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História

Cafeteria Ecológica, cafeteria conceito

História de: Rodrigo Pastova
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 18/07/2021

Sinopse

Apresentação do entrevistado; origens da família. Breve descrição da atividade dos avós e dos pais. Infância na Vila Tibério, bairro tradicional de Ribeirão Preto. As brincadeiras bets na rua com os amigos, a ida ao cinema nos principais lançamentos e a a onda do skate que o acompanhou por anos. O ingresso na escola e a profissão de mecânico, que depois o fez entender que era hobby. A curtição com os amigos, nos barzinhos famosos da cidade, as viagens de carona, por cidades vizinhas. A entrada no comércio através do sogro, a nova oportunidade de empreender após longo período de curtição e várias experiências em diversas áreas profissionais. A Cafeteria Ecológica. O ramo do café orgânico que foi crescendo com o tempo e fazendo sucesso na região e com amigos, a chegada da pandemia e a adaptação para manter o nome e o legado. Os aprendizados com esse período tão triste e o desejo de se reunir novamente e tomar o tão sonhado cafézinho com seus clientes e amigos.

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História completa

         Meu nome é Rodrigo Pastova, e eu nasci em 3 de abril de 1977, em Ribeirão Preto. A minha mãe era dona de casa, mas com vários afazeres domésticos, como costurar para fora. Meu pai foi cevando aí no meio do caminho, mas era um auxiliar de farmacêutico - era muito cogitado, até praticamente um médico.

         Minha escola, EEPG Dona Sinhá Junqueira, na verdade era um palácio onde morava a Sinhá Junqueira, filha dos Junqueira, coronéis aqui da cidade. Então, era uma mansão. Até hoje é emocionante você passar lá. Quem conhece lá dentro, é uma loucura. Faz parte da história da cidade também.

         Depois eu fui para o Senai, porque adoro mecânica. É minha paixão. Montar, desmontar... não vejo a hora de alguma coisa dar algum problema, para montar e desmontar. Batalhei, entrei no Senai, e depois fiz outros cursos. No caso, fiz mecânica de precisão, que é a parte de tornearia, usinagem de peça em geral. Achei muito legal, mas não era minha vibe. Tentei mecânica de auto, de moto, e depois eu descobri que não era minha profissão, era meu hobby, era minha paixão fazer aquilo.

         E quando eu terminei o Senai, era para eu ir para a Fepasa. Só que a Fepasa já estava fechando aqui, e eu iria ser remanejado para Araraquara. Mas minha mãe me conhecia um pouquinho, e o salário era muito alto. Ela falou: “Não vai. Vai acabar com o mundo. Esse maluco ganhando esse dinheirão aí, morando sozinho, não vai prestar, mano”. Aí eu acabei trabalhando em várias firmas, mas como um bico. Fiz muito trampo, assim, fuçado. Meu intuito era ganhar dinheiro e tirar onda, pois eu não queria compromisso.

         Mas depois dessa fase veio a cafeteria. Meu sogro tem um sítio aqui em Brodowski, próximo a Ribeirão Preto. E surgiu uma oportunidade de entrar aqui no Mercadão. Não era meu ramo, né? Eu estava trabalhando com posto de combustíveis, prestando serviço, e estava com um salário muito bom. Mas acabei vindo dar uma força. Aí, quando fui correr atrás da minha vida, a cafeteria já fazia parte... eu fazia parte da cafeteria. Então, dali para a frente, eu me envolvi aqui, acabei tocando.

         Continua um negócio familiar. É café plantado no sítio e outros produtos. Porque o café demanda… ele agradece muito se tem banana lá no meio, se tem mamão. E esses subprodutos ajudaram a gente a fazer nome, fama com a galera. Porque, quando nós abrimos aqui em 2005, não se ouvia falar em orgânico no Brasil. Por isso foi um campo meio demorado para a gente malhar. Graças a Deus, viramos uma referência na cidade. E já começou com esse nome, de Cafeteria Ecológica. 

         Depois de um ano, mais ou menos, o orgânico começou a chamar atenção. Um ato necessário, tanto para a saúde, quanto para o meio ambiente. Aí acabou tendo procura. E no Mercadão não tem como! Você fala alguma coisa, a galera da mídia aqui da região, nossos nobres jornalistas, radialistas, apresentadores, estão diariamente aí com a gente. Isso aí facilitou. E na verdade é uma cafeteria e mercearia. Todos os produtos são mais ou menos relacionados à saúde. E tem também o pãozinho de queijo, que não pode faltar, o bolinho da vovó...

         A gente trabalha com grãos arábicos, que é um café muito perfumado. E na nossa região, se você engloba a região de Araraquara, região de Ribeirão Preto, região de Franca - que ainda pega um pedaço de Minas -, somos denominados Alta Mogiana. Então, é um café que não tem altura para ser um café bom, só que as terras ‘são do caramba’! Dá um café de qualidade. E aqui, como a nossa região foi um centro de imigração dos italianos, a gente aprendeu a tomar um café não amargo, mas de sabor encorpado, e nisso ganha esse cheiro aí, que daquela vez você sentiu aqui, aquele aroma. 

         Eu tenho a máquina do café espresso. É uma máquina simples, não chega a ser tipo dessas de bibelô de padaria, aquelas coisas gigantescas. Mas a gente dá um up grade nela. E para o café que a gente tem, dá pau em máquina que é mais cara que um carro. A gente consegue atingir isso, tanto pelo up grade que a gente dá numa máquina pequena, quanto pelo café utilizado.

         E trabalhar no Mercadão é uma pegada muito forte. O meu expediente se inicia às seis da manhã e vai até às 18 e pouco. E eu tenho esse sorriso... porque é muito gratificante. A gente tem um quadro de funcionários de quase 400 pessoas, envolvendo funcionários do Mercadão, da administração, manutenção, segurança em geral. Então, só de você pensar, eu tenho 400 pessoas para alegrar meu dia. Não parece trabalho. Cansa as pernas, mas a cabeça, no finalzinho da tarde, você ainda fala: "Pô, mano, pena que acabou!" 

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