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História

Caminhões contra moradores

História de: Jackson Martins Cruz
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/12/2012

Sinopse

A infância em Belo Horizonte, ao lado de seus sete irmãos. A adolescência marcada pelo estudo de línguas. As primeiras idas com o pai à empresa familiar de transportes de cargas. Os tempos de exército e a formação em Administração de Empresas. A dedicação de forma integral à empresa e a expansão dos negócios, iniciados por seu tio, Jackson. Detalhes do segmento de transporte de cargas e a criação do Terminal de Cargas Fernão Dias. A atuação sindical, os problemas enfrentados pelas empresas transportadoras e a questão do trânsito e mobilidade na cidade de São Paulo.

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História completa

“Lá em Minas nós trabalhávamos como redespacho; quer dizer, nós tínhamos uma parceria com uma transportadora de São Paulo. Essa transportadora, a F. Lebedenco, levava as mercadorias dos nossos clientes de São Paulo para Belo Horizonte, e nós levávamos de Belo Horizonte para o interior. Isso onerava o preço porque, afinal, era o preço de duas transportadoras e com o tempo os clientes começaram a ficar insatisfeitos com esse pagamento duplo. Eu conversei com meu pai, nós vimos a necessidade de acabar com esse custo e o único jeito de conseguir isso era eu mudando para lá. São Paulo estava crescendo muito nos anos 80. As transportadores tinham saído do Parque Dom Pedro, passado pelo Brás e estavam se instalando em pontos da Vila Maria, Vila Galvão. No início, nós ficamos na Vila Maria, num galpão junto com mais quatro transportadoras, convivendo com os problemas das quatro. A parte do aluguel que a gente pagava ia para a despesa do arrendador do galpão e acontecia que ele não pagava a imobiliária. Então, olha, foi uma vida difícil, e aquela situação começou a nos incomodar. Da Rua Curuçá, 681, quase esquina com a Severa, fomos para outro galpão próximo, na Rua Padre João Antônio. E aí, evoluindo, logo depois de um ano, mudamos para a Rua Eli. Aí as coisas melhoraram, mas, por outro lado, os moradores começaram a reclamar da presença dos caminhões na Vila Maria. O caminhão parava na porta da rua, da garagem. O proprietário tinha que buzinar, tinha que xingar os caminhoneiros para sair de casa. Essa era a época do Jânio Quadros e a providência que a prefeitura tomou foi expulsar as transportadoras. Nossa empresa chegou a ser fechada administrativamente e nós reabrimos em seguida. Passados mais alguns dias, a prefeitura convocou a Polícia Militar, eles vieram e lacraram a transportadora; e aí nós também violamos o lacre e continuamos a trabalhar. Nós precisávamos. Eram multas diárias que a transportadora tinha e ainda por cima aquela situação irregular junto com o município. Foi uma fase muito difícil. Depois, através de muito estudo, nasceu o Terminal de Cargas Fernão Dias, que foi o primeiro do Brasil, que concentrava as transportadoras. A carreta chegando ao terminal, descarregando, passando para veículos menores e os veículos menores fazendo as entregas. Aquilo era interessante e eu me propus a adquirir um dos módulos do terminal. O problema aí foi o meu pai. Ele não queria que fosse feito esse investimento, porque, tendo em vista a situação de alta inflação do Brasil naquela época, fazer investimento significava que todo mês haveria correções da prestação de acordo com a inflação. E os negócios, o comércio, o frete não aumentariam tanto quanto a prestação financeira. Então meu pai não queria que fosse feito o investimento, mas, por outro lado, era importante para nós e eu bati o pé. Tive o apoio dos dois irmãos e nós conseguimos fazer a compra de um boxe lá. Isso melhorou tremendamente a nossa situação.”

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