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História

Caminhoneiro, veterinário, agrônomo

História de: Douglas Monteiro De Resende Santiago
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 30/10/2014

Sinopse

Douglas nasceu em Viçosa/MG em 14 de fevereiro de 1986 e cresceu na fazenda da família. Entre a Universidade Federal de Viçosa e a fazenda da família, ele acabou seguindo a profissão de Agronômo. Atualmente trabalha dando assitência a produtores de café na região de Linhares, no Espírito Santo.

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História completa

Douglas Monteiro de Resende Santiago, nasci no dia 14 de novembro de 1986, Viçosa, Minas Gerais. Meu pai, João Golberto Santiago, nasceu em São Miguel do Anta e minha mãe, Mimorina Maria De Resende Santiago, nasceu em Cajuri, Minas Gerais, os dois. Meus pais trabalham na UFV. Meu pai, ele trabalha no RH com arquivos e minha mãe trabalha no departamento de Nutrição. Meus pais são fantásticos, assim. São bem parceiros, muito amigos. É um casal que, você vê assim, se existe aquele amor entre casais, é bem visível isso neles. Eles sempre foram muito carinhosos com a gente. São fantásticos! Tenho um irmão mais velho, dois anos mais velho. Ele é engenheiro florestal e tá lá no Maranhão.

Casa na fazenda - Nasci em Viçosa, fiquei lá até os meus oito anos, aí meus pais se mudaram, todo mundo mudou pra São Miguel por causa dos meus avós. Que meus quatro avós moram em São Miguel, que é uma cidade que fica a 20 quilômetros de Viçosa. A gente não tinha casa própria em Viçosa, e pela decisão de continuar pagando aluguel ou reformar um sobrado velho que tinha do lado da casa dos meus avós, meu pai e minha mãe decidiram reformar esse sobrado pra tá morando perto dos meus avós e também cuidando da coisa que é nossa. A gente até brincava muito lá com morcego, com essas coisas assim, era bem empoeirado, imagina, abandonado mesmo, é bem antigo, é uma fazenda bem, bem estilo mineira, bem antiga mesmo, Fazenda São Sebastião do Sem Peixe, fica em uma região também de café, granja de frango e leiteiro, são as principais atividades. Mudei pra lá com oito anos. Morava, e acabei indo estudar na escola lá em São Miguel, estudei só dois anos lá.

Meus pais preferiram que a gente continuasse estudando em Viçosa, aí a gente ia e voltava de ônibus todo dia pra tá indo nos colégios em Viçosa que é 20 quilômetros. Aí, quando eu tava na oitava série, meu irmão já tava no terceiro ano, a gente foi morar em Viçosa. Meus pais como trabalhavam lá, eles sempre davam assistência todo dia, e a gente acabava mesmo só dormindo, mas sozinhos, lá. Mas de lá eu já continuei morando lá. Quando meu irmão entrou na UFV (Universidade Federal de Viçosa), a gente morava junto e quando eu entrei na UFV ele tava saindo e aí, eu fui morar em república.

Escola - Fui com sete anos, fui pro pré. Que eu não gostava de escola, não ia. Meu irmão com dois anos foi e ficou. E aí, eu ia, meus pais tentavam me colocar e colocava chorando e voltava chorando. Aí minha mãe desistiu de me deixar, de me colocar na escola. Só quando fui pro pré, que eles me colocaram na escola mesmo. Quando eu fui a primeira vez pra escola era lá em Viçosa e aí, a gente tinha uma vizinha que é da mesma idade que eu, Celeste, e eu lembro da gente indo pra escola junto, as primeiras imagens são essas. Era uma escola estadual, era bem grande, bastante espaço, muita criança. Nunca fui muito bom de escola, não, viu? Não tive essas de menino que era estudioso, que gostava de escola, de professora. Eu era bom em História, em Geografia, eu sempre fui muito bom, sempre passava, sempre fechava os semestres muito rápido. Mas gostar... Dos sete anos, aí nos mudamos pra São Miguel, que é a cidade vizinha aí, estudei dois anos lá. E aí, depois fui pra aí, quando a gente voltou pra Viçosa, já voltei na sexta série, se eu não me engano. E aí, na sexta série eu já fui pro Pitágoras que é uma escola particular e aí, depois mudei para o Equipe quando eu tava na oitava série. Mudei pra uma escola particular que chama Equipe aí fiz oitava, primeiro, segundo e terceiro ano.

Universidade Federal de Viçosa - Viçosa tem essa atmosfera de estudar pra passar em vestibular, então tem cursinhos, tem a UFV, que é a Universidade Federal de Viçosa, que é bem conceituada, e todo mundo estuda pra tá passando em Federal. Tem essa raiz muito forte de você ter que passar em uma Federal e você acaba estudando pra tá passando em uma Federal dentro de Minas Gerais. Eu já quis ser caminhoneiro já. Já quis ser veterinário, já. E aí, acabei sendo agrônomo. Eu tenho tios, tenho muitas pessoas na família que são agrônomos. Eu tenho quatro tios agrônomos, se não me engano, e tenho sete primos mais velhos que já eram agrônomos. Era uma profissão que eu conhecia, que eu sabia, então acabei decidindo, cursei também. Prestei e passei na UFV, que é muito grande, tem mais de 30 cursos e é uma universidade destinada à pesquisa. É como se o professor, ele não tá ali pra ele dar aula, ele tá ali pra fazer uma pesquisa e tem também na rotina de dar aula sobre aquele assunto que ele domina. Você não estuda só com o pessoal de Agronomia, a minha turma não é, ela é bem dinâmica. Ela tem o dia inteiro pra você ter aula e é você que escolhe seus horários. Eles abrem várias turmas e você vai tá escolhendo qual que é o seu melhor horário. Então seu melhor horário não é o melhor horário da sua turma de Agronomia; é o melhor horário do cara que faz Biologia e resolveu estudar solos, é o melhor horário pro cara de Zootecnia, que vai estudar solos, entendeu? Você vai e junta vários cursos dentro duma sala com uma mesma ótica. Agronomia é tão amplo que a gente fala que você pode ser qualquer coisa, assim. Dentro de Agronomia, você se especializar na área de Veterinária, você não vai fazer uma cirurgia, mas você vai tá li todo envolvido, em todo o processo de nutrição, de tudo de um gado de corte, por exemplo.

Começo de carreira - No quarto ano eu entrei e fui participar de Empresa Júnior de Agronomia. tava sempre envolvido com projetos de extensão. Eu nunca gostei muito de pesquisa, sempre gostei mais de extensão, de estar indo pro tour, vendo o que ele precisa, buscar maneiras pra solucionar os problemas deles, eu sempre gostei bem dessa parte. E aí, eu fiz Empresa Júnior, e dentro dessa Empresa Júnior eu tive a oportunidade de tá fazendo um estágio em uma empresa que prestava serviço pro SEBRAE. E aí, ela era com o café. Era na área de Economia, de Administração Rural, fazendas de café. Aí foi quando eu comecei a ter contato com cafeicultura. Eu já tava no terceiro ano, né, no quarto ano, e aí, já entendia mais de agronomia e aí fui fazer um estágio que pra mim era mais direcionado com café e com a parte administrativa, que é o que eu gostava também, de número. Esse projeto me chamou pra ser um dos supervisores em Minas, também. Então na época tinha dois, e aí eu ia ser o terceiro supervisor que taria viajando e vendo se a metodologia do projeto tava sendo aplicada pelos outros agrônomos e tá fazendo reuniões com produtores, tá fazendo uma atualização do agrônomo de campo, né, com a metodologia. E aí, foi aonde que eu comecei a entrar na área do café, mesmo, no profissional. Eu sempre, eu sempre apostei na empatia, né? Eu nunca cheguei, eu nunca fui um supervisor que ia chegar de forma arrogante com esses, com os agrônomos. Eu sempre ia, batia um papo, conversava, procurava saber da história dele, das coisas que ele precisava e aí quando eu via que tinha alguma coisa errada a gente entrava, pedindo pra tá mudando, dessa forma, nunca fui de uma forma arrogante. Então, é uma coisa que sempre me falaram do meu perfil: eu nunca, eu sempre busquei essa empatia primeiro pra depois tá fazendo alguma modificação. Então, assim, marcante sempre é a primeira reunião que você faz isso, né? A primeira reunião que eu fiz, foi lá em Patrocínio, e aí juntou numa turma de produtores, que na sala tinha uns 40, uns 50 produtores. Você sai da faculdade, e você se coloca na frente de gente que fez aquela vida inteira, fez aquela cultura, e você vai falar de adubação, vai falar alguma coisa, mesmo que era sempre voltado pelo foco administrativo, Economia Rural, mas é uma coisa que eles entendem e que eles vão te debater ali. Eles vão perguntar se aquilo tá certo ou errado, e você tem que ter postura firma pra falar que aquilo é certo. Então isso pra mim foi marcante demais, de primeira, assim. E aí visitei produtores que nunca tinham tido ideia de custo de produção, foi uma coisa nova que mostrei. Igual, você vai num produtor de mel que eu tinha, e que ele não anotava nada. E aí, você fala: “Ó, tem que anotar tudo que você vai gastar”, e ele “Ah! Então vou passar pra minha mulher pra fazer isso que ela, ela sabe anotar, ela gosta mais de anotar”. Aí quando você vai na visita seguinte, eles já tão com o caderninho ali por dia, por tudo anotado, o que eles fazem.

Experiência - Qualquer produtor rural, seja ele nessa parte de custo, ou hoje mesmo quando a gente vai falar de sustentabilidade com um produtor, você primeiro tem que entender a realidade dele e saber o que que é a vida dele. Então, assim, por mais que você acredite que estudou uma coisa durante cinco anos e que aquela é a melhor forma de fazer, ela não é assim para todo mundo. Primeiro, você tem que conhecer a pessoa, saber o que ela faz, como ela faz, porque que ela faz daquela forma pra depois você julgar se aquilo é correto ou não. É assim que eu faço com os meus produtores. Eu vou, visito, conheço. Eles sempre são muito receptivos, abrem a porta pra mim, a porta da cozinha, né, que a gente fala. Então a gente senta, conversa, vê o que que é, como que ele faz aquilo, durante quantos aos que ele vem fazendo aquilo, por que é que ele faz daquela forma, pra depois você falar com a pessoa eu faz isso a vida inteira se aquilo é correto ou e errado. Você cresce mais como pessoa, né? Porque você vê ali dificuldades, de gente, de famílias que têm dificuldade mesmo de renda, pra tá produzindo aquilo, tirando a vida daquela cultura. Você ganha muito mais como pessoa. Você tem um aprendizado de batalha de vida, assim, das outras famílias, não só da sua.

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