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Caito Maia: um legado de disciplina e talento

História de: Caito Maia
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 09/05/2019

Sinopse

Antonio Caio tornou-se Caito Maia. O menino que se despregou da bolha aos 12 anos - e repetiu isso ao longo de oito anos - mirou no esporte, conduziu-se pela música e acertou em cheio os negócios. Do rock pesado para a logomarca simpática; das festas rave para os quiosques e as franquias. Sempre com espírito empreendedor, sempre corajoso até o ponto de arriscar a própria sobrevivência - para sobreviver é preciso dignidade e ele quase passou fome na terra alheia. Mas eis que o foco, a disciplina, o caráter e o talento o levam ao ponto de deixar um exemplo, um legado e uma marca - no sentido literal do termo - na vida de tanta gente. É tão vibrante a marca da pimenta que até parece que tiene fuego.

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História completa

Antonio Caio Gomes Pereira Filho, esse o meu nome de batismo. Paulistano, nascido em 1969. De repente, lá pelos 18 anos, um colega de sobrenome Maia me disse: “Você agora é Caito Maia”. Ou disse algo do gênero. “Está bom”, eu respondi. E virei Caito Maia. Assim, do nada. Sem nenhuma história inspiradora. De lá para cá, todo mundo começou a me chamar assim, então… Sou Caito Maia.

 

Da infância, tenho a lembrança de pai, mãe, irmão, uma família legal, as famílias unidas - lado de pai e lado de mãe. Não lembro de brigas, desarmonia, nada disso. Só diversão, carinho, cuidados, amor. Uma mãe que continua viva, excepcional, um pai que se foi muito cedo, que faz muita falta e que aprendi a identificar nele a pessoa especial que foi, aos poucos, quando ele já não estava mais. Mas o homenageei no meu casamento. Uma pessoa sensível, músico, professor de piano, louco pelo São Paulo, o time… Na verdade, alguém tão especial que conseguia me acalmar - era o único - nas minhas crises de Síndrome do Pânico, que eu tenho desde os 20, 21 anos, mas cuido. E, às vezes, me tirava da angústia por telefone.

 

Sempre fui uma criança gordinha, mas não lembro de ter sofrido bullying. Ao contrário, era um gordinho ágil, que praticava esporte, simpático, de quem todo mundo gostava. Só que, aos 16 anos, em Boston, consegui perder 50 quilos. Mas isso é história para daqui a pouco. O fato é que sempre fui ligado a esportes - escola de manhã, clube à tarde e fins de semana: basquete, futebol, vôlei, natação, polo…

 

Sempre fui muito precoce: aos 12 anos fui para os Estados Unidos ficar seis meses; aos 16, fui morar sozinho; aos 17, comprei meu primeiro carro zero. Sempre soube como me bancar: comprando, vendendo, trazendo de fora, um espírito meio muambeiro, mas, invariavelmente, ético, sério, consciente. E, nos primeiros anos da minha vida, eu tive dois momentos que se destacaram: o momento esporte e o momento música, este desde os 11 anos e com uma perspectiva assim meio business: fui músico profissional por 15 anos. A primeira banda foi, em verdade, uma reunião de colegas do Objetivo e nós faturamos o FICO, o Festival deles lá, no Ibirapuera. A primeira de caráter profissional estava prestes a “bombar” quando o vocalista desistiu. Isso já com contrato assinado, disco gravado, enfim… Deus não quis.


 

E eu acredito que é preciso respeitar a força (e a vontade) de Deus, porque Ele sempre reserva para a gente coisa melhor.

 

A segunda banda cumpriu seu papel, nada de mais; aí veio a terceira, Las Ticas Tienen Fuego, propositadamente errado, com ‘t’ e não com ‘ch’, de chicas - com a qual concorremos ao VMA, da MTV. Quase chegamos lá, mas… Frustrado porque tínhamos ficado entre os finalistas - mas apenas entre os finalistas - eu aprendi que, se você está vivendo uma história e ao seu lado corre uma outra história em paralelo, você precisa estar preparado para compreender essa situação como um caminho que Deus está mostrando a você, uma alternativa. E aí, também, eu me lembrei de que, a partir do momento em que lá atrás eu fui capaz de vencer o desafio do sobrepeso e perder simplesmente 50 quilos basicamente com força de vontade - malhando, correndo, fazendo abdominal, fechando a boca - eu estava pronto para encarar novos desafios, porque parece que você tudo pode e você tem o controle nas suas mãos. Aí, assim como aquela vitória lá em Boston tinha me estimulado a correr atrás do meu sonho da música, inclusive fazendo Faculdade de Música e tudo o mais, essa pretensa derrota, de não ter ganho o prêmio, deveria me instigar a buscar o meu caminho. E aconteceu.

 

Curiosamente, a dedicação à música nunca me impediu de exercitar uma forma de me garantir financeiramente, embora, às vezes, desse para viver melhor, às vezes, nos Estados Unidos, bem próximo de passar fome. Mas sempre uma atividade, em geral alguma venda, óculos,… Quando ocorreu o episódio da MTV eu morava com um companheiro do Raimundos e, além de ensaiar lá na casa, a gente ainda promovia altas festas, reunindo a nata do rock: Sepultura, Ratos do Porão Capital Inicial. E, obviamente, Las Ticas. Tudo lá, junto e misturado. Ás vezes, eu ficava olhando aquilo e pensava: “Preciso escolher um caminho”. Aí aconteceu de perdermos o VMA e eu disse: “Agora, eu vou por esse caminho”. Troquei a música pelo óculos escuros. Eu que já estava nesse mundo, também, há algum tempo. E teve início, então, a história dentro da minha história: Chilli Beans.

 

Quando, aos 12 anos, fui ficar com meus tios, vivendo a realidade dos Estados Unidos, eu senti com se tivesse me despregado da bolha e, ao voltar, sofri aquele impacto, tomei aquele susto. E daí resolvi deixar de novo a bolha, e de novo, e de novo, indo e voltando, para cada vez mais aprender. Numa dessa vezes, comprei 200 óculos de um camelô e trouxe. Vendi, lucrei, trouxe mais, vendi, lucrei. Aí fui procurar empresas para vender. A Fórum, por exemplo, me fez uma encomenda espantosa. Tudo bem, fui de vento em popa, até que duas dessas empresas não me pagaram: quebrei. Simplesmente, quebrei. Aí, descobri a importância de ter a marca. E aí começou a Chilli Beans. Impulsionada por alguns fatores: o ambiente nas décadas de 80 e 90; a Galeria Ouro Fino, na rua Augusta; o Mercado Mundo Mix; as festas rave; a abertura de quiosques, no lugar de lojas; a excepcional aceitação - e procura - de franquias da marca. Hoje, a marca fala por si. Dos seus produtos; do seu público; da penetração no mercado nacional - o único mercado onde Ray Ban fica em segundo lugar por causa dela, Chilli Beans.

 

Mas aí as coisas foram acontecendo também em outros aspectos: os relacionamentos - oficiais ou não - as amizades que foram se formando; a certeza de que a marca; o sucesso da marca; a confiabilidade da marca possibilitou a muita gente - franqueados, funcionários - compor suas vidas, suas famílias; mas, sobretudo, a família que eu constituí, o casamento, os filhos maravilhosos, razões de minha vida hoje, a realização do sonho de ser pai. E novos aprendizados, como a minha atual noiva me vem proporcionando, no sentido de viver mais intensamente - e paralelamente ao trabalho - o importantíssimo lado família. Sinto que tudo devo agradecer e nada mais existe para pedir, como aspiração capitalista. Mas sonho deixar um legado e, também, fazer o bem para as pessoas que estão comigo.

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