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Calmaria? Só na aparência.

História de: Luis Eduardo de Souza Corrêa
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 26/10/2021

Sinopse

Luis Eduardo de Souza Corrêa nasceu em Resende no Rio de Janeiro, no dia 14 de maio de 1973. 

Sua gestação foi um pouco atípica pois é gêmeo idêntico do seu irmão, Luís Claudio. Seus pais emigraram de Minas Gerais em busca de oportunidades melhores e se conheceram em Resende. Luís é o mais velho dos quatro irmãos.

Seu pai, Francisco Corrêa, é economista. Uma pessoa muito comunicativa, simpática e alegre, trabalhou por 36 anos numa indústria química da região na área de compras. Sua mãe, Maria José de Souza Corrêa, é professora. 

Cresceu em Resende e sempre foi muito ligado ao futebol. Torcedor do Flamengo, sempre gostou de assistir a todos os jogos de futebol independente do time que está jogando. Os irmãos jogavam bola na rua e participavam de campeonatos no bairro. E logo depois começaram a jogar em Clubes Pequenos de bairro. 

Sempre teve liberdade dentro do seu bairro Paraíso, para jogar bola e soltar pipa. Luís Eduardo e Luís Claudio ficaram conhecidos na cidade pelo apelido Tico e Teco. 

Estudou no Colégio Salesiano em Resende da quinta série primária até o oitavo ano.

Com 14 anos, foi aprovado na Escola Técnica em Mecânica Industrial e foi morar com o irmão e mais 4 amigos em São José dos Campos numa pensão.  

Nesse período ingressou num time profissional e jogou o Campeonato Paulista na sua faixa etária. 

Depois de 3 anos e meio retornou para Resende. Trabalhou como técnico de recondicionamento das máquinas da Xerox por um ano até passar para Universidade de Itajubá para cursar Engenharia Mecânica. 

Em Itajubá morava numa república chamada Jamaica muito conhecida pelas festas. Convive com amigos desde esse período e tem laços fortes com a cidade. Se formou em 2000, com 27 anos. 

Após a Universidade, trabalhou por dois anos e meio na mesma Indústria Química que o pai. Depois ingressou na CSN como engenheiro em Volta Redonda. Recém-casado morava perto da Usina de Funil e sonhava em trabalhar na empresa. Prestou vários concursos nesse período e um deles para Furnas.

Ingressou em FURNAS no dia 16 de março de 2005, como engenheiro, no departamento que fazia os estudos de viabilidade dos empreendimentos. Se muda com a esposa para o Rio de Janeiro. Trabalhou nos projetos de Simplício e Retiro Baixo.

Depois de um ano e cinco meses, recebeu o convite para passar para a área de operação. Voltou para Resende em 2006, e foi trabalhar na equipe de Eletromecânica da Usina de Funil. 

Em 2012 passou para operação da Usina e assumiu a gerência da Usina de Funil e da Subestação de Cachoeira Paulista.  Em média, gerencia de forma direta e indiretamente mais de 100 pessoas. 

Ressalta que em 2012, junto com o departamento de meio ambiente, conseguiram a licença de operação da Usina de Funil junto ao IBAMA que marcou o início de programas ambientais dentro da Usina. Um marco importante na história da instalação. 

 Acredita que o que diferencia o funcionário de FURNAS é o orgulho de trabalhar na empresa. E que as parcerias entre as diversas áreas da empresa fazem o dia a dia de trabalho fluir mais fácil. 

Desde 2004, Luís reafirma de 5 em 5 anos seus votos de casamento com sua esposa. São pais de dois adolescentes. 


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História completa

 Um pequeno excerto sobre a história de Luís Eduardo

O dia a dia, aparentemente, é rotineiro, mas é só aparência, principalmente em uma usina com as características de Funil, que tem essa questão do deplecionamento. Nos períodos de chuva, você tem que estar se portando diariamente aos órgãos públicos, de imprensa, relatar como é que está a questão da vazão, reservatório, a quantidade de água que vai ser turbinada, que vai ser despejada. E tudo isso é muito dinâmico. 

 

No começo da minha graduação de engenharia em Itajubá, que é dado o currículo básico, eu estava totalmente arrependido de ter escolhido essa carreira. O que me segurou foi o fato de ter me tornado monitor de educação física, eu gostava dessa parte, e assim fui levando, meio aos trancos e barrancos. 

Quando eu passei para a parte técnica aí a coisa ficou mais interessante. Depois do 7º período, você podia escolher entre fazer uma engenharia mecânica um pouco mais ligada aos conceitos técnicos, projetos, ou uma engenharia mecânica mais ligada a estatística, produção, qualidade. Na graduação tinha um professor, Augusto, inclusive, foi ele quem me deu aula sobre usinas hidrelétricas, que é a área onde tive e tenho minha maior experiência profissional dentro de FURNAS, e ele me orientou: “Pelo seu perfil, você não vai aguentar essas coisas de numerozinhos para cá, numerozinhos para lá, o seu negócio é pauleira, desse jeito que você vai gostar, faz a plena”. 

  E eu fiz. Inclusive, a matéria dele eu fui tão bem, que ele até relevou que eu estava com excesso de faltas. Tinha a primeira prova, a segunda prova, quem não passasse ia para exame. Acabou que eu passei até sem exame. Quem iria imaginar que anos depois eu estaria trabalhando em uma usina hidrelétrica? 

 

Desenho de um círculo

Descrição gerada automaticamente com confiança média

Quando eu entrei em FURNAS, eu entrei numa área que fazia análise das características de um empreendimento, observava a vazão do rio, a queda d’água, quanto que cada usina teria de potência instalada, sua garantia física, para isso ser revertido em uma análise sobre o possível faturamento que cada usina poderia ter. Resumindo, as pesquisas vislumbravam tirar a conclusão se valia a pena ou não um empreendimento antes de FURNAS entrar em um leilão, por exemplo.

Era um departamento com duas divisões ligadas a superintendência de planejamento. Eu fiquei 1 ano e 8 meses nesse posto até que fui transferido para a Diretoria de Operação onde eu assumi o cargo de supervisor de manutenção da eletromecânica na usina de Funil. 

E a usina de Funil é singular na América Latina! Ela tem um tipo de barragem que é única por aqui, uma abóboda de dupla curvatura, uma construção que você tem uma curvatura das duas ombreiras e de baixo para cima. É um projeto europeu, de origem portuguesa, da década de 1960 que só foi permitido porque a região, no salto do funil, que é onde foi construída o barramento, tem uma característica de ombreiras rochosas dos dois lados, e essa condição que permitiu que se construísse uma barragem desse tipo. 

Ela é espetacular, ela é turística, além de compor o cenário econômico e energético da região. Depois da construção da barragem da usina de Funil, as cidades adjacentes de Itatiaia, Barra Mansa, Resende, Volta Redonda, deixaram de sofrer com as cheias anuais que inundavam parte das áreas ribeirinhas. A barragem consegue fazer um sistema de controle da vazão. 

Funil também é uma usina turística, pois ela é muito visitada por grupos espontâneos e escolas de nível fundamental, médio e ensino superior. Inclusive, tem programas de educação ambiental, que levam as crianças para aprender sobre a questão de economia de água, economia de energia. 

Além disso tudo, a engenharia que foi utilizada na concepção dessa usina é uma coisa fantástica do ponto de vista de economia de concreto, utilização de área e de segurança. Segurança, principalmente. Eu trabalho todos os dias embaixo dela, se eu não confiasse, seria difícil!

Atualmente, eu sou o gerente da usina de Funil e estou feliz demais. Tem a usina hidrelétrica, a subestação de Cachoeira Paulista, Subestação de Resende, que é uma área teleassistida, um conceito novo, moderno. Tudo isso é um desafio que faz o nosso trabalho ficar muito dinâmico e prazeroso.

O dia a dia, aparentemente, é rotineiro, mas é só aparência, principalmente em uma usina com as características de Funil, que tem essa questão do deplecionamento. Nos períodos de chuva, você tem que estar se portando diariamente aos órgãos públicos, de imprensa, relatar como é que está a questão da vazão, reservatório, a quantidade de água que vai ser turbinada, que vai ser despejada. E tudo isso é muito dinâmico. 

Obviamente, também temos as atividades do dia a dia, de operação, manutenção, e como ela se localiza em um ponto estratégico, que é no médio rio Paraíba do Sul, está a 170 km do Rio de Janeiro e aproximadamente a 230km de São Paulo, às margens da Rodovia Presidente Dutra, são muitas informações que passam por aqui, fora a quantidade de visitas e eventos. 

Em 2012, nós conseguimos a licença de operação da usina, isso porque quando ela foi construída ainda não existia a legislação, então, somente em 2012 que nós obtivemos uma licença de operação corretiva, conseguimos isso junto ao IBAMA, evidentemente, em parceria com os órgãos da gerência de licenciamento ambiental. Foi uma data importantíssima para a história da usina de Funil, e marcou também o início de alguns dos nossos programas ambientais, como o reinício de um programa de reflorestamento, que faz parte do programa de recuperação de áreas degradadas. Com esses programas ambientais, nós passamos a receber a visita de escolas e criamos um programa de educação ambiental.

O cotidiano da usina também envolve o cuidado da área verde. Quem não conhece acha que é cuidar de jardim, mas não é, área verde está ligada diretamente a área de segurança de barragem, a parte de controle de formiga, de cupim, crescimento demasiado de vegetação, a parte da limpeza, que é controle das áreas onde os operadores utilizam. 

A gente não para, não para, e o tempo todo nós temos renovações das normas de operação, temos muitas parcerias na operação, quando vai fazer uma manobra, um aumento de geração, diminuição de geração. Realmente, é animado o dia a dia da usina. Gostei! Tanto que estou prestes a completar 10 anos como gerente, com muito orgulho! 


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