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Caminhos para a preservação ambiental

História de: Lilian
Autor: Lilian
Publicado em: 06/06/2021

Sinopse

Nasceu em São Paulo. Formou-se em Administração Pública e Geografia ao mesmo tempo. Sempre se interessou pela área do meio ambiente por influência de seu pai. Envolveu-se com movimentos sociais desde cedo. Passou a trabalhar na área ambiental ainda nos anos 1990. Participou da criação de grandes projetos de preservação como a SOS Amazônia.

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História completa

P/1- Boa tarde.

R – Boa tarde!

P/1 – Pra começar você me fala seu nome completo, local e data de nascimento?

R – Meu nome completo é Aron Belink, eu nasci em São Paulo em 14 de outubro de 1963.

P/1 – Qual é a sua formação, Aron?

]R – Eu estudei Administração Pública e Geografia, na GV e na USP.

P/1 – Geografia você fez depois?

R – Fiz junto. P/1 – Ah [risos].

R – Na verdade eu fiz, no comecinho, Agronomia. Eu fiz dois meses, eu achava que a coisa tinha que vir pelo lado da terra, das pessoas, lá nos anos 1980. Só que aí, eu achei Agronomia técnico demais da conta e fui pra Geografia.

P/1 – E qual a sua atividade atual?

R – Atualmente eu sou um consultor autônomo, mas muito envolvido com ONGs e com o terceiro setor. Então trabalho um pouco com a Akatu, trabalho um pouco com o Ethos, trabalho na EJA [Educação de Jovens e Adultos] 26 mil, trabalho do GAL, que é o grupo de Articulações de ONGs Brasileiras de ESO 26 mil, em algumas empresas com consultoria, palestras, estão esparramadas.

P/1 – Agora, Aron, me fala uma coisa, como é que esse tema surgiu na sua vida, com é que você descobriu essa questão da realidade social? Como é que foi isso?

R – Minha primeira carteirinha de movimentos sociais é de 1973, eu tinha nove aninhos. Eu fui pescar com meu pai no rio Araguaia, né, ele gostava do interior, do mato. Ele era da cidade, mas sempre gostou da natureza e aí eu fiquei totalmente apaixonado pela natureza. Eu já gostava e convivendo lá com os índios, o rio, os bichos, a floresta eu fiquei com aquilo, com uma coisa que por dentro já me falava e continua falando muito. E aí eu fui me engajando, comecei a me filiar a entidades, comecei a passar abaixo-assinado na oitava série, em 1979 para o Paulo Nogueira Neto, que até hoje tá aí. Quer dizer, fui a palestras, essa coisa toda e fui me envolvendo. Depois me envolvi em política estudantil, na época na GV eu fui presidente do Centro Acadêmico, durante as Diretas Já. Aquela coisa de passeatas, vestir-se de verde-amarelo, eu já estava nessa, que é a cidadania política. Quer dizer, eu já fui mantendo essa carreira paralela. Quando eu ainda estava na faculdade, comecei a trabalhar na Pró-Juréia, a gente fundou a Pró-Juréia, né, pra defender essa área do litoral sul de São Paulo. E fui me envolvendo nessa organização da sociedade, participei da fundação da SOS Mata Atlântica. Também, ao mesmo tempo, comecei a trabalhar em empresa. Eu tinha que ajudar a minha família e eu comecei a ser empresário, meio por acaso, né? Na verdade eu sempre me voltei, como atividade principal, a coisas ligadas à natureza, meio ambiente, cidadania. Mas aí, por acaso eu fui ser empresário e me envolvi em várias causas, na época no setor ligado ao meio ambiente, minha empresa era de ar-condicionado. Aí eu fui mexer com a questão do buraco na camada de ozônio. Aí eu comecei a trabalhar junto com a Brava, soluções de ar-condicionado e ventilação, eu era vice-presidente de meio ambiente da Brava. Participei da Eco 92 nessa condição e aí nessa época eu também conheci o PNBE [Programa Nacional Biblioteca e Escola]. E aí conhecendo o PNBE eu conheci o Emerson, Hélio, o Aded, o Ricardo, o Percival Maricato, o Sérgio Mindlin, conheci essa turma toda. Participava do PNBE, não como fundador, mas razoavelmente ativo nesse processo. Naquela época também, a gente fundou a Eco Press, eu com a minha mulher. Ela é jornalista e a gente fundou uma entidade, uma ONG chamada Eco Press, que era uma agência de notícias ambientais. Ela foi fundada formalmente em 1993 e informalmente desde 1989 mais ou menos, ela já existia com a ideia de formar jornalistas e formar massa crítica para a área do meio ambiente. E aí quando eu fiz 40 aninhos em 2003, eu cheguei a conclusão de que eu devia fazer aquilo que era a minha vocação e aí eu me desfiz de posição que tinha na empresa. Já vinha de uma mutação fazendo um certo tempo e fui trabalhar em tempo integral no terceiro setor. Comecei pela Akatu e venho me esparramando, então na verdade é uma carreira de muito tempo já nessa área, não é de hoje.

P/1 – Como é que você atua dentro dessas organizações, por exemplo, com a Akatu ou mesmo com o Ethos? Como consultor? Como é que é?

R – Então, eu atuo de uma maneira híbrida. Porque em um certo momento, quer dizer, ainda hoje, eu trabalhei como profissional, quer dizer, durante alguns anos eu trabalhei praticamente dedicado ao Akatu, desde 2003 até 2006 mais ou menos eu trabalhei bastante focado na Akatu em alguns projetos, desenvolvendo a Escala Akatu, o Movimento Cuide, a parte de indicadores de consumo consciente, as pesquisas que a Akatu fez. Me envolvi bastante na construção dessas coisas todas junto com o Hélio, com a (Iramata?). A partir de um certo ponto eu também vi que tinham algumas coisas que eu mesmo queria fazer, e que não eram exatamente o que estava na agenda do Akatu, por exemplo, a participação da ISO 26 mil, que era uma coisa mais focada na responsabilidade social mais abrangente, foco no consumo consciente. Aí eu sensibilizei um pouco a minha relação com a Akatu, ainda continuei com uma consultoria independente e com o trabalho voluntário na construção da ISO. Foi quando a gente articulou o GAL, o Grupo de Articulação das ONGs Brasileiras da ISO 26 mil, que hoje tem mais ou menos umas 70 ONGs que participam mais ou menos intensamente da discussão, o grupo surgiu com a proposta de criar essa caixa de ressonância entre o processo de responsabilidade social, a construção dessa norma internacional, que ainda está em construção e o mundo do terceiro setor, onde há papel muito peculiar. A relação do terceiro setor, da sociedade civil, com a responsabilidade social para com essa norma, acho que tem um canal muito grande para desenvolver. Então eu acabo participando das duas formas.

P/1 – Por que você falou que ela tem uma...

R – Uma peculiaridade?

P/1 – É.

R – A peculiaridade da ISO 26 mil, do meu ponto de vista, foi isso que me fascinou aí, é que ela tem a proposta de ser aplicável em qualquer tipo de organização. Então ela se colocou, assim, tanto como uma coisa que uma ONG pode aplicar, quanto um sindicato, quanto uma empresa grande ou pequena, comportando as diretrizes básicas do comportamento socialmente responsável. E pra uma ONG isso tem um significado: por um lado de ser uma alavanca para nossa própria causa. Então a minha causa, qualquer que seja ela, certamente ela pode se beneficiar com aquilo que a ISO 26 mil tá propondo, como atitudes socialmente responsáveis das empresas e da sociedade em geral. Por outro lado, eu, ONG, vou ser cobrado também a me comportar de acordo com essa lógica. Então ao mesmo tempo em que ela dá uma ferramenta pra eu alavancar a minha causa junto a terceiros, ela é uma forma deles avaliarem como eu me comporto em relação a minha causa, isso entra como gestão pra mim. Então ela tem esse sentido duplo que é muito importante. E mais, lógico, o que ela tem de fundamental, a ISO 26 mil, e eu realmente estou, assim, muito envolvido e empenhado nisso, é que ela tem a proposta de ser uma construção multistakeholder, como se fala. Então de uma maneira, que eu diria mais ou menos arbitrária, se estabeleceram seis conjuntos, seis segmentos sociais para serem os eixos da ISO 26 mil. Você tem pessoas participando sobre o chapéu, sobre a bandeira do setor privado, do setor industrial, que inclui também o de serviços, o setor produtivo, vamos dizer assim, sobre a bandeira do governo, sobre a bandeira de ONGs, consumidores, trabalhadores e a área do conhecimento, vamos dizer assim, que são as consultorias, a academia. Então são seis grupos de stakeholders. E isso mundialmente, então hoje tem 70 e tantos países participando desse processo. E você forma uma rede extremamente mesclada e cheia de canais em que você tá discutindo sobre várias bandeiras, então às vezes eu sou brasileiro, às vezes eu sou ONG, às vezes eu sou eu mesmo. Quer dizer, às vezes eu estou vinculado ao grupo de uma determinada bandeira... Quando eu digo eu, na verdade eu quero dizer todo mundo que está nesse processo. Então a gente acaba criando uma mescla de interesses, uma tentativa de formar um conjunto que é extremamente rico. Eu estou nesse processo já faz dois anos e meio e estou aprendendo barbaramente como se organiza. Com isso eu acho que a ISO 26 mil, metade dela vai ser o documento e a outra metade vai ser o processo que vai ser criado para construir a própria norma, que eu acho que é uma coisa que vai merecer muito, muito, muito estudo, análise, é um aprendizado gigantesco.

P/1 – Me fala uma coisa, como é que você conheceu o Instituto Ethos?

R – Eu conheci o Instituto Ethos porque participava do PNBE. Então um belo dia recebi um ____________, acho que não era nem e-mail ainda, não estava ativo o e-mail desse jeito. Eu recebi uma cartinha mesmo ou um fax, um convite informando que estava sendo criado, fundado o Instituto Ethos e tal. Eu já me interessei, achei que era uma coisa que tava na minha área de atenção e fui acompanhando, né? Sempre participando de uma maneira ou de outra.

P/1 – Aron, me diz uma coisa, como é que você hoje, principalmente em função de toda sua experiência, sendo fundador da SOS Mata Atlântica, como é que você vê e avalia essa sensibilização e o engajamento das empresas brasileiras no movimento de responsabilidade social e ambiental?

R – Eu acho que... O que eu tenho visto pelo mundo afora e também aqui, primeiro que, eu acho que no Brasil a gente está muito avançado. Eu acho que as empresas brasileiras e certamente pessoas dentro delas, pois, as empresas são muito diversas, elas claramente têm uma disposição e tem uma abertura muito grande para isso. E é curioso a gente ver isso dentro desse contraste, a gente percebe que ao mesmo tempo em que você tem empresas e talvez setores dentro das delas muito avançados e muito receptivos às ideias, também tem empresas muito alheias. A gente tem o pior e o melhor, vamos dizer assim, dentro desse leque, né? Se a gente fosse pensar de uma maneira puramente quantitativa, eu diria que obviamente tem muitas empresas que são céticas, que estão longe, achando que isso é poesia. Mas comparando com o que a gente vê por aí afora, eu diria que o Brasil está bem, com muitas empresas que estão assumindo o discurso. Agora, o discurso e a prática são coisas que andam, que entram puxando um ao outro. Por exemplo, tem coisas que você começa a fazer ou passa a fazer porque você começou a falar. Mas o fato é que a gente vai gerando uma cadeia de comprometimentos, né, que se retroalimentam e que vai crescendo e tá começando a fazer uma certa diferença. Eu acho que a gente tá começando, eu acho interessante hoje no momento em que a gente está, que nós estamos tocando no cerne de algumas questões, né? A coisa já foi indo pra superfície durante bastante tempo e estão começando a exigir algumas decisões e aprofundamentos de algumas empresas, aquelas mais comprometidas, de que elas comecem a questionar alguma diretriz daquela coisa: eu vou atrelar a remuneração variável dos meus ativos à uma meta social e ambiental? Quer dizer, e vai ser quanto? Vai ser um troquinho ou vai ser uma parte importante daquela meta? Porque agora você começa ter conflitos de discurso, de estratégias declaradas de um lado e os mecanismos práticos de fazer as coisas, de acontecer do outro, eventualmente, sendo incongruentes. Eu acho que essas incongruências estão eventualmente agonizando agora. Isso é fruto de um compromisso que vai crescendo, quer dizer, você nunca vai chegar no âmago se você não der uma bela descascada antes. Eu acho que agora, em muitas empresas a gente já passou dessa fase da casca e já tá chegando ao miolo da coisa.

P/1 – Me fala uma coisa, Aron, como é que você avalia o impacto dessas coisas envolvidas pelo Instituto Ethos?

R – Eu acho que o Ethos teve um impacto fenomenal. Quer dizer, eu acho que a capacidade do Ethos em pautar seja imprensa, o discurso, as propostas de outras instâncias da sociedade, é muito grande. Isso é uma coisa que eu acho que vem um pouco de todo aquele DNA do PNBE. Eu lembro na época quando o PNBE estava se articulando, isso foi o começo dos anos 1990, época da eleição do Fernando Henrique, a sensação que ficou, foi muito presente isso, é de que muito daquilo que o PNBE estava falando, seja do país que temos pro país que queremos, ética na política, tinha uma série de bandeiras ali, de propostas, que quando o Fernando Henrique assumiu, elas viraram as propostas, praticamente, do governo. Então teve uma pauta de um grupo relativamente pequeno, mas muito articulado, muito consistente que foi rapidamente assimilada. E acho que isso foi até um dos motivos do PNBE ter se transformado, gerado o próprio Ethos, com as dinâmicas das políticas que eu acompanhei pela margem na época. Meu eu acho que ele tem uma eficácia muito grande, quer dizer, seja nesse sentido de pautar a agenda, de colocar o assunto em vista de uma maneira muito precisa, muito hábil, muito ampla e ao mesmo tempo, e acho que isso é o grande mérito do Ethos, é conseguir manter uma consistência técnica pra isso. Eu acho que o Ethos agregou muito e eu acho que um ponto importante é criar instrumentos concretos pra que isso possa, também ser colocado em prática. Acho que um instrumento concreto às vezes ele... Talvez não seja o instrumento que faz a coisa acontecer, mas ele dá uma concretude por ser um discurso que faz as pessoas chegarem perto e verem sentido nisso. O Ethos, sem os indicadores Ethos não seria o Ethos.

P/1 – Falando um pouco dessa questão das ferramentas, você colocou que o ISO 26 mil é uma ferramenta extremamente importante. Qual o impacto que você vê da utilização da ISO 26 mil hoje, dentro dessa questão da responsabilidade social?

R – Eu acho que é uma coisa muito interessante. Porque o que acontece com a ISO 26 mil, né? Ela... Não vai ser mandado selo certificado, ninguém vai ter selinho de ISO 26 mil. Ela é um guia de diretrizes. Na medida que ela seja aquilo que ela pretende ser, ou seja, fruto de um consenso global, de uma participação muito abrangente, ela vai servir pra nivelar expectativas, nivelar entendimentos. A gente hoje tá vivendo, esse momento que é típico das palavras desgastadas, então a moda do desenvolvimento sustentável tá passando, aí veio a moda da responsabilidade social, aí agora essa tá caindo um pouco, aí agora tá chegando a responsabilidade socioambiental ou então a sustentabilidade. E as palavras vão sendo esvaziadas do seu significado, quer dizer a moda que a gente enxerga. E se a gente não der consistência pro significado, né, uma coisa que esteja lá, a gente perde a capacidade de comunicação e de eficácia. Só pra concluir, a gente perde a capacidade de comunicação e de eficácia do que seria aquela ferramenta de que a gente tá falando, aquele conceito. A ISO 26 mil, ela vai ajudar a gente a nivelar expectativas, ou seja, as pessoas, no mundo inteiro, vão poder ter uma referência condensada sobre o que a gente quer dizer, quando falamos de responsabilidade social, quando falamos em sustentabilidade no âmbito da responsabilidade social das empresas e das organizações como um todo. E isso eu acho que vai ser muito poderoso em termos de você cristalizar e de você sedimentar o conceito pra poder construir em cima dele. Eu acho que tem um potencial aí realmente grande, uma rede articulada muito expressiva.

P/1 – Como é que você, em sua opinião qual é o maior desafio do Instituto Ethos hoje?

R – Bom, tirando o desafio fundamental de salvar o mundo pela via da sustentabilidade, que eu acho que é o que todos nós temos aqui, né, que é o fundamental. Eu acho que não é nem o mundo, eu acho que é a humanidade. Porque o que está em jogo somos nós e não o planeta. O planeta vai continuar muito depois da gente, ele estava aqui muito antes, não tem perigo quanto a isso. Mas eu acho que o desafio tangível do Ethos é exatamente, como eu comentei, colocar de uma maneira concreta essa contradição mais aguda que a gente vive hoje, né? Eu digo que tem duas coisas que a gente precisa começar a enxergar, acontecer, para saber que as coisas mudaram. Uma, é quando os executivos começarem a ganhar em função de metas sociais e ambientais tanto quanto eles ganham em cima de metas econômicas, é transportar o triple bottom line para a remuneração do executivo, aí eu acho que a gente deu um passo. O segundo passo, que eu acho que tem que ser visto agora é o planejamento a longo e médio prazo das empresas. Quer dizer quando hoje, uma grande indústria, com grandes fundos de investimentos, faz projeções de 15, 20 anos para um investimento, a variável da sustentabilidade está nas contas dele? Quer dizer, aquilo tá entrando pra saber se tem um retorno ou não? Enquanto isso não entrar nessa conta, e o cenário for sempre um cenário de crescimento maior ou menor, mas sem ter um limite pensado pra isso, porque a sustentabilidade demanda isso, eu acho que a gente ainda vai estar criando cenários que vão se realizar a longo prazo contra a sustentabilidade e não a favor. Eu acho, que tentar tangibilizar isso é o grande desafio.

P/1 – E o que você considera como a maior realização do Instituto Ethos no setor de responsabilidade socioambiental?

R – Então, aquilo que eu falei de responsabilidade socioambiental. Quer dizer, o terceiro desafio do Ethos, só pra acrescentar mais um, é conseguir que o conceito continue, que as palavras tenham valor, que a gente mude as... Não a crítica, mas eu ouvi a palavra socioambiental da boca da própria direção. Então eu acho que a gente tem que entender, afinal de contas vamos tentar dá valor às palavras pra que elas tenham o peso que elas tenham que ter. Não é uma crítica à entrevista, é uma crítica à situação, eu acho que é fundamental. Mas de qualquer maneira eu acho que a maior realização do Ethos, a grande realização foi colocar a responsabilidade social na pauta das empresas. Eu acho que isso é uma coisa que não aparecia, praticamente no vernáculo não estava na agenda e hoje está. Então eu acho que essa é a grande contribuição e que ela deve manter muito.

P/1 – Pra finalizar eu queria saber o que você acha dessa parceria que o Instituto Ethos fez com o Museu da Pessoa pra contar sua história e coletar depoimentos de pessoas que participaram desse movimento de responsabilidade social no Brasil?

R – Eu achei muito interessante. Quer dizer, eu acho que é uma proposta bonita no sentido de você conseguir sair daquele quadrinho de simplesmente escrever as coisas, pra coletar histórias de vida. Eu acho que é muito bonito a gente conseguir transmitir toda essa objetividade. É uma ideia muito boa resgatar essas histórias todas. /////// Eu não se... acho que talvez eu quisesse deixar gravado. Uma coisa que me incomodou um pouco ontem, quando a gente viu o vídeo dos dez anos do Ethos, a memória toda, eu senti falta de um cara lá, o Emerson Kapaz, que foi um dos fundadores do PMBE, foi um dos fundadores do Ethos, foi uma das pessoas que muito trabalhou nisso, que sumiu. De um certo tempo pra cá, teve aquele problema que muita gente viu, ouviu, né, tava na mídia, a questão dos deputados, do mensalão, das ambulâncias, teve aquele problema lá. E, assim, mesmo que o Emerson tenha pisado na bola, feito alguma coisa errada num momento na vida, talvez eu gostasse e gosto de acreditar que não foi bem assim, teve alguma coisa que não estava bem acertada. Mas de qualquer maneira, mesmo que tivesse errada, a gente não pode apagar da memória o que já foi. Então eu acho que, assim, eu lembrei aquelas fotos na União Soviética Stalinista, que conforme os sujeitos iam sendo expurgados, as fotos iam sendo retocadas por eles não estarem no time anterior. Eu senti muito essa falta na história que foi contada ontem no vídeo dos dez anos. Eu acho que ali tem gente importante que da memória não deve ser apagada. [ENTREVISTADO FICA EM DÚVIDA SE TRECHO DEVE SER REGISTRADO] //////

P/1 – Muito obrigada, Aron, pela sua participação. A gente agradece ao seu depoimento.

R – Beleza.

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