra que fosse pedir as meninas das famílias pra que fosse à noite pro baile, está entendendo? Pra festa, então quer dizer que aquelas meninas que iam pra festa pra dançar com os homens, elas só iam dançar com os homens se elas tivessem a permissão daquela pessoa que foi buscar ela na casa.

 

P/1 – Sei?

 

R - Então quer dizer, ela ficava responsável por todas as garotas ali da festa, então eu tenho pra mim que foi assim que eles se conheceram, né, meu pai gostava de jogo, tenho pra mim que foi assim.

 

P/1 - Seu pai gostava de jogo?

 

R - Gostava muito, minha mãe conta, que ele gostava muito de jogar bola.

 

P/1 - Jogar bola?

 

R - Era, ele formava torneio assim, vinha time de uma comunidade, outro de outra, aí à noite era a festa, durante o dia era jogo, torneio, à noite era festa, minha mãe conta.

 

P/1 - E bom, daí então ele era de Bragança, veio para cá. E ai sua mãe morava aqui? De família daqui?

 

R - Não, a nossa família toda praticamente nasceu em Bragança, (inaudível), só que esses uns, aí como Belém era capital, por informações de outras pessoas vinham trazendo eles pra cá, pra cidade aqui de Belém, como de Belém tinha facilidade pra cá como é praia, né, as pessoas vêm, os veranistas vêm pra praia tomar banho, aí começaram a vir os irmãos dela, está entendendo? Que eram os solteiros, aí constituíram família aqui em Marudá, inclusive as mulheres deles são filiadas aqui, eles são de lá de Bragança, quando eles eram solteiros eles iam pra Belém, aí vinham pra cá conhecer aqui a praia, aí conheceu as garotas daqui e constituiu família, então é tipo uma imigração de lá pra cá está entendendo, via Belém.

 

P/1 - Sei?

 

R - Só que a nossa família ficou pra lá, família da minha mãe.

 

P/1 - Sua vó, seu avô, tudo foi pra lá?

 

R - Tudo ficaram lá, que eram de lá, inclusive nossos avô era de lá mesmo está entendendo, inclusive morreram, e são tudo enterrado lá mesmo.

 

P/1 - Lá em Bragança?

 

R - Só como eu tô lhe dizendo, os irmãos da minha mãe que vinham...

 

P/1 - Aí sua mãe um dia acabou vindo para Belém?

 

R - Aí um dia lá em Mascarente, muita gente de Belém, a questão econômica aqui nessa época, né, era mais fácil, lá era praia então não tinha luz elétrica, na comunidade não tinha luz elétrica.

 

P/1 - Lá em Bragança não tem luz elétrica?

 

R - Que dizer, a gente morava em Bragança, mas era numa comunidade sabe, no interior, só que era perto.

 

P/1 - Você sabe o nome?

 

R - É Praia do Pilão.

 

P/1 - Praia do pilão? Lá era praia também, litoral?

 

R - Praia do Pilão mesmo, lá não tem luz elétrica, é água de poço, e então essa que era nossa vida, né, a profissão mesmo só era pesca mesmo, só pesca.

 

P/1 - Pesca?

 

R - Pra gente comprar a despesa da gente.

 

R - Seus avôs eram pescadores, viviam de pesca?

 

R - Era pesca. Aí pra comprar as despesas da gente tinha que ir em Bragança, né, comprar o sustento da gente, então a minha família ficou pra lá, né, aí quando foi, uns tios meus tavam bem de vida aqui, aí um primo meu filho de um tio meu que já faleceu aqui, ele foi com um irmão meu mais velho, ele é de Belém, em época de férias eles iam tirar as férias deles pra lá sabe, eles foram pra lá passear, aí começo colocar na cabeça da minha mãe que, pra gente vir embora pra, que pra cá nossos parentes moravam tudo aqui, aqui era mais fácil perto de Belém a gente podia arranjar um emprego, não era só pesca, aí fomos e ficou certo, aí quando foi em 80, a gente viemos, viemos embora pra cá, aí pronto, até hoje nós temos irmão que moram lá em Bragança, minha mãe também tem uns irmãos que moram lá, mas que meu pai mesmo, nasceu e morreu pra lá, minha mãe são tudo Bragantino, mas moramos aqui, já desde 80 então foi assim.

 

P/1 - Aqui é melhor porque tem turismo? É isso?

 

R - E muito, puxa, se não fosse lá, eu acho que seria um analfabeto, né, porque pra lá não tem escola, lá nessa comunidade inclusive está fazendo doze anos que eu não vou lá sabe, lá nesse interior mesmo, agora em Bragança também, é que era muito mais fácil, né, quando a gente veio, viemos embora pra cá, nós vínhamos mesmo, né, que por exemplo, pra pessoa que chega aqui em Marudá, a pessoa, por exemplo não tem uma profissão, é mais fácil dele, roçando a rua, por exemplo, na área que eu cubro não tem muito imigrante de fora sabe, na área que a menina cobre aí, esse lado aqui tem muito pessoal de lá que chamam bragantino, né, pessoal que está vindo de lá do interior de roça, de pesca, que a pesca pra lá é difícil, né, como eu estou te falando, a situação de vida pra dona de lá é mais fácil, então através de parentes que vêm da uma volta pra cá, aí quando vai lá, olha Marudá é mais fácil, porque é assim, aí eles começam a vim, está entendendo, eles vêm, aí chega aqui, por exemplo - se não tem o que comer, eu digo assim, né, eles já vão mangar uma pesca, tira um caranguejo, pegam siri, vão nos curau pegam um peixinho come, vem aqui no terminal faz um carreto pra levar as coisas do pessoal. Com isso ele já vai ter facilidade de se mantendo sabe, e pra lá não, os interior não, se não for a roça eles não se mantém, se não tem a pesca, se não tiver dando, se não tiver material eles não come, aí assim que, foi assim que foi a nossa história também, né, a gente migrou de lá pra cá, chegou aqui a gente viu, né,  inclusive a minha mãe, ela fala que daqui de Marudá, só pro cemitério que ela vai.

 

P/1 - E escuta, você contou a história que seus pais fugiram, né? Mas então lá em Bragança?

 

R - Foi.

 

P/1 - E eles fugiram pra onde quando eles fugiram de casa?

 

R - Lá mesmo pra comunidade.

 

P/1 - Ah! Então eles não foram pra outro lugar, eles ficaram lá mesmo.

 

R - Ficaram lá mesmo, só que as casas eram distantes uma da outra, né, não é igual aqui, interior pequeno, inclusive não era rua, era caminho pra eles se locomoveram, aí as casas eram distantes uma da outra praticamente no mato, né, praticamente, então era assim, mas eles ficaram lá mesmo.

 

P/1 - E o seu pai faleceu do que? Você sabe?

 

R - Derrame?

 

P/1 - Derrame. Então eles ficaram juntos pouco tempo? Porque logo que você tinha quantos anos quando ele morreu?

 

R - Ia completar um ano. Não eles ficaram um bom tempo, deixa eu ver, eles ficaram juntos uns trinta anos, mais de trinta anos.

 

P/1 - Trinta anos. Ah! Então você era muito novo, você é o caçula, entendi? Quantos irmãos são?

 

R - Somos treze.

 

P/1 - Treze?

 

R - Ah! Mas tem morto, somos nove vivo, meu irmão mais velho vai fazer é parece 40 anos já.

 

P/1 - Quarenta anos.

 

R - Quarenta anos, mas meu pai vai fazer 21 anos que ele é morto, vai fazer, então fazendo esse desconto aí, com quarenta, acho que eles viveram uns 25 anos assim, de 25 pra 30 anos.

 

P/1 - Que ele morreu?

 

R - Não, que eles viveram.

 

P/1 - Que eles viveram juntos? Seu pai morreu com quantos anos? Com 50?

 

R - Não, ele morreu ele tinha 39 anos.

 

P/1 - 39 só. Então eles, é 39, eles ficaram juntos 30 anos? Não é possível, porque eles se casaram com quantos anos? Não foi com nove?

 

R - A minha mãe.

 

P/1 - Seu pai tinha quanto?

 

R - Não lembro também quando meu pai, quando eles fugiram, eu não lembro.

 

P/1 - Eles devem ter uns 20 anos? Não é?

 

R - Sei que a mamãe devia ter uns 20 anos também.

 

P/1 - Então?

 

R - Ela tem 51, vai fazer 52.

 

P/1 - Então eles ficaram juntos menos que 30 anos?

 

R - Foi, uns 20 anos.

 

P/1 - É por aí?

 

R - Foi uns 20 sim.

 

P/1 - Bom, aí lá em Bragança, que é que você lembra? Você ficou lá até quantos anos?

 

R - Lá não lembro de nada não.

 

P/1 - Você ficou até quantos anos lá?

 

R - Quer dizer, aí sim. Lá onde a gente nasceu nesse interior, a gente fomos de novo pra essa praia do Pilão, onde eu estou dizendo, onde eu me criei, né, quando eu comecei a tomar consciência assim das coisas, né, porque tem uma fase que a gente não lembra, foi lá nesse Pilão. Nesse é um major que eu digo, lá a minha mãe se mudou, né, mudamos pra essa praia do Pilão lá, aí quando nós viemos de lá em 80, eu tinha nove anos, de nove pra dez anos, aí de lá...

 

P/1 - Você estudou lá?

 

R - Não.

 

P/1 - Não, o que é que você fazia? Você não lembra de nada?

 

R - Não lembro de nada, que dizer eu lembro poucas coisas que eu ia na igreja dia de domingo de manhã, escutava a missa pelo rádio, né, que até hoje é assim pra lá.

 

P/1 - Sei.

 

R - Né, o padre em Bragança ele celebra a missa pela rádio educadora, aí nas comunidade do interior, o presidente da comunidade coloca na igreja o rádio, assim na frente da igreja, aí o pessoal está rezando lá, faz de conta que é o padre que está lá, está entendendo, é o rádio, então é assim, até hoje ainda é assim, nesse tempo ainda era também. Aí eu lembro que a gente ia pro culto, pra missa, né, e que eu lembro que eu ia num barco que um irmão meu pescava quando ele chegava assim da Marena, molhar o peixe, eu ia buscar às vezes o peixe pra minha mãe fazer o almoço, só isso que eu lembro assim, lembro bem pouco sabe.

 

P/1 - E pra vinda para cá, o que é que você lembra?

 

R - A ida. Pra cá pronto, praticamente a minha vida começou aqui né, que eu cheguei, eu vim com nove pra dez anos, aí eu lembro que o meu pré-escolar, foi aí pro sossego, na casa da mãe de uma ACS [Agente Comunitária de Saúde], da Helena, era lá...

 

P/1 - Você chegou aqui e já foi estudar logo?

 

R - Fui, logo no mesmo, que dizer nós chegamos em março de 80, eu estudei em 81, comecei estudar em 81, aí eu comecei a estudar lá, fazer a minha pré-escola, aí de lá fez, foi até primeira, aí foi primeira adiantada que era a primeira atrasada que eles chamam, né, primeira adiantada, aí comecei a estudar numa escola que é aqui perto, que eu estudei, me formei no primeiro grau, primeiro grau foi, aliás, uma parte que eu coloquei quando eu comecei a trabalhar como ajudante de pedreiro - agora que eu lembrei que a gente vai... - quando eu terminei meu primeiro grau foi experimentar pra Belém, né, passei um mês só lá, trabalhar num bar, num bar lá do rapaz, não me acostumei, antes de um mês, faltava um dia só pra inteirar um mês, aí eu vim me embora, né, aí foi que eu continuei meu segundo grau no Marapanim, aí a questão de transporte para estudante, né, antigamente era muito ruim, só estudava aqui mesmo pra lá, porque o estudo lá era à noite sabe, então a gente tinha dificuldades, a gente não tinha trabalho assim pra... Chegava à noite pra ter dinheiro pra comprar uma merenda, né, às vezes a gente vinha uma hora, então era um sacrifício muito grande pra gente, até hoje ainda era o pessoal que estuda lá no Marapanim. Hoje em dia não, a prefeitura dele tem três ônibus já que elas pegam os estudantes no interior, mas na minha época não era assim não sabe, as prefeituras não dava apoio aos estudantes, ônibus que vinha buscar a gente, era ônibus velho, aí passou. Meu motivo de parar de estudar foi que eu estava, né, primeiro ano passei, segundo ano, passei pro terceiro, aí estava com dois meses de aula, aí deu prego no ônibus, passou dois meses sabe sem condução, aí uns iam estudar pra lá, dormiam por lá, ficavam pra lá pra casa de parente em Marapanim, aí como eu não tinha parente lá eu não ia, aí quando começou um caminhão a levar o pessoal, era até inverno, aí eu disse, “Ah!,  para o ano eu continuo.” Aí conheci a menina, né, tempo que eu namorava com ela, conheci ela, aí pronto à noite a gente chamava já, aí pronto, até hoje, quer dizer esse ano eu também não estudei, não me matriculei porque tenho problema de vista, né, cabo meu...

 

P/1 - Você tem?

 

R - Tenho.

 

P/1 - Quê é que você tem na vista?

 

R - Míope. Aí o meu óculos quebrou, e já estava vencido também o prazo aí não já morava já com a menina, né, o dinheiro da gente já pra comprar o óculos, já é pra gente se manter, então esse ano foi por isso que eu não estudei, mas para o ano eu vou fazer um esforço, vou continuar.

 

P/1 - Sei.

 

R - Então foi por isso que a gente veio pra cá pra Marudá, essa questão e a questão de transporte de estudar foi assim também.

 

P/1 - Vamos voltar, você então ficou aqui, que é que você conheceu? Como é que foi a sua primeira impressão da cidade, como é que foi você chegando, conhecendo o povo, qual foi, recebeu bem, como é que é?

 

R - Receberam, eu gostei, porque logo que eu era criança, né, que eu gostei logo era televisão, né, televisão que pra lá não tinha.

 

P/1 - Lá não tinha televisão?

 

R - Não, aí pra, na casa do meu tio tinha, logo foi uma alegria pra mim, né, de criança, foi época de julho, que é época de férias escolar, né, que o pessoal vêm todo de Belém, da capital eles vêm pra cá. Então aqui fica super animado, né, Marudá, é lazer pra todo o lado, praticamente é uma cidade, aí pronto, foi outro motivo de alegrar, a gente empinava papagaio na praia, comecei a me dar com os meninos e pronto, tinha televisão e pronto, do jeito que a gente morava praticamente no mato, né, não tinha televisão, não tinha energia elétrica, luz elétrica, né, então eu disse “Comecei a me acostumar logo aqui.” A minha mãe também, e o meu irmão mais velho, logo ele pegou, esse irmão da minha mãe ele tinha barco, três barcos, aí meu irmão começou a pescar com eles aí, aí pronto. Praticamente não tinha quase dificuldade pra gente, né, comecei a estudar, aí pronto, tinha televisão, tinha escola, tinha o papagaio e pronto, eu disse, “Gostei mesmo.” Nós gostamos, nós nos acostumamos logo.

 

P/1 - E vocês vieram todos os irmãos?

 

R - Viemos todos, que dizer os solteiros, né, os solteiros, os casados ficaram.

 

P/1 - Dos treze, quantos vieram?

 

R - Dos treze veio cinco, cinco solteiro, o resto tudo já era casado, né, já tinham família.

 

P/1 - Como é que é a relação de vocês, na sua casa, com a sua mãe, seus irmãos? Sua mãe é muito brava? Ela pega pesado se desobedece, como é que é?

 

R - Rapaz, agora a questão da minha mãe agora no momento está difícil sabe, porque a minha história com essa menina sabe, é o seguinte - É nós chegamos aqui, fomos, moramos na casa de pessoas daqui que dava pra gente morar, né, aí no ano de 95, que a gente se mudamos pra ali, próximo a caixa de água, logo na chegada, né, nossa casa era de alvenaria, ainda não tá rebocada, mas era de alvenaria, meu sonho era ter uma casa de alvenaria, né, esse era meu sonho, né? Aí morava todos os nossos irmãos foram se amigando, se casando, né, foram deixando a família, então ficou só eu e a minha mãe, aí ela, a minha irmã na época pegou um filho, a minha, ela criou sabe, a minha mãe, então era só nós três. Aí conheci essa menina a Wangela em 93, logo no final do ano de 93, quando está naquela fase do namoro tudo bem, né, quando a gente começa a ser sério, porque a minha mãe não gosta muito, ele ficou brava comigo, porque ela já tinha filho sabe, tinha três filhos, tinha não, ela tem, só que não mora com a gente, né, ela, só que ela não mora com a gente, moram com os pais dela. Aí e a aquela menina que não gostava de igreja, né, agora não porque eu me amiguei, e guando a gente se amigou a gente se afasta mais um pouco do trabalho assim de igreja, né, de igreja assim totalmente, porque quando a gente é solteiro a gente tem mais tempo, mas no momento eu tô só com o movimento de jovens, então eu era, era não, sou muito católico religioso. Ela toda contrária de mim, ela é uma menina que gosta muito de farra, ficava com um e outro, com qualquer um, não assim podemos dizer prostituta, né, prostituta que fica, eu falo nessa questão assim de, menina que não querem nada de conscientização de pai, querem as coisas da vida, então ela era assim, quando a minha mãe, a minha mãe é muito enjoada mesmo, né, essa pessoa quando vai ficando na idade fica muito enjoada, aí meu relacionamento com meus outros irmãos, todos eles me compreende, eu compreendo eles, inclusive eles dizem pra ela que o gosto era meu. Então chegou numa época não estava dando mais, eu já trabalhava como Agente Comunitário de Saúde, sabe, eu trabalhava, aí eu namorava com a menina, chegava às vezes meia noite, uma hora, às vezes ela deixava a chave na porta sabe, a situação estava ficando ruim, ela me (inaudível), se eu saía de tarde, se ela soubesse que eu estava pra casa dela ela falava as coisas quando eu vinha à noite ela me (inaudível), quando amanhecia ela me (inaudível), de novo, e às vezes ela deixava a chave na porta, aí a menina engravidou, né, teve uma época que ela engravidou, final de 94, aí ela engravidou, aí estava na época do PACS municipalizar, se não municipalizasse ia ficar suspenso no município, aí eu disse só comigo “É, vou ter que” - a situação, a pessoa religiosa, muito católica – “não vou abandonar a menina”, né, ela já tinha três filhos já, não ia abandonar ela.” E logo porque, eu ser muito católico, mesmo por, não era, nossa família não é desse tipo de... Hoje em dia é assim, né, o cara ele faz o filho numa menina e não quer mais saber, já deixa, né, por isso que gera essa questão, então nossa família ela não foi criada assim, né? E por um lado eu tinha essa questão de, a gente não tinha muita essa coisa de diálogo lá em casa com ela, com a minha mãe, sabe, ela não me compreendia, então essa questão, eu estava passando por um momento muito difícil, eu disse “Puxa, se o PACS não passar pro município, vai municipalizar, tenho que decidir a minha vida com a Vânia, eu não vou abandonar ela, ela queria ir embora pra Belém, né, queria ir pra lá cuidar do neném, queria, eu disse não, não posso deixar tu ir assim, tu é gestante e tal, aí ela... Então a questão com a minha mãe foi assim, ela tinha crescidinho, aí eu disse, “Tenho que decidir, se o PACS ficar suspenso, ou eu deixo a menina ir embora, eu deixo ela e termino de uma vez, ou então vou ter que morar com ela, deixar minha mãe e morar com ela, assumir.” Mas eu só podia assumir se o PACS continuasse, está entendendo? De onde eu tirar sustento pra sustentar a minha família, então graças a Deus, em junho de 92 teve a conferência, municipalizou o PACS, aí eu decidi a minha vida com ela, né, então quando eu decidi pra ela, já que não tinha diálogo com minha mãe, praticamente, ela diz hoje em dia que eu cheguei a fingir como uma mulher da casa pra morar com a menina sabe? Não, a questão foi assim: teve uma época, foi dia dois de outubro, ano de eleição desse ano passado, eu seria fiscal, né, então ia ser fiscal aqui, nesse tempo morava uma menina de Castanhal com a gente, né, então a menina viajou pra votar, aí quando foi à noite, umas nove horas que eu fui saber que ela ia viajar, né, então a casa que a gente mora, morava com ela na casa está entendendo, fica meio abandonado de vizinho, aí ela ficou com medo, só ela tinha o neném já, ela disse, “Se não podia dormir nesse dia, só nesse dia, que no outro dia a menina já vinha já, mas tem que ir lá em casa avisar mamãe, aí eu fui lá, foi à noite avisei ela, umas dez horas, “Mãe eu vou ter que dormir com a Wangela lá porque a menina.” Expliquei, né, aí ela resmungou lá pra dentro, né, resmungou, eu vim dormir, quando foi de dia, vim pra ser fiscal, depois que terminou a eleição que ela me disse, “Que jogou minhas coisas.” Jogou minha rede, minhas coisa, umas roupas, jogou que eu podia ir me embora, já que eu já tinha ido embora, aí já estava de corpo quente, né, peguei a rede e algumas coisas e levei, né, aí eu disse “É agora que eu vou decidir, decidir minha vida mesmo.” Aí foi assim, então a minha situação no momento com a minha mãe estava muito difícil, né?

 

P/1 - Sei.

 

R - Inclusive quando eu passo uns três dias sem ir na casa dela, ela, é muito difícil mesmo, ela me esculhamba muito, me joga tudo na cara, eu fico calado. Mas com os meus irmãos, tudo eles compreende sabe, diz isso pra ela, que foi gosto meu, ela não pode escolher mulher pra filho, nem marido pra filha, com relação com todos os meus irmãos graças a Deus, eles compreende e é boa, né, agora com a minha mãe é isso, ela diz “Que eu pra ela morri.” Está entendendo, ela não considera mais como filho, inclusive a casa dela fica dentro da minha área, né, onde eu faço meu trabalho, então a minha situação com a minha mãe, está muito difícil mesmo, não está boa, por essa questão aí que eu te falei, né?

 

P/1 - Complicado, né?

 

R - Muito complicado, mas eu espero que, meus irmãos dizem “Que vai voltar ao normal.” Mas já vai fazer anos já, né, espero que passe, né, acima de tudo ela é minha mãe.

 

P/1 - E como é que você começou o trabalho como agente comunitário?

 

R - Como tudo iniciou?

 

P/1 - É?

 

R - Foi como eu falei, né, já tinha um trabalho assim de igreja, a gente era coordenador de movimento de jovens, trabalha fazendo novenas, assim nas casas, época que as igrejas coloca, né, da igreja à noite, em todos os bairros,  então são três coordenadores em cada bairro, né, então eu sou de um bairro, a gente coordenava, coordena a reza da... Motiva as pessoas a rezar, né, falar do evangelho da bíblia, a gente já tem estudo da bíblia, em Belém já participei de três cursos do IPA, de formar mesmo a liderança pastoral, então a gente já tinha esse trabalho, né? A gente promove encontro de jovens aqui em Marudá. Até hoje a gente promove, então a gente já tinha um trabalho, aí quando foi uma vez, chegou um recado, eu morava pra cá, chegou um recado de uma funcionária da escola, que era pra mim falar com a diretora, uma pessoa muito respeitada, né, da comunidade, aí eu fiquei encucado, ela veio me falar no outro dia, isso era à noite, bem cedo, antes das sete horas era pra mim falar com ela, aí a minha mãe até falou, “Quem sabe não é alguma vaga.” Eu estava fazendo segundo ano de magistério, minha mãe ainda falou, “Quem sabe não é alguma vaga que ela quer te dar.” Porque eu soube, aí quando foi de manhã cedo eu acordei, aí vi.

 

(Pausa)

 

R - Era a mesma coisa que o dela, né, que era pra ela falar com a diretora, eu disse “É que diacho é então?” aí nós viemos, chego lá, ela chamou a gente rápido lá na secretária, ela falou que foi procurada por uma equipe do prefeito, uma doutora de Castanhal da SESPA [Secretaria de Saúde Pública do Pará], que era pra ela indicar umas pessoas, negocio de saúde, ela não sabia os detalhes, né, que não tinha nada a ver com política, não tinha política no meio, era pra maiores detalhes, era pra gente, no outro dia em Marapanim, era uma escola lá procurar a doutora, a Vilma, uma que estava coordenando. Aí tá, nós fomos, eu sei que quando foi no ônibus das sete, que tem um ônibus das sete que faz pra Belém, né, que a gente vai pra ilha do Marapanim, um monte de gente assim da comunidade, né, o mesmo objetivo, que era pra ir para escola, que foi procurado por fulano, eu disse “É, eu também fui.” Aí nós fomos, chegando eles explicaram, né, pra que era, que tem uma prova de seleção, aí nós fizemos a prova de seleção, uma entrevista, marcaram o local, o dia de receber o resultado, aí nós passamos, né, ficamos selecionados, eu fiquei como primeiro, a Fátima uma que trabalha agora na prefeitura ficou como segunda, a Soraia uma que saiu como terceira, e é Simone uma também que não assumiu como quarto e o suplente, aí foi toda essa questão aí que a gente custou a ser chamado, né, aí uns desistiram, viajaram, aí nessa questão não puderam chamar o suplente, aí pronto, ficamos só três trabalhando, aí quando foi dia três de novembro nós fizemos um treinamento de três dias, no dia seis de novembro a gente começou a trabalhar, aí até hoje a gente está. Eu e a Helena somos uns dos antigos, né, a outra menina que é, é suplente já, aí foi assim que a gente entrou no programa.

 

P/1 – O, Carlinhos, você falou que o trabalho que você começou a fazer já tinha a ver com o trabalho que você fazia na pastoral? Que é que tinha a ver uma coisa com a outra?

 

R - Quando eles pediram lá na prova... Por exemplo, que fosse um jovem, um jovem que não fosse mau visto na comunidade, né, que a comunidade constasse, que quem pagava a gente era a comunidade, assim como a comunidade coloca a gente, eles podem tirar a gente, aí nesse sentido assim que a gente já tinha, por exemplo. Claro que a gente não agrada todos, né, Cristo não agradou todo mundo, a gente não pode ser perfeito com todos, tem aqueles que de alguma maneira tem uma mágoa com a gente, né, mas é um trabalho assim de igreja, então a gente já era visto assim, que colaborava com a comunidade, a gente colaborava inclusive quando tem pessoa necessitada, a gente sai nas casas para fazer, pra tirar uma lista pra pedir ajuda, sabe? Pras pessoas, independente de ser agente comunitário, né, pessoa da comunidade, então nesse sentido que a gente já ajudava essas pessoas, nesse sentido assim que, já no trabalho.

 

P/1 - E quando você começou a fazer o trabalho, a primeira coisa é o cadastramento? Como é que as pessoas te receberam?

 

R - Aí já foi mais complicado, né, porque tem umas casas que a gente já não andava, né, como igreja tem aqueles que não participam na igreja, e tem aqueles que participam. Então quando eu cheguei, tem uns... Logo no inicio, primeiro ano do PACS, a gente foi, quer dizer no primeiro não, até antes de municipalizar, a nossa situação aqui em Marapanim, foi muito difícil, né, com o PACS, a gente não tinha apoio de governo, das autoridades, não apoiava, até porque não sabiam, desconheciam, né, que é o PACS, o programa, até hoje tem uns que não sabem, né? Agora que está começando as pessoas se conscientizarem da importância, eu digo as pessoas assim, aquelas autoridades, né, do lugar. Mas antes a gente era desprezado assim, agora nas casas não.

 

P/1 - Lugar você fala lá de Marapanim.

 

R - Sim, eu digo do município, em nível de município, né, desprezado, que a gente não dava valor, né? Então a nossa comunidade, nas casas também não era diferente, porque as pessoas são acostumados a adoecer, logo ir na farmácia, ir no médico, ter, né, é um trabalho que tem que ir devagar, né, com orientação, então eu chegava na casa, eu me apresentava, “bom dia”, quando a pessoa já conhecia a família tudo bem, né, mas quando não, batia na porta, me apresentava, falava o objetivo daquele trabalho, como estava iniciando, a importância daquele trabalho, e o por que que eu ia pegar o nome deles pra preencher aquela ficha, que eu ia passar, eu ia passar todo mês, fazer uma visita pra eles ali, que eu não ia ali pra dar remédio, explicava por que, é nosso trabalho, nesse tempo a gente nem orientava cartão, né, era só um trabalho de conhecer mesmo. Então no momento eu dizia que era só o nome da pessoa que eu ia pegar, preencher alguns dados lá numa ficha, e que e ia ficar voltando sempre, que o meu trabalho ia ser esse, que no futuro a tendência era melhorar, mas o nosso trabalho, é um trabalho preventivo, é só orientação, orientar, aí dá os exemplos, né? Por exemplo - orientar a criança, a respeito de vacina, mulheres gestantes, então no inicio ninguém recusava, né, todos conversaram, deram nome, tinha aqueles que balançavam, pensavam que era alguma coisa assim, aí eu explicava, né, explicava que não era pra ter medo, que era assim, aí a pessoa dava o nome.

 

P/1 - Teve gente que recusou?

 

R - Não, nunca recusaram, pra dar o nome não, eles ficavam assim meio, quando eu estava explicando, eles ficavam meio assim...

 

P/1 - Ressabiada?

 

R - Pegar o nome, botar o nome, mas aí eu explicava. Ah! Bem, aí pronto pegava, aí pronto, de lá pra cá não, de hoje em dia não, tem umas casas que, tem umas três casas por questão de política, que a gente não se entende, né, tem umas que não sabe separar as coisas, né, trabalho de uma outra questão, e tem uns que não gostam da gente inclusive, tem ódio de mim mesmo, dentro da minha área, uma família sabe, mas de mim não, eu vou na casa, pergunto, faço, quando eu vejo que não tem mais situação de ficar eu vou ainda, né, mas é só um.

 

P/1 - Esse que não gosta é problema pessoal?

 

R - É problema pessoal.

 

P/1 - Escuta, e quais os problemas que você descobriu que existia de saúde na sua comunidade?

 

R - Com criança, ou geral?

 

P/1 - Geral? 

 

R - Rapaz, é que nosso problema, antes estava muito pior, inclusive a nossa questão, antes de falar na questão a nível de doença, aqui não tinha médico sabe, por exemplo - uma comunidade grande, o médico aqui vinha quando bem entendesse sabe, aí uma vez nós do movimento de jovens, formei uma equipe no ano de 88, formei uma equipe com o prefeito, pra ir com o prefeito procurar conversar por que não estava vindo médico, fomos nós, nós do movimento de jovens que puxamos sabe, então não tinha, nós formamos foram nove jovens, entramos lá com o prefeito, marcamos audiência, nos recebeu muito bem, explicou que não estava vindo médico, quer dizer, o médico que disse que não vinha porque a prefeitura não dava condução pra ele vir, aí nós fomos com o prefeito, eles disse “Que se era isso, tudo bem ele ia dar.” Mas que ele se garantisse um dia na semana vendo, fomos de novo com o médico, ele disse “Tudo bem, não tinha nada à ver também.” Ele marcou um dia de sexta-feira, fomos de novo com o prefeito, está se é dia de sexta tudo bem, toda sexta-feira vai ter médico lá em Marudá. Aí nós conseguimos, né, então quer dizer, eu já trabalhava envolvido com isso, aí então fomos nós que conseguimos aqui pra Marudá, era um dia de sexta, só um dia da semana, que hoje em dia é de quinta, mas foi assim, né, que nós conseguimos, mas antes, totalmente isolado, né? É uma comunidade grande como você vê, tem muita gente aqui de Belém que vem pra cá, mas é assim Marudá. Agora com essa administração aí, parece que estão querendo olhar, né, então o nível de saúde do pessoal era muito difícil mesmo, né, difícil pela situação... É tratamento de água que a gente não tem, é dificuldade financeira do pessoal também, hoje em dia eu oriento uma gestante a fazer o pré-natal, ela diz “Não tenho um real.” Pra ir, voltar, pra Marapanim então uma situação que a gente não vai, a gente fica até meio sem saber o que fazer, né, porque a gente não vai ofertar, tem umas que eu já cheguei a tirar do meu bolso e dar pra duas senhoras, ver a situação (Inaudível) fiquei com pena, tome, o dinheiro pra senhora fazer o seu pré-natal, né, tem duas pessoas que já fez, mas tem momento que não dá, né, pra gente fazer isso, e a situação de criança também, quer dizer, agora no momento na minha área depois que a gente começou a trabalhar, trabalho em cima do soro caseiro, de diarreia está um pouco controlado, né, mas antes, até hoje mesmo por exemplo quando tem época de, tipo um surto, né, é muitos casos que deram certo, mas antes de nós trabalharmos, tinha muito mesmo, muita criança com diarreia, dava muitos casos, hoje em dia da, a gente vai dizer não dá, já não é tanto como dava, e hoje em dia que dá muito também em criança é a questão de verme, né, alergia, Carapanã.

 

P/1 - Carapanã é o quê?

 

R - É um mosquito, então hoje em dia eu encontro muito na criança com alergia que o Carapanã ferra, aí a criança vai coçando, vai virando aquela ferida, né, mas é pouco caso, mas a doença em geral aqui do pessoal é diarreia, não só em criança, né, nos adultos também, diarreia, verminose, e gripe, são as doenças mais frequentes assim do pessoal.

 

P/1 - E tinha mortalidade infantil?

 

R - Tinha, de vez em quando, inclusive aqui em Marudá, teve.

 

P/1 - Ainda tem?

 

R - Não, muito assim do jeito que tinha não, eu acredito.

 

P/1 - Mas ainda morre criança?

 

R - Ainda morre, porque naqueles casos que, na minha área vai fazer dois anos que não morre, né, criança, dois anos não, faz mais, vai fazer três anos já que não morre, e morreu uma por parto, problema de tétano, a criança foi questão da mulher que assiste, não cortou direito, e deu tétano na criança, e nesse tempo eu não cobri aquela família, e já morava aqui, porque na minha área é o seguinte - às vezes tem uma família que no mês está naquela casa, a gente pergunta cadastro tudo, aí a pessoa esta lá, aí de repente, vamos embora, né, aí quando é o outro mês eu vou, já não está mais, já foram embora já, então é o tipo dessa família que não eram daqui, eles vieram de São Miguel do Guamá, vieram pra cá, quer dizer, eu já estava trabalhando está entendendo, já fazia quase um mês, fazia um mês que eles estavam aqui na minha área, mas eu não tinha passado na casa deles sabe, naquele mês, eu ia chegar lá ainda, então a criança morreu antes deu chegar lá, inclusive eu fiquei um pouco meio, fica na área da gente, né, o ACS não foi lá, aí eu fiquei meio cabreiro, mas eu ainda ia passar na casa dela, aí a criança morreu, aí passou uns oito dias, e fui lá com a mãe, conversei com ela, aí demoram mais uns dois meses, passaram mais de quinze dias e foram embora, né, desde esse ano pra cá nunca mais morreu na minha área, é criança, né? Antes morria criança com diarreia, desnutrição, hoje em dia não, a gente já, por exemplo - tem criança que não vai muito com soro caseiro, mas a gente orienta tomar água de arroz, uma água de cocó, né, que antes o pessoal eles tinham isso aqui, mas muitas vezes não tem orientação, né? A gente já orienta já, a gente explica o por que que é preciso uma água de cocó, soro caseiro, uma água de arroz, aí pronto, talvez por outros problemas, orientação que a gente já deu. Pelo menos na minha área, né, mas já teve problema de tétano na minha área que morreu, um óbito, teve um óbito de AIDS, na minha área, já teve um óbito de parto na área da Helena, né, de parto...

 

P/1 - Então eles tem outros casos de gente abandonada?

 

R - Não, no momento não, mas na minha área já teve.

 

P/1 - Você orienta sobre o uso de camisinha também?

 

R - Não, nessa questão a gente, porque a nossa instrutora supervisora, a gente só pode orientar depois que eles repassarem pra gente, né, eles dizem isso, então a gente ainda não tivemos.

 

P/1 - Orientação de AIDS?

 

R – É. Inclusive desde 94 que a gente não tivemos mais um treinamento, desde essa época pra cá, último treinamento que a gente tivemos foi de malária, capacitação em malária, aí de lá pra cá, a gente tem coisas poucas assim, que a estrutura repassa pra gente, mas um curso mais aprofundado assim por exemplo um curso de...

 

P/1 - Você teve caso de malária na sua área?

 

R - Teve muito já, inclusive eu tenho um caderno lá em casa, caderninho que eu controlo, por exemplo - No mês, terminou o mês de abril, eu faço o mês de maio, maio de 95, aí eu faço dia tal, colhi duas laminas, resultado, aí eu deixo o resultado, aí eu só preencho numa outra semana que eu vejo que dá negativo ou positivo que eles não tragam, aí eu coloco negativo, ou positivo, dependendo, aí terminou o mês eu fecho, quantos, total de lâmpadas colhidas no mês tanto, tantos casos positivos, não deu nenhuma não, aí eu to indo lá em casa, assim na cabeça eu não sei assim, mês no caderno eu anoto tudo, então no ano de 94, a gente fomos capacitados aqui, teve um susto muito grande de malária aqui em Marudá sabe, teve outra comunidade aí do recreio que...

 

P/1 - Você não lembra quantos casos? Mais de dez?

 

R - Visse! Tem mais de 40 casos eu tratei.

 

P/1 - 40 casos, é?

 

R - Só eu sabe, só eu na minha área, 40 casos, nessa faixa aí.

 

P/1 - E aí que é que você fez?

 

R - Então teve um susto muito grande no município, a gente fomos capacitados, né, tinha que colher o sangue, colheu sangue, eles mandava, se dava positivo eles mandavam, o pessoal da FNS [Fundo Nacional de Saúde] não dava conta, eles dava o medicamentos, orientava a gente, a gente era capacitado, a gente já tratava a pessoa. Hoje em dia não, esse mês de maio que eu estou de férias, né, eu estou de férias, mas eu já colhi quatro lâminas, até agora não deu nenhuma, mês de abril teve um caso positivo na minha área.

 

R - Como é que você conseguiu controlar a malária lá? O que é que vocês fizeram?

 

R - A gente orienta a questão de buraco, né, pra não acumular o Carapanã.  Se tiver o mato, roça, não acumular água, e em cima disso a gente está sempre em contato como o pessoal da FNS, quando é possível eles estão borrifando, né, a comunidade agora eles não borrifam mais na casa, eles borrifam na área onde, se deu um caso por exemplo - numa área, numa família eles borrifam aquela área lá, a gente conseguiu controlar assim, né, pelo menos eles da fundação, eles disseram que está controlada a malária aqui, pela nossa ajuda, né, dos agentes comunitários, hoje em dia, se acredita que está controlada assim, porque ainda agora eu colhi uma lâmina, por exemplo - por mais que a pessoa esteja gripada, né, deu febre, a gente é obrigado a tirar, né, porque toda febre é suspeita de malária, a gente colhe a lâmina, já pode mandar, por exemplo - aí se for final de semana, a gente da o presuntivo, né, que pra o vírus não transmitir pra outro, então quer dizer, com essas nossas ações, eles dizem já vai ficando controlado, porque quando a gente não existia, era só eles, eles são poucos, por exemplo - aqui em Marudá se tinha uma pessoa com  febre, tinha uns dois por outra área, eles não sabia que estava com febre, a pessoa não sabia que aquele guarda estava na comunidade, então o vírus ia se transmitindo, né, ia aumentando, com a gente na comunidade não, qualquer febrezinha, a pessoa está logo chamando a gente, a gente colhe, está levando logo, se der positivo, a malária está com meia cruz, uma cruz, pronto a gente está tratando, está controlando sabe.

 

P/1 - Como é que você faz a lâmina? Você mesmo coleta o sangue?

 

R – É, eu mesmo coleto.

 

P/1 - É sangue?

 

R - É, a gente preenche essa ficha aqui.

 

P/1 - Como é que você coleta?

 

R - A gente, o material está aí, a gente tem uma maleta, né, a gente coloca lá, limpa a lâmina com algodão limpo, depois tira o estilete do papel aí depois passa um algodão com álcool, limpa o dedo da pessoa, passa o álcool.

 

P/1 - Na ponta de dedo?

 

R - Na ponta do dedo, geralmente aqui, né? A gente limpa bem, segura o dedo e dá uma picada com o estilete, aí limpa de novo com algodão enxuto, aí espreme, coleta na lâmina, depois limpa o dedo da pessoa, espalha o sangue na lâmina, depois preenche isso aí, depois seca, enxuga a lâmina aqui na mão, mas o sangue pra cima, né, enxuga, aí numera a lâmina, número da gente, código e o número da lâmina e pega o nome da pessoa, endereço, aí orienta, que vou mandar a lâmina, qualquer coisa de positivo comparecer pra tratar a pessoa.

 

P/1 - Você disse que dá um, preventivo se dá positivo? Que é que é o preventivo?

 

R - Presuntivo.

 

P/1 - Presuntivo?

 

R - A gente só da de final de semana, sexta, sábado é domingo, né.

 

P/1 - Que é que é presuntivo?

 

R - Presuntivo é um, porque o tratamento da malária aqui, é associado - Cloroquina com Primaquina, então são quatro pílulas Cloroquina, e duas Primaquina, então presuntiva, só as quatro Cloroquina, né, a gente não dá a Primaquina, só se der a malária positiva, a gente dá as quatro, né, dá pra pessoa, olha toma essas quatro pílula, não é pra passar a febre, é por exemplo - se a senhora estiver com malária vai evitar que a senhora possa, ou o senhor possa transmitir para outra pessoa da sua família, até vim o resultado, a gente dá pra pessoa, a pessoa toma naquela hora, ou então depois, orienta pra tomar com chá, ou com leite, não tomar de estômago vazio, que às vezes pode fazer mal a pessoa, aí que aquele presuntivo ele vai fazer efeito de uns três ou uns cinco dias está entendendo, até vim o resultado, se a pessoa não tiver com malária, se der negativo, não tem problema da pessoa ter tomado o presuntivo.

 

P/1 – Presuntivo.

 

R - Presuntivo, e se a pessoa der positivo, a lâmina da pessoa, também a primeira dose não muda nada, não muda nada da pessoa ter tomado aquelas quatro pílula, aí pronto, é pra evitar que extermine o vírus.

 

P/1 - A malária transmite de uma pessoa para outra sem, só de contato do sangue? Não? Como é que é?

 

R - Não, só com o contato do...

 

P/1 - Mosquito?

 

P/1 - Do mosquito mesmo.

 

P/1 - Mas aí se o mosquito picar aquela pessoa que tomou o presuntivo ela não transmite?

 

R - Não transmite, porque ela já tomou, porque ele já tinha tomado o presuntivo, né?

 

P/1 - Qual foi o caso mais grave que você já atendeu na sua região?

 

R - De malária?

 

P/1 - Não, de tudo? Se for a malária?

 

R - Rapaz, a gente atende e encaminha, né, caso mais grave foi inclusive esse mês de abril agora, foi um menino, que eu fui pesar ele, o nariz dele estava tapado de sangue sabe, duro, aquele sangue duro de ferida, o rosto dele todo inferidado, isso aqui.

 

P/1 - Neném?

 

R - Neném, e tapado isso aqui, estava respirando pela boca, aí dizem que foi de Carapanã, né, que ele é alérgico, coço, coço aí...

 

P/1 - Carapanã é pernilongo?

 

R - É pernilongo, mosquito, não Carapanã é esse que transmite... Tem um que transmite a malária, e tem um que não transmite, né?

 

P/1 - Mas é um tipo um pernilongo? Ou não?

 

R – É, parece um pernilongo, aí nós foi lá, eu fiquei até com medo, né, o menino estava com dificuldade de respirar, e eu pesei ele, aí eu disse, “Olha vão logo agora, encaminhei ele logo ele pro SESP ou pro hospital, aí a mãe do menino tinha ido procurar uma condução pra levar ele, estava muito frio sabe, só que eu fiquei com medo, estava tudo tapado isso aqui da criança, fiquei com medo da criança se asfixiar, né, foi caso assim, grave que eu fiquei com medo da criança, naquele momento, não sei dizer, já estava sabe, já estava assim, aí o homem falou “Não ele está respirando pela boca normalmente.” e disse “Não, mas está muito feio esse negocio no rosto dele.” aí eu encaminhei. E outro caso também foi uma vez que... Chega, a gente se assusta, né?

 

P/1 - O que é que era que o menino tinha?

 

R - Era alergia mesmo a Carapanã.

 

P/1 - Furou?

 

R - Furou foi, aí o Carapanã ferrou ele, ele era alérgico, e outro caso foi de malária, né, logo quando a gente estava iniciando, assim grave, por que não era nem na minha área. Foi, deu quatro cruz, tinha dado positivo a lâmina dela, eu fui levar o medicamento, a casa era de assoalho, né, casa de assoalho na beira da praia, daí quando eu entrei na porta, a casa modo meio (tribino?), né, a casa, aí não falei nada, aí estava abrindo o quarto, Ah! Gemendo forte, né, tremendo tudinho, que eu fui olhar a rede, a rede estava se tremendo tudinho sabe, e a pessoa gemendo, tremendo aí eu fui lá, aí a pessoa tinha dado quatro cores, “O dona Antônia, vim trazer seu medicamento”, ela gemendo, dor de cabeça, que estava quase matando, ela disse “que estava quase estourando a cabeça de dor de cabeça”, e o frio, tremor no corpo dela, aí rápido eu dei pra ela, pega, ela se tremendo tudinho, me assustei sabe, tinha dado a ela malária o coso dela, quatro cruz, tinha dado, no outro dia eu fui lá, já estava melhor, então assim, caso que chega a assustar a gente, né, poxa não sabe o que fazer, né? É casos graves assim, quando eu vou fazer a visita eu oriento, né, olha, nosso trabalho não é por exemplo - ir atrás de um carro, tem uma pessoa doente. Ah! O agente comunitário, ele vai atrás de carro, pra levar aquele doente pro hospital, então ele vai acompanhar o paciente no hospital, a gente orienta, né, se a gente estiver na área, e o que a gente puder fazer também a gente faz, mas, por exemplo - aconteceu no caso, você não pode ficar dependendo assim no caso assim da gente, procuro um recurso por exemplo - se não puder levar pra Marapanim leva pra Castanhal logo, uma condução no caso grave assim, eles fazem, né, eles fazem, eles vão com  os senhor que tem os carro aí na comunidade... Mas quando a gente vai na casa assim, caso grave assim, eu nunca encontrei caso assim de vida ou morte sabe, eu nunca encontrei na minha área, coisa de vida ou morte.

 

P/1 - Bom, para a gente encerrar Carlinhos, eu queria que você me dissesse o seguinte - O que é que mudou na sua vida desde que você começou, para você pessoal, desde que você começou a ser agente comunitário?

 

R - Pessoal.

 

P/1 - É?

 

R - Olha, pra mim o que mudou mesmo, foi acima de tudo, a gente mesmo o conhecimento, possa que um dia a gente seja desligado do PACS, mas o que a gente aprendeu como Agente Comunitário de Saúde, isso vai ficar pra gente, né, então foi isso que eu aprendi, assim pra mim pessoal mesmo, ser agente foi isso, os conhecimentos que eu estou pegando, né, sobre malária, a própria consciência pra mim mesmo, como na minha família, os cuidados com higiene, os cuidados básicos, então muitas das vezes a gente já sabia que certas coisas tinha que se precaver, mas quando a gente tem um estudo assim, o mau que certas coisas faz na vida das pessoas, a gente “puxa!”. Isso acontece, coisa simples que a gente pode evitar, então a gente, eu aprendi, eu me conscientizei disso, então essas coisas que eu aprendi como - treinamento de malária, então o que eu aprendi pra mim mesmo, o que mudou pra mim mesmo, foi todo esse conhecimento que a gente está pegando, né, quando tem capacitação, esses treinamento. A gente fica não só como ACS pra gente, mas pra mim mesmo, serve pra mim, pra minha vida particular, minha família, a ter mais cuidado com a minha higiene, com o higiene do meu filho, né, a própria higiene da casa, então o que mudou tudo esse conhecimento que a gente está aprendendo pra gente é uma coisa que ninguém nunca vai tirar, né, nosso conhecimento, e outra coisa que muda é as pessoas saberem que a gente está fazendo alguma coisa de útil, a gente é jovem. Muitas pessoas pensam que o jovem, é jovem, mas não tem valor, né, o jovem só é pra, só quer saber do esporte do lazer, da festa, e serve pra gente conscientizar com as pessoas que a gente está num trabalho sério, e o contato com a pessoa que a gente não tinha, muitas famílias que a gente se conheceu só de vista, quando a gente se encontra na rua, fale daqui, eu falo dali, é só isso já quando a gente se aproxima, já conheço, muitas pessoas já conheço, são 143, não dá pra gravar todos os nomes, todas as pessoas, né, mas chego numa casa, eu já sei o nome de uma criança, já sei o que a criança tem, a pessoa mais adulta já conheço o nome, já tenho mais intimidade na casa, já converso, chamo pelo nome, então quer dizer a gente já fica mais conhecido, né, conhece as pessoas mais de perto, então depois que o PACS, eu entrei pro PACS, mudou muita coisa na minha vida, praticamente mudou tudo na vida que eu trabalhava como ajudante de pedreiro, mas não sabia se no outro mês eu ia ter, então com o PACS a gente sabe que é um trabalho assalariado, mas acima de tudo que é um trabalho que a gente tem que fazer com vontade, né, com amor com a comunidade, mas mesmo o que mudou pra mim foi isso, né que se um dia eu sair, esse conhecimento que eu estou aprendendo como ACS ninguém vai tirar de mim, vai servir, né?

 

P/1 - Tá bom então Carlinhos, muito obrigado por você ter tido a paciência de ficar com a gente esse tempo todo, e valeu, foi muito bom.

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