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Calças Remendadas

História de: Guilherme de Arruda
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 15/01/2013

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Minha mãe é professora e meu pai é de formação em Engenharia Industrial. Como minha mãe dava muitas aulas e meu pai trabalhava muito em São Paulo, a gente se via mais de noite. Eles não eram severos, resolviam mais na conversa. Não apanhei muito. Só meu pai que era um pouco mais firme, que tinha puxado mais a família dele. O meu avô paterno foi o que eu convivi menos porque ele já é falecido, mas ele deixou muitos registros. Ele veio da área rural, então cantava com o pessoal da catira, da música, da poesia. E por parte da minha mãe eles também tiveram essa influência rural, então são bastante caipiras no modo de ser. A cultura sertaneja ficou bastante na nossa família; tem muitas histórias, causos sertanejos que a gente cresceu ouvindo. Pra mim, isso ficou de muito valor, principalmente agora que eu estou nessa área da educação. O lugar onde eu nasci é o lugar onde moro ainda, com meus pais, lá em Campinas. Então o que me lembra ainda a infância é o quintal cheio de planta, que a gente brincava na lama, afundando os bonecos. A natureza sempre esteve muito perto da gente. Pra mim, o cheiro da natureza, da árvore, a sensação de ar livre sempre fez muito parte da minha infância. A gente sempre teve muitos bichos em casa, porco, vaca, galinha, cachorros. Eu tenho um irmão mais novo, com quem sou bem ligado. A gente sempre brincou junto, então misturou até os amigos. Jogava vídeo game, batia uma bola; por ter um grande quintal, o pessoal ia lá em casa brincar nesse lugar. A minha lembrança de infância é de acordar e ver meus pais tomarem café juntos. Depois cada um tomava seu rumo e a gente também, ia pra escola. Quando voltava, tinha uma tia que ajudava a cuidar do almoço, então tinha uma rotina já programada pros meus pais trabalharem fora e os filhos ficarem por lá. Minha mãe ficava louca porque eu gostava muito de bola quando era pequeno, e deixava as paredes tudo com marca de bola. Conforme eu ia crescendo, fui me sentindo afeito aos esportes, tanto é que fui fazer Educação Física. Por gostar muito de jogar bola, eu vivia com as calças remendadas. Eu tive sonho de ser jogador de futebol. Entrei em escolinha, joguei campeonato, mas fui vendo que não ia dar. Pensei até em ser engenheiro, porque meu pai era engenheiro. Mas vi que não era a minha. E foi aí que fui abrindo a cabeça pra parte de Educação Física, que era uma coisa que fazia parte da minha infância, que eu trazia.
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