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História

Capoeiras, mestres e tradições

História de: Marcos Antonio Gomes de Carvalho
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 24/09/2008

Sinopse

Em sua entrevista, Marcos conta a história de suas raízes no Rio Grande do Norte, abordando a mudança de sua família para o Recife na época de sua infância. Em seguida, fala sobre sua entrada no carnaval e na capoeira, sob os ensinamentos de Mestre Pastinha, capoeirista de Salvador. Aqui, começa a discorrer sobre os fundamentos de sua arte, as características dos instrumentos e o sentido religioso destas práticas. Depois, Marcos fala sobre o bloco Filhos de Zumbi e sua participação no Ponto de Cultura Felipe Camarão, da Ação Griô. Termina seu relato falando sobre a importância da tradição oral aliada à modernidade, sobre seu casamento e sua formação como professor de educação física.

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História completa

O que que acontece na capoeira? Eu estou aqui, eu recebo do, o Mestre Pastinha recebeu de Benedito, um negro africano, ex escravo, com oito anos de idade diz para o Mestre Pastinha, que viu o Mestre Pastinha apanhar de um garoto, embaixo, de cima de um sobrado, chamou e disse, olha você não pode com aquele garoto, porque ele é mais esperto que você, invés de você empinar picula, raia, jogar picula, empinar raia, você vem pra aqui pra gente fuzuar, que eu vou lhe ensinar a fuzuar, era uma brincadeira diante da capoeira, para ele ficar mais destro, mais esperto e tal, e ai com oito anos, o Mestre Pastinha foi ao Benedito e ensinou umas coisas, dai o Mestre deu uma lição no menino, o Pastinha pegou o menino e vem o menino com a mãe, a mãe do menino disse, você tem relato, ele contando essa história, a mãe do menino disse, olha aquele garoto, olha agora que você vai ver, não agora você vai ver como que você vai apanhar, a própria mãe aí, o menino vai e cata ele de uma lado, ele sai pelo outro, mostra para um lado, ele vai, não era mais aquele garoto fácil de ser, dai ele da uma lição no menino, né, e ele conta a história, e isto, você me perguntava, como que eu passo? eu recebo do Mestre Pastinha, eu fiquei satisfeito por ter ido, por ter conhecido o Mestre Pastinha, porque se eu ficasse na distancia, eu não teria entendido muita coisa, eu tinha um disco gravado com a voz dele, capoeirista não deve provocar, capoeirista não deve fazer perto das coisas,no meu tempo eu era capoeirista e contava as histórias, maior é Deus, e vai, ai foi diferente quando eu conheci o Mestre, ai não precisou mais ele falar, a presença do Mestre traz para a gente uma energia e uma compreensão daquilo que o Mestre ensina, daquilo que o Mestre faz, você começa a ouvir na voz, uma atitude diante daquilo que ele faz, então essa relação direta com o Mestre é muito importante, eu quando eu recebo esse pouco que eu sei de capoeira, o pouco que eu aprendi com o Mestre Pastinha, ensino para um aluno, e o aluno se torna um professor, e vai abrindo outros núcleos de capoeira, é assim que funciona nas comunidades, então, quando eu me aproximo, ai o aluno dele esta dando aula, aluno do meu aluno, eu tenho netos e bisnetos de capoeira, ta certo?O tempo vai mudando vai se transformando, mas a gente deve ter esse cuidado de ver a essência, o que, ás vezes, a modernidade, a gente vem tratando, modernidade e tradição, uma modernidade e a tradição, o que é modernidade hoje pode ser a tradição de amanhã, daqui a 300 anos, olha, a tradição é que se sente o mestre e que se faça um registro de vídeo de um Mestre, para ele dar a sua história de vida, e ficar para as outras gerações absorver, isso é tradicional dentro dessa cultura, não é? Uma coisa que vocês estão trazendo agora, como um momento de modernidade e isso depois a tradição, o Mestre Pastinha colocou dentro da capoeira dele, uma roupa, a calça preta e a camisa amarela, que era do time que ele torcia, time do coração, que era o time do Ipiranga, e até então, se sabia que o capoeirista, se houvesse que ser uma roupa que caracterizasse o capoeirista, era um terno de linho branco, um chapéu de pano amar, um chinelo de chadim que chamava, uma coisa assim, a calça larga, de boca larga que saia por ali e tal, e branco, de branco, que jogava não se sujava e tal, e ainda hoje é tradicionalmente na capoeira essa forma de jogar de roupa branca, de não se sujar, de não deixar o chapéu cair, de ser cordial com o colega, impecável no tratamento do corpo, mas a tradição e a modernidade, a tradição oral.

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